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SLIDE 1

Bom dia a todos. O tema da minha pesquisa é “Potencial de produção de


biogás a partir da codigestão da água residuária de fecularia e do bagaço de
mandioca pré-tratado”. A minha orientadora é a professora Deize.

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Então, vou trazer um contexto sobre a pesquisa, iniciando então com “o que é
a fécula de mandioca?”. Bom, a fécula é o amido puro extraído da raiz da mandioca, é
utilizada para diversos fins. Na culinária é utilizada em receitas de pães, bolos, tortas,
biscoitos e no pão de queijo. No setor industrial, é utilizado na fabricação de colas,
adesivos, papeis, entre outros.

SLIDE 3

Quanto à produção de fécula aqui no nosso estado. Atualmente, o estado do


Paraná é o maior produtor de fécula do país, sendo responsável por cerca de 66% da
produção nacional. Os dados mais recentes mostram que só em um ano, no Paraná
foram produzidas um pouco mais de 450 mil toneladas de fécula de mandioca.

SLIDE 4

Acontece que para a produção dessa fécula, o problema é que é gerada uma
grande quantidade de resíduos. Como podemos ver, 1 tonelada de raiz de mandioca
processada gera cerca de 200 kg de fécula e 800 kg de bagaço de mandioca, ou seja,
80% da mandioca que é processada na indústria, vira resíduo.

Além desse resíduo sólido, ao longo do processo produtivo também se utiliza


muita água. Estima-se que para cada tonelada de mandioca sejam gerados de 5 a 7
mil litros do que chamamos de “água residuária de fecularia de mandioca”.

Ou seja, isso significa, que no estado do Panará, se estima que em um ano


podem ter sido gerados 1,8 milhões de toneladas de bagaço de mandioca e 2,7
milhões de m³ de água residuária.
SLIDE 5

Além do problema da grande quantidade de resíduos gerados, uma outra


problemática também é que eles apresentam uma elevada concentração de matéria
orgânica. O que dá a eles um grande potencial poluidor.

E aí, pra fazer uma comparação, só a água residuária tem uma concentração
de matéria orgânica mais de 20 vezes maior do que a do esgoto sanitário. E é por
isso que esses resíduos precisam passar por um tratamento, para diminuir essa
quantidade de matéria orgânica, antes que seja dada alguma destinação a eles. E
claro que a gestão de todo esse resíduo tem um custo...

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Diante desse cenário então vem a ideia de se realizar a valorização energética


dos resíduos de fecularia, que nada mais é de que aproveitar esse alto teor de
matéria orgânica para gerar energia. O que é feito por meio da produção de biogás.

O biogás é produzido por meio de um processo de tratamento biológico, que é


a digestão anaeróbia, que é um processo que ao mesmo tempo trata os resíduos e
produz o biogás. Que é um gás que poderá ser utilizado para a geração de energia
térmica e elétrica.

Sendo que o biogás é tido como uma fonte de energia renovável, alinhada com
os objetivos globais de transição energética.

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Essa pesquisa tem então como objetivo geral: “Avaliar o potencial de produção
de biogás em reatores operados em bateladas, a partir da codigestão de água
residuária de fecularia de mandioca e bagaço de mandioca pré-tratado”.

Para atingir esse objetivo, os objetivos específicos são:

- Primeiramente “avaliar o desempenho do pré-tratamento do bagaço por meio dos


processos de hidrólise ácida e hidrólise a vapor”

- E depois “determinar a melhor proporção entre ARFM e BM hidrolisado a fim de


maximizar a produção de biogás”
E a hipótese da pesquisa então, é que, o pré-tratamento do bagaço de
mandioca irá proporcionar o aumento da produção de biogás.

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Trazendo então uma breve revisão da literatura...

Quanto à digestão anaeróbia, se observa da literatura que ela já é um método


bastante consolidado quando se trata da produção de biogás. Ela é então um
processo de tratamento biológico (como eu mencionei), em que microrganismos,
especialmente bactérias, na ausência de oxigênio, vão consumir a matéria orgânica e
liberar principalmente os gases CH4 e CO2 que vão ser então os principais
componentes do biogás.

Sendo que desses componentes, o metano é quem possui o poder calorífico


que vai proporcionar a produção e energia. Então quando se fala da produção de
biogás, na verdade o que nos interessa mesmo é o metano, então mais importante do
que a quantidade de biogás produzida, é a quantidade de metano produzida, ou a
concentração de metano nesse biogás.

SLIDE 9

Quanto aos resíduos de fecularia, já se observa na literatura que existem


estudos abordando a valorização energética desses resíduos. Inclusive estudo
abordando a codigestão da água residuária e do bagaço de mandioca (que eu vou
mostrar um exemplo na sequência).

Mas, foi observado como uma lacuna, a questão do pré-tratamento do bagaço


de mandioca.

Então o bagaço da mandioca possui uma estrutura lignocelulósica, que é uma


estrutura formada por celulose, heminocelulose e lignina, que dificulta a digestão
anaeróbia. Mas se sabe também através da literatura que essa estrutura
lignocelulósica pode ser quebrada através de processos de hidrólise. Então é possível
utilizar a hidrólise como um pré-tratamento pro bagaço.
SLIDE 10

Aqui eu trouxe esse gráfico, de um estudo que aborda a codigestão de ARFM e


BM.

Esse estudo analisou diferentes proporções de água residuária e bagaço,


então cada linha dessas é uma proporção diferente. E aí tem algumas coisas que são
interessantes de se observar através do gráfico.

Primeiro, os dados apresentados aqui é sobre de produção específica


acumulada de metano. Então aqui está mostrando a produção de metano por grama
de sólidos presentes no reator.

Então a linha vermelha, é o ensaio de controle. Realizado com 100% de água


residuária. Então nós vemos que só na linha verde que ocorreu uma produção
específica de metano mais alta que no controle e essa foi a proporção de 75% de
água residuária e 25% de bagaço.

Só que nesse estudo não foi realizado o pré-tratamento. É aí tiveram alguns


detalhes que chamaram atenção.

Primeiro, conforme foi aumentada a proporção de bagaço, foi reduzindo a fase


lag. Que é essa fase, em que os microrganismos ainda estão se adaptando, até se
iniciar uma produção expressiva de metano.

Então olhando pra linha azul, que é a proporção de 75% de bagaço, se nota
que ela começa a subir muito rápido, mas depois ela começa a se estagnar, ficando
bem abaixo das outras. O que indica justamente que existe uma parte do bagaço que
está mais acessível pros microrganismos e que é consumida rapidamente, mas após
um tempo a estrutura lignocelulósica vai dificultando a digestão desse substrato e
então vai parando a produção de metano.

Outra questão também desse gráfico, é que ele trata da produção por grama
de sólidos. Então no caso no teste com 100% da água residuária por exemplo, os
sólidos são compostos basicamente por microrganismos. Mas no caso dessa linha
azul, os sólidos são também compostos por fibras do bagaço que não foram
digeridas. Então talvez essa linha esteja tão abaixo novamente por conta dessa
estrutura lignocelulósica que não permitiu a degradação completa do bagaço. Então
acaba que o resultado mostra essa produção de metano específica menor. Mas acaba
ficando aí um questionamento né?

Então será que fazendo o pré-tratamento, esses resultados vão ser diferentes?
Esse acaba sendo o ponto central da minha pesquisa né.

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Falando agora sobre a metodologia...

Para o início do trabalho serão feitas as coletas dos substratos e do inóculo (o


substrato são os resíduos que serão digeridos e o inóculo são os microrganismos que
vão fazer essa digestão).

No caso, os substratos serão coletados em uma indústria de fécula, aqui na


região norte do Paraná. Enquanto o inóculo será um lodo de reator anaeróbio,
coletado na Fazenda Escola da UEL.

O próximo passo do trabalho então será a caracterização dos substratos. A


água residuária será caracterizada em relação aos parâmetros de pH, série de
sólidos, DQO, NTK, ácidos orgânicos, metanol e etanol. Enquanto o bagaço será
caracterizado em relação a umidade, série de sólidos, carboidratos totais, cinzas,
amido, proteína, lipídios, fibras totais, lignina, celulose e heminocelulose.

SLIDE 12

Depois disso então será feito o pré-tratamento do bagaço de mandioca, por


dois tipos de hidrólise. Pra hidrólise ácida será utilizado o ácido cítrico, o
procedimento será, misturar o bagaço com o ácido cítrico e autoclavar essa mistura
por um tempo de 1 hora, a 121°C e pressão de 1atm. Para hidrólise a vapor, o
procedimento será, autoclavar o bagaço por 15 min também a 121°C e pressão de
1atm e depois descomprimir rapidamente a autoclave.

Após esse procedimento será feita novamente a caracterização do bagaço e


será avaliado qual foi o melhor tratamento, para que o melhor pré-tratamento já seja
utilizada nos ensaios em bateladas.
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Passando então para os ensaios em bateladas, para eles serão utilizados


fracos de borossilicato de volume total igual a 0,6 L, sendo 0,4 L de volume reacional
e 0,2 L de headspace. Os frascos serão vedados com tampa de rosca usinada em
nylon tecnil adaptada com um registro agulha em latão para purga do biogás, e um
manômetro, para monitoramento da pressão. Ao longo de todo o ensaio, os frascos
serão mantidos em uma incubadora shaker à temperatura mesofílica de 36±1°C e sob
agitação constante de 150 rpm.

Então, serão testadas diferentes proporções de substratos; A pressão será


monitora diariamente e convertida em volume de biogás por meio de equações; A
composição do biogás será determinada por meio de um analisador portátil ou
cromatografia gasosa; O conteúdo final do reator será novamente caracterizado, para
avaliar como foi o tratamento.

SLIDE 14

Eu trouxe também aqui a relação da pesquisa com os Objetivos de


Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Então, na verdade, a pesquisa se encaixa em vários dos ODS, mas eu coloquei


aqui os dois principais, que são diretamente relacionados com a pesquisa, que são
os ODSs 6 e 7

O ODS 6 é em relação à água potável e saneamento. O objetivo geral desse


ODS é garantir a disponibilidade e manejo sustentável da água e saneamento para
todos. E ele tem metas que abordam o tratamento de resíduos, estando então,
diretamente ligado com a pesquisa.

E o ODS 7 que é sobre energia acessível e limpa. O objetivo geral desse ODS
é garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável para todos. Em
suma, o ODS 7 tem como uma das suas principais metas o aumento da participação
das energias renováveis na matriz energética global, que é também o principal foco
deste projeto.

SLIDE 15 – Resultados Esperados

Por fim, sobre os resultados esperados...


O que se espera com essa pesquisa, de maneira objetiva, é proporcionar o
aumento da produção de biogás a partir da realização do pré-tratamento do bagaço
da mandioca.

E também demonstrar que a codigestão anaeróbia pode ser uma alternativa


viável para o tratamento de resíduos e valorização desses resíduos do
processamento de mandioca por meio da produção de bioenergia.

SLIDE 16

Obrigada!

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