REOLOGIA
Reologia: do grego rheo = fluxo; o estudo foi desenvolvido por Bingham e Crawford, 1929, para
descrever o fluxo de materiais líquidos e a deformação de materiais sólidos. (MARTIN, A.; Physical
Pharmacy; 1993).
Ramo da mecânica que estudo as onças na forma e no fluxo de um material
Ramo da físico-química que estuda a viscosidade, plasticidade, elasticidade e escoamento de
materiais e que avalia as propriedades dos corpos que sofrem deformação (sólidos elásticos) ou
escoamento (fluido líquido ou gasoso).
Estuda o comportamento de deformação e do fluxo da matéria, incluindo suas propriedades de
elasticidade, viscosidade e plasticidade quando submetida a tensões.
FRICÇÃO
Força de atrito que ocorre internamente no material; uma camada de fluido oferece certa
resistência ao se deslocar sobre outra camada. Evolve uma complexidade de fatores, por exemplo,
o tamanho e a geometria da cadeia molecular do fluido, temperatura, forças que atuam sobre a
matéria, etc.
Solventes: a fricção é desprezível, por isso essa substância flui com facilidade
Resinas, óleos, sólidos: a fricção é muito elevada, por isso sua fluência é bastante difícil.
Ambos são compostos orgânicos, mas seus comportamentos são totalmente diferentes; solventes
possuem tamanho molecular bastante menor, já as resinas e óleos são macromoléculas, e
sólidos possuem elevada força de coesão.
ESCOAMENTO DA MATÉRIA – FLUIDEZ
As diferentes fluidezes de óleos lubrificantes. Quanto maior a fluidez do óleo, maior a velocidade
com que ele escoa.
Exemplo de escoamento de sólidos:
O deslocamento de planos diferentes, mantendo constante o volume (subsidência de solos).
(deslizamentos).
TENSÃO DE CISALHAMENTO
Considerando um elemento de volume cúbico, e considerando a resposta do material a uma força
externa aplicada, surgirá uma força interna agindo na mesma direção, mas em sentido contrário,
denominado tensão.
EXISTEM BASICAMENTE DOIS TIPOS DE TENSÃO
Tensões normais: agem perpendicularmente às faces do corpo.
Tensões de cisalhamento: agem tangencialmente às faces do corpo.
DEFORMAÇÕES EM UM CORPO
As deformações de corpos podem ser elásticas ou plásticas
• Deformação elástica (reversível): aquela recuperável, quando a força é removida o corpo
retoma ao seu estado original, o sistema obedece à Lei de Hooke (a deformação é proporcional
à tensão aplicada) .
• Deformação plástica (irreversível): aquela irrecuperável, uma vez atingida, a deformação
passa a ser permanente, o sistema obedece à Lei de Newton.
Fluidos escoam, e definem uma taxa de deformação: relação entre sua velocidade de
escoamento (eixo x) e sua deformação (eixo y) .
Podem ser classificados como Newtonianos e não newtonianos
[A classificação dos fluidos não newtonianos é baseada na forma como sua viscosidade
varia com a tensão de cisalhamento (ou taxa de deformação). Os fluidos não newtonianos
apresentam um comportamento viscoso que depende da força aplicada.]
Fluidos newtonianos a viscosidade é constante
DEFORMAÇÃO E TAXA DE DEFORMAÇÃO DE FLUIDOS
Um fluido entre duas placas paralelas, se uma força é aplicada na placa superior, ela irá se
deslocar a uma velocidade constante em relação à placa inferior, mantida fixa. O fluido existente
entre as placas irá escoar com velocidades diferentes em relação às placas.
A força aplicada pela placa sobre o fluido será equilibrada por uma força contrária
(cisalhamento), produzida pela resistência do fluido ao escoamento.
A FORÇA DE CISALHAMENTO É UMA FORÇA CONTRÁRIA À FORÇA APLICADA PELA
PLACA SOBRE O FLUIDO
A FORÇA DE CISALHAMENTO, em função da área da placa, é chamada de TENSÃO DE
CISALHAMENTO (τ).
A força (F) aplicada por unidade de área (A) inicia o fluxo de uma camada molecular sobre a
outra, e é chamada de FORÇA DE CISALHAMENTO OU TENSÃO DE CISALHAMENTO OU
EMPUXO (Τ) , DADO POR:
τ = F/A
A tensão de cisalhamento produz um escoamento e uma deformação no fluido, que define um
gradiente (perfil) de velocidade, equivalente à TAXA DE DEFORMAÇÃO OU TAXA DE
CISALHAMENTO (γ ).
O gradiente (perfil) de velocidade (D) corresponde à variação da velocidade de deslocamento
(v) em função da altura da camada molecular (y), é dado por:
GRADIENTE (PERFIL) DE VELOCIDADE → D = dV/dY
Como o gradiente de velocidade (D) resulta da força ou tensão de cisalhamento ( τ), então ele
equivale à taxa de deformação. (o gradiente de velocidade (D) é igual à taxa de deformação ( γ
).
D = γ ⇒ γ=
dV
dY
FLUIDOS NEWTONIANOS
Nos fluidos Newtonianos, a magnitude da taxa de cisalhamento ( τ) é proporcional à tensão
ou força de cisalhamento (γ ¿ originada:
dV
γ= , como τ = F/A. então, γ é proporcional a τ
dY
Introduzindo uma constante de proporcionalidade (η)
τ=η.γ ⇒ η = τ/ γ ⇒ τ = η. dY
dV
(Equação de fluxo de Newton)
η é definida como viscosidade ou coeficiente de viscosidade ou viscosidade absoluta ou
viscosidade dinâmica.
UM FLUIDO NEWTONIANO, portanto, é aquele cuja viscosidade, ou atrito interno, é constante
para diferentes taxas de cisalhamento e não variam com o tempo.
Graficamente, a relação entre a tensão de cisalhamento (τ )e a taxa de cisalhamento (γ )
origina uma reta que passa pela origem, sendo o inclinação a viscosidade ( η).
O valor inverso de η ( 1/ η ) é chamado fluidez (φ ) Quando um líquido (ou sólido) é aquecido
sua viscosidade dimiui, enquanto que sua fluidez aumenta.
GASES: O VISCOSIDADE AUMENTA COM O AQUECIMENTO.
Exemplos de fluidos Newtonianos são água, leite, solução de sacarose, solução salina,
óleos vegetais, metais fundidos, etc.
A unidade da tensão de cisalhamento (τ) em uma direção x é g/cm.s2.
·1
A unidade do gradiente de velocidade ou taxa de cisalhamento (γ , gama) é s
Assim, unidade de viscosidade (η,eta) será g/cm. s-1, denominada de Poise, que é a força de
cisalhamento necessária para produzir uma velocidade de 1cm.s -1 entre dois planos paralelos,
com 1cm2 de área, separados por uma distância de 1cm. A subunidade do Poise é o
Centipoise(Cp). ( 1Cp = 0,01 Poise).
1 CP = 10 2 g/cm.s = 0,001 kg/m.s = 1o-3 N.s
FLUIDOS NÃO NEWTONIANOS
São aqueles cujo comportamento não é descrito pela equação de fluxo de Newton: sua
viscosidade varia com a tensão de cisalhamento
P. ex.: resinas poliméricas, coloides (dispersões heterogonous), emulsões, suspensões líquidas,
pomadas e unguentos, alguns alimentos.
Na realidade um grande número de materiais, não apresentam o comportamento de fluidos
Newtonianos
As principais divergências são:
A curva de fluxo não é linear.
η não é constante com valores constantes de p e T.
η = f (γ), ou seja, a viscosidade depende do cisalhamento aplicado, da geometria do material,de
condições temporais.
FLUIDOS NÃO NEWTONIANOS SÃO CLASSIFICADOS EM TRÊS GRUPOS:
Fluidos independentes do tempo: aqueles onde a taxa de cisalhamento (γ ) em qualquer
momento é função da tensão de cisalhamento (τ) naquele momeno exclusivo.
Fluidos dependentes do tempo: são sistemas mais complexos onde a relação entre ( γ ) e (τ)
depende do tempo em que o fluido foi sujeito uma tensão de cisalhamento.
Fluidos viscoelásticos (ou elásticos-viscosos): são sistemas onde características semelhantes
de liquidos viscosos coexistem com comportamento de sólidos elasticos, originando um sistema
viscoso e ao mesmo tempo, elástico.
Fluidos Pseudoplásticos
A relação entre a força de cisalhamento ( τ) e o gradiente de cisalhamento (D) não é linear em
n
nenhuma parte da curva. É um fluido baseado na lei das potências: t = ηa (τ) . n é o índice de
potência, lndica o grau do comportamento não Newtoniano.
Nesses fluidos a viscosidade diminui (fluidez aumenta) com aumento da taxa de cisalhamento. Este
tipo de comportamento é encontrado no sangue. Em dispersões coloidais: metilcelulose,
alginatos, ácido poliacrílico, e em gomas naturais (tipo arábica) e mucilagens. Também em
soluções de polímeros, polímeros amolecidos, emulsões de borracha, tintas e óleos.
Fluidos Dilatentes
Aqueles onde a viscosidade aumenta (fluidez diminui) com o aumento da tensão de cisalhamento.
A viscosidade varia em toda a extensão da aplicação da força de cisalhamento. Também um fluido
n
baseado na lei das potências: t = ηa (τ) .
Exemplos: suspensões e unguentos contendo sólidos insolúveis suspensos, p. ex., suspensão de
amido, unguento para queimadura de pele.
Também encontrado na areia da praia: quanto maior o trabalho de tração aplicado para andar,
maior é a resistência ao deslocamento (deformacão), devido à separação parcial das fases liquida e
sólida, que em casos extremos, provoca uma quase solidificacan do fluido.
Tixotropia e Reopexia
São características de fluidos que possuem propriedades dependentes do tempo de
aplicação da força de cisalhamento.
• Fluidos tixotrópicos: a viscosidade diminuicom o tempo de ação da força de cisalhamento,
voltando a ficar mais viscosos com a interrupção da aplicação da força.
• São fluidos que "afinam" com aumento da tensão de cisalhamento (fluidos afinantes).
• O fluido tixotrópico é um fluido pseudoplástico, porém a viscosidade η é temporariamente
reduzida devido à tensão aplicada sobre ele.
• Ex.:suspensões concentradas (pó de gelatina,[Link].}, coloides, emulsões, soluções proteicas,
tintas, ketchup, geleias, graxas.
• Fluidos reopéticos: a viscosidade destes fluidos aumenta com o tempo de ação da tensão
de cisalhamento, voltando a ficar menos viscosos com a interrupção da aplicação da força.
• São fluidos que espessam com aumento da tensão de cisalhamento (fluidos espessantes) .
• O fluido reopético é um fluido dilatente, onde a viscosidade η é temporariamente aumentada
devido à tensão de cisalhamento.
• Ex.: argila, protetor solar, pomada de vaselina, pomada de Hipoglós.
Fluidos Independentes do tempo: fluidos para os quais a taxa de cisalhamento ( γ ) em qualquer
momento é função do tensão de cisalhamento (t) naquele momento exclusivo.
Ou seja, a tensão de cisalhamento depende somente da taxa de cisalhamento.
γ = f (T)
Três comportamentos são existentes
• Se η <1 → fluido é pseudoplástico
• Se η > 1 → fluido é dilalente
• Se η = 1 → fluido é Nev1toniono (Fluido de Blnghon é Newtoniano, porém o escoamento
não parte do zero)
DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DE PROPRIEDADES REOLÓGICAS
Determinação simultânea da tensão de cisalhamento e da taxa de deformação e feita por
viscosímetros.
Podem ser: viscosímetros: rotacionais e capilares.
Classificados em dois grupos: primário e secundário
PRIMÁRIOS
• Instrumentos que realizam medidas diretas da tensão e da taxa de deformação do fluido.
• Podem ser de disco, de cone-disco e de cilindro rotativo.
• Reproduzem o escoamento entre placas planas e paralelas.
• Podem ser aplicados para ensaios tanto de fluidos Newtonianos como de fluidos não
Newtonianos.
Ex.:Viscosímetro de cilindro Brookfield:
VISCOSÍMETROS PRIMÁRIOS (MEDIDAS DIRETAS DA TENSÃO E DA TAXA DE
DEFORMAÇÃO DO FLUIDO)
SECUNDÁRIOS
Definem a razão entre a tensão aplicada e a taxa de deformação por meios indiretos, sem
medir propriamente a tensão e a deformação.
Aplicam-se somente a fluidos Newtonianos, por medirem a viscosidade indiretamente .
EX.: VISCOSÍMETRO CAPILAR, VISCOSÍMETRO DE STOKES, COPO FORD.
VISCOSÍMETRO SECUNDÁRIO (MEDIDA INDIRETA DA VISCOSIDADE):
VISCOSÍMETROS CAPILARES,
Medem o tempo de escoamento do fluído (Ubbelohade, Ostwald Cannon Fens ke). Nesses casos o
tempo de escoamento e convertido em viscosidade. Muito usado para medidas de
viscosidade de soluções.
Viscosimetro de Stokes: A viscosidade é obtida através de medidas do tempo de queda livre de
uma esfera através de um fluido estacionário.
Viscosímetro copo Ford:
• A viscosidade é relacionada com o tempo de esvaziamento de um copo de volume conhecido que
tem um orifício calibrado na sua base
• Conjunto de orifícios padrão (giclê) feitos de bronze polido.
• É uma medida Indireta da viscosidade e comparativa.