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SINASE

Sobre o sistema Socio Educativo

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FACULESTE

INACIA CRISTIANO DE PAULA

SISTEMA NACIONAL DE ATENDIMENTO SÓCIOEDUCATIVO - SINASE

CAMPINA GRANDE/PB
2025
INÁCIA CRISTIANO DE PAULA

SISTEMA NACIONAL DE ATENDIMENTO SÓCIOEDUCATIVO - SINASE

Trabalho de conclusão de curso


apresentado como requisito
parcial à obtenção do título
especialista em Sistema Nacional
de Atendimento Sócioeducativo -
SINASE.

CAMPINA GRANDE/PB
2025
RESUMO

Inácia Cristiano de Paula

Esse trabalho de cunho cientifico, tem como objetivo principal analisar a partir de
pesquisa documental entender a lei que cria o Sistema Nacional de Atendimento
Sócioeducativo – SINASE. Instituído pela LEI Nº 12.594 de 18 de janeiro de 2012,
regulamenta a execução das medidas sócioeducativas destinadas à adolescente que
pratique ato infracional. A implementação do SINASE objetiva primordialmente o
desenvolvimento de uma ação sócioeducativa sustentada nos princípios dos direitos
humanos. O documento está organizado em nove capítulos. Já no primeiro capítulo,
vamos encontrar o marco situacional, corresponde a uma breve análise das realidades
sobre a adolescência, com foco no adolescente em conflito com a lei, e das medidas
sócioeducativas no Brasil, com ênfase para as privativas de liberdade. Os capítulos
seguintes iremos discorrer no seguimento do trabalho apresentado. Para entender
melhor o nascimento do documento, iremos discutir um pouco do Estatuto da Criança e
do Adolescente, instituído pela Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990.

Palavras–Chaves: SINASE, Adolescente, ECA.

ABSTRACT

This scientific work aims to analyze, based on documentary research, the law that
created the National Socio-Educational Assistance System (SINASE). Established by
Law No. 12,594 of January 18, 2012, it regulates the implementation of socio-
educational measures for adolescents who commit an offense. The implementation of
SINASE primarily aims to develop socio-educational actions based on human rights
principles. The document is organized into nine chapters. The first chapter provides a
situational framework, a brief analysis of the realities of adolescence, focusing on
adolescents in conflict with the law, and socio-educational measures in Brazil, with an
emphasis on those involving deprivation of liberty. The following chapters will elaborate
on the work presented. To better understand the document's origins, we will briefly
discuss the Child and Adolescent Statute, established by Law No. 8,069 of July 13,
1990.

Keywords: SINASE, Adolescent, ECA.


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ............................................................................................... 05
2. DESENVOLVIMENTO .................................................................................... 06
3. SISTEMA NACIONAL DE ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO (SINASE) ....... 09
4. DIREITOS E DEVERES DOS ADOLESCENTES NO SINASE .......................... 14
4. CONCLUSÃO ........................................................................................................ 17
5. REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 18
5

1. INTRODUÇÃO

Instituído pela Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, o Estatuto da Criança e do


Adolescente, essa lei expressa os direitos que a população infanto juvenil brasileira tem
a seu favor, no documento se encontra o valor intrínseco da criança e do adolescente
como ser humano, a necessidade de especial respeito à sua condição de pessoa em
desenvolvimento. Coloca também a responsabilidade de proteção integral junto a
família, Estado e sociedade, em que o Estado fica responsável em atuar mediante
políticas públicas e sociais na promoção e defesa de seus direitos. Persegue, ainda, a
idéia dos alinhamentos conceitual, estratégico e operacional, estruturado,
principalmente, em bases éticas e pedagógicas.
O SINASE Contendo nove capítulos ele persegue
A implementação do SINASE objetiva primordialmente o desenvolvimento de uma ação
socioeducativa sustentada nos princípios dos direitos humanos.
Com as mudanças existentes nas leis e a consolidação do Estatuto da Criança e
do Adolescente (ECA) ampliaram o compromisso e a responsabilidade do Estado e da
Sociedade Civil por soluções eficientes, eficazes e efetivas para o sistema
socioeducativo.
As mudanças com o Estatuto da Criança e Adolescente, mudaram o paradigma e
a consolidação, as mudanças asseguram aos adolescentes infracionaros oportunidade
de desenvolvimento e uma autêntica experiência de reconstrução de seu projeto de
vida. Esses direitos devem repercutir em uma melhor visão de políticas públicas e
sociais que incluam o adolescente em conflito com a lei.
Assim sendo, esse trabalho objetiva entender de forma clara o SINASE, tem
como objetivo o desenvolvimento de uma ação socioeducativa baseada nos princípios
dos direitos humanos.
Segundo Rocha (2002), O documento está organizado em nove capítulos. O
primeiro capítulo, marco situacional, corresponde a uma breve análise das realidades
sobre a adolescência, com foco no adolescente em conflito com a lei, e das medidas
6

socioeducativas no Brasil, com ênfase para as privativas de liberdade. Para tanto,


ancorou-se em dados oficiais publicados em estudos e pesquisas. O segundo capítulo
trata do conceito e integração das políticas públicas. O terceiro trata dos princípios e
marco legal do SINASE. O quarto contempla a organização do Sistema. O quinto
capítulo trata da gestão dos programas. O sexto apresenta os parâmetros da gestão
pedagógica no atendimento socioeducativo. O sétimo trata dos parâmetros
arquitetônicos para os programas socioeducativos; o oitavo, da gestão do sistema e
financiamento, e o último, do monitoramento e avaliação. O anexo apresenta o
detalhamento técnico das normas, definições e etapas para elaboração de projetos
arquitetônicos e complementares das Unidades de atendimento socioeducativo de
internação e internação provisória.

2. DESENVOLVIMENTO

O Censo de 2022 no Brasil, encontrou o menor número de crianças e


adolescentes vivendo no país. Essa faixa de habitante representa hoje 19,8%,
(dezenove vírgula oito por cento), totalizando 40 milhões. Esses dados refletem uma
tendência de envelhecimento da população e se torna a menor proporção de crianças
desde o ano de 1970.
Entende-se que o Brasil é um país repleto de contradições e também é marcado
por um grande índice de desigualdade social. A reflexão de concentração de renda na
qual 13,5% (treze e meio por cento) detém toda renda nacional e representa só 01%
(um por cento) da população. Por outro lado 50%(cinqüenta por cento) mais pobres,
que detêm 14,4% (quatorze vírgula quatro por cento) desta (IBGE, 2022). Essa
desigualdade social, constatada nos indicadores sociais, traz conseqüências diretas
nas condições de vida da população infanto juvenil.
Quando é feito o recorte racial às disparidades tornam-se mais profundas,
verificando se que não há igualdade de acesso aos direitos fundamentais. A população
negra em geral, e suas crianças e adolescentes em particular, apresentam um quadro
socioeconômico e educacional mais desfavorável que a população branca. Do total de
pessoas que vivem em domicílios com renda per capita inferior a meio salário mínimo
7

somente 20,5% (vinte e meio por cento) representam os brancos, contra 44,1%
(quarenta e quatro vírgula um por cento) dos negros (IPEA, 2023).
Ainda segundo o IPEA (2023) há maior pobreza nas famílias dos adolescentes
não brancos do que nas famílias em que vivem adolescentes brancos, ou seja, cerca de
20% (vinte por cento) dos adolescentes brancos vivem em famílias cujo rendimento
mensal é de até dois salários mínimos, enquanto que a proporção correspondente de
adolescentes não brancos é de 39,8% (trinta e nove vírgula oito por cento). A taxa de
analfabetismo entre os negros é de 12,9% (doze vírgula nove por cento) nas áreas
urbanas, contra 5,7% (cinco vírgula sete por cento) entre os brancos.

Dados nos informa que 60%(sessenta por cento) dos adolescentes brasileiros
da raça/etnia branca já haviam concluído o ensino médio, contra apenas 36,3%
(trinta e seis vírgula três por cento) de afrodescendentes (negros e pardos). Há
também diferenças superiores entre a raça/etnia branca e a raça/etnia negra
quando se verifica a relação entre a média de anos de estudo e o rendimento
mensal em salário mínimo. (IBGE, 2023).

Os dados também indicam que a realidade dos adolescentes em conflitos com a


lei tem sua maioria no meio dos mais vulneráveis, o que nos demonstra que até os dias
atuais ainda não houve um desenvolvimento de política de atendimento integrada com
as diferentes políticas e sistemas dentro de uma rede integrada de atendimento, e,
sobretudo, dar efetividade ao Sistema de Garantia de Direitos.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) volta a reunir
informações nacionais relativas ao atendimento de adolescentes em restrição e
privação de liberdade no país, por meio do Sistema Nacional de Atendimento
Socioeducativo (SINASE). Desde 2017, a Política Nacional de Atendimento
Socioeducativo não recebia um levantamento amplo de informações. (MDHC, 2023).
Os dados publicados são referentes ao ano de 2023 e trazem um panorama dos
adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas no meio fechado em todas
as unidades federativas do país. O levantamento revela um total de 11.556 (onze mil
quinhentos e cinquenta e seis) adolescentes inseridos ao sistema socioeducativo nas
modalidades de restrição e privação de liberdade.
Em relação ao último levantamento, de 2017, que havia registrado um total de
24.803 (vinte e quatro mil oitocentos e três) adolescentes em atendimento nas medidas
de semiliberdade e internação, nota-se considerável redução dos números.
8

O documento divulgado pela Secretaria Nacional da Criança e do Adolescente


(SNDCA/MDHC) traz a ressalva em relação a essa diminuição no número de pessoas
cumprindo medidas socioeducativas. Algumas hipóteses têm sido pesquisadas pelos
atores do campo, sendo algumas delas: os impactos da pandemia de covid-19; a
decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do Habeas Corpus Coletivo
143.988/ES; o aumento de homicídios contra adolescentes e jovens; a redução das
abordagens policiais e dos registros de roubo; entre outras.
Existe no Brasil um total de 505 unidades de atendimento socioeducativo nas
modalidades de privação e restrição de liberdade. Antes eram 484, no ano de 2017,
dentre elas existe 67 para atendimento exclusivo para meninas, 420 unidades são para
receber meninos e ainda existe 18 para atendimento misto. Sendo que, essas de
atendimentos mistos não são recomendadas pelo Conselho Nacional dos direitos da
Criança e do Adolescente (CONANDA). Através da Resolução nº 233, de 30 de
dezembro de 2022, não recomenda essas unidades mistas e aconselha as SUS
desativação.

Dados demográficos

Segundo os dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC,


2023), em relação ao número de adolescentes em atendimento socioeducativo de
restrição de liberdade, 4,4% correspondem ao sexo feminino e 95,6% ao sexo
masculino.
Cerca de 63,8% dos adolescentes no sistema socioeducativo brasileiro se
declararam de cor parda/preta, o que corresponde a 7.540. Os que se consideram
brancos são 2.633 (22,3%); amarelos 8 (0,1%), indígenas 53 (0,4%) e quilombola 1.
Cerca de 200 adolescentes não tinham registro quanto à cor da pele ou etnia e
802 estavam sem informação relatada por alguns estados, representando 6,8% dos
adolescentes sem esses dados. Apesar disso, o percentual de não informação quanto à
raça é o menor em relação aos levantamentos dos anos anteriores do Sinase que, nos
anos 2015, 2016 e 2017, representavam, respectivamente, 14,67%, 16,54% e 36%.
9

O relatório aponta que a quantidade maior de dados sobre o perfil racial reflete
“os avanços das pautas raciais que corroboram para uma maior conscientização sobre
a identidade étnica e racial dos adolescentes”.
Segundo os dados coletados, a maior predominância de adolescentes cumprindo
medidas socioeducativas é de meninos cisgênero, sendo o quantitativo 11.167 (onze
mil cento e sessenta e sete) adolescentes em relação a 461 (quatrocentos e sessenta e
uma) meninas cisgênero. Do total, 46 (quarenta e seis) adolescentes se identificaram
como menino transgênero, 10 (dez) como menina transgênero e 1 (um) como menino
não binário. Dos 11.167 meninos cisgênero, 8.207 (oito mil duzentos e sete) estavam
cumprindo medida socioeducativa de internação. (MDHC, 2023).
Ainda segundo o levantamento, em 2023 havia 117 adolescentes com deficiência
(1%) em atendimento socioeducativo no Brasil. Desse total, em cumprimento de
internação provisória, havia 11 (onze) no estado de São Paulo, 2 (dois) no Tocantins, 1
(um) no Rio Grande do Sul e 1 (um) no Ceará.
Na modalidade semiliberdade: 2 (dois) em Minas Gerais, 2 (dois) em São Paulo,
1 (um) no Rio de Janeiro, 1 (um) no Rio Grande do Sul e 1 (um) no Distrito Federal. Já
na modalidade de internação atendiam-se 92 (noventa e dois) adolescentes, sendo a
maioria no estado de São Paulo (83,7%). Na modalidade internação sanção, 3 (três)
adolescentes com deficiência no estado de São Paulo.

3. SISTEMA NACIONAL DE ATENDIMENTO SOCIOEDUCATIVO (SINASE)

Em 11 de dezembro de 2024 se celebrou 18 anos da aprovação do Sistema


Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) no Brasil, por meio da Resolução nº
119/2006 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA).
O ano de 2025 também se iniciou com o marco dos 13 anos da publicação da Lei
Federal nº 12.594 de 18 de janeiro de 2012, que institui o Sistema Nacional de
Atendimento Socioeducativo (SINASE), regulamenta a execução das medidas
socioeducativas destinadas a adolescente que pratique ato infracional e dá outras
providências sobre o tema.
10

Desta forma, é possível afirmar que o Sistema Nacional de Atendimento


Socioeducativo surge do compromisso de diversos atores políticos e sociais com a
proteção integral de adolescentes e jovens inseridas(os) no contexto infracional, tendo
como paradigma a educação e o bem-estar de toda a comunidade socioeducativa.
Ao sinalizar que o SINASE se constitui de uma política pública destinada à
inclusão de adolescente e jovens, a quem são atribuídas práticas infracionais, e que se
correlaciona e demanda iniciativas dos diferentes campos das políticas públicas sociais,
instituímos como princípio a incompletude institucional, reconhecendo no contexto da
socioeducação que “é preciso de uma aldeia para educar um(a) adolescente”, pro
vérbio africano que significa que a educação e socialização de uma criança não é res
ponsabilidade exclusiva da sua família, mas sim de toda a sociedade, e do Estado, o
que também está previsto no artigo 227 da Constituição Federal de 1988. (SINASE,
2024).
Como citado acima, o SINASE foi aprovado pela Resolução nº 119 do Conselho
Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes, em 11 de dezembro de 2006 e
regulamentado pela Lei nº 12.594 de 2012. Entende-se por SINASE o conjunto
ordenado de princípios, regras e critérios que envolvem a execução de medidas
socioeducativas, incluindo-se nele, por adesão, os sistemas estaduais, distrital e
municipais, bem como todos os planos, políticas e programas específicos de
atendimento a adolescente em cumprimento de medidas socioeducativas.
Essa Resolução constitui-se de uma política pública destinada à promoção,
proteção e defesa dos direitos humanos e fundamentais de adolescentes e jovens
responsabilizadas(os) pela prática de ato infracional.
Entre as competências da União prevista no artigo 3º da Lei do
SINASE destacam-se a formulação e coordenação da execução da política nacional de
atendimento socioeducativo, a elaboração do Plano Nacional de Atendimento
Socioeducativo, em parceria com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, a
contribuição para a qualificação e ação em rede dos Sistemas de Atendimento
Socioeducativo, garantir a publicidade de informações sobre repasses de recursos aos
gestores estaduais, distrital e municipais, para financiamento de programas de
atendimento socioeducativo, estabelecer diretrizes sobre a organização e
11

funcionamento das unidades e programas de atendimento e as normas de referência


destinadas ao cumprimento das medidas socioeducativas de internação e
semiliberdade e instituir e manter processo de avaliação dos Sistemas de Atendimento
Socioeducativo, seus planos, entidades e programas. (MDHC, 2023).
Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2024) o gráfico a seguir, a
queda começou a ser registrada a partir do ano de 2016, com acentuação em 2018. O
intervalo que apresenta maior decréscimo é entre 2019 e 2020, com negativa de 7.087
em números absolutos. Se formos considerar a variação em números absolutos na
última década, de 2013 para 2023, há uma diferença de -50,4%.

O gráfico a seguir apresenta a quantidade total de adolescentes em cumprimento


de medida socioeducativa, desagregado por medidas, independente da forma de
atendimento. É possível observar que entre 2020 e 2022 o total de adolescentes que
cumprem LA e/ ou PSC se manteve relativamente estável, reduzindo em 2023, com
uma diferença de 31.762 quando comparado com 2022. O mesmo movimento pode ser
observado para as medidas de LA e PSC, mas de forma menos acentuada.
12

Um dos motivos para a significativa redução em 2023 poderia ser o percentual


de preenchimento para as questões dos quantitativos de adolescentes cumprindo
medidas em meio aberto, mas, o percentual nacional de preenchimento dessas
questões é o maior dentro do período analisado. A diferença, no entanto, pode ser
justificada a partir da qualidade dos dados disponibilizados pelas gestões municipais.
O quadro a seguir apresenta, com desagregações por medida e UF, os números
informados pelas gestões municipais. Pôde-se observar que há muitas discrepâncias
ao longo do período para diversos Estados, números que fogem da lógica da série e
destoam dos demais anos. Além de que, caso os números de LA e PSC sejam
somados, o valor pode ser superior ao Total, visto que um adolescente pode cumprir
essas duas medidas ao mesmo tempo. No entanto, há casos em que a soma é inferior
ao Total, indicando que há inconsistências nos valores informados ao Censo SUAS.
13

Ainda que os dados disponibilizados pelas gestões municipais ao Censo SUAS


apresentem inconsistências, é de suma importância que eles continuem sendo
questionados junto às esferas municipais, com uma perspectiva de aproximação e
diálogo da gestão nacional junto ao âmbito responsável pela execução das medidas em
meio aberto. No mesmo sentido, a esfera estadual precisa funcionar de maneira
integrada aos municípios, em consonância com a Portaria Conjunta nº 1, de 21 de
novembro de 2022, que estabelece normas gerais para a integração entre os
14

programas de atendimento socioeducativo em meio aberto e fechado, como prevê a Lei


do Sinase.
Os dados apresentados ao longo do texto apresentam um cenário que ainda está
longe do desejado quando precisamos ter como parâmetro informações periódicas e
confiáveis sobre o sistema socioeducativo, dificultando a fiscalização e a produção de
diagnósticos mais completos nesse âmbito da justiça juvenil. Apenas o monitoramento
constante das condições de privação de liberdade e dos programas em meio aberto
oferecidos a esses adolescentes, assim como a produção periódica de informações
sobre essas condições, poderá estabelecer espaços confiáveis para garantia de direitos
da juventude brasileira, que, infelizmente, é constantemente violentada, especialmente
quando consideramos territórios e perfis específicos. (ABSP, 2024).

4. DIREITOS E DEVERES DOS ADOLESCENTES NO SINASE

Direitos Garantidos aos Adolescentes em Cumprimento de Medidas


Socioeducativas
O Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE) assegura que os
adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas tenham seus direitos
fundamentais garantidos, conforme previsto na Constituição Federal, no Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei do SINASE. Entre os principais direitos
garantidos estão:
1. Direito à Educação: Acesso à educação formal e profissionalizante. o
Participação em atividades culturais, esportivas e de lazer.
2. Direito à Saúde: Atendimento médico e psicológico adequado. o Acesso a
programas de prevenção e tratamento de doenças.
3. Direito à Assistência Social: Apoio social e familiar durante o cumprimento da
medida. o Inclusão em programas de assistência social e serviços comunitários.
4. Direito à Integridade Física e Moral: Proteção contra qualquer forma de
violência, abuso e maus tratos. Garantia de condições dignas de alimentação, vestuário
e higiene.
15

5. Direito à Convivência Familiar e Comunitária: Manutenção de contato regular


com a família, incluindo visitas e comunicação. Promoção da reintegração social e
comunitária.
6. Direito à Participação e Expressão: Participação em atividades de elaboração
e revisão do Plano Individual de Atendimento (PIA). Liberdade para expressar opiniões
e sentimentos.
Deveres e Responsabilidades dos Adolescentes no Sistema
Além dos direitos, os adolescentes em cumprimento de medidas
socioeducativas têm deveres e responsabilidades que devem ser respeitados para
promover sua reeducação e reintegração social. Entre os principais deveres estão:
1. Cumprir as Medidas Socioeducativas: Obedecer às regras estabelecidas pelas
medidas aplicadas, sejam elas em meio aberto ou fechado.
2. Respeitar as Normas e Autoridades: Seguir as normas do estabelecimento ou
programa em que estão inseridos. Respeitar os profissionais e autoridades
responsáveis pelo atendimento.
3. Participar das Atividades Propostas: Engajar-se nas atividades educativas,
culturais, esportivas e de reintegração social. Colaborar com as ações previstas no
Plano Individual de Atendimento (PIA).
4. Cuidar do Patrimônio e Recursos Disponíveis: Utilizar de forma adequada os
recursos e instalações oferecidos. Zelar pelo patrimônio público e privado presente nos
locais de cumprimento das medidas.
5. Manter Boa Conduta: Agir de maneira respeitosa e cooperativa com colegas,
profissionais e comunidade. Demonstrar atitudes que favoreçam o ambiente de
convivência e aprendizado.
Importância do Respeito aos Direitos Humanos no SINASE
O respeito aos direitos humanos é um princípio fundamental do SINASE,
essencial para a promoção de um atendimento socioeducativo digno e eficaz. A
aplicação das medidas socioeducativas deve sempre considerar os direitos humanos
dos adolescentes, garantindo que sejam tratados com dignidade, respeito e justiça.
1. Humanização do Atendimento: O atendimento socioeducativo deve ser
centrado na pessoa do adolescente, reconhecendo sua dignidade e potencial de
16

transformação. A humanização contribui para a construção de vínculos positivos e para


a eficácia das medidas aplicadas.
2. Prevenção de Violências e Abusos: O respeito aos direitos humanos previne a
ocorrência de violências, abusos e maus-tratos contra os adolescentes. Assegura um
ambiente seguro e propício ao desenvolvimento pessoal e social.
3. Promoção da Cidadania: Garantir os direitos dos adolescentes contribui para a
formação de cidadãos conscientes e participativos. Fortalece a autoestima e o sentido
de pertencimento dos jovens na sociedade.
4. Efetividade das Medidas Socioeducativas: O respeito aos direitos humanos é
essencial para a efetividade das medidas socioeducativas, promovendo resultados
positivos na reintegração social dos adolescentes. Favorece a construção de um futuro
mais justo e inclusivo para os jovens em conflito com a lei.
O SINASE, ao garantir os direitos e estabelecer os deveres dos adolescentes,
promove um sistema de atendimento socioeducativo justo, eficiente e humanizado,
contribuindo para a transformação e reintegração social dos jovens em conflito com a
lei.
17

4. CONCLUSÃO

Como foi visto nesse trabalho, procuramos de forma clara explicar como funciona
o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), no Brasil, vimos que é
marcada por algumas transformações ao longo dos anos. Inicialmente, as medidas
aplicadas a adolescentes em conflito com a lei eram predominantemente punitivas e
carcerárias, com pouco foco na reeducação e reintegração social.
Seu inicio se deu na década de 90 (noventa) com Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069/1990, que estabeleceu os direitos fundamentais das
crianças e adolescentes, incluindo a proteção integral e a prioridade absoluta em
políticas públicas e Introduziu medidas socioeducativas como alternativas às penas
privativas de liberdade.
No ano de 2006, a Resolução nº 119 do CONANDA, instituiu o SINASE como um
sistema nacional, definindo diretrizes para a execução das medidas socioeducativas.
Enfatizou a necessidade de articulação entre os diferentes níveis de governo e a
sociedade civil. Em 2012, a Lei Federal nº 12.594, Regulamentou o SINASE,
detalhando suas diretrizes, princípios e objetivos.
Vimos que a partir do SINASE, passamos a ter uma nova visão sobre a
aplicação e execução das medidas socioeducativa no país com as definições de
competência das autoridades judiciais, do Ministério Público, dos defensores públicos e
dos gestores das políticas de atendimento.
Esses marcos legais e regulamentações têm sido fundamentais para o
desenvolvimento e fortalecimento do SINASE no Brasil, assegurando um atendimento
mais justo, eficiente e humanizado aos adolescentes em conflito com a lei.
18

5. REFERÊNCIAS

BRASIL. Decreto n° 1.904, de 13 de maio de 1996. Institui o Programa Nacional de


Direitos Humanos - PNDH. Acesso em 22 de outubro de 2024. Saiba mais.

BRASIL. Lei nº 12.594, de 18 de Janeiro de 2012. Institui o Sistema Nacional de


Atendimento Socioeducativo (Sinase), regulamenta a execução das medidas
socioeducativas destinadas a adolescente que pratique ato infracional. Disponível em
L12594. Acesso em 22 de outubro de 2024.

BRASIL. (2006). Sistema Nacional De Atendimento Socioeducativo - SINASE.


Brasília. Disponível em sinase_2006.pdf Acesso em 15 de agosto de 2024.

Levantamento Nacional do SINASE - 2024/ Ministério dos Direitos Humanos e


Cidadania; Universidade de Brasília – Brasília: Ministério dos Direitos Humanos e
Cidadania, 2025.

Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Levantamentos Nacionais do SINASE.


2023

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