Universidade Federal de Alagoas
Campus do Sertão – Delmiro Gouveia
Curso de Engenharia Civil
Disciplina: Estruturas de Concreto 2
Prof. Dr. Vinicius Costa Correia
Delmiro Gouveia – 2026
INTRODUÇÃO
• De acordo com a NBR 6118:2026, pilares são
elementos lineares de eixo reto, usualmente
dispostos na vertical, em que as forças normais de
compressão são preponderantes.
• Pilares-parede são “Elementos de superfície plana ou
casca cilíndrica, usualmente dispostos na vertical e
submetidos preponderantemente à compressão.
Para que se tenha um pilar-parede, a menor
dimensão deve ser menor que 1/5 da maior, ambas
consideradas na seção transversal do elemento
estrutural”. (item [Link] da NBR 6118:2026).
INTRODUÇÃO
• Os pilares têm a função primária de transmitir as
ações verticais gravitacionais e de serviço e as
horizontais (vento) às fundações, além de conferirem
estabilidade global ao edifício.
CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES EM EDIFÍCIOS
1) Quanto à posição
CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES EM EDIFÍCIOS
• Pilares intermediários:
– Submetidos preponderantemente às forças axiais de
compressão.
– Na situação de projeto, admite-se o pilar intermediário
submetido a uma compressão centrada, isto é, a
excentricidade inicial é considerada igual a zero.
CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES EM EDIFÍCIOS
• Pilares de extremidade:
– Solicitados por cargas concentradas verticais e momento
fletor transmitido pelas vigas na direção perpendicular. Na
outra direção (paralela à borda) há continuidade e,
portanto, não há transmissão de momentos para o pilar.
– Na situação de projeto, admite-se o pilar de extremidade
submetido à flexão composta normal.
CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES EM EDIFÍCIOS
• Pilares de canto:
– Além da força normal de compressão atuante, consideram-
se os momentos transmitidos pelas vigas.
– Na situação de projeto, portanto, considera-se o pilar de
canto submetido à flexão composta oblíqua.
CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES EM EDIFÍCIOS
2) Quanto à esbeltez
- Índice de esbeltez
le I
, com i
i A
Sendo:
le = comprimento equivalente do pilar
i = raio de giração da seção
I = momento de inércia da seção de concreto na direção analisada
A = área da seção transversal de concreto
CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES EM EDIFÍCIOS
2) Quanto à esbeltez
- Para seção retangular o índice de esbeltez resulta:
12 . le 3,46 . le
h h
- Determinação do comprimento equivalente do pilar
l0 h
le
l
CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES EM EDIFÍCIOS
Sendo: l0 h
le
l0 = distância entre as faces l
internas dos elementos
estruturais, supostos
horizontais, que vinculam o
pilar
h = é a altura da seção
transversal do pilar, medida
no plano da estrutura
l = distância entre os eixos
dos elementos estruturais
aos quais o pilar está
vinculado
CRITÉRIOS DA NBR 6118:2026 PARA O
CÁLCULO DA ESBELTEZ LIMITE (λ1)
e1
25 12,5
1 h , 35 1 90
b
Sendo:
- e1 a excentricidade de primeira ordem;
- αb um coeficiente que depende da distribuição de momentos
no pilar.
CRITÉRIOS DA NBR 6118:2026 PARA O
CÁLCULO DA ESBELTEZ LIMITE (λ1)
O valor de αb pode ser obtido de acordo com as seguintes
situações:
a) Para pilares biapoiados sem cargas transversais
MB
b 0,60 0,40 0,40
MA
Sendo MA e MB os momentos solicitantes de 1ª ordem nas
extremidades do pilar. Adota-se para MA o maior valor absoluto
entre os dois momentos de extremidade. Adota-se o sinal
positivo para MB, se este tracionar a mesma face que MA, e
negativo em caso contrário.
CRITÉRIOS DA NBR 6118:2026 PARA O
CÁLCULO DA ESBELTEZ LIMITE (λ1)
a) Para pilares biapoiados sem cargas transversais:
CRITÉRIOS DA NBR 6118:2026 PARA O
CÁLCULO DA ESBELTEZ LIMITE (λ1)
b) Para pilares biapoiados com cargas transversais significativas
ao longo da altura:
b 1
c) Para pilares em balanço:
MC
b 0,80 0,20 , com 0,85 b 1
MA
Sendo MA o momento de 1ª ordem no engaste e MC o momento
de 1ª ordem no meio do pilar em balanço.
CRITÉRIOS DA NBR 6118:2026 PARA O
CÁLCULO DA ESBELTEZ LIMITE (λ1)
d) Para pilares biapoiados ou em balanço com momentos
menores que o momento mínimo:
b 1
Momento Mínimo:
M 1d ,mín N d (0,015 0,03 h)
Sendo:
Nd = força normal de cálculo;
h = altura da seção transversal na direção considerada, em
metros.
CRITÉRIOS DA NBR 6118:2026 PARA CONSIDERAÇÃO
DOS EFEITOS DE SEGUNDA ORDEM
• Quanto à esbeltez, os pilares podem ser classificados
como:
– Pilares curtos (λ ≤ λ1) em que os índices de esbeltez são
menores que os de referência e, portanto, os efeitos de
segunda ordem não precisam ser considerados;
– Pilares medianamente esbeltos (λ1 < λ ≤ 90) que são
aqueles para os quais podem ser considerados os efeitos
de segunda ordem por processo aproximado como o
método do pilar-padrão com curvatura aproximada;
CRITÉRIOS DA NBR 6118:2026 PARA CONSIDERAÇÃO
DOS EFEITOS DE SEGUNDA ORDEM
– Pilares esbeltos (90 < λ ≤ 140) são aqueles para os quais é
possível considerar-se nos projetos o método do pilar-
padrão acoplado a diagramas de M – N – 1/r;
– Pilares muito esbeltos (140 < λ ≤ 200) que exigem a
consideração de processos exatos para a verificação do
estado limite de instabilidade (Método Geral).
A NBR 6118:2026 não permite que se projete e construa pilar
com índice de esbeltez (λ) maior do que 200.
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
1) Excentricidade inicial:
A excentricidade inicial, oriunda das ligações dos pilares
com as vigas neles interrompidas, ocorre em pilares de borda e
de canto.
M topo
ei ,topo
N
M base
ei ,base
N
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
Quando não for realizado o
cálculo exato dos esforços
solicitantes na estrutura,
permite-se, como
simplificação, adotar o
modelo estático indicado na
figura ao lado para a obtenção
dos momentos fletores nos
apoios extremos.
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
Para esse esquema estático, pode ser considerado, nos apoios
extremos, momento fletor igual ao momento de engastamento
perfeito multiplicado pelos coeficientes estabelecidos nas seguintes
relações:
rinf rsup Ii
Na viga : ri
rvig rinf rsup li
rsup Sendo ri a rigidez
No tramo sup erior do pilar : do elemento i no
rvig rinf rsup
nó considerado
rinf
No tramo inf erior do pilar :
rvig rinf rsup
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
Os coeficientes de rigidez dos tramos superior e inferior do pilar e
no tramo da viga, são definidos pelas relações entre momentos de
inércia e vãos:
I sup I I vig
rsup rinf inf rvig
le,sup le,inf lef ,vig
2 2
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
Os momentos solicitantes nos tramos superior e inferior do pilar
são obtidos por:
rsup rinf
M sup M eng M inf M eng
rvig rinf rsup rvig rinf rsup
Sendo que Meng é o momento de engastamento perfeito no tramo
considerado (tramo de extremidade) da viga.
Considerando o equilíbrio do nó, o momento fletor na viga é
determinado por:
M viga M sup M inf
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
- Vão efetivo de vigas:
lef ,viga l0 a1 a2
t1 / 2 t 2 / 2
a1 a2
0,3.h 0,3.h
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
2) Excentricidade acidental:
Na verificação do estado limite último das estruturas
reticuladas, devem ser consideradas as imperfeições do eixo dos
elementos da estrutura descarregada. Essas imperfeições podem
ser divididas em dois grupos: imperfeições globais e
imperfeições locais.
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
Imperfeição global Imperfeição local
O efeito das imperfeições locais nos pilares pode ser
substituído em estruturas reticuladas pela consideração do
momento mínimo de 1ª ordem.
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
• De acordo com NBR 6118, no caso do dimensionamento ou
verificação de um lance de pilar, deve ser considerado o efeito
do desaprumo ou da falta de retilineidade do eixo do pilar.
• Admite-se que, nos casos usuais de estruturas reticuladas, a
consideração apenas da falta de retilineidade ao longo do
lance de pilar seja suficiente.
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
3) Excentricidade de forma:
Quando os eixos baricêntricos das vigas não passam pelo
centro de gravidade da seção transversal do pilar, as reações das
vigas apresentam excentricidades que são denominadas
excentricidades de forma.
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
3) Excentricidade de forma:
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
3) Excentricidade de forma:
EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
3) Excentricidade suplementar:
A excentricidade suplementar leva em conta o efeito da
fluência. A consideração da fluência é complexa, pois a duração
de cada ação tem que ser levado em conta, ou seja, o histórico
de cada ação precisaria ser conhecido.
O cálculo da excentricidade suplementar é obrigatório
em pilares com índice de esbeltez λ > 90, de acordo com a NBR
6118:2026.
DETERMINAÇÃO DOS EFEITOS LOCAIS DE
SEGUNDA ORDEM – MÉTODOS DE CÁLCULO
1) Método do pilar padrão com curvatura aproximada:
É permitido para pilares de seção constante e de
armadura simétrica e constante ao longo de seu eixo e λ ≤ 90.
DETERMINAÇÃO DOS EFEITOS LOCAIS DE
SEGUNDA ORDEM – MÉTODOS DE CÁLCULO
1) Método do pilar padrão com curvatura aproximada:
A excentricidade de 2ª ordem e2 é dada por:
le2 1
e2 , sendo 1/r a curvatura na seção crítica
10 r
1 0,005 0,005 h = altura da seção na direção considerada;
,
r h 0,5 h ν = é a força normal adimensional.
O momento total máximo no pilar é dado por:
l 2
1
M d ,tot b M 1d , A N d M 1d , A
e
10 r
DETERMINAÇÃO DOS EFEITOS LOCAIS DE
SEGUNDA ORDEM – MÉTODOS DE CÁLCULO
2) Método do pilar padrão com rigidez k aproximada:
O método do pilar padrão com rigidez κ aproximada é
permitido para λ ≤ 90 nos pilares de seção retangular constante,
armadura simétrica e constante ao longo do comprimento.
DETERMINAÇÃO DOS EFEITOS LOCAIS DE
SEGUNDA ORDEM – MÉTODOS DE CÁLCULO
2) Método do pilar padrão com rigidez k aproximada:
O momento total máximo no pilar é dado por:
b M 1d , A
M d ,tot M 1d , A
2
1
120k /
κ é o valor da rigidez adimensional, dado aproximadamente
por:
M d ,tot A solução pode ser obtida por
k 321 5
tentativas. Iniciar as iterações
h Nd adotando Md,tot = M1d,A
• Usualmente, duas ou três iterações são suficientes quando se
optar por um cálculo iterativo.
• O processo aproximado acima, em um caso de
dimensionamento, recai na formulação direta dada abaixo:
• O cálculo do momento fletor total também pode ser feito
aplicando a equação do 2° grau seguinte, com M1d,A ≥ M1d,mín :
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
1) Dimensões Mínimas:
• A NBR 6118 estabelece que a seção transversal dos pilares,
qualquer que seja a sua forma, não deve apresentar dimensão
menor que 19 cm.
• Em casos especiais, permite-se a consideração de dimensões
entre 19 cm e 14 cm, desde que no dimensionamento se
multipliquem as ações por um coeficiente adicional γn.
• A NBR 6118 não permite pilar com seção transversal de área
inferior a 360 cm².
n 1,95 0,05 b Em que: b é a menor dimensão da seção
transversal do pilar (em cm)
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
2) Cobrimento das armaduras:
• Segundo o item 6 da NBR 6118:2026 (diretrizes para
durabilidade das estruturas de concreto), as estruturas de
concreto devem ser projetadas e construídas de modo que,
sob as condições ambientais previstas na época do projeto e
quando utilizadas conforme preconizado em projeto,
conservem suas segurança, estabilidade e aptidão em serviço
durante o prazo correspondente à sua vida útil.
Correspondência entre a classe de agressividade ambiental e
o cobrimento nominal para Δc = 10 mm
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
3) Armaduras longitudinais:
• As armaduras longitudinais colaboram para resistir à
compressão, diminuindo a seção do pilar, e também resistem
às tensões de tração. Além disso, têm a função de diminuir as
deformações do pilar, especialmente as decorrentes da
retração e da fluência.
b Em que: b é a menor dimensão da seção
10 mm l
8 transversal do pilar
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
4) Limites da taxa de armadura longitudinal:
• Armadura longitudinal mínima:
Nd
As , mín 0,15 0,004 Ac
f yd
• Armadura longitudinal máxima:
As,máx 8% Ac
A maior armadura possível em pilares deve ser 8% da seção real,
considerando-se inclusive a sobreposição de armadura existente
em regiões de emenda.
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
5) Espaçamento das barras longitudinais:
• Espaçamento mínimo:
– O espaçamento livre entre as faces das barras longitudinais, medido
no plano da seção transversal, fora da região de emendas, deve ser
igual ou superior ao maior dos seguintes valores:
20 mm
a l (diâmetro da barra longitudinal )
1,2 d (diâmetro máximo do agregado)
máx
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
5) Espaçamento das barras longitudinais:
• Espaçamento máximo:
– O espaçamento máximo sl entre os eixos das barras deve ser menor ou
igual a duas vezes a menor dimensão da seção no trecho considerado,
sem exceder 40 cm, ou seja:
2b
sl
40 cm
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
6) Armaduras transversais:
Os estribos tem as seguintes funções:
a) garantir o posicionamento e impedir a flambagem das barras
longitudinais;
b) garantir a costura das emendas de barras longitudinais;
c) confinar o concreto e obter uma peça mais resistente e
dúctil.
5 mm
t
l / 4
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
7) Espaçamento máximo dos estribos:
20 cm
menor dim ensão da seção
st
12l , para CA 50
24l , para CA 25
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
8) Estribos suplementares:
• Os estribos poligonais garantem contra flambagem as barras
longitudinais situadas em seus cantos e as por eles
abrangidas, situadas no máximo à distância de 20φt do canto,
se nesse trecho de comprimento 20φt não houver mais de
duas barras, não contando a do canto.
• Quando houver mais de duas barras no trecho de
comprimento 20φt ou barras fora dele, deve haver estribos
suplementares.
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
8) Estribos suplementares:
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
9) Comprimento de espera:
• O comprimento de espera das barras da armadura
longitudinal dos pilares deve ser calculado por:
As ,calc
l 0 c lb loc, mín
As ,ef
Sendo:
l0c, min o maior valor entre 0,6 lb , 15 φl e 200 mm
lb o comprimento de ancoragem básico, dado por:
l f yd
lb 25l
4 f bd
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
9) Comprimento de espera:
• A resistência de aderência, para barras nervuradas, pode ser
calculada pela expressão:
f bd 1,125 f ct ,m
- para concretos de classes até C50:
f ct ,m 0,3 f ck2 / 3 MPa
- para concretos de classes C55 até C90:
f ct ,m 2,12 ln(1 0,11 f ck ) MPa
DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
9) Comprimento de espera:
• Para o aço CA-50, o comprimento de ancoragem básico pode
ser obtido, em função do valor característico da resistência à
compressão do concreto, da tabela abaixo:
DETALHAMENTO DE UM PILAR