QUAL É A DIFERENÇA ENTRE ANIMAIS VENENOSOS E
PEÇONHENTOS?
“Venenoso” e “peçonhento” são conceitos únicos que descrevem formas
específicas pelas quais os animais exercem seu poder químico.
Tanto os animais peçonhentos quanto os venenosos usam toxinas para se
defenderem ou para subjugar uma presa.
“Espécies venenosas só ministram suas toxinas de forma defensiva, para evitar
serem devoradas por predadores”.
Muitos animais venenosos não fabricam suas próprias defesas, mas as captam
de outras fontes em seu meio ambiente:
Os baiacus conseguem a sua tetrodotoxina de uma bactéria marinha.
(neurotoxina na sua pele e órgãos, é mais tóxica que o cianeto).
As borboletas-monarcas se alimentam da seiva leitosa
tóxica de plantas, que dá a elas um gosto amargo na
idade adulta;
A rã-venenosa-dourada da Colômbia (Phyllobates
terribilis), concentra batracotoxina, provavelmente de Danaus plexippus
pequenos insetos que compõe a sua alimentação;
A batracotoxina é uma neurotoxina
extremamente potente que impede
a transmissão de impulsos
nervosos, levando à paralisia
muscular e à falência cardíaca ou
respiratória em poucos minutos.
Phyllobates terribilis
Insetos produtores de toxinas (besouros Melyridae)
abasteçam as penas venenosas do pitohui (Pitohui dichrous),
pássaro nativo de Papua Nova Guiné.
Contém batracotoxina (especificamente homobatracotoxina) em sua pele, penas e tecidos.
Primeira ave cientificamente documentada como venenosa.
Uma terceira categoria????
Além de VENENOSO E PEÇONHENTO, talvez exista um terceiro tipo de liberação de
toxinas: o TOXUNGÊNICO.
O besouro-bombardeiro esguicha benzoquinonas irritantes diretamente do próprio
abdômen (peróxido de hidrogênio + hidroquinona).
O termo besouro-bombardeiro é
a designação comum a diversas
espécies de besouros da família
dos carabídeos, como o
Brachinus crepitans. Também
são conhecidos pelo nome de
besouro-artilheiro.
O besouro-bombardeiro pode ser encontrado em todo o
mundo, inclusive no Brasil, com exceção da Antártida.
Existem mais de 500 espécies desse CARABIDAE.
A salamandras-de-fogo borrifam toxinas a partir de
suas glândulas a uma distância de mais de 30
centímetros.
veneno principal é a samandarina, um alcaloide
potente que pode causar irritação na pele, mucosas e,
Salamandra salamandra
em casos de ingestão, efeitos neurológicos severos em
predadores
E o gambá? Na verdade, o gambá não utiliza uma
"toxina" para defesa, mas sim uma secreção fétida
liberada por glândulas perianais (localizadas ao lado
da abertura anal) quando se sente ameaçado. Essa
secreção é um álcool chamado butilmercaptana.
No Brasil, as quatro principais espécies de gambás
nativos são do gênero Didelphis: o gambá-de-orelha-
preta (D. aurita), gambá-de-orelha-branca (D.
albiventris), gambá-comum (D. marsupialis) e o
gambá-amazônico (D. imperfecta). São marsupiais
onívoros, noturnos e importantes controladores de
pragas (escorpiões, aranhas) e dispersores de
sementes.
Hemachatus haemachatus ou cobra-cuspideira-sul-africana ou cobra-cuspideira-de-colar é
uma espécie de serpente que pode medir de 1 a 2 metros, habita savanas úmidas,
pastagens e florestas.
Espécies como a Naja
nigricollis (naja-cuspideira-de-
pescoço-preto) e Naja
sputatrix (naja-cuspideira-de-java)
são outros exemplos conhecidos.
PESQUISA BRASILEIRA DESCOBRE QUE SAPO ESGUICHA JATOS DE VENENO
Espécie amazônica libera líquido com toxinas que alcança até dois metros
• Pesquisadores do Instituto Butantan, de São Paulo, descobriram que a espécie de
sapo Rhaebo guttatus, endêmica da Amazônia, pode ser o primeiro anfíbio que
apresenta táticas de autodefesa ao esguichar veneno nos predadores para causar
neles infecções graves
Rhaebo guttatus
Toxinas com proteínas e peptídeos
(fragmentos de proteína) com potencial para
combater bactérias.
RAJISMO – ACIDENTES COM ARRAIAS
• As arraias possuem ferrões pontiagudos e retrosserrilhados, envolvidos por
bainha de tegumento sob a qual estão as glândulas de veneno. Causam
ferimento pérfuro-cortante, com dor desproporcional ao ferimento. Há
sangramento local e os bordos do ferimento são cianóticos.
• Os acidentes são de caráter necrosante e a dor é o sintoma proeminente. O
veneno das arraias é composto de polipeptídeos de alto peso molecular.
Em sua composição já foram identificadas a serotonina, a fosfodiesterase
e a 5-nucleotidase.
• O ferimento deve ser prontamente lavado com água ou solução fisiológica.
Em seguida, imergir em água quente (temperatura suportável entre 30 a 45º
C), ou colocar sobre a parte ferida compressa morna durante 30 a 60
minutos. Esta tem por finalidade produzir o alívio da dor e neutralizar o
veneno que é termolábil. Fazer o bloqueio local com lidocaína a 2%, sem
vasoconstritor, visando não só tratar a dor como a remoção do epitélio do
peixe e outros corpos estranhos.
• Deve-se deixar dreno e indicar corretamente a profilaxia do tétano,
antibióticos e analgésicos, quando necessário.
Existem 39 espécies de arraias com ferrão. Esses animais são
encontrados em toda a costa brasileira e em boa parte de nossos rios.
A vítima da ferroada sente uma dor aguda e sofre um ferimento de
cicatrização difícil, de consequências como necroses ou problemas
cardiorrespiratórios. Ainda assim, acidentes fatais com humanos são
bastante raros – é preciso que um órgão vital seja atingido ou que a
pessoa seja muito sensível à peçonha (como aconteceu com o
australiano Steve Irwin, “o caçador de crocodilos”).
“ARRAIAS DE FOGO” – FAMÍLIA POTAMOTRYGONIDAE
Os acidentes VULNERANTES OU TRAUMÁTICOS podem ser causados por
diversas espécies, entre elas a piranha, pacu, candiru e espardate (peixe de
água salgada). No vulnerante ou traumático, o peixe, através de dentes, rostros,
acúleos ou ferrões não toxíferos, produz soluções de continuidade ou
lacerações no tegumento.
As piranhas são um grupo de peixes carnívoros de água doce. Habitam alguns
rios da América do Sul e pertencem a cinco gêneros da subfamília
Serrasalminae (que também inclui peixes como pacus).
ESPÉCIES DE PIRANHAS:
•Catoprion com apenas uma espécie, Catoprion mento
•Citharinus com apenas uma espécie, Citharinus citharus
•Pristobrycon com 7 espécies
•Pygocentrus com 7 espécies, entre as quais a mais agressiva Pygocentrus piraya,
a piranha amarela e a Pygocentrus nattereri, a piranha vermelha.
•Serrasalmus com mais de 20 espécies, entre elas a conhecida Serrasalmus
rhombeus, a piranha-negra; a Serrasalmus spilopleura, a piranha-doce; e a
Serrasalmus brandtii, a pirambeba.
•O poraquê causa acidente devido sua DESCARGA ELÉTRICA.
CIGUATERA:
É o envenenamento provocado pela ingestão da carne de várias espécies de
peixes tropicais que têm seu habitat nos recifes coralinos.
A cadeia começa com uma microalga que produz a ciguatoxina
A intoxicação ciguatera costuma aparecer nas regiões tropicais e subtropicais
(o que inclui o norte e nordeste brasileiros), porém a maior incidência se dá
junto às ilhas do Pacífico Tropical, Caribe e mares da Índia.
Famílias de peixes envolvidos em registros de ciguatera, com ocorrência em
nosso litoral. Albulidae (Albula vulpes, Ubarana-focinho-de-rato) - carnívoros;
Serranidae (Mycteroperca venenosa, Badejo-ferro) - carnívoros; Carangidae
(Caranx hippos, Xaréu) - carnívoros; Lutjanidae (gênero Lutjanus, vermelhos)
- carnívoros; Sparidae (Pagrus pagrus, Pargo) - carnívoros; Sphyraenidae
(Sphyraena barracuda, Barracuda) - carnívoros; Scaridae (Scarus coeruleus,
Budião-azul) - onívoros; Scombridae (gêneros Acanthocybium, Euthynnus,
Sarda, e Scomberomorus ; cavalas e bonitos) - carnívoros; Monacanthidae
(Aluterus scriptus, Cangulo-pavão) - onívoros; Ostraciidae (Lactophrys
trigonus, Baiacu-cofre) - onívoros
ASPE CTOS MÉ DICOS
Leve sensação de formigamento ou coceira na boca até a paralisia muscular,
dentro das primeiras doze horas após a ingestão da carne do peixe envenenado.
Entre os sintomas neurológicos mais comuns estão, as sensações de
formigamento (na boca, face, mãos e pés), irregulares inversões de quente e
frio, tonteira, gosto metálico na boca, dor muscular nas extremidades e dor nas
articulações.
Nos casos mais severos, pode ocorrer o coma e a morte. As dores abdominais,
diarréias, náuseas e vômitos são sintomas menos comuns.
Algumas vítimas podem apresentar a recorrência dos sintomas ao ingerir
algum tipo de alimento preparado com peixe.
PRE VE NÇÃO
A ingestão de peixes envenenados, cozidos ou crus, pode produzir a intoxição
ciguatera (a toxina não é eliminada com o cozimento).
Assim, deve-se sempre dar preferência às peixarias e restaurantes conhecidos e
confiáveis. Não existe um teste-diagnóstico para a vítima. Em contrapartida,
algumas regiões mais afetadas realizam testes periódicos para a ciguatera em
peixes suspeitos.
• A Escombrotoxicose, causada pela ingestão de peixes com altos
níveis de histamina produzidos pelas bactérias:
Morganella morganii,
Proteus vulgaris,
Citrobacter feudii
Photobacterium phosphoreum.
• Estas bactérias promovem a
descarboxilação da
histidina transformando-a
em histamina e
desencadeando um quadro
alérgico.
ESCOMBRÍDEOS:
É o envenenamento provocado pela ingestão da carne de apenas alguns peixes
específicos, com valor comercial, que não foram corretamente conservados
após a captura. Esse tipo de intoxicação envolve, predominantemente, os
peixes da família Scombridae (atuns, bonitos, cavalas e cavalinhas) e alguns
peixes de outras famílias, como a enchova (Pomatomidae) e a sardinha
(Clupeidae).
ASPE CTOS MÉ DICOS
A toxina, chamada de escombrotoxina, é formada basicamente pela histamina
e suas variantes e se desenvolve na carne do peixe através da atividade
bacteriana que a decompõe.
Agentes potencializadores da toxidade da histamina, como a cadaverina e a
putrescina, são encontrados na carne dos peixes em estado de decomposição.
Esta é a única forma documentada de ichthyosarcotoxismo na qual bactérias
estão diretamente relacionadas com a produção da toxina dentro do corpo do
peixe.
Sintomas: coceira e sensação de queimação em torno da boca, sede,
vermelhidão da pele, urticária, queixas gastrointestinais, dor de cabeça,
vertigens, náuseas, vômitos, palpitações e rápidas acelerações do batimento
cardíaco.
Apesar de normalmente brandos, estes sintomas costumam durar de quatro a
seis horas. Nos casos mais sérios, podem ocorrer ainda queda da pressão
sangüínea, dificuldades respiratórias e choque.
PRE VE NÇÃO
Boas condições de refrigeração após a sua pesca. A intoxicação só ocorre
quando há má conservação do pescado. Assim, quando for comprar um dos
peixes já descritos, prefira os varejistas que os armazenam em compartimentos
bem refrigerados.
Um indicativo de que a carne possa estar contaminada pela escombrotoxina é
o gosto apimentado que a última confere à carne ainda crua. Nesse tipo de
envenenamento, o cozimento também não elimina as toxinas.
GEMPYLÍDEOS
É o envenenamento provocado pela ingestão da carne dos peixes da família
Gempylidae.
Ainda assim, a espécie da família mais implicada com esse tipo de intoxicação
é a Enchova-preta (Ruvettus pretiosus).
Esse tipo de envenenamento, ainda pouco estudado, costuma provocar uma
diarréia moderada.
Acredita-se que este descontrole intestinal seja uma resposta do organismo
humano à constituição oleosa da carne dos peixes dessa família.
TETRAODONTÍDEOS (Baiacús)
É o envenenamento provocado pela ingestão da carne de algumas espécies de
baiacu (família Tetraodontidae), baiacu-de-espinho (família Diodontidae) e
peixe-lua (família Molidae).
Dentre todos os seres marinhos venenosos, os baiacus estão entre os mais
perigosos.
O potente veneno, (tetrodotoxina) que está normalmente contido no fígado, no
intestino, nas gônadas e na pele de algumas espécies, dependendo da época do
ano, pode, quando ingerido em altas doses, provocar uma morte bastante rápida
(em até 15 minutos após a ingestão).
No Japão, onde é chamado de "fugu", o baiacu é considerado uma iguaria.
No Brasil, especialmente no Estado do Espírito Santo, o Baiacu-arara
(Lagocephalus laevigatus) é consumido regularmente sem apresentar casos de
intoxição.
Entretanto, existem trabalhos que atestam que sua toxidade varia de acordo
com a época do ano.
No Brasil, Baiacu-pinima (Sphoeroides spengleri) possui uma carne seriamente
tóxica e o Baiacu-mirim (Sphoeroides testudineus) possui a carne letalmente
tóxica (é utilizada como veneno para o sacrifício de animais doentes).
A importância desta citação específica, é que essas duas espécies são pescadas
com freqüência pelos pescadores amadores.
ASPE CTOS MÉ DICOS
Na intoxicação pequena a moderada, a tetrodotoxina pode provocar desde um
leve formigamento na boca até a queda da pressão sangüínea, com a
conseqüente perda da força física.
A fala e a respiração podem ser comprometidas. O entorpecimento, a dor de
cabeça e os problemas gastrointestinais também são comuns nestas situações.
Nos casos mais graves, a tetrodotoxina provoca a sindrome da paralisia
neuromuscular, nas mais severas formas.
A toxina age bloqueando a ação normal do sistema neural e das células
cardíacas e a morte pode ocorrer devido ao calapso cardiorrespiratório.
Os problemas neurais começam freqüentemente com contrações musculares e
podem progredir para a paralisia total.
Nesses casos, a vítima fica imóvel (paralisada) mas com plena consciência de
tudo que está acontecendo.
PRE VE NÇÃO
Por medida de precaução, deve-se evitar a consumo da carne da maioria das
espécies de baiacu.