0% acharam este documento útil (0 voto)
1 visualizações33 páginas

MPLS

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
1 visualizações33 páginas

MPLS

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

O que é MPLS (Multiprotocol Label Switching)?

MPLS é um protocolo ou tecnologia de comutação que foi desenvolvida para otimizar a


forma como os dados são movidos através de uma rede. Em vez de depender apenas do
roteamento convencional baseado no endereço IP de destino, o MPLS utiliza um
mecanismo de comutação baseado em rótulos (labels).

Pontos Chave do Slide Explicados:

1. Aplicação e Versatilidade

O slide menciona que o MPLS pode ser aplicado sobre:

●​ Redes IP: Esta é a sua aplicação mais comum e atual, onde ele opera sobre a
infraestrutura de Internet Protocol.
●​ Redes ATM (Asynchronous Transfer Mode): No passado, o ATM era usado no
core (núcleo) das redes de grandes provedores. O MPLS foi projetado para ser
compatível e funcionar sobre essa tecnologia também, o que demonstra sua
flexibilidade e o contexto histórico de sua criação.

2. Substituição do Roteamento Convencional

●​ Nas redes IP, o MPLS substituiu o roteamento convencional dos pacotes pela
sua comutação.
○​ Roteamento Convencional: Cada roteador examina o cabeçalho do pacote
(especificamente o endereço IP de destino) e decide o próximo salto com
base em sua tabela de rotas. Esse processo é mais lento e complexo.
○​ Comutação MPLS: O pacote recebe um pequeno identificador chamado
rótulo (label) na entrada da rede MPLS. Os roteadores intermediários (LSRs
- Label Switch Routers) simplesmente olham para esse rótulo e o trocam por
um novo rótulo, encaminhando o pacote rapidamente para a próxima
interface. Isso é um processo de comutação (mais rápido que o roteamento)
e resulta em:
■​ Característica Determinística: O caminho que o pacote vai seguir é
pré-determinado pelo rótulo, tornando o fluxo de tráfego mais
previsível.
■​ Menores Atrasos (Latência): A decisão de encaminhamento é muito
mais rápida, reduzindo o tempo que o pacote leva para atravessar a
rede.
●​ Essa otimização permitiu o suporte a novos serviços, como VPNs (Virtual Private
Networks) e a capacidade de oferecer QoS (Quality of Service) de forma mais
eficaz.
3. Transporte de Aplicações (Tunelamento)

●​ O MPLS foi desenvolvido para o transporte de aplicações em forma de


tunelamento.
○​ Tunelamento: É a técnica de encapsular um protocolo dentro de outro. No
MPLS, o tráfego do cliente é "embrulhado" em um túnel MPLS através da
rede do provedor.
●​ Isso viabilizou vários serviços sobre a rede Backbone (a espinha dorsal, o core
da rede do provedor), permitindo que provedores pudessem oferecer serviços como
VPNs de Camada 3 (VPN L3) e VPNs de Camada 2 (VPLS) com alta performance
e isolamento de tráfego.

4. Engenharia de Tráfego (Traffic Engineering - TE)

●​ O maior destaque e um dos grandes benefícios do MPLS é a possibilidade de


realizar Engenharia de Tráfego (Traffic Engineering - TE) dentro do Backbone.
●​ Engenharia de Tráfego (TE): É o processo de controlar a distribuição do tráfego de
dados na rede, de forma a otimizar o uso dos recursos e evitar
congestionamentos.
○​ No roteamento IP convencional, os roteadores usam a rota mais curta
(menor custo) determinada por protocolos como OSPF ou IS-IS. Isso pode
levar ao congestionamento de um link, enquanto outros ficam subutilizados.
●​ O MPLS-TE permite que o administrador da rede estabeleça caminhos
explicitamente definidos (LSPs - Label Switched Paths) que não são
necessariamente os caminhos mais curtos, mas sim aqueles que distribuem o
tráfego de forma mais equilibrada, aproveitando ao máximo todo o backbone.

Em resumo, qual é a importância do MPLS?

O MPLS transformou a forma como as redes de provedores operam, evoluindo-as de uma


rede baseada em roteamento lento para uma rede de comutação rápida e determinística.
Isso não só melhorou a velocidade e a qualidade da entrega de dados, mas também
forneceu as ferramentas essenciais (como o TE) para que os provedores pudessem
gerenciar de forma eficiente suas vastas e complexas infraestruturas e oferecer serviços
de valor agregado (como VPNs) aos seus clientes.
OSPF e MPLS: Uma Parceria Essencial
Um não substitui o outro. Eles operam em camadas diferentes e têm objetivos distintos,
mas ambos são cruciais para o funcionamento do backbone (o núcleo) de um provedor de
serviços moderno.

1. O Papel do OSPF (Protocolo de Roteamento)

O OSPF (Open Shortest Path First) é um Protocolo de Roteamento Interior (IGP).

●​ O que ele faz: O objetivo primário do OSPF é permitir que todos os roteadores na
rede descubram e mapeiem a topologia completa da rede. Ele calcula o melhor
caminho (o caminho mais curto e com menor custo) para cada destino na rede IP.
●​ Camada de Operação: Camada 3 (Rede) do modelo OSI.
●​ Conclusão: O OSPF é fundamental para o roteamento IP básico e para garantir
que todos os dispositivos saibam como chegar a qualquer outro dispositivo.

2. O Papel do MPLS (Protocolo de Comutação)

O MPLS (Multiprotocol Label Switching) é uma tecnologia de Comutação e


Encaminhamento.

●​ O que ele faz: O MPLS usa as informações de topologia estabelecidas pelo OSPF
(ou outro IGP, como o IS-IS) para construir os túneis (os LSPs - Label Switched
Paths) que serão usados para encaminhar o tráfego rapidamente usando rótulos.
Ele não descobre a rede; ele usa o mapa que o OSPF criou.
●​ Camada de Operação: Geralmente chamado de "Camada 2.5", pois fica entre a
Camada 2 (Link de Dados) e a Camada 3 (Rede).
●​ Conclusão: O MPLS depende do OSPF para saber "para onde ir". Ele otimiza o
encaminhamento após o OSPF ter determinado a melhor rota.

3. Como eles trabalham juntos (O Fluxo de Trabalho)

1.​ OSPF Roda Primeiro: O OSPF é configurado e os roteadores trocam informações


para que cada um tenha uma visão completa e consistente da rede. Eles sabem
qual é o "próximo salto" IP para qualquer destino.
2.​ Distribuição de Rótulos (Label Distribution): Depois que a rede está convergida
(estável) pelo OSPF, o MPLS entra em ação. Um protocolo específico (LDP - Label
Distribution Protocol) usa as rotas estabelecidas pelo OSPF para distribuir
rótulos para cada destino.
3.​ Encaminhamento de Tráfego: Quando um pacote IP entra na rede MPLS, ele
recebe um rótulo. A partir daí, ele é comutado de roteador em roteador apenas
olhando e trocando o rótulo, seguindo o caminho estabelecido pela rota do OSPF,
mas de forma muito mais rápida.
Caso Especial: MPLS-TE (Traffic Engineering)

A única situação em que a interação é um pouco mais complexa é na Engenharia de


Tráfego (MPLS-TE), que você mencionou no slide:

●​ O OSPF (ou IS-IS) é estendido para carregar informações adicionais (como


capacidade de banda e atributos do link) para que o MPLS-TE possa calcular
caminhos diferentes do caminho mais curto do OSPF, se necessário, para
balancear a carga.

Em resumo, o OSPF é o mapa e as regras, e o MPLS é o sistema de transporte rápido que


usa esse mapa para criar vias expressas (os túneis). Eles são parceiros inseparáveis em
uma rede de provedor moderna.

O slide mostra um cenário típico de Rede de Provedor de Serviços (ISP) que utiliza MPLS
no seu backbone (núcleo). Essa rede conecta clientes (representados pelos dispositivos
CE) através do núcleo do provedor (roteadores P e PE).
1. Elementos da Topologia

Primeiro, é crucial entender o papel de cada tipo de roteador nesse ambiente MPLS:

Dispositivo Nome Função na Rede


MPLS

CE Customer Roteador do Cliente. Fica na borda da rede do cliente. Não


Edge roda MPLS.

PE Provider Roteador de Borda do Provedor. É o ponto de entrada e


Edge saída do tráfego do cliente na rede MPLS. Adiciona (push) e
remove (pop) os rótulos MPLS.

P Provider Roteador de Núcleo (Core). Fica dentro do backbone. Sua


função é apenas comutar (swap) rótulos rapidamente. Roda
MPLS.
Exportar para as Planilhas

2. Topologia Superior: Backbone MPLS - TOPOLOGIA LÓGICA

Esta seção mostra a visão simplificada e conceitual do backbone MPLS.

●​ Foco: O foco é no caminho fim-a-fim do tráfego do cliente e na sequência dos


roteadores do backbone que o pacote atravessa.
●​ Encadeamento Lógico: O diagrama mostra uma sequência linear de conexão entre
os roteadores do provedor:
○​ PE1 (Borda de Entrada) → P1 (Núcleo) → P2 (Núcleo) → PE2 (Borda de
Saída).
●​ O que é simplificado:
○​ Interfaces e Ligações: As conexões são mostradas como um único link
direto entre os roteadores, ignorando interfaces físicas e redundância.
○​ Clientes: Apenas um roteador CE é mostrado de cada lado (CE11 e CE22),
para demonstrar a conexão básica.
●​ Propósito: Mostrar a estrutura de tunneling (tunelamento) do MPLS, onde o
tráfego entra no PE1, é comutado pelos P's e sai no PE2.
3. Topologia Inferior: Backbone MPLS (Física/Detalhada)

Esta seção mostra a visão realista e física do backbone, incluindo redundância e o cenário
de múltiplos clientes.

●​ Foco: Mostrar a estrutura física da rede, como os roteadores são interligados, as


interfaces usadas e como múltiplos clientes se conectam.
●​ Redundância e Complexidade:
○​ Múltiplos Clientes: Agora, o PE1 e o PE2 se conectam a múltiplos
roteadores de borda do cliente (CE11, CE12, CE13 de um lado; CE21,
CE22, CE23 do outro).
○​ Interfaces: As interfaces específicas são mostradas (e1/0, e1/1, e2/0, etc.) e
as sub-redes de conexão entre os roteadores (ex: [Link]/30).
○​ Topologia de Malha Parcial (Mesh): Os roteadores de núcleo (P1 e P2) não
estão apenas em série; eles estão interligados por múltiplas vias. Isso
garante redundância (se um link falhar, o tráfego pode ir por outro) e permite
a Engenharia de Tráfego (TE) para balancear a carga.
●​ Núcleo (P1 e P2): A área dentro do círculo pontilhado representa o coração da
rede MPLS. É onde o tráfego é encaminhado rapidamente, apenas com base nos
rótulos.

Conclusão

O slide utiliza as duas representações para ensinar:

1.​ Topologia Lógica (Simplificada): Ideal para explicar o conceito de serviço (o


túnel de A para B).
2.​ Topologia Detalhada (Física): Essencial para a implementação,
dimensionamento e redundância da rede (o mundo real), mostrando como os
roteadores PE conectam clientes e como os roteadores P fornecem o transporte
resiliente.

Em essência, um pacote de dados entraria no PE1 (vindo de um CE), receberia um rótulo


MPLS, viajaria pelo núcleo P1 e P2 (possivelmente usando rotas diferentes para o mesmo
destino), e teria seu rótulo removido no PE2 antes de ser entregue ao CE de destino.

1. Documentação e Protocolos de Rótulos

●​ RFC 3031 - Multiprotocol Label Switching Architecture: A RFC (Request for


Comments) 3031 é o documento técnico fundamental que define a arquitetura e os
princípios básicos de como o MPLS funciona.
●​ RFC 3036 e 5036 - LDP Specification (Label Distribution Protocol): O LDP é o
protocolo de sinalização essencial do MPLS.
○​ O que ele faz: Ele usa as rotas IP estabelecidas (pelo OSPF, por exemplo)
para distribuir, negociar e gerenciar os rótulos (Labels) que serão usados
para comutar o tráfego.
2. Eficiência e Flexibilidade

●​ Agilizar e simplificar o transporte de dados: Este é o objetivo central do MPLS.


Ao usar rótulos em vez de examinar cabeçalhos IP completos em cada salto, o
processo de encaminhamento é muito mais rápido.
●​ Tabela de decisão (LFIB) pequena e simples:
○​ LFIB (Label Forwarding Information Base): É a tabela usada pelos
roteadores MPLS (P e PE) para tomar decisões de encaminhamento.
○​ Simplicidade: Em vez de conter todas as redes IP da Internet, a LFIB
contém apenas as informações sobre os rótulos de entrada, os rótulos de
saída e a interface de saída. Essa simplicidade torna a busca e a decisão
de encaminhamento extremamente rápidas.
●​ Flexível: qualquer software pode ser desenvolvido para provisionar labels:
Embora o LDP seja o protocolo padrão, o MPLS é uma tecnologia aberta. Outros
protocolos, como o RSVP-TE (usado especificamente para Engenharia de Tráfego),
podem ser usados para provisionar e controlar os rótulos, dando aos provedores
flexibilidade na gestão da rede.

3. Benefícios para Provedores

Com o MPLS, os provedores podem:

●​ Oferecer novos serviços IP: O MPLS permite o isolamento de tráfego e a criação


de redes virtuais (túneis), o que é a base para a oferta de serviços gerenciados de
alto valor, como:
○​ VPNs de Camada 3 (MPLS L3VPN): Permite que clientes tenham suas
próprias redes virtuais isoladas na infraestrutura do provedor.
○​ VPNs de Camada 2 (VPLS/VPWS): Simula um switch ou um link
ponto-a-ponto para o cliente.
●​ Reduzir custos: A eficiência e a consolidação de diferentes serviços em uma única
infraestrutura (a NGN, veja abaixo) podem levar à otimização do uso de
equipamentos e links.
●​ Implementar a convergência das redes (NGN - Next Generation Networks): O
MPLS é um facilitador chave da NGN, pois permite que o provedor use uma única
infraestrutura de backbone para transportar todos os tipos de tráfego (dados,
voz/VoIP, vídeo) com qualidade e controle de serviço.

4. O Mecanismo de Encaminhamento (Encapsulamento)

●​ Muda as características do roteamento de pacotes: Em vez de roteamento


(decisão complexa baseada em endereço IP), o MPLS usa comutação (decisão
simples baseada em rótulo).
●​ Encapsulamento: O MPLS é um mecanismo de encapsulamento. O pacote IP
original é envolvido com um ou mais cabeçalhos MPLS (os rótulos) no roteador de
borda (PE).
●​ Troca de rótulos (Label Swapping): Na nuvem MPLS (os roteadores P e PE), o
roteador não olha para o endereço IP (exceto o PE de entrada/saída). Ele apenas
olha para o rótulo que está no topo, o troca por um novo e encaminha o pacote.
5. Separação de Funções (Controle vs. Encaminhamento)

●​ Dentro da nuvem MPLS não há consulta aos endereços IPs, apenas as


LABELS direcionam o pacote: Isso reforça o conceito de que os roteadores P do
core apenas leem e trocam rótulos para encaminhar o tráfego rapidamente.
●​ O controle das rotas IPs continua sendo realizado por protocolos de
roteamento, como por exemplo, OSPF: Esta é a parte mais importante para
entender a parceria!
○​ Plano de Controle (Control Plane): É onde protocolos como OSPF rodam
para descobrir a rede e criar a tabela de roteamento IP. O LDP usa essas
informações para construir a LFIB.
○​ Plano de Dados (Data Plane): É onde o tráfego de dados é realmente
encaminhado. É aqui que o MPLS entra em ação, usando a LFIB para a
comutação de rótulos de alta velocidade.

Em resumo, o slide define o MPLS como uma tecnologia de transporte eficiente e flexível,
que separa o controle do encaminhamento, permitindo que os provedores ofereçam
serviços avançados com melhor performance e custos otimizados.

O Cabeçalho MPLS (Shim Header)


O Cabeçalho MPLS, também chamado de Shim Header (cabeçalho de "calço" ou
"interposição"), é o pequeno campo de 4 bytes (32 bits) que é inserido entre o cabeçalho da
Camada 2 (ex: Ethernet) e o cabeçalho da Camada 3 (IP).
1. Estrutura do Cabeçalho MPLS (Shim Header)

O Shim Header é composto por 4 campos principais, totalizando 32 bits:

Campo Tamanho Descrição e Função


(Bits)

LABEL 20 bits Rótulo propriamente dito. É o elemento crucial para a


decisão de comutação no backbone MPLS. O
roteador P olha para este valor, troca-o por um novo
rótulo e encaminha o pacote.

TC ou EXP (Traffic 3 bits Utilizado para sinalizar o Tipo de Serviço (Qualidade


Class / de Serviço - QoS). Estes bits informam ao roteador a
Experimental Field) qual classe de tráfego (ex: voz, vídeo, dados
prioritários) o pacote pertence, permitindo tratamento
diferenciado.

S (Stack) 1 bit Bit de Stack (pilha). Indica se este é o último rótulo


da pilha (valor 1) ou se há mais rótulos abaixo dele
(valor 0). É crucial para o empilhamento de rótulos
(Label Stacks) em serviços como VPNs.

TTL (Time to Live) 8 bits Tempo de Vida do Pacote. Funciona de forma


semelhante ao TTL do cabeçalho IP. Garante que, se
um pacote ficar preso em um loop na rede MPLS, ele
será descartado após um certo número de saltos.
Exportar para as Planilhas

2. O Processo de Encapsulamento

O diagrama à direita e a tabela inferior mostram o que acontece com o pacote IP ao entrar e
sair da rede MPLS:

A) Entrada na Rede (PE - Provider Edge):

●​ Pacote Original (Parte Superior): O pacote chega ao roteador de borda (PE) com a
estrutura padrão: Cabeçalho Layer 2 (Ethernet) → Cabeçalho Layer 3 (IP) →
Dados.
●​ Encapsulamento MPLS (Parte Inferior): O PE de entrada faz o seguinte:
1.​ Remove (ou move) o cabeçalho IP para o lado.
2.​ Insere o Cabeçalho MPLS (o Shim Header com o Label) entre o cabeçalho
Ethernet (L2) e o Cabeçalho IP (L3).
3.​ A nova estrutura do pacote é: Cabeçalho Ethernet → Cabeçalho MPLS →
Cabeçalho IP → Dados.
4.​ A partir deste ponto, o pacote é conhecido como um pacote rotulado
(labeled packet).
B) Transporte no Core MPLS (Roteadores P):

●​ Quando o pacote passa pelos roteadores P do núcleo, eles NÃO olham para o
cabeçalho IP.
●​ Eles apenas observam o LABEL no Cabeçalho MPLS (20 bits), trocam esse Label
por um novo (processo chamado Label Swapping) e encaminham o pacote para o
próximo roteador P ou para o PE de saída. Isso torna o encaminhamento
extremamente rápido.

C) Empilhamento de Rótulos (Label Stack):

O diagrama azul e laranja no centro mostra o conceito de pilha de rótulos (Label Stack).

●​ Em serviços avançados, como as VPNs MPLS, múltiplos rótulos podem ser


empilhados:
○​ Rótulo Superior (L2): É o Rótulo de Infraestrutura/Transporte. Este rótulo
define o túnel que o pacote deve seguir de um PE para o outro.
○​ Rótulo Inferior (IP): É o Rótulo de Serviço/VPN. Este rótulo identifica a
qual VPN (ou cliente) o pacote pertence.
●​ O bit S (Stack) é usado para indicar que o rótulo atual é o último (o de baixo da
pilha), permitindo que o roteador PE de saída saiba qual rótulo remover para revelar
o próximo rótulo ou o cabeçalho IP.

Em resumo, o Cabeçalho MPLS é a "placa de identificação" de alta velocidade que permite


que a rede de um provedor trate pacotes como células comutáveis, garantindo velocidade,
eficiência e a capacidade de oferecer serviços complexos (VPNs).

O Encaixe do Cabeçalho MPLS (O "Shim Header")


O slide ilustra de forma clara a principal característica física do MPLS: ele insere um
cabeçalho extra de 32 bits (4 bytes) na estrutura do pacote, posicionando-se entre as
Camadas 2 e 3 do Modelo OSI. Por isso, o MPLS é frequentemente chamado de tecnologia
da Camada 2.5.

1. Posição no Pacote de Dados

O diagrama superior mostra o posicionamento do cabeçalho MPLS:

●​ L2 (Camada de Enlace): O Cabeçalho da Camada 2 (ex: Ethernet, Frame Relay,


etc.).
●​ MPLS: O novo cabeçalho de 32 bits é inserido aqui.
●​ L3 (Camada de Rede): O Cabeçalho da Camada 3 (ex: IP, IPv6).

O que isso significa: Ao ser encapsulado, o tráfego do cliente é tratado como carga útil do
MPLS, e o cabeçalho MPLS se torna o novo campo de decisão para os roteadores no core
da rede do provedor.
2. Detalhamento do Cabeçalho Extra (32 bits)

O diagrama inferior e os pontos de texto listam os quatro campos que compõem os 32 bits
do cabeçalho MPLS:

Campo Tamanho Descrição no Slide Função Prática


(Bits)

Label 20 bits Label (20 É o valor principal usado pelos roteadores P


bits); para comutar o pacote rapidamente (troca de
rótulos).

EXP 3 bits EXP (3 bits) – Experimental Field (Campo Experimental),


(TC) CoS; usado primariamente para CoS (Class of
Service), que é o mecanismo do MPLS para
fornecer Qualidade de Serviço (QoS),
priorizando certos tipos de tráfego (como voz
ou vídeo).

S 1 bit End of stak Stack Bit. Quando definido como 1, indica que
flag (1 bit) – não há mais rótulos abaixo dele na pilha,
caso o rótulo sendo o próximo campo o cabeçalho IP (ou o
cabeçalho de Camada 3). É fundamental para
atual seja o
o empilhamento de rótulos (VPNs).
último da
pilha;

TTL 8 bits TTL (8 bits). Time to Live (Tempo de Vida). Prevê um


mecanismo de segurança contra loops
infinitos, garantindo que o pacote seja
descartado se o contador chegar a zero.
Exportar para as Planilhas

Conclusão: Este slide sintetiza que o poder do MPLS reside em seu cabeçalho simples e
estrategicamente posicionado. Ele transforma a rede interna de um provedor, fazendo com
que os roteadores internos (P) parem de analisar os complexos cabeçalhos IP (L3) e
passem a olhar apenas para os rótulos curtos (MPLS), resultando em um transporte de
dados muito mais eficiente e rápido.
Roteadores no Domínio MPLS
O slide lista e descreve os três principais papéis dos roteadores em uma rede MPLS:

1. LER (Label Edge Routers)

O LER (Roteador de Borda de Rótulo) é o dispositivo que fica na fronteira, ou "borda", da


rede MPLS.

●​ Função Principal: Interagir com o mundo IP externo e realizar o


encapsulamento/desencapsulamento MPLS.
●​ Ações de Rótulo:
○​ Adicionam labels aos pacotes no começo do Label Switched Path
(LSP): Quando um pacote IP de um cliente entra na rede MPLS, o LER é o
primeiro a receber o tráfego. Ele classifica e rotula o pacote, inserindo o
cabeçalho MPLS. Este processo é chamado de pushing (empurrar/adicionar
o rótulo).
○​ Retiram labels dos pacotes no final do Label Switched Path: Quando o
pacote rotulado chega ao seu destino dentro da nuvem MPLS, o LER de
saída remove o rótulo MPLS, restaurando o pacote IP original. Este processo
é chamado de popping (estourar/remover o rótulo).
●​ Responsabilidade: São a porta de entrada e saída da nuvem MPLS, lidando com
a tradução entre o roteamento IP e a comutação por rótulos.

2. LSR (Label Switch Routers)

O LSR (Roteador de Comutação de Rótulo) é o dispositivo que reside no núcleo (core) da


rede MPLS.

●​ Função Principal: Garantir o encaminhamento rápido dos pacotes dentro da


nuvem MPLS.
●​ Ações de Rótulo:
○​ Comutam pacotes baseados nas informações dos labels: Um LSR não
olha para o endereço IP do pacote. Ele examina apenas o rótulo superior,
consulta sua tabela (LFIB), troca o rótulo por um novo rótulo e encaminha o
pacote para a próxima interface. Este processo é chamado de swapping
(troca de rótulo).
●​ Responsabilidade: São responsáveis pelo encaminhamento dos pacotes que já
estão rotulados. Eles são os "operários" da comutação de alta velocidade.
3. A Nomenclatura Mais Comum: PE e P

Embora LER e LSR definam as funções, os termos mais usados na prática de provedores
(especialmente em VPNs MPLS) são PE e P. O slide faz a conexão entre os termos
funcionais (LER/LSR) e os termos práticos (PE/P):

PE (Provider Edge)

O PE (Borda do Provedor) é a nomenclatura prática dada a um LER.

●​ LER = PE (no contexto de serviços): O PE é o LER que se conecta aos clientes.


●​ Conexão CE: Ele recebe as conexões dos CEs (Customer Edges), ou seja, os
roteadores dos clientes.
●​ Função: É o ponto onde o serviço MPLS é entregue e onde o pushing (na entrada)
e o popping (na saída) do cabeçalho MPLS/Labels acontecem. É o equipamento
mais "inteligente", pois precisa saber qual rótulo adicionar para qual cliente.

P (Provider)

O P (Provedor) é a nomenclatura prática dada a um LSR no core da rede.

●​ LSR = P (no contexto de serviços): O P é o LSR que está dentro da nuvem.


●​ Função: Sua única função é a comutação de rótulos (swapping). Ele não precisa
se conectar a clientes nem saber sobre seus endereços IP; ele apenas repassa o
tráfego rotulado de um PE para o outro.

Resumo e Fluxo na Nuvem MPLS


Para simplificar o entendimento:

Rotead Termo Termo Prático Ação Principal com Localização


or Funcional (Serviços) Rótulo

Borda LER PE Push/Pop Conecta-se ao


(Adiciona/Remove) Cliente (CE)

Core LSR P Swap (Troca) Dentro da Nuvem,


conectando PEs
Exportar para as Planilhas

O fluxo do pacote em uma rede MPLS é:

1.​ Entrada (PE/LER): Pacote IP → PE adiciona rótulo (Pushing) → Pacote Rotulado.


2.​ Núcleo (P/LSR): Pacote Rotulado → P troca rótulo (Swapping) → Pacote
Rotulado.
3.​ Saída (PE/LER): Pacote Rotulado → PE remove rótulo (Popping) → Pacote IP →
Cliente de destino.
O Caminho de Comutação de Rótulos (LSP)
O LSP (Label Switched Path) é o caminho pré-determinado que um pacote rotulado
percorre através da nuvem MPLS. É, essencialmente, o túnel virtual do MPLS.

●​ O que é: É o percurso definido por uma sequência de rótulos (labels) entre dois
roteadores de comutação de rótulos (LSRs).
●​ Encaminhamento Associado: Quando uma rede IP de destino é associada a um
LSP, todos os pacotes destinados a essa rede seguem o mesmo túnel (mesma
sequência de labels). Isso garante que o tráfego seja previsível (determinístico).
●​ Unidirecional: Um LSP é unidirecional. Isso significa que o caminho de A para B é
um LSP, e o caminho de B para A é um LSP separado. Cada caminho tem sua
própria sequência de labels.
○​ Downstream e Upstream: Os rótulos são distribuídos no sentido
downstream (para longe do destino) e utilizados no sentido upstream (em
direção ao destino).

1. Interação com Roteamento

●​ Trabalha em conjunto com protocolos de roteamento (OSPF, BGP, etc.): Como


explicado anteriormente, o LSP é construído sobre as informações de topologia e
roteamento fornecidas pelo IGP (como OSPF). O protocolo LDP usa essas rotas IP
para distribuir os rótulos e, assim, criar o LSP.
●​ Tempo de Convergência: O tempo que leva para um LSP se estabelecer ou se
recuperar de uma falha depende do protocolo de roteamento subjacente. Se o
OSPF convergir rapidamente após uma falha de link, o LSP pode ser reestabelecido
rapidamente.

Otimização: PHP (Penultimate Hop Popping)


O PHP (Penultimate Hop Popping) é uma técnica de otimização que visa reduzir a carga
de processamento do roteador de borda de saída (o PE).

1. O que significa "Penúltimo Salto"?

●​ Salto Final (Last Hop): É o roteador PE (Provider Edge) de saída, que é o último a
receber o pacote rotulado antes de remover o rótulo e enviá-lo para o cliente.
●​ Penúltimo Salto (Penultimate Hop): É o roteador P (Provider), que é o penúltimo
a receber o pacote rotulado antes do PE de saída.
2. A Função PHP

A função PHP inverte a lógica de quem remove o rótulo:

●​ Sem PHP (Padrão): O roteador P envia o pacote rotulado para o PE. O PE recebe o
pacote, executa duas tarefas: (1) inspeciona o rótulo de transporte, (2) remove o
rótulo de transporte e, se houver um rótulo de serviço (VPN) abaixo, inspeciona-o.
●​ Com PHP (Otimizado):
1.​ O roteador PE de saída envia um sinal especial (o Label 3 - Implicit Null)
para o P (Penúltimo Salto).
2.​ Ao receber o Label 3, o roteador P sabe que deve remover o cabeçalho
MPLS de transporte antes de enviar o pacote para o PE.
3.​ A função PHP consiste na retirada do cabeçalho MPLS (o outer label ou
rótulo de transporte) no penúltimo LSR (o roteador P).

3. Vantagens do PHP

O PHP oferece duas grandes vantagens, como o slide menciona:

●​ Redução de Processamento no PE: Quando o pacote chega ao PE de saída, ele


não precisa fazer a inspeção e a remoção do rótulo de transporte. O pacote já
chega "limpo" até o ponto onde o PE precisa atuar (o rótulo interno de VPN, se
houver, ou o cabeçalho IP).
○​ "O PE inspeciona apenas o inner label (label do serviço MPLS)."
●​ Otimização do Lookup (Busca):
○​ "O penultimate hop popping garante que o router não vai precisar fazer
nenhum lookup extra no label já que ele está ciente de que deve encaminhar
o pacote adiante." O roteador P já está ciente de que deve encaminhar o
pacote para o PE, e ao ver a instrução para remover o rótulo (Label 3), ele
executa a ação de pop imediatamente, economizando tempo e recursos do
seu motor de encaminhamento.

4. O Rótulo 3 (Implicit Null)

●​ Label 3 - Implicit Null: Este é um rótulo reservado que tem um uso exclusivo do
LDP. Ele não é transportado no pacote, mas é usado como uma sinalização entre
os roteadores.
●​ Sinaliza ao penúltimo dispositivo (P) a retirada do label antes do envio: É o
código que diz ao P: "Não me envie o rótulo! Remova-o e me envie o que está por
baixo."
1. FEC (Forwarding Equivalence Class)
O FEC (Classe de Equivalência de Encaminhamento) é a chave que transforma o MPLS de
um sistema baseado em endereço IP para um sistema baseado em rótulo.

●​ Conceito Central: Em vez de tratar cada pacote individualmente, o MPLS agrupa


pacotes IP que devem seguir o mesmo caminho e receber o mesmo tratamento
em um único grupo, chamado FEC.
●​ Classificação:
○​ Pacotes IP são classificados em FECs: Um FEC é geralmente definido
pelo endereço de destino IP (ou prefixo de rede), mas pode ser mais
complexo (ex: IP de destino + porta de serviço para QoS).
○​ Classificação: A classificação do pacote em um FEC é feita no ponto de
entrada da rede MPLS, o LER (Label Edge Router), ou PE.
●​ Associação Lógica:
○​ Todos os pacotes que pertencem ao mesmo FEC são encaminhados da
mesma forma (pelo mesmo LSP) e recebem o mesmo tratamento (ex:
mesma prioridade de QoS).
○​ Os LSRs (roteadores P), que estão no core, escolhem um label para cada
FEC. Esse label é o identificador único para aquele túnel (LSP) daquele FEC
específico.

Em resumo, o encaminhamento MPLS consiste em:

1.​ Associar pacotes a FECs (no PE de entrada).


2.​ Determinar o next hop de cada FEC (o roteador que está no caminho daquele
LSP).
2. LFIB (MPLS Forwarding Table)
A LFIB (Label Forwarding Information Base) é a tabela de decisão usada por todos os
roteadores MPLS (PEs e Ps) para executar a comutação de rótulos de forma ultra-rápida. É
o equivalente à tabela FIB (Forwarding Information Base) do IP.

A LFIB contém as informações necessárias para comutar um pacote de uma interface de


entrada para uma interface de saída, trocando seu rótulo:

●​ IN IF (Interface de Entrada): A interface na qual o pacote MPLS chegou.


○​ Nota: Se estiver ausente na tabela, significa que o caminho começa no
próprio PE (o LER está gerando o rótulo).
●​ IN LABEL (Rótulo de Entrada): O número do rótulo que o roteador espera ver no
primeiro cabeçalho MPLS do pacote.
●​ OUT LABEL (Rótulo de Saída): O número do novo rótulo que será colocado no
pacote (operação de swap label / troca de rótulo) antes de ser enviado.
○​ Nota: Quando o OUT LABEL é NULL (nulo), significa que o cabeçalho MPLS
(ou o rótulo superior) deve ser removido (POP). Isso ocorre, por exemplo, na
técnica PHP (Penultimate Hop Popping).
●​ OUT IF (Interface de Saída): A interface física (próxima porta) por onde o pacote
MPLS (já com o OUT LABEL) deve ser enviado.

3. PWE3 (Pseudo Wire Emulation) - Conceito Avançado


O slide finaliza com um conceito mais avançado do MPLS, que é sua capacidade de
transportar serviços de Camada 2:

●​ RFC 3985 - Pseudo Wire Emulation SW-to-SW (PWE3) Architecture: Esta RFC
descreve como o MPLS pode ser usado para simular um "falso cabo" (pseudowire)
entre dois pontos.
●​ Função: O MPLS permite o transporte de "qualquer coisa" de um lado para o
outro, simulando um cabo dedicado (path-cord).
●​ Exemplo: Isso é usado para fornecer serviços de VPN de Camada 2 (L2VPNs),
como:
○​ VPLS (Virtual Private LAN Service): Simula um switch de Camada 2 que
abrange múltiplos locais do cliente.
○​ VPWS (Virtual Private Wire Service): Simula um cabo ponto-a-ponto entre
dois locais do cliente.

Em resumo, o MPLS encapsula o tráfego de L2 em um túnel MPLS (o pseudowire) e o


transporta pelo core rotulado, permitindo que os provedores ofereçam serviços de Camada
2 sobre uma infraestrutura que, no seu núcleo, é baseada em IP.
O Fluxo de Funcionamento do MPLS (Passo a Passo)
O topo do slide descreve a sequência lógica de eventos que permite que um pacote IP seja
transportado pela nuvem MPLS.

1. Rotas são estabelecidas por protocolos de roteamento (ex. OSPF)

●​ Conceito-Chave: O MPLS não é um protocolo de roteamento; ele é um protocolo de


transporte. Ele depende de um protocolo de roteamento para funcionar.
●​ Ação: O OSPF (Open Shortest Path First) ou outro IGP (como IS-IS) é executado
em todos os roteadores do backbone (PEs e Ps). O objetivo é que todos os
roteadores aprendam a topologia e determinem a melhor rota IP (o caminho mais
curto) para cada destino dentro da rede do provedor.
●​ Relevância: Esta é a fundação. Se o OSPF não souber onde está o destino, o
MPLS não pode construir o túnel (LSP).

2. Protocolo de distribuição de Labels (ex. LDP) estabelece o


mapeamento de rotas em labels e cria entradas LFIB nos LSRs

●​ Ação: Após o OSPF ter convergido (estabelecido as rotas), o LDP (Label


Distribution Protocol) entra em ação.
●​ Mapeamento: O LDP usa as rotas IP do OSPF e associa um rótulo (Label) a cada
destino.
●​ LFIB: O LDP preenche a LFIB (Label Forwarding Information Base) em cada
roteador (LSR). Esta tabela é que diz ao roteador: "Se receber um pacote com o
Rótulo X na interface Y, troque-o pelo Rótulo Z e envie-o pela interface W." Este
mapeamento de rótulos cria o LSP (túnel).

3. Edge LSR de entrada recebem pacotes, executam serviços de camada


3 e adicionam labels aos pacotes.

●​ Edge LSR de Entrada = PE (Provider Edge) de Entrada.


●​ Ação: O PE recebe o pacote IP do cliente (CE). Ele executa todas as verificações e
serviços da Camada 3 (roteamento IP) e, em seguida, classifica o pacote no seu
FEC (Forwarding Equivalence Class).
●​ Encapsulamento: Com base no FEC, o PE adiciona o rótulo MPLS ao pacote
(operação de pushing), iniciando o transporte MPLS.

4. LSRs encaminham pacotes com label utilizando troca de labels (label


swapping)

●​ LSRs = Roteadores P (Provider) do Core.


●​ Ação: O roteador P recebe o pacote rotulado, consulta sua LFIB usando o rótulo de
entrada, troca o rótulo por um novo (operação de swapping) e encaminha o pacote
para o próximo P ou para o PE de saída.
●​ Velocidade: Esta comutação é muito mais rápida do que o roteamento IP
tradicional.
5. Edge LSR na saída remove o label e direciona o pacote

●​ Edge LSR de Saída = PE (Provider Edge) de Saída.


●​ Ação: O PE de saída (ou o Penúltimo P, se estiver usando PHP) remove o rótulo
MPLS (operação de popping), revelando o pacote IP original.
●​ Entrega: O PE, então, encaminha o pacote para o roteador de destino do cliente
(CE).

Números para Lembrar (Protocolo LDP)


Esta seção detalha os aspectos técnicos do LDP (Label Distribution Protocol):

●​ Mensagens de Hello LDP – UDP porta 646: As mensagens Hello são usadas para
descoberta de vizinhos LDP. É o primeiro passo para estabelecer uma sessão LDP.
Elas usam o protocolo UDP na porta 646, pois são pacotes pequenos e não
requerem garantia de entrega.
●​ Estabelecimento de sessão de transporte LDP – TCP porta 646: Uma vez que os
vizinhos se descobrem via Hello, a sessão LDP real (para troca de rótulos) é
estabelecida usando o protocolo TCP na porta 646. O TCP é usado porque a troca
de rótulos é crítica e exige entrega confiável.
●​ Mensagens de hello enviadas para todos os routers através da subnet de
endereço multicast [Link]: Esta é a endereço multicast que o LDP usa para
enviar as mensagens Hello em uma rede (área/subnet) a fim de descobrir
automaticamente vizinhos que também rodam LDP.
●​ Cerca de 1 milhão de labels, de 0 – 15 reservado: O campo LABEL no cabeçalho
MPLS tem 20 bits, o que permite cerca de 220 combinações (pouco mais de 1
milhão de rótulos). Os rótulos de 0 a 15 são reservados para funções especiais (ex:
Rótulo 3 para PHP).
Arquitetura de um Roteador MPLS (Edge LSR/PE)
O diagrama representa como um roteador de borda (Edge LSR, também chamado de PE)
processa informações (controle) e, em seguida, encaminha pacotes (dados).

1. Plano de Controle (Control Plane)

O Plano de Controle é a "inteligência" do roteador. É onde ele toma decisões, constrói


tabelas e gerencia a rede. Este plano é lento e complexo, mas crucial.

●​ Protocolo de Roteamento (Ex: OSPF, BGP):


○​ Função: Troca informações de topologia com outros roteadores vizinhos
("Exchange of Routing Information" - troca de informações de
roteamento).
○​ Resultado: Constrói a Tabela de Roteamento IP.
●​ Tabela de Roteamento IP (IP Routing Table):
○​ Função: Armazena todas as rotas IP que o roteador aprendeu, junto com o
próximo salto e a interface de saída (ex: "Para chegar na rede X, vá pelo
Roteador Y na Interface Z").
○​ Dependência: Esta tabela é a base para o LDP.
●​ Protocolo de Distribuição de Rótulos (Label Distribution Protocol - LDP):
○​ Função: Troca rótulos ("Exchange of Labels" - troca de rótulos) com
roteadores vizinhos, usando as rotas da Tabela IP como guia. O LDP faz o
mapeamento entre a rede IP de destino e o rótulo que deve ser usado.
○​ Resultado: O LDP é o principal responsável por popular as tabelas usadas
para o encaminhamento rápido.

2. Plano de Dados (Data Plane)

O Plano de Dados (ou Forwarding Plane) é a "mão de obra" do roteador. É onde os


pacotes são encaminhados fisicamente através das interfaces. Este plano deve ser rápido,
simples e de alto desempenho.

O roteador usa duas tabelas principais neste plano, dependendo do tipo de pacote que
chega:

A. Encaminhamento de Pacotes IP (Roteamento Tradicional)

●​ Tabela de Encaminhamento IP (IP Forwarding Table - FIB):


○​ Função: É uma cópia otimizada da Tabela de Roteamento IP, usada para
encaminhar pacotes sem rótulo (pacotes IP normais).
○​ Uso:
1.​ Pacotes IP que chegam no roteador (Incoming IP Packets) são
inspecionados.
2.​ A FIB diz para onde enviá-los.
3.​ Eles podem ser enviados como Pacotes IP de Saída (Outgoing IP
Packets) ou, no caso do Edge LSR/PE, são enviados para o Plano
de Rótulos.
B. Encaminhamento de Pacotes Rotulados (Comutação MPLS)

●​ Tabela de Encaminhamento de Rótulos (Label Forwarding Table - LFIB):


○​ Função: É a tabela central do MPLS, construída pelo LDP. Ela é usada para
comutar pacotes rotulados.
○​ Uso:
1.​ Pacotes Rotulados que chegam no roteador (Incoming Labeled
Packets) são inspecionados.
2.​ A LFIB diz qual rótulo usar (trocar/swap) e para onde enviar o
pacote.
3.​ O pacote sai como Pacote Rotulado de Saída (Outgoing Labeled
Packets).

A Essência do Edge LSR/PE


O Edge LSR (PE) é o único roteador que precisa de ambos os caminhos ativos para o
tráfego:

●​ Entrada de Cliente (Pushing): Ele recebe pacotes IP (sem rótulo). O tráfego segue
a rota azul do Control Plane (a decisão foi tomada pelo LDP), e o PE insere o rótulo
antes de enviá-lo para a LFIB e para fora.
●​ Núcleo (Swapping/Popping): Ele recebe pacotes rotulados. O tráfego segue o
caminho vermelho e amarelo do Data Plane (a LFIB o comuta) para o próximo salto.
●​ Saída para Cliente (Popping): Ele recebe um pacote rotulado. A LFIB decide que o
rótulo deve ser removido (pop), e o pacote é enviado para o Data Plane do IP (FIB)
para a entrega final ao cliente.

Em resumo, a grande ideia do diagrama é a separação de tarefas:

●​ Control Plane: Lento, complexo, usa OSPF e LDP para decidir o caminho e os
rótulos.
●​ Data Plane: Rápido, simples, usa FIB e LFIB (que são alimentadas pelo Control
Plane) para executar o encaminhamento dos pacotes.

Empilhamento de Rótulos (Label Stacking) para


Serviços MPLS
Quando o MPLS é usado apenas para transporte básico (o "caminho mais curto" do OSPF),
um único rótulo é suficiente. No entanto, para serviços complexos, o MPLS usa uma pilha
de rótulos, como se fossem camadas em um envelope.

O diagrama mostra a estrutura de um pacote com dois rótulos: Label LSP e Label VC.
1. O Rótulo de Transporte (LABEL LSP)

●​ Nome: Rótulo Externo, Rótulo de Infraestrutura ou LABEL LSP.


●​ Função: Utilizado para percorrer o caminho premeditado, chamado de LABEL
LSP.
○​ Este rótulo define o túnel de ponta a ponta através do backbone do
provedor (de um PE ao outro).
○​ Ele é processado pelos roteadores do núcleo (P). O seu valor é trocado
(swap) em cada salto, e é removido (pop) no penúltimo salto (PHP) ou no PE
de saída.
○​ Em resumo: Este é o rótulo que diz como o pacote deve viajar no caminho
MPLS.

2. O Rótulo de Serviço (LABEL VC)

●​ Nome: Rótulo Interno, Rótulo de Serviço ou LABEL VC (Virtual Circuit).


●​ Função: Utilizado para identificar de qual serviço fim se trata o conteúdo do
pacote.
○​ Este rótulo é adicionado pelo PE de entrada e só é lido e removido pelo PE
de saída.
○​ Ele identifica para o PE de saída a VPN (Virtual Private Network) específica
ou o circuito virtual (VC) ao qual o pacote pertence. Isso permite que o PE
de saída saiba qual cliente e qual interface deve receber o pacote.
○​ Em resumo: Este é o rótulo que diz quem (qual serviço/cliente) receberá o
pacote.

3. A Ordem e o Processamento

No empilhamento (do topo para baixo):

Posição Nome no Quem Processa Ação


Slide

Topo LABEL LSP Roteadores P e PE Swap (troca) / Pop (remoção


(Primeiro) de transporte)

Abaixo LABEL VC Apenas Roteador PE Pop (remoção de serviço)


(Segundo) de Saída

Carga Útil PAYLOAD Roteador CE Roteamento IP do cliente


Exportar para as Planilhas
Extensão do Serviço e "Nuvem Continuada"
●​ Demais labels: podem estender serviços como: Criptografia, QoS:
○​ O MPLS suporta mais de dois rótulos na pilha. Rótulos adicionais podem ser
inseridos para sinalizar requisitos especiais, como criptografia (em redes
seguras) ou para diferenciar níveis de QoS (Qualidade de Serviço) em
implementações complexas.
●​ Continuação do conteúdo em outro LSP (nuvem continuada):
○​ Isto se refere ao conceito de "tunelamento de túneis" (Tunnel in Tunnel). Um
LSP pode terminar em um ponto que é o PE de uma rede MPLS, mas que se
conecta a outra rede MPLS. Neste caso, o pacote pode receber um novo
rótulo de transporte para atravessar a segunda rede, criando uma "nuvem
continuada".

Conexão com o Slide Original (Revisão Final)


A capacidade de empilhar rótulos e oferecer o LABEL VC é a materialização dos benefícios
listados no seu primeiro slide:

Conceito no Primeiro Slide Como o Label Stacking Otorga

Permitindo assim o suporte O LABEL VC é o que identifica e permite o


a novos serviços. funcionamento de serviços como as VPNs de Camada 3
e 2.

Foi desenvolvido para O LABEL LSP é o túnel de transporte. O LABEL VC é a


transporte de aplicações em informação encapsulada dentro desse túnel.
forma de tunelamento.

Possibilidade de realizar O LABEL LSP (rótulo de transporte) é determinado pelo


uma Engenharia de Tráfego MPLS-TE para seguir um caminho específico, que pode
(TE). ser diferente do caminho mais curto, otimizando o
backbone.
Exportar para as Planilhas

Em resumo, o MPLS não apenas acelera o transporte (usando o LABEL LSP), mas também
permite a coexistência de múltiplos serviços isolados (usando o LABEL VC) sobre a mesma
infraestrutura física.
KompeIIa (BGP como Sinalizador de Transporte)
O KompeIIa não é um novo protocolo MPLS, mas sim uma abordagem de tunelamento
(como construir o LSP) onde o BGP é usado para o que o LDP faria: sinalizar e distribuir
os rótulos.

1. O Papel Padrão (LDP) vs. KompeIIa (BGP)


Característica LDP (Padrão, como no slide anterior) KompeIIa (Baseado em
BGP)

Protocolo LDP (Label Distribution Protocol). BGP (Border Gateway


Sinalizador Protocol).

Função Cria o túnel (LSP) dentro da rede, usando O BGP é estendido para
as rotas do OSPF. criar o túnel (LSP).

Uso Típico Redes menores ou como solução de Redes grandes e


acesso (Metro), onde o consumo de complexas (Inter-Metro
recursos é baixo. ou Core).
Exportar para as Planilhas

2. Entendendo o BGP neste Contexto (O Básico)

Você mencionou que não entende BGP, então vamos simplificar seu papel aqui:

●​ O que é BGP? O BGP é o protocolo de roteamento usado para trocar rotas entre
Sistemas Autônomos (AS) diferentes na Internet. Pense nele como o Carteiro
Internacional da Internet. Enquanto o OSPF (o Carteiro Local) define rotas dentro
de uma cidade, o BGP define rotas entre países.
●​ Para que serve no MPLS? O BGP é essencial para serviços Inter-AS (entre
diferentes provedores ou redes grandes). No KompeIIa, o BGP não apenas troca
rotas IP, mas é modificado para trocar informações de rótulos (Labels) para
construir túneis, permitindo que os serviços MPLS (como o VPLS) funcionem
perfeitamente mesmo que atravessem a rede de dois provedores diferentes.

3. Cenários de Uso

O slide explica por que existem duas abordagens:

●​ Modo LDP:
○​ Consumo de Recursos (CPU e MEM): Baixo.
○​ Ideal para: Soluções de acesso (menor porte), onde os roteadores (PEs)
têm recursos limitados.
●​ Modo BGP (KompeIIa):
○​ Consumo de Recursos (CPU e MEM): Alto.
○​ Ideal para: Soluções Inter-Metro ou Inter-AS (entre diferentes
AS's/Provedores), como o Hierarchical VPLS.
4. A Tabela Comparativa (Decisão de Design)

A tabela resume o compromisso que os provedores precisam fazer ao escolher entre LDP e
BGP para sinalizar o transporte:

Característica Modo LDP Modo BGP (KompeIIa)

Uso de Baixo (Bom para PEs mais Alto (Exige PEs robustos).
recursos simples).

Descoberta PE Não tem nativo. Exige um Auto discovery nativo. O BGP


de VPN mecanismo extra (como RADIUS) já troca essa informação
para o PE saber quem é seu automaticamente.
vizinho na VPN.

Complexidade Baixa (mais fácil de configurar). Alta (mais complexo de


configurar e gerenciar).

Escalabilidade Baixa/Média. Tem limites na Alta. BGP foi projetado para lidar
capacidade de lidar com muitas com toda a Internet, então escala
sessões e túneis. muito bem.

Utilização Restrita (Exige tunelamento e Sem restrição. É o método


Inter-AS soluções mais complexas). padrão e mais eficiente para
conectar diferentes redes MPLS.
Exportar para as Planilhas

Conclusão Final:

O KompeIIa é o nome dado à prática de usar BGP para construir túneis MPLS. O objetivo é
alcançar alta escalabilidade e permitir a conexão entre diferentes redes grandes
(Inter-AS), embora isso venha com o custo de uma maior complexidade e um maior
consumo de recursos nos roteadores. É a opção de escolha para provedores que
precisam da maior flexibilidade e capacidade de expansão.

●​ Pergunta respondida com sucesso

Claro! As duas últimas imagens que você enviou se concentram no conceito mais avançado
e poderoso do MPLS, a Engenharia de Tráfego (MPLS TE), que já havia sido introduzido
no seu primeiro slide.

Vou explicar o que é o MPLS TE, como ele funciona e o que os diagramas representam.
Engenharia de Tráfego (MPLS TE)
A Engenharia de Tráfego (Traffic Engineering - TE) é o processo de direcionar e
gerenciar o fluxo de dados em uma rede para otimizar a utilização de recursos, evitar
congestionamentos e garantir a qualidade de serviço (QoS) para aplicações críticas.

1. O Problema do Roteamento IP Convencional

No roteamento IP tradicional (usando OSPF, por exemplo), os roteadores sempre escolhem


o caminho mais curto para chegar a um destino.

●​ Problema: Se você tem dois caminhos: um de 10 Gbps e outro de 1 Gbps, e ambos


têm o mesmo custo OSPF, todo o tráfego pode acabar sobrecarregando o link de 10
Gbps, mesmo que o de 1 Gbps pudesse ser usado para tráfego menos prioritário.
Isso gera congestionamento e ociosidade de outros links.

2. A Solução do MPLS TE

O MPLS TE resolve esse problema ao permitir que os administradores de rede direcionem


o tráfego para caminhos diferentes do caminho mais curto estabelecido pelo
roteamento IP.

●​ Objetivo: Otimizar a utilização de recursos, reduzir a ociosidade de links e fazer o


melhor balanceamento da carga de tráfego.

3. Como o MPLS TE Funciona (O Fluxo)

●​ Roteamento Baseado na Origem: O MPLS TE permite o roteamento baseado na


origem ao invés do roteamento baseado apenas no destino. O roteador de entrada
(head end) decide o caminho que o pacote deve seguir antes de enviá-lo.
●​ Head End do LSP: O roteador de entrada (PE) que inicia o túnel é chamado de
head end.
○​ Ele precisa conhecer a topologia e a banda disponível de todos os links da
rede.
○​ Com base nesses dados e nas políticas configuradas (ex: "Tráfego de voz
deve ir por caminhos com pelo menos 50 Mbps disponíveis"), o head end
estima o melhor caminho (LSP mais eficiente) para o tráfego.
●​ LSP Explícito: O MPLS TE estabelece um LSP explícito, ou seja, um caminho que
passa por roteadores pré-determinados, ignorando a decisão de "caminho mais
curto" do OSPF.
●​ Proteção (Resiliência): O MPLS TE permite configurar proteção de enlaces e até
mesmo proteção de nó. Isso significa que, se o caminho principal falhar, um
caminho de backup pré-calculado (LSP secundário) pode assumir
instantaneamente, melhorando a resiliência da rede.
Análise das Imagens
A) Diagrama do Peixe (Topologia Visual)

O diagrama do peixe (com roteadores R1 a R8) é uma representação visual de uma


topologia complexa e dos caminhos que o tráfego pode tomar.

●​ Roteamento IP Convencional (Setas Amarelas): Imagine que o roteamento IP


(OSPF) decide que o caminho mais curto e com menor custo de R1 até R5 é R1 →
R2 → R4 → R5. Todo o tráfego, mesmo que o link R4-R5 já esteja saturado, seria
direcionado por ali.
●​ MPLS TE (Setas Vermelhas e Azuis/Outras): O MPLS TE permite que o roteador
R1 (o head end) diga:
○​ "O tráfego prioritário (seta vermelha) deve ir por R1 → R2 → R3 → R4 →
R5." (Caminho 1)
○​ "O tráfego de dados não prioritário (seta azul) deve ir por R1 → R6 → R7 →
R5." (Caminho 2)
●​ Resultado: O MPLS TE distribui a carga e aproveita os links subutilizados (R6,
R7), o que não seria possível com o roteamento IP simples.

B) Slide de Texto (Definição e Princípios)

Este slide resume os princípios e benefícios do MPLS TE:

1.​ Uso Eficiente dos Recursos: A ideia central é buscar o uso mais eficiente dos
recursos, como equipamentos e links que estão ociosos.
2.​ Direcionar o Tráfego: Permite direcionar o tráfego para caminhos diferentes dos
estabelecidos pelo roteamento IP convencional para melhor distribuição.
3.​ Benefícios Diretos: Evita pontos de congestionamento e otimiza a utilização de
recursos da rede.
4.​ Esquema de Head End: O head end do LSP (o roteador PE) estima e estabelece o
melhor caminho, pois conhece a topologia e a banda disponível de todos os
enlaces.
5.​ Comutação de Rótulos (A Chave): O fato de usar a comutação de rótulos (que é
determinística e rápida) permite o roteamento baseado na origem. Uma vez que o
rótulo é atribuído pelo head end, o pacote seguirá exatamente o caminho
pré-calculado, garantindo o túnel de TE.

O MPLS TE é, portanto, o motor que garante que os provedores possam usar sua
infraestrutura de forma inteligente, oferecendo serviços com garantias de desempenho
(QoS) e evitando upgrades de capacidade desnecessários.
MPLS TE e o Protocolo RSVP
O slide aborda a ferramenta de sinalização usada quando se deseja ter um controle fino
sobre o caminho do tráfego, em vez de apenas seguir a rota mais curta do roteamento IP.

1. RSVP: O Protocolo de Sinalização de Engenharia de Tráfego

●​ O protocolo RSVP é utilizado para o estabelecimento de túneis entre os


equipamentos.
○​ O RSVP (Resource Reservation Protocol) é, na sua essência, um
protocolo de sinalização de QoS que permite que os dispositivos reservem
recursos (como banda) ao longo de um caminho.
○​ No MPLS TE, ele é modificado (com a extensão TE) para ser o protocolo que
constrói e mantém os LSPs (túneis) que o administrador da rede define.
●​ Diferentemente do LDP... o caminho dos túneis é configurado pelo
administrador da rede.
○​ LDP (Padrão): O LDP segue cegamente a rota mais curta que o OSPF/IGP
determina. Ele não tem inteligência para desviar o tráfego.
○​ RSVP-TE: O RSVP-TE é usado para construir um LSP Explícito (o caminho
de Engenharia de Tráfego). O administrador diz ao roteador de entrada (head
end): "Construa um túnel de Roteador A para Roteador B, mas force-o a
passar por Roteador X e Roteador Y, e reserve 50 Mbps de banda neste
caminho."
○​ Relevância: É essa capacidade que permite o balanceamento de carga e a
proteção de links, essenciais para o MPLS TE.
●​ O RSVP com a extensão TE - Traffic Engineering...
○​ A funcionalidade de túnel explícito e reserva de recursos é definida através
da extensão TE (mencionado na RFC 3209), que permite ao RSVP
estabelecer os LSPs em MPLS com base em restrições de engenharia.

2. A Necessidade de Estender o OSPF (IGP)

Para que o RSVP-TE funcione, o roteador de entrada (head end) precisa de informações
sobre a rede que o OSPF básico não fornece: o estado real da banda e a capacidade dos
links.

●​ Para a operação correta do MPLS-TE é necessário que o IGP... seja capaz de


enviar o estado do link aos demais dispositivos.
○​ O IGP (Interior Gateway Protocol), que é o OSPF ou IS-IS, precisa ser
aprimorado (ter extensões) para coletar e distribuir dados adicionais.
●​ LSA - Link-State Advertisements chamado opaque (opaco).
○​ Como o OSPF é um protocolo de Estado de Enlace, ele usa mensagens
chamadas LSAs (Anúncios de Estado de Enlace) para trocar informações de
topologia.
○​ As RFCs 2370 e 3630 introduziram a capacidade de criar LSAs Opaque (ou
Tipo 9, 10 e 11) para permitir que o OSPF carregue informações extras que
não se encaixam no formato padrão.
○​ É dentro desses LSAs opaque que o OSPF pode anunciar a capacidade de
banda, a banda reservada e outros atributos de engenharia de tráfego
de cada link.
●​ LSA type 10 opaque... abrange a sua atuação a uma área OSPF.
○​ O LSA Tipo 10 Opaque é especificamente o tipo de LSA usado para
transportar as informações de Engenharia de Tráfego dentro de uma área
OSPF.

Resumo da Conexão

O slide resume a relação entre os protocolos na Engenharia de Tráfego MPLS:

1.​ OSPF (Estendido): Usa LSAs Opaque para coletar e distribuir informações sobre
a capacidade de banda da rede (Plano de Controle/Inteligência).
2.​ RSVP-TE: Usa essas informações de banda para construir e sinalizar os LSPs que
o administrador da rede configurou (Plano de Controle/Construção).
3.​ MPLS: Usa os LSPs construídos pelo RSVP-TE para comutar o tráfego
rapidamente (Plano de Dados/Execução).

MPLS TE: Definindo Caminhos (Explicit-Path)


Este slide explica o método que o administrador de rede usa para desviar o tráfego do
caminho mais curto do roteamento IP e forçá-lo a usar um caminho mais estratégico (o
LSP explícito).

1. O Conceito de Explicit-Path

●​ Definição: O Explicit-Path (Caminho Explícito) é a maneira de o administrador


declarar a sequência exata de roteadores que um túnel LSP deve percorrer do
início ao fim.
●​ Head End e Tail End:
○​ Head End: É o roteador de entrada (PE) que inicia o túnel LSP.
○​ Tail End: É o roteador de saída (PE) que encerra o túnel LSP.
○​ O Explicit-Path é a lista de roteadores que o LSP deve passar entre o Head
End e o Tail End.

2. Tipos de Caminhos Explícitos

Existem duas maneiras de declarar um Explicit-Path:

A. Strict Routes (Rotas Estritas)

●​ Consiste na declaração ordenada de todo o caminho a ser percorrido,


salto-a-salto.
●​ Funcionamento: O administrador lista cada endereço IP (ou ID de roteador) do
Head End até o Tail End.
●​ Obrigatoriedade: O túnel obedecerá fiel e rigorosamente o caminho determinado.
Se um roteador na lista não estiver acessível, o túnel não será estabelecido ou
cairá.

B. Loose Routes (Rotas Soltas)

●​ Não é necessário determinar todos os saltos, mas sim, endereços IPs


intermediários como pontos obrigatórios e estratégicos.
●​ Funcionamento: O administrador lista apenas pontos de passagem estratégicos
(como cidades, edifícios ou roteadores importantes).
●​ Flexibilidade: O roteador Head End usará sua tabela de roteamento IP (a rota
mais curta) para preencher os saltos entre os pontos obrigatórios.
●​ Exemplo: "Vá de R1 para R10, mas garanta que ele passe pelo R5." O caminho de
R1 a R5 e de R5 a R10 será escolhido pelo OSPF, mas o R5 é obrigatório.

3. Motivação da Engenharia de Tráfego

A seção final do slide resume o porquê de todo esse esforço de declarar caminhos
explícitos com RSVP-TE:

●​ Aumentar a eficiência dos recursos de banda: O principal motivo. Forçar o


tráfego a usar links que estão subutilizados, aliviando o congestionamento dos links
principais (que o OSPF escolheria).
●​ Fornecer o caminho mais desejável para o tipo de tráfego: Em vez do "caminho
mais curto" (que é o objetivo do roteamento IP), o TE busca o "caminho mais
desejável" (o que tem banda suficiente ou a menor latência para aquele tipo de
serviço).
●​ O objetivo final é a economia de custo!
○​ Ao usar a infraestrutura existente de forma mais inteligente e eficiente, o
provedor pode adiar ou evitar upgrades caros de capacidade (links e
equipamentos), resultando em economia operacional e de capital.

Contexto Geral no MPLS


Este conceito de Explicit-Path é o mecanismo de execução da Engenharia de Tráfego que
permite que o MPLS-TE seja implementado.

1.​ Fundação (OSPF): O OSPF mapeia o caminho mais curto.


2.​ Sinalização (RSVP-TE): O administrador configura um Explicit-Path (Strict ou
Loose). O RSVP-TE é o protocolo usado para sinalizar essa lista de roteadores e
construir o túnel (LSP) exatamente como o administrador deseja.
3.​ Encaminhamento (MPLS): Uma vez construído, o tráfego é encapsulado com um
rótulo (o LABEL LSP que discutimos) e comutado por swapping através da
sequência de roteadores definida, garantindo que o objetivo de balanceamento ou
QoS seja atendido.
Como Projetar e Configurar um Backbone MPLS
(Passos Práticos)
O slide lista 8 passos de configuração essenciais para criar a infraestrutura básica de um
backbone MPLS, focando em endereçamento, tuning de interfaces e protocolos.

1. Endereçamento IP Básico (Passo 1 e 2)

O primeiro passo é garantir que a rede interna (o backbone) use um esquema de


endereçamento IP limpo e privado.

●​ Passo 1 - Uso de IPs Privados: Use endereços IP privados (como o recomendado


[Link]/8 ou [Link]/16, [Link]/12 - que são as faixas da RFC 1918).
○​ Motivo: O tráfego dentro do backbone do provedor é interno. O uso de IPs
privados evita conflitos e economiza o uso de endereços públicos.
●​ Passo 2 - Prefixo para a Área Backbone: Escolha um prefixo IPv4 grande (ex: /16
ou /12) para o backbone.
○​ Motivo: Centralizar todo o endereçamento do backbone em um único prefixo
simplifica a configuração do OSPF (Passo 7) e a gestão geral da rede.

2. Endereçamento Detalhado (Passo 3 e 4)

Aqui, o foco é nas interfaces de roteamento e nos endereços de gerenciamento.

●​ Passo 3 - Prefixos Menores para Conexões: Use prefixos menores (/24, /28, /29,
/30) para as interconexões entre os roteadores (PE → P, P → P).
○​ Motivo: O uso de subnets pequenas (especialmente /30 ou /31) conserva
endereços IP.
●​ Passo 4 - IPs de Loopback: Reserve uma faixa para os IPs de loopback (sempre
/32).
○​ O que é Loopback: É uma interface virtual essencial para a estabilidade e
gerenciamento da rede.
○​ Motivo: O IP de loopback é o endereço de identificação do roteador (o
Router ID no OSPF e o ID do LDP/MPLS). Ele nunca cai, mesmo que as
interfaces físicas falhem, garantindo que o OSPF e o LDP se mantenham
estáveis.

3. Otimização de Interfaces (Tuning) (Passo 5 e 6)

Estes passos visam otimizar a eficiência e o desempenho das interfaces.

●​ Passo 5 e 6 - Jumbo Frames e MTU:


○​ Ative jumbo-frame em todas as interfaces do switch (e agregações) e
Nivele o MTU em todas as interfaces.
○​ MTU (Maximum Transmission Unit): É o tamanho máximo do pacote que
pode ser transmitido.
○​ Jumbo Frames: São frames Ethernet maiores que o padrão (ex: 9000 bytes,
em vez de 1500).
○​ Motivo: O MPLS adiciona um cabeçalho extra de 4 bytes (e potencialmente
mais, devido ao label stacking). Para evitar que os roteadores tenham que
fragmentar pacotes grandes, o ideal é aumentar o MTU em todos os links
para acomodar o cabeçalho MPLS e a carga útil do cliente.

4. Ativação dos Protocolos (Passo 7 e 8)

Estes são os passos finais que dão vida à rede MPLS.

●​ Passo 7 - LDP e MPLS: Ative o LDP e os agentes MPLS.


○​ Motivo: Esta é a ativação do serviço. O LDP é o protocolo que vai negociar
os rótulos e construir os túneis (LSPs), transformando a rede IP comum em
uma rede MPLS.
●​ Passo 8 - OSPF para Backbone: Configure todos os roteadores na área
backbone [e] declare no network o prefixo /16 que você escolheu.
○​ Motivo: Todos os roteadores (PEs e Ps) precisam rodar OSPF e estar na
Área 0 (o backbone). Declarar o prefixo /16 garante que o OSPF distribua
todas as rotas de todas as subnets de loopback e de interconexão entre os
roteadores.
●​ Passo 9 - OSPF Ponto-a-Ponto (P2P): Configure as interfaces OSPF do tipo
p2p (point-to-point).
○​ Motivo: Em links seriais ou links Ethernet dedicados entre dois roteadores,
usar o tipo ponto-a-ponto no OSPF é preferível. Ele simplifica a vizinhança e
acelera a convergência, pois não precisa eleger um DR/BDR (roteador
designado/de backup).

Este slide é o "manual de instalação" que garante que a fundação da rede esteja sólida e
otimizada para a comutação rápida e os serviços avançados do MPLS.

OSPF + MPLS: A Parceria Essencial


O slide descreve como o MPLS se baseia no roteamento IP (OSPF) para funcionar e por
que essa combinação é tão eficiente.

1. O Papel do OSPF (A Inteligência da Rota)

●​ OSPF é o protocolo Link-State: O OSPF (Open Shortest Path First) é um


protocolo de roteamento que usa o algoritmo de Dijkstra para calcular o caminho
mais curto e de menor custo para todos os destinos na rede.
○​ Contexto: Isso é o Plano de Controle (a "inteligência") da rede. Ele cria o
mapa da topologia.
2. O Papel do MPLS (A Comutação Rápida)

●​ MPLS é tecnologia de encaminhamento baseada em rótulos (labels):


○​ Funcionamento: O MPLS usa o mapa criado pelo OSPF para construir
túneis (LSPs) e, a partir daí, todo o encaminhamento (backbone) é feito pela
adição de um rótulo (o Shim Header) e pela pesquisa e troca desse
rótulo.
○​ Substituição: O MPLS substitui a decisão de roteamento IP (que é
complexa e exige olhar o endereço IP de destino) pela simples tabela de
rótulos (LFIB).
●​ Vantagem Principal: Isso acelera o processo de roteamento, pois a pesquisa do
próximo salto (hop) se torna muito simples (basta olhar o rótulo) em comparação
com a pesquisa em tabelas de roteamento IP tradicionais. A eficiência do
encaminhamento de pacotes é a maior vantagem do MPLS.

3. Engenharia de Rede vs. Engenharia de Tráfego

Estes pontos definem o objetivo da Engenharia de Tráfego (MPLS TE), que é mais do que
apenas acelerar o tráfego:

●​ Engenharia de rede é para manipular a rede visando atender o tráfego...


○​ Refere-se a construir a rede (adicionar roteadores, links, etc.) para garantir
que ela tenha capacidade suficiente para suportar o tráfego esperado.
●​ Engenharia de tráfego é para manipular o tráfego visando atender a rede...
○​ Refere-se a controlar o tráfego já existente. Em vez de simplesmente
construir mais rede (gastando dinheiro), a Engenharia de Tráfego força o
tráfego a usar os recursos existentes de forma mais eficiente
(balanceamento de carga, evitando congestionamentos), otimizando o uso do
backbone.

Resumo

Este slide é a essência do MPLS:

1.​ Fundação: O OSPF constrói o mapa da rede (o caminho mais curto).


2.​ Aceleração: O MPLS transforma esse mapa em um sistema de túneis rotulados
(LSPs) para comutar pacotes em alta velocidade.
3.​ Otimização: A Engenharia de Tráfego permite que os túneis MPLS desviem dos
caminhos mais curtos do OSPF, garantindo que a capacidade da rede seja sempre
aproveitada ao máximo.

Você também pode gostar