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Antigo Testamento: Pentateuco e Livros Históricos

UNIDADE 3: Estudos em Êxodo

Escabele-se dessa forma as duas linhas de relacionamento: o relacionamento


vertical com Javé e o relacionamento horizontal com o próximo. Os dez
mandamentos visam um relacionamento íntegro com Javé e um relacionamento
íntegro com o próximo. Os mandamentos 1 a 4 estabelecem as diretrizes para o
relacionamento com Deus, e os mandamentos 5 a 10 estabelecem as diretrizes
para o relacionamento com o próximo. Os 4 primeiros mandamentos são teológicos.
Os 4 últimos são morais.

4.8. Leis sociais e civis (Ex 20.22 – 23.33)


Em Êx 20.22 – 23.33, Javé estabeleceu ao povo de Israel várias ordenanças
de caráter teológico, social e civil. Alguns estudiosos acreditam que a expressão “o
livro da aliança”, de 24.7, seja uma referência à coletânea das leis de Êx 20.22 –
23.33, mas, em nossa perspectiva, a expressão também inclui os dez mandamentos
(Êx 20.1-17). Portanto, “o livro da aliança” seriam todas as ordens proferidas por
Javé em Êx 20.1 – 23.33.
Êxodo 21 – 23 apresentam as seguintes leis:
✓ Leis teológicas (20.22-26; 22.18-20, 28-31)
✓ Leis civis (21.1 –22.17)
✓ Leis sociais (22.21-27; 23.1-9).

4.9. O tabernáculo – A morada de Javé no meio do seu povo: Êx 25 – 31;


35 – 40
Os capítulos 25 – 31 narram as orientações de Javé para a construção do
tabernáculo e os capítulos 35 – 40 descrevem a execução do projeto do
tabernáculo.
Notam-se alguns termos hebraicos que se referem à morada de Deus no
meio de Israel:
✓ Miqdash: “santuário” (Êx 25.8)
✓ Mishkan: “habitação/ tabernáculo” (Êx 25.9).
✓ ’Ohel: “tenda” (Êx 33.7, 11).
✓ ’Ohel mo‘ed: “Tenda da Reunião” (Êx 29.42-43; 30.36).

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UNIDADE 3: Estudos em Êxodo

Javé ordenou a construção do tabernáculo a fim de que Sua presença fosse


manifesta no meio de Israel: “E me farão um santuário, para que eu possa habitar
no meio deles.” (Êx 25.8; cf. 29.45, 46.). O “santuário” seria o sinal visível da
presença do Senhor no meio do povo (25.8). Deus não precisava de uma casa para
morar. Mas estava elaborando um recurso visual que apontava algumas diretriz
fundamentais para o homem se aproximar Dele. Os sacrifícios oferecidos mediavam
o relacionamento entre Javé e seu povo, e, por isso, todas as orientações acerca da
construção daquela tenda sagrada precisavam ser seguidas à risca.
A presença de Deus no meio de Israel era resultado na aliança firmada no
monte Sinai. Deus libertou o seu povo a fim de trazer esse povo para perto de si. No
tabernáculo, a sua glória (a nuvem e o fogo, minifestações visíveis de sua presença:
40.34-38) foi manifestada no meio do povo eleito.
O tabernáculo era o local onde Deus se encontrava com seu povo (29.45) e a
aspersão do sangue de um animal era algo fundamental nesse encontro (25.22).
Sendo assim, a tenda aponta ao derramamento de sangue como elemento
necessário para se aproximar de Deus, prefigurando, dessa forma, a perfeita obra
de Jesus Cristo, que “habitou” (literalmente: tabernaculou) entre nós (Jo 1.14).
Desse modo, concordamos com Hill e Walton, quando afirmam:
A estrutura do tabernáculo descrita em Êxodo 25 – 40 tinha o propósito de
simbolizar a presença ativa do Senhor entre os hebreus (...). O tabernáculo também
era chamado Tenda do Encontro, porque Deus fazia suas assembleias com Israel
ali, e o sacerdócio santo representava o povo hebreu perante Javé (v. Lv 1.1). Em
parte, a presença divina associada ao tabernáculo restaurou a comunhão íntima
entre Deus e homem e mulher no jardim antes da queda (Gn 3.8).
O NT renova o tema da presença de Deus em meio à humanidade com a
declaração encontrada no evangelho de João de que “a Palavra tornou-se carne e
viveu (ou ‘montou tabernáculo’) entre nós” (1.14; v. Is7.14). Talvez esse retorno da
“presença divina” a Israel tenha cumprido a profecia de Ageu sobre a glória posterior
do templo ser ainda maior que a glória do primeiro (i.e., de Salomão) (Ag 2.9; v.
Lc).25

25
HILL, Andrew E. & WALTON, J.H. Panorama do Antigo Testamento. São Paulo: Editora Vida, 2007, p.
109.

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O tabernáculo era uma tenda portátil, estruturada de madeira de acácia, e


coberta por quadro tipos de cortinas: a primeira cortina era de linho (chamada de
“tabernáculo”: 26.1); a segunda era de pelos de cabras (chamada de “tenda”: 26.7),
a terceira era de pele de carneiro tingida de vermelho (26.14); e a quarto era de
“peles finas” (26.14).
Notemos, agora, as divisões do tabernáculo e os seus objetos sagrados:

Imagem disponível em:


[Link]
%A7%C3%A3o%20pratica%20para%20o%20louvor/. Acessado em 05.12.2017.

4.10. O átrio
O átrio era o recinto ao redor do tabernáculo: media 45 m de comprimento
por 22,5 m de largura; era cercado de cortinas de linho fino de 2,5 m de altura,
sustentadas por colunas de pratas.

4.11. O Santo Lugar e o Santo dos Santos


O primeiro compartimento do tabernáculo é chamado de Santo Lugar, e
media 5 m por 10 m. No Santo Lugar estavam o candelabro de ouro, a mesa dos
pães da proposição e o altar do incenso. O segundo compartimento, conhecido
como Santo dos Santos (“lugar santíssimo” ou “santuário”, Lv 16.2, 3), tinha uma
forma cúbica: media 5 m por 10 m. No Santo dos Santos estava a arca da aliança,
e, sobre ela, a tampa, chamada de propiciatório.

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4.12. O véu
O véu era uma cortina interior, que provavelmente media 10 cm de espessura
e era trocada anualmente. Separava o Santo Lugar do Santo dos Santos (Êx 26.33).
Essa cortina espessa vedava o acesso ao Santo dos Santos, exceto ao sumo
sacerdote.

4.13. O altar do holocausto


O altar do holocausto era de madeira de acácia revestido de bronze. Foi
erguido na entrada do átrio. Sobre ele eram realizados queimados os sacrifícios.

4.14. A bacia de bronze


A bacia de bronze era um lavatório. Estava entre o altar do holocausto e o
Lugar Santo. Era usada na lavagem cerimonial.

4.15. O candelabro
O candelabro possuía uma haste central, tendo três braços em cada um dos
seus dois lados. Era um suporte no qual se colocavam as lâmpadas. Eram sete
lâmpadas, que simbolizavam a liderança perfeita de Deus (2Sm 22.29).

4.16. A mesa dos pães da proposição


A mesa dos pães era feita de madeira de acácia. Media 90 cm por 32 cm.
Sobre ela eram colocados doze pães, cada qual representado uma tribo de Israel.

4.17. O altar do incenso


O altar do incenso, de madeira de acácia e revestido de ouro, estava no
Santo Lugar, bem em frente ao véu que dividia o Santo dos Santos do Lugar Santo.
O incenso queimado representava as orações do povo de Deus (cf. Sl 141.2).

4.18. A arca da aliança e o propiciatório


A arca da aliança, localizada no Santo dos Santos, era uma caixa de madeira
de acácia, revestida de ouro puro, medindo aproximadamente 1,15 m por 69 cm.
Dentro dela estava o “testemunho” (as tábuas da Lei, Êx 25.16).

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O propiciatório era a tampa/cobertura da arca da aliança (Êx 25.21). Sobre


essa tampa, em suas extremidades, haviam dois querubins, com as asas
estendidas, cobrindo com elas toda a tampa. Os rostos dos querubins estavam
voltados para o propiciatório. Eles olhavam para dentro da arca, onde estavam as
tábuas da lei.
A palavra “propiciatório” (Êx 25.17) é a tradução do hebraico kapporet,
substantivo procedente da raiz verbal kipper, cujo sentido é “cobrir”, “expiar” ou
“perdoar”. No Yom Kippur (Dia da Expiação), o sumo sacerdote entrava no Santo
dos Santos, e aspergia o sangue do sacrifício sobre a tampa da arca, e Deus
manifestava para Israel o seu perdão. Assim, o propiciatório era o lugar onde Deus
se encontrava com o homem, conforme lemos em Êxodo 25.22: “Ali, virei a ti e, de
cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do
Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de
Israel.” A voz de Deus era ouvida “de cima do propiciatório” (Nm 7.89).

4.19. A relevância do tabernáculo para os cristãos


A razão para os cristãos estudarem acerca do tabernáculo não é porque cada
detalhe desse santuário aponta para Cristo e sua obra. É verdade que existe uma
interpretação um tanto alegórica sobre as cores do tabernáculo, e sobre cada objeto
da tenda sagrada. Entretanto, identificar cada detalhe do tabernáculo com os
aspectos específicos de quem é Cristo e de sua obra na cruz significa forçar o livro
de Êxodo a dizer coisas das quais o narrador do livro nunca intencionou dizer.
Por outro lado, não é possível estudar o tabernáculo sem relacioná-lo à obra
de Cristo. É preciso interpretar o Êxodo no contexto mais amplo do cânon geral da
Escritura. Sem se prender aos detalhes do tabernáculo, notemos os seguintes
elementos relacionados ao tabernáculo: os sacrifícios realizados naquela tenda
sagrada, a morada de Deus no meio de Israel, e o perdão concedido por Javé ao
povo escolhido mediante a aspersão do sangue no propiciatório. Tudo isso precisa
ser compreendido à luz da revelação neotestamentária, na medida em que todos
esses elementos apontavam tipologicamente para a obra consumada de Cristo.
No dizer do autor aos Hebreus, Cristo entrou não no tabernáculo terreno,
construído por mãos humanas, “mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos

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Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção” (Hb 9.12; cf. Hb 10.19,
20). O tabernáculo construído pelos israelitas era “figura” do santuário celestial,
onde Cristo ofereceu o seu sangue (Hb 9.24). Os sangues dos animais da antiga
aliança não perdoavam os pecados dos hebreus (Hb 10.4), mas apontavam ao
sacrifício perfeito de Cristo. Os crentes da antiga aliança foram perdoados na base
do sacrifício do Filho de Deus.
Com a morte de Cristo, o véu (que separava o Santo Lugar do Santo dos
Santos) foi rasgado (Mt 27.51). Se na antiga aliança somente os sumos sacerdotes
entravam na presença de Deus no Santo Lugar, agora, na nova aliança, firmada
pelo sangue de Cristo, todos podem se achegar ao trono da graça de Deus (Hb
10.19-22). A igreja não necessita de sacerdotes mediadores, pois ela mesma é o
“sacerdócio real”, e cada crente tem livre acesso à presença de Deus, pelo sangue
de Cristo.
Existe ainda outro ponto que precisamos notar. Na nova aliança, não existe
um lugar sagrado, como o tabernáculo na antiga aliança. Na antiga dispensação,
Deus manifestou sua glória no tabernáculo e no templo de Jerusalém. Na nova
aliança, sua glória foi manifesta na Pessoa do Filho (Jo 1.14). Após a encarnação
do Verbo, e após a vinda do Consolador, a Trindade habita nos cristãos (Jo 14.16,
17, 23). Assim, no cristianismo não existem lugares santos, mas sim, pessoas
santas (1Co 6.19).

Saiba mais
ALEXANDER, T. Desmond. Do paraíso à terra prometida: uma introdução
aos temas principais do Pentateuco. São Paulo: Shedd Publicações, 2010, p. 87-
130.
HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco. 2. ed. Rio de Janeiro: CPAD,
2013, p. 153-261.
WRIGHT, Christopher J. H. Povo, terra e Deus: a relevância da ética do
Antigo Testamento. São Paulo: Aliança Bíblica Universitária/ABU, 1991.

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