Eduardo Giampaoli
Irene Ferreira de Souza Duarte Saad
Irlon de Ângelo da Cunha
Elisa Kayo Shibuya
Daniel Pires Bitencourt
Thais Maria Santiago de Moraes Barros
Norma de Higiene
Ocupacional
NHO 06
Avaliação da exposição
ocupacional ao calor
Procedimento técnico
3a edição
São Paulo
MINISTÉRIO
DO T RABALH O
2025
Eduardo Giampaoli
Irene Ferreira de Souza Duarte Saad
Irlon de Ângelo da Cunha
Elisa Kayo Shibuya
Daniel Pires Bitencourt
Thais Maria Santiago de Moraes Barros
Norma de Higiene
Ocupacional
NHO 06
Avaliação da exposição
ocupacional ao calor
Procedimento técnico
3a edição
São Paulo
2025
NHO 06
©2025 dos autores
Todos os direitos desta edição reservados à Fundacentro.
Qualquer parte desta publicação pode ser reproduzida, desde que citada a fonte.
Não é permitida a venda e/ou a reprodução para fins comerciais.
Disponível em: [Link]
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Serviço de Documentação e Biblioteca – SDB / Fundacentro
São Paulo – SP
Erika Alves dos Santos CRB-8/7110
1234567Norma de higiene ocupacional [texto] : NHO 06: avaliação da exposição
1234567890ocupacional ao calor : procedimento técnico / Eduardo Giampaoli,
1234567890Irene Ferreira de Souza Duarte Saad, Irlon de Ângelo da Cunha ... [et
1234567890al.]. – 3. ed. – São Paulo: Fundacentro, 2025.
123456789044 p. : il. - (Normas de higiene ocupacional - NHO ; 06).
1234567890Essa terceira edição cancela e substitui as versões anteriores da NHO
123456706.
1234567890ISBN 978-65-88344-59-0
1234567890Resumo: Norma técnica que estabelece critérios e procedimentos para
1234567avaliação da exposição ocupacional ao calor que implique sobrecarga
1234567térmica ao trabalhador, podendo causar dano à sua saúde. Não aborda
1234567aspectos para a caracterização de conforto térmico.
12345678901. Locais de trabalho superaquecidos – Avaliação de exposição –
1234567Descrição de técnica – 2. Carga térmica – Medida de temperatura –
1234567Limites de tolerância. I. Giampaoli, Eduardo. II. Saad, Irene Ferreira de
1234567Sousa Duarte. III. Cunha, Irlon de Ângelo da. IV. Shibuya, Elisa Kayo. V.
1234567Bitencourt, Daniel Pires. VI. Barros, Thais Maria Santiago de Moraes. VII.
1234567Série.
1234567890CIS Bumaha Qrae Zuc CDD 536.570287
CIS – Classificação do “Centre International d’Informations de Sécurité et
d’Hygiene du Travail”
CDU – Classificação Decimal Universal
Presidência da República
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministério do Trabalho e Previdência
Luiz Marinho
Fundacentro
Presidência
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Diretoria de Conhecimento e Tecnologia
Remígio Todeschini
Diretoria de Pesquisa Aplicada
José Cloves da Silva
Diretoria de Administração e Finanças
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Produção editorial
Editora-chefe: Glaucia Fernandes
Preparação de originais: Tikinet Edição
Projeto gráfico, diagramação e capa: Alecsander Coelho, Daniela Bissiguini, Érsio
Ribeiro, Rebeca Tonello, Kauê Rodrigues e Paulo Ciola - Phábrica de Produções
31 de dezembro de 2024
2
NHO 06
Apresentação
A Fundacentro publicou, em 1985, uma série de normas
técnicas denominadas Normas de Higiene do Trabalho (NHT),
que posteriormente foram substituídas pelas Normas de Higiene
Ocupacional (NHO).
Em função do processo dinâmico na evolução das técnicas de
identificação, avaliação e controle dos riscos ambientais, e considerando
o desenvolvimento tecnológico, a revisão técnica dessas normas é de
fundamental importância.
Desta forma, apresentamos aos profissionais que atuam
na área de Higiene Ocupacional a NHO 06 – Avaliação da
Exposição Ocupacional ao Calor, revisada e atualizada, resultado da
experiência e da vivência profissional de seus autores, complementadas
pelos estudos e pelas consultas feitas em documentação técnica nacional
e internacional, citadas na Bibliografia, ao final desta obra.
Acredita-se que esta norma possa efetivamente contribuir na
avaliação da exposição ocupacional ao calor, colaborando no controle
da exposição e na prevenção de doenças ocupacionais.
3
NHO 06
Sumário
Prefácio......................................................................................................... 7
1. Objetivo......................................................................................................8
2. Aplicação..................................................................................................8
3. Referências técnicas............................................................................8
4. Definições................................................................................................8
5. Critério de avaliação da exposição ocupacional ao calor.........10
5.1 IBUTG.................................................................................................10
5.2 Taxas metabólicas (M)...................................................................11
5.3 Limites de exposição ocupacional............................................15
5.4 Aclimatização..................................................................................21
5.5 Vestimentas................................................................................... 22
6. Reconhecimento dos locais e das condições de trabalho...... 23
6.1 Grupos de Exposição Similar (GES)........................................... 23
6.2 Abordagem do ambiente e das condições de exposição... 24
7. Equipamentos de medição e montagem...................................... 25
7.1 Equipamentos de medição........................................................... 25
7.1.1 Dispositivo para medição da temperatura de globo.25
7.1.2 Dispositivo para medição da temperatura de bulbo
úmido natural...............................................................................26
7.1.3 Dispositivo para medição da temperatura de bulbo
seco.................................................................................................27
7.1.4 Acessórios complementares.........................................27
7.2 Montagem e posicionamento do equipamento.................... 28
8. Procedimentos de medição.............................................................30
8.1 Aspectos gerais..............................................................................30
8.2 Medições..........................................................................................31
5
NHO 06
8.3 Cálculos...........................................................................................35
8.4 Estimativa do IBUTG por meio da ferramenta “Monitor
IBUTG” ....................................................................................................36
9. Interpretação dos resultados.......................................................... 37
9.1 Critério de julgamento e tomada de decisão.........................39
10. Medidas preventivas e corretivas................................................40
10.1 Medidas preventivas..................................................................40
10.2 Medidas corretivas.....................................................................41
11. Relatório...............................................................................................42
12. Bibliografia..........................................................................................43
6
NHO 06
Prefácio
Esta terceira edição revoga e substitui a edição anterior,
trazendo modificações e avanços técnicos, sendo os principais:
• Considerações sobre o uso da ferramenta de avaliação da
exposição ocupacional ao calor em áreas rurais a céu aberto
“Monitor IBUTG”, desenvolvida pela Fundacentro;
• Orientações complementares para o estabelecimento do
Grupo de Exposição Similar (GES);
• Atualização dos Procedimentos de Medição.
7
NHO 06
1. Objetivo
Esta norma técnica tem por objetivo o estabelecimento de
critérios e procedimentos para avaliação da exposição ocupacional ao
calor que implique sobrecarga térmica ao trabalhador, podendo causar
dano à sua saúde.
2. Aplicação
Esta NHO se aplica à exposição ocupacional ao calor em
ambientes internos ou externos, com ou sem carga solar direta, em
quaisquer situações de trabalho que possam trazer danos à saúde dos
trabalhadores, não estando, no entanto, voltada para a caracterização de
conforto térmico.
3. Referências técnicas
As principais referências técnicas ou normativas utilizadas na
elaboração desta NHO estão relacionadas a seguir. Os usuários devem
estar atentos à publicação de edições atualizadas ou de outras que
venham substituí-las.
• ISO 7243(2017): Hot environments – Estimation of the heat
stress on working man, based on the WBGT-index (wet bulb
globe temperature);
• ISO 7726 (1998): Ergonomics of the thermal environment –
Instruments for measuring physical quantities;
• ISO 8996 (2021): Ergonomics of the thermal environment –
Determination of metabolic rate;
• Criteria for a recommended standard: Occupational exposure to
heat and hot environments. NIOSH 1986, 2013 (Draft) e 2016;
• ACGIH heat stress and strain: TLV(R) Physical Agents 8th
edition – Documentation (2022).
4. Definições
Para os fins desta norma, adotam-se as seguintes definições:
Aclimatização: adaptação fisiológica visando aumentar a
capacidade de um indivíduo de suportar a sobrecarga térmica.
8
NHO 06
Ciclo de Exposição: conjunto de situações térmicas ao qual
o trabalhador é submetido, correlacionado às diversas atividades físicas
por ele desenvolvidas, em uma sequência definida.
Grupo de Exposição Similar (GES): corresponde a um
grupo de trabalhadores que experimentam exposição semelhante,
levando em consideração as condições térmicas e as atividades físicas
desenvolvidas, de forma que o resultado fornecido pela avaliação da
exposição de parte do grupo seja representativo da exposição de todos
que compõem o mesmo grupo.
Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo (IBUTG):
índice utilizado para avaliação da exposição ocupacional ao calor que
leva em consideração temperatura, velocidade e umidade do ar e calor
radiante.
Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo Médio
(IBUTG): média ponderada no tempo dos diversos valores de IBUTG
obtidos em um intervalo de 60 minutos corridos.
Limite de Exposição Ocupacional: valor máximo de IBUTG
relacionado à taxa metabólica média (M). Representa as condições
sob as quais se acredita que a maioria dos trabalhadores saudáveis e
aclimatizados possa estar exposta, repetidamente, durante toda a sua vida
de trabalho, sem sofrer efeitos adversos à sua saúde.
Nível de Ação: valor acima do qual devem ser adotadas ações
preventivas de forma a evitar que o limite de exposição seja alcançado e
minimizar a probabilidade de as exposições causarem danos à saúde do
trabalhador. Esse valor corresponde ao limite de exposição ocupacional
ao calor para trabalhadores não aclimatizados.
Ponto de Medição: ponto físico escolhido para
posicionamento do dispositivo de medição, onde serão obtidas as
leituras representativas da situação térmica objeto de avaliação.
Situação Térmica: cada parte do ciclo de exposição na qual
as condições do ambiente que interferem na carga térmica a que o
trabalhador está exposto podem ser consideradas estáveis.
Taxa Metabólica (M): quantidade de energia por unidade
de tempo produzida no interior do corpo humano correspondente à
atividade física exercida.
9
NHO 06
Taxa Metabólica Média (M): média ponderada no tempo das
taxas metabólicas atribuídas às atividades exercidas pelo trabalhador
em um intervalo de 60 minutos corridos.
Valor Teto: valor de IBUTG relacionado a uma taxa
metabólica que define condições extremas nas quais o trabalhador não
é mais capaz de manter o equilíbrio térmico, implicando aumento da
temperatura central de 1°C em menos de 15 minutos.
5. Critério de avaliação da exposição ocupacional ao calor
O critério de avaliação da exposição ocupacional ao calor
adotado pela presente norma tem por base o Índice de Bulbo Úmido
Termômetro de Globo (IBUTG) relacionado à Taxa Metabólica (M).
5.1 IBUTG
O IBUTG é calculado por meio das equações 5.1 ou 5.2:
a) Para ambientes internos ou para ambientes externos sem carga
solar direta:
IBUTG = 0,7 tbn + 0,3 tg [5.1]
b) Para ambientes externos com carga solar direta:1
IBUTG = 0,7 tbn + 0,2 tg + 0,1 tbs [5.2]
sendo:
tbn = temperatura de bulbo úmido natural em °C
tg = temperatura de globo em °C
tbs = temperatura de bulbo seco (temperatura do ar) em °C
1
Considera-se carga solar direta quando não há nenhuma interposição entre a radiação
solar e o trabalhador exposto, por exemplo, à presença de barreiras como: nuvens, an-
teparos, telhas de vidro etc.
10
NHO 06
5.2 Taxas metabólicas (M)
As taxas metabólicas (M) relativas às diversas atividades
físicas exercidas pelo trabalhador devem ser atribuídas utilizando-se os
dados constantes no Quadro 1, que apresenta as taxas estabelecidas em
função do tipo de atividade.
Quadro 12 Taxa metabólica por tipo de atividade
Taxa metabólica(a)
Atividade
(W)
Sentado
Em repouso 100
Trabalho leve com as mãos 126
Trabalho moderado com as mãos 153
Trabalho pesado com as mãos 171
Trabalho leve com um braço 162
Trabalho moderado com um braço 198
Trabalho pesado com um braço 234
Trabalho leve com dois braços 216
Trabalho moderado com dois braços 252
Trabalho pesado com dois braços 288
Trabalho leve com braços e pernas 324
Trabalho moderado com braços e pernas 441
2
Adaptado a partir dos valores constantes nas normas ISO citadas nas referências,(...)
que
apresentam exatidão de ± 20%.
11
NHO 06
(...)
Taxa metabólica(a)
Atividade
(W)
Trabalho pesado com braços e pernas 603
Em pé, agachado ou ajoelhado
Em repouso 126
Trabalho leve com as mãos 153
Trabalho moderado com as mãos 180
Trabalho pesado com as mãos 198
Trabalho leve com um braço 189
Trabalho moderado com um braço 225
Trabalho pesado com um braço 261
Trabalho leve com dois braços 243
Trabalho moderado com dois braços 279
Trabalho pesado com dois braços 315
Trabalho leve com o corpo 351
Trabalho moderado com o corpo 468
Trabalho pesado com o corpo 630
Em pé, em movimento
Andando no plano
1. Sem carga
(...)
12
NHO 06
(...)
Taxa metabólica(a)
Atividade
(W)
• 2 km/h 198
• 3 km/h 252
• 4 km/h 297
• 5 km/h 360
2. Com carga
• 10 kg, 4 km/h 333
• 30 kg, 4 km/h 450
Correndo no plano
• 9 km/h 787
• 12 km/h 873
• 15 km/h 990
Subindo rampa
[Link] carga
• com 5° de inclinação, 4 km/h 324
• com 15° de inclinação, 3 km/h 378
• com 25° de inclinação, 3 km/h 540
2. Com carga de 20 kg
• com 15° de inclinação, 4 km/h 486
(...)
13
NHO 06
(...)
Taxa metabólica(a)
Atividade
(W)
• com 25° de inclinação, 4 km/h 738
Descendo rampa (5 km/h) sem carga
• com 5° de inclinação 243
• com 15° de inclinação 252
• com 25° de inclinação 324
Subindo escada (80 degraus por minuto – al-
tura do degrau de 0,17 m)
• Sem carga 522
• Com carga (20 kg) 648
Descendo escada (80 degraus por minuto –
altura do degrau de 0,17 m)
• Sem carga 279
• Com carga (20 kg) 400
Trabalho moderado de braços (ex.: varrer,
320
trabalho em almoxarifado)
Trabalho moderado de levantar ou empurrar 349
Trabalho de empurrar carrinhos de mão, no
391
mesmo plano, com carga
Trabalho de carregar pesos ou com movi-
mentos vigorosos com os braços (ex.: traba- 495
lho com foice)
Trabalho pesado de levantar, empurrar ou
arrastar pesos (ex.: remoção com pá, abertura 524
de valas)
a) Taxa metabólica definida para o homem padrão (área superficial igual a 1,8 m2)
M [kcal/h] = 0,859845 x M [W]
14
NHO 06
5.3 Limites de exposição ocupacional
Os limites estabelecidos nesta norma são válidos para
trabalhadores considerados, segundo avaliação médica, aptos para
trabalhos com exposição ao calor, que recebam reposição de água e
sais perdidos durante sua atividade e que trabalhem com vestimentas
tradicionais, compostas por calça e camisa de manga longa ou macacão
de tecido simples. A reposição de água e sais deve ser feita mediante
orientação e controle médico.
Quando utilizadas vestimentas diferentes das tradicionais,
que prejudiquem a livre circulação do ar junto à superfície do corpo,
comprometendo a troca de calor com o ambiente pelos mecanismos da
convecção e evaporação do suor, para comparação com os limites de
exposição, devem ser utilizados os IBUTGs previamente ajustados, de
acordo com o estabelecido no item 5.5 – Vestimentas.
O limite de exposição ocupacional ao calor é estabelecido
com base no IBUTG médio ponderado (IBUTG) e na taxa metabólica
média ponderada (M). Esse é um limite horário e, portanto, deve ser
respeitado em qualquer período de 60 minutos corridos ao longo da
jornada de trabalho.
Quando o trabalhador estiver exposto a uma única situação
térmica, ao longo do período de 60 minutos considerados na avaliação,
o IBUTG será o próprio IBUTG determinado para essa situação.
Caso o trabalhador esteja exposto a duas ou mais situações
térmicas diferentes, o IBUTG deve ser determinado a partir da equação
5.3, utilizando-se os valores de IBUTG representativos de cada uma das
situações térmicas que compõem o ciclo de exposição do trabalhador
avaliado.
Destaca-se que o ciclo de exposição pode ter duração diferente
de 60 minutos, no entanto, a determinação do IBUTG sempre deve
considerar um período de 60 minutos corridos.
IBUTG1 t1+ IBUTG2 t2+...+IBUTGi ti+...+IBUTGn tn [5.3]
IBUTG= 60
sendo:
IBUTG = IBUTG médio ponderado no tempo em °C IBUTGi = IBUTG
da situação térmica “i” em °C
15
NHO 06
ti = tempo total de exposição na situação térmica “i”, em minutos,
no período de 60 minutos corridos mais desfavorável i = i-ésima
situação térmica
n = número de situações térmicas identificadas na composição do
ciclo de exposição
t1 + t2 + ... + ti + ... + tn = 60 minutos
Para o cálculo da M, deve-se considerar o mesmo período de
60 minutos corridos considerado para o cálculo do IBUTG.
Quando a atividade física exercida pelo trabalhador
corresponder a uma única taxa metabólica, no período de 60 minutos
considerados na avaliação, a M será o próprio M atribuído para essa
atividade.
Caso o trabalhador desenvolva duas ou mais atividades físicas, a M
deve ser determinada a partir da Equação 5.4, utilizando-se os valores
estimados de M, representativos das diferentes atividades físicas
exercidas pelo trabalhador durante o ciclo de exposição avaliado.
Destaca-se que o ciclo de exposição pode ter duração diferente de 60
minutos, no entanto, a determinação da M sempre deve considerar um
período de 60 minutos corridos.
M t’ + M2 t’2 + ... + Mi t’i+ ... + Mm t’m [5.4]
M= 1 1 60
sendo:
M= taxa metabólica média ponderada no tempo em W
Mi = taxa metabólica da atividade “i” em W
t’i = tempo total de exercício da atividade “i”, em minutos, no
período de 60 minutos corridos mais desfavorável
i = i-ésima atividade
m = número de atividades identificadas na composição do ciclo
de exposição
t’1 + t’2 + ... + t’i + ... + t’m = 60 minutos
16
NHO 06
O IBUTG e a M a serem utilizados como representativos
da exposição ocupacional ao calor devem ser aqueles que, obtidos no
mesmo período de 60 minutos corridos, resultem na condição mais
desfavorável de exposição.
Os limites de exposição ocupacional ao calor para
trabalhadores não aclimatizados (IBUTGMAX) estão apresentados na
Tabela 1 para os diferentes valores de M.
Esses valores também são os adotados como nível de ação
para as exposições ocupacionais ao calor e, ainda, devem ser utilizados
na avaliação de exposições eventuais ou periódicas em atividades
nas quais os trabalhadores não estão expostos diariamente, tais como
manutenção preventiva ou corretiva de fornos, forjas, caldeiras etc.
Para trabalhadores aclimatizados, os limites de exposição a
serem utilizados são os apresentados na Tabela 2.
Além dos limites estabelecidos nas Tabela 1 e 2, deve ser
observado o valor teto (Tabela 3) em cada situação térmica, valor acima
do qual o trabalhador não pode ficar exposto sem o uso de vestimentas
especiais ou outras proteções adequadas.
Tabela 1 Nível de ação para trabalhadores aclimatizados e limite de
exposição ocupacional ao calor para trabalhadores não aclimatizados
M[W] IBUTGMAX[°C] M[W] IBUTGMAX[°C] M[W] IBUTGMAX[°C]
100 31,7 183 28,0 334 24,3
101 31,6 186 27,9 340 24,2
103 31,5 189 27,8 345 24,1
105 31,4 192 27,7 351 24,0
106 31,3 195 27,6 357 23,9
108 31,2 198 27,5 363 23,8
110 31,1 201 27,4 369 23,7
112 31,0 205 27,3 375 23,6
114 30,9 208 27,2 381 23,5
115 30,8 212 27,1 387 23,4
(...)
17
NHO 06
(...)
M[W] IBUTGMAX[°C] M[W] IBUTGMAX[°C] M[W] IBUTGMAX[°C]
117 30,7 215 27,0 394 23,3
119 30,6 219 26,9 400 23,2
121 30,5 222 26,8 407 23,1
123 30,4 226 26,7 414 23,0
125 30,3 230 26,6 420 22,9
127 30,2 233 26,5 427 22,8
129 30,1 237 26,4 434 22,7
132 30,0 241 26,3 442 22,6
134 29,9 245 26,2 449 22,5
136 29,8 249 26,1 456 22,4
138 29,7 253 26,0 464 22,3
140 29,6 257 25,9 479 22,1
143 29,5 262 25,8 487 22,0
145 29,4 266 25,7 495 21,9
148 29,3 270 25,6 503 21,8
150 29,2 275 25,5 511 21,7
152 29,1 279 25,4 520 21,6
155 29,0 284 25,3 528 21,5
158 28,9 289 25,2 537 21,4
160 28,8 293 25,1 546 21,3
163 28,7 298 25,0 555 21,2
165 28,6 303 24,9 564 21,1
168 28,5 308 24,8 573 21,0
171 28,4 313 24,7 583 20,9
174 28,3 318 24,6 593 20,8
177 28,2 324 24,5 602 20,7
180 28,1 329 24,4
18
NHO 06
Tabela 2 Limite de exposição ocupacional ao calor para trabalhadores
aclimatizados
M[W] IBUTGMAX[°C] M[W] IBUTGMAX[°C] M[W] IBUTGMAX[°C]
100 33,7 186 30,6 346 27,5
102 33,6 189 30,5 353 27,4
104 33,5 193 30,4 360 27,3
106 33,4 197 30,3 367 27,2
108 33,3 201 30,2 374 27,1
110 33,2 205 30,1 382 27,0
112 33,1 209 30,0 390 26,9
115 33,0 214 29,9 398 26,8
117 32,9 218 29,8 406 26,7
119 32,8 222 29,7 414 26,6
122 32,7 227 29,6 422 26,5
124 32,6 231 29,5 431 26,4
127 32,5 236 29,4 440 26,3
129 32,4 241 29,3 448 26,2
132 32,3 246 29,2 458 26,1
135 32,2 251 29,1 467 26,0
137 32,1 256 29,0 476 25,9
140 32,0 261 28,9 486 25,8
143 31,9 266 28,8 496 25,7
146 31,8 272 28,7 506 25,6
149 31,7 277 28,6 516 25,5
152 31,6 283 28,5 526 25,4
155 31,5 289 28,4 537 25,3
158 31,4 294 28,3 548 25,2
161 31,3 300 28,2 559 25,1
165 31,2 306 28,1 570 25,0
(...)
19
NHO 06
(...)
M[W] IBUTGMAX[°C] M[W] IBUTGMAX[°C] M[W] IBUTGMAX[°C]
168 31,1 313 28,0 582 24,9
171 31,0 319 27,9 594 24,8
175 30,9 325 27,8 606 24,7
178 30,8 332 27,7
182 30,7 339 27,6
Tabela 3 Valor teto* para trabalhadores aclimatizados e não
aclimatizados
M[W] IBUTGVT[°C] M[W] IBUTGVT[°C] M[W] IBUTGVT[°C]
≤ 240 38,0 332 36,1 461 34,2
244 37,9 338 36,0 469 34,1
248 37,8 344 35,9 477 34,0
252 37,7 350 35,8 485 33,9
257 37,6 356 35,7 494 33,8
261 37,5 362 35,6 502 33,7
266 37,4 369 35,5 511 33,6
270 37,3 375 35,4 520 33,5
275 37,2 382 35,3 529 33,4
280 37,1 388 35,2 538 33,3
285 37,0 395 35,1 548 33,2
290 36,9 402 35,0 557 33,1
295 36,8 409 34,9 567 33,0
300 36,7 416 34,8 577 32,9
305 36,6 423 34,7 587 32,8
310 36,5 430 34,6 597 32,7
316 36,4 438 34,5 607 32,6
321 36,3 445 34,4
327 36,2 453 34,3
* Fonte: NIOSH, 2013.
20
NHO 06
5.4 Aclimatização
A aclimatização requer a realização de atividades físicas e
exposições sucessivas e graduais ao calor, dentro de um plano, para
que, progressivamente, o trabalhador atinja as condições de sobrecarga
térmica similares àquelas previstas para sua rotina normal de trabalho.
O plano de aclimatização deve ser estruturado e implementado sob
supervisão médica e ser específico para o nível de sobrecarga térmica
a que o trabalhador será submetido e, consequentemente, para o qual
deverá estar adaptado.
São considerados não aclimatizados os trabalhadores:
• que iniciarem atividades que impliquem exposição ocupacional
ao calor;
• que passarem a exercer atividades que impliquem exposição
ocupacional ao calor mais desfavoráveis do que aquelas a que
estavam expostos anteriormente;
• que, mesmo já anteriormente aclimatizados, tenham se
afastado da condição de exposição por mais de 7 (sete) dias;
• que tiverem exposições eventuais ou periódicas em atividades
nas quais não estão expostos diariamente.
Para exposições ocupacionais abaixo ou igual ao nível de
ação, não é necessária a aclimatização. Nesse caso, o trabalhador não
aclimatizado pode assumir de imediato a rotina normal de trabalho.
Para exposições acima do nível de ação, deve ser realizado
um plano de aclimatização gradual. Nesse caso, o trabalhador inicia
suas atividades cumprindo um regime de trabalho mais ameno, que
deve ter como ponto de partida os valores do nível de ação, sendo a sua
exposição elevada progressivamente até atingir a condição da exposição
ocupacional existente na rotina de trabalho (condição real).
Trabalhadores já aclimatizados que passarem a exercer
atividades que impliquem condições de exposição mais severas deverão
ser submetidos à aclimatização adicional.
O plano de aclimatização deve ser elaborado a critério
médico em função das condições ambientais, individuais e da taxa de
metabolismo relativa à rotina de trabalho.
21
NHO 06
5.5 Vestimentas
As vestimentas utilizadas podem influenciar nas trocas de
calor do corpo com o ambiente, devendo, portanto, ser consideradas na
avaliação da exposição ocupacional ao calor.
Assim, o ajuste do IBUTG deve ser realizado sempre que o
trabalhador utilizar vestimentas ou equipamentos de proteção individual
(EPI) diferentes dos uniformes tradicionais (compostos por calça e
camisa de manga longa ou macacão de tecido simples) que prejudiquem
a livre circulação do ar sobre a superfície do corpo, dificultando
essas trocas de calor com o ambiente. Nesses casos, o IBUTG deve
ser previamente ajustado para depois ser comparado com os limites de
exposição estabelecidos nesta NHO.
O Quadro 2 apresenta incrementos para alguns tipos de
vestimentas, que devem ser acrescidos ao IBUTG representativo da
exposição ocupacional do trabalhador avaliado.
Nas situações em que o trabalhador utilizar EPI ou
vestimentas especiais diferentes das citadas no Quadro 2, poderá ocorrer
uma contribuição positiva ou negativa na condição de sobrecarga térmica
do trabalhador. A quantificação desta variável é de caráter complexo,
devendo ser analisada caso a caso pelo higienista ocupacional.
Quadro 2 Incrementos de ajuste do IBUTG médio para alguns tipos
de vestimentas*
Adição ao
Tipo de vestimenta
IBUTG [°C]
Calça e camisa de manga curta -1
Uniforme de trabalho (calça e camisa de manga longa) 0
Macacão de tecido simples 0
Macacão de polipropileno SMS (Spun-Melt-Spun) 0,5
Macacão de poliolefina 1
Vestimenta ou macacão forrado (tecido duplo) 3
Avental longo de manga longa impermeável ao vapor 4
Macacão impermeável ao vapor 10
Macacão impermeável ao vapor sobreposto à roupa de 12
trabalho
*Vestimentas com capuz (cobrindo a cabeça e o pescoço, sem cobrir a face) devem ter seu
valor acrescido em 1 °C. Fonte: Adaptado de ACGIH (2023) e ISO DIS 7243 (2017)
22
NHO 06
6. Reconhecimento dos locais e das condições de trabalho
6.1 Grupos de Exposição Similar (GES)
A avaliação de calor deve ser feita de forma a caracterizar
a exposição de todos os trabalhadores considerados no estudo. Para
tanto, identificando-se grupos de trabalhadores com características
de exposição semelhantes – isto é, que pertençam ao mesmo Grupo
de Exposição Similar (GES) –, não será obrigatória a avaliação de
todos os trabalhadores. Havendo dúvidas quanto à possibilidade de
redução do número de trabalhadores a serem avaliados, a abordagem
deve considerar necessariamente a totalidade dos expostos no grupo
considerado.
É importante destacar que a identificação do grupo de
trabalhadores que compõem o GES deve efetivamente apresentar
condições semelhantes de exposição ao calor, considerando tanto a
atividade do trabalhador quanto as situações térmicas, os pontos de
medição e os tempos de exposição.
O GES não necessariamente coincide com cargos, setores
ou departamentos. Caso, por exemplo, seja definido pelo cargo, deve
ser indicado de forma expressa que todos que ocupam esse cargo
experimentam condições de exposição semelhantes. Deve-se atentar para
possíveis diferenças de exposição que podem ocorrer para o mesmo cargo
em função dos turnos de trabalho ou processos operacionais. Deve ser
observado que trabalhadores que pertençam a um GES identificado para
determinado agente ambiental não necessariamente integrarão o mesmo
GES para outro agente. Assim, a determinação do GES é específica para
cada agente objeto de avaliação. Dessa forma, é essencial que haja um
documento específico da criação de GES, descrevendo os critérios de
identificação, com a relação nominal dos trabalhadores que o compõem.
Deve ser ressaltado que o procedimento técnico estabelecido
nesta norma visa à avaliação da exposição ocupacional ao calor em
uma determinada jornada de trabalho, de um trabalhador previamente
selecionado. A caracterização da exposição de todos os trabalhadores
pertencentes a um determinado GES será feita repetindo-se esse
procedimento em diferentes datas, avaliando-se a exposição de um ou
mais trabalhadores pertencentes ao GES, selecionados com base em
uma estratégia de amostragem. O resultado do tratamento estatístico
do conjunto dos dados obtidos nas referidas avaliações caracterizará
a exposição dos trabalhadores que compõem o GES objeto de estudo.
23
NHO 06
6.2 Abordagem do ambiente e das condições de exposição
O conjunto de medições deve ser representativo das condições
reais de exposição ocupacional do grupo de trabalhadores objeto
do estudo. Dessa forma, a avaliação deve cobrir todas as condições
habituais – operacionais e ambientais – que envolvem o trabalhador no
exercício de suas funções.
Para que as medições sejam representativas da exposição
ocupacional, é importante que o período de amostragem seja
adequadamente escolhido de forma a considerar os 60 minutos
corridos de exposição que correspondam à condição de sobrecarga
térmica mais desfavorável. Tal situação somente é identificada mediante
análise conjunta do par de variáveis “condições térmicas do ambiente”
e “atividades físicas desenvolvidas pelo trabalhador”, e nunca por
meio da análise isolada de cada uma delas.
Havendo dúvidas quanto ao período de 60 minutos corridos
de exposição mais desfavorável, pode ser identificado por meio
de avaliação que cubra um período de tempo maior, envolvendo, se
necessário, toda a jornada de trabalho. No entanto, a determinação do
IBUTG e M da para caracterização da exposição ocupacional deve
ser feita com base no período de 60 minutos identificado como mais
desfavorável.
Os procedimentos de avaliação devem interferir o mínimo
possível nas condições ambientais e operacionais características da
condição de trabalho em estudo.
Condições de exposição não rotineiras, decorrentes de
operações ou procedimentos de trabalho previsíveis, mas não habituais,
devem ser avaliadas e interpretadas isoladamente. Nesses casos, a
caracterização da exposição deve ser feita utilizando-se o limite de
exposição ocupacional ao calor para trabalhadores não aclimatizados,
apresentado na Tabela 1.
Antes do início dos procedimentos de avaliação, devem ser
obtidas informações administrativas visando identificar as variáveis,
as peculiaridades e as especificidades que envolvem as condições
de trabalho que serão objetos de estudo e necessárias à adequada
caracterização da exposição dos trabalhadores. Essas informações
devem ser confirmadas por observações de campo.
24
NHO 06
7. Equipamentos de medição e montagem
7.1 Equipamentos de medição
O IBUTG foi concebido com o uso de dispositivos de medição
que utilizam termômetros de mercúrio, conforme características
construtivas apresentadas neste subitem.
Com a evolução tecnológica e as restrições ao uso de
termômetros de mercúrio, os medidores de IBUTG têm utilizado
equipamentos eletrônicos com outros tipos de sensores de temperatura.
No entanto, continua sendo necessário o atendimento a todos os
requisitos estabelecidos nos subitens 7.1.1, 7.1.2 e 7.1.3.
Os medidores só podem ser utilizados dentro das condições
especificadas pelos fabricantes, tais como umidade, temperatura,
campos magnéticos e demais interferentes.
Os dispositivos de medição de temperatura devem ser
periodicamente calibrados pelo Instituto Nacional de Metrologia,
Qualidade e Tecnologia (Inmetro), por laboratórios por ele acreditados
para essa finalidade ou por laboratórios internacionais, desde que
reconhecidos pelo Inmetro. A periodicidade de calibração deve ser
estabelecida com base nas recomendações do fabricante, em dados
históricos da utilização dos dispositivos que indiquem um possível
comprometimento na sua confiabilidade e em critérios que venham a
ser estabelecidos em lei ou normas legais. A calibração também deve
ser refeita sempre que ocorrer algum evento que implique suspeita de
dano ou comprometimento do sistema de medição.
7.1.1 Dispositivo para medição da temperatura de globo
A temperatura de globo (tg) corresponde à temperatura obtida
por meio de um dispositivo constituído de:
• uma esfera oca de cobre de aproximadamente 1 mm de
espessura e com diâmetro de 152,4 mm, pintada externamente
de preto fosco, com emissividade mínima de 0,95;
• um sensor de temperatura posicionado no centro da esfera de
cobre, com fixação que garanta a hermeticidade do sistema,
impedindo a existência de fluxo de ar do interior do globo
para o ambiente e vice-versa.
25
NHO 06
O sensor deve ter amplitude mínima de medição de +10,0 °C
a +120,0 °C, erro de medição3 igual ou menor que ± 0,5 °C e permitir
leituras a intervalos de, no mínimo, 0,1 °C.
No caso de equipamento convencional, a esfera deve ter
abertura na direção radial, complementada por um duto cilíndrico
de aproximadamente 25 mm de comprimento e 18 mm de diâmetro,
destinado à inserção e à fixação de termômetro.
Essa fixação deve ser feita com uma rolha cônica de borracha,
de cor preta, com diâmetro superior de aproximadamente 20 mm,
diâmetro inferior em torno de 15 mm e altura na faixa de 20 mm a 25
mm, vazada no centro, na direção de seu eixo, por orifício que permita
uma fixação firme e hermética do termômetro.
7.1.2 Dispositivo para medição da temperatura de bulbo úmido natural
A temperatura de bulbo úmido natural (tbn) corresponde à
temperatura obtida por meio de um dispositivo constituído de:
• sensor de temperatura revestido com um pavio tubular
branco, confeccionado em tecido com alto poder de absorção
de água, como, por exemplo, algodão, mantido úmido com
água destilada, por capilaridade;
• reservatório de água com volume de água destilada suficiente
para manter o pavio úmido por capilaridade durante todo o
período de medição. No caso de equipamento convencional,
esse reservatório deve ser um erlenmeyer de 125 ml.
O sensor deve ter diâmetro externo de 6 mm ± 1 mm, com
amplitude mínima de medição de + 10,0 °C a +50,0 °C, erro de medição
igual ou menor que ± 0,5 °C e permitir leituras a intervalos de, no
mínimo, 0,1 °C.
A extremidade do sensor mais próxima ao reservatório de água
destilada deve estar a uma distância de 25 mm ± 1 mm da borda desse
reservatório, sendo que esse espaço deve estar totalmente desobstruído,
permitindo a livre movimentação de ar.
3
No caso de uso de termômetros de mercúrio, escalas com subdivisões de 0,2 °C
permitem leituras a intervalos de 0,1 °C. Embora os termômetros de mercúrio sejam
considerados referência primária, a sua utilização pode apresentar riscos aos usuários,
quando ocorre sua quebra acidental. Devem ser adotadas todas as medidas preventivas
para evitar risco de exposição ao mercúrio caso seja utilizado esse tipo de termômetro.
Atualmente há leis no exterior e no Brasil que restringem a sua utilização.
26
NHO 06
Uma das extremidades do pavio deve revestir o sensor
integralmente e de forma perfeitamente ajustada. A outra extremidade
do pavio deve estar inserida no interior do reservatório cheio com água
destilada de forma a atingir seu fundo. O pavio deve cobrir, além do
sensor, mais duas vezes o seu comprimento.
A utilização de pavio folgado ou apertado sobre o sensor
poderá interferir nos resultados da medição.
7.1.3 Dispositivo para medição da temperatura de bulbo seco
A temperatura de bulbo seco (tbs) corresponde à temperatura
do ar obtida por meio de um dispositivo constituído de:
• sensor de temperatura com amplitude mínima de medição de
+ 10,0 °C a + 100,0 °C, erro de medição igual ou menor que ±
0,5 °C e permitir leituras a intervalos de, no mínimo, 0,1 °C.
• sensor de temperatura do ar protegido da radiação solar direta
ou daquelas provenientes de fontes artificiais por meio de
dispositivos que barrem a incidência da radiação e permitam
a livre circulação de ar ao seu redor.
7.1.4 Acessórios complementares
a) Dispositivos de fixação
Para a montagem e o posicionamento do equipamento de
medição na altura necessária para a correta avaliação da exposição
ocupacional ao calor, deve ser utilizado um dispositivo com regulagem
de altura, pintado em preto fosco (por exemplo, um tripé telescópico).
Quando for necessário o uso de garras e mufas, estas também
devem ser pintadas de preto fosco.
b) Dispositivos de medição do tempo
A determinação dos tempos de permanência em cada situação
térmica e dos tempos de duração de cada atividade física deve ser feita
utilizando um cronômetro.
c) Cabos de extensão
Dispositivo que permite distanciar a unidade de sensores da
unidade leitora.
27
NHO 06
7.2 Montagem e posicionamento do equipamento
O conjunto de medição deve sempre ser montado de forma
que os sensores fiquem todos alinhados segundo um plano horizontal.
Quando houver uma fonte principal de calor, os sensores
deverão estar contidos num mesmo plano vertical e colocados próximos
uns dos outros, sem, no entanto, tocarem-se. A posição do conjunto no
ponto de medição deve ser tal que a normal ao referido plano vertical
esteja na direção da fonte supracitada (Figura 1). Caso não haja uma
fonte principal de calor, esse cuidado torna-se desnecessário.
A altura de montagem dos equipamentos deve coincidir com a
região mais atingida do corpo. Quando não definida, o conjunto deve ser
montado à altura do tórax do trabalhador exposto.
Os equipamentos de medição devem ser posicionados de
forma que as escalas ou mostradores de leitura fiquem na face oposta
àquela voltada para a fonte de forma a facilitar a leitura e evitar
interferências na medição.
Sensor
2,5 cm
Figura 1. Conjunto eletrônico e convencional4
4
Não foi incluída na figura a proteção do tbs no conjunto convencional contra radiação
solar direta ou fontes artificiais de calor. No entanto, no caso de utilização do conjunto
convencional, deve ser adotado algum tipo de proteção que impeça a incidência de
calor radiante sobre o bulbo do termômetro sem prejudicar a circulação de ar sobre ele.
28
NHO 06
Quando for utilizado o equipamento convencional na medição,
deverá ser tomada uma série de cuidados adicionais, na sua montagem,
conforme descrito nos itens subsequentes.
a) Termômetro de globo
O termômetro deve ser fixado no orifício da rolha e ambos
inseridos no globo, de forma que o sensor do termômetro fique
posicionado no centro da esfera. A rolha deve ser fixada no globo
com certa pressão a fim de não se soltar durante o uso e garantir a
hermeticidade do sistema, impedindo a existência de fluxo de ar do
interior do globo para o ambiente e vice-versa (Figura 2).
TERMÔMETRO
DISPOSITIVO DE FIXAÇÃO E VEDAÇÃO
VISTA SENSOR DO
INTERNA TERMÔMETRO
GLOBO
Figura 2. Termômetro de globo
b) Termômetro de bulbo úmido natural
O termômetro deve ser montado na posição vertical acima do
erlenmeyer, de forma que a extremidade inferior do sensor fique a 25
mm ± 1 mm da borda desse reservatório. O pavio deve cobrir, além do
sensor, mais duas vezes o seu comprimento. Se necessário, utilizar um
fio de cor branca para sua amarração. A outra extremidade do pavio deve
alcançar o fundo do interior do erlenmeyer, que deve estar cheio com
água destilada (Figura 3).
29
NHO 06
pavio
25 mm
Erlenmeyer
Figura 3. Termômetro de bulbo úmido natural
8. Procedimentos de medição
8.1 Aspectos gerais
Antes de iniciar as medições para a determinação do IBUTG,
devem ser observados os itens a seguir.
a) Quanto aos equipamentos de medição, deve-se verificar:
• a integridade física e/ou eletromecânica e a coerência no
comportamento de resposta do instrumento;
• a suficiência de carga das baterias para o tempo de medição
• previsto;
• se a calibração atende aos requisitos apontados no item 7.1 desta
norma;
• a necessidade da utilização de cabo de extensão para evitar ou
• minimizar a influência de interferências inaceitáveis;
• a capilaridade do pavio, que deve permitir umidificação
rápida quando a sua extremidade inferior entrar em contato
com a água destilada;
• a necessidade de substituição do pavio e da água destilada no
início de cada medição em função da sua sujidade decorrente
da deposição de contaminantes ambientais.
30
NHO 06
b) Quanto à conduta do avaliador:
• evitar que seu posicionamento e sua conduta interfiram na
condição de exposição sob avaliação para não falsear os
resultados obtidos. Se necessário, utilizar avaliação remota,
por meio de uso de cabo de extensão ou por outros dispositivos
que permitam leitura à distância;
• evitar obstáculos entre os equipamentos de medição e a fonte,
tais como a presença do trabalhador, a fim de não causar
interferências e erros nas medições;
• adotar as medidas necessárias para impedir que o usuário, ou
qualquer terceiro, possa fazer alterações na programação do
equipamento, comprometendo os resultados obtidos;
• informar o trabalhador a ser avaliado que:
- a medição não deve interferir em suas
atividades habituais, devendo manter sua
rotina de trabalho, a não ser nas exceções
previstas no item 8.2;
- o equipamento de medição não pode ser tocado ou
obstruído;
- o equipamento de medição só pode ser
removido pelo avaliador.
8.2 Medições
A avaliação da exposição ao calor é feita por meio da análise
da exposição de cada trabalhador, cobrindo-se todo o seu ciclo de
exposição.
Devem ser realizadas medições em cada situação térmica
que compõe o ciclo de exposição a que o trabalhador fica submetido.
Ressalta-se que o número de situações térmicas pode ser superior ao
número de pontos de trabalho, visto poderem ocorrer duas ou mais
situações térmicas distintas no mesmo ponto, por exemplo, o trabalho
em frente ao forno com porta aberta e com porta fechada.
As temperaturas a serem medidas são: temperatura de bulbo
úmido natural (tbn), temperatura de globo (tg) e temperatura de bulbo
seco (tbs). Quando não houver presença de carga solar direta, a medição
da temperatura de bulbo seco não é obrigatória, pois não é utilizada no
cálculo do IBUTG; no entanto, pode ser um dado útil principalmente
em uma eventual necessidade de se adotar medidas de controle.
31
NHO 06
Após o conjunto de medição estar devidamente posicionado, o
avaliador deve monitorar a evolução dos valores de temperaturas nos três
sensores (tbs, tg e tbn) de forma a constatar que estejam se aproximando
da condição de estabilização com a situação térmica que está sendo
avaliada. A partir desse momento as leituras devem ser repetidas a cada
minuto. A estabilização será considerada atingida quando no mínimo
cinco leituras consecutivas apresentarem uma variação entre elas que
esteja dentro de um intervalo de 0,4 °C. Os valores a serem atribuídos
ao tg, ao tbs e ao tbn correspondem às médias de suas leituras, obtidas
no intervalo considerado estabilizado.
Para trabalhos a céu aberto, é comum ocorrerem variações
significativas das condições térmicas, normalmente decorrentes de
variações rápidas da velocidade do ar e sombreamento temporários
(por exemplo, passagem de nuvens), que interferem nas trocas térmicas
por radiação e condução-convecção. Quando forem constatadas essas
variações, isso representa uma condição térmica inadequada para
retratar a situação de exposição mais desfavorável e, portanto, não é
válida para a caracterização da exposição ocupacional do trabalhador.
As avaliações feitas em dias nublados ou chuvosos, ou em
épocas com temperaturas mais amenas, não devem ser consideradas
para a caracterização da situação de exposição mais desfavorável.
Destaca-se, no entanto, que quaisquer condições de exposição
cujos resultados estejam acima do limite de exposição, mesmo não
representando a situação mais desfavorável, devem ser consideradas
para fins de adoção de medidas de prevenção e controle. Essa conduta,
todavia, não elimina a obrigatoriedade de se identificar e avaliar a
condição de exposição mais desfavorável, a qual pode exigir medidas
de controle complementares.
Avaliações de eventuais situações de exposição cujos “60
minutos mais desfavoráveis” apresentem variações significativas
nas condições térmicas – por exemplo a avaliação da exposição de
um motorista operando um veículo com velocidade variável, sem ar-
condicionado e com janela aberta, ou de operadores de empilhadeiras,
de tratores, de máquinas de terraplanagem etc. – podem ser realizadas
mediante amostragem dos parâmetros necessários à determinação do
IBUTG. Nesses casos, devem ser feitas, no mínimo, 20 (vinte) medições
consecutivas realizadas em intervalos de tempo fixo, dentro dos 60
minutos mais desfavoráveis da exposição. Se ocorrerem diferenças
significativas entre as leituras, um número maior de medições poderá
32
NHO 06
ser necessário de modo a melhor registrar os valores decorrentes das
flutuações. A utilização de equipamentos eletrônicos que registram
leituras sequenciais em curtos intervalos de tempo é recomendada para
esses casos.
Em situações de exposição que apresentem variações
significativas nas condições térmicas, a estabilização do conjunto de
medição poderá ser comprometida. Sendo assim, a interpretação das
condições de exposição pode ser feita considerando:
a) o IBUTG obtido pela média das medições realizadas (média
das medições de tg, de tbn e de tbs, esta última caso a exposição
ocorra com a presença de carga solar direta);
b) um IBUTGpontual max, determinado pelas medições de tg, de
tbn e de tbs, esta última caso a exposição ocorra com a presença
de carga solar direta, obtidas em um determinado instante de
tempo e que impliquem no maior valor de IBUTG entre todas
as medições realizadas.
Deve ser observado que o IBUTG obtido pela média das
medições realizadas corresponde ao IBUTG uma vez que busca retratar
a exposição nos 60 minutos mais desfavoráveis.
A interpretação das condições de exposição deve ser feita
com base no item 9 – “Interpretação dos resultados” – desta norma,
considerando três hipóteses:
o IBUTGpontual max obtido indica condições aceitáveis de
exposição (abaixo do nível de ação);
o IBUTG e IBUTGpontual max obtidos indicam condições
inaceitáveis de exposição (acima do limite de exposição);
o IBUTG indica uma condição aceitável de exposição e
IBUTGpontual max indica uma condição inaceitável de exposição.
Nesse caso, deve ser feito um estudo mais detalhado dos dados e das
condições de exposição.
Destaca-se que, em todas as hipóteses, deve ser adotado o
valor de M para os fins de interpretação dos resultados.
Quando não for possível a medição por um período suficiente
para promover a estabilização do conjunto de sensores, conforme
33
NHO 06
previsto nesta Norma, ou existir dificuldades na simulação das
situações de operação, verificar a possibilidade de pré-aquecimento
em área próxima ao local de avaliação, visando reduzir o tempo de
estabilização do conjunto de medição, em especial do termômetro de
globo. Nesses casos, poderão ser utilizados, para esse fim, fontes de calor
próximas, presentes no processo produtivo ou o uso de aquecedores
(radiação infravermelha). De qualquer modo, deve ser estabelecido um
procedimento para verificar o tempo de pré-aquecimento necessário em
função do tempo de medição real disponível para a operação sob estudo.
As condições térmicas de curta duração, inferiores ao tempo
de estabilização do conjunto de medição, podem ser avaliadas por
meio de simulação. Esse procedimento consiste em estender o tempo
de duração das referidas condições térmicas de forma a permitir a
estabilização e as leituras necessárias para a avaliação da exposição.
São exemplos de condições térmicas de curta duração: um
forno cuja porta fica aberta por apenas cinco minutos a cada meia hora;
um maçarico acionado por dez minutos por hora. No caso do forno,
pode-se manter a porta aberta por trinta minutos, ou mais, de forma a
permitir a estabilização do conjunto de medição e a coleta dos dados.
Procedimento similar pode ser adotado no exemplo do maçarico.
Nas situações em que a simulação não for viável por motivos
operacionais, a avaliação da exposição ocupacional ao calor fica
prejudicada.
Deve ser medido o tempo de permanência do trabalhador em
cada situação térmica que compõe o ciclo de exposição. Esse parâmetro
é determinado por meio da média aritmética de, no mínimo, três
cronometragens, obtidas observando-se o trabalhador na execução do
seu trabalho.
Análogo à determinação das diversas situações térmicas, deve-
se, igualmente, identificar as distintas atividades físicas exercidas pelo
trabalhador em estudo e atribuir um valor de taxa metabólica para cada
uma delas, utilizando-se o Quadro 1 apresentado no item 5 desta Norma.
O tempo de duração de cada atividade física identificada deve
ser determinado por meio de, no mínimo, três cronometragens obtidas
sob a observação do trabalhador na execução do seu trabalho.
34
NHO 06
Devem ser registrados:
a) para cada situação térmica identificada:
• a data e o horário de início e fim da medição;
• a descrição das características ambientais e operacionais que a
compõem;
• os dados obtidos nas medições de temperatura;
• os dados de cronometragem do tempo de duração da situação;
• nas avaliações a céu aberto indicar as condições atmosféricas, tais
como presença de nuvens, variações significativas da velocidade
do ar etc.
b) para cada atividade física identificada:
• a descrição das operações e dos procedimentos que a compõem;
• os dados de cronometragem do tempo de duração da atividade.
c) descrição detalhada das características da vestimenta e dos
equipamentos de proteção individual utilizados pelo trabalhador,
visando ao enquadramento no Quadro 2 do item 5.5 desta norma.
d) identificação do responsável pela avaliação.
Os dados obtidos devem ser invalidados sempre que, após as
medições, for constatado nos equipamentos eletrônicos:
• qualquer prejuízo à sua integridade;
• calibração fora das especificações fornecidas pelo fabricante;
• indicação de insuficiência de carga da bateria.
8.3 Cálculos
Uma vez determinados os parâmetros relacionados no subitem
anterior, deve-se proceder aos cálculos necessários à determinação do
IBUTG e da M a serem utilizados na caracterização da exposição ao calor.
O IBUTG de cada situação térmica deve ser calculado utilizando-
se as equações 5.1 ou 5.2 em função da presença ou da ausência de carga
solar direta. O valor da para cada atividade física identificada, por sua vez,
deve ser atribuído utilizando-se o Quadro 1.
Os dados a serem utilizados no cálculo do IBUTG são as
temperaturas médias, obtidas segundo os critérios estabelecidos nesta Norma.
35
NHO 06
A partir dos valores de IBUTG de todas as situações térmicas
que compõem o ciclo de exposição do trabalhador objeto de estudo e
dos valores de M atribuídos para todas as atividades físicas executadas
por ele em seu ciclo de exposição, devem ser determinados o IBUTG e
a M representativos da exposição ao calor do referido trabalhador.
O IBUTG é a média ponderada no tempo dos valores de
IBUTG das situações térmicas identificadas no ciclo de exposição.
A é a média ponderada no tempo dos valores de M das atividades
físicas exercidas pelo trabalhador no seu ciclo de exposição. Para o
cálculo desses parâmetros, são usadas as equações 5.3 e 5.4, devendo
ser considerados os valores de e de correspondentes ao período de 60
minutos corridos mais desfavorável da jornada de trabalho.
Os tempos de exposição a serem utilizados nas referidas
equações devem ser determinados com base no tempo total de duração
de cada situação térmica e de cada atividade física no período de 60
minutos corridos mais desfavorável da jornada de trabalho.
O tempo de duração de cada situação térmica e de cada
atividade física é determinado por meio da média aritmética de
cronometragens, conforme estabelecido nesta Norma.
8.4 Estimativa do IBUTG por meio da ferramenta “Monitor IBUTG”
Em áreas rurais a céu aberto e sem fontes artificiais de calor, a
ferramenta “Monitor IBUTG” desenvolvida pela Fundacentro pode ser
utilizada. O “Monitor IBUTG” pode ser acessado via computador pelo
endereço [Link] ou através do
celular disponível nas lojas iOS ou Android.
a) de forma complementar às mediçoes in loco utilizando
equipamentos de medição, uma vez que essa ferramenta
“Monitor IBUTG” permite um monitoramento diário, de forma
contínua das 8h às 17h, em áreas com grandes extensões;
b) de forma alternativa, quando não for possível a medição in loco.
Essa ferramenta fornece também a previsão da exposição ao
calor a céu aberto para os sete dias subsequentes, permitindo programar
as atividades laborais a curto prazo e as respectivas medidas preventivas
e/ou corretivas necessárias.
Detalhes de todas as funcionalidades da ferramenta “Monitor
IBUTG”, podem ser acessados em [Link]
[Link]/doc/Documentaçã[Link]
36
NHO 06
9. Interpretação dos resultados
Uma vez determinados o IBUTG e a M da exposição objeto de
estudo, o limite de exposição ao calor será considerado ultrapassado
quando o IBUTG exceder o IBUTGMÁX correspondente à M obtida,
conforme definido na Tabela 1 para indivíduos não aclimatizados e na
Tabela 2 para indivíduos aclimatizados.
Para os valores encontrados de M, intermediários aos valores
constantes na Tabela 1 ou na Tabela 2, será considerado o IBUTG MÁX
relativo à M imediatamente mais elevada.
Além dos limites de exposição IBUTGMÁX estabelecidos nas
Tabelas 1 e 2, o limite de exposição ao calor também será considerado
ultrapassado quando qualquer um dos valores de IBUTG das situações
térmicas que compõem o ciclo de exposição do trabalhador objeto
de estudo exceder o IBUTGVT relativo à M atribuída à atividade
física correspondente, conforme definido na Tabela 3 apresentada no
subitem 5.3.
Também nesse caso, para os valores encontrados de M,
intermediários aos valores constantes na Tabela 3, será considerado o
IBUTGVT relativo à taxa metabólica “M” imediatamente mais elevada.
Considerando-se as incertezas envolvidas nos valores
atribuídos para as taxas metabólicas e o erro de medição admitido para
os sensores de temperatura, na interpretação dos resultados deve-se
considerar uma região de incerteza, estabelecida na Tabela 4, uma vez
que, nessa região, o valor verdadeiro da exposição pode estar acima do
limite estabelecido para trabalhadores aclimatizados.
Tabela 4 Região de incertezas para trabalhadores aclimatizados
M[W] IBUTG[°C] M[W] IBUTG[°C] M[W] IBUTG[°C]
100 32,3 a 33,7 186 29,2 a 30,6 346 26,1 a 27,5
102 32,2 a 33,6 189 29,1 a 30,5 353 26,0 a 27,4
104 32,1 a 33,5 193 29,0 a 30,4 360 25,9 a 27,3
106 32,0 a 33,4 197 28,9 a 30,3 367 25,8 a 27,2
108 31,9 a 33,3 201 28,8 a 30,2 374 25,7 a 27,1
110 31,8 a 33,2 205 28,7 a 30,1 382 25,6 a 27,0
(...)
37
NHO 06
(...)
M[W] IBUTG[°C] M[W] IBUTG[°C] M[W] IBUTG[°C]
112 31,7 a 33,1 209 28,6 a 30,0 390 25,5 a 26,9
115 31,6 a 33,0 214 28,5 a 29,9 398 25,4 a 26,8
117 31,5 a 32,9 218 28,4 a 29,8 406 25,3 a 26,7
119 31,4 a 32,8 222 28,3 a 29,7 414 25,2 a 26,6
122 31,3 a 32,7 227 28,2 a 29,6 422 25,1 a 26,5
124 31,2 a 32,6 231 28,1 a 29,5 431 25,0 a 26,4
127 31,1 a 32,5 236 28,0 a 29,4 440 24,9 a 26,3
129 31,0 a 32,4 241 27,9 a 29,3 448 24,8 a 26,2
132 30,9 a 32,3 246 27,8 a 29,2 458 24,7 a 26,1
135 30,8 a 32,2 251 27,7 a 29,1 467 24,6 a 26,0
137 30,7 a 32,1 256 27,6 a 29,0 476 24,5 a 25,9
140 30,6 a 32,0 261 27,5 a 28,9 486 24,4 a 25,8
143 30,5 a 31,9 266 27,4 a 28,8 496 24,3 a 25,7
146 30,4 a 31,8 272 27,3 a 28,7 506 24,2 a 25,6
149 30,3 a 31,7 277 27,2 a 28,6 516 24,1 a 25,5
152 30,2 a 31,6 283 27,1 a 28,5 526 24,0 a 25,4
155 30,1 a 31,5 288 27,0 a 28,4 537 23,9 a 25,3
158 30,0 a 31,4 294 26,9 a 28,3 548 23,8 a 25,2
161 29,9 a 31,3 300 26,8 a 28,2 559 23,7 a 25,1
164 29,8 a 31,2 306 26,7 a 28,1 570 23,6 a 25,0
168 29,7 a 31,1 313 26,6 a 28,0 582 23,5 a 24,9
171 29,6 a 31,0 319 26,5 a 27,9 594 23,4 a 24,8
175 29,5 a 30,9 325 26,4 a 27,8 606 23,3 a 24,7
178 29,4 a 30,8 332 26,3 a 27,7
182 29,3 a 30,7 339 26,2 a 27,6
38
NHO 06
9.1 Critério de julgamento e tomada de decisão
O Quadro 3 apresenta considerações técnicas e a atuação
recomendada considerando-se trabalhadores aclimatizados em função
dos valores de IBUTG e de M determinados para a condição de
exposição avaliada5
Quadro 3 Critério de julgamento e tomada de decisão
Consideração Atuação
Condições de exposição
técnica recomendada
Menor ou igual No mínimo,
aos níveis de ação Aceitável manutenção da
estabelecidos na Tabela 1 condição existente
Maior que os níveis de
ação estabelecidos na
No mínimo,
Tabela 1 até os limites Nível de ação
adoção de medidas
inferiores da região de ultrapassado
preventivas
incerteza
estabelecidos na Tabela 4
Adoção de medidas
No intervalo de valores preventivas e
Região de
da região de incerteza corretivas visando
incerteza
estabelecidos na Tabela 4 à redução da
exposição
Acima dos limites de Limite de
Adoção imediata de
exposição estabelecidos exposição
medidas corretivas
na Tabela 2 ultrapassado
5
Situações de trabalho cujas exposições impliquem variações significativas do IBUTG
no intervalo de tempo de uma hora, ou seja, que intercalem exposições a ambientes
frios e quentes de forma rotineira, como trabalhos em fornos seguidos de descanso em
salas refrigeradas, devem ser avaliadas com cuidado, mesmo que o IBUTG médio esteja
abaixo dos limites de exposição. Trabalhos nessas condições só devem ser realizados sob
supervisão médica e após estudos que garantam que o tempo de descanso é suficiente
para a recuperação térmica de cada um dos trabalhadores.
39
NHO 06
10. Medidas preventivas e corretivas
Deve ser ressaltado que, mesmo que as exposições sejam
consideradas aceitáveis, a adoção de medidas corretivas que reduzam
os níveis de exposição, se disponíveis ou viáveis, deve ser considerada
prática positiva, uma vez que melhora as condições de trabalho e minimiza
os riscos de danos à saúde.
10.1 Medidas preventivas
As medidas preventivas são ações que visam minimizar a
probabilidade de as exposições ocupacionais ao calor atingirem a região
de incerteza, podendo causar prejuízos à saúde do trabalhador.
Devem incluir:
• monitoramento periódico da exposição, que consiste em
uma avaliação sistemática e repetitiva da exposição dos
trabalhadores, visando a um acompanhamento dos níveis
de exposição e das medidas de controle para identificar a
necessidade de introdução de novas medidas ou modificação
das já existentes;
• disponibilização de água e sais minerais para reposição
adequada da perda pelo suor, segundo orientação médica;
• treinamento e informação aos trabalhadores;
• controle médico, envolvendo exames médicos admissionais
e periódicos, com foco na exposição ao calor, visando à
determinação e ao monitoramento da aptidão física e à
manutenção de um histórico ocupacional;
• permissão para interromper o trabalho quando o trabalhador
sentir extremo desconforto ao calor ou identificar sinais de
alerta ou condições de risco à sua saúde.
Nos programas de treinamento, os trabalhadores devem ser
informados e orientados sobre:
• riscos decorrentes da exposição ao calor;
• aclimatização, hidratação e pausas no trabalho;
• reconhecimento dos sinais e dos sintomas decorrentes da
exposição à sobrecarga térmica;
• condutas a serem adotadas em situações de emergência;
• necessidade de comunicar a seus superiores quaisquer situações
de risco e sinais de sintomas relacionados à exposição ao calor;
40
NHO 06
• cuidados e procedimentos recomendáveis para redução da
sobrecarga fisiológica;
• eventuais limitações de proteção das medidas de controle, sua
importância e seu uso correto;
• outros fatores não ocupacionais agravantes da exposição, tais
como, uso de medicação, consumo de bebidas alcoólicas e
drogas;
• doenças que possam limitar o trabalho sob condições de
sobrecarga térmica, tais como, doenças cardiovasculares,
hipertensão arterial, diabetes e obesidade.
As medidas de caráter preventivo descritas neste subitem não
excluem outras medidas que possam ser consideradas necessárias ou
recomendáveis em função das particularidades de cada situação e de
cada trabalhador exposto.
10.2 Medidas corretivas
As medidas corretivas visam reduzir a exposição a valores
abaixo do limite considerado, devendo ser adotadas conforme as
recomendações estabelecidas no critério de julgamento e na tomada de
decisão apresentadas no subitem 9.1.
Entre as diversas medidas corretivas, podem ser citadas:
• modificação do processo ou da operação de trabalho, tais
como a redução da temperatura ou da emissividade das fontes
de calor, a mecanização ou a automatização do processo;
• utilização de barreiras refletoras ou absorventes;
• adequação da ventilação;
• redução da umidade relativa do ar;
• alternância de operações que geram exposições a níveis mais
elevados de calor com outras que não apresentem exposições
ou impliquem exposições a menores níveis, de forma a reduzir
a sobrecarga térmica na exposição horária;
• reorganização de bancadas e postos de trabalho;
• alteração das rotinas ou dos procedimentos de trabalho;
• introdução de pausas;
• disponibilização de locais climatizados ou termicamente mais
amenos para recuperação térmica.
41
NHO 06
As medidas de caráter corretivo descritas neste subitem não
excluem outras medidas que possam ser consideradas necessárias ou
recomendáveis em função das particularidades de cada situação e de
cada trabalhador exposto.
11. Relatório
Recomenda-se que, no relatório técnico, sejam abordados, no
mínimo, os aspectos apresentados a seguir, de forma a possibilitar a
compreensão sobre o trabalho desenvolvido e a documentar os aspectos
considerados no estudo.
• Introdução, incluindo objetivos do trabalho e período da
realização do estudo;
• Descrição dos ambientes de trabalho, dos processos, das
máquinas, dos equipamentos, das operações, das condições
de exposição avaliadas e das medidas de controle existentes;
• Nas avaliações a céu aberto indicar as condições atmosféricas,
tais como presença de nuvens, variações significativas da
velocidade do ar etc.;
• Critério de avaliação adotado;
• Instrumental e acessórios utilizados e certificados de
calibração;
• Metodologia de avaliação com base nas premissas apresentadas
nos itens 6, 7 e 8;
• Dados obtidos, incluindo cronometragens, descrição das
atividades físicas desenvolvidas, com indicação das datas e
dos horários em que foram efetuadas as avaliações;
• Interpretação dos resultados;
• Informações complementares em decorrência de
circunstâncias específicas que envolveram o estudo realizado;
• Conclusões e recomendações;
• Identificação do(s) responsável(s) pelo relatório.
42
NHO 06
12. Bibliografia
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