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Relórgio

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1.

O Relógio que Parou às Três


Na pequena cidade de Vale Sereno havia um relógio antigo no alto da torre da praça.
Ninguém sabia quem o havia construído, mas todos sabiam uma coisa: todos os dias,
exatamente às três da tarde, ele parava por um minuto.

O curioso era que, durante aquele minuto, todos na cidade tinham a mesma sensação:
como se algo importante estivesse prestes a acontecer.

Miguel, um jovem relojoeiro, decidiu descobrir o motivo. Ele subiu a torre numa tarde
chuvosa e abriu o mecanismo. Dentro do relógio encontrou uma pequena caixa de
madeira com uma carta.

“Se você encontrou isto, significa que ainda existe alguém curioso o suficiente para
procurar respostas.”

A carta contava a história de Elisa, uma mulher que havia vivido ali cem anos antes. Ela
era apaixonada por um rapaz chamado Daniel, que partiu para uma guerra e prometeu
voltar às três da tarde do primeiro dia de primavera.

Ele nunca voltou.

Elisa, então, construiu o relógio para marcar aquele horário todos os dias, acreditando
que talvez um dia ele pudesse retornar.

Miguel ficou emocionado. Mas ao fechar a caixa, percebeu algo estranho: havia outra
carta, escrita recentemente.

“Obrigado por me lembrar dela.”

Assustado, ele olhou pela janela da torre. Na praça havia um senhor idoso olhando para
cima.

No dia seguinte, Miguel encontrou o homem. Seu nome era Daniel.

Ele explicou que havia sobrevivido à guerra, mas demorou anos para voltar. Quando
chegou, Elisa já havia falecido.

Ele nunca teve coragem de tocar no relógio.

Miguel consertou o mecanismo e, naquele mesmo dia, às três horas, o relógio não
parou.

Pela primeira vez em cem anos, ele continuou funcionando.

Daniel sorriu.

— Acho que ela finalmente entendeu que eu voltei.

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