O Processo de Ensino e
Aprendizagem
Maiara Ariana Silva Paula
O Processo de Ensino e
Aprendizagem
Introdução
Neste conteúdo, os estudos têm como escopo conhecer e identificar as características
essenciais das tendências e abordagens pedagógicas de maior destaque à educação
para que possamos refletir e reconhecer esses traços na prática pedagógica.
A educação, enquanto processo intencional e sistematizado, tem como sua maior
representante a escola, pois é nela que o processo de ensino e aprendizagem ocorre
a partir dos aportes científicos sobre a educação, aliados à práxis, ou seja, a escola
conhece, com propriedade, como as contribuições teóricas sobre a educação
acontecem na prática. É nesse momento que a Didática configura o lócus de
proposições e análises sobre o processo de ensino e aprendizagem.
Ensinar e aprender são um mesmo processo? Por muito tempo acreditou-se que sim.
Entretanto, com o avanço das tendências pedagógicas e dos novos paradigmas da
educação, finalmente chegou-se ao conhecimento de que essa afirmação é incorreta.
Trata-se de dois processos distintos e únicos para cada sujeito. Não se aprende na
exata proporção em que o outro ensina, ou vice e versa. Esses processos são inter-
relacionados e até mesmo codependentes, mas não simultâneos. Se assim fosse, nas
escolas não haveria tantos sujeitos com as aprendizagens em condições diferentes; se
assim fosse, docente algum haveria de se queixar que os estudantes não constroem
os saberes que ele ensina.
Que tal conhecer mais sobre esses processos tão importantes para a educação e
identificar as principais características das linhas de pensamento pedagógico?
Bons estudos!
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender como a Didática, enquanto conteúdo;
• Possibilita uma reflexão e se configura como ferramenta importante para a
prática docente no que se refere à organização do ensino e ao estabelecer
relações entre ensino e aprendizagem fundamentais para o fazer pedagógico.
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Concepções de ensino e aprendizagem
A Didática representa o fio condutor, a articulação entre teoria e prática. Não se pode
realizar processos educativos em ambientes formais como a escola sem antes se
ter clareza das abordagens do processo, dos estudos e premissas teóricas que são
representadas a partir da ação pedagógica.
Toda ação revela uma intencionalidade. A educação, como ato político, traz consigo
traços de uma ou mais tendências pedagógicas.
Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção
no mundo. A educação jamais é neutra, ela pode implicar tanto o esforço
da reprodução da ideologia dominante quanto o seu desmascaramento.
Ela não deve só repassar a matéria didaticamente, mas fazer com que
os educadores abram os olhos e vejam o mundo que os rodeia. Pode-
se afirmar que a educação também é contraditória e envolve a dialética,
e muitas vezes ela própria reproduz essa ideologia, etc. No entanto
em determinado momento do tempo e do espaço, um desses fatores
predomina aos demais, cabendo ao setor educacional intervir nas ações
que considera de relevância para a sociedade, como um todo. (FREIRE,
2011, p. 38)
Nesse sentido, outras áreas do conhecimento realizam contribuições importantíssimas
à educação, dentre elas a História, a Sociologia, a Psicologia e a Filosofia.
Atenção
Acompanhando a evolução da sociedade e dos sujeitos, a educação
formal passou a ser objeto de interesse de diversas disciplinas
e muito disso tem relação com a aproximação e a conexão
entre a escola e as demais esferas do humano e da sociedade.
Justamente por isso, existe a necessidade de se compreender
que a tendência ou abordagem pedagógica traz consigo muito do
contexto sociopolítico e histórico.
É a partir da Didática que ocorre a mediação entre teoria e prática, desde o
planejamento até a execução e avaliação das ações pedagógicas. Assim, faz-se
essencial compreender e identificar os principais traços dos pensamentos sobre a
educação à luz de seus estudiosos e representantes.
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Abordagens do processo de ensino e aprendizagem
A depender do contexto sociopolítico e histórico, a educação apresenta-se sob
determinada égide. Por isso, é preciso analisar criticamente cada elemento que
compõe e caracteriza o processo de ensino e aprendizagem. Para tanto, estudaremos
as abordagens do processo pela perspectiva dos principais autores.
Bordenave
Acreditava que os processos da pedagogia tradicional não eram suficientes.
Libâneo
Estudou pedagogias de corrente liberal e progressista.
Saviani
Incluiu premissas sociais, como a marginalização, no estudo da educação.
Mizukami
Estudou a relação entre educação e sociedade.
Veja a seguir detalhes sobre o pensamento e os estudos de cada um deles.
Bordenave
Juan Díaz Bordenave (1926) é um dos mais importantes estudiosos da educação na
América Latina, dedicando-se especialmente à educação de jovens e adultos e de
sujeitos em situações de vulnerabilidade.
Sua obra desenvolve-se em torno da ideia central de que os processos educativos
oriundos da pedagogia tradicional não são eficientes. Sendo assim, sua obra apresenta
três eixos de análise:
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Pedagogia da transmissão:
baseada na “transferência” do conhecimento do docente para o estudante.
Pedagogia do conhecimento:
baseada na construção e execução de objetivos meramente instrucionais.
Pedagogia da problematização:
baseada na participação e envolvimento do estudante e do docente.
A pedagogia da transmissão é uma das primeiras menções que se tem ao processo
educativo sistematizado como conhecemos hoje. Dentre os três eixos de análise,
é o mais criticado pelo autor. Isso porque fundamenta toda prática pedagógica na
premissa de que o estudante não apresenta saberes válidos à escola, que ele é “vazio”
de conhecimento, portanto cabe ao docente “enchê-lo”, transferindo, depositando nele
seu conhecimento.
Na pedagogia do conhecimento, o autor indica que houve uma evolução conceitual
em relação à pedagogia da transmissão, mas que ainda não é suficiente. Nessa
perspectiva, a educação é fortemente direcionada pelos preceitos da psicologia da
educação, sobretudo nos estudos conhecidos como behavioristas, baseados na
relação estímulo-resposta e no condicionamento operante. Em linhas gerais, isso
significa que se trabalha sob a lógica da premiação para aqueles que atingirem os
resultados esperados e da punição para aqueles que não o fizeram.
A pedagogia da problematização é a defendida pelo autor, pois concebe o estudante
enquanto sujeito de transformação social. Além disso, compreende o docente enquanto
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mediador na construção do conhecimento, e representa as mais contemporâneas
tendências pedagógicas, especialmente ao se contrapor aos preceitos tradicionais.
Figura 1 - Docente e estudantes construindo o conhecimento.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
Segundo o autor, as pedagogias da transmissão e do conhecimento cooperam para
a conservação do sistema no sentido de desestimular o protagonismo dos sujeitos,
inibindo sua criatividade, criticidade e argumentação. Assim, a defesa pela pedagogia
da problematização surge como uma possibilidade de fortalecer tais aspectos
anteriormente enfraquecidos nas demais concepções.
Libâneo
José Carlos Libâneo (1945) é um dos maiores expoentes sobre a Didática no Brasil.
Suas obras destacam-se pelos estudos da pedagogia nas tendências liberal e
progressista.
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Pedagogia Liberal
Apesar do sentido literal do termo “liberal” inicialmente parecer como algo bom,
aberto, flexível, na pedagogia não é bem assim. Segundo os estudos de Libâneo,
a pedagogia liberal tem suas raízes na divisão de classes da sociedade, classes
estas fracionadas conforme o poder aquisitivo no sistema capitalista, fator
característico do modelo social fundado na produção e no capital. Esse conceito,
transposto à educação, implica um processo educativo voltado à conservação
dos modelos, ampliando horizontes para os mais abastados financeiramente e
reduzindo-os aos menos favorecidos.
Pedagogia Progressista
Em contrapartida, a pedagogia progressista tem por objetivo romper com as
premissas da pedagogia liberal, pois fundamenta-se na pedagogia libertadora de
fato, defendendo que o processo educativo possibilite a formação crítico-social
dos conteúdos e dos sujeitos, independentemente de sua classe social. Essa
pedagogia ganhou força e destaque a partir dos anos 1980, com o crescente
avanço e solidificação dos movimentos sociais.
Reflita
Para perceber a presença das diferentes abordagens pedagógicas,
sobretudo a liberal e a progressista, assista ao filme “Escola da
vida” (William Dear, 2005).
Conforme estudaremos mais adiante neste conteúdo, as pedagogias liberal
e progressista apresentaram diferentes ramificações no processo educativo,
desdobrando-se em outras correntes de pensamento.
Saviani
Dermeval Saviani (1943) é mais um dos grandes autores que são referência no Brasil
sobre a pedagogia. Assim como Bordenave, Saviani analisa o fenômeno educativo
considerando premissas sociais, como a marginalização, a vulnerabilidade e a divisão
de classes no capitalismo.
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Em Saviani, entende-se por “marginalização” a aproximação ou distanciamento entre
o sujeito e o conhecimento, estando marginalizado aquele à margem do saber. Desse
entroncamento, o autor elabora pareceres a partir das teorias críticas e das teorias
não críticas.
Teorias não críticas
Para o autor, as teorias não críticas são aquelas que desassociam as
problemáticas sociais e econômicas da educação, ou seja, pensam a educação
apartada dessas outras dimensões. Portanto, a função da escola é a de
promover o saber sistematizado com excelência, independentemente de outras
condições a que estão sujeitos os estudantes.
Teorias críticas
Já as teorias críticas “postulam não ser possível compreender a educação senão
a partir dos seus condicionantes sociais” (SAVIANI, 2005, p. 27). São aquelas que
partilham da concepção de que a educação pode atuar como instrumento que
endossa a divisão de classes, ou seja, favorecem a marginalização dependendo
da prática pedagógica.
A educação estará contribuindo para superar o problema da marginalidade
na medida em que formar indivíduos eficientes, portanto, capazes de
darem sua parcela de contribuição para o aumento da produtividade da
sociedade. Assim, estará ela cumprindo sua função de equalização social
(SAVIANI, 2005, p. 25).
O que diferencia as teorias é a concepção de educação e sociedade. É importante
destacar que essas teorias abrigam em si outras vertentes pedagógicas. Nas teorias
não críticas, Saviani discorre sobre a pedagogia tradicional, a pedagogia nova e a
pedagogia tecnicista. Já nas teorias críticas estão as pedagogias que consideram
estudos de outros teóricos importantes, nas linhas da violência simbólica, escola
dualista e escola como aparelho ideológico, por exemplo. Nota-se que, sob essa égide,
a pedagogia é analisada sob fortes aspectos socioeconômicos.
Mizukami
Maria da Graça Nicoletti Mizukami é uma das autoras mais renomadas quando o
assunto é abordagem pedagógica. A estudiosa analisa o fenômeno educativo a partir
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de três matrizes denominadas por ela como “primados”. Todos esses primados partem
da relação entre educação e sociedade, em que é analisado o quanto distanciam ou
aproximam essas duas esferas.
Primado do sujeito
Parte de premissas do inatismo, nas quais o conhecimento já é predeterminado,
é naturalmente do sujeito.
Primado do objeto
Parte de premissas do empirismo, nas quais o sujeito está exposto e é
influenciado pelo meio, assim o conhecimento é “transmitido de fora para
dentro”.
Primado da interação entre sujeito e objeto
Parte de premissas interacionistas, nas quais o conhecimento é construído nas
relações sujeito-objeto, sujeito-sujeito e sujeito-meio.
É com tais considerações que Mizukami discorre seus aportes sobre as abordagens
do processo de ensino e aprendizagem, que segundo a autora:
[...] são elaboradas para explicar, de forma sistemática, determinados
fenômenos, e os dados do real é que irão fornecer o critério para a sua
aceitação ou não, instalando-se, assim, um processo de discussão
permanente entre teoria e prática. (MIZUKAMI, 1986, p. 107)
Ainda segundo a autora, ao analisar as abordagens pedagógicas é possível perceber
que em algumas há clareza de referencial psicológico, teórico e filosófico, ao passo
que em outras há muitos traços da imitação de modelos ou ideias baseadas apenas
na prática, na experiência.
Abordagens
O modelo de sociedade, as correntes filosóficas e a globalização são exemplos de
alguns fatores que exercem grande impacto na educação. Dessa forma, as abordagens
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pedagógicas carregam para o cotidiano escolar os reflexos sociais, apresentando
assim traços e perspectivas característicos do meio histórico.
São cinco as abordagens principais:
Tradicional
Considera a transmissão do conhecimento do exterior para o interior dos
sujeitos.
Comportamentalista
O conhecimento representa as descobertas que um sujeito faz a partir daquilo
que já existe no contexto
Humanista
Ênfase no estudante, que passa a ter papel ativo na construção do conhecimento.
Cognitivista
A educação tem o papel de realizar provocações que culminem em desequilíbrios,
que promoverão reflexões e um novo equilíbrio.
Sociocultural
O conhecimento é construído nas diferentes relações sociais
Estudaremos cada uma dessas abordagens, em detalhes, a seguir.
Abordagem tradicional
A abordagem tradicional considera, sobretudo, que o conhecimento é transmitido do
exterior para o interior dos sujeitos. Dessa forma, a ideia central é de que o sujeito
aprende a partir de todo o conhecimento que já existe no mundo, e a inteligência é
uma capacidade de armazenar uma quantidade surpreendente de informações. Daí
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vem a premissa de valorizar demasiadamente a memorização e a reprodução do
conteúdo escolar.
Nessa abordagem, a educação é sinônimo de instrução, e a escola configura-se como
a grande instituição responsável pela sistematização de todo esse conhecimento
acumulado culturalmente (MIZUKAMI, 1986).
Atenção
A abordagem tradicional do processo de ensino e aprendizagem
representa um marco inicial na prática da educação formal,
influenciando, por muitos anos, o processo educativo nas escolas.
Por isso, mesmo depois de tanto tempo ter passado, ainda é
possível identificar algumas marcas dessa abordagem nos dias
atuais.
A escola configura-se enquanto uma das mais sérias instituições sociais, sendo
responsável por educar as pessoas. Justamente por isso, essa abordagem é
marcada pela hierarquia, poder, rigorosidade metódica, classificação dos estudantes,
reprovação e expulsão daquele cujo rendimento escolar não fosse o estipulado, além
dos tradicionais, e muito comuns na época, castigos físicos, como o uso da palmatória,
por exemplo.
O docente era entendido como o detentor de todo o saber, um grande conhecedor das
coisas, a ele cabia transmitir seus conhecimentos aos estudantes – nesse caso, no
papel de meros aprendizes – vazios de conhecimento e que dependiam exclusivamente
da escola para tê-los.
A abordagem tradicional foi fortemente influenciada pelos modelos fabris, de produção
industrial; assim, pensava-se que era possível não só transmitir informações ao
estudante, mas também ensinar a todos da mesma maneira, acreditando que todos
aprendem conforme se ensina, o que, hoje, já sabemos que foi desconstruído.
Atenção
Aprender não é o mesmo que acumular informações, é muito mais
complexo.
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Figura 2 - Representação do ensino e aprendizagem na abordagem tradicional.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
Abordagem comportamentalista
A abordagem comportamentalista parte da premissa de que o conhecimento
representa as descobertas que um sujeito faz a partir daquilo que já existe no contexto.
A base do conhecimento está na experiência, mas não qualquer experiência e sim
aquela planejada, cujos resultados são analisados. Nessa abordagem, o sujeito é uma
série de consequências das forças do meio. Isso significa que o sujeito é entendido
como um resultado do processo evolutivo da humanidade. Veja o esquema a seguir.
O meio controla e
influencia o sujeito
O sujeito controla e
influencia o meio
Figura 3 - Movimento estudado pela Psicologia Cognitiva.
Fonte: Elaborada pela autora (2019).
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O processo de ensino e aprendizagem parte de um núcleo da Psicologia
Comportamentalista, fundada em princípios como comportamento respondente,
estímulo-resposta e reforço positivo ou negativo, por exemplo. Acreditava-se que o
docente deveria planejar suas ações considerando os comportamentos esperados
por parte dos estudantes, que passaram a ganhar destaque nessa abordagem.
Os estudantes precisavam ser estimulados, ter sua potencialidade aumentada. Nesse
ponto, destacam-se duas práticas que também deixaram suas marcas nas escolas até
hoje: o reforço positivo ou estímulo positivo, na ação de premiar, e o reforço negativo
ou estímulo negativo, na ação de punir.
Figura 4 - Representação de premiação escolar.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
Foi a partir da abordagem comportamentalista que se iniciou o processo de valorização
e execução do planejamento escolar e considerações sobre a influência do meio e do
comportamento no processo de construção do conhecimento.
Abordagem humanista
Acompanhando os avanços das reflexões sobre a educação escolar, na abordagem
humanista o ponto diferencial é a ênfase atribuída à figura do estudante e a defesa de
sua participação mais efetiva no processo.
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A educação tem a função principal de contribuir com a formação desse sujeito de
modo integral, ou seja, deve considerar as emoções, o desenvolvimento cognitivo,
motor etc. Deixa-se de lado a concepção de que existem modelos e padrões para o
processo educativo, passando a compreendê-lo em sua essência e complexidade.
O papel do docente começa a ser entendido como o de facilitador da aprendizagem,
sua atuação deve ser direcionada à mediação na construção do conhecimento.
Figura 5 - Docente e estudante.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
A metodologia de ensino também ganha destaque nessa abordagem, trazendo
implicações como a necessidade de o docente planejar bem suas aulas, considerando
o desenvolvimento de cada estudante em particular, e seu papel compreensivo e
confiante na aprendizagem do estudante, que, por sua vez, deve comprometer-se com
os objetivos propostos pelo docente para sua aprendizagem, na busca pela evolução.
Atenção
A abordagem humanista diferencia-se das demais por sua
preocupação e respeito às diferentes personalidades e ao tempo
da infância.
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Abordagem cognitivista
A abordagem cognitivista foi pensada a partir de contribuições sobre os processos
de aprendizagem e desenvolvimento. Compreende que a educação tem o papel de
realizar provocações que culminem em desequilíbrios que promoverão reflexões e um
novo equilíbrio. É nessa tríade constante que o conhecimento é construído.
Um marco dessa abordagem está na afirmação de que o conhecimento é construído,
e não dado ou inato.
Figura 6 - Representação de pensamentos, sinapses.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
Para a prática pedagógica, a abordagem apresenta alguns fundamentos: tomada de
decisões e seus comportamentos, organização sistêmica do conhecimento e estilos
de pensamentos.
Cabe ao docente a criação de diferentes situações que proporcionem desafios aos
estudantes, mas sempre considerando que se trata de um ser social e que a escola
faz parte desse meio.
Abordagem sociocultural
Posterior à abordagem cognitivista, a abordagem sociocultural foi pensada com
investigações que se basearam na interação social, valorizando os sujeitos como seres
sociais. Nesse sentido, não caberia mais à escola se configurar enquanto a detentora
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do saber e única responsável por sua construção. O conhecimento é construído nas
diferentes relações sociais.
Figura 7 - Representação de interações sociais.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
A escola é vista como espaço privilegiado para a construção do conhecimento, mas
não só do cognitivo, como também do afetivo, emocional, psicológico, corporal, entre
outros. Assim, é preciso considerar todas essas características no desenvolvimento
do processo de ensino e aprendizagem.
Uma das premissas principais da escola nessa abordagem é o sujeito social, ou seja,
os sujeitos fazem parte de um contexto social e a educação, por sua vez, o empodera
para a transformação desse meio, assim o sujeito faz parte do processo histórico e
não deve ser entendido como alienado.
A relação entre docente e estudantes é horizontal, baseada na ideia de construir juntos.
Elementos do processo de ensino e aprendizagem
Sendo a educação um processo complexo, existem inúmeros fatores que podem
interferir e afetá-lo. Entretanto, há elementos que são substanciais: a escola, o aluno, o
professor e o próprio processo de ensino e aprendizagem. Cada um desses elementos
apresenta traços únicos, indissociáveis à educação.
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A escola
A escola é a instituição responsável pela construção e difusão do conhecimento.
Mas a escola não foi sempre igual a esta que conhecemos hoje. Muitos estudiosos já
revelaram que a escola, em sua origem, tem raízes oriundas da sociedade de classes.
Por isso, as primeiras instituições eram apenas para a burguesia, ou seja, a educação
era entendida como um privilégio: o da acumulação do saber. É facilmente perceptível
que o objetivo era o de manter o conhecimento na classe dominante, dividindo a
sociedade não apenas por poder econômico, mas também por ignorância.
Houve um longo período em que a educação era tarefa da Igreja Católica. Apenas no
início da década de 1920 é que surgiram alguns movimentos, nos Estados Unidos e
na Europa, indicando a necessidade de reformas educativas e a responsabilização do
Estado pela educação.
A partir de então, a escola seguiu transformando-se de acordo com o contexto
histórico-político-social até chegar ao modelo de escola e educação que vive em
nossas memórias e nas de nossos pais e avós.
Com o passar do tempo, com a evolução da humanidade e de seus modos de vida,
a escola continua sendo o espaço institucionalizado do conhecimento, mas já se
sabe que não se trata de conhecimentos isolados ou meramente conceituais, são
conhecimentos de mundo, de vida, de sociedade. A diversidade de saberes e sua
relação com a vida cotidiana dos sujeitos é o ponto-chave da função da escola, sempre
tendo em vista a formação de um sujeito capaz de atuar e transformar o meio.
O aluno
Antes de qualquer coisa, é preciso compreender que o aluno é um sujeito histórico,
social, cultural etc. Posto isso, assim como a escola, a visão de aluno também se
modificou ao longo do tempo.
Nas primeiras abordagens pedagógicas, sobretudo na tradicional, o aluno era visto
como alguém desprovido de conhecimento, portanto precisava frequentar a escola
para adquiri-lo. Sob essa premissa, devia obediência e respeito soberanos à figura do
professor. As responsabilidades do aluno resumiam-se à aquisição do conhecimento
transmitido pelo professor. Era preciso muita memorização, cópia e exercícios de
repetição.
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Figura 8 - Aluno.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
Atualmente, essa visão de aluno já não cabe mais.
O aluno contemporâneo está imerso em um crescente universo tecnológico
impulsor de inúmeras possibilidades de interações pedagógicas que
extrapolam as técnicas tradicionais e, certamente, não pode ficar preso
ao livro didático como única fonte de aprendizado. (SOUZA; SANTO, 2013,
p. 70)
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Atenção
A cada mudança de contexto, a escola e seus elementos se
veem diante de desafios novos, e tais desafios põem em xeque
a eficácia do sistema e da relação entre alunos e professores. O
aluno de hoje não é como o do século XIX, exige novos olhares e
novas perspectivas, pois está definitivamente imerso em culturas
diversas.
O professor
Seguindo a linha da história de representatividade dos elementos que compõem a
educação, o professor também teve seus papéis modificados ao longo do tempo.
Quando a escola e a educação eram para poucos, os professores ocupavam lugar de
destaque e grande prestígio social, tendo sua imagem à semelhança de uma grande
autoridade, exemplo de conduta.
Tanto esmero e status social agregavam poder, ordem e disciplina às tarefas
pedagógicas. Ensinar era sinônimo de controlar.
Figura 9 - Representação de autoritarismo.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
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O professor, assim como o aluno, também precisa ter sua humanidade reconhecida
e respeitada. É essencial que se perceba que, atualmente, ser professor envolve
múltiplas inteligências, habilidades e estudos.
[...] a responsabilidade do professor, de que às vezes não nos damos
conta, é sempre grande. A natureza mesma de sua prática, eminentemente
formadora, sublinha a maneira como realiza. Sua presença na sala é de tal
maneira exemplar que nenhum professor ou professora escapa ao juízo
que dele ou dela fazem os alunos. E o pior talvez dos juízos é o que se
expressa na “falta” de juízo. O pior juízo é o que considera o professor uma
ausência na sala. (FREIRE, 2011, p. 61)
Diante dos desafios e avanços da tecnologia, por exemplo, a comunicação e a
disponibilidade de informações mudam completamente o cenário da sala de aula,
exigindo cada vez mais do docente.
A figura do professor, hoje, não carrega mais consigo o mesmo status de antes. As
teorias e diretrizes curriculares e de formação inicial de professores têm cada vez
mais destacado que a atuação docente deve ser voltada à mediação, estabelecendo,
então, uma relação horizontal com os estudantes, numa interação de construção
colaborativa. É preciso deixar no passado a ideia de que o controle e o autoritarismo
representam garantia de ensino e aprendizagem.
Ensino e aprendizagem
Processos que dão sentido e função a todos os demais elementos, o ensino e a
aprendizagem são a “razão de ser” da escola, dos estudantes e dos docentes. É por
reconhecer que o conhecimento e sua sistematização possibilitam a evolução da
humanidade que esse processo é objeto de estudos constantes.
Primeiro, é essencial compreender que estamos tratando aqui dos conceitos de ensino
e de aprendizagem formais, aqueles que ocorrem em instituições educativas. Isso
porque ambos os processos também acontecem em outras esferas, como a família,
os amigos, o meio social etc.
Mas o que é ensino?
O ensino é um processo, ou seja, caracteriza-se pelo desenvolvimento
e transformação progressiva das capacidades intelectuais dos alunos
em direção ao domínio dos conhecimentos e habilidades, e sua
aplicação. Por isso, obedece a uma direção, orientando-se para objetivos
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conscientemente definidos; implica passos gradativos, de acordo
com critérios de idade e preparo dos alunos. O desdobramento desse
processo tem um caráter intencional e sistemático, em virtude do qual
são requeridas tarefas docentes de planejamento, direção das atividades
de ensino e aprendizagem e avaliação. (LIBÂNEO, 2013, p. 84)
Para que o processo de ensino possa ter eficiência e coerência com os objetivos, é
preciso compreender como a aprendizagem ocorre. E o que é aprendizagem?
A aprendizagem organizada é aquela que tem por finalidade específica
aprender determinados conhecimentos, habilidades, normas de
convivência social. Embora isso possa ocorrer em vários lugares, é na
escola que são organizadas condições específicas para a transmissão e
assimilação de conhecimentos e habilidades. Esta organização intencional,
planejada e sistemática das finalidades e condições da aprendizagem
escolar é tarefa específica do ensino. (LIBÂNEO, 2013, p. 85)
Figura 10 - Processos cognitivos.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
Conforme já estudamos neste conteúdo, o processo de ensino e aprendizagem
não é simultâneo, cada um acontece em um tempo específico e único para cada
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sujeito. Porém, eles mantêm uma relação indissociável, existe uma unicidade, são
interdependentes.
Tendências e pedagogias
Desde a instituição formal da escola, a maneira de se pensar nos conceitos de ensino
e de aprendizagem foi sendo modificada. Cada abordagem, metodologia, currículo,
posturas, organização dos espaços revela predominância para alguma tendência
pedagógica.
São sete as principais tendências pedagógicas:
Liberal Tradicional
A ideia é a de preparar cidadãos para a vida em sociedade.
Liberal Renovada
A função da escola é a de adequar as precisões de cada estudante ao meio
social.
Liberal Tecnicista
A função da escola é de modelar o comportamento humano.
Crítico-reprodutivista
A escola servia aos interesses do capital, formando os sujeitos com o objetivo
de conservar e cristalizar a divisão de classes.
Progressista Libertária
A escola é propulsora da transformação dos sujeitos no sentido libertário e de
autogestão.
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Progressista Libertadora
A escola e a vida são uma unidade.
Progressista Crítico-social dos Conteúdos
A função da escola é a de difundir os conteúdos para que seja valorizada a
apropriação dos diferentes saberes.
Veja cada uma delas a seguir.
Pedagogia Liberal Tradicional
Na Pedagogia Liberal Tradicional, a função da escola é a de formar sujeitos na esfera
intelectual e moral. A ideia é a de preparar cidadãos para a vida em sociedade, não
havendo necessidade de aproximação entre escola e meio social.
O conhecimento é reconhecido como algo acumulado pelas gerações e de domínio
dos adultos. O docente repassa esses conteúdos aos estudantes como verdades
absolutas. Não há espaço para questionamentos.
Figura 11 - “Transferência” de conhecimento.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
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O estudante carrega o dogma de “destituído de conhecimento”, enquanto o docente é
visto como o “detentor do conhecimento”. A relação entre eles é hierárquica e regida
pelo autoritarismo.
Acredita-se que ensinar seja transferir conhecimentos e aprender seja receber, de
forma passiva, esses conhecimentos.
Pedagogia Liberal Renovada
Na Pedagogia Liberal Renovada a função da escola é a de adequar as precisões de
cada estudante ao meio social, assim a escola deveria retratar a vida comum, portanto,
há necessidade de aproximação entre escola e meio social.
O conhecimento é organizado considerando as experiências vividas pelos sujeitos
envolvidos no processo educativo. Destaca-se a valorização dos processos mentais,
do desenvolvimento de habilidades cognitivas e da racionalidade.
O estudante é visto como um sujeito que deve ser exposto a diversas situações
estimulantes para promover a aprendizagem; para tanto, o docente é visto como
um auxiliador, atuando como um elo entre o conhecimento pelas vivências e o
conhecimento sistematizado.
Nessa pedagogia, a relação harmoniosa entre docente e estudantes é uma das peças-
chaves para o progresso do ensino e da aprendizagem. Assim, a sala de aula deve ser
um ambiente motivador e incentivador.
Pedagogia Liberal Tecnicista
Na Pedagogia Liberal Tecnicista, a educação é vista como um processo social
orgânico, funcional e harmônico. A função da escola é de modelar o comportamento
humano por meio de um conjunto de técnicas didático-metodológicas específicas que
possibilitem a instrução adequada do estudante.
O conhecimento é compreendido com base nos princípios, preceitos, informações e
leis da ciência. Por isso, os conteúdos escolares devem ser organizados respeitando
linhas lógicas e psicológicas predefinidas por especialistas. Uma das principais
características dessa pedagogia é o emprego de livros didáticos ou outros materiais
instrucionais no ensino, característica essa facilmente identificada e ainda em uso
nos dias atuais.
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O estudante é visto como responsável por seu processo de aprendizagem, mas
responsável no sentido de comprometer-se e “esforçar-se” para assimilar todo o
conteúdo ensinado. O docente é o administrador do processo, cuidando das condições,
técnicas e métodos de ensino.
A relação entre docente e estudante é baseada em uma comunicação reduzida,
mecânica e técnica, tratando apenas de aspectos instrucionais.
Tendência Crítico-reprodutivista
Na Tendência Crítico-reprodutivista é muito marcante a existência de fundamentos
pedagógicos relacionados ao sistema capitalista. A educação deve acompanhar o
desenvolvimento econômico, o que resultou na ênfase das divisões sociais por classe.
Em outras palavras, a escola servia aos interesses do capital e, para isso, formava os
sujeitos com o objetivo de conservar e cristalizar essa divisão de classes. Havia os
que estudavam para serem empregados e os que estudavam para serem líderes.
A escola é determinada socialmente; a sociedade em que vivemos,
fundada no modo de produção capitalista, é dividida em classes com
interesses opostos; portanto, a escola sofre a determinação do conflito
de interesses que caracteriza a sociedade. (SAVIANI, 2005, p. 35)
O conhecimento é compreendido como mecanismo de poder, por isso a escola
precisava selecionar cuidadosamente quais conteúdos oferecia a quem. Na década
de 1970, essa pedagogia foi objeto de estudos, principalmente na América Latina, e
muitos estudiosos chegaram à conclusão de que tal pedagogia serviu somente para
explicitar o funcionamento das escolas (SAVIANI, 2005).
Pedagogia Progressista Libertária
Essa pedagogia tem como principal característica a defesa de que a escola seja
propulsora da transformação dos sujeitos no sentido libertário e de autogestão. Surgem
as primeiras defesas de participação coletiva e de reconfiguração das relações entre
os sujeitos na escola.
Como consequência dessa pedagogia, há uma reconfiguração do papel das disciplinas
e conteúdos escolares, trazendo a ênfase para critérios de interesse e relevância para
os sujeitos. Tal transformação é perceptível no valor que passa a ter a relação de troca
e interação construtiva entre docentes e estudantes.
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Figura 12 - Reflexão coletiva.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
A relação entre docente e estudante é marcada por certa abertura para aproximações;
o docente deve ser o condutor das reflexões coletivas.
Pedagogia Progressista Libertadora
Na Pedagogia Progressista Libertadora o marco está na premissa da atuação “não
formal”, isso implica compreender que o processo de ensino e aprendizagem ocorre
dentro e fora dos ambientes formais (escolas). Um dos maiores representantes dessa
corrente é o Patrono da Educação Brasileira – Paulo Freire (1921-1997).
O conhecimento é construído a partir de temas geradores que surgem por meio da
problematização sobre a vida cotidiana dos sujeitos. São as realidades, interesses e
necessidades reais dos estudantes que devem orientar a prática pedagógica e a ação
docente. A escola e a vida são uma unidade.
Diante disso, as aulas expositivas, massivamente usadas nas linhas de pensamento
pedagógico, deixam de ser a principal forma de conduzir o processo educativo. O
diálogo ganha espaço.
A relação entre docente e estudante é horizontal e ambos manifestam sua visão de
mundo, convergências e divergências. Esse movimento é o que “dá vida” à construção
do conhecimento.
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Pedagogia Progressista Crítico-social dos Conteúdos
A função da escola nessa pedagogia é a de difundir os conteúdos para que seja
valorizada a apropriação dos diferentes saberes. A escola é entendida como meio
para a transformação social.
Os conteúdos escolares devem ter conexão com a realidade dos estudantes, pois,
nessa premissa, a educação deve ser uma ferramenta para a formação de cidadãos
participativos e atuantes no meio social.
Cabe ao docente identificar quais são os centros de interesse dos estudantes para
que, a partir daí, prepararem-se as aulas estabelecendo um desafio possível entre
aquilo que já foi consolidado e a inserção gradativa de novos conhecimentos.
Por fim, a criticidade em relação aos conteúdos manifesta-se na construção do
conhecimento por meio da interação entre os próprios sujeitos, os sujeitos e a
sociedade, os sujeitos e os objetos de conhecimento.
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Conclusão
Neste conteúdo, conhecemos temas essenciais à compreensão do processo de
ensino e aprendizagem. Para tanto, partimos da conceituação sobre o próprio
processo, identificamos os principais elementos que o caracterizam para que, enfim,
pudéssemos ter condições de identificar os traços que se relacionam às tendências
ou pedagogias e aos principais teóricos sobre o assunto. Sendo assim, estudamos
temas importantes, destacando o que segue:
• As abordagens do processo de ensino e aprendizagem, de acordo com os
principais teóricos do tema.
• Nos estudos de Bordenave, pudemos perceber as fragilidades da pedagogia
tradicional por meio da análise do autor em suas três linhas de pensamento:
a pedagogia da transmissão, a pedagogia do conhecimento e a pedagogia da
problematização.
• Nos estudos de Libâneo, é possível identificar traços mais globais que
caracterizam a pedagogia em libertária e progressista, sendo a primeira rela-
cionada ao tradicionalismo e a segunda à formação crítica do sujeito.
• Nos estudos de Saviani, a proposta foi perceber e compreender como a edu-
cação e as demais esferas sociais estão inter-relacionadas. A partir dessa
premissa, o autor discorre e diferencia a pedagogia em teorias críticas e teo-
rias não críticas.
• Nos estudos de Mizukami, as classificações da pedagogia são determinadas
de acordo com seu preceito sobre os primados. São eles: primado do sujeito,
primado do objeto e primado da interação entre sujeito e objeto.
• A concepção e conceituação sobre os elementos básicos do processo de en-
sino e aprendizagem: a escola, o aluno, o professor.
• As características das correntes pedagógicas: Pedagogia Liberal Tradicional,
Pedagogia Liberal Renovada, Pedagogia Liberal Tecnicista, Tendência Crítico-
-reprodutivista, Pedagogia Progressista Libertária, Pedagogia Progressista Li-
bertadora e, por fim, a Pedagogia Progressista Crítico-social dos Conteúdos.
• Pedagogia Liberal Tradicional: escola como espaço destinado aos privilegia-
dos e dedicada à preparação para a vida em sociedade dentro dos padrões
esperados.
• Pedagogia Liberal Renovada: começa-se a reconhecer que o meio social deve
ser considerado na escola. Portanto, tenta-se articular os interesses dos sujei-
tos com as necessidades de aprendizagem para a vida em sociedade.
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• Pedagogia Liberal Tecnicista: marcada pela atenção dispensada à adequa-
ção e “modelagem” dos comportamentos humanos.
• Tendência Crítico-reprodutivista: forte vinculação entre escola e interesses
do capitalismo.
• Pedagogia Progressista Libertária: fortalecimento da concepção de que a
função da escola é formar sujeitos capazes para atuar e transformar o meio
social.
• Pedagogia Progressista Libertadora: valorização dos saberes não escolares
e reconhecimento da necessidade de os currículos considerarem e incorpora-
rem à prática educativa as realidades, saberes e necessidades dos sujeitos.
Aquilo que a escola se propuser a ensinar deve partir do sentido de reconheci-
mento e significado que os estudantes tenham.
• Pedagogia Progressista Crítico-social dos Conteúdos: maior articulação e
envolvimento entre o conhecimento sistematizado e científico com as reali-
dades sociais e saberes não escolarizados. Busca-se que o currículo escolar
tenha sentido e utilidade à vida.
Saiba mais
Como oportunidade de perceber traços e predominâncias sobre as
tendências pedagógicas, uma ótima dica é o filme “Entre os Muros
da Escola” (Laurent Cantet, 2008).
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Referências
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. ed.
São Paulo: Paz e Terra, 2011.
LIBÂNEO, J. C. Didática. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2013.
MIZUKAMI, M. da G. N. Ensino: as abordagens do processo. São Paulo: EPU, 1986.
SAVIANI, D. Escola e democracia. 37. ed. Campinas: Autores Associados, 2005.
SOUZA, S. M. V. C.; SANTO, E. do E. Reflexão da didática como mediadora entre a
teoria e a prática pedagógica. Universitas Humanas, Brasília, v. 10, n. 1, p. 67-73,
jan./jun. 2013. Disponível em: [Link]
universitashumanas/article/view/2154/2115. Acesso em: 22 fev. 2019.
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