Desafios e Mediação
Juliana Portella de Freitas
Maiara Ariana Silva Paula
Desafios e Mediação
Introdução
Seja bem-vindo(a) ! Neste conteúdo, o foco do estudo está em reconhecer a importância
do binômio teoria e prática.
Iniciaremos conhecendo as principais dificuldades de aprendizagem. Em seguida,
refletiremos sobre a mediação pedagógica e suas potencialidades enquanto diferencial
no processo de construção do conhecimento do mediado.
A escolha dos recursos e ferramentas pedagógicas também são importantes
instrumentos nas decisões do fazer docente como forma de potencializar a
aprendizagem.
A mediação, os recursos e as ferramentas pedagógicas são fundamentais no auxílio
dos alunos com dificuldades de aprendizagem.
Vamos aprofundar nossos estudos!
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender como a Didática, enquanto o conteúdo;
• Possibilita uma reflexão e configura-se como ferramenta importante para a
prática docente no que se refere à organização do ensino e ao estabelecer
relações entre ensino e aprendizagem fundamentais para o fazer pedagógico.
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As principais dificuldades de aprendizagem
Figura 1 - Confusão mental.
Fonte: Pixabay (2022)
Para iniciar este tópico, é importante compreender o que caracteriza uma dificuldade
de aprendizagem, também conhecida como DA. No trecho a seguir, Fonseca (2016, p.
247) descreve:
É neste âmbito que tem de se estruturar um critério para distinguir entre
crianças com dificuldades e crianças com deficiências. No caso da
criança com dificuldades de aprendizagem, verifica-se um perfil motor
adequado, uma inteligência média, adequadas visão e audição e uma
adequada adaptação emocional que, em conjunto com uma dificuldade de
aprendizagem, constituem a base da sua caraterização psiconeurológica.
Observe que o autor separa dificuldade de aprendizagem de deficiência, e tal
diferenciação se faz necessária para esse estudo. Deficiência é qualquer tipo de
anormalidade que limita algumas funções sensoriais, intelectuais e/ou físicas de uma
pessoa. Já com relação à definição de dificuldade de aprendizagem, para Fonseca
(2016), ainda não há um consenso sobre um conceito único; entretanto, a DA é
reconhecida como uma dificuldade que pode provocar problemas de adaptação, em
especial ao âmbito escolar, estendendo-se para a vida adulta.
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Figura 2 - Processo de alfabetização.
Fonte: Pixabay (2022).
Pensando na diversidade existente na sala de aula, é necessário reconhecer a
diferença entre problemas de comportamento e dificuldades de aprendizagem, e isso
não é tarefa fácil, pois a linha entre dificuldade de leitura e não gostar de ler é tênue.
As DAs geralmente são descobertas no início do processo de alfabetização. Um
professor com olhar sensível e atento pode perceber alguns sinais e comportamentos
que indicam alguma das dificuldades de aprendizagem, por isso a importância desse
estudo.
Atenção
Quem faz o diagnóstico da dificuldade de aprendizagem? É
importante deixar claro que, apesar de o professor perceber alguns
sinais da DA, quem diagnostica uma dificuldade de aprendizagem
é uma equipe multidisciplinar, geralmente composta por
profissionais de diferentes especialidades. Recomenda-se que a
equipe multidisciplinar seja formada por um médico neurologista,
um especialista da área de psicologia ou neuropsicólogo e um
psicopedagogo. Atuando de forma integrada, essa equipe investiga
com mais eficiência diferentes aspectos da DA.
Fonseca (2016, p. 247) traz em seus estudos outros desdobramentos da dificuldade
de aprendizagem:
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O fracasso escolar é uma condição de estresse emocional. Afeta a criança,
afeta a família e afeta a escola. Mais: o insucesso escolar é sinônimo de
insucesso social. Sem as aquisições escolares o indivíduo fica impedido
de participar eficientemente no progresso da sociedade.
O fracasso escolar envolve diversas esferas como: condições cognitivas e psicológicas,
sociais, físicas, de falta de estrutura escolar e outras. Tal assunto é diverso e complexo,
entretanto, focaremos o fracasso escolar decorrente de uma ou mais dificuldades de
aprendizagem.
Como mencionado anteriormente, geralmente, as DAs passam a ser percebidas
no início do processo de alfabetização. A criança pode ter dificuldade na leitura,
na escrita, no raciocínio lógico-matemático ou no processamento da informação.
Aprofundaremos o estudo sobre cada uma delas no decorrer deste conteúdo.
Figura 3 - Sofrimento na aprendizagem.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
Uma criança com dificuldade na leitura, por exemplo, começa a perceber que, apesar
de esforçar-se, não consegue ler. Em várias situações, a DA pode ser confundida com
desinteresse e/ou falta de atenção, ou até falta de “força de vontade”. A família – e
algumas vezes a escola – passa a culpabilizar a criança pelo seu insucesso, o que
pode causar desestímulo e até desistência de aprender.
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Nessa perspectiva, o olhar sensível do professor e uma mediação pontual às
dificuldades de aprendizagem do aluno são fundamentais no processo de ensino e
aprendizagem da criança.
Figura 4 - Dificuldade na leitura.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
Por fim, é necessário destacar que, frente a uma criança com dificuldade de
aprendizagem, é necessário um trabalho conjunto entre família, escola e equipe
multidisciplinar.
Leitura e escrita
Inúmeros são os desafios do fazer docente. A diversidade dentro de uma turma é um
fator que, ao longo do tempo, tem sido objeto de estudo de vários pesquisadores.
Como lidar com a diversidade? Perguntas como essa merecem uma reflexão mais
profunda. Neste tópico, estudaremos sobre um dos desafios presentes na sala de
aula: as DAs de leitura e de escrita.
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Figura 5 - Desafio docente.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
É importante que o professor conheça as especificidades referentes às dificuldades
na leitura e na escrita que, em geral, surgem no início do processo de alfabetização
para traçar um plano de trabalho que potencialize as diferentes dimensões: social,
intelectual e emocional, com o objetivo de contribuir no processo de ensino e
aprendizagem.
Vamos conhecer as DAs de leitura e de escrita mais divulgadas:
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Dislexia
Na dislexia, o sujeito tem dificuldade na codificação e decodificação das
palavras, bem como na escrita correta. Geralmente, o sujeito, quando em
contato com mediação adequada, passa a lidar melhor com a sua dificuldade.
Os sintomas variam conforme o grau da DA e ficam mais fáceis de serem
identificados na infância. É importante lembrar que somente um desses
sintomas não caracteriza dislexia. Alguns deles são os seguintes:
Dificuldade e atraso Dificuldades na pronún-
no desenvolvimento cia de alguns fonemas
Leitura silabada
da fala em decorrência da
confusão na assimilação
Problemas na associação Dificuldades na coorde- Dificuldade na leitura
da fala à escrita nação motora em voz alta
Falta de compreensão da Escrita desordenada Dificuldade na orien-
leitura feita tação temporal e espa-
cial
Personalidades de diferentes segmentos são disléxicas e a DA não foi
impedimento para terem sucesso em suas carreiras. Entre elas, Tom Cruise,
que, para decorar seus roteiros, utiliza como estratégia a leitura feita por outra
pessoa.
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Disgrafia
A escrita demanda mais de uma habilidade, depende de determinados processos,
percepção auditiva, de memória, de processamento. A disgrafia envolve uma
dificuldade na coordenação motora fina, visomotora e de memória. O sujeito
com disgrafia apresenta dificuldade na escrita das letras.
Algumas das características são:
Letras demasiadamente Confusão no uso de Dificuldades no
pequenas ou muito letras maiúsculas e espaçamento entre as
grandes minúsculas letras
Inversão das letras Falta ou excesso de
letras na palavra
Disortografia
Em muitos casos, a disortografia está associada à dislexia. Essa DA tem como
principal característica a dificuldade na estruturação gramatical da linguagem
decorrente da confusão na articulação de pequenas palavras, concordância,
adições ou supressão de palavras que não dão coerência ao texto.
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Dislalia
Essa DA acomete a fala e caracteriza-se na dificuldade de articular alguns
fonemas, trocando-os ou suprimindo-os na pronúncia das palavras. Um
personagem dislálico famoso é o Cebolinha, da Turma da Mônica, que sempre
troca o “r” pelo “l”.
A fala do dislálico, em geral, é fluida, mesmo que em muitos casos possa ser
de difícil compreensão. Algumas causas da dislalia podem decorrer de língua
flácida (hipotônicas) ou problemas na formação da arcada dentária; a má
postura da respiração pode também dificultar a pronúncia de determinados
fonemas.
Para a dislalia, pode-se encontrar quatro subdivisões:
Evolutiva
Comum em crianças, entretanto é corrigida durante o seu desenvolvimento.
Funcional
Troca de letras, dificuldade na pronúncia de alguns sons.
Audiógena
Acontece em casos de deficientes auditivos, emitem sons distorcidos.
Orgânica
Decorrente de lesões cerebrais e/ou orgânicas na boca,
impossibilitando a pronúncia das palavras.
Diferentemente de algumas DAs, a dislalia, em muitos casos, é corrigida com
trabalho do especialista em fonoaudiologia.
Saiba mais
Para saber mais sobre as dificuldades de aprendizagem e a
intervenção do professor, assista ao programa “Educação em rede
- Superando dificuldades de aprendizagem”. Você pode acessá-
lo em: [Link]
superando-dificuldades-de-aprendizagem.
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Raciocínio lógico-matemático
Figura 6 - Dificuldade na matemática.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
É muito comum pensar que as DAs fazem parte somente das dificuldades de leitura e de
escrita, entretanto é importante refletir que outras áreas também podem ser afetadas
por uma dificuldade de aprendizagem. Na matemática, para o desenvolvimento do
raciocínio lógico-matemático, algumas habilidades cognitivas são específicas. Quando
há alguma DA que afeta essas habilidades, são necessárias ações específicas para a
superação delas.
Popularmente, aceita-se a condição de fracasso e/ou desistência da matemática com
o argumento de não se ter “dom” para os números, potencializando o fracasso escolar,
mas, em muitos casos, as dificuldades na área podem estar associadas a uma DA.
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Discalculia
A discalculia, como dificuldade de aprendizagem relacionada ao raciocínio
lógico-matemático, pode ocasionar desdobramentos, como problemas de
autoestima e de ordem social, já que, em muitos casos, crianças com essa
DA acabam sendo rotuladas. Tais dificuldades levam ao repúdio a tudo que se
relaciona a números.
Suas características estão relacionadas ao impedimento da criança em criar
relações de quantidade, de contagem espaço-temporal (distância, ordem),
dificultando a compreensão das operações matemáticas. Em geral, essa DA é
percebida por volta dos sete anos, fase em que o raciocínio lógico-matemático
é potencializado.
Algumas características a seguir podem ser observadas nessa DA:
Dificuldade na leitura
Números similares, dos números, por
Escrita espelhada ou como 3 e 8, são facil- exemplo, 5 14 (5 e 14)
em posição invertida mente confundidos podem ser lidos como
dos números quinhentos e quatorze
Dificuldade na relação Dificuldade no entendi- Dificuldade em copiar
dos símbolos numéricos mento de mapas e números, figuras
nas quatro operações tabelas geométricas
Dificuldade em repro- Dificuldade no cálculo
duzir números de mental básico
memória
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Acalculia
Diferentemente da DA discalculia, a acalculia é proveniente de uma lesão cerebral
decorrente de infecção, trauma, acidente vascular ou tumoral, ocasionando a
perda de habilidades cognitivas relacionadas à matemática, como a capacidade
de resolver, reconhecer e diferenciar números, contagem e outros.
Assimilação
Figura 7 - Processamento das informações.
Fonte: Pixabay (2019).
Também conhecido como doença da incompreensão, o distúrbio do processamento
auditivo (DPAC) é muito comum, entretanto, pouco conhecido. Em muitos casos, é
confundido com a dislexia. Tal DA atinge pessoas de qualquer idade, porém é mais
fácil de ser percebida em crianças pequenas e/ou na fase de alfabetização.
Antes de discutir sobre o DPAC, é importante compreender como o processamento
auditivo acontece. O sistema nervoso tem a capacidade de transformar os sons
ouvidos em informações por meio do processamento auditivo central. Tal habilidade
está associada ao desenvolvimento da atenção, localização, identificação e memória
de sons.
Qualquer falha no processamento auditivo central pode ser considerada uma
dificuldade na assimilação, já que há uma falha entre o que se ouve e o que se
entende. Em geral, os problemas podem ser de origem genética, por danos cerebrais,
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traumatismo e outros distúrbios neurológicos, e também podem decorrer de atraso da
maturação do sistema auditivo.
Vale refletir que o distúrbio do processamento auditivo pode potencializar as
dificuldades de aprendizagem.
Alguns sintomas da DPAC:
• dificuldade na aprendizagem;
• desatenção;
• dificuldade com conceitos abstratos;
• dificuldade na memorização;
• dificuldade de concentração em espaços com muito barulho;
• necessidade de repetição do que foi falado;
• distância entre o que se ouve e o que se entende;
• impressão de não escutar bem;
• dificuldade em se concentrar em conversas com muitas pessoas.
O diagnóstico precoce é fundamental para não comprometer a aprendizagem. O
profissional indicado para o tratamento da DPAC é o fonoaudiólogo.
Possibilidades de intervenção
Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as
possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Quando
entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações,
à curiosidade, às perguntas dos alunos, a suas inibições; um ser crítico e
inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e não a de
transferir conhecimento. (FREIRE, 2011, p. 21)
Freire, em seus estudos, rompeu com a ideia de transmissão de conhecimento.
Para ele, o aluno deve ser protagonista do seu processo de ensino e aprendizagem
para então interferir no meio em que vive. Para isso, o professor assume o papel de
mediador e incentivador do conhecimento a partir da problematização das situações.
No Conteúdo 1, tratamos da importância dos estudos teóricos, com objetivo de dar
suporte para o fazer docente. Vale retomar o trecho em que Libâneo (2013, p. 15)
aborda a importância do estudo da Didática:
A didática é o principal ramo de estudos da Pedagogia. Ela investiga
fundamentos, condições e modos de realização da instrução e do ensino.
A ela cabe converter objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetos
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de ensino, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos,
estabelecer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o
desenvolvimento das capacidades mentais dos alunos [...]
Neste tópico, o foco está em ampliar os conhecimentos sobre a intervenção pedagógica
e suas possibilidades.
Figura 8 - Intervenção pedagógica.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
A intervenção pedagógica caracteriza-se como a interferência de um profissional
quando este percebe alguma dificuldade no desenvolvimento do processo de ensino
e aprendizagem do aluno. Os procedimentos adotados na intervenção, a partir da
percepção de dificuldades específicas, oferecem a oportunidade de o aluno aprender
de forma diferenciada, potencializando os seus saberes e vencendo as dificuldades.
As intervenções são pontuais; para cada situação, há uma proposta diferenciada que
ajude o aluno a superá-la. O professor deve ter um olhar sensível às dificuldades, elogiar
e incentivar, mesmo quando o resultado atingido não é o esperado. Dois aspectos
merecem atenção: a relação de confiança entre o aluno e o professor e propostas que
partam do lúdico, a fim de tornar a aprendizagem significativa.
Vamos retomar as dificuldades de aprendizagem estudadas e conhecer algumas
possibilidades de intervenção.
Dislexia
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• Trabalhar a atenção por meio do lúdico (jogos).
• Utilizar a música como estratégia para o desenvolvimento da atenção em
relação ao som das palavras.
• Fazer uso de diferentes sons (gravados, de objetos e outros instrumentos)
com o objetivo de a criança localizar, ouvir e associar a sua origem.
• Usar rimas, poesias e parlendas para a criança desenvolver e associar o
som e a fala.
• Utilizar jogos para verificar a construção e/ou análise de palavras e frases,
bem como sua separação, com o objetivo de a criança perceber o todo e as
unidades (palavras e sílabas).
• Relação grafema/fonema: os jogos são boas estratégias para a criança
perceber a relação entre fala e escrita, com o uso da tecnologia.
Disgrafia
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• Trabalhar com as artes, pintura com pincel.
• Propor atividades com áreas marcadas para a escrita de diferentes
tamanhos, com o objetivo de a criança ajustar o tamanho da letra.
• Oferecer atividades de comparação de símbolos gráficos.
Disortografia
• Trabalhar propostas com foco em questões espaço-temporais (esquerda e
direita, longe, perto etc.)
• Trabalhar com as artes, pintura com pincel.
• Propostas como palavras, frases e texto fatiado com o objetivo de organizar
a sequência.
• Jogos que envolvam o som das letras, com a possibilidade de trocas de
fonema para a percepção da mudança sonora.
• Apoio de cartazes com números e letras para fácil consulta do aluno.
• Leitura de diferentes gêneros textuais.
• Contação de história, ora do educador, ora do aluno, com o objetivo de
ordenar os fatos.
• Propostas que envolvam a escrita.
Dislalia
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• Utilizar ficha de imagens para que o aluno possa brincar com a pronúncia
do objeto.
• Imitação de som por meio da brincadeira. Exemplo: abelha (zzzzz), cobra
(sssss), barulho do carro (com os lábios), trote do cavalo, estalar a língua.
• Trava-línguas.
• Atividades que envolvam o ato de “soprar” (ex.: pintura soprada, bolha de
sabão).
Essas são algumas das inúmeras possibilidades de intervenção. Lembre-se de que
cada aluno com dificuldade de aprendizagem apresenta características próprias;
portanto, uma intervenção pode ser eficiente para uma criança e, para outra, não.
Mediação como estratégia pedagógica
Antes de iniciar os estudos sobre mediação como estratégia pedagógica, é importante
conhecer um pouco sobre como o termo “mediação” é visto na área da neuropsicologia,
segundo Meier e Garcia (2007, p. 69, grifos dos autores):
O termo mediação é utilizado na neuropsicologia para denominar a ação
dos neurotransmissores no processo de transmissão de informações na
rede neural. A clareza do conceito dentro dessa teoria é fundamental na
compreensão dos processos de construção do pensamento. [...].
Como os autores relatam, conhecer como o indivíduo aprende, as fases em que se
encontrara, o que já é capaz ou não de aprender é fundamental na proposição da
mediação pedagógica. Mediar, em sua essência, significa potencializar e possibilitar a
construção do conhecimento do mediado.
A mediação, enquanto potencialidade da construção do conhecimento pessoal, traz
uma mudança de postura do mediador, que, no caso desse estudo, é o professor.
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Nessa concepção, não há mais um único detentor do saber, nem um receptor de
conhecimento.
Vale refletir que a mediação pedagógica é importante na construção do conhecimento,
entretanto é necessário trabalhar com o aluno o desenvolvimento da sua autonomia,
para que ele se torne cada vez menos dependente de um mediador.
Contribuições de Piaget
Piaget contribuiu de forma significativa quando, em seus estudos, trouxe a maturação
biológica como condicionante do aprendizado, ou seja, o indivíduo aprende conforme
sua maturidade cognitiva.
Em sua teoria, ele diz que, conforme o sujeito interage com outro sujeito e com o objeto,
novos aprendizados são construídos. Observe a seguir o esquema que representa a
teoria de aprendizagem de Piaget.
Equilibração:
novas informações
sobre o objeto de
estudo não podem ser
encaixadas em esque-
mas existentes, entran-
do em dese-
quilíbrio.
Acomodação: Assimilação: é a
está na necessidade incorporação de um
de considerar as partic- PIAGET objeto de ensino em
ularidades do objeto de um esquema sensório
ensino. -motor ou conceitual do
sujeito.
Figura 9 - Piaget.
Fonte: Elaborada pela autora (2019).
Contribuições de Vygotsky
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No Conteúdo 1, estudamos as contribuições de Vygotsky na área da educação.
Em sua teoria, ele traz um conceito importante, denominado desenvolvimento das
funções psíquicas superiores: linguagem, cálculo, atenção, imaginação e memória,
estruturadas em sistemas funcionais baseados nas relações sociais que o indivíduo
tem com o mundo a sua volta, bem como a construção do ser humano como ser de
cultura .
Diferentemente de Piaget, Vygotsky diz que o aprendizado se dá a partir das relações
com o meio em que se vive e com o outro. Na educação, as relações professor-aluno
e aluno-aluno são as bases para a construção do conhecimento.
Retomando o conceito de zona de desenvolvimento proximal (ZDP), no intervalo
entre que o se sabe (zona de desenvolvimento real) e o novo conhecimento (zona
de desenvolvimento potencial), a mediação pedagógica potencializa a construção do
novo conhecimento.
Figura 10 - Mediação professor-aluno.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
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Figura 11 - Mediação aluno-aluno.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
Recursos/ferramentas pedagógicas
[...] Os professores precisam dominar, com segurança, esses meios
auxiliares de ensino, conhecendo-os e aprendendo a utilizá-los. O momento
didático mais adequado para utilizá-los vai depender do trabalho docente
prático [...]. (LIBÂNEO, 2013, p. 173)
Como afirma Libâneo, o uso dos recursos didáticos e das ferramentas pedagógicas
só exerce sua real função combinado ao conhecimento do professor no seu uso.
Na utilização dos recursos/ferramentas, é necessário que o professor tenha claro o
que pretende ensinar, como ensinar e a real função desse aprendizado. Para isso, é
necessário conhecer o aluno e o que ele já sabe, para então decidir qual o melhor
recurso e/ou ferramenta a ser utilizado.
Figura 12 - Recurso pedagógico.
Fonte: Plataforma Deduca (2019).
A intencionalidade pedagógica é a premissa no uso dos recursos. Brincadeiras e
jogos são ótimas estratégias, já que o lúdico é a ponte da aprendizagem significativa.
Recursos como livros, vídeos, áudios e outros, quando bem planejados, têm um efeito
positivo na construção do conhecimento.
Hoje, não podemos negar que os recursos tecnológicos têm uma grande potencialidade
na aprendizagem, mas, como Libâneo (2013) afirma, é necessário dominá-los.
Para o bom uso dos recursos e das ferramentas pedagógicas, teoria e prática são
fundamentais.
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Conclusão
Na sala de aula, temos uma diversidade de histórias, saberes e vivências. As diferentes
realidades dos alunos rompem com a ideia do ensinar de uma única forma.
Em meio à diversidade, a tarefa de reconhecer e separar problemas de conteúdo
e/ou recusa de aprender é complexa. Portanto, estudar sobre as dificuldades de
aprendizagem é fundamental para essa diferenciação. Em nossos estudos, foi
destacado que dificuldade de aprendizagem (DA) é diferente de deficiência.
A DA, em geral detectada na fase de alfabetização, merece um olhar atento do
professor para que ações pedagógicas específicas à dificuldade sejam colocadas em
ação. As DAs são um dos motivos de fracasso, já que as questões de socialização e
autoestima ficam muito prejudicadas.
Conhecemos as principais dificuldades de aprendizagem e como observá-las. Entre
elas, estudamos as que seguem.
Dificuldades de leitura e escrita:
• Dislexia – nessa DA, o aluno tem dificuldade na codificação e decodificação
da leitura e escrita das palavras.
• Disgrafia – nela, a criança apresenta dificuldade na grafia das palavras, por
exemplo, letras grandes ou pequenas demais, escrever de forma espelhada,
confundir letras com outros símbolos.
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• Disortografia – dificuldade na estruturação gramatical da linguagem.
• Dislalia – dificuldade na pronúncia e troca de fonemas.
Dificuldades de raciocínio lógico-matemático:
• Discalculia – caracteriza-se pela dificuldade em realizar contagem, relacionar
quantidades, perceber noção espaço-temporal e realizar cálculos.
• Acalculia – diferentemente da discalculia, ela é ocasionada por uma lesão
cerebral, impedindo que as habilidades cognitivas relacionadas ao raciocínio
lógico cumpram suas funções.
Dificuldade de assimilação:
• Distúrbio do processamento auditivo central (DPAC) – pode ser confundido
com a dislexia, pois seus sintomas parecem com dificuldades de leitura e es-
crita. A DPAC é proveniente de uma dificuldade de processar a informação, ou
seja, o que se escuta não é convertido em informação.
Ao reconhecer as DAs, o que fazer?
No prosseguimento do conteúdo, deparamo-nos com as possibilidades de intervenção
em diferentes situações. Mais importante do que conhecer as dificuldades de
aprendizagem é planejar intervenções à DA para que os alunos avancem em seu
processo de aprendizagem.
Rompendo com a premissa de professor detentor do saber, o papel desse profissional
ganha um novo sentido: o de mediador.
Também tivemos a oportunidade de refletir sobre a importância e as potencialidades
da mediação pedagógica, bem como relembramos as contribuições de Piaget e
Vygotsky. O primeiro afirma que a aprendizagem se dá na relação do sujeito com o
objeto, já o segundo amplia essa concepção, afirmando que a aprendizagem se dá
também na relação com o outro.
Para encerrar nossos estudos, refletimos sobre a importância dos recursos e das
ferramentas pedagógicas como importantes instrumentos para potencializar a
aprendizagem.
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Saiba mais
O filme “Como estrelas na terra – toda criança é especial” resume,
de uma forma poética e emocionante, os componentes estudados
neste conteúdo. Vale a pena assistir!
Referências
FONSECA, V. da. Dificuldade de aprendizagem: abordagem neuropsicopedagógica.
Rio de Janeiro: Wak, 2016.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 43. ed.
Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.
LIBÂNEO, J. C. Didática. 2. ed. São Paulo: Cortez, 2013.
MEIER, M.; GARCIA, S. Mediação da aprendizagem: contribuições de Feuerstein e de
Vygotsky. 4. ed. Curitiba: Kapok, 2007.
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