Recursos naturais e meio ambiente
Você vai aprender sobre o uso acelerado dos recursos naturais renováveis e não renováveis, a importância
da sustentabilidade para o futuro e o papel da Economia do Meio Ambiente na preservação e gestão dos
recursos naturais.
Prof. André Luís Soares Smarra
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender o uso acelerado dos recursos naturais e a importância da sustentabilidade é fundamental para
formar profissionais capazes de promover o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação
ambiental. A Economia do Meio Ambiente oferece ferramentas para aplicar teorias econômicas na gestão
sustentável dos recursos e na mitigação dos impactos ambientais.
Objetivos
• Analisar as definições de recursos naturais renováveis e não renováveis, as formas de exploração
desses recursos e suas consequências ambientais, além do uso sustentável desses recursos.
• Definir a relação entre economia e meio ambiente, incluindo a valoração econômica dos recursos
naturais.
Introdução
Atualmente, a velocidade com que utilizamos os recursos naturais ultrapassa a capacidade dos ecossistemas
de repô-los, especialmente no caso dos recursos renováveis. Ao mesmo tempo, consumimos recursos não
renováveis, que existem em quantidades limitadas no planeta, o que torna esse cenário ainda mais
preocupante para o futuro da humanidade.
Para garantir a continuidade da vida e o equilíbrio ambiental, é essencial estabelecer uma relação sustentável
entre o uso desses recursos e a manutenção dos ecossistemas, da biodiversidade e dos serviços ambientais
que eles prestam. Essa relação é fundamental para que possamos preservar as condições que sustentam a
vida no planeta, assegurando o bem-estar das gerações presentes e futuras.
Dentro desse contexto, a Economia do Meio Ambiente surge como um campo específico da Economia que
aplica teorias e métodos econômicos às questões ambientais. Essa área trata do uso racional dos recursos
naturais, do manejo adequado, da preservação e conservação ambiental, bem como do impacto da poluição
sobre o meio ambiente.
Além disso, a Economia Ambiental analisa como esses fatores podem afetar a rentabilidade e o lucro das
empresas, trazendo para o debate a necessidade de práticas econômicas que integrem preocupações
ambientais. Compreender essa interface entre economia e meio ambiente é fundamental para o
desenvolvimento de políticas públicas e estratégias empresariais que promovam a sustentabilidade.
Dessa forma, a Economia do Meio Ambiente contribui para o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e
proteção ambiental, incentivando o uso consciente dos recursos naturais e a busca por soluções que
minimizem os impactos negativos da atividade humana no planeta.
1. Recursos naturais
Introdução
Os recursos naturais dizem respeito a tudo aquilo que retiramos da natureza para garantir nossa sobrevivência
e aumentar nossa qualidade de vida.
Recursos naturais
Recursos Naturais é uma denominação aplicada a todas as matérias-primas, tanto aquelas renováveis
quanto as não renováveis, obtidas diretamente da natureza e aproveitáveis pelo homem.
Recomendação
Para compreender o sentido deste conteúdo, assista à animação produzida pela WWF, o curta Money,
da trilogia “Pense bem”.
A rápida expansão da população humana, aliada aos atuais padrões de produção e consumo, intensificou
sobremaneira o ritmo da exploração dos recursos naturais.
Mas o que são os recursos naturais?
São considerados recursos naturais todos aqueles que o homem encontra na natureza e utiliza para sua
sobrevivência, bem-estar e aumento da qualidade de vida. Portanto, a água, o solo, os vegetais, a atmosfera,
a madeira, o petróleo, o carvão etc.
Eles recebem esse nome porque são retirados na natureza e aproveitados em muitas atividades importantes
em nosso cotidiano como, por exemplo, a geração de energia e a produção de papel.
Esses recursos são divididos em dois grupos:
Recursos naturais renováveis
São recursos naturais que possuem capacidade de renovação após sua utilização pelo homem, como
a água, o solo, as florestas, a madeira etc. Entretanto, o uso indiscriminado de tais recursos,
impossibilitando-os de cumprir seu ciclo de renovação, poderá levá-los ao esgotamento.
Recursos naturais não renováveis
São aqueles utilizados nas atividades antrópicas e que não possuem capacidade de renovação, como
o carvão mineral, o petróleo, o gás natural, o ferro, o urânio etc. Sua extração e utilização precisam
ser feitas de forma racional e planejada para que esses recursos possam ser utilizados pelo maior
período de tempo possível.
Recapitulando
Podemos esquematizar o que foi visto, até então, da seguinte forma:
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abaixo.
Uso indiscriminado de recursos naturais
Relatório divulgado pela ONU, em 2011, informa que o consumo mundial de recursos naturais como
combustíveis fósseis e minérios podem triplicar, até 2050, causando um impacto catastrófico sobre o meio
ambiente.
O documento foi apresentado pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e alerta para
que os países ajam com rapidez, evitando tal situação.
O mesmo documento mostra que a humanidade poderia consumir, até 2050, aproximadamente 140 mil
toneladas de minérios, combustíveis fósseis e biomassa por ano, quase o triplo dos valores atuais.
O texto afirma que é chegada a hora A solução estaria na dissociação
de reconhecermos os limites dos do uso dos recursos naturais e
recursos naturais disponíveis para do impacto ambiental do
apoiar o desenvolvimento humano e o crescimento econômico, sendo
crescimento econômico, pois o parte da transição rumo a uma
mundo já está ficando sem recursos economia verde, com baixas
acessíveis e de alta qualidade, como emissões de carbono e eficiente
petróleo, cobre e ouro. respeito aos recursos.
O mesmo órgão (PNUMA) já havia divulgado, em 2013, um relatório mostrando que a China é o país que mais
utiliza recursos naturais no mundo. Lá, o consumo doméstico é quatro vezes maior que nos Estados Unidos.
Apesar de o país mostrar melhora na eficiência energética, ele precisa aumentar suas políticas para redução
do consumo de água e perda de terras aráveis.
Em junho de 2015, o relator especial das Nações Unidas Maina Kiai apelou para um novo tratado que obrigue
empresas a respeitarem os direitos humanos fundamentais e para que os Estados e as corporações se
envolvam totalmente com as organizações da sociedade civil, no contexto da exploração dos recursos
naturais.
Uso sustentável de recursos naturais
A utilização e a extração dos recursos naturais têm causado impactos sem precedentes sobre o ambiente, o
que torna imperiosa a necessidade de elaboração de estratégias globais e locais visando a gestão sustentável
desses recursos.
Vejamos algumas iniciativas:
No Brasil
Podemos citar, por exemplo, no Brasil, a “Iniciativa Cerrado Sustentável”, cujo objetivo é promover o
aumento da conservação da biodiversidade e melhorar o manejo dos recursos ambientais e naturais
do bioma Cerrado. O bioma é o conjunto de ecossistemas constituído por características (fauna e
flora) fisionômicas de vegetação semelhantes em determinada região.
Na União Europeia
Outra iniciativa vem da União Europeia (UE), que, em outubro de 2013, publicou o comunicado “Para
uma Estratégia Temática sobre a Utilização Sustentável dos Recursos Naturais”. Ele trazia como
objetivo o estabelecimento de um quadro e adoção de medidas que permitissem a utilização dos
recursos naturais de forma sustentável, sem continuar a degradar o ambiente.
O comunicado respeitava, simultaneamente, os objetivos fixados na “Estratégia de Lisboa”, que
focava, entre outras coisas, no crescimento, na empregabilidade e no desenvolvimento sustentável.
Este momento leva-nos a refletir sobre os reflexos do consumismo na extração dos recursos naturais e a
necessidade de mudar nossos padrões de produção e consumo.
Precisamos investir em fontes de energia renováveis, aumentar a eficiência da utilização dos recursos e,
principalmente, mudar nossos hábitos.
Dica
Leia, atentamente, o texto Veja como cada pessoa pode contribuir para preservar os recursos naturais.
Após a leitura, reflita sobre as atividades que você, realmente, poderia colocar em prática no seu dia a
dia para ajudar a preservar os recursos naturais.
Verificando o aprendizado
Marque a alternativa incorreta:
São considerados recursos naturais todos aqueles que o homem encontra na natureza e utiliza para sua
A
sobrevivência, bem-estar e aumento da qualidade de vida. Portanto, a água, o solo, os vegetais, a
atmosfera, a madeira, o petróleo, o carvão, entre muitos outros, são recursos naturais.
Os recursos naturais renováveis possuem capacidade de renovação após sua utilização pelo homem,
como, por exemplo, a água, o solo, as florestas, a madeira etc. Entretanto, o uso indiscriminado de tais
B
recursos, impossibilitando-os de cumprir seu ciclo de renovação, poderá levá-los ao esgotamento.
Os recursos naturais não renováveis são aqueles utilizados nas atividades antrópicas e não possuem
Ccapacidade de renovação. Como, por exemplo, o carvão mineral, o petróleo, o gás natural, o ferro, o
urânio etc.
D Com relação aos recursos naturais não renováveis, sua extração e utilização não precisam ser realizadas
de forma racional e planejada, uma vez que sua quantidade é limitada.
A utilização e a extração dos recursos naturais têm causado impactos sem precedentes sobre o ambiente.
EO que torna imperiosa a necessidade de elaboração de estratégias globais e locais visando a gestão
sustentável desses recursos.
A alternativa D está correta.
Os recursos naturais não renováveis precisam ser explorados de maneira racional e planejada justamente
porque existem em quantidade limitada.
2. Economia e meio ambiente
Economia do meio ambiente
Economia do Meio Ambiente ou, simplesmente, Economia Ambiental é o campo da Economia que aborda as
questões relacionadas ao manejo e à preservação ambiental. Esse campo tem sido objeto de crescente
interesse das empresas nos últimos anos.
De acordo com Costa (2005), as principais razões para isso são:
Sobrevivência corporativa a longo prazo
Está relacionada à necessidade de tecnologias que possibilitem a geração sustentável de recursos
básicos para a manutenção de alguns importantes setores da Economia, como, por exemplo, energia
e celulose.
Oportunidades de mercado
Um exemplo de mercado gerado a partir de ações de preservação do meio ambiente é a venda de
quotas de absorção de CO2.
Competitividade
Os consumidores começam a preferir produtos ecologicamente corretos, especialmente no mercado
internacional. A própria ISO 14.000 já reflete essa exigência.
Permanência no mercado
Os padrões ambientais cada vez mais rigorosos têm sido responsáveis por expulsar empresas menos
preparadas do mercado.
Mercado financeiro
Devido a novas regulamentações e a um agressivo clima de litígio, um atestado de saúde ambiental
está se tornando cada vez mais vital para assegurar investimentos e financiamentos a novos projetos
nos mais diversos setores produtivos.
Responsabilidade criminal e legal
As novas leis de proteção ao meio ambiente têm sido responsáveis pela adequação tecnológica de
várias empresas, sob pena de inviabilizar a implantação ou a ampliação das mesmas.
Informação globalizada
A globalização traz consigo a distribuição praticamente uniforme da informação, o que está
derrubando uma prática comum às grandes empresas: manter indústrias com tecnologia mais
atrasada e mais poluidoras em países, em geral, menos desenvolvidos e com uma legislação
ambiental menos rígida ou até mesmo inexistente.
Isso nos leva à seguinte e importante conclusão: atualmente, a Economia do Meio Ambiente precisa ser
encarada como uma das estratégias adotadas pela empresa para se manter no mercado ou mesmo para
aquela que pretende iniciar suas atividades.
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abaixo.
Economia dos recursos naturais
De acordo com Rodrigues da Silva (apud VINHA, 2003), o que se conhece por Economia dos Recursos
Naturais é um campo da teoria econômica que emerge das análises neoclássicas a respeito da utilização das
terras agrícolas, dos minerais, dos peixes, da água, ou seja, de todos os recursos naturais renováveis e não
renováveis.
Ainda de acordo com o autor, para a determinação do “uso ótimo” de tais recursos, os instrumentos utilizados
são os mesmos da microeconomia neoclássica, baseado em modelos matemáticos.
Com relação à Economia do Meio Ambiente, existem duas correntes principais de interpretação, são elas:
Microeconomia
É o ramo da Ciência Econômica voltado ao estudo do comportamento das unidades de consumo
(indivíduos e famílias), ao estudo, também, das empresas e da produção de preços dos diversos bens,
serviços e fatores produtivos.
1 Economia ambiental
Considera que os recursos naturais não representam, a longo prazo, um limite absoluto para a
expansão da Economia. Justamente o contrário, esses recursos nem mesmo apareciam em suas
representações analíticas da realidade econômica.
2
Economia Ecológica
Considera o sistema econômico como um subsistema de um todo maior que o contém, impondo uma
restrição absoluta à sua expansão. O Capital (construído) e o Capital Natural (recursos naturais) são,
essencialmente, complementares. Existe, portanto, uma visão mais holística entre as relações do
Homem (economia) e Natureza.
De acordo com Romeiro (apud VINHA, 2003), essa visão é referida através do conceito de sustentabilidade
forte. O progresso científico e tecnológico é visto como fundamental para aumentar a eficiência na utilização
dos recursos naturais, tanto os renováveis quanto os não renováveis, sendo possível instituir uma estrutura
regulatória baseada em incentivos econômicos, capaz de aumentar, imensamente, essa eficiência.
Capital natural
O Capital Natural pode ser definido como o nosso ambiente natural, constituído do estoque de recursos
naturais (renováveis e não renováveis) bem como dos chamados ativos ambientais (como, por exemplo, as
terras agricultáveis).
O Capital Natural fornece as Podemos afirmar, portanto, o capital
funções ambientais (bens e natural desperta interesses econômicos,
serviços) úteis à sociedade e sociais e ambientais, uma vez que
que podem ser convertidas disponibiliza bens e serviços
em produtos que mantêm ou ecossistêmicos indispensáveis para a
elevam seu bem-estar. sobrevivência dos seres humanos e não
humanos.
Renda biológica
Para Miller (2008), conservar o capital natural, no A busca do equilíbrio
qual a sociedade está inserida, bem como entre os sistemas
entender a sua importância, de modo a atribuir está em conseguir
valor econômico aos serviços prestados pelo meio sobreviver como
ambiente, em analogia ao sistema financeiro, é espécie com a renda
uma maneira de o ser humano, ao utilizar os biológica existente,
recursos renováveis, obter uma renda biológica sem exaurir ou
indefinidamente renovável. Desde que não degradar o capital
utilizada em taxas maiores do que aquelas que a natural que o planeta
natureza pode repor. nos oferece.
Economia verde e consumo consciente
A Iniciativa Economia Verde (IEV, ou GEI-Green Economy Initiative, em inglês) do Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente (PNUMA) foi lançada em 2008 e define a Economia Verde como aquela que resulta em
melhoria do bem-estar humano e da igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz, significativamente, os
riscos ambientais e a escassez ecológica.
Suas três principais características são:
• Pouco intensiva em carbono;
• Eficiente no uso de recursos naturais;
• Socialmente inclusiva.
Consumo consciente
De acordo com os dados do Ministério do Meio Ambiente, a humanidade já consome 30% mais recursos
naturais do que a capacidade de renovação da Terra.
Se tais padrões de consumo e produção forem mantidos, em menos de 50 anos os recursos não serão mais
suficientes para atender nossas necessidades de água, energia e alimentos.
E o que fazer?
A melhor maneira de mudar isso é a partir das escolhas de consumo. Tudo o que consumimos (bens e
serviços) causa algum tipo de impacto (positivo ou negativo). Ao ter consciência desses impactos na hora de
escolher o que comprar, de quem comprar e de definir a maneira de usar e descartar o que não serve mais, o
consumidor pode maximizar os impactos positivos e minimizar os negativos. Dessa forma, contribui, com seu
poder de escolha, para construir um mundo melhor.
Ter um consumo consciente é, então, conhecer o impacto daquilo que adquirimos (bens e serviços)
e fazer a escolha mais sustentável.
O consumo consciente é uma questão de hábito: pequenas mudanças em nosso dia a dia têm grande impacto
no futuro. Trata-se de uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária para garantir a sustentabilidade da
vida no planeta.
Consumir conscientemente não é apenas um modismo, é uma necessidade!
Consumidores verdes
Ao redor do mundo, os consumidores estão se tornando cada vez mais verdes, ou seja, baseiam suas
decisões de compra (de bens e serviços) na origem e na sustentabilidade, tendo consciência dos impactos
causados.
O consumidor consciente é aquele que leva em conta, ao escolher os produtos que compra, o meio ambiente,
a saúde humana e animal, as relações justas de trabalho, além de questões como preço e marca.
Valoração econômica ambiental
De acordo com Portanto, Dessa O principal A valoração
Ortiz (apud todo recurso maneira, a objetivo é econômica
VINHA, 2003), ambiental valoração estimar os dos recursos
um bem ou tem um valor econômicacustos sociais ambientais é
serviço ambiental intrínseco ambiental da utilização matéria muito
qualquer tem que reflete busca dos recursos recente; o
grande direitos de avaliar o naturais dano
importância para existência e valor escassos ou, ambiental,
o suporte às interesses econômicoainda, por sua vez,
funções que de espécies de um incorporar os pode afetar
garantem a não recurso benefícios uma
sobrevivência humanas. natural. sociais pluralidade
das espécies. advindos difusa.
desses
recursos.
Existem modelos propostos para a valoração de ambientes impactados, entretanto, nenhum deles conseguiu
ainda abordar e considerar todos os aspectos inerentes ao ecossistema degradado e os impactos ambientais,
econômicos, sociais e culturais.
Dentre os poucos modelos existentes destacam-se:
Elaborado pelo IBAMA
O elaborado pelo IBAMA (coordenado por Peixoto, S.L. ― chefe do Parque Nacional da Tijuca), que
propõe a valoração através de uma fórmula.O valor total proposto para a compensação é composto
pela soma de cinco parcelas de valoração econômica, multiplicado por um fator de redução social
(FS). Logo:
VALOR =[ P1 + P2 + P3 + P4 + P5 ] x FS
Onde:
• P1: Perda de Oportunidade de Uso;
• P2: Impacto Cênico 1;
• P3: Impacto Ecossistêmico;
• P4: Perda de Visitação;
• P5: Risco Ambiental.
Elaborado pela Polícia Federal
O utilizado pelos peritos da Polícia Federal para efetuar os cálculos de seus laudos:
VERA = VUD + VUI + VO + VE
Onde:
• VERA = Valor Econômico do Recurso Ambiental;
• VUD = Valor de Uso Direto;
• VUI = Valor de Uso Indireto;
• VO = Valor de Opção;
• VE = Valor de Existência.
Entretanto, nenhuma desses modelos leva em consideração os demais aspectos sobre os ecossistemas
(fatores geofísico-químicos), questões sociais e culturais.
Mercado de créditos de carbono
O Protocolo de Kyoto (1997) criou o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que prevê a redução
certificada das emissões.
Uma vez conquistada essa certificação, quem promove a redução da emissão de gases poluentes tem direito
a créditos de carbono e pode comercializá-los com os países que têm metas a cumprir.
O MDL foi criado a fim de conceder créditos para projetos que reduzam ou evitem emissões nos
países em desenvolvimento.
Trata-se de um canal em que governos e corporações privadas transferem tecnologia limpa e promovem o
desenvolvimento sustentável, possibilitando o benefício das atividades de redução das emissões de GEE aos
países em desenvolvimento.
O mecanismo deve implicar em reduções de emissões adicionais àquelas que ocorreriam na ausência do
projeto, garantindo benefícios reais, mensuráveis e de longo prazo para a mitigação da mudança do clima.
O Brasil ocupa a terceira posição mundial entre os países que participam desse mercado, com cerca de 5% do
total mundial e 268 projetos.
A expectativa inicial era a de absorver 20%. O mecanismo incentivou a criação de novas tecnologias para a
redução das emissões de gases poluentes no Brasil.
Como é medida a redução das emissões?
Para responder a essa pergunta, vejamos os tópicos a seguir.
Como se mede a redução das emissões
A redução das emissões dos GEE (Gases do Efeito Estufa) é medida através de uma unidade
denominada toneladas de dióxido de carbono equivalente ― t CO2e.
O que representa um crédito de carbono
Cada tonelada reduzida ou removida da atmosfera corresponde a uma unidade, emitida pelo
Conselho Executivo do MDL, denominada RCE (Redução Certificada de Emissão) ou seja, cada
tonelada de CO2e equivale a 1 crédito de carbono.
Como ocorre a negociação dos créditos
Esses créditos de carbono podem ser negociados no mercado mundial por meio dos Certificados de
Emissões Reduzidas (CER). Dessa maneira, as nações que não quiserem ou não conseguirem reduzir
suas emissões poderão comprar os CER e utilizá-los para cumprir suas obrigações
Saiba mais
Leia um texto sobre mercado de carbono.
Poluidor pagador, usuário pagador e sustentabilidade
financeira dos sistemas de gestão
O princípio do poluidor- É importante De acordo com Araújo
pagador impõe ao poluidor salientar que (2010), o empreendedor
tanto o dever de prevenir a esse princípio deve internalizar todos os
ocorrência de danos não autoriza a Custos Ambientais gerados
ambientais quanto o de poluição por sua atividade, nos quais
reparar, de modo integral, mediante o estão incluídos,
eventuais danos que ele pagamento donaturalmente, os custos pela
venha a causar com sua dano poluição que, porventura,
conduta. ambiental. venha a causar.
Um outro fato importante é que esse custo não deve ser apresentado ao consumidor por meio do repasse ao
custo dos produtos e serviços.
O princípio do usuário-pagador postula que as pessoas que usam recursos naturais devem pagar
por tal utilização.
A cobrança, além de modificar o comportamento do usuário, também precisa ser capaz de garantir
sustentabilidade ao sistema de gestão.
Para que isso aconteça, de acordo com Santos (apud VINHA, 2003), deve atender aos quesitos a seguir:
Eficiência financeira
Refere-se aos custos de transação decorrentes dos encargos gerados pelos responsáveis por sua
aplicação e para os usuários, ou seja, está relacionada com os custos administrativos e operacionais
do sistema de gestão em relação à receita (total) gerada pela cobrança.
Efetividade financeira
Ao ser montado, o sistema de gestão traçou os objetivos a serem alcançados. A efetividade financeira
é a capacidade dos instrumentos de cobrança em gerar receitas para as atividades que permitam
alcançar tais objetivos. Portanto, é a capacidade de gerar recursos para financiar o sistema de
monitoramento, fiscalização, licenciamento e atividades de recuperação e preservação ambiental.
Praticabilidade
Refere-se a quão direto seja o instrumento para atingir seus objetivos. Clareza e simplicidade são
considerados fatores primordiais que afetam a eficiência administrativa. Um exemplo do caso do
usuário-pagador é a utilização dos Recursos Hídricos.
Recursos hídricos – exemplo de aplicação dos princípios do poluidor-pagador
e do usuário-pagador
A título de exemplo, no que diz respeito ao quesito de praticabilidade da cobrança, a cobrança pelo uso da
água fundamenta-se nos princípios do poluidor-pagador e do usuário-pagador.
Com base no Sendo assim, ao reconhecer a água como um bem de
disposto no artigo uso público e dotado de valor econômico, o Poder
primeiro da Lei Público, através do estabelecimento da cobrança
9.433/1997, a pelo seu uso, pretende sensibilizar e incentivar os
água é um usuários a utilizar esse recurso de maneira racional e
recurso natural sustentável, garantindo qualidade, quantidade e
limitado, finito e acesso a esse bem às gerações atuais e futuras.
essencial à vida.
A cobrança pelo uso de recursos hídricos, portanto, é um dos instrumentos de gestão da Política Nacional de
Recursos Hídricos, instituída pela Lei nº 9.433/97, e tem como objetivos:
• Dar ao usuário uma indicação do real valor da água;
• Incentivar o uso racional da água;
• Obter recursos financeiros para a recuperação das bacias hidrográficas do País.
Atenção
Essa cobrança não é um imposto, mas uma remuneração pelo uso de um bem público, cujo preço é
fixado a partir da participação dos usuários da água, da sociedade civil e do poder público no âmbito
dos Comitês de Bacia Hidrográfica ― CBHs.
Verificando o aprendizado
Assinale a alternativa incorreta.
A O campo da Economia que aplica a teoria econômica a questões ligadas ao manejo e à preservação do
meio ambiente é chamado de Economia Ambiental ou Economia do Meio Ambiente.
O Critério de Pareto é o mais utilizado para julgar se a alocação do recurso é ou não o mais eficiente, que
Bnos servirá para estabelecer um ponto ótimo para a sociedade nas negociações entre governo e mercado
para a preservação do meio ambiente.
C A Economia Ambiental considera que os recursos naturais não representam, a longo prazo, um limite
absoluto para a expansão da Economia.
D Todo recurso natural tem um valor intrínseco que reflete direitos de existência e interesses de espécies
não humanas e objetos inanimados, por exemplo.
O princípio do poluidor-pagador pretende retirar a responsabilidade do poluidor pelos custos de proteção
Edo meio ambiente relacionados com a prevenção e reparação da poluição. Para isso, basta pagar uma
taxa anual.
A alternativa E está correta.
O princípio do poluidor-pagador não retira a responsabilidade do poluidor pelos custos de proteção ao meio
ambiente.
3. Conclusão
Considerações finais
Neste conteúdo, abordamos a crescente pressão que o uso acelerado dos recursos naturais exerce sobre os
ecossistemas, especialmente no caso dos recursos renováveis, cuja reposição é ultrapassada pela exploração.
Também discutimos o consumo dos recursos não renováveis, limitados em quantidade, o que torna o cenário
ainda mais preocupante para a sustentabilidade do planeta e o futuro da humanidade.
Destacamos a importância de estabelecer uma relação sustentável entre o uso dos recursos naturais e a
manutenção dos ecossistemas, da biodiversidade e dos serviços ambientais que sustentam a vida. Essa
relação é crucial para garantir o equilíbrio ambiental e o bem-estar das gerações presentes e futuras,
assegurando condições mínimas para a continuidade da vida no planeta.
Apresentamos a Economia do Meio Ambiente como um campo especializado que integra teorias e métodos
econômicos para lidar com as questões ambientais. Essa área enfatiza o uso racional dos recursos, a
preservação e conservação ambiental, além da análise dos impactos da poluição. A Economia Ambiental
também avalia como essas questões influenciam a rentabilidade das empresas, reforçando a necessidade de
práticas que conciliem desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.
Por fim, ressaltamos que compreender essa interface entre economia e meio ambiente é fundamental para
formular políticas públicas eficazes e estratégias empresariais sustentáveis. A Economia do Meio Ambiente,
assim, contribui para um equilíbrio entre progresso econômico e proteção dos recursos naturais, incentivando
o uso consciente e a busca por soluções que reduzam os impactos negativos das atividades humanas no
planeta.
Essa integração é essencial para construir um futuro sustentável, garantindo a preservação do meio ambiente
e a qualidade de vida para as próximas gerações.
Explore+
Orientações de estudo:
• Pesquise na internet, em sites, vídeos e artigos relacionados ao conteúdo visto.
• Em caso de dúvidas, converse com seu professor online por meio dos recursos disponíveis no
ambiente de aprendizagem.
Leitura obrigatória:
• Recursos Naturais Diminuem em Ritmo Alarmante.
• Meio Ambiente em Notícia.
• Aspectos Econômicos da Transição para uma Economia Verde.
Vídeo recomendado:
• Rio + 20 – Economia Verde
Referências
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"Economia dos Ecossistemas".Textos para Discussão. IE/UNICAMP, n. 159, 2009.
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BARBOSA, E. M.; BATISTA, R. C.; BARBOSA, M. de F. N. Gestão de Recursos Naturais: uma visão
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BARBOSA, R. P.; VIANA, V. J. Recursos Naturais e Biodiversidade. São Paulo: Erica, 2014.
BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Meio Ambiente ― Guia Prático e Didático. São Paulo: Érica, 2012.
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IBINO, R. A.; JOSÉ, A. M. (orgs.). Sustentabilidade Ambiental no Brasil: biodiversidade, economia e bem-estar
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