Assuntos 1° da AB2:
Tecido Epitelial de revestimento;
Tecido Epitelial glandular;
Tecido conjuntivo propriamente dito e adiposo;
Tecido sanguíneo.
Tecido Epitelial de Revestimento
O tecido epitelial caracteriza-se por apresentar células justapostas, isto é, células aderidas
umas às outras e ausência ou pouca substância intercelular (matriz extracelular). É um dos
poucos tecidos avasculares do nosso organismo, possuem uma alta capacidade de
proliferação e são organizadas em lâminas (Ex. lâmina basal).
Função: É responsável por desempenhar as funções de revestimento (externo e interno),
proteção, absorção, secreção e sensorial (neuroepitélio).
Origem: É derivado dos três folhetos embrionários: endoderma, mesoderma e
ectoderma.
Lâminas:
Lâmina epitelial: é a camada de células epiteliais que revestem superfícies internas e
externas do corpo (como pele, intestino, vias respiratórias);
Lâmina basal: fica logo abaixo das células epiteliais, é uma camada delgada de matriz
extracelular. Formada por proteínas como colágeno tipo IV, laminina e entactina.
Tem duas partes:
Lâmina lúcida (ou rara): mais próxima das células epiteliais;
Lâmina densa: mais espessa e próxima do tecido conjuntivo.
Lâmina própria: É o tecido conjuntivo frouxo que fica embaixo da lâmina basal. Também é
ela que nutre o epitélio (que é avascular) e pode conter vasos sanguíneos, linfáticos e
células do sistema imune, além de ser especialmente importante em mucosas (como do
intestino e das vias respiratórias).
[Células epiteliais]
↓
[Lâmina basal]
↓
[Lâmina própria (tecido conjuntivo)]
Nutrição: O tecido epitelial é avascularizado (sem vasos sanguíneos) e toda nutrição e
oxigenação que o tecido epitelial precisa vem através do tecido conjuntivo, esse rico em
vasos sanguíneos, que se encontra abaixo do tecido epitelial através do mecanismo que se
chama: Difusão.
O tecido epitelial de revestimento: é responsável por revestir a superfície externa e
interna do corpo, atuando como uma barreira protetora. São classificados de acordo com o
número de camadas, morfologia celular, bem como pelas especialidades de superfície.
Classificação do tecido epitelial:
Classificação de acordo com o formato das células: pavimentoso, cúbico ou
prismático.
Pavimentoso: Células achatadas;
Cúbico: Células cúbicas mesmo e com núcleos arredondados;
Prismáticos: Células são mais alongadas.
Classificação de acordo com a quantidade de camadas: Simples, estratificado e
pseudo-estratificado.
Simples: Apresenta apenas uma camada de células;
Estratificado: Apresenta várias camadas de células, mas só o formato das células
presentes na camada mais superficial que determina sua classificação;
Pseudo-estratificado: Apresenta apenas uma camada, mas o núcleo das células
parecem em alturas diferentes.
Tecido Epitelial Glandular
Devido às diferenças estruturais e bioquímicas das glândulas elas são classificadas em
serosa e mucosa:
Glândulas serosas: são ricas em enzimas (como amilase), geralmente aquosas.
Têm citoplasma mais basofílico (coram mais com corantes básicos), núcleo central ou
arredondado, e possuem grânulos de secreção ricos em proteínas.
Glândulas mucosas: são ricas em mucinas (glicoproteínas), que formam muco ao se
misturarem com água.
Possuem o citoplasma claro ou espumoso (devido às mucinas), núcleo geralmente
achatado e deslocado para a base da célula.
Assuntos 2° da AB2:
Tecido ósseo;
Tecido muscular;
Tecido nervoso;
Tecido cartilaginoso.
Tecido Ósseo
O osso é um tecido conectivo especializado, caracterizado por uma matriz extracelular
mineralizada. É a mineralização da matriz que diferencia o tecido ósseo dos outros tecidos
conectivos, formando um tecido extremamente rígido, capaz de oferecer suporte e proteção
ao corpo.
Função: suporte, proteção de órgãos, movimento e o armazenamento de cálcio e
fosfato, que podem ser liberados no sangue para manter níveis normais.
Composição: É composto de duas partes: Matriz extracelular, mas também chamada de
Matriz óssea e Células.
Matriz óssea: A matriz extracelular do osso é calcificada, rígida, e vem de uma de suas
partes, já que ela é dividida em Inorgânica e Orgânica.
- Inorgânica (ou matriz mineral): Nela está presente em abundância os minerais
cálcio e fósforo, mas também possuem potássio, sódio, magnésio e bicarbonato. A
dureza da matriz vem por conta da junção do cálcio e fósforo em fosfato de cálcio,
que se cristaliza em cristais de hidroxiapatita.
- Orgânica: É composto por 90% de fibras de colágenos do tipo I (mas possui
outros tipos de colágenos), que são responsáveis pela resistência dos ossos, mas
também é formada por glicoproteínas e proteoglicanos.
Células presentes: Estão presentes no tecido ósseo 4 tipos de células: os osteoblastos,
osteócitos, osteoclastos e osteoprogenitoras.
- Osteoblastos: São células jovens em alta atividade e são responsáveis pela
síntese da parte inorgânica da matriz óssea e mineralização da matriz;
- Osteócitos: São osteoblastos amadurecidos e que possuem uma menor atividade
celular. E eles estão presentes em ossos já formados e estão ali para manutenção
desses ossos. E neles existem os canalículos: são canais que conectam os
osteócitos entre si e com vasos sanguíneos. Eles permitem a nutrição, comunicação
e controle da remodelação óssea, sendo fundamentais para a manutenção da
viabilidade dos osteócitos;
- Osteoclastos: São células grandes e são responsáveis pela reabsorção e
desmineralização óssea em áreas danificadas ou envelhecidas, para assim haver a
remodelação óssea. Além disso, regulam os níveis de cálcio e fósforo no sangue.
Atuam em respostas a hormônios como: Paratormônio (PTH) → estimula a
reabsorção e Calcitonina → inibe a atividade dos osteoclastos.
- Osteogênicas: São células imaturas e indiferenciadas, que estão presentes no
periósteo, que conseguem se diferenciar em osteoblastos quando possuem
necessidade de formação ou renovação óssea.
Formação Óssea Endocondral
Esse processo forma ossos longos (como os das pernas, braços e vértebras) usando um
molde de cartilagem como base. Ele ocorre em etapas:
Etapa 1: Molde de Cartilagem
● Um molde de cartilagem, como uma "miniatura" do osso, é formado.
● Osteoblastos (células formadoras de osso) surgem do mesênquima (tecido
embrionário) ao redor da diáfise (parte central do molde).
● Os osteoblastos secretam osteóide (matriz inicial com colágeno e outras proteínas),
que depois se calcifica, formando o colar ósseo periosteal.
● O crescimento em diâmetro acontece por crescimento aposicional (deposição de
novo osso na superfície).
Etapa 2: Transformação do Molde
● No centro do molde, os condrócitos (células da cartilagem) ficam hipertróficos,
morrem, e a matriz cartilaginosa se calcifica.
● Vasos sanguíneos invadem o colar ósseo, trazendo células para formar medula
óssea e mais osteoblastos.
● Esse processo se repete nas epífises (extremidades do osso) mais tarde.
Etapa 3: Zonas da Cartilagem Epifisária
Durante o crescimento, a cartilagem nas extremidades do osso (placa epifisária) é dividida
em zonas:
1. Zona de repouso: Condrócitos isolados, sem atividade intensa.
2. Zona de proliferação: Condrócitos se dividem, formam colunas e produzem matriz,
permitindo o crescimento longitudinal (em comprimento).
3. Zona de hipertrofia: Condrócitos aumentam de tamanho e acumulam glicogênio.
4. Zona de calcificação: A matriz entre os condrócitos se calcifica, e as células
morrem por apoptose.
5. Zona de reabsorção: Vasos sanguíneos invadem, trazendo células
osteoprogenitoras que se tornam osteoblastos e depositam osso sobre a cartilagem
calcificada.
Etapa 4: Centros de Ossificação Secundária
● Antes do nascimento, as epífises começam a ossificar, formando o disco
epifisário, que permite o crescimento contínuo do osso.
Remodelamento Ósseo
● O osso é constantemente remodelado desde o desenvolvimento fetal até a idade
adulta.
● Osteoclastos (células grandes que reabsorvem osso) e osteoblastos trabalham
juntos:
○ Osteoclastos removem osso velho.
○ Osteoblastos depositam osso novo.
● Crescimento em espessura: Deposição de osso na superfície externa (por
osteoblastos) e remoção na superfície interna (por osteoclastos) para evitar excesso
de massa.
● Durante a vida adulta, o remodelamento continua, mas é mais lento, especialmente
no envelhecimento.
Formação Óssea Intramembranosa
● Forma ossos planos (como crânio, mandíbula e clavícula), sem molde de
cartilagem.
● Processo:
1. Células mesenquimais se acumulam e se diferenciam em osteoblastos.
2. Osteoblastos secretam matriz óssea, que se calcifica.
3. Os osteoblastos presos na matriz viram osteócitos (células maduras do
osso), conectados por canalículos.
4. Novas camadas de osso são adicionadas por crescimento aposicional,
formando uma rede trabecular (esponjosa) que dará a forma do osso
maduro.
● Início: Por volta da 8ª semana de gestação.
Diferença Principal
● Endocondral: Usa molde de cartilagem (ossos longos, que suportam peso).
● Intramembranosa: Não usa molde de cartilagem (ossos planos, que não suportam
peso).
Tecido muscular
O tecido muscular corresponde ao tecido celular responsável por transformar a energia
química (moléculas de ATP) em energia mecânica (movimento) ao organismo. Ele é
constituído por células alongadas com uma grande quantidade de filamentos
citoplasmáticos, compostos por proteínas filamentosas que promovem a sua contração e
distensão.
Função: Movimentar o corpo, tanto através de movimentos voluntários como involuntários,
e também manter a postura e o equilíbrio. Além disso, auxilia na movimentação de
substâncias e líquidos no organismo, como o sangue e os alimentos, e contribui para a
produção de calor.
Composição: Ele é constituído por células alongadas com uma grande quantidade de
filamentos citoplasmáticos, compostos por proteínas filamentosas que promovem a sua
contração e distensão. As células musculares podem ser denominadas miócitos ou fibras
musculares e possuem origem embrionária do folheto do mesoderma.
Em razão do tecido muscular ser bastante especializado, alguns componentes das células
musculares recebem denominação específica, como:
1. Membrana Plasmática: é denominada de sarcolema;
2. Citoplasma: é denominado de sarcoplasma;
3. Retículo Endoplasmático Liso: é denominado de retículo sarcoplasmático;
4. Mitocôndrias: são denominadas de sarcossomas.
De acordo com as características morfológicas e funcionais das fibras musculares, o
tecido muscular pode ser classificado em três tipos:
1. Músculo estriado esquelético: apresenta estrias transversais e é formado por
feixes de células cilíndricas, multinucleadas e muito longas. Essas células (ou fibras)
possuem contração rápida, vigorosa e voluntária, e estão sujeitas ao controle
voluntário, uma vez que o músculo é inervado pelo Sistema Nervoso Somático;
2. Músculo estriado cardíaco: apresenta estrias transversais e é formado por células
alongadas, mais curtas e ramificadas, que se unem por discos intercalares. Possui
contração rápida, vigorosa, rítmica e involuntária. É inervado pelo Sistema Nervoso
Autônomo (vias simpática e parassimpática);
3. Músculo liso: não apresenta estrias transversais e é formado por células
fusiformes, mais espessas no centro e afiladas na extremidade. Possui contração
lenta, fraca e involuntária. É inervado pelo Sistema Nervoso Autônomo.
Músculo estriado esquelético
O tecido muscular estriado esquelético (músculo ligado aos ossos através dos tendões)
apresenta estrias transversais (faixas claras e escuras alternadas) devido à organização
de proteínas contráteis. Durante seu desenvolvimento, mioblastos (células precursoras do
músculo) se alongam e fundem, formando fibras musculares (células musculares longas e
cilíndricas). Essas fibras, que podem atingir até 30 cm, são multinucleadas (com vários
núcleos), com núcleos elípticos localizados na periferia sob o sarcolema (membrana
plasmática da célula muscular). As fibras contêm filamentos protéicos: actina e miosina,
responsáveis pela contração.
Os músculos esqueléticos formam o sistema muscular (conjunto de músculos
responsáveis pelos movimentos) e se conectam aos ossos, compondo o aparelho
locomotor (estruturas para movimentação do corpo). Suas contrações são rápidas, fortes,
vigorosas, descontínuas e voluntárias (controladas conscientemente, com pausas) e são
inervadas pelo sistema nervoso somático (parte do sistema nervoso que controla
movimentos voluntários).
Fibras musculares: As fibras musculares são organizadas em feixes, envoltos por tecido
conjuntivo (suporte estrutural com vasos sanguíneos, linfáticos e nervos), que mantém as
fibras unidas e transmite a força da contração. Esse tecido é dividido em três camadas:
1. Endomísio - fina camada de colágeno tipo III que reveste cada fibra muscular, com
vasos sanguíneos e nervos para transmitir impulsos na junção neuromuscular (ponto
de contato entre neurônio e músculo).
2. Perimísio - tecido conjuntivo mais espesso que envolve fascículos, ou feixes de
fibras, com vasos sanguíneos maiores.
3. Epimísio - tecido conjuntivo denso não modelado, ou fáscia, que reveste o músculo
inteiro, podendo se transformar em tecido denso modelado nos tendões.
4. Suporte - Vasos sanguíneos fornecem nutrientes e oxigênio para produção de ATP,
essencial para a contração.
Tipo de fibras musculares: As fibras musculares esqueléticas são especializadas em
realizar trabalho mecânico intenso e descontínuo. Para isso, dependem de compostos ricos
em energia química, como o ATP (adenosina trifosfato). O ATP é obtido principalmente a
partir da glicose e dos ácidos graxos (moléculas de gordura metabolizadas para energia).
Em atividades intensas com insuficiência de oxigênio (baixo O₂ para o metabolismo), as
fibras utilizam o metabolismo anaeróbico da glicose (processo que gera ATP sem oxigênio,
mas menos eficiente) em vez do metabolismo oxidativo (processo que usa oxigênio para
gerar ATP nas mitocôndrias (organelas que produzem energia)).
As fibras musculares esqueléticas são classificadas em três tipos, com base em seu
metabolismo, contração e adaptação:
Fibras Lentas ou Vermelhas (Tipo I):
● Ricas em mioglobinas (proteínas que armazenam oxigênio, dando cor vermelha).
● Obtêm ATP pelo metabolismo oxidativo de ácidos graxos (processo aeróbico nas
mitocôndrias).
● Adaptadas para contrações contínuas (movimentos prolongados) e movimentos
lentos e duradouros (ex.: resistência em maratonas).
● Características: lentas (contração gradual), oxidativas (dependem de oxigênio),
com alta resistência à fadiga.
Fibras Rápidas ou Brancas (Tipo IIb):
● Pobres em mioglobinas (menos oxigênio armazenado, com aparência mais clara).
● Obtêm ATP pelo metabolismo anaeróbico da glicose (produção rápida de energia
sem oxigênio).
● Adaptadas para contrações rápidas e descontínuas (movimentos curtos e
intensos) e movimentos bruscos e potentes (ex.: sprints ou levantamento de
peso).
● Características: rápidas (contração explosiva), glicolíticas (dependem de glicose),
com baixa resistência à fadiga devido à produção de ácido láctico (subproduto do
metabolismo anaeróbico que causa fadiga).
Fibras Intermediárias (Tipo IIa):
● Possuem características intermediárias entre as fibras lentas e rápidas.
● Obtêm ATP por uma combinação de metabolismo oxidativo (aeróbico) e
metabolismo anaeróbico (glicolítico), usando tanto ácidos graxos quanto glicose.
● Adaptadas para movimentos de intensidade moderada (ex.: atividades que
misturam endurance e força, como corrida de meia-distância).
● Características: intermediárias (contração moderada), com resistência à fadiga
maior que as fibras brancas, mas menor que as vermelhas.
A proporção de fibras vermelhas (Tipo I), brancas (Tipo IIb) e intermediárias (Tipo IIa)
varia entre os músculos esqueléticos e depende da atividade física. Por exemplo:
● Corredores de curtas distâncias (ex.: 100 metros) têm maior proporção de fibras
brancas (Tipo IIb) (para explosão e velocidade).
● Corredores de maratonas (longas distâncias) têm mais fibras vermelhas (Tipo I)
(para resistência e endurance).
● Atletas de meia-distância ou atividades mistas podem ter mais fibras
intermediárias (Tipo IIa) (para equilíbrio entre força e resistência).
Composição do tecido muscular:
Miofibrila (unidade interna da fibra com filamentos de actina e miosina) → fibra
muscular (célula muscular, revestida pelo endomísio) → fascículo (feixe de fibras,
revestido pelo perimísio) → tecido muscular (músculo completo, revestido pelo
epimísio).
Fisiologia - Contração do Músculo estriado esquelético: O mecanismo de
contração do músculo estriado esquelético, que é conectado aos ossos por tendões, ele é
composto por fibras musculares (ou miócitos), formadas por miofibrilas, que contêm
unidades contráteis chamadas sarcômeros. Os sarcômeros são compostos por:
● Filamentos finos de actina, ancorados à linha Z.
● Filamentos grossos de miosina.
Processo de Contração Muscular:
1. Estímulo Nervoso:
○ A contração começa com um estímulo do sistema nervoso, enviado por um
neurônio motor até o músculo.
○ A comunicação ocorre na junção neuromuscular (ou placa motora), onde o
neurotransmissor acetilcolina é liberado, estimulando o músculo.
2. Condução do Estímulo:
○ O estímulo é conduzido pelos túbulos T até os retículos sarcoplasmáticos.
○ O retículo sarcoplasmático libera cálcio no citoplasma, essencial para a
contração.
3. Interação Actina-Miosina:
○ A actina possui sítios de ligação bloqueados pela tropomiosina em repouso.
○ O cálcio se liga à troponina, deslocando a tropomiosina e expondo os sítios
de ligação da actina.
○ Com a ajuda de ATP, as cabeças da miosina se encaixam nos sítios da
actina, puxando os filamentos de actina em um movimento de deslizamento.
○ Esse movimento encurta o sarcômero, resultando na contração muscular.
Elementos Essenciais para a Contração:
● Estímulo nervoso: Inicia o processo.
● Cálcio: Desobstrui os sítios de ligação da actina.
● ATP: Fornece energia para o encaixe e movimento da miosina.
Músculo estriado cardíaco
O tecido muscular estriado cardíaco (músculo do coração, com estrias visíveis ao
microscópio) apresenta estrias transversais (faixas claras e escuras alternadas) e é formado
por células musculares cilíndricas, alongadas, ramificadas e curtas (diferente das fibras
longas do músculo esquelético). Essas células têm 1 ou 2 núcleos esféricos (localizados no
centro da fibra, ao contrário do músculo esquelético, que tem múltiplos núcleos periféricos)
e são revestidas apenas pelo endomísio (fina camada de tecido conjuntivo ao redor de cada
célula).
Função: O músculo cardíaco está presente no miocárdio (camada média da parede do
coração), e possui contração rápida, vigorosa, rítmica e involuntária (movimentos
automáticos e contínuos, sem controle consciente) e é inervado pelo sistema nervoso
autônomo (vias simpática – acelera o coração – e parassimpática – desacelera o coração).
Fibras cardíacas: As fibras cardíacas possuem discos intercalares ou escalariformes
(junções intercelulares que conectam células adjacentes), que promovem adesão e troca de
substâncias, permitindo contrações sincronizadas. Elas são ricas em mitocôndrias, que
utilizam o metabolismo oxidativo de ácidos graxos (produção de ATP com oxigênio). O
citoplasma contém grânulos de lipofuscina (pigmentos de células duradouras que não se
multiplicam).
Túbulos T: O sistema de túbulos T (estruturas que conduzem o potencial de ação)
transmite impulsos nervosos, mas, ao contrário do músculo esquelético, o retículo
sarcoplasmático (rede que armazena cálcio) é menos desenvolvido. Assim, forma díades
(associação de um túbulo T com uma cisterna do retículo sarcoplasmático, localizadas na
altura do disco Z – linha que delimita o sarcômero, unidade contrátil), em vez de tríades
(estruturas do músculo esquelético com dois cisternas). As díades liberam íons Ca²⁺
(cálcio) no citosol (parte líquida da célula) para a contração.
Hormônio: As células cardíacas do átrio esquerdo possuem grânulos de secreção que
liberam o peptídeo atrial natriurético (ANP) (hormônio que atua nos rins), promovendo
natriurese (excreção de sódio) e diurese (excreção de água) na urina, reduzindo a pressão
arterial. O ANP tem ação oposta à aldosterona (hormônio que retém sódio e água).
Discos intercalare o escalariforme: Os discos intercalares (estruturas específicas do
músculo cardíaco) são visíveis em microscópios ópticos como traços transversais em
formato de escada, com aparência irregular e fracamente corados (pouco destacados) em
preparos histológicos com hematoxilina-eosina (técnica de coloração para tecidos). Eles
estão localizados na extremidade de duas fibras cardíacas adjacentes (células musculares
do coração) e são formados por um complexo de junções celulares (estruturas que
conectam células), com três componentes principais:
1. Zônulas de Adesão (junções que fixam células):
○ Ancoram microfilamentos de actina (proteínas contráteis) dos sarcômeros
terminais (unidades contráteis nas extremidades das fibras), estabilizando a
estrutura durante a contração.
2. Desmossomos (junções de ancoragem):
○ Garantem forte adesão entre as fibras cardíacas, evitando que se separem
durante a atividade contrátil (batimentos cardíacos).
3. GAP Junctions (junções comunicantes):
○ Permitem a troca iônica (passagem de íons) e comunicação entre as células,
distribuindo o potencial de ação (impulso elétrico) rapidamente, fazendo as
fibras cardíacas funcionarem como um sincício (unidade funcional que
contrai de forma sincronizada).
Contração do músculo cardíaco: A contração do músculo estriado cardíaco ocorre a
partir da inervação do Sistema Nervoso Autônomo (SNA), nas vias simpática e
parassimpática. A excitabilidade das células cardíacas promove uma contração rítmica e
auto estimulada a partir do sistema gerador e condutor do coração, formado por nodo
sinusal (SA), nodo atrioventricular (AV), feixe de Hiss (atrioventricular - AV) e fibras de
Purkinje. O principal tipo de sinapse nervosa que ocorre é a sinapse elétrica.
Músculo liso
O tecido muscular liso (músculo sem estrias visíveis ao microscópio) não apresenta estrias
transversais (faixas claras e escuras) e é formado por células longas e fusiformes
(alongadas, mais grossas no centro e afiladas nas extremidades), com um único núcleo
central elíptico (núcleo alongado no meio da célula). Diferente dos músculos estriados, não
possui miofibrilas (unidades contráteis organizadas em estrias). São inervados pelo Sistema
Nervoso Autônomo (controla funções involuntárias) e irrigados por vasos sanguíneos
(fornecem nutrientes e oxigênio).
Função: Os músculos lisos se organizam em feixes ou camadas nas paredes de órgãos
ocos (estômago, intestinos, esôfago, vasos sanguíneos, etc) que precisam realizar
contração para empurrar ou levar algo e possui contração lenta, fraca e involuntária para
isso.
Organização das células: As células possuem uma lâmina basal (camada de suporte
externa) e são unidas por uma rede de fibras reticulares de colágeno tipo III, permitindo que
a contração de poucas células engaje o músculo inteiro. Elas têm retículo endoplasmático
rugoso bem desenvolvido, sintetizando matriz extracelular (componentes como fibras
reticulares, elásticas e proteoglicanos), como na túnica média dos vasos sanguíneos
(camada muscular dos vasos).
O citoesqueleto inclui corpos densos (no citoplasma) e placas densas (na superfície interna
da membrana plasmática), que ancoram filamentos de actina (proteínas contráteis finas).
Os filamentos de miosina (proteínas contráteis grossas) formam pontes com a actina,
criando uma rede tridimensional no citoplasma. O deslizamento dos filamentos de actina
sobre os de miosina (movimento que encurta a célula) provoca a contração do músculo liso.
Contração do músculo liso: A contração da musculatura lisa (músculo sem estrias, em
órgãos ocos) ocorre por um processo desencadeado por estímulos nervosos, envolvendo
cálcio, actina e miosina. Seguem as etapas:
1. Estímulo e Despolarização:
○ Um potencial de ação (impulso elétrico) chega via células nervosas ou
neurotransmissores (moléculas sinalizadoras) são liberados, alterando o
potencial de membrana (carga elétrica da célula) e causando despolarização
(ativação da célula).
2. Entrada de Cálcio:
○ A despolarização provoca influxo de íons Ca²⁺ (cálcio) do retículo
sarcoplasmático (organela que armazena cálcio) para o citosol (parte líquida
da célula). O cálcio também entra via cavéolas (invaginações na membrana
plasmática).
3. Ativação da Calmodulina:
○ No citosol, os íons Ca²⁺ se ligam à calmodulina (receptor intracelular),
formando o complexo calmodulina-Ca²⁺.
4. Ativação da MLCK:
○ O complexo calmodulina-Ca²⁺ ativa a proteína quinase de cadeia leve da
miosina II (MLCK) (enzima reguladora da miosina), permitindo sua função
catalítica.
5. Fosforilação da Miosina:
○ A MLCK fosforila a miosina (proteína contrátil grossa), mudando sua
estrutura para uma conformação não dobrada (forma ativa de filamento),
pronta para interagir com a actina (proteína contrátil fina).
6. Interação Actina-Miosina e Contração:
○ Com a miosina ligada à actina, o ATP (molécula de energia) é usado pela
miosina, que ativa sua função ATPase (quebra o ATP), liberando energia.
Isso deforma a cabeça da miosina (parte móvel), causando o deslizamento
dos filamentos de actina sobre os de miosina (movimento de encurtamento),
resultando na contração da célula muscular lisa.
Tecido Nervoso
O tecido nervoso é responsável pela comunicação rápida e coordenada no organismo,
permitindo a percepção, integração e resposta a estímulos internos e externos. É altamente
especializado, com células adaptadas para conduzir impulsos elétricos.
Função: Coordenação e controle das funções corporais, incluindo movimentos,
sensações, pensamento, memória e regulação de órgãos.
Origem: Derivado do ectoderma embrionário.
Componentes/Células do tecido nervoso: Formado por dois tipos principais de
células: neurônios (células condutoras de impulsos) e células da glia (células de suporte).
Neurônios:
- Células especializadas na transmissão de impulsos nervosos.
- Estrutura: Composta por corpo celular (contém o núcleo), dendritos (recebem
estímulos) e axônio (conduz impulsos para outras células), terminais axônicos
(essenciais para passagem de um neurônio para o outro ou tecido) e bainha de
mielina (Formado pelas células da glia, são bainhas lipídicas que revestem o axônio
com a intenção de aumentar a velocidade de condução do impulso nervoso).
- Classificação: Sensoriais (conduzem estímulos do ambiente), motores (transmitem
comandos aos músculos/ glândulas) e interneurônios (conectam neurônios no
sistema nervoso central).
Células da Glia:Suportam, protegem e nutrem os neurônios.
● Tipos principais:
○ Astrócitos: Nutrição, suporte estrutural e regulação da barreira
hematoencefálica.
○ Oligodendrócitos (SNC) e células de Schwann (SNP): Produzem a bainha
de mielina, que isola axônios e acelera a condução de impulsos.
○ Micróglia: Fagocitam detritos e patógenos, atuando na defesa imune.
○ Células ependimárias: Revestem cavidades do sistema nervoso central e
auxiliam na circulação do líquido cefalorraquidiano.
Organização:
● Sistema Nervoso Central (SNC): Encéfalo e medula espinhal, formados por
substância cinzenta (corpos celulares dos neurônios) e substância branca (axônios
mielinizados).
● Sistema Nervoso Periférico (SNP): Nervos e gânglios, conectando o SNC ao resto
do corpo.
● Sinapses: Pontos de comunicação entre neurônios ou entre neurônios e outras
células, podendo ser químicas (usam neurotransmissores) ou elétricas (passagem
direta de íons).
Nutrição e Suporte:
● Avascularidade parcial: O tecido nervoso depende de vasos sanguíneos do tecido
conjuntivo adjacente para nutrição e oxigenação.
● Barreira hematoencefálica: Formada por astrócitos e capilares, regula a passagem
de substâncias para proteger o SNC.
Funcionamento:
● Condução de impulsos: Os neurônios geram potenciais de ação (impulsos
elétricos) que viajam pelo axônio até a sinapse, onde neurotransmissores (ex.:
acetilcolina, dopamina) transmitem o sinal.
● Plasticidade neural: Capacidade de formar novas conexões, essencial para
aprendizado e recuperação após lesões.
Tecido Cartilaginoso
Características Gerais
O tecido cartilaginoso é um tipo de tecido conjuntivo especializado, caracterizado por uma
matriz extracelular firme, mas flexível, que confere resistência e suporte. É avascular, sem
vasos sanguíneos, linfáticos ou nervos.
● Função: Suporte estrutural, absorção de choques, redução de atrito em articulações
e formação de moldes para ossos durante o desenvolvimento.
● Origem: Derivado do mesoderma embrionário.
● Composição: Formado por células (condrócitos e condroblastos) e uma matriz
extracelular rica em fibras e substância fundamental.
Componentes do Tecido Cartilaginoso
● Células:
○ Condroblastos: Células jovens que produzem a matriz extracelular.
○ Condrócitos: Células maduras, localizadas em lacunas na matriz,
responsáveis pela manutenção da cartilagem.
● Matriz Extracelular:
○ Fibras: Colágeno tipo II (principalmente) e fibras elásticas (em alguns tipos).
○ Substância fundamental: Composta por proteoglicanos, glicoproteínas e
água, conferindo firmeza e elasticidade.
● Pericôndrio: Camada de tecido conjuntivo denso que envolve a cartilagem (exceto
na fibrocartilagem e cartilagem articular), contendo vasos sanguíneos para nutrição
por difusão.
Tipos de Cartilagem
● Cartilagem hialina:
○ Matriz lisa e translúcida, rica em colágeno tipo II.
○ Localização: Extremidades dos ossos longos, traqueia, brônquios, nariz e
esqueleto fetal.
○ Função: Suporte, redução de atrito e molde para ossificação endocondral.
● Cartilagem elástica:
○ Contém fibras elásticas, além de colágeno tipo II, conferindo maior
flexibilidade.
○ Localização: Pavilhão auricular, epiglote e trompa de Eustáquio.
○ Função: Suporte com elasticidade.
● Fibrocartilagem:
○ Rica em fibras de colágeno tipo I, com menos substância fundamental.
○ Localização: Discos intervertebrais, sínfise púbica e meniscos.
○ Função: Resistência à compressão e absorção de choques.
Nutrição
● Avascularidade: A cartilagem não possui vasos sanguíneos; a nutrição ocorre por
difusão a partir do pericôndrio ou líquido sinovial (em articulações).
● Crescimento:
○ Aposicional: Novas camadas de matriz são adicionadas na superfície pelo
pericôndrio.
○ Intersticial: Condrócitos se dividem dentro da matriz, aumentando o volume
interno.
Importância
● Desenvolvimento ósseo: A cartilagem hialina serve como molde para a ossificação
endocondral, essencial para a formação de ossos longos.
● Flexibilidade e resistência: A matriz rica em água e fibras permite suportar
pressões mecânicas sem perder a forma.