0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações64 páginas

Escola de Saúde Pública Do Ceará Residência Médica em Medicina de Família E Comunidade

TCC que relata prevenção para diabetes tipo2

Enviado por

joyce rocha
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações64 páginas

Escola de Saúde Pública Do Ceará Residência Médica em Medicina de Família E Comunidade

TCC que relata prevenção para diabetes tipo2

Enviado por

joyce rocha
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

1

ESCOLA DE SAÚDE PÚBLICA DO CEARÁ


RESIDÊNCIA MÉDICA EM MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE

EVELINE SOUSA SILVA

PROJETO “EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA PREVENÇÃO DO


DIABETES MELLITUS TIPO 2 EM UMA UNIDADE DE ATENÇÃO
PRIMÁRIA”

FORTALEZA
2022
2

EVELINE SOUSA SILVA

EDUCAÇÃO EM SAÚDE PARA PREVENÇÃO DO DIABETES MELLITUS TIPO 2


EM UMA UNIDADE DE ATENÇÃO PRIMÁRIA

Trabalho de Conclusão de Curso submetido à


Escola de Saúde Pública do Ceará como
requisito parcial para a obtenção do título de
Especialista em Residência em Medicina de
Família e Comunidade.
Orientador: Prof. Me. André Cordeiro
Marques.

FORTALEZA
2022
3

RESUMO

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM 2) é uma doença crônica caracterizada pela deficiência na
produção da insulina e/ou pela resistência à ação desse hormônio. O DM 2 é responsável por
90% dos casos de Diabetes, estando em evidência neste estudo. Diante do alto custo pessoal e
para o sistema de saúde associado ao acompanhamento do diabético e suas complicações, foi
decidido fazer uma intervenção em um grupo de mulheres com risco moderado a alto de
desenvolverem o DM tipo 2. O Projeto tem foco na possibilidade de mudanças no estilo de
vida das pacientes e no impacto na prevenção primária do DM2. A intervenção ocorreu pelo
fornecimento de informações sobre DM 2, alimentação saudável e atividade física regular por
meio de informativos impressos na maior parte das vezes, áudios digitais, vídeo-chamadas
individuais, além de por contato individual ou através em grupo com mensagens via
Whatsapp. Também foram importantes as oportunidades de feedback das pacientes com
intervalos de um a dois meses. Os resultados foram avaliados quantitativamente através de
dados antropométricos e resultados de exames séricos realizados no início. E também
qualitativamente por meio de análise do conteúdo das entrevistas e conversas realizadas no
período de cinco meses. O benefício maior foi a oportunidade das pacientes adquirirem
conhecimento prático sobre Diabetes Mellitus e sobre hábitos saudáveis, visando diminuição
do risco de se tornarem diabéticas. Os resultados obtidos foram considerados bons, a maioria
das pacientes aumentou o consumo de frutas e verduras, além de mais pacientes estarem
fazendo atividade física. A maioria das participantes foi bem no questionário aplicado ao final
do quinto mês de intervenção e os feedbacks foram positivos. Com relação aos dados
antropométricos, a maior parte conseguiu manter ou reduzir e, sobre os níveis de hemoglobina
glicada, pouco menos da metade das pacientes reduziu ou manteve, o quê não foi tão positivo.
É necessário dar continuidade à essa intervenção devido ao interesse das participantes e à
possibilidade de outro(a) residente sob supervisão continuar acompanhando o grupo.

Palavras-chave: Educação em Saúde; Diabetes Mellitus; Alimentação; Atividade Física.


4

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 6
2 PROBLEMA ........................................................................................................... 8
3 JUSTIFICATIVA ................................................................................................... 9
4 OBJETIVOS ........................................................................................................... 10
4.1 Objetivo geral...................................................................................................... 10
4.2 Objetivos específicos........................................................................................... 10
5 METODOLOGIA................................................................................................... 11
6 RESULTADOS....................................................................................................... 15
7 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS...................................................................... 22
CONCLUSÕES....................................................................................................... 33
REFERÊNCIAS..................................................................................................... 34
APÊNDICE A - QUESTIONÁRIO APRENDENDO SOBRE SAÚDE........... 35
ANEXO A- QUESTIONÁRIO FINDRISK..........................................................37
ANEXO B- QUESTIONÁRIO DE PRONTIDÃO PARA ATIVIDADE FÍSICA
(PAR-Q)................................................................................................................... 39
ANEXO C - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
(TCLE)......................................................................................................................40
ANEXO D - INFORMATIVO SOBRE O GRUPO “PREVENINDO O DM
2................................................................................................................................. 42
ANEXO E - INFORMATIVO BOAS VINDAS................................................... 43
ANEXO F – INFORMATIVO DESCOMPLICANDO A NUTRIÇÃO........... 45
ANEXO G - INFORMATIVO ENTENDENDO FATORES RELACIONADOS
AO CONTROLE DO PESO O PODER DO CÉREBRO................................... 47
ANEXO H- INFORMATIVO ENTENDENDO FATORES RELACIONADOS
AO CONTROLE DO PESO.................................................................................. 48
ANEXO I – INFORMATIVO DICAS SOBRE ALIMENTAÇÃO
SAUDÁVEL........................................................................................................... 50
ANEXO J - INFORMATIVO UM POUCO SOBRE ATIVIDADE
FÍSICA/EXERCÍCIOFÍSICO.............................................................................. 52
ANEXO L – INFORMATIVO TIPOS DE EXERCÍCIO FÍSICO................... 54
ANEXO M – INFORMATIVO MITOS E VERDADES – PERGUNTAS..... 56
ANEXO N – INFORMATIVO PERGUNTAS E RESPOSTAS....................... 57
5

ANEXO O - INFORMATIVO VOCÊ SABIA QUE AS ATIVIDADES FÍSICAS


PODEM SER FEITAS EM DIFERENTES INTENSIDADES?...................... 58
ANEXO P- INFORMATIVO A LISTA DE COMPRAS.................................. 59
ANEXO Q- INFORMATIVO UM POUCO SOBRE COMPULSÃO............. 62
ANEXO R- INFORMATIVO PARA REFLETIR!........................................... 63
ANEXO S- INFORMATIVO Como prevenir o Diabetes?................................65
6

1 INTRODUÇÃO

O Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica caracterizada pelo déficit na


produção de insulina e/ou pela resistência do organismo à sua ação. Essa enfermidade é muito
prevalente e pode evoluir com complicações importantes principalmente relacionadas às
doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. Sua prevenção primária é um grandioso desafio
para os pacientes e principalmente para os profissionais que trabalham na Atenção Primária.
Com o aumento da expectativa de vida, relacionado ao consequente envelhecimento
populacional que junto ao sedentarismo e a uma transição nutricional tem contribuído para o
aumento das proporções alcançadas pela doença; tem-se procurado diminuir o impacto
negativo da enfermidade (MOLENA-FERNANDES.C.A. 2005).
De acordo com Sartorelli (2006):
O Nurses Health Study, conduzido com 84.941 mulheres americanas,
observou que a ausência de tabagismo, prática de trinta minutos de
atividades físicas diária, manutenção de peso e padrão alimentar habitual
rico em fibras e ácidos graxos poli saturados, pobre em gorduras saturadas e
ácidos graxos trans com baixo índice glicêmico reduziu em 91,0% o risco de
desenvolver o DM tipo 2 após 16 anos de seguimento (SARTORELLI D. S.,
p.8, 2006)

Com base nessas informações, vemos como é importante investir nos fatores de
proteção que podem ser modificados por cada um de nós, resultando em uma menor
prevalência de DM tipo 2 (DM 2) por exemplo e em uma diminuição importante dos custos
relacionados a essa enfermidade.
Associada à tendência existente de aumento do risco de desenvolver Doenças Crônicas
Não Transmissíveis (DCNT), dentre elas o DM 2, notamos que a maioria das pessoas com
esse risco está com aumento de peso, de acordo com o Guia Alimentar para a População
Brasileira (2014). Quando obesas essas pessoas se tornam portadoras de uma doença
multifatorial e também com prevalência crescente em todo o mundo: a obesidade. Muitas
vezes, para populações com poder aquisitivo reduzido, torna-se mais acessível e mais
palatável ingerir uma dieta rica em alimentos processados e ultra processados, que já são
comercializados prontos para o consumo ou quase prontos, construindo dessa forma uma
refeição pouco nutritiva e pouco saudável. Ainda segundo o Guia Alimentar (2014), esse é um
dos fatores importantes que favorecem o aumento de peso.
Diante desse contexto, decidiu-se selecionar um grupo de pacientes com risco
moderado a muito alto de desenvolver DM 2 para educação em saúde, focando em
alimentação saudável e em atividade física regular, fazendo no início e após cinco meses de
7

compartilhamento de informações relacionadas ao projeto, análise qualitativa (entrevista


individual) e quantitativa (peso, IMC, circunferência abdominal e exames laboratoriais) para
verificar se houve mudança positiva com relação ao processo de mudança de hábitos.
8

2 PROBLEMA

O DM 2 corresponde a cerca de 90% dos casos de Diabetes e tem se tornando mais


frequente não só em idosos ou adultos de meia-idade, mas também em jovens adultos e em
crianças. Sua elevada prevalência está relacionada à dieta ocidental (rica em carne vermelha,
leite e derivados integrais, carboidratos simples e pobre em frutas e verduras) que têm cada
vez mais aumentado sua disseminação e ao sedentarismo. (MOLENA-FERNANDES.C.A.
2005).
Na área de abrangência onde foi executado o projeto de intervenção “prevenindo
diabetes”, foi possível notar uma importante presença de pessoas com sobrepeso ou obesas e
de pessoas sedentárias. Isso nos incentivou a realizar atividades de educação em saúde
visando auxiliar as pessoas nesse processo tão desafiador de tornar seus hábitos de vida
menos danosos para a própria saúde. Questionamos então se o compartilhamento de
informações sobre o DM2 e o acompanhamento destes processos é capaz de contribuir para
mudanças no comportamento alimentar e no relativo à atividade física das pessoas, ajudando
na diminuição do risco de desenvolver DM 2 neste grupo.
9

3 JUSTIFICATIVA

Este Projeto de Intervenção deseja intervir em uma amostra de pacientes, visando


fornecer informações e orientações; e acompanhamento no processo dinâmico de construção
de hábitos saudáveis, visando redução do risco de desenvolver DM 2, contando com suporte
mínimo nos momentos de recaída e nos recomeços. Com essa valorização dos fatores de
proteção, poderemos verificar após os cinco meses de acompanhamento se houve resultado
positivo.
Foram selecionadas mulheres por exercerem papel de liderança e por serem
provedoras de cuidados nas famílias e nas comunidades, muitas vezes como chefes de família.
Há uma tendência de as mulheres executarem com maior frequência as mudanças alimentares,
por exemplo, interferindo mais na alimentação de todos da casa. Baseado na maior frequência
de ida ao posto pelas mulheres, é mais provável que as pacientes participem das atividades
quando comparado aos homens, tendendo a participarem do projeto por pelo menos cinco
meses, totalizando pelo menos 14 momentos voltados para educação em saúde.
10

4 OBJETIVOS

4.1 Objetivo Geral

Compartilhar informações-chave sobre DM 2 e mudanças do estilo de vida,


contribuindo para o aumento do interesse das pacientes em melhorar sua alimentação e em
praticar atividade física de forma regular, melhorando sua saúde e diminuindo o risco de
desenvolverem o DM 2.

4.2 Objetivos específicos

a) Identificar pacientes com risco moderado a muito alto risco de desenvolver DM 2;


b) Caracterizar adequadamente cada paciente;
c) Apoiar processo de mudança de estilo vida das pacientes;
d) Verificar a repercussão da Educação em Saúde no processo de mudança de estilo de vida.
11

5 METODOLOGIA

Esse estudo corresponde a um projeto de intervenção realizado com um grupo de


pacientes que residem em duas das quatro micro áreas de uma das duas equipes de saúde da
família existentes na UAPS Sítio São João, que fica localizada na regional VI do município de
Fortaleza, pertencente ao estado do Ceará.
Inicialmente, em setembro de 2021 foi aplicado por dois Agentes Comunitários de
Saúde (ACS) o questionário FINDRISK1, que estima o risco de se desenvolver o DM 2. Os
critérios de inclusão foram: mulheres de 19 a 49 anos com pontuação mínima de 12 pontos no
questionário FINDRISK. Os critérios de exclusão foram pacientes diabéticas e/ou com
pontuação inferior a 12 pontos e/ou fora da faixa etária especificada.
Foi obtido um perfil do grupo a partir das respostas ao questionário, ficando limitado
aos seguintes parâmetros: faixa etária das pacientes de 23 a 49 anos; apenas uma das pacientes
estava com IMC adequado, estando todas as outras com IMC acima de 30. Também apenas 1
paciente estava com circunferência abdominal (CA) adequada (78 cm). Sobre as outras, duas
tiveram CA de 95 e 98 cm; as demais variaram de 100 cm a 128 cm. Sobre o risco estimado
de desenvolver Diabetes, entre moderado e alto risco. Sete delas tinham histórico pessoal de
Hipertensão (uma delas teve pré-eclâmpsia e outra HAS Gestacional) e 7 não tinham histórico
de hipertensão. Todas tinham histórico familiar de DM 2.
Foram realizadas, também em setembro de 2021, entrevistas individuais com as
pacientes que aceitaram participar da pesquisa, quase todas de forma presencial, apenas uma
por vídeo chamada, tendo sido abordados os seguintes tópicos: explicação sobre o projeto
com mais detalhes, anamnese com identificação, história patológica pregressa, história
familiar, recordatório alimentar, informações sobre núcleo familiar, peso e circunferência
abdominal, verificação do estágio de motivação e prontidão em relação à prática de atividade
física e aplicação do questionário de prontidão para atividade física (PAR-Q), (GUSSO. G.
2019). Após as entrevistas, foram solicitados exames: Hemograma Completo, Glicemia em
jejum, Hemoglobina Glicada e perfil lipídico.
Foram somadas todas as informações obtidas e feita análise do perfil das pacientes,
sendo escolhidos temas a serem trabalhados para educação em saúde como, por exemplo:
Diabetes - Definição, fatores de risco e de proteção; Tipos de alimentos; Alimentação
Saudável; Importância da Atividade Física Regular; Fatores envolvidos no ganho e perda de
1
Disponível em [Link]
adulto/unidade-de-atencao-primaria/dm2-cronica/questionario-finnish-diabetes-risk-score Acesso em
setembro 2021.
12

peso, entre outros. Esses temas foram abordados por meio de informativos on-line e/ou
impressos e por áudios disponibilizados via Whatsapp de forma compartilhada no grupo de
Whatsapp formado. O conteúdo trabalhado foi compartilhado com frequência inicialmente de
forma semanal nos dois primeiros meses; quinzenal no terceiro e quarto mês; e mensal no
quinto mês.
Foi estimulado o feedback das participantes com relação às atividades por meio de
conversas de 15 a 20 minutos com intervalo de um a dois meses desde novembro de 2021 por
meio de vídeo-chamadas ou de forma presencial, podendo aplicar medidas antropométricas.
Essas informações geraram dados que foram organizados e comparados com novos que
surgiram durante o período de acompanhamento.
Ao final do processo, foram realizados encontros presenciais individualmente com
cada participante, tendo sido priorizados os questionamentos sobre o consumo de frutas e
verduras, o uso do açúcar, aferição de peso e medida da circunferência abdominal, para
comparação com os dados iniciais, além de verificação individual dos pontos positivos, dos
pontos negativos e das sugestões de melhorias. Foi aplicado um questionário com 12
questões, de acordo com o conteúdo compartilhado desde o início do projeto.
Foram identificados neste projeto os seguintes riscos:
1. Emocional, podendo ocorrer constrangimento durante uma entrevista ou uma
observação realizada individualmente ou em grupo;
2. Risco físico decorrente de procedimentos para a realização de exames
laboratoriais ou de exposição ao risco de contrair infecção pelo novo Corona
vírus durante ida à Unidade Básica para realização dos exames;
3. Risco social de não ser respeitada a disponibilidade individual para
participação ou constrangimento em meio ao grupo em alguma participação.

Esses riscos foram contornados através do cuidado durante a comunicação com as


participantes, procurando respeitar os valores individuais, bem como hábitos e costumes.
Além disso, foram disponibilizadas formas diferentes de participação no grupo, sendo o
formato presencial, a vídeo-chamada e o telefonema os mais escolhidos. Também foram
orientadas com relação às medidas de autocuidado contra a COVID-19.
O projeto teve, como benefício, a oportunidade de as participantes do grupo
conhecerem mais sobre o diabetes, sobre como tornar a alimentação mais saudável, sobre os
fatores envolvidos no ganho e na perda de peso; além de ter sido possível mostrar a
importância da atividade física regular. As pacientes a seu modo buscaram colocar em prática
13

o conhecimento adquirido, dando início ou continuação a um processo de melhoria da saúde,


incluindo elevação da autoestima.
Os aspectos éticos foram respeitados. Não houve discriminação na seleção das
participantes nem a exposição das mesmas a riscos desnecessários. O Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido foi lido pelas pacientes antes da entrevista inicial e todas
as pacientes estiveram de acordo com as informações presentes no termo, tendo as mesmas o
assinado e a maioria participado da pesquisa.
Foram garantidos a preservação dos dados, a confidencialidade e o anonimato das
pacientes que participaram da pesquisa. Quando o projeto utilizou dados secundários, como
por exemplo, dados de prontuários de pacientes (resultado dos exames), foi garantida a
privacidade destas informações.
O projeto foi avaliado e submetido a avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa da
Escola de Saúde Pública do Ceará, recebendo parecer favorável com CAAE:
46815021.4.0000.5037.

CRONOGRAMA

Etapas Início Término


Submissão do Projeto Inicial ao CEP fevereiro/2021 junho/2021
Submissão do projeto ao CEP (Emenda) 11/08/2021 02/09/2021
Treinamento da ACS para aplicação do questionário 03/09/2021 03/09/2021
FINDRISK
Aplicação dos questionários (coleta de dados) e seleção das 06/09/2021 23/09/2021
pacientes a partir da pontuação atingida no questionário
Entrevistas individuais com as pacientes selecionadas 24/09/2021 15/10/2021
Análise dos dados obtidos e planejamento do roteiro de temas 24/09/2021 15/10/2021
de Educação em Saúde a serem abordados
Atividades de educação em saúde semanais às terças-feiras 05/10/2021 29/11/2021
Atividades quinzenais às terças-feiras 30/11/2021 31/01/2021
Atividades mensais em janeiro e solicitação de exames a serem 01/02/2021 28/02/2022
realizados em fevereiro
Entrevistas individuais e coleta de dados antropométricos 14/02/2022 28/02/2022
Análise dos dados obtidos e comparação com dados iniciais; 21/02/2022 20/03/2022
relatório com resultados
Apresentação do TCC 21/03/2022 21/03/2022
14

ORÇAMENTO

ITEM VALOR R$
2 resmas de papel ofício R$44,00
2 cartuchos para impressão R$100,00
Horas trabalhadas pela pesquisadora 156h x 50 R$7.800,00
reais/hora
Horas trabalhadas pelo ACS 20h x 7,6 reais/hora R$152,00
2 litros de álcool em gel e máscaras R$150,00
Formatação do TCC R$100,00
Notebook R$3.000,00
Total R$11.346,00
15

6 RESULTADOS

Em setembro de 2021, foi aplicada a maioria dos questionários FINDRISK pelos


dois ACSs e as pacientes com pontuação maior ou igual a 12 pontos e que obedeciam os
critérios de inclusão foram convidadas a participarem do Projeto de Intervenção. Foram
selecionadas 18 pacientes, mas 1 delas estava com níveis glicêmicos elevados típicos de
Diabetes Mellitus (DM) e 3 delas desistiram antes da realização da entrevista.

Foi obtido um perfil do grupo a partir das respostas ao questionário FINDRISK. A


faixa etária das pacientes foi de 23 a 49 anos (8 delas com idade de 40 a 49 anos, 5 de 33 a 39
anos e 1 de 23 anos); apenas uma das pacientes estava com IMC adequado, estando todas as
outras com IMC acima de 30 (8 com obesidade grau 1, 3 com obesidade grau 2 e 2 com
obesidade grau 3). Também apenas 1 paciente estava com circunferência abdominal (CA)
adequada (78 cm). Sobre as outras, duas tiveram CA de 95 e 98 cm; as demais variaram de
100 cm a 128 cm. Sobre o risco estimado de desenvolver Diabetes, 7 delas tiveram moderado
risco e 7 tiveram alto risco. Sete delas tinham histórico pessoal de Hipertensão (uma delas
teve pré-eclâmpsia e outra HAS Gestacional) e 7 não tinham histórico de hipertensão. Todas
tinham histórico familiar de DM 2, sendo 5 de primeiro grau e 9 de segundo grau.
Após a seleção das pacientes, foi realizada entrevista individual com cada
participante, a maioria de forma presencial, apenas uma por vídeo chamada. A maior parte das
entrevistas foi realizada também em setembro de 2021. Foram obtidas informações
importantes por meio das entrevistas, algumas foram selecionadas e serão detalhadas. Sobre o
perfil educacional e socioeconômico, duas das 14 participantes estavam cursando graduação,
11 concluíram o ensino médio, 2 não concluíram o ensino médio e 1 não concluiu o ensino
fundamental. Doze das pacientes são casadas, têm filhos e todas elas têm família bi parental e
nuclear. Uma tem namorado e não tem filhos; e a outra é separada e cuida dos filhos. Cinco
das 14 pacientes são do lar, uma prepara massa para pizzas em um turno, uma é doméstica em
casa de família, uma cuida de um bebê, uma é operadora de caixa, duas são costureiras, três
trabalham em comércio próprio. A renda familiar variou de 375 reais a 4,5 salários mínimos,
gerando uma média de 2445 reais mensal.
Sobre o recordatório alimentar, a maioria das pacientes relataram consumir verduras
no máximo 3 a 4 vezes por semana, 3 consumiam apenas no suco verde e uma não consumia
devido questão financeira (comia apenas quando possível). Com relação ao consumo de
frutas, oito participantes consumiam 3 a 4 vezes por semana, cinco diariamente e uma apenas
16

quando possível. Sete das pacientes disseram que não deixam de fazer nenhuma das três
refeições principais. Para sete delas, o almoço era a principal refeição. Duas das 14 pacientes
(mãe e filha) relataram mais de 6 refeições por dia, ingesta de fruta uma vez ao dia, além de
caldo de feijão e/ou suco verde pela manhã, almoço volumoso, acompanhado de sobremesa,
pobre em verduras, além de lancharem salgados ou doces (doce de leite ou rapadura por
exemplo) e no jantar consumirem pizzas ou macarronada. Uma outra paciente se destacou por
adicionar bastante açúcar aos seus cafés, ter o hábito de comer recheados e doces com
frequência (doce com amendoim, rapadura, bombons e mel de cajú), além de beber cervejas
no final de semana. Uma das pacientes (a que tem a menor renda) tinha uma dieta pouco
variada (café com biscoito) e associada a consumo frequente de alimentos como salsicha e
mortadela. Duas delas tinham intolerância à lactose, mas tinham alimentações bem diferentes
uma da outra, sendo uma delas variada e a outra bem monótona e pouco nutritiva, ingerindo,
por exemplo, suco em pó durante o dia. Cinco das 14 pacientes tinham uma alimentação
razoável, comendo frutas ou sucos/vitaminas da fruta com maior frequência do que
carboidratos simples e tendo uma alimentação mais variada e nutritiva, duas delas incluindo
batata doce e jerimum, quatro delas incluindo verduras (uma delas apenas nos finais de
semana e as outras quatro pacientes 3 a 5 vezes na semana). Uma das cinco pacientes se
destacou por ter a alimentação mais nutritiva, no entanto costumava não fazer a primeira
refeição do dia e não tinha horário certo para se alimentar e nem padrão de refeição no almoço
nem no jantar. A ingesta de frutas dela era bastante adequada, optando na maioria das vezes
pela fruta ao invés do suco ou vitamina, além de ter uma ingesta considerável e variada de
verduras, quando comparada a das outras pacientes. Cinco das 14 pacientes obesas são obesas
desde a infância.
Sobre atividade física, 11 das 14 pacientes estavam sedentárias. Dessas 11 pacientes,
10 estavam em estágio motivacional de contemplação e 1 delas em pré-contemplação. Apenas
três pacientes estavam fazendo atividade física e estavam no estágio de manutenção (uma
delas faz musculação cinco vezes por semana e a outra, além de musculação, faz ciclismo e
corrida, se exercitando cinco a seis vezes por semana; a outra faz exercícios aeróbicos guiados
por vídeos de Youtube) três vezes na semana. Quanto à pontuação no Questionário de
prontidão para atividade física (PAR-Q), seis não pontuaram, o que significa que não havia
empecilho aparente para a realização de atividade física. Cinco do total de pacientes
pontuaram 1, três delas devido transtorno em joelho, uma delas devido pré-eclâmpsia recente,
uma devido hipertensão. Outras três pacientes pontuaram 2, uma delas era hipertensa e tinha
transtorno em joelho e três eram hipertensas e portadoras de hérnia de disco.
17

Sobre os exames laboratoriais, 11 das 14 pacientes fizeram os exames em outubro de


2021, uma em novembro e uma em janeiro de 2022. Todas as pacientes tiveram Hemograma
Completo Normal. Doze das 14 pacientes tiveram glicemia normal e duas delas glicemia
compatível com pré-diabetes. Cinco das 14 pacientes tiveram Hemoglobina glicada em níveis
de pré-diabetes. Apenas 1 paciente teve LDL maior do que 160, estando 7 delas com LDL
acima de 100. Apenas duas das pacientes tiveram Triglicerídeos maiores do que 150.
Em novembro, houve estímulo para que as pacientes conversassem um pouco sobre o
quê houve de mudança após 1 mês e meio do início da entrega dos informativos e todas elas
aceitaram conversar.
Algumas pacientes fizeram mudança com relação aos carboidratos seja reduzindo o
açúcar adicionado aos alimentos (5 pacientes), seja reduzindo o arroz ou macarrão (5
pacientes) ou optando entre os dois (2 pacientes), seja optando pela fruta ao invés do suco (2
pacientes), seja reduzindo consumo de pão (2 pacientes). Uma das pacientes fazia doce de
leite diariamente, tendo diminuído bastante a frequência de produção do doce após
orientações, mas manteve rapadura após o almoço entre outros alimentos ricos em
carboidratos ao longo do dia. Uma outra paciente reduziu o consumo de salgados. Outra
estava optando mais por alimentos cozidos, embora mantivesse ingesta frequente de suco
artificial. Outra diminuindo biscoitos recheados e alguns doces, diminuindo o açúcar do café,
e tentando trocar a cerveja pelo vinho, comendo fruta diariamente (1x/dia) e mantendo
consumo de verduras quando possível. Sobre a ingesta de verduras, quatro aumentaram o
consumo de verduras, uma delas reduzindo verduras ricas em carboidratos e aumentando o
consumo de folhas verdes. Sobre a ingesta de frutas, seis aumentaram o consumo e três
mantiveram consumo de 3-4 vezes na semana. Sobre a ingesta de proteína, as pacientes
costumavam tomar pouco leite e derivados no café da manhã, apenas uma com regularidade.
Sobre atividade física, quatro pacientes estiveram com estágio motivacional de
preparação (3 delas passaram da contemplação para a preparação), 3 mantiveram o estágio de
manutenção e o restante continuou na contemplação, incluindo a paciente que estava em pré-
contemplação anteriormente..
Em dezembro de 2021, foi estimulado o feedback das pacientes, mas devido as
pacientes terem pouco tempo disponível, apenas 5 delas conversaram sobre as mudanças
alimentares e sobre atividade física. A paciente que era a mais ativa do grupo reduziu bastante
suas atividades físicas (parou corrida e ciclismo e estava conseguindo ir fazer musculação 2 a
3 vezes na semana), pois a demanda por pizzas aumentou e ela teve que dobrar sua carga
horária de produção de massas que antes era de 4 horas por dia, ficando difícil conciliar
18

trabalho fora e dentro de casa e a realização dos exercícios físicos. Também passou a ter
pouco tempo para preparar verduras, tendo reduzido o consumo. Nas duas últimas semanas
estava ficando sem jantar, algo que já fazia, mas anteriormente com menos frequência.
Mantendo pouco açúcar no café, às vezes trocando o açúcar pelo adoçante. Conseguindo
incluir proteína pela manhã (queijo). Estava lanchando às vezes uma fruta, às vezes biscoito,
às vezes pão integral com recheio.
Outra paciente disse estar conseguindo reduzir mais um pouco o açúcar, além do pão
e salgados. Comentou que ela, a filha de 7 anos e o esposo estavam buscando melhorar a
alimentação e emagrecer, tendo a filha conseguido emagrecer. Falou que por a família estar
querendo objetivos parecidos, estava otimista em ter bons resultados. Estava comendo frutas
(manga, goiaba, melão, melancia, banana, uva, maçã) diariamente (4 vezes por dia há 1 mês e
meio). Com relação a verduras, afirmou consumo de repolho + pepino de 2 a 3 vezes por
semana há 2 semanas, às vezes com cenoura. Usando tomate e pimentão geralmente como
tempero. Conseguindo consumir queijo no café da manhã. Sobre atividade física, não tinha
conseguido fazer fisioterapia devido dor lombar (hérnias de disco), mantendo-se sedentária.
Estava otimista quanto a pelo menos conseguir manter o peso no período de festividades
costumeiras de dezembro e réveillon.
Outra paciente estava conseguindo comer fruta geralmente uma vez ao dia, às vezes
duas vezes ao dia. Conseguindo reduzir alguns carboidratos: pão, arroz, macarrão e açúcar.
Consumindo quase diariamente verdura (alternando salada verde ou batata com cenoura e
beterraba ou jerimum). Mantendo o jantar parecido com o almoço, mas em menor quantidade.
Mantendo consumo de proteína pela manhã (mingau com farinha láctea), no almoço e jantar.
Continuando a contemplar iniciar caminhada. Consumindo suco verde em uma das três
refeições principais. Filhos estavam obesos o que a estimulava a querer mudar ainda mais sua
alimentação para melhor.
Outra das cinco pacientes continua aumentando consumo de alface (come quase
diariamente) e diminuindo batata inglesa e outras verduras ricas em carboidratos, buscando
variar a ingesta de verduras. Comendo fruta pela manhã diariamente. Está diminuindo alguns
alimentos, devido piorarem a azia (batata inglesa, repolho, macaxeira, feijão, carne vermelha).
Tomando leite sem lactose quase diariamente e iogurte com pouca frequência. Comendo
doces com pouca frequência (passa 4 a 5 dias sem consumir). Conseguindo comer ovo uma
vez ao dia. À tarde, lanchando chá com adoçante ou suco às vezes com adoçante. Conseguiu
fazer uma pausa nas atividades laborais para descanso e falou que pretendia iniciar caminhada
em janeiro de 2022.
19

A última das cinco pacientes estava conseguindo comer frutas em geral uma vez ao
dia três vezes na semana, ameixas com maior frequência devido constipação. Consumindo
alface, tomate e cebola quase diariamente. Mantendo-se sem consumir biscoito de água e sal,
conseguindo consumir menos arroz e adicionando menos açúcar aos alimentos. No Natal, não
comeu muito. Pretendia pelo menos manter o peso no período do reveillon, ocasião em que se
juntaria à família em uma cidade do interior do Ceará. Ainda sem conseguir fazer atividade
física (nunca teve hábito de se exercitar) e é a única paciente das 13 pacientes que estava com
peso adequado. Todas as cinco pacientes não mudaram de estágio de motivação para
realização de atividade física.
Em janeiro, pacientes foram novamente estimuladas a dar um feedback em relação à
alimentação e à atividade física. Apenas uma não participou. Sete pacientes não se
alimentaram tão bem no período de natal e réveillon, tendo tido dieta hipercalórica. Oito
pacientes tiveram síndrome gripal em dezembro/2021 ou janeiro/2022, tendo sido
flexibilizada a alimentação. Todas estão buscando reduzir açúcar, mas apenas duas estão
usando esse item apenas no café, o qual também tem sido reduzido; e apenas uma das
pacientes não está adicionando açúcar aos alimentos. Apenas uma paciente trouxe o relato de
ter reduzido peso (3 kg) até então e apenas uma relatou estar achando que tinha aumentado de
peso. Quanto ao consumo de sobremesa ou doce, duas comem diariamente rapadura; uma
também consome o mesmo doce, mas com frequência menor (a cada 5 dias); duas consomem
chocolate a cada quinze dias; uma consome a cada uma a duas semanas doce de leite ou
cocada; uma consome de forma aleatória, mas pelo menos uma vez por dia. As outras sete
estão evitando consumo de doces. Duas pacientes relataram que quando estão ansiosas ou
preocupadas costumam aumentar principalmente o consumo de carboidratos como arroz,
macarrão e às vezes doces; uma delas fica oscilando peso entre 75 e 78 kg. Nove pacientes
disseram estar consumindo proteína pela manhã com regularidade.
Quanto ao consumo de frutas, nove pacientes consomem diariamente, uma delas
consome 4 frutas por dia; duas pacientes ficaram com a alimentação especialmente desregrada
e estão voltando a comer frutas e verduras com frequência que costumavam comer, uma delas
comendo três vezes por semana, uma delas come quando tem recursos para comprar frutas, o
que acontece com pouca frequência. Sobre o consumo de verduras, duas comem diariamente,
uma quase diariamente, cinco delas consomem cinco vezes por semana, duas consomem duas
a três vezes por semana, uma não consome, duas estão voltando a se alimentar bem como se
alimentavam antes das festividades.
20

Uma das pacientes trocou cerveja por vinho e relatou que estava há 3 semanas sem
tomar vinho, reduziu consumo de recheados e outros doces, tendo parado de consumir a
maioria deles, sendo que duas vezes na semana consome 10 unidades de cream crack, parou
consumo de salgados, vem tomando suco verde, na maioria das vezes coado, permanece
adicionando açúcar aos cafés, mas reduziu quantidade de açúcar (toma café três vezes ao dia).
No período pré-menstrual, costuma comer mais devido ansiedade. Estava ansiosa para
emagrecer, ainda não emagreceu, estava culpando o consumo de queijo por não ter
emagrecido. Duas pacientes (mãe e filha) continuam se alimentando bastante, mas
alimentação é saudável, não estão mais consumindo salgados, doce de leite, pizzas na semana.
No final de semana, consomem refrigerante e doce diferente da rapadura, da qual consomem
um pedaço uma vez ao dia durante a semana.
Sobre a motivação e prontidão para realização de atividade física, 3 pacientes
passaram do estágio de contemplação para preparação (todas iniciaram caminhada), 3 se
mantiveram na manutenção, embora tenham tido período de uma a três semanas sem se
exercitarem e as restantes permaneceram na contemplação. Tem uma parte lá nas
metodologias que deveria estar aqui, as questões que você identificou, emocionais e tal.
Em fevereiro, quinto mês de acompanhamento, foi realizado encontro presencial
individual com 13 das 14 participantes. Sobre o consumo de frutas, 12 das 14 pacientes,
comem frutas diariamente. Quanto ao consumo de verduras, 2 estão consumindo
diariamente, 3 estão consumindo cinco vezes na semana, 3 estão consumindo três vezes por
semana, 4 duas vezes por semana, 1 delas nenhuma verdura e 1 quando possível. Cinco
pacientes estão voltando a se alimentar de forma adequada, depois das festividades de
dezembro e janeiro, tendo retomado à alimentação prévia nas duas últimas semanas. Sobre o
consumo de açúcar, todas estão diminuindo o açúcar e preferem o açúcar ao adoçante.
Sobre o estágio de motivação para a realização de atividade física, 3 permaneceram
em manutenção, 2 passaram da preparação para a manutenção (uma fazendo caminhada
150min/semana e a outra academia 150min/semana), 2 passaram da contemplação para a
preparação (uma começou caminhada leve devido limitações de 100min/semana e a outra
iniciou musculação 150min/semana), uma passou da preparação para a contemplação e o
restante está em contemplação.
Quanto ao peso, 6 diminuíram de peso (500g a 3,3kg), 2 mantiveram o peso e 5
aumentaram (300g a 1,6kg). Uma das pacientes não teve a segunda aferição do peso, pois não
participou do encontro presencial. Quanto à circunferência abdominal, 7 diminuíram (1 cm a
7 cm), 2 mantiveram e 3 aumentaram (1 cm a 3,5 cm). Duas pacientes não puderam ser
21

avaliadas com relação à circunferência abdominal (uma delas não compareceu à entrevista
presencial inicial e a outra não compareceu à última consulta que foi presencial.
As pacientes elencaram como pontos positivos os seguintes: os assuntos abordados
nos informativos, as dicas no grupo de Whatsapp, a atenção e o apoio recebidos, mudanças
surgidas como resultado do acompanhamento, a facilidade para fazer os exames, a maior
criticidade diante de uma escolha alimentar e a oportunidade de ler textos variados. As
pacientes apontaram como lado negativo não ter ocorrido encontro presencial grupal. Sobre as
sugestões, foram citadas as seguintes: fazer encontros presenciais a cada mês ou a cada dois
meses, ver possibilidade de convidar outro profissional (ex: nutricionista) para conversar com
o grupo, o compartilhamento de receitas saudáveis e demonstração de formas de preparar
salada de verduras que sejam mais palatáveis, principalmente com folhas verdes. Uma das
pacientes fez um comentário devido o pouco tempo da mãe de família que muitas vezes é
quem prover o sustento, justificando o consumo de alimentos prontos ou congelados para
consumo, fato este que em vários aspectos contribui para o adoecimento de todos.
Sobre o questionário aplicado ao final do encontro presencial no mês de fevereiro, é
composto por 12 questões: 2 relacionadas a Diabetes Mellitus, 6 sobre alimentação e 4 sobre
atividade física. A pontuação variou de 5 a 11 questões. Houve 3 questões que foram
acertadas por todas as participantes e 1 que foi a menos acertada (apenas 3 acertaram).
22

7 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

De acordo com o perfil obtido após aplicação do formulário Findrisk, selecionamos o


seguinte grupo de pacientes, conforme tabela 1:

Tabela 1 Dados de Circunferência Abdominal e IMC

Paciente C. ABDOMINAL IMC RISCO DE EVOLUIR COM DM2

Paciente 1 78 cm 23 Moderado

Paciente 2 100 cm 32,9 Moderado

Paciente 3 109 cm 32,5 Alto

Paciente 4 95 cm 30,7 Moderado

Paciente 5 - 39,3 Alto

Paciente 6 116,5 cm 42 Alto

Paciente 7 102,5 cm 30,5 Moderado

Paciente 8 109 cm 33 Alto

Paciente 9 128 cm 37 Moderado

Paciente 10 109 cm 31,6 Alto

Paciente 11 98 cm 33 Alto

Paciente 12 110 cm 38,7 Moderado

Paciente 13 122 cm 42 Alto

Paciente 14 112 cm 33 Moderado


Fonte 1: autor

Segundo as diretrizes da ABESO (2016) convenciona-se chamar de sobrepeso o IMC


de 25 a 29,9 kg/m2 e obesidade o IMC maior ou igual a 30 kg/m2 e de excesso de peso
pessoas com o IMC maior ou igual a 25 kg/m2 (incluindo a obesidade). De acordo com esses
parâmetros, através da tabela 1, podemos notar que apenas uma das treze participantes não é
obesa, mas mesmo sem ter obesidade apresenta um risco moderado de evoluir com DM 2
assim como mais outras seis pacientes obesas. Disso verificamos que estar com o peso na
faixa da normalidade pode não significar risco menor de desenvolver o Diabetes, sendo
apenas um dos fatores associados.
23

Seis pacientes da tabela são portadoras de HAS (1,5,6,7,10 e 12). Cinco delas tem
risco alto de desenvolver Diabetes e apenas a paciente 1 tem risco moderado. Esse risco
menor está associado a IMC e circunferência abdominal dentro da normalidade.
De acordo com o critério da Federação Internacional de Diabetes, que estabelece
como ponto de corte para risco cardiovascular aumentado a medida de circunferência
abdominal igual ou superior a 94 cm em homens e 80 cm em mulheres, se obtém uma forma
de avaliar a gordura visceral que junto com o IMC se complementam e dão uma avaliação
sobre gordura corporal mais próxima da realidade do que utilizando apenas o IMC que tem
várias limitações e variações com relação à idade, sexo, etnias, entre outros (ABESO, 2016).
Apenas a paciente 1 está com a circunferência abdominal normal. Nota-se que a
paciente com maior CA tem risco moderado de desenvolver DM2, estando seis pacientes com
CA menor e risco de desenvolver DM2 alto.
As pacientes 4 e 11 são as mais ativas do grupo, estando no estágio motivacional de
manutenção e com risco moderado de desenvolver DM 2. As duas têm IMCs e CAs bem
diferentes uma da outra. A paciente 11 se alimentava com mais frequência, tinha uma dieta
variada e ainda comia mais carboidratos do que a paciente 4, que costumava se exercitar com
mais frequência e se alimentar de forma mais saudável, no entanto essa última teve um ganho
maior de peso do que a primeira, o que pode ser justificado pela dificuldade maior para
retomar hábitos saudáveis (fazia musculação, ciclismo e corrida, tendo reduzido a frequência
dos exercícios) em construção após festividades e de maior demanda de trabalho nos meses de
dezembro e janeiro.

Tabela 2 Acompanhamento com conversas mensais

Pacientes Conversa em Conversa em Conversa em Conversa em Conversa


Set/Out Novembro Dezembro Janeiro em
Fevereiro

Paciente X X X X X
1

Paciente X X X X X
2

Paciente X X X X
3

Paciente X X X X X
24

Paciente X X X X X
5

Paciente X X X X
6

Paciente X X X X
7

Paciente X X X
8

Paciente X X X X
9

Paciente X X X X
10

Paciente X X X X
11

Paciente X X X X
12

Paciente X X X X
13

Paciente X X X X
14
Fonte 2: autor

Foi dada a oportunidade de feedback individual em 5 ocasiões, tendo a maioria das


pacientes aproveitado 4 dessas oportunidades. Notou-se que o agendamento de feedback foi
mais rápido quando o convite foi realizado por meio de telefonema, com registro e
atualizações no grupo de Whatsapp. Essa estratégia foi utilizada nas quarta e quinta
oportunidades de conversação. Nos meses restantes (setembro/outubro e novembro), o
agendamento foi feito por meio da escolha de um horário disponível em uma lista de horários
disponibilizada no grupo de Whatsapp, sendo essa lista frequentemente atualizada.
25

Quadro 1 - Mudanças de estilo de vida

Consumo de verduras no início e no final do quinto mês

10 pacientes 3 a 4 vezes/semana 2 pacientes diariamente


3 pacientes somente no suco verde 3 pacientes 5 vezes por semana
1 paciente quando possível 3 pacientes 3 vezes por semana
4 pacientes 2 vezes por semana
1 paciente nenhuma verdura
1 paciente quando possível

Consumo de frutas no início e no final do quinto mês

8 pacientes 3 a 4 vezes por semana 12 pacientes diariamente


5 pacientes diariamente 1 paciente 3 a 4 vezes por semana
1 paciente quando possível 1 paciente quando possível

Estado de motivação para realização de atividade física


no início e no final do quinto mês

1 paciente em pré-contemplação 7 pacientes em contemplação


10 pacientes em contemplação 2 pacientes em preparação
3 pacientes em manutenção 5 pacientes em manutenção
Fonte 3: autor

Com relação ao consumo de verduras, em geral todas as pacientes vinham aumentando


o consumo, no entanto em dezembro e janeiro as participantes tiveram sua rotina modificada e
houve queda no consumo desses alimentos para cinco delas. Nessa época, houve aumento da
demanda de trabalho para algumas e também houve as festividades costumeiras (Natal e
Reveillon), ocasiões em que normalmente se flexibiliza a alimentação. Também nessa época,
algumas adoeceram e/ou algum familiar delas adoeceu, tendo as mesmas tido a preocupação
devido a possibilidade de ser a Covid a causa dos sintomas que tiveram. A maioria, nove das
pacientes, no entanto, aumentaram ou mantiveram o consumo de verduras, uma delas,
mantendo o consumo quando possível.
Quanto ao consumo de frutas, sete pacientes aumentaram o consumo, que se tornou
diário, cinco mantiveram consumo diário, uma manteve consumo 3 a 4 vezes por semana e 1
continuou com consumo quando possível. Observa-se que não houve prejuízo do consumo de
frutas, talvez porque algumas frutas já são prontas para consumo, não tendo que demandar
tempo para preparo.
Sobre o estágio de motivação para realização de atividade física, houve mudança
positiva ao se comparar o estágio inicial e final das pacientes. O número de pacientes em
26

estado de manutenção passou de três para cinco. Duas pacientes em contemplação passaram
para o estágio de preparação e uma em preparação voltou ao estágio de contemplação. Seis
pacientes se mantiveram no estágio de contemplação. A pausa de 15 dias nas atividades
físicas de três das pacientes em manutenção não foi valorizada, não tendo resultado em
mudança do estágio de motivação para realização de atividade física.

Tabela 3 Parâmetros de peso e circunferência abdominal inicial e final

Pacientes Peso Peso final Circ. Abd. inicial Cir. Abd. final
Inicial

Paciente 1 61kg 62kg 78cm 79cm

Paciente 2 77kg 78kg 100cm 103cm

Paciente 3 78kg 75,8kg 109cm 109cm

Paciente 4 80kg 81,6kg 95cm 98,5cm

Paciente 5 101kg 100kg - 116cm

Paciente 6 109,5kg 110kg 116,5cm 113cm

Paciente 7 83kg 83kg 102,5cm 101cm

Paciente 8 93,3kg - 109cm -

Paciente 9 96,3kg 93kg 128cm 124cm

Paciente 10 77,5kg 77kg 109cm 107cm

Paciente 11 81kg 79kg 98cm 98cm

Paciente 12 97,7kg 98kg 110cm 109cm

Paciente 13 101kg 98kg 122cm 120cm

Paciente 14 86kg 86kg 112cm 105cm


Fonte 4: autor

Com relação à comparação entre os pesos inicial e final, 6 pacientes diminuíram de


peso (500g a 3,3kg), 2 mantiveram o peso e 5 aumentaram de peso (300g a 1,6 kg), sendo que
uma das pacientes não participou da última atividade presencial, não tendo sido possível fazer
essa análise para ela.
27

Quanto à comparação entre as circunferências abdominal inicial e final, 7 pacientes


diminuíram a CA (1cm a 7 cm), sendo que a paciente que teve sua CA diminuída em 7 cm
estava no puerpério no início do projeto, podendo essa diminuição mais acentuada estar
relacionada à involução uterina e ao fato de ter amamentado exclusivamente nos 6 primeiros
meses. Duas pacientes mantiveram a CA e três pacientes aumentaram a mesma (1cm a
3,5cm).

Tabela 4 Índices de Glicemia e Hemoglobina Glicada iniciais

Paciente Data dos exames Glicemia em jejum Hemoglobina Glicada

Paciente 1 08/10/2021 81,1 5,2

Paciente 2 08/10/2021 84,1 5,8

Paciente 3 22/10/2021 103,8 5,6

Paciente 4 19/11/2021 85,6 5,5

Paciente 5 08/10/2021 85,4 5,8

Paciente 6 08/10/2021 89,9 5,8

Paciente 7 07/01/2022 82 5,7

Paciente 8 03/12/2021 93,6 4,7

Paciente 9 22/10/2021 102,8 5,9

Paciente 29/10/2021 97,1 5,4


10

Paciente 08/10/2021 99,7 5,7


11

Paciente 11/10/2021 87,2 5,5


12

Paciente 11/10/2021 93,2 5,3


13

Paciente 11/10/2021 85,5 4,7


14
Fonte 5: autor
28

Tabela 5 Índices de Glicemia e Hemoglobina Glicada finais

Paciente Data dos exames Glicemia em jejum Hemoglobina Glicada

Paciente 1 25/02/2022 84,9 5,3

Paciente 2 18/02/2022 81,9 5,5

Paciente 3 25/02/2022 85,3 5,8

Paciente 4 25/02/2022 84,3 5,5

Paciente 5 25/02/2022 94 5,8

Paciente 6 21/02/2022 77,2 5,0

Paciente 7 - - -

Paciente 8 25/02/2022 94,6 5,0

Paciente 9 21/02/2022 108,5 6,2

Paciente 21/02/2022 92,7 5,5


10

Paciente 25/02/2022 105,9 5,7


11

Paciente 21/02/2022 91 5,7


12

Paciente 25/02/2022 88,4 5,2


13

Paciente 21/01/2022 90,8 5,0


14
Fonte 6: autor

Excluindo a paciente 7 que não fez as duas coletas de exames e comparando as tabelas
4 e 5, vemos que o número de pacientes com pré-DM aumentou de 4 para 5 pacientes e
apenas a paciente 9 apresentou alteração tanto na glicemia em jejum quanto na Hemoglobina
Glicada.
Comparando as medidas, observamos que apenas 3 pacientes obtiveram redução tanto
da glicemia em jejum quanto da hemoglobina glicada, estando esses parâmetros destacados
em azul. No entanto, apenas 1 delas, a paciente 13 teve diminuição de peso de 3 quilos e
29

redução da CA em 2cm, as outras duas pacientes 2 e 6 aumentaram um pouco de peso (500g a


1kg) e quanto à CA, uma aumentou e a outra diminuiu a CA. Além disso, apenas 3 pacientes
conseguiram manter a hemoglobina glicada, estando os respectivos valores em amarelo.
Quanto à glicemia de jejum, 2 tiveram aumento e 1 diminuição do valor correspondente.
Somando essas pacientes, chegamos a 6 pacientes ou 46% do grupo (excluindo a paciente 7).
Sete das oito pacientes restantes ou 50% das pacientes tiveram aumento na
hemoglobina glicada, estando elas representadas pelas células brancas. Apenas 2 dessas
pacientes tiveram diminuição na glicemia de jejum. A paciente 7 só conseguiu fazer os
primeiros exames em janeiro de 2022, não tendo sido realizada nova coleta em fevereiro de
2022 para comparação de resultados.

Tabela 6 Índices de colesterol e frações iniciais

Paciente Data dos HDL LDL Triglicerídeos


exames

Paciente 1 08/10/2021 69,7 151,48 123,1

Paciente 2 08/10/2021 28,6 79,04 103,8

Paciente 3 22/10/2021 49,9 121,06 185,7

Paciente 4 19/11/2021 62,9 140 137

Paciente 5 08/10/2021 48,6 109 176,7

Paciente 6 08/10/2021 45,9 166,88 145,1

Paciente 7 11/01/2022 38 150,6 92,8

Paciente 8 03/12/2021 64,8 74,5 77

Paciente 9 22/10/2021 47,6 90,7 123,7

Paciente 10 29/10/2021 49,2 103,3 124,1

Paciente 11 08/10/2021 34,4 124,34 123,8

Paciente 12 11/10/2021 60 52,4 95

Paciente 13 11/10/2021 43,4 105,94 113,9

Paciente 14 11/10/2021 71,7 49,8 75,5


30

Tabela 7 Índice colesterol e frações finais

Paciente Data dos HDL LDL Triglicerídeos


exames

Paciente 1 25/02/2022 60,3 151,2 136

Paciente 2 18/02/2022 31,7 97,6 110

Paciente 3 25/02/2022 48,7 139,5 149

Paciente 4 25/02/2022 54,9 152,1 113

Paciente 5 25/02/2022 41,7 177,3 164

Paciente 6 21/02/2022 43,1 94,3 125

Paciente 7 - - - -

Paciente 8 25/02/2022 66,7 80,6 72

Paciente 9 21/02/2022 40,6 106,7 78

Paciente 10 21/02/2022 47,5 104,2 158

Paciente 11 25/02/2022 36,4 139,2 92

Paciente 12 21/02/2022 66,2 64,3 88

Paciente 13 25/02/2022 43,6 124 116

Paciente 14 21/02/2022 62,3 62,1 152


Fonte 7: autor

Retirando a paciente 7 do contexto, o número de participantes com HDL menor do que


50, oito no total, se manteve o mesmo. Houve aumento do HDL para 5 pacientes e, para as
restantes, houve diminuição. Essa diminuição pode estar relacionada à prática reduzida de
atividade física. Embora mais pacientes estejam praticando atividade física, elas começaram
ou reiniciaram há 20 a 40 dias, não sendo possível ainda verificar mudanças laboratoriais,
além de algumas continuarem em contemplação com relação à atividade física. Sobre o LDL,
11 pacientes apresentaram aumento nos valores, comparando as medidas. Quanto aos
triglicerídeos, houve um aumento de duas para três pacientes com dosagem de triglicerídeos
maior do que 150.
31

Tabela 8 - Mapa de acerto de questões

Questão do questionário Quantas participantes acertaram

Primeira questão 9

Segunda questão 9

Terceira questão 10

Quarta questão 7

Quinta questão 13

Sexta questão 3

Sétima questão 11

Oitava questão 9

Nona questão 13

Décima questão 9

Décima primeira 13

Décima segunda 11

Tabela 9 - Pontuação do questionário por assunto e total de cada paciente

Pacientes Pontos Pontos questões sobre Pontos questões Total de


questões sobre alimentação sobre atividade física pontos
DM

Paciente 1 1/2 5/6 3/4 9/12

Paciente 2 2/2 3/6 3/4 8/12

Paciente 3 1/2 4/6 4/4 9/12

Paciente 4 1/2 4/6 3/4 8/12

Paciente 5 2/2 5/6 4/4 11/12

Paciente 6 2/2 4/6 4/4 10/12

Paciente 7 1/2 5/6 4/4 10/12


32

Paciente 8 1/2 1/6 3/4 5/12

Paciente 9 1/2 4/6 3/4 8/12

Paciente 2/2 4/6 3/4 9/12


10

Paciente 1/2 4/6 4/4 9/12


11

Paciente 1/2 5/6 4/4 10/12


12

Paciente 2/2 5/6 4/4 11/12


13
Fonte 8: autor

Sobre os dados das tabelas 8 e 9, a maioria das pacientes respondeu adequadamente 8


a 10 questões de um total de 12 questionamentos. Uma acertou apenas 5 questões e duas
erraram apenas uma questão, tendo sido o resultado geral considerado bom. A paciente que
errou mais questões acertou apenas 1 questão de 6 questões sobre alimentação. 76% das
pacientes acertam a questão sobre ultra processado que é uma definição importante. Todas as
pacientes acertaram a questão que pedia para identificar o alimento que correspondia a uma
fonte de proteína e também a que trazia a definição de sedentarismo no enunciado. Todas
acertaram pelo menos uma questão de duas sobre diabetes. Apenas 15% das pacientes erraram
a última questão do questionário que questionava sobre as oportunidades de realizar atividade
física.
Apenas uma paciente errou a questão que questionava sobre o conceito de saciedade.
No entanto, cerca de 53% das pacientes erraram a quarta questão que solicitava identificar
qual dos alimentos se tratava de um carboidrato, um dos conceitos mais importantes a ser
assimilado. Apenas 23% das participantes acertaram a sexta questão que versava sobre
compulsão, conteúdo de um dos informativos.
33

CONCLUSÕES
Com relação aos resultados desse Projeto de Intervenção, podemos observar que o
compartilhamento de informativos e os momentos de conversa ou feedback das pacientes com
intervalo de 1 a 2 meses foram valorizados pelas mesmas, conclusões estas tiradas a partir dos
depoimentos e do nível de acerto de questões do questionário aplicado ao final da intervenção,
tendo a maioria das pacientes acertado mais de 60% dos questionamentos.
Sobre a alimentação, 57% aumentou ou manteve o consumo de verduras e 92% o
consumo de frutas. Já com relação à atividade física, no início apenas 21% das pacientes não
eram sedentárias e ao final do quinto mês, essa porcentagem aumentou para 50%.
No que diz respeito às medidas antropométricas, 61% das pacientes diminuíram ou
mantiveram o peso e 53% diminuíram a circunferência abdominal. Já com relação aos níveis
de hemoglobina glicada, dado laboratorial mais importante, apenas 46% das pacientes que
fizeram os exames iniciais e finais, diminuíram ou mantiveram os níveis de glicada, tendo a
maioria aumentado os níveis, o que pode estar relacionado à flexibilização da alimentação
ocorrida no início do ano, ao fato de três delas terem viajado e de outras terem adoecido ou
terem tido a necessidade de cuidar de familiares com síndrome gripal, além da diminuição da
frequência de realização de atividade física por algumas pacientes e ao início recente por parte
de outras, tendo também 50% das participante permanecido no estágio motivacional de
contemplação, algumas devido limitações físicas.
É necessário dar continuidade a esse Projeto de Intervenção que pelo pouco tempo de
execução, teve resultados considerados bons. Há de se verificar a viabilidade de continuidade
do grupo que poderá ser conduzido por outro (a) residente sob supervisão que vier a atuar na
UAPS Sítio São João. O grupo de mulheres tem interesse nessa continuidade e novas formas
de abordagem podem ser utilizadas como por exemplo encontros presenciais com o grupo,
contando com a colaboração de um(a) especialista (nutricionista, endocrinologista,
farmacêutico, educador físico) em alguns desses encontros e aplicação de pré-teste e pós-teste
nas ocasiões.
34

REFERÊNCIAS

ABESO. Diretrizes Brasileiras de Obesidade. 4ª ed, 2016. Disponível em:


[Link]

DERAM, Sophie. O Peso das Dietas. Ed Sextante, Rio de Janeiro, p. 168/169, 2018.

GUSSO Gustavo; LOPES José Mauro C.; DIAS Lêda Chaves. Tratado Medicina de Família e
Comunidade. Vol I - 2ª ed., Editora Artmed. Porto Alegre, 2019.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª ed., Brasília, 2014.

_____________________. Questionário Finnish Diabetes Risk Score. Disponível em


[Link]
atencao-primaria/dm2-cronica/questionario-finnish-diabetes-risk-score Acesso em setembro 2021.

MOLENA-FERNANDES, Carlos Alexandre et al. A importância da associação de dieta e de


atividade física na prevenção e controle do Diabetes mellitus Diabetes mellitus tipo2. Acta
Scientiarum. Health Sciences, vol. 27- n. 2, pp. 195-205, 2005.

SARTORELLI Daniela Saes; FRANCO Laércio Joel; CARDOSO Marly Augusto. Intervenção
nutricional e prevenção primária do diabetes mellitus tipo 2: uma revisão sistemática. Cad.
Saúde Pública. Rio de Janeiro, 2006.
35

APÊNDICE A – QUESTIONÁRIO APRENDENDO SOBRE SAÚDE

Nome:

Data:

Como deve estar a glicemia de uma pessoa sem diabetes?

a) A glicemia em jejum deve estar entre 100 e 126


b) A glicemia em jejum deve ser menor do que 100
c) A glicemia em jejum deve ser menor do que 50
d) A glicemia em jejum deve ser menor do que 126

Sobre a insulina, qual a afirmativa verdadeira?

a) É um hormônio que ajuda a distribuir o açúcar do sangue para as células


b) Insulina é um tipo de alimento
c) O obeso produz pouca insulina
d) A produção de insulina não está relacionada ao Diabetes.

Qual dos alimentos abaixo é um alimento ultraprocessado?

a) laranja
b) cenoura
c) carne salgada
d) sorvete

Qual desses alimentos é fonte de carboidrato?

a) abacate
b) peixe
c) tapioca
d) margarina

Qual desses alimentos é fonte de proteína?


a) ovo
b) café
c) manteiga
d) cenoura

Qual o item verdadeiro sobre compulsão?

a) a pessoa consegue controlar o quê e o quanto comeu


b) o paciente deve se sentir culpado pela compulsão
36

c) Está relacionada a dietas rigorosas


d) não há tratamento para compulsão

Como se chama a sensação de ter se alimentado o suficiente?

a) alegria
b) saciedade
c) resiliência
d) assiduidade

O que se deve fazer para aumentar a sensação de saciedade?

a) adicionar chia ou linhaça no preparo de tapioca


b) mastigar pouco os alimentos
c) servir-se de grandes porções
d) comer assistindo televisão

Como se chama o comportamento de não estar realizando atividade física?

a) Preguiça
b) Doença
c) Sedentarismo
d) Satisfação

Que atitude pode reduzir o comportamento sedentário?

a) Realizar trabalhos manuais sem intervalo


b) Passar muito tempo assistindo televisão
c) A cada hora de estudo, tirar 5 min para se deitar
d) Mobilizar-se por 5 min a cada hora de costura

Qual das orientações é adequada para realizar a atividade física

a) Não utilizar equipamentos adequados


b) Fazer atividade física em jejum
c) Provocar dor ou sofrimento
d) Fazer alongamentos

Qual é o item mais verdadeiro?

a) É importante fazer atividade física no deslocamento para o trabalho


b) É importante fazer atividade física no tempo livre
c) É importante fazer atividade física dentro de casa
d) Todas as alternativas acima estão verdadeiras.
37

ANEXO A

QUESTIONÁRIO FINDRISK

1) Idade: __________________
<45a 0 ponto
45-54a 2 pontos
55-64a 3 pontos
>64a 4 pontos

2) Índice de Massa Corporal


< 25 0 ponto
Peso _____ kg e altura _______ m 25 a 30 1 ponto
Peso/altura ao quadrado _____ Kg/m²
> 30 3 pontos

3) Medida da cintura _____


Mulheres Homens
0 <80 cm <94cm
ponto
3 80-88 94-102
pontos cm cm
4 >88 cm >102cm
pontos

4) Pratica diariamente atividade física por pelo menos 30 Sim _____ 0 ponto
min no trabalho ou durante o tempo livre (incluindo Não _____ 2 pontos
atividades da vida diária)?

5) Com que regularidade come vegetais e/ou fruta? Todos os dias _____ 0 ponto
Às vezes ______ 2 pontos

6) Toma regularmente ou já tomou a medicação para a Não ____ 0 ponto


hipertensão arterial? Sim ____ 2 pontos

7) Alguma vez teve açúcar elevado no sangue (ex. num exame Não ____ 0 ponto
da saúde, durante um período de doença ou durante a Sim ____ 2 pontos
gravidez)?

8) Tem algum membro da família próxima ou outros familiares Não ____ 0 ponto
38

a quem foi diagnosticado diabetes (tipo 1 ou 2)? Sim (Avós, tios, primo de
primeiro grau) ___ 3 pontos
Sim (Pais, irmãos ou filhos)
___ 5 pontos

Pontuação Total
Pontuação total Risco calculado de vir a ter diabetes tipo 2 dentro de 10 a
<7 Baixo: 1 em 100
7 - 11 Discretamente elevado: 1 em 25
12 - 14 Moderado: 1 em 6
15 - 20 Alto: 1 em 3
> 20 Muito alto: 1 em 2

Fonte: Utilização do FINDRISC no Rastreio da Diabetes em Utentes Assintomáticos (DANTAS. R.


2017).
39

ANEXO B

QUESTIONÁRIO DE PRONTIDÃO PARA ATIVIDADE FÍSICA (PAR-Q)

Questionário de prontidão para atividade física (PAR-Q) - deve ser respondido com SIM
ou NÃO
Alguma vez um médico ou profissional de saúde disse que você possui um problema de
coração e recomendou que fizesse atividade física com supervisão médica? ( )
Você sente ou já sentiu dor ou opressão no peito quando faz atividades físicas? ( )
Você sentiu dor no peito, sem fazer esforço, nos últimos meses? ( )
Você tende a cair ou a perder a consciência como resultado de tontura? ( )
Você tem algum problema ósseo, muscular ou articular que poderia ser agravado com a
prática de atividades físicas? ( )
Algum médico já recomendou o uso de medicamentos para a sua pressão arterial ou condição
cardiovascular (p. ex., diuréticos e outros)? ( )
Você tem conhecimento, pela sua própria experiência ou aconselhamento médico, de
alguma outra razão que o impeça de praticar atividades físicas sem supervisão médica? ( )
Fonte: Tratado Medicina de Família e Comunidade (GUSSO. G. 2019).
40

ANEXO C

TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (TCLE)


Você está sendo convidada para participar do estudo: “Educação em Saúde para Prevenção do
Diabetes Mellitus tipo 2 em uma Unidade de Atenção Primária” realizado por Eveline Sousa
Silva. Nesse estudo, pretendemos compartilhar informações-chave sobre Diabetes Mellitus
tipo 2 (DM2) e principalmente sobre mudanças do estilo de vida, contribuindo para o aumento
do interesse das pacientes em melhorar sua alimentação e em praticar atividade física de
forma regular. O motivo que nos leva a estudar esse assunto é o de prevenir o DM2 e suas
complicações.
Sua participação consistirá de seleção inicial por aplicação do questionário FINDRISK que
identificará mulheres com risco pelo menos moderado de desenvolver DM 2 na faixa etária de
19 a 49 anos (questionário aplicado pela Agente Comunitária de Saúde da microárea). Em
seguida, serão realizadas entrevistas por vídeo chamadas via whatsapp com as mulheres
selecionadas (será feita anamnese com identificação da paciente, história patológica pregressa
breve, história familiar, recordatório alimentar e aplicação do questionário de prontidão para
atividade física). Na ocasião, também serão solicitados exames: Hemograma Completo,
Glicemia em jejum, Hemoglobina Glicada e perfil lipídico. Na próxima etapa, serão
analisadas as informações obtidas e escolhidos temas que serão abordados inicialmente por
meio de informativos on-line e/ou impressos, por áudios disponibilizados via whatsapp de
forma privada ou compartilhada no grupo a ser formado ou reuniões presenciais a partir do
quinto mês de atividade. O conteúdo a ser trabalhado será compartilhado com frequência
inicialmente semanal nos dois primeiros meses, quinzenal nos próximos 2 meses e mensal a
partir do quinto mês. Será estimulado o feed-back das participantes com relação às atividades
realizadas. Concluído o sexto mês de acompanhamento, será feita nova entrevista, reavaliados
dados antropométricos (peso , circunferência abdominal e abordados no FINDRISK) e serão
repetidos os exames. Foram identificados os seguintes riscos: emocional, podendo ocorrer
constrangimento durante uma entrevista ou uma observação ou durante videochamadas ou
telefonemas ou ainda durante realização de medidas antropométricas; risco físico decorrente
de procedimentos para a realização de exames laboratoriais ou de exposição ao risco de
contrair infecção pelo novo coronavírus durante ida a Unidade Básica para realização dos
exames; risco social de não ser respeitada a disponibilidade individual para participação ou
constrangimento em meio ao grupo em alguma participação. Esses riscos podem ser
contornados através do cuidado com as palavras escolhidas ao se comunicar com cada uma
das participantes, procurando ser o mais atenciosa possível durante as conversas. Também
deve-se coletar as medidas antropométricas em ambiente reservado. Além disso, deve-se
orientar as medidas de auto-cuidado contra a COVID-19 e durante atividades presenciais
disponibilizar álcool e máscaras. O projeto tem, como benefício, a oportunidade de as
participantes do grupo conhecerem mais sobre o diabetes, sobre como tornar a alimentação
mais saudável, sobre os fatores envolvidos no ganho e na perda de peso; além de mostrar a
importância da atividade física regular. Se colocarem em prática o conhecimento adquirido,
isso poderá dar início a um processo de melhoria da saúde, da qualidade de vida das
pacientes, incluindo elevação da autoestima.
Você será esclarecido (a) em qualquer aspecto que desejar e estará livre para participar ou
recusar-se. A sua participação é voluntária e a recusa em participar não acarretará qualquer
penalidade ou modificação na forma em que é atendido (a) pelo pesquisador ou pela
instituição.
Serão garantidos o sigilo do seu nome e a privacidade dos dados coletados durante todas as
fases da pesquisa.
41

Você não terá nenhum custo, nem receberá qualquer vantagem financeira. Apesar disso, você
tem assegurado o direito a ressarcimento ou indenização no caso de quaisquer danos
eventualmente produzidos pela pesquisa.
Os resultados da pesquisa estarão à sua disposição quando finalizada. Seu nome ou o material
que indique sua participação não será liberado sem a sua permissão. Os dados e instrumentos
utilizados na pesquisa ficarão arquivados com o pesquisador responsável por um período de 5
anos e, após esse tempo, serão destruídos.
Este termo de consentimento encontra-se impresso em duas vias, sendo que uma via será
arquivada pelo pesquisador responsável, e a outra será fornecida a você.
Se você tiver alguma consideração ou dúvida, sobre a sua participação na pesquisa, entre em
contato com a pesquisadora responsável Eveline Sousa Silva, domiciliada em Av. Alm.
Maximiniano da Fonseca, 1190 – Ap 202 – Bloco A, vinculada à Escola de Saúde Pública do
Ceará e com seguinte telefone para contato: (85) 999423361 e com o Comitê de Ética em
Pesquisa da Escola de Saúde Pública do Ceará, localizado na [Link]ônio Justa 3161 -
Meireles, fone: 3101-1406 (Horário: 08:00-12:00 horas de segunda a sexta-feira).
Eu, __________________________________________________, portador(a) do documento
de Identidade _
___________________ fui informado (a) dos objetivos do presente estudo de maneira clara e
detalhada e esclareci minhas dúvidas. Sei que a qualquer momento poderei solicitar novas
informações e modificar a decisão de participar, se assim o desejar. Recebi uma via deste
Termo de Consentimento e me foi dada a oportunidade de ler e esclarecer as minhas dúvidas.

Fortaleza, ____ de ______________ de 20____ .

_____________________________________
Assinatura do(a) participante

_____________________________________
Assinatura do(a) pesquisador(a)

Nome da testemunha Data Assinatura

_____________________________________
Assinatura do(a) participante

_____________________________________
Assinatura do(a) pesquisador(a)

Nome da testemunha Data Assinatura


42

ANEXO D

INFORMATIVO SOBRE O GRUPO “PREVENINDO O DM 2

GRUPO PREVENINDO O DIABETES MELLITUS TIPO 2

Sejam bem vindas ao grupo Prevenindo o Diabetes Mellitus tipo 2! É com grande
alegria que será dado início às atividades de Educação em Saúde para as participantes
selecionadas. Com a participação de todas, o grupo se fortalecerá.
Iniciaremos a disponibilização do material informativo em 04/10/2021. Em outubro e
novembro, o compartilhamento de informativos será semanal. Em dezembro e janeiro, será a
cada 15 dias e a partir de fevereiro será mensal. O Projeto terá duração mínima de 6 meses,
indo no mínimo até fevereitro de 2022.
O material a ser compartilhado poderá ser um texto digitado, um áudio ou vídeo
gravado ou utilizando todos esses recursos juntos. O conteúdo das atividades inicialmente
será disponibilizado às segundas-feiras de outubro e novembro. Abaixo estão disponibilizadas
as datas de entrega dos informativos e/ou reuniões.

Outubro: 4,11,18,25
Novembro: 1,8,15,22
Dezembro: 6, 20
Janeiro 2022: 10, 27
Fevereiro 2022: 15

Poderá ser utilizado o espaço da Associação da Comunidade do Sítio São João, ao


lado do posto de saúde para reuniões. Também poderão ser realizadas reuniões online, a
depender do grupo.
Espera-se, com esse informativo, que algumas dúvidas tenham sido compreendidas.
Caso ainda haja dúvidas, pode-se entrar em contato com a Coordenadora do grupo.
43

ANEXO E

INFORMATIVO BOAS VINDAS

Seja bem vinda ao grupo “Prevenindo o Diabetes Melittus”

Esse grupo é formado por pessoas que querem mais informação sobre o Diabetes Melittus
(DM) e sobre o que pode ser feito para não se tornarem diabéticas.

Abaixo estão algumas informações sobre o DM:

1. Diabetes é uma doença crônica na qual o corpo não produz insulina ou não
consegue empregar adequadamente a insulina que produz.
2. Mas o que é insulina?
Por que essa tal insulina é tão importante?

Para que você possa caminhar, dançar, fazer as atividades do dia-a-dia você precisa de
energia, não é mesmo?

De onde vocês tiram essa energia? DOS ALIMENTOS

Tudo o que você come é processado pelo seu corpo para virar energia. Os alimentos que
têm muitos carboidratos, como pão, batata, massas e frutas, são transformados pelo nosso
corpo em um tipo de açúcar chamado glicose.

É AÍ QUE ENTRA A INSULINA


Ela é a responsável por liberar a energia desse açúcar, mantendo você ativa e em
movimento.
O que é a glicose? É o açúcar que fornece energia para todo o corpo.
O que é carboidrato? Carboidratos são, principalmente, açúcares e amidos que as células do
corpo usam como energia quando são transformados em glicose.
O que é insulina? É um hormônio que ajuda a distribuir o açúcar do sangue para as células
que precisam.

Vamos entender mais de perto como a insulina funciona?

Você come alimentos com carboidratos. Eles são digeridos e transformados em um tipo de
açúcar chamado glicose.
O açúcar entra no sangue para poder transmitir energia para todas as partes do seu corpo. O
pâncreas produz um hormônio chamado insulina que também entra no sangue.
A insulina ajuda a transportar o açúcar do sangue para todas as células do seu corpo.
Quando a insulina não consegue agir, a glicose não consegue ser utilizada e se acumula no
sangue causando a hiperglicemia que se for mantida leva a complicações.

Diferença entre Diabetes Mellitus tipo 1 e Diabetes Mellitus tipo 2

Diabetes Tipo 1 O diabetes tipo 1 acontece quando o corpo produz pouca ou nenhuma
insulina. Infelizmente ainda não sabemos por que o corpo começa
44

a parar essa produção.

Diabetes Tipo 2 é mais comum entre os adultos e acontece quando o corpo não fabrica
insulina o suficiente ou não consegue usar a insulina de forma correta? Normalmente, o
diabetes tipo 2 ocorre em pessoas com dietas inadequadas e com um estilo de vida de poucos
exercícios.

Para prevenção do DM 2, é necessário principalmente tornar a alimentação mais saudável e


praticar atividade física com regularidade, desafios que precisam ser perseguidos até
tornarem-se hábito.

Fonte: Encarte DM1 para crianças diabéticas.

ATIVIDADES:

● Ouvir áudio referente a esse assunto disponibilizado no grupo de whatsapp.


● Foram selecionadas nas entrevistas individuais 3 aspectos a serem melhorados. Se
fizer sentido para você, escolha um desses aspectos a serem modificados e persevere
para que a mudança possa contribuir para um estilo de vida mais saudável.
● Refletir sobre a diferença de um paciente com DM tipo 1 e outro com DM tipo 2.
45

ANEXO F

INFORMATIVO

Descomplicando a nutrição

Os grupos alimentares e os tipos de alimento

São três os grupos alimentares: construtores, energéticos e reguladores.


Todos os alimentos pertencem a pelo menos um desses grupos. O corpo precisa de
variedade para funcionar com seu potencial máximo. Se você respeita esses três grupos na
maioria das refeições, não precisa pensar muito, pois está nutrindo bem o seu corpo.
Vamos a eles.

● Energéticos: alimentos que são fonte de carboidratos e de gordura e fornecem a


energia necessária para a realização das funções básicas do organismo. Exemplos de
carboidratos: arroz, macarrão, batata, pães, farinhas, açúcar, mel, doces em geral.
Exemplos de gordura: óleos, azeite, manteiga, maionese, etc.

● Construtores: alimentos que são fonte de proteínas e promovem o crescimento e a


restauração dos tecidos (músculos, pele, unhas, cabelo, ossos, dentes e órgãos).
Exemplos: ovos, carnes de todos os tipos (boi, frango, peixes e porco), leite e
derivados (iogurte, queijos), leguminosas (feijões, grão-de-bico, lentilha).

● Reguladores: alimentos que são fonte de micronutrientes e compostos bioativos,


como vitaminas e minerais. As vitaminas e os minerais estão presentes em todas as
reações químicas do organismo, são responsáveis pela regulação do seu
funcionamento e participam dos ossos e dos tecidos. Exemplos: frutas, verduras e
legumes.

Alguns alimentos podem pertencer a mais de um grupo alimentar. É o caso oleaginosas


(nozes, castanhas, amêndoas), que fazem parte dos três grupos.
Além de conhecer os grupos alimentares, é interessante também considerar a qualidade
e o tipo de alimento de acordo com o grau de processamento. O novo Guia alimentar para a
população brasileira já tinha descrito quatro grupos de alimentos em função dos graus de
processamento. Em janeiro de 2016, a classificação NOVA foi publicada pela mesma equipe
brasileira e agora é usada mundialmente. Segue um resumo:

● Grupo 1: alimentos in natura são, essencialmente, partes de plantas ou de animais,


como carnes, verduras, legumes e frutas. Alimentos minimamente processados são
aqueles submetidos a processos que não envolvam agregação de substâncias ao
alimento original, como limpeza, moagem e pasteurização. Alguns exemplos são:
arroz, feijão, leite, frutas secas e sucos de fruta sem adição de açúcar ou outras
46

substâncias, castanhas (sem sal ou açúcar), ervas, farinha de mandioca, de milho, de


tapioca e de trigo. As massas frescas e secas, quando feitas só de farinha e água,
também estão incluídas no Grupo 1.
.
● Grupo 2: Ingredientes culinários processados. Esses alimentos são usados nas
cozinhas das casas ou de restaurantes para temperar e cozinhar alimentos. Em geral,
passam por processo de moagem, prensagem ou refino. Alguns exemplos: manteiga,
óleo vegetal, açúcar, mel e sal.

● Grupo 3: alimentos processados. Esses alimentos são fabricados pela indústria com a
adição de sal e açúcar para torná-los duráveis, com um gosto melhor e atraentes. Esse
grupo inclui conservas em salmoura (ervilha, palmito, azeitonas, milho em lata),
compotas de frutas, carnes salgadas e defumadas, sardinha e atum em lata, queijos e
pães.

● Grupo 4: alimentos ultraprocessados. Os ultraprocessados são formulações


industriais que geralmente contam com pouco ou nenhum alimento inteiro. Eles
contêm aditivos que podem ser considerados cosméticos.
Alguns exemplos: salsichas, biscoitos, geleias, sorvetes, chocolates, molhos, mistura
para bolo, barras energéticas, sopas em pó, macarrão e temperos instantâneos, “chips”,
refrigerantes, produtos congelados e prontos para aquecimento, como massas, pizzas,
hambúrgueres e nuggets2.

Como estamos até agora?


O que você tem modificado na sua alimentação?
Está conseguindo manter?

2
Adaptado de trecho do capítulo 2 Descomplicando a Nutrição do livro O peso das Dietas. (2016) e
Guia alimentar para a população brasileira, 2014.
47

ANEXO G

INFORMATIVO
ENTENDENDO FATORES RELACIONADOS AO CONTROLE DO PESO
O PODER DO CÉREBRO
De acordo com estudos, a determinação do peso é um processo bastante complexo e
regulado centralmente pelo cérebro. Não são o estômago nem o metabolismo que definem
nossa massa corporal. Na verdade, o cérebro é quem faz isso.
Então vamos refletir sobre o cérebro? Vamos entender o que podemos e o que não
podemos esperar dele?
Para simplificar, podemos considerar que o cérebro tem duas partes distintas:
● O córtex, que é a parte educada, inteligente, racional, que conhece seu idioma e,
às vezes, idiomas estrangeiros, que aprende a tocar um instrumento e que
também sabe um pouco sobre nutrição. É ele que quer dieta.
● A parte primitiva, que vamos chamar de “animal”, age de forma instintiva e
inconsciente e cuida da nossa sobrevivência. Ela controla mais de 80% do nosso
comportamento; é o piloto automático responsável por nossas necessidades
básicas, como respirar, dormir, ir ao banheiro.
Por exemplo, graças ao cérebro animal, não precisamos nos lembrar de respirar e
assim liberamos o córtex para outras funções, como falar, pensar e raciocinar.
Quando enfrentamos uma dificuldade que o cérebro considera que pode afetar nossa
sobrevivência, ele aciona mecanismos de adaptação provavelmente inatos e programados ao
longo de milhares de anos, quando as condições de vida eram bem diferentes das de hoje.
Muito tempo atrás, os homens viviam em cavernas. Não havia geladeira. A comida era pouca.
Havia, entretanto, momentos de fartura, como o dia da caça de um animal ou a época das
frutas. Sobrevivia à escassez de alimento quem havia armazenado gordura e, portanto, tinha
energia para sobreviver.
Tudo indica que o nosso cérebro primitivo continua até hoje enxergando gordura
como proteção. E, com certeza, não enxerga a magreza como algo desejável. Assim, quando
sente um estresse interno, o cérebro pode acionar os genes envolvidos com o armazenamento
de gordura.
O cérebro reage a milhares de informações externas e internas. Quanto mais você
tentar controlar e obrigar seu corpo a ir por um caminho que não é equilibrado para ele, mais
vai assustar seu organismo e seu cérebro. Invariavelmente, isso leva a alterações na sua saúde
e você corre o risco de ter flutuações de humor e ganho de peso maior do que originalmente
determinado por sua genética.
Atividades:
● Ouvir áudio sobre como o cérebro percebe a perda de peso
● Ouvir áudio sobre os lutadores de sumô
● Ouvir áudio sobre uma dupla de gêmeos estudada
48

ANEXO H

INFORMATIVO
ENTENDENDO FATORES RELACIONADOS AO CONTROLE DO PESO
Importância da Microbiota

Você não está sozinho nessa jornada rumo a uma alimentação mais saudável. Você
tem a sua microbiota intestinal com você.
O que é a microbiota? É o conjunto de microrganismos (não só bactérias) que
povoam o trato gastrointestinal (TGI) humano e que, em condições normais, não nos causam
doenças.
A nossa capacidade de extrair energia dos alimentos difere de acordo com a nossa
microbiota. Pode ser que o mesmo alimento tenha calorias diferentes em pessoas diferentes.
Os microorganismos trabalham incansavelmente para nos auxiliar a manter a nossa
saúde e em troca eles só pedem um ambiente seguro e alimentação adequada, mas a gente não
vem oferecendo isso para eles ao longo das últimas décadas.

Exemplos de fatores que atuam contra a nossa microbiota:

Antibiótico para qualquer dor de garganta


Poluição ambiental
Quantidade enorme de aditivos químicos presentes nos alimentos
Monotonia Alimentar (falta de variedade na dieta)

Ao longo das últimas décadas a partir do processo de industrialização dos


alimentos a gente vem deixando de lado o consumo dos nossos alimentos mais tradicionais e
em troca a gente vem consumindo cada vez mais alimentos ultraprocessados e estes alimentos
são formados basicamente pelos mesmos tipos de elementos, o que contribue para a
monotonia alimentar e para a menor diversidade da microbiota.

Uma alimentação mais rica em alimentos naturais e minimamente processados,


baseada em comida caseira e comida fresca garante a oferta de fibras alimentares e compostos
bioativos que são os principais ingredientes que vão garantir a diversidade da nossa
microbiota, tornando-a mais saudável.

Grande quantidade de doenças estão relacionadas a uma microbiota pouco


diversificada, dentre elas está a obesidade.

Abecedário da microbiota saudável:

Amamente - o aleitamento materno é um dos principais fatores associados à estrutura de um


microbioma mais saudável, por isso promover, proteger, incentivar o aleitamento materno
para que essa mãe consiga amamentar exclusivamente até os 6 meses e complementando até
os dois anos de idade ou mais é fundamental para que essa criança no começo da vida forme
uma microbiota saudável que vai acompanhá-la ao longo de toda a vida.
49

Brinque - O contato com a natureza, com animais de estimação, com solo, com rios é
fundamental pra promover essa maior diversidade microbiana seja na infância ou ao longo de
toda a vida.

Cozinhe - Quando a gente cozinha, a gente consegue selecionar melhor os alimentos que nós
iremos consumir, a gente come mais comida fresca, comida caseira e consequentemente a
gente tá comendo mais alimentos naturais e minimamente processados.

Diversidade - é importante que a gente tente comer alimentos variados, se desafie a comer
um alimento diferente todos os dias. Devendo incluir alimentos fermentados, alimentos-fonte
de probióticos, de pré-bióticos naturalmente como iogurtes, queijos, pães com moderação, os
mais diferentes produtos fermentados que a gente tem disponível e que a gente deve inseri-los
como parte da nossa alimentação.

Equilíbrio - entre os mais diversos grupos alimentares, o equilíbrio vai ser essencial para
garantir a microbiota.

Fonte: Manifesto Obesidade. Autora: Maria Carolina Santos Mendes

Questionamentos para reflexão:

Como está sua saúde intestinal?


Está se hidratando bem? Qual a cor da sua urina na maior parte do tempo?
Está comendo frutas e verduras?
Sua alimentação está variada?
O quê você pode fazer para melhorar sua saúde intestinal?
50

ANEXO I

INFORMATIVO
DICAS SOBRE ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

● A mastigação correta é até que você não consiga identificar o que você colocou na
boca individualmente.
● Evite adicionar açúcar aos alimentos. O excesso de açúcar gera aumento de peso,
acúmulo de gordura no abdômen e é prejudicial a saúde glicêmica. A mesma regra
para o sal.
● O ideal é consumir o alimento em seu sabor original, sem uso de açúcar ou adoçante.
Tente reduzir a quantidade gradativamente para sentir o verdadeiro sabor dos
alimentos.
● O excesso de sal e açúcar aumenta a retenção de líquidos.
● Variar a alimentação. Incorpore novos alimentos à sua vida. A variedade alimentar é o
sucesso do consumo de variados nutrientes.
● A água é um alimento essencial e deve ser consumida regularmente todos os dias. A
quantidade ideal é de 35ml por kg de peso.
● Evitar frituras, empanados, embutidos e industrializados. Lembre-se, presunto
somente em festividades. Estes alimentos são ricos em conservantes nitritos e nitratos
um dos maiores fatores de risco para câncer de estômago, evite esta exposição diária.
● Nos finais de semana, tente não cometer muitos excessos. A sua dedicação da semana
deve ser incorporada também ao final de semana.
● Usar todos os dias alho, cebola, orégano, aveia e biomassa de banana verde. Tem
efeito prébiótico, ou seja fortalece a sua flora intestinal.
● As fibras são fundamentais para o bom funcionamento intestinal, assim,
procure consumir o máximo de alimentos integrais.
● O consumo de boas fontes de óleos vegetais como o presente no abacate, no azeite e
nas oleaginosas (amendoim, castanhas, nozes,...) agem melhorando o seu colesterol e
suas produções hormonais.
● Oleaginosas (castanha de caju e castanha do Pará) são ricas em zinco e selênio, agem
melhorando pele, cabelo e unhas.
● Atum e sardinha. São ótimas fontes de proteína por ter menos gordura que a carne
vermelha e o frango, além de serem fontes de ômega 3.
● Para o consumo de verduras o ideal é cozinhá-las a vapor.
● A base dos sucos verdes é a couve . Portanto, faça cubinhos de gelo para facilitar na
preparação dos sucos. A receita é: 3 folhas inteiras de couve com 200ml de água para
encher uma cuba de gelo. Dependendo do volume da sua cuba pode sobrar ou faltar,
esta receita é para 16 cubinhos. A couve é rica em magnésio que é responsável por
estabilizar a estrutura do ATP (energia) além de ter alto poder detox, protetor do
fígado e melhorar a saúde do estômago e intestino.
● Dica para melhorar a pele: Misture ao seu azeite de oliva a mesma quantidade ou ⅓
de óleo de macadâmia (tem a venda em lojas de produtos nutricionais). Ele melhora a
hidratação da pele dando um aspecto de pele macia.
● Para consumir o feijão você deve deixar de molho de um dia para o outro em água
filtrada. Descarte a água que o feijão estava e utilize outra água para cozinhar.
Adicione uma folha de louro no cozimento. Esta técnica reduz a possibilidade do
feijão formar gases e melhora a digestão.
Autora: Nara Parente Nutricionista.
51

ATIVIDADES

Identificar quais dicas você já pode colocar em prática e colocá-las em prática.

Experimentar um suco verde no café da manhã. Comer junto com crepioca por
exemplo.

Exemplos de suco verde:

Suco Verde 1 - 1⁄2 maçã - 1 rodela grande de abacaxi - 1 folha de couve manteiga - 1
pedaço pequeno de gengibre - 1 colher de chá de semente de chia ou linhaça - 200 ml
de água de mineral
Suco Verde 2 - 1 kiwi - 1 folha de couve manteiga - 1 pedaço
pequeno de gengibre - 1 colher de chá de semente de chia ou linhaça - 200 ml de água
mineral
Suco Verde 3 - Suco de 1 limão - 4 rodelas de pepino - 1 pedaço pequeno de gengibre
- 1 colher de chá de semente de chia ou linhaça - 200 ml de água mineral
Suco Verde 4 - 1⁄2 maçã - 5 rodelas de pepino - 1 punhado de hortelã - 1 colher de chá
de semente de chia ou linhaça.

Crepioca recheada:
1 colher de sopa de goma + 1 colher de sopa de frango ou atum + 1 fatia de queijo minas ou
coalho + 1 colher de chá cheia de chia + 1 ovo inteiro. Mistura tudo e coloca na frigideira.

Biomassa da banana.
Ingredientes: 1 dúzia de bananas nanica ou prata extremamente verdes e duras
Modo de preparo: Separe as bananas e mantenha os talos; Higienize as bananas; Em uma
panela de pressão ferva a água; Assim que levantar fervura, adicione as bananas verdes, com
casca; Se sua panela de pressão for de 4,5 litros faça metade de cada vez; A água deve estar
fervendo para que haja o “choque térmico”; Tampe a panela e deixe em fogo alto até começar
a pressão. Assim que a pressão iniciar, diminua o fogo e conte 8 minutos; Desligue e retire a
pressão; Quando a pressão sair por completo, retire as bananas uma a uma e em seguida com
a ajuda de um garfo e uma faca, tire as cascas de cada banana quente; Coloque em um
liquidificador ou processador e bata (as bananas não podem esfriar), a massa (biomassa) fica
espessa; Se optar por liquidificador bata 3 bananas por vez para não forçar o motor; A
biomassa pode ser conservada na geladeira por até 4 dias em potes higienizados; Se preferir
congelar, assim que bater as bananas coloque-as em forminhas de gelo e deixe no freezer,
assim que congelar transfira para um pote hermético os cubinhos de biomassa e mantenha em
freezer por até 4 meses.
52

ANEXO J

INFORMATIVO

UM POUCO SOBRE ATIVIDADE FÍSICA/EXERCÍCIO FÍSICO

Qual a importância de lutar contra o sedentarismo?

O sedentarismo é um fator de risco modificável não só para as doenças cardiovasculares


(Infarto e AVC), como também para uma grande variedade de doenças e condições crônicas,
incluindo diabetes melito, câncer (cólon e mamas), obesidade, hipertensão, doenças
osteoarticulares e depressão.

Qual a diferença entre atividade física e exercício físico?

Atividade física (AF): qualquer movimento corporal produzido em consequência da


contração muscular que resulte em aumento do gasto energético do organismo em relação à
condição de repouso.
Exercício físico: atividade física planejada, estruturada e repetitiva visando à manutenção ou
à melhora da aptidão física.

As oportunidades para indivíduos adultos serem fisicamente ativos podem ser classificadas
em quatro domínios: no tempo livre (lazer), no trabalho, no deslocamento e no âmbito das
atividades domésticas. O indivíduo é considerado fisicamente inativo ou sedentário se
praticar menos de 150 minutos de Atividade Física (AF) moderada ou menos de 60 minutos
de AF vigorosa por semana, incluindo todos os quatro domínios. O sedentarismo no período
de lazer afeta aproximadamente 80% da população brasileira adulta, chegando a quase 97%
nas regiões Nordeste e Sudeste do país quando considerado apenas o tempo de atividades nas
horas de lazer. Vários estudos demonstram que ocorre melhora na taxa de morbidade e na
mortalidade dos adultos que praticam pelo menos 30 minutos de AF de intensidade moderada,
cinco vezes ou mais por semana.

Algumas orientações para a prática de Atividade Física:

● Ter alimentação e hidratação adequadas. Para a prática da Atividade Física, são


essenciais para se evitarem acidentes, lesões e outros agravos. Ingerir alimentos em pequena
quantidade e de alto teor energético (carboidratos, como pão ou barra de cereais), até 1 hora
antes do início do exercício (nunca praticar em jejum). Ingerir água ou outras bebidas
isotônicas de forma moderada antes, durante (200 mL a cada 20 minutos) e após o esforço
físico evita a hipoglicemia e a desidratação, tornando as pessoas mais aptas à atividade.

● Fazer alongamentos. Sempre antes de se iniciar qualquer tipo de Atividade Física, deve-se
alongar (10-30 segundos, em cada grande grupo muscular) e aquecer o corpo (p. ex.,
caminhada leve) por pelo menos 10 minutos, o que prepara o sistema cardiovascular para a
prática da AF, tornando-a menos extenuante e evitando complicações. O desaquecimento ou
período de recuperação (p. ex., caminhada leve por 5-10 minutos) e o alongamento após o
término da atividade são também importantes, pois evitam contraturas e dores musculares que
poderiam prejudicar novas sessões de AF. A pessoa deve estar adaptada e conhecer
previamente o tipo de AF que praticará, o que se consegue por meio do treinamento
progressivo.
53

● Não provocar dor ou sofrimento. O ideal é praticar a Atividade Física em uma


intensidade agradável e sem riscos para a saúde (no caso da caminhada, p. ex., deve-se andar
em um ritmo mais acelerado do que o normal, mas que permita conversar durante a
atividade). Dor, dispneia ou cansaço excessivo indicam que o ritmo está inadequado e deve
ser diminuído. Especial atenção deve ser dada para as crianças e aos adolescentes, que
possuem imaturidade física e psicológica, e para os idosos, geralmente portadores de
degenerações de tecidos e articulações, além de outras condições crônicas.

● Utilizar equipamentos (tênis, roupas e acessórios) adequados. Deve-se sempre fazer uso
deles de acordo com o tipo de atividade que se quer praticar, bem como para proteger de
complicações e acidentes. A roupa deve estar adaptada ao clima (roupas leves e que permitam
a troca de calor no verão; e proteção do tronco com moletom no frio). O tênis para
caminhadas e corridas deve ser mais alto na região do calcanhar, absorvendo melhor o
impacto, evitando sobrecargas musculares e articulares.

Fonte: Tratado de Medicina de Família e Comunidade Volume 1 Ano: 2019 Capítulo 77 Orientação à
Atividade Física
54

ANEXO L

INFORMATIVO

TIPOS DE EXERCÍCIO FÍSICO

Existem dois tipos básicos de exercícios físicos em relação ao consumo de energia


predominante na sua execução: aeróbios e anaeróbios. Os exercícios aeróbios utilizam
oxigênio no processo de geração de energia dos músculos. Eles são executados de forma não
muito rápida e trabalhando, com ritmo, os grandes grupos musculares – por exemplo,
caminhar, correr, nadar e pedalar. São os que trazem mais benefícios conhecidos para a saúde,
pois queimam reservas de gordura. Os exercícios anaeróbios se referem às atividades que
consomem energia nos tecidos musculares independentemente do oxigênio, sendo atividades
ritmadas, curtas e de intensidade alta. São exemplos desse tipo de exercício a musculação, os
saltos e as corridas de curta duração e alta velocidade; eles são utilizados para aumentar e
manter a massa muscular.

Os exercícios de flexibilidade, como os alongamentos musculares, auxiliam na


melhoria da amplitude dos movimentos articulares, que são um componente importante na
execução de atividades diárias (manter-se em pé, sentar, pegar objetos, etc.) e que
possibilitam, por exemplo, independência para os idosos. Sempre que possível, os exercícios
devem ser prescritos em associação com os aeróbios e os anaeróbios.

Fonte: Tratado de Medicina de Família e Comunidade Volume 1 Ano: 2019 Capítulo 77


Orientação à Atividade Física.

Confira 10 coisas que você precisa saber sobre atividade física:

1. A prática de exercícios, de intensidade moderada, durante meia hora por dia é


suficiente para que a pessoa deixe de ser sedentário. Estes 30 minutos podem ser
contínuos ou divididos em três períodos de 10 minutos cada.
2. O mais importante é que você pratique alguma atividade que se adapte ao seu estilo de
vida e que seja do seu agrado. Caso contrário, são muitas as chances de interrupções.
3. Pequenas modificações no dia a dia – como subir escadas, descer do ônibus um ponto
antes, passear com cachorro, varrer, cuidar do jardim, lavar o carro, etc. – podem
ajudar a movimentar mais e servir como um estímulo para o início de uma atividade
física diária
4. Os efeitos benéficos da atividade física são observados em pessoas que se exercitam
com regularidade. Aqueles com IMC entre 25 e 30 (sobrepeso), nestas condições,
podem ter um risco menor de desenvolver diabetes e outras doenças metabólicas do
que os sedentários.
5. De acordo com o United States Departament of Health and Human Services, é
importante que os adultos pratiquem duas horas de atividades anaeróbicas
(musculação localizada), por semana, além dos 30 minutos de caminhada intensa por
dia. Nos casos de pessoas com diabetes, hipertensão, obesidade e pessoas com
problemas no metabolismo ósseo, por exemplo, é preciso ter um cuidado especial na
55

escolha dos exercícios a praticar. Nestes casos, é imprescindível o acompanhamento


de um profissional.
6. Um minuto de atividade física intensa é igual a 2 minutos de atividade moderada.
Caminhada em ritmo acelerado, hidroginástica, passeio de bicicleta e jogo de tênis em
dupla são alguns dos exemplos para atividade moderada. Já a corrida, a natação, o
basquete e o ciclismo são consideradas intensas.
7. Durante a prática de um exercício físico é possível que haja uma redução na taxa de
glicose. O indicado, principalmente para pessoas com diabetes, é que carreguem
consigo algum tipo de carboidrato de rápida absorção (exemplo: frutas).
8. As atividades físicas melhoram a sensação de bem-estar, diminuem a ansiedade e a
probabilidade de depressão, por liberarem a serotonina (hormônio conhecido como
“molécula da felicidade”).
9. Dentre os benefícios da prática de exercícios estão: a diminuição do apetite, a melhora
do humor, a perda de gordura (emagrecimento), o enrijecimento dos músculos, a
melhora da imunidade e o retardo do envelhecimento.
10. Para crianças e adolescentes o ideal são 60 minutos de atividade aeróbica por dia
(recreativa), três vezes por semana e de grande intensidade.3

3
Disponível em [Link]
acesso em outubro de 2021.
56

ANEXO M

INFORMATIVO

MITOS E VERDADES - PERGUNTAS

Teste seus conhecimentos e veja se está bem informado sobre atividade física e alimentação.
Cuidado, as aparências enganam.

1. Os homens perdem peso mais facilmente do que as mulheres?


( ) Sim. A constituição física masculina favorece o emagrecimento.
( ) Não. Homens comem mais que as mulheres. Por isso, têm mais dificuldade
para cortar calorias e perder peso.
2. Ser um “atleta de final de semana” é pior que ser sedentário?
( ) Sim. Praticar exercícios intensos sem preparo físico é arriscado.
( ) Não. É preciso aproveitar o tempo livre para investir pesado nos esportes,
nem que seja apenas por uma horinha.
3. Para perder peso, o melhor é correr sob o sol e fazer musculação até pingar de suor?
( ) Sim. Suar significa eliminar peso. Afinal, 75% do corpo é formado por
líquidos.
( ) Não. O corpo sua para manter sua temperatura estável. Isso não tem nada a
ver com a queima de calorias.
4. Devo diminuir a quantidade de calorias ingeridas ao longo dos anos?
( ) Sim. Quanto mais velhos ficamos, mais difícil é queimar calorias.
Consumir sempre o mesmo tanto de comida vai resultar em quilos extras.
( ) Não. Deve-se manter uma alimentação reforçada à medida que a idade
avança, para fortalecer o corpo contra doenças.
5. O ditado “tenha o café-da-manhã de um rei, o almoço de um príncipe e o jantar de um
mendigo” está certo?
( ) Sim. Durante o dia, o corpo precisa de mais energia do que à noite.
( ) Não. O que importa é a qualidade dos alimentos que ingerimos, e não o
horário das refeições.
6. Se pular refeições, emagreço com mais facilidade?
( ) Sim. Quando se priva de o corpo de alimento por várias horas, ele queima a
energia estocada na forma de gordura.
( ) Não. Ao ser privado de comida, o organismo tenta se proteger e economiza
recursos. Essa atitude pode engordar.
7. Quem se exercita por causa da profissão, como o carteiro, tem uma rotina mais
saudável do que as pessoas que trabalham em escritório?
( ) Sim. A prática diária de atividades físicas é sempre benéfica para o corpo.
( ) Não. As atividades físicas devem ser feitas dentro de condições adequadas
e com um profissional qualificado. A bolsa do carteiro, por exemplo, pode
fazer mal para sua coluna vertebral.

Fonte: Informe publicitário Mitos e Verdades, do Conselho Federal de Educação Física.


57

ANEXO N

INFORMATIVO

Respostas das perguntas do informativo anterior

1. Sim. Eles tem mais músculos e metabolismo mais rápido. Homens engordam no
tronco e as mulheres nos quadris e é mais fácil, de modo geral, perder gordura da parte
de cima do corpo
2. Sim. Há risco de contusões. E quem doença cardíaca pode ter um infarto durante a
prática esportiva.
3. Não. O suor não elimina gordura. O peso que vai embora é recuperado através da
ingesta de líquidos.
4. Sim. Há perda de massa muscular e a capacidade de corpo de queimar calorias
diminue.
5. Sim. O metabolismo desacelera à medida que as horas avançam. Já a necessidade de
ingesta calórico é menor à noite.
6. Não. Quem fica várias horas sem comer acumula mais gordura, pois o organismo se
programa para suportar o jejum guardando energia nas células que armazenam
gordura.
7. Não. Andar pela cidade respirando monóxido de carbono e carregar peso por horas
prejudica a coluna.

Fonte: Informe publicitário Movimento, do Conselho Federal de Educação Física.


58

ANEXO O

INFORMATIVO

VOCÊ SABIA QUE AS ATIVIDADES FÍSICAS PODEM SER FEITAS EM


DIFERENTES INTENSIDADES?

A intensidade é o grau do esforço físico necessário para fazer uma atividade física.
Normalmente, quanto maior a intensidade, maior é o aumento dos batimentos do coração, da
respiração, do gasto de energia e da percepção de esforço.

Para saber qual a intensidade da atividade física que você está praticando, preste atenção em
como você se sente.

A intensidade pode ser:

Leve: exige mínimo esforço físico e causa pequeno aumento da respiração e dos batimentos
do seu coração. Numa escala de 0 a 10, a percepção de esforço é de 1 a 4. Você vai conseguir
respirar tranquilamente e conversar normalmente enquanto se movimenta ou até mesmo
cantar uma música.

Moderada: exige mais esforço físico, faz você respirar mais rápido que o normal e aumenta
moderadamente os batimentos do seu coração. Numa escala de 0 a 10, a percepção de esforço
é 5 e [Link]ê vai conseguir conversar com dificuldade enquanto se movimenta e não vai
conseguir cantar.

Vigorosa: exige um grande esforço físico, faz você respirar muito mais rápido que o normal e
aumenta muito os batimentos do seu coração. Numa escala de 0 a 10, a percepção de esforço é
7 e 8. Você não vai conseguir nem conversar enquanto se movimenta.

VOCÊ SABE O QUE É COMPORTAMENTO SEDENTÁRIO?

Comportamento sedentário envolve atividades realizadas quando você está acordado sentado,
reclinado ou deitado e gastando pouca energia. Por exemplo, quando você está em uma dessas
posições para usar celular, computador, tablet, videogame e assistir à televisão ou à aula,
realizar trabalhos manuais, jogar cartas ou jogos de mesa, dentro do carro, ônibus ou metrô.

Evite ficar em comportamento sedentário. Sempre que possível, reduza o tempo em que você
permanece sentado ou deitado assistindo à televisão ou usando o celular, computador, tablet
ou videogame. Por exemplo, a cada uma hora, movimente-se por pelo menos 5 minutos e
aproveite para mudar de posição e ficar em pé, ir ao banheiro, beber água e alongar o corpo.
São pequenas atitudes que podem ajudar a diminuir o seu comportamento sedentário e
melhorar sua qualidade de vida.

Fonte: Guia de Atividade Física para a População Brasileira 2021. Capítulos 1 e 4.


59

ANEXO P
INFORMATIVO

A LISTA DE COMPRAS

Fazer uma lista de compras ajuda você a se concentrar no essencial e a não se perder em
escolhas que resultam de propaganda ou promoções nem sempre vantajosas. Com tudo
anotado, você não corre o risco de esquecer de comprar os ingredientes necessários e ficar
sem o que preparar para o jantar.

Na sua lista de compras, inclua o máximo possível de alimentos verdadeiros de todos os


grupos alimentares. Priorize alimentos mais frescos e in natura - aqueles que ficam na seção
de frutas e verduras ou nas partes refrigeradas (carnes, peixes e laticínios) -, mas não esqueça
os produtos que podem ser guardados na despensa, como molho de tomate, atum, ervilha,
milho, etc. Se você estiver indo à feira, isso fica ainda mais fácil.

Veja na tabela abaixo alguns exemplos do que incluir na sua lista:

ALIMENTOS VERDADEIROS OU POUCO PROCESSADOS DE CADA GRUPO


ALIMENTAR

ENERGÉTICOS CONSTRUTORES REGULADORES

Carboidratos: macarrão e Ovos Hortaliças: tomate, pepino,


massas em geral, arroz, beterraba, berinjela, abobrinha,
batata, cuscuz, pão, tapioca, Carne: bovina, suína, de brócolis, cenoura, abóbora,
batata-doce,mandioca, frango, de cordeiro, de couve-flor, alho, espinafre,
farinhas (de trigo, de milho, peru chuchu, pepino, cebola, alface
de mandioca)
Peixe: tilápia, sardinha, Ervas: salsinha, cebolinha,
Gordura: azeite e manteiga cavala, atum, linguado, coentro
pescada, badejo, frutos do
mar Frutas: laranja, uva, mamão,
manga, maçã, melão, banana,
Laticínios: queijo, leite, melancia,ameixa, morango,
iogurte natural kiwi ...

Leguminosas (também
reguladoras): feijão,
lentilha, grão-de-bico,
ervilha, favas

Fonte: DERAM, Sophie. O Peso das Dietas. Ed Sextante, Rio de Janeiro, p. 168/169, 2018.
60

10 DICAS PARA COMER COM ATENÇÃO PLENA

● Coma conscientemente: escute sua fome e sua saciedade, seu apetite ou suas
vontades em função do momento que está vivendo. Ouça e respeite mais os sinais do
seu organismo em relação à fome e à saciedade.

Tenha horários de rotina para comer e procure segui-los: café da manhã, almoço,
lanche da tarde e jantar.

● Coma devagar: pare de comer durante cinco minutos no meio da refeição ou após ter
comido metade da comida no prato; pergunte-se se está saciado ou se ainda está com
fome. Coloque o garfo na mesa após cada bocado ou tente comer com o garfo na outra
mão.

Sirva-se de porções menores: assim você se dá o direito de se servir de novo se
ainda estiver com fome ou vontade. Use pratos, copos e talheres pequenos.

● Mastigue os alimentos por mais tempo: volte a colocar comida na boca somente
depois de terminar de mastigar e engolir o bocado anterior.

Aproveite o momento e arrume a mesa antes de comer.

● Respire bem e relaxe antes de comer: sente-se com o corpo levemente afastado da
mesa, para não se “debruçar” sobre o prato.

● Converse, tome golinhos de água, limpe os lábios, para aumentar sua percepção na
hora de comer.

● Deguste os alimentos como se estivesse descobrindo-os pela primeira vez.



Coloque uma música ambiente com um ritmo mais lento e coma ao som dessa
música; seu ritmo se tornará naturalmente mais calmo.

Fonte: Fonte: DERAM, Sophie. O Peso das Dietas. Ed Sextante, Rio de Janeiro, p.132 e 133, 2018.
61

ANEXO Q

INFORMATIVO

UM POUCO SOBRE COMPULSÃO

Comer demais ou exagerar de vez em quando é considerável normal e até saudável,


especialmente durante um evento social. É nosso jeito de festejar - afinal, não esqueça que
somos animais sociais. A maioria das pessoas enfrenta essa situação nos finais de semana ou
em ocasiões especiais. É normal não comer de maneira regrada e perfeita o tempo todo.
Comer além da conta nessas situações não configura compulsão.

O que é compulsão então?


A compulsão se caracteriza pela ingestão de grande quantidade de alimentos em um
período de tempo limitado (até duas horas), acompanhada da sensação de perda de controle
sobre o que ou quanto comer. Diante da perda de controle, é importante procurar ajuda
especializada. É muito difícil resolver sozinho essa questão, pois não se trata de fraqueza, de
falta de força de vontade ou de disciplina. É um distúrbio do cérebro, para o qual há
tratamento.
É difícil explicar o que é compulsão para alguém que nunca vivenciou ou estudou o
mecanismo. Gosto de usar a metáfora da respiração. Quando paramos de respirar, podemos
segurar o ar por um tempo, mas, de repente, vem uma inspiração salvadora que está além do
nosso controle. Isso ajuda a entender que a compulsão é um impulso devido às restrições e
está muito além da força de vontade. Essa perda de controle assustadora não é culpa da
pessoa, mas ela precisa de ajuda para sair desse círculo vicioso.
Vários estudos têm mostrado que as estratégias de alimentação consciente podem
ajudar a tratar transtornos alimentares e colaborar para a perda de peso.
Se você estiver nessa situação, talvez já tenha feito várias dietas e não tenha
conseguido manter o peso perdido, com compulsões que o deixam triste e com „a autoestima
bem reduzida. Existem técnicas para trabalhar e se livrar desse círculo vicioso. A primeira
delas é parar de fazer dieta restritiva.
Fonte: Fonte: DERAM, Sophie. O Peso das Dietas. Ed Sextante, Rio de Janeiro, p. 130 e 131,
2018.

Atenção: Caso haja alguma dúvida durante a leitura, entre em contato por Whatsapp.
62

ANEXO R

INFORMATIVO

PARA REFLETIR!

Como você leva a vida?

Vários mestres se reuniram para conversar sobre o desempenho de seus discípulos. Uma das
grandes inquietações dos mesmos era a falta de ânimo da maioria dos alunos …
Um dos mais sábios e que coordenava a reunião, tranquilizou os colegas dizendo:
● Amigos, vocês estão angustiados à-toa.
● Como assim? Você também não está preocupado com a inércia de nossos discípulos?
● Claro que me preocupo. Sei que somente bons discípulos chegam à sabedoria. Mas, o
que estou querendo dizer é que apenas precisamos descobrir a maneira como cada um
deles encara a vida.
● A vida simplesmente é vivida por eles - argumentou um dos sábios.
O mestre suspirou diante de tão óbvio comentário e disse calmamente, olhando nos olhos dos
colegas de ofício:
● A maneira como vivemos se assemelha a quatro amigos que partiram em uma viagem
pelo deserto. Na hora da partida cada um recebeu uma melancia. Três amigos
permaneceram juntos. Cada um arranjou logo um jeito de levar a sua melancia. Assim,
o primeiro optou por levá-la nas costas, o segundo na cabeça e o terceiro nas mãos.
Cada um em seu ritmo…
O sol forte do deserto gerava cansaço, enfado e abatia os ânimos. Suavam muito e tudo o que
eles queriam era um oásis.
Após algum tempo, o homem que carregava a melancia nas mãos cansou. Deixou-a no
caminho e passou a andar com leveza, mas, estranhamente sempre olhando para as mãos
vazias. No fundo, sabia que fizera besteira deixando a melancia pelo caminho.
O que conduzia a melancia nas costas já sentia fortes dores e adquirira o hábito de olhar para
baixo, desacostumando-se a contemplar o horizonte.
O que levava a melancia na cabeça sentia um peso e não parava de sentir um latejado na
mente… Sentia calor, mas a melancia fazia sombra e protegia sua cabeça. Não sentia os raios
solares, mas apenas o bafo quente.
● Desculpe-me, mas ainda não relacionei esse quadro ao jeito de ser de nossos
discípulos - resmungou um dos sábios.
● Pois viajem comigo àquele deserto. Fechem os olhos e imaginem a cena… A
melancia, amigos é a vida. Recebemos no início de nossa história - e com voz suave
continuou - quem carrega a vida nas costas anda sempre encurvado porque ela se
transformou em um fardo. São aqueles que só percebem no caminho angústias e
problemas que vão se multiplicando a cada dia. Isso faz com que não procurem
solução para nada. Acostumaram-se a viver conformados com os dissabores, jamais
ampliando a visão. Assim vivem muitos e muitos…
Os sábios permaneciam de olhos fechados, mas involuntariamente alguns levaram a mão às
costas, como para acalmar uma certa dor na coluna. O mestre apenas sorriu daquela ingênua,
mas tão reveladora atitude.
● Continue, mestre …
● O que levava a melancia na cabeça é semelhante aosque vivem no mundo das idéias.
A vida não lhes sai da cabeça, mas não sabem o que fazer dela. Eternos indecisos, não
tomam atitude porque são medrosos, vivem na teoria. O sol não bate forte, nem
63

queima o rosto...assim ficam na superficialidade das sensações. Sãqo aqueles que de


fato não vivem, são eternamente m,ornos.
O mestre mais uma vez sorriu e balançou a cabeça ao reparar que outro grupo de sábios
passava a mão na cabeça como para aliviar algum incômodo, e deu continuidade à inusitada
comparação:
● O terceiro homem, que logo cansou de carregar a melancia, equivale aos que cedo
cansam na vida. Andam por aí como zumbis, sem ânimo para nada. Têm convicção de
que deixaram algo precioso pelo caminho, mas não voltam para pegar. Os dias
passam, o sol nasce e se põe e continuamcaminhando de mãos vazias. Perderam a vida
e não conseguem reagir.
● Que triste viver assim, engolido pelo tempo - falou baixinho um antigo mestre que
nunca terminara de escrever 0os rascunhos de um livro
● Mestre… Quando o senhor começou a história, eram quatro viajantes. O que
aconteceu com o outro homem?
O mestre sorriu e abriu os braços:
● Simples, caros amigos! Aquele homem parou, abriu a melancia e seguiu caminhando e
saboreando cada pedacinho da saudável e gostosa fruta. É esse o uso que devemos
fazer da vida. Saboreá-la, degustá-la com vontade, alegria e sabedoria. Não é um
fardo, um peso, um abrigo. Não é para ser jogada fora, estragada… É para ser aberta,
desvendada e oferecida aos outros que passam pelo deserto. Todos nós somos
peregrinos pelo deserto.
Os sábios abriram os olhos e se entreolharam. De repente, a verdade veio à tona e um deles
falou seriamente:
● O senhor tem razão. De que adianta descobrir que a vida é tudo isso e muito mais se
não espalharmos pela humanidade a grande descoberta?
● Isso mesmo. Se os nossos discípulos jogam fora a vida ou não a vivem plenamente é
em grande parte porque nós, seus mestres, não estamos conseguindo divulogar com
clareza o sentido real que ela tem.

Profª Rejane Nascimento.


64

ANEXO S

INFORMATIVO

Como prevenir o Diabetes?

● Comer diariamente verduras, legumes e, pelo menos, três porções de frutas.


● Reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras.
● Parar de fumar.
● Praticar exercícios físicos regularmente, (pelo menos 30 minutos cinco vezes na
semana ou 50 minutos três vezes na semana).
● Manter o peso controlado.

Além dos fatores genéticos e a ausência de hábitos saudáveis, existem outros fatores de risco
que podem contribuir para o desenvolvimento do diabetes.

● Diagnóstico de pré-diabetes;
● Pressão alta;
● Colesterol alto ou alterações na taxa de triglicérides no sangue;
● Sobrepeso, principalmente se a gordura estiver concentrada em volta da cintura;
● Pais, irmãos ou parentes próximos com diabetes;
● Doenças renais crônicas;
● Mulher que deu à luz criança com mais de 4kg;
● Diabetes gestacional;
● Síndrome de ovários policísticos;
● Diagnóstico de distúrbios psiquiátricos - esquizofrenia, depressão, transtorno
bipolar;
● Apneia do sono;
● Uso de medicamentos da classe dos glicocorticoides.

O que é pré-diabetes?
Pré-diabetes é quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas
ainda não estão elevados o suficiente para caracterizar um Diabetes Tipo 1 ou Tipo 2. É um
sinal de alerta do corpo, que normalmente aparece em obesos, hipertensos e/ou pessoas com
alterações no colesterol.
Esse alerta do corpo é importante por ser a única etapa do diabetes que ainda pode ser
revertida, prevenindo a evolução da doença e o aparecimento de complicações, incluindo o
infarto e o AV.
No entanto, 50% dos pacientes que têm o diagnóstico de pré-diabetes, mesmo com as
devidas orientações médicas, desenvolvem a doença.
A mudança de hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso
para o controle.

Fonte: [Link]

Você também pode gostar