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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ INSTALAÇÕES ELÉTRICAS INDUSTRIAIS

INSTITUTO DE TECNOLOGIA
FACULDADE DE ENGENHARIA ELÉTRICA Profa. CARMINDA CÉLIA CARVALHO

CAPÍTULO 4: CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA

O fator de potência é a relação entre potência ativa e potência aparente e indica o


quanto a energia está sendo aproveitada em uma instalação, visto que se o fator de
potência for alto, há uma alto grau de eficiência energética e se for baixo evidencia
que a energia não está sendo bem aproveitada. A equação 4.1 indica como calcular o
fator de potência em uma instalação com cargas lineares:

P
𝐹𝑃 = = 𝐶𝑂𝑆𝜑 (4.1)
S

FP: fator de potência da carga;


P: componente da potência ativa, em Watts, e seus múltiplos (kW, MW, etc.);
S: componente da potência aparente, em Volt Ampère, e seus múltiplos (kVA, etc.);
𝐶𝑂𝑆𝜑: cosseno do ângulo entre a potência ativa e a potência aparente.
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CAUSAS DO BAIXO FATOR DE POTÊNCIA


• Motores de indução trabalhando a vazio durante longo período;
• Motores superdimensionados para suas atividades;
• Transformadores trabalhando a vazio ou com pouca carga;
• Reatores de baixo fator de potência no sistema de iluminação;
• Fornos de indução eletromagnética ou a arco;
• Máquinas de solda a transformador;
• Grande número de motores de pequena potência em operação;
• Equipamentos eletrônicos.

Os motores e transformadores, quando superdimensionados para a carga à qual


estão ligados, consomem uma quantidade de energia reativa relativamente grande,
quando comparada com a energia ativa, provocando um baixo Fator de Potência.
As lâmpadas de descarga (vapor de mercúrio, vapor de sódio, fluorescente, etc.),
para funcionarem necessitam do auxílio de um reator que, como os motores e os
transformadores, possuem bobinas ou enrolamentos que consomem energia reativa.
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4.1 CONSIDERAÇÕES SOBRE A LEGISLAÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA


₋ O fator de potência deve permanecer dentro do limite de 0,92 indutivo ou 0,92
capacitivo. Sua avaliação é horária durante 24 horas, excluindo-se os sábados,
domingos e feriados;

₋ Os excedentes da energia reativa indutiva consumida e da energia reativa


capacitiva fornecida à rede da concessionária pela unidade consumidora são
medidos e faturados, de forma obrigatória para os consumidores do grupo A;

₋ Avaliação horária: fator de potência calculado através dos valores de energia ativa
e reativa medidos a cada intervalo de 1 hora durante o ciclo de faturamento;

₋ Avaliação mensal: fator de potência calculado através dos valores de energia ativa
e de energia reativa indutiva medidos durante o ciclo de faturamento;

₋ A avaliação mensal é geralmente empregada para os consumidores que não


possuem equipamento de medição que permita a verificação do fator de potência
horário.
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A Resolução nº 414/2010, da ANEEL, trata das Condições Gerais de Fornecimento de


Energia Elétrica, estabelece ainda que:

• A distribuidora de energia elétrica deve estabelecer um período de seis horas


consecutivas compreendido entre as 23h30min e as 6h30min para verificação
do fator de potência horário capacitivo da unidade consumidora;

• No período de horas complementares deve ser verificado o fator de potência


indutivo da instalação, a cada intervalo de 1 hora.

Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, pág. 180
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AVALIAÇÃO HORÁRIA DO FATOR DE POTÊNCIA

Faturamento do Consumo de Energia Reativa Excedente

𝑛 0,92
𝐹𝑒𝑟𝑝 = 𝑡<1 𝐶𝑎𝑡 × − 1 × 𝑇𝑒𝑎𝑝 (4.2)
𝐹𝑝𝑝

𝐹𝑒𝑟𝑝 : faturamento de consumo de energia elétrica reativa excedente à quantidade


permitida pelo fator de potência de referência (0,92), por posto tarifário, (R$);
𝐶𝑎𝑡 : consumo de energia ativa medido em cada intervalo “t” de 1 hora, (kWh);
𝐹𝑝𝑝 : fator de potência da unidade consumidora, calculado em cada intervalo “t” de 1
hora, durante o período de faturamento;
𝑇𝑒𝑎𝑝 : tarifa de consumo de energia ativa, por posto tarifário, (R$/kWh);
t: indica intervalo de 1 hora, no período de faturamento;
p: indica posto horário, ponta ou fora de ponta, para as tarifas horossazonais;
n: número de intervalos de integralização “t”, por posto tarifário “p”, no período de
faturamento.
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Faturamento da Demanda de Energia Reativa Excedente

0,92
𝐹𝑑𝑟𝑝 = 𝑚á𝑥𝑡<1 𝑛 𝐷𝑎𝑡 𝑥 − 𝐷𝑓𝑝 × 𝑇𝑑𝑎𝑝 (4.3)
𝐹𝑝𝑝

𝐹𝑑𝑟𝑝 : faturamento de demanda de potência reativa excedente à quantidade permitida


pelo fator de potência de referência (0,92), por posto tarifário, (R$);
𝐷𝑎𝑡 : demanda de potência ativa medida no intervalo de 1 hora “t”, (kW);
𝐷𝑓𝑝 : demanda de potência ativa faturável, em cada posto horário “p”, (kW);
𝑇𝑑𝑎𝑝 : tarifa de demanda de potência ativa, por posto tarifário, (R$/kW);
máx: função que identifica o valor máximo da equação dentro do parênteses, em
cada posto horário “p”;
t: indica intervalo de 1 hora, no período de faturamento;
p: indica posto horário, ponta ou fora de ponta, para as tarifas horossazonais;
n: número de intervalos de integralização “t”, por posto tarifário “p”, no período de
faturamento.
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Cálculo do Fator de Potência Horário (Fpp)

𝐸𝑟𝑕
𝐹𝑝𝑝 = cos 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑔 (4.4)
𝐸𝑎𝑕

𝐸𝑟𝑕 : energia reativa indutiva ou capacitiva medida a cada intervalo de 1 hora (kVAr);
𝐸𝑎𝑕 : energia ativa medida a cada intervalo de 1 hora (kW).

Os valores negativos do faturamento de energia reativa excedente, Ferp , e de


demanda de potência reativa excedente, Fdrp , não são considerados.
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Exemplo 1:
Indústria metalúrgica com 3500 kVA de carga instalada, conectada em 13,8 kV, com
avaliação da carga consumida diária apresentada na Tabela 4.1, a seguir (valores
constantes para um período de 22 dias trabalhados). Contrato horossazonal azul.
Período de ponta: 17 às 20h.

- Demanda contratada fora da ponta: 2300 kW;


- Demanda contratada na ponta: 210 kW;
- Demanda registrada fora da ponta: 2260 kW (intervalo de integração de 15 min);
- Demanda registrada na ponta: 205 kW (intervalo de integração de 15 min).

Valores das tarifas:


- Tarifa de demanda fora de ponta: R$3,23/kW;
- Tarifa de consumo fora de ponta: R$0,03173/kWh;
- Tarifa de demanda na ponta: R$9,81/kW;
- Tarifa de consumo na ponta: R$0,06531/kWh.
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Tabela 4.1: Medidas de carga diária

Fonte: Mamede Filho, João.


“Instalações Elétricas
Industriais”, 7ª edição,2007,
pág. 182
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Observações:
- Excesso de energia reativa indutiva nos períodos de ponta e fora de ponta;
- Excesso de energia reativa capacitiva no período de 0 às 3h;
- Consumo total fora da ponta: R$66,56;
- Consumo na ponta: R$1,21.

De 0 a 1h:
0,92 0,92
Demanda calculada: 𝐷𝑎𝑡 𝑥 = 150 𝑥 = 418,2 kW
𝐹𝑝𝑝 0,33

Valor da tarifa de consumo:


0,92 0,92
𝐹𝑒𝑟𝑝𝑓 = 𝐶𝑎𝑡 × − 1 × 𝑇𝑒𝑎𝑝 = 150 × − 1 × 0,03173 = R$8,51
𝐹𝑝𝑝 0,33
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De 3 às 4h:
0,92 0,92
Demanda calculada: 𝐷𝑎𝑡 𝑥 = 140 𝑥 = 134,2 kW
𝐹𝑝𝑝 0,96

Valor da tarifa de consumo:


0,92 0,92
𝐹𝑒𝑟𝑝𝑓 = 𝐶𝑎𝑡 × − 1 × 𝑇𝑒𝑎𝑝 = 140 × −1 × 0,03173 = − R$0,19
𝐹𝑝𝑝 0,96

Nesse caso: 𝐹𝑒𝑟𝑝 = R$0,00 (valor negativo)

De 11 às 12h:
0,92 0,92
Demanda calculada: 𝐷𝑎𝑡 𝑥 𝐹 = 1900 𝑥 = 1986,4 kW
𝑝𝑝 0,88

Valor da tarifa de consumo:


0,92 0,92
𝐹𝑒𝑟𝑝𝑓 = 𝐶𝑎𝑡 × 𝐹𝑝𝑝
− 1 × 𝑇𝑒𝑎𝑝 = 1900 × 0,88
− 1 × 0,03173 = R$2,74
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De 12 às 13h:
0,92 0,92
Demanda calculada: 𝐷𝑎𝑡 𝑥 = 800 𝑥 = 1566 𝑘𝑊
𝐹𝑝𝑝 0,47

Valor da tarifa de consumo:


0,92 0,92
𝐹𝑒𝑟𝑝𝑓 = 𝐶𝑎𝑡 × − 1 × 𝑇𝑒𝑎𝑝 = 800 × − 1 × 0,03173 = R$24,30
𝐹𝑝𝑝 0,47

Nesse caso: 𝐹𝑒𝑟𝑝 = R$0,00 (fator de potência capacitivo)

De 15 às 16h:
0,92 0,92
Demanda calculada: 𝐷𝑎𝑡 𝑥 = 2200 𝑥 = 2224,2 kW
𝐹𝑝𝑝 0,91

Valor da tarifa de consumo:


0,92 0,92
𝐹𝑒𝑟𝑝𝑓 = 𝐶𝑎𝑡 × 𝐹𝑝𝑝
− 1 × 𝑇𝑒𝑎𝑝 = 2200 × 0,91
− 1 × 0,03173 = R$0,77
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De 17 às 18h:
0,92 0,92
Demanda calculada: 𝐷𝑎𝑡 𝑥 = 200 𝑥 = 216,5 kW
𝐹𝑝𝑝 0,85

Valor da tarifa de consumo:


0,92 0,92
𝐹𝑒𝑟𝑝𝑝 = 𝐶𝑎𝑡 × 𝐹𝑝𝑝
− 1 × 𝑇𝑒𝑎𝑝 = 200 × 0,85
− 1 × 0,06531 = R$1,08

Máxima demanda calculada fora da ponta: 2000 kW (8 às 9h)

Valor da tarifa de demanda:


𝐷𝑎𝑡 𝑥 0,92 0,92
𝐹𝑑𝑟𝑝𝑓 = − 𝐷𝑓𝑝 × 𝑇𝑑𝑎𝑝 = 2000 𝑥 − 2300 × 3,23 = − R$825,44
𝐹𝑝𝑝 0,90

Nesse caso: 𝐹𝑑𝑟𝑝𝑓 = R$0,00 (valor negativo)


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Máxima demanda calculada na ponta: 200 kW (17 às 18h)

Valor da tarifa de demanda:


𝐷𝑎𝑡 𝑥 0,92 0,92
𝐹𝑑𝑟𝑝𝑝 = − 𝐷𝑓𝑝 × 𝑇𝑑𝑎𝑝 = 200 𝑥 − 210 × 9,81 = R$63,48
𝐹𝑝𝑝 0,85

Faturamento final do excedente, considerando os ciclos de carga iguais para os 22 dias:

Ftot = Fdrpf + Fdrpp + Ferpf + Ferpp = 0,00 + 63,48 + (22 x 66,56) + (22 x 1,21) = R$1554,42
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AVALIAÇÃO MENSAL DO FATOR DE POTÊNCIA

Faturamento do Consumo de Energia Reativa Excedente

0,92
𝐹𝑒𝑟 = 𝐶𝑎𝑚 × − 1 × 𝑇𝑒𝑎 (4.5)
𝐹𝑝

𝐹𝑒𝑟 : faturamento do consumo de energia reativa excedente, (R$);


𝐶𝑎𝑚 : consumo de energia ativa mensal, (kWh);
𝐹𝑝 : fator de potência médio mensal da unidade consumidora;
𝑇𝑒𝑎 : tarifa de consumo de energia ativa, (R$/kWh).
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Faturamento da Demanda de Energia Reativa Excedente

0,92
𝐹𝑑𝑟 = 𝐷𝑎𝑚 𝑥 − 𝐷𝑓 × 𝑇𝑑𝑎 (4.6)
𝐹𝑝

𝐹𝑑𝑟 : faturamento da demanda de potência reativa excedente, (R$);


𝐷𝑎𝑚 : demanda de potência ativa mensal, (kW);
𝐷𝑓 : demanda de potência ativa faturável no mês, (kW);
𝐹𝑝 : fator de potência médio mensal da unidade consumidora;
𝑇𝑑𝑎 : tarifa de demanda de potência ativa, (R$/kW).
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Cálculo do Fator de Potência Médio Mensal (Fp)

𝐶𝑎𝑚
𝐹𝑝 = (4.7)
2 2
𝐶𝑎𝑚 :𝐶𝑟𝑚

𝐶𝑎𝑚 : consumo de energia ativa mensal, (kWh);


𝐶𝑟𝑚 : consumo de energia reativa mensal, (kVArh).
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Exemplo 2:
Instalação industrial de pequeno porte, cuja conta de energia é mostrada na figura a
seguir. Grupo tarifário convencional.

- Tarifa de demanda: Tda = R$4,19/kW;


- Tarifa de consumo: Tea = R$0,05307/kWh;
- Fator de Multiplicação do Medidor: FMM = 720;
- Demanda contratada: Dc = 170 kW;
- Demanda registrada: Dam = 200 kW.
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Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, pág. 184
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Cálculos:

Consumo de energia ativa:


Cam = (leitura atual – leitura anterior) x FMM
Cam = (230 – 120) x 720 = 79200 kWh

Consumo de energia reativa:


Crm = (leitura atual – leitura anterior) x FMM
Crm = (190 – 65) x 720 = 90000 kVArh

Fator de potência médio mensal:


𝐶𝑎𝑚 79200
𝐹𝑝 = = = 0,66
2
𝐶𝑎𝑚 : 𝐶𝑟𝑚 2 792002 : 900002
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Faturamento do consumo de energia reativa excedente:


0,92 0,92
𝐹𝑒𝑟 = 𝐶𝑎𝑚 × − 1 × 𝑇𝑒𝑎 = 79200 × − 1 × 0,05307 = R$1655,78
𝐹𝑝 0,66

Faturamento da demanda de energia reativa excedente:


0,92 0,92
𝐹𝑑𝑟 = 𝐷𝑎𝑚 𝑥 − 𝐷𝑓 × 𝑇𝑑𝑎 = 200 𝑥 − 200 × 4,19 = R$330,12
𝐹𝑝 0,66

Fatura total:
Ftot = Fdam + Feam + Fer + Fdr

Fdam: faturamento de demanda de potência ativa mensal, (R$);


Feam: faturamento de consumo de energia ativa mensal, (R$).

Ftot = 200 x 4,19 + 79200 x 0,05307 + 1655,78 + 330,12 = R$7027,04


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4.2 CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS DOS CAPACITORES - COMPONENTES


Caixa: invólucro da parte ativa, também conhecida como carcaça, confeccionada em
chapa de aço. Compreende as seguintes partes:

• Placa de identificação: contém os dados característicos do capacitor;


• Isoladores: terminais externos da unidade capacitiva;
• Olhais para levantamento: utilizados para alçar a unidade capacitiva;
• Alças para fixação: para fixar o capacitor na estrutura de montagem.

Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, pág. 188
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Armadura: constituída por folhas de alumínio enroladas em dielétrico, minimiza as


perdas do dielétrico e mantém as capacitâncias em seus valores nominais de projeto;

Dielétrico: formado por uma fina camada de filme de polipropileno especial,


geralmente associado a uma camada de papel dielétrico (papel kraft);

Líquido de Impregnação: atualmente é utilizado o Ecóleo 200 (hidrocarboneto


aromático sintético), substância biodegradável de estrutura constituída de carbono e
hidrogênio que não agride o meio ambiente;

Resistor de Descarga: responsável por drenar a carga elétrica armazenada no


capacitor quando a tensão é retirada dos seus terminais, evitando que se formem
tensões de contato perigosas entre os mesmos. Especificações:

• Tensão nominal < 600 V: o resistor deve reduzir a 5 V a tensão nos terminais
do capacitor em até 1 minuto;
• Tensão nominal > 600 V: o resistor deve reduzir a 5 V a tensão nos terminais
do capacitor em até 5 minutos.
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Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, pág. 189
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Capacitores monofásicos de média tensão Capacitores monofásicos componentes de


uma unidade trifásica de baixa tensão

Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, págs. 190 e 191
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Os bancos de capacitores de baixa tensão podem ser instalados no interior de


painéis metálicos, formando módulos com potência nominal definida e operados
automaticamente através de controladores de fator de potência. A figura a seguir
mostra um banco de capacitores automático de baixa tensão:

Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, pág. 191
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Os controladores de fator de potência são constituídos de componentes eletrônicos


e podem:
• Ser programados para ajuste rápido e fino do fator de potência;
• Efetuar rodízio de operação dos capacitores inseridos;
• Realizar a medição do fator de potência verdadeiro (true rms);
• Calcular a distorção harmônica total;
• Controlar as unidades capacitivas em estágios.

Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, pág. 192
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4.3 CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS DOS CAPACITORES

Potência Nominal Reativa: é aquela fornecida ao sistema quando o capacitor opera


em tensão e frequência nominais, a uma temperatura ambiente de até 20°C.

2 𝑥 𝜋 𝑥 𝑓 𝑥 𝑉𝑛 2
𝑄𝑐 = (4.8)
1000 𝑥 𝐶

𝑄𝑐 : potência nominal do capacitor, (kVAr);


𝑓: frequência nominal do sistema, (Hz);
𝑉𝑛 : tensão nominal, (kV);
𝐶: capacitância, (µF).

Tensão de isolamento até 660 V: capacitores monofásicos de até 30 kVAr e


trifásicos de até 50 kVAr;
Tensão de isolamento de 2,3 a 15 kV: capacitores geralmente monofásicos com
potências padronizadas de 50, 100 e 200 kVAr.
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Frequência Nominal: pode ser 50 ou 60 Hz, influenciando diretamente na potência


nominal do equipamento.

Tensão Nominal: especificada para capacitores monofásicos (entre fase e neutro) e


para capacitores trifásicos (entre fases).

- Para os capacitores utilizados em baixa tensão (sistemas industriais de pequeno e


médio porte), as tensões padronizadas para equipamentos monofásicos ou
trifásicos podem ser: 220, 380, 440 e 480 V;

- Para os capacitores utilizados em alta tensão as tensões padronizadas podem ser:


2300, 3810, 4160, 4800, 6600, 7620, 7967, 13200 e 13800 V;

- Capacitores para tensões superiores podem ser fabricados sob encomenda.


Tabela 4.2: Bancos
de Capacitores
Trifásicos de Baixa
Tensão da INDUCON

Fonte: Mamede Filho, João.


“Instalações Elétricas
Industriais”, 7ª edição,2007,
pág. 193
Tabela 4.3: Bancos de
Capacitores
Monofásicos de Baixa
Tensão da INDUCON

Fonte: Mamede Filho, João.


“Instalações Elétricas
Industriais”, 7ª edição,2007,
pág. 193
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4.4 LOCALIZAÇÃO DOS CAPACITORES

No Sistema Primário de Alimentação: permite a correção do fator de potência do


consumidor, com consequente liberação de carga do alimentador da concessionária.

- Nesse caso, os capacitores são localizados após a medição, no sentido da fonte


para a carga;

- O custo final de instalação, principalmente em subestações abrigadas, é


geralmente superior em relação a bancos de capacitores equivalentes localizados
na baixa tensão;

- Não permite a liberação de carga do transformador ou dos circuitos secundários da


instalação consumidora.
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No Secundário do Transformador de Potência: solução mais utilizada na prática,


por resultar em menores custos finais.

- Nesse caso, os capacitores são localizados no interior da Subestação Geral,


geralmente no barramento do QGF (Quadro Geral de Força);

- Permite a liberação de carga do transformador, mas não influencia muito nos


circuitos secundários da instalação consumidora, onde irá circular a corrente total
dos equipamentos;

- Devem ser desligados durante os períodos de parada de operação da indústria


(término do expediente, fins de semana e feriados), a fim de evitar sobretensões.
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Cálculo da potência do banco de capacitores para corrigir o fator de potência de


um transformador operando a vazio:

100 𝑥 𝐼𝑜
𝑥 𝑆𝑛𝑡
− 𝑃𝑜 2
𝐼𝑛𝑡
𝑄𝑐𝑡 = (4.9)
100

𝑄𝑐𝑡 : potência reativa necessária para elevar o fator de potência para FP = 1;


𝐼𝑛𝑡 : corrente nominal do transformador, (A);
𝐼𝑜 : corrente de magnetização do transformador, (A);
𝑆𝑛𝑡 : potência nominal do transformador, (kVA);
𝑃𝑜 : perdas a vazio do transformador, (kW).
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Nos Terminais de Conexão de Cargas Específicas: permite a correção do fator de


potência de forma localizada (correção individual), podendo ser aplicado em:

Motores Elétricos

- Nesse caso, o banco de capacitores deve ter a sua potência nominal limitada a 90%
da potência absorvida pelo motor operando a vazio (a corrente a vazio varia entre
20 e 30% da corrente nominal de um motor de IV polos, 1800 rpm);

- O capacitor pode ser manobrado através da mesma chave de ligação do motor


(opção mais econômica) ou de forma independente devendo, para isso, ser
desligado antes de se desligar o motor da rede de alimentação;

- Os condutores do circuito do banco de capacitores não podem ter a sua seção


nominal inferior a 1/3 da seção nominal do circuito do motor.
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Capacitor manobrado pela mesma chave Ligação do capacitor em motor acionado


de ligação do motor – partida direta por chave de partida estrela-triângulo

Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, págs. 190 e 198
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A potência reativa absorvida por um motor de indução aumenta muito levemente


desde a sua partida até a operação a plena carga. No entanto, a potência ativa absorvida
da rede cresce proporcionalmente ao carregamento do motor e aumento da corrente.
Esse comportamento resulta em variações no fator de potência do motor desde a
operação a vazio até a plena carga, como exemplificado a seguir:

Fonte: Mamede Filho, João.


“Instalações Elétricas
Industriais”, 7ª edição,2007,
pág. 198
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Exemplo 3:
Dimensionar o capacitor para correção do fator de potência de um motor de 100 cv,
380 V, IV polos, com manobra simultânea motor-capacitor.

Ip = 135,4 A;
FP = 0,87;
Corrente a vazio: Io = 27% x Ip

Cálculos:
Io = 0,27 x 135,4 = 36,6 A

Potência máxima do capacitor:


Qc = 90% x potência absorvida pelo motor a vazio
Qc = 0,9 x ( 3 x Vn x Io) = 0,9 x ( 3 x 0,38 x 36,6) = 21,7 kVAr
Tabela 4.4: Potência
máxima dos
capacitores ligados a
motores de indução

Fonte: Mamede Filho,


João. “Instalações
Elétricas Industriais”,
7ª edição,2007, pág.
197
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Máquina de Solda a Transformador

- Nesse caso, a potência máxima do capacitor (Qcm) deve ser:

Qcm = 0,5 x Stm (4.10)

Stm: potência nominal do transformador da máquina de solda, (kVA).

Máquina de Solda com Transformador Retificador

- Nesse caso, a potência máxima do capacitor (Qcm) deve ser:

Qcm = 0,1 x Stm (4.11)

Stm: potência nominal do transformador da máquina de solda, (kVA).


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4.5 APLICAÇÃO DE CAPACITORES-DERIVAÇÃO EM FASE DE PROJETO

Para determinar o fator de potência médio presumido durante a fase de projeto de


uma instalação industrial, é necessário conhecer:

• O ciclo de operação diário, semanal, mensal ou anual;


• A taxa de carregamento dos motores;
• As características técnicas dos motores;
• O cronograma de expansão das atividades produtivas.

O ciclo de operação pode ser definido para grupos homogêneos de cargas podendo-
se, em seguida, agrupar os vários conjuntos de cargas em função do seu período de
operação, geralmente diário. Permite formar a curva de carga correspondente ao
período considerado.
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Em relação ao levantamento de carga, as seguintes informações são necessárias:

• Motores:
- Tipo (indução, rotor bobinado ou síncrono);
- Potência em cv;
- Fator de potência;
- Número de fases;
- Número de polos;
- Tensão e frequência nominais.

• Transformadores:
- Potência nominal;
- Tensões primárias e secundárias;
- Impedância percentual;
- Corrente de magnetização;
- Perdas a vazio.
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• Iluminação:
- Tipo (fluorescente tubular, fluorescente compacta, vapor de sódio, multivapores);
- Tipo de reator (alto ou baixo fator de potência);
- Tensão nominal.

• Cargas Resistivas:
- Potência nominal em kW;
- Potência de operação em kW;
- Número de fases;
- Tensão nominal.

• Fornos:
- Tipo (indução eletromagnética, arco ou outro);
- Número de fases;
- Fator de potência;
- Tensão nominal.
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• Máquinas de Solda:
- Tipo (transformadora, motogeradora ou transformadora retificadora);
- Número de fases;
- Fator de potência determinado em teste de bancada;
- Tensão nominal.

Após o detalhamento da carga e levantamento do ciclo de operação, o projetista


deve determinar as potências ativa e reativa demandadas para o ciclo de carga
considerado e efetuar o traçado das curvas de demanda ativa e reativa, a fim de
estimar o fator de potência da instalação;

Se as cargas não-lineares instaladas corresponderem a mais de 20% da carga total


instalada, deve-se dimensionar filtros harmônicos para minimizar os componentes
harmônicos de maior intensidade.
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Determinação do Fator de Potência Estimado

- Método do ciclo de carga operacional: baseia-se na determinação dos consumos


previstos no ciclo de operação diário da instalação, projetado mensalmente. Após
a determinação dos consumos de energia ativa e reativa diários, esses valores são
projetados de acordo com os dias trabalhados ao longo de um mês comercial em
uma indústria com padrão bem definido de atividade. Com base no resultado
final, determina-se o fator de potência previsto para a instalação.

- Método analítico: baseia-se na resolução do triângulo das potências, onde grupos


de cargas com características semelhantes são considerados, calculando-se a sua
demanda ativa e reativa com base no fator de potência nominal. Após o cálculo
dos valores totais de demanda ativa e reativa, determina-se o fator de potência
conjunto para a instalação.
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Exemplo 4:
Indústria com ciclo de operação diário típico, com funcionamento de segunda a
sexta-feira, de 6 às 24h, atendida em alta tensão, tarifação horossazonal azul. Tensão
secundária nominal: 440 V. Fora do período de atividade típica, a indústria mantém
ligada apenas 10% da iluminação.
A iluminação prevê a utilização de reatores de alto e baixo fator de potência, com
as seguintes especificações:
- Reator simples para lâmpadas fluorescentes de 65 W: FP = 0,5 e perdas iguais a
11,9 W;
- Reator duplo para lâmpadas fluorescentes de 40 W: FP = 0,9 e perdas iguais a
24,1 W.

Os fatores de potência para os motores que operam a meia carga são:


- Motor de 125 cv: FP = 0,62;
- Motor de 40 cv: FP = 0,61.
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Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, pág. 200
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Determinação das demandas previstas:

• Setor A:
P = 20 x 10 x 0,736 = 147,2 kW
Q = P x tg [arccos (0,85)] = 91,2 kVAr

• Setor B:
P = 100 x 7,5 x 0,736 = 552 kW
Q = P x tg [arccos (0,81)] = 399,6 kVAr

• Setor C:
P = 25 x 15 x 0,736 = 276 kW
Q = P x tg [arccos (0,75)] = 243,4 kVAr

• Setor D:
P = (30 x 5 + 30 x 25) x 0,736 = 662,4 kW
Q = {30 x 5 x tg [arccos (0,83)] + 30 x 25 x tg [arccos (0,85)} x 0,736 = 416,3 kVAr
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• Setor E:
P = 15 x 15 x 0,736 = 165,6 kW
Q = P x tg [arccos (0,73)] = 155 kVAr

• Setor F:
2 𝑥 125:2 𝑥 40
P= x 0,736 + 61 = 182,4 kW
2
2 𝑥 125 𝑥 𝑡𝑔 arccos 0,62 2 𝑥 40 𝑥 𝑡𝑔 arccos 0,61
Q= + x 0,736 = 154,7 kVAr
2 2

• Iluminação:
150
800 𝑥 65 : 150 𝑥 40 : 800 𝑥 11,9 : 𝑥 24,1 : 130 𝑥 100
2
P= = 82,3 kW
1000
150
800 𝑥 11,9 𝑥 𝑡𝑔 arccos 0,5 : 𝑥 24,1 𝑥 𝑡𝑔[arccos 0,9 ]
2
Q= = 17,4 kVAr
1000
Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, pág. 203
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Fonte: Mamede Filho, João.


“Instalações Elétricas
Industriais”, 7ª edição,2007,
pág. 204
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Determinação do consumo diário e mensal de energia ativa e de energia reativa:

CkWhd = (8,2 x 6) + (1239 x 2) + (2066 x 8) + (1790 x 2) + (1404 x 2) + (910 x 2) + (358 x 2)


CkWhd = 27979,2 kWh/dia
CkWhm = 27979,2 x 22 = 615542,4 kWh/mês

CkVArhd = (1,7 x 6) + (905 x 2) + (1476 x 8) + (1233 x 2) + (1060 x 2) + (659 x 2) + (260 x 2)


CkVArhd = 20052 kVArh/dia
CkVArhm = 20052,2 x 22 = 441148,4 kWh/mês

Fator de potência médio mensal:

𝐶𝑘𝑊ℎ𝑚 615542,4
𝐹𝑝 = = = 0,81
2
𝐶𝑘𝑊ℎ𝑚 : 𝐶𝑘𝑉𝐴𝑟ℎ𝑚 2 615542,42 : 441148,42
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Exemplo 5:
Determinar o fator de potência associado à demanda máxima de uma instalação
industrial, cuja carga é composta de:

• 25 motores trifásicos de 3 cv, 380 V, IV polos, FP = 0,73;


• 15 motores trifásicos de 30 cv, 380 V, IV polos, FP = 0,83;
• 500 lâmpadas fluorescentes de 40 W, 220V, reator com FP = 0,4 e perdas = 15,3 W.

Cálculos:

Motores de 3 cv:

P = 25 x 3 x 0,736 = 55,2 kW
Q = 55,2 x tg [arccos (0,73)] = 51,7 kVAr
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Motores de 30 cv:

P = 15 x 30 x 0,736 = 331,2 kW
Q = 331,2 x tg [arccos (0,83)] = 222,6 kVAr

Iluminação:

500 𝑥 40 : 500 𝑥 15,3


P= = 27,6 kW
1000
500 𝑥 15,3 𝑥 𝑡𝑔 arccos 0,4
Q= = 17,5 kVAr
1000

Fator de potência médio mensal:

Ptotal = 55,2 + 331,2 + 27,6 = 414 kW


Qtotal = 51,7 + 222,6 + 17,5 = 291,8 kVAr

Stotal = 4142 + 291,82 = 506,5 kVA

FP = cos [arctg (291,8/414)] = 0,82


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4.6 APLICAÇÃO DE CAPACITORES-DERIVAÇÃO EM INDÚSTRIA EM OPERAÇÃO

Método dos Consumos Médios Mensais: válido para consumidores com avaliação
mensal do fator de potência, que também é fornecido na conta de energia elétrica.
Calcula-se a média aritmética dos consumos de potência ativa e reativa dos últimos 6
ou 12 meses. O fator de potência pode ser calculado através da equação 4.7:

𝐶𝑎𝑚
𝐹𝑝 = (4.7)
2 2
𝐶𝑎𝑚 :𝐶𝑟𝑚

𝐶𝑎𝑚 : consumo de energia ativa mensal, (kWh);


𝐶𝑟𝑚 : consumo de energia reativa mensal, (kVArh).
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Método Analítico: válido para consumidores com avaliação mensal do fator de


potência. Baseia-se na resolução do triângulo das potências, onde os valores de
potência ativa e reativa podem ser obtidos através de medições instantâneas em vários
períodos durante o ciclo de carga. Obtém-se, ao final, um fator de potência médio para
a instalação.

Método das Potência Medidas: utiliza aparelhos analisadores de energia, que podem
registrar valores de potência ativa, reativa e aparente, além de tensão, corrente,
frequência e energia ativa e reativa consumidas. Esses equipamentos calculam o fator
de potência da instalação e são capazes também de realizar análises harmônicas.

Normalmente adota-se um período de medição semanal, com duração mínima de 168


horas consecutivas, com intervalos de integração e registro de dados de 10 minutos. As
grandezas consideradas podem ser agrupadas em duas linhas de estudo:

- Grandezas de atendimento (concessionária): tensão de fase (fase-neutro), tensão


de linha (fase-fase), desequilíbrio de tensão e distorção harmônica total de tensão;
- Grandezas de consumo: fator de potência total, potência ativa total, potência
reativa total e potência aparente total.
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Analisador de Energia, Harmônicos e Oscilografia de Perturbações MARH-21 993

Alicates para corrente com escalas de 10 A e 100 A

Alicates para corrente nas escalas de 300 A 3000 A


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240

235 Vmax

230 Gráficos mostrando a tendência dos


Tensão de linha [V]

225
valores de tensão de linha e o
histograma semanal com valores de
220
tensão de linha, medidos entre as fases
215
Vmin A e B de uma instalação industrial.
210

205
15/5/11 16/5/11 17/5/11 18/5/11 19/5/11 20/5/11 21/5/11 22/5/11
11:10 11:10 11:10 11:10 11:10 11:10 11:10 11:10
Data e Hora Freqüência % cumulativo

160 120%
140
100%
120
Nº de Registros

% Cumulativa
80%
100
80 60%
60
40%
40
20%
20
0 0%
217,0875

231,6901
218,0001
218,9128
219,8255
220,7381
221,6508
222,5634
223,4761
224,3888
225,3014
226,2141
227,1268
228,0394
228,9521
229,8648
230,7774

232,6027
233,5154
234,4281
235,3407
Mais
Vab [V]
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4.7 APLICAÇÃO ESPECÍFICA DOS BANCOS DE CAPACITORES

Liberação de Potência Instalada: capacitores instalados no lado de baixa tensão de


uma instalação para reduzir a potência reativa fornecida através da subestação aliviam
a carga dos transformadores, liberando potência aparente. Dessa forma, pode-se
instalar novas máquinas sem a necessidade de ampliação da potência da subestação. A
capacidade de potência liberada pode ser calculada de acordo com a equação 4.8:

𝑄𝑐 2 𝑥 𝑐𝑜𝑠 2 𝜑1 𝑄𝑐 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1
𝑆𝑙 = 1− 2 + − 1 𝑥 𝑆𝑡 (4.8)
𝑆𝑡 𝑆𝑡

𝑆𝑙 : potência liberada em transformação, (kVA);


𝑄𝑐 : potência dos capacitores utilizados, (kVAr);
𝑆𝑡 : potência instalada em transformação, (kVA);
𝜑1 : ângulo do fator de potência original.
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Exemplo 6:

Indústria com potência instalada de 1500 kVA, com dois transformadores de 750 kVA,
em paralelo. Demanda máxima de 1480 kVA, com FP = 0,87. Deseja-se implantar um
motor de 150 cv, FP = 0,87, 𝜂 = 0,95, sem alterar a potência dos transformadores.

Demanda do motor:

𝑃𝑐𝑣 𝑥 0,736 150 𝑥 0,736


𝐷𝑚 = = = 133,6 kVA
𝜂 𝑥 𝐹𝑝 0,95 𝑥 0,87

Logo: 𝑆𝑙 = 133,6 kVA

𝑐𝑜𝑠𝜑1 = 0,87

𝑠𝑒𝑛𝜑1 = 0,493

𝑆𝑡 = 1500 kVA
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Da equação 4.8, tem-se:

𝑄𝑐 2 𝑥 𝑐𝑜𝑠 2 𝜑1 𝑄𝑐 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1
𝑆𝑙 = 1− 2 + − 1 𝑥 𝑆𝑡
𝑆𝑡 𝑆𝑡

Logo:
2
2 2
𝑆𝑙 𝑄𝑐 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1 𝑄𝑐 𝑥 𝑐𝑜𝑠 2 𝜑1
− +1 = 1−
𝑆𝑡 𝑆𝑡 𝑆𝑡 2

(𝑆𝑙 +𝑆𝑡 ) − 𝑄𝑐 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1 2


= 𝑆𝑡 2 − 𝑄𝑐 2 𝑥 𝑐𝑜𝑠 2 𝜑1

(𝑆𝑙 +𝑆𝑡 )² − 2 𝑥 (𝑆𝑙 + 𝑆𝑡 ) 𝑥 𝑄𝑐 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1 + (𝑄𝑐 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1 )2 = 𝑆𝑡 2 − 𝑄𝑐 2 𝑥 𝑐𝑜𝑠 2 𝜑1

𝑄𝑐 2 − 2 𝑥 (𝑆𝑙 + 𝑆𝑡 ) 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1 𝑥 𝑄𝑐 + (𝑆𝑙 2 + 2 𝑥 𝑆𝑙 𝑥 𝑆𝑡 ) = 0


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Substituindo-se, encontra-se:

𝑄𝑐 2 − 2 𝑥 133,6 + 1500 𝑥 0,49 𝑥 𝑄𝑐 + (133,62 + 2 𝑥 133,6 𝑥 1500) = 0

𝑄𝑐 2 − 1610,73 𝑥 𝑄𝑐 + 418,65 = 0

Resolvendo-se a equação de segundo grau, encontra-se:

𝑄𝑐 = 325 kVAr
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Liberação da Capacidade dos Condutores dos Circuitos de Distribuição: capacitores


instalados no barramento do CCM (Centro de Comando de Motores), para reduzir a
potência reativa que circula pelos condutores que ligam o QGF ao CCM, liberam
potência aparente. Dessa forma, é possível instalar novos equipamentos sem
necessidade de aumentar a seção dos condutores de alimentação geral do CCM. A
capacidade de potência liberada pode ser calculada de acordo com a equação 4.9:

𝑄𝑐 𝑥 𝑋𝑐𝑖𝑟𝑐
𝑆𝑙 = 𝑋 (4.9)
𝑐𝑖𝑟𝑐 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1 : 𝑅𝑐𝑖𝑟𝑐 𝑥 𝑐𝑜𝑠𝜑1

𝑆𝑙 : potência liberada, (kVA);


𝑄𝑐 : potência dos capacitores utilizados, (kVAr);
𝑋𝑐𝑖𝑟𝑐 : reatância do circuito para o qual se deseja liberação de potência, (Ω);
𝑅𝑐𝑖𝑟𝑐 : resistência do circuito para o qual se deseja liberação de potência, (Ω);
𝜑1 : ângulo do fator de potência original do CCM.
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Exemplo 7:

Determinar a potência de um banco de capacitores para ser instalado em um CCM


onde se deseja inserir mais um motor sem efetuar a troca dos condutores do circuito
de distribuição. O condutor de alimentação geral é de 300 mm², com isolação em
XLPE e possui comprimento de 150 m. A corrente solicitada atualmente no circuito é
de 400 A e o fator de potência do CCM é 0,71. Informações adicionais:

- Tensão nominal: 380 V;


- Maneira de instalar: A1 (condutor em eletroduto de seção circular embutido em
parede termicamente isolante);
- Capacidade de corrente do condutor de 300 mm² = 435 A;
- Resistência e reatância do condutor de 300 mm²:
• 𝑅𝑐𝑖𝑟𝑐 = 0,0781 m Ω/m;
• 𝑋𝑐𝑖𝑟𝑐 = 0,1068 m Ω/m;

- Motor a ser instalado: 100 cv, In = 135,4 A, FP = 0,87, 𝜂 = 0,92.


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Cálculos:

Demanda do motor:

𝑃𝑐𝑣 𝑥 0,736 100 𝑥 0,736


𝐷𝑚 = = = 91,95 kVA
𝜂 𝑥 𝐹𝑝 0,92 𝑥 0,87

Logo: 𝑆𝑙 = 92 kVA

Para os condutores tem-se:

𝑅𝑐𝑖𝑟𝑐 = 0,0781 x 10-3 x 150 = 0,011715 Ω

𝑋𝑐𝑖𝑟𝑐 = 0,1068 x 10-3 x 150 = 0,01602 Ω

𝑐𝑜𝑠𝜑1 = 0,71

𝑠𝑒𝑛𝜑1 = 0,70
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Logo:

𝑆𝑙 𝑥 (𝑋𝑐𝑖𝑟𝑐 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1 + 𝑅𝑐𝑖𝑟𝑐 𝑥 𝑐𝑜𝑠𝜑1 )


𝑄𝑐 =
𝑋𝑐𝑖𝑟𝑐

92 𝑥 (0,01602 𝑥 0,7 : 0,011715 𝑥 0,71)


𝑄𝑐 = 0,01602
= 112,2 kVAr

𝑄𝑐 = 3 x 40 = 120 kVAr

Demanda final do CCM:

P= 3 𝑥 0,38 𝑥 400 𝑥 0,71 + (91,95 𝑥 0,87) = 266,92 kW

Q= 3 𝑥 0,38 𝑥 400 𝑥 0,70 + 91,95 𝑥 0,49 − 120 = 109,35 kVA

S = 𝑃2 + 𝑄2 = 288,45 kVA

𝑃
FP = 𝑆 = 0,92
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Redução das Perdas de Energia nos Condutores: perdas de energia representam


consumo desperdiçado, que reflete em aumento na conta de energia da instalação. O
perfil de consumo pode ser melhorado com a instalação de bancos de capacitores, que
reduzem as perdas provocadas pela circulação de potência reativa. A energia
economizada em um período anual pode ser calculada de acordo com a equação 4.10:

𝑅𝑐𝑖𝑟𝑐 𝑥 𝑄𝑐 𝑥 2 𝑥 𝑆𝑐𝑖𝑟𝑐 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1 ; 𝑄𝑐 𝑥 8760


𝐸𝑒 = (4.10)
1000 𝑥 𝑉𝑐𝑖𝑟𝑐 2

𝐸𝑒 : energia economizada anual, (kWh);


𝑄𝑐 : potência dos capacitores utilizados, (kVAr);
𝑆𝑐𝑖𝑟𝑐 : demanda do circuito, (kVA);
𝑅𝑐𝑖𝑟𝑐 : resistência do circuito, (Ω);
𝑉𝑐𝑖𝑟𝑐 : tensão de alimentação do circuito, (kV);
𝜑1 : ângulo do fator de potência original.
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Exemplo 8:

Determinar a economia anual de energia resultante da instalação de um banco de


capacitores de 100 kVAr em um circuito de distribuição de uma indústria, onde:

- Tensão nominal: 𝑉𝑐𝑖𝑟𝑐 = 380 V;


- Corrente nominal: 𝐼𝑛 = 400 A;
- Fator de potência: FP = 0,71;
- Resistência do condutor: 𝑅𝑐𝑖𝑟𝑐 = 0,01171 Ω;
- Tarifa média anual de energia: R$0,085/kWh.
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Cálculos:

𝑆𝑐𝑖𝑟𝑐 = 3 𝑥 𝑉𝑐𝑖𝑟𝑐 x 𝐼𝑛 = 3 𝑥 0,38 𝑥 400 = 263,3 kVA

𝜑1 = Arccos(0,71) = 44,77°

𝑅𝑐𝑖𝑟𝑐 𝑥 𝑄𝑐 𝑥 2 𝑥 𝑆𝑐𝑖𝑟𝑐 𝑥 𝑠𝑒𝑛𝜑1 − 𝑄𝑐 𝑥 8760


𝐸𝑒 =
1000 𝑥 𝑉𝑐𝑖𝑟𝑐 2

0,01171 𝑥 100 𝑥 2 𝑥 263,3 𝑥 𝑠𝑒𝑛 44,77° − 100 𝑥 8760


𝐸𝑒 = = 19241,82 kWh
1000 𝑥 0,382

Valor economizado em R$ = 19241,82 kWh x R$0,085/kWh = R$1635,55/ano


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Melhoria do Nível de Tensão: a redução da corrente de carga e da queda de tensão


nos condutores, resultantes da instalação de bancos de capacitores, melhora o perfil
da tensão no barramento onde se localizam os capacitores. O aumento da tensão é
uma consequência natural da instalação de bancos de capacitores e pode ser calculado
de acordo com a equação 4.11:

𝑄𝑐 𝑥 𝑋𝑐𝑖𝑟𝑐
𝛥𝑉 = (4.11)
10 𝑥 𝑉𝑐𝑖𝑟𝑐 2

𝛥𝑉: valor percentual do aumento da tensão no circuito, (%);


𝑄𝑐 : potência dos capacitores utilizados, (kVAr);
𝑋𝑐𝑖𝑟𝑐 : reatância do circuito, (Ω);
𝑉𝑐𝑖𝑟𝑐 : tensão de alimentação do circuito, (kV).
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Exemplo 9:

Determinar o aumento do nível de tensão resultante da instalação de um banco de


capacitores de 100 kVAr em um circuito de distribuição de uma indústria, onde:

- Tensão nominal: 380 V;


- Reatância do condutor: 𝑋𝑐𝑖𝑟𝑐 = 0,01602 Ω.

𝑄𝑐 𝑥 𝑋𝑐𝑖𝑟𝑐 100 𝑥 0,01602


𝛥𝑉 = = = 1,11%
10 𝑥 𝑉𝑐𝑖𝑟𝑐 2 10 𝑥 0,382
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4.8 CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA PARA CARGAS LINEARES


Modificação da Rotina Operacional: recomenda-se manter os motores em operação a
plena carga, evitando o seu funcionamento a vazio. Deve-se também estimular o uso
racional da energia elétrica na iluminação e a otimização do uso dos transformadores e
de outras cargas da instalação, evitando desperdícios e o mau uso da energia elétrica.

Instalação de Motores Síncronos Superexcitados: funcionam com elevada corrente de


excitação, fazendo com que a força eletromotriz induzida no estator se adiante em
relação à tensão aplicada. Dessa forma, o motor funciona com fator de potência
capacitivo, fornecendo potência reativa à rede de energia elétrica.

- Quando opera com baixa corrente de excitação, o motor absorve potência reativa
da rede de alimentação, necessária para a formação do seu campo magnético,
operando com fator de potência indutivo (a força eletromotriz se atrasa em relação
à tensão aplicada);
- Podem ser instalados exclusivamente para correção do fator de potência ou podem
ser acoplados a uma carga, geralmente constante, em substituição a um motor de
indução;
- É uma solução pouco adotada devido ao seu alto custo e dificuldades operacionais.
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Instalação de Bancos de Capacitores Fixos: indicados quando a rotina operacional da


indústria se mantém relativamente constante ao longo de um período de carga diário.
A potência capacitiva necessária para corrigir o fator de potência pode ser calculada de
acordo com a equação 4.12:

Qc = Pcirc (𝑡𝑔𝜑1 − 𝑡𝑔𝜑2 ) (4.12)

𝑄𝑐 : potência do banco de capacitores, (kVAr);


Pcirc : potência ativa do circuito, (kW);
𝜑1 : ângulo do fator de potência original;
𝜑2 : ângulo do fator de potência desejado.
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Exemplo 10:

Determinar a potência do banco de capacitores necessária para corrigir o fator de


potência de uma instalação industrial cuja demanda é praticamente constante
durante o dia e vale 340 kW. O fator de potência médio medido foi de 0,78 e deseja-se
corrigi-lo para 0,95.

Qc = Pcirc (𝑡𝑔𝜑1 − 𝑡𝑔𝜑2 ) = 340 (tg38,74° - tg18,19°) = 161 kVAr


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Exemplo 11:

Determinar a potência do banco de capacitores necessária para corrigir o fator de


potência de uma instalação industrial cuja demanda média calculada foi de 879,6 kVA,
para um fator de potência de 0,83. Deseja-se corrigi-lo para 0,95.

Pcirc = 879,6 x 0,83 = 730 kW


Qcirc = Pcirc x tg [ arccos (0,83) ] = 490,6 kVAr

Para FP = 0,95, tem-se:

Pcirc = 730 kW
Qcirc = Pcirc x tg [ arccos (0,95) ] = 240 kVAr

Logo: Qc = 490,6 – 240 = 250,6 kVAr


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Instalação de Bancos de Capacitores Automáticos: indicados em instalações onde


existe uma razoável variação da curva de carga diária ou onde há necessidade de
manter o fator de potência dentro de faixas de variações muito estreitas.
Durante a energização das células capacitivas ocorrem correntes de surtos que
podem superar em 100 vezes a corrente nominal dos capacitores, podendo ocasionar a
queima de fusíveis ou danos aos contatos dos contatores, por exemplo. Em virtude do
exposto, a fim de permitir a utilização de contatores convencionais nos circuitos dos
bancos de capacitores, recomenda-se que a potência máxima dos bancos chaveados,
por estágio do controlador seja:

- Bancos trifásicos em 220 V: 15 kVAr;


- Bancos trifásicos em 380/440 V: 25 kVAr

Se forem manobrados módulos capacitivos com potências superiores, devem ser


utilizados indutores anti-surto em série com os contatores convencionais ou podem ser
utilizados resistores de pré-carga em paralelo com os contatores convencionais.
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Cálculo das correntes de surto durante a energização de capacitores:

𝐼𝑠𝑢𝑟𝑛 = 100 x Inc (4.13)

2 𝑥 𝑉𝑓𝑓
𝐼𝑠𝑢𝑟𝑟 = (4.14)
3 𝑥 𝑋𝑙 𝑥 𝑋𝑐

𝐼𝑠𝑢𝑟𝑛 : corrente de surto nominal, (A);


Inc : corrente nominal do banco de capacitores, (A);
𝐼𝑠𝑢𝑟𝑟 : corrente de surto real, (A);
𝑉𝑓𝑓 : tensão de linha da rede, (V);
𝑋𝑙 : reatância do condutor, (Ω);
𝑋𝑐 : reatância capacitiva do capacitor, (Ω).
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A reatância do condutor pode ser calculada de acordo com a equação 4.15:

𝑋𝑙 = 2 x π x f x Lc (4.15)

f : frequência do sistema, (Hz);


Lc: indutância do condutor utilizado na alimentação do capacitor manobrado, (µH).

A indutância do condutor pode ser calculada de acordo com a equação 4.16:

𝐿𝑐𝑜
𝐿𝑐 = 0,2 𝑥 𝐿𝑐𝑜 𝑥 2,303 𝑥 𝑙𝑜𝑔 4 𝑥 − 0,75 (4.16)
𝐷𝑐𝑜

𝐿𝑐𝑜 : comprimento do condutor, (m);


𝐷𝑐𝑜 : diâmetro do condutor, (m).
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Se 𝐼𝑠𝑢𝑟𝑛 < 𝐼𝑠𝑢𝑟𝑟 é necessário inserir um indutor em série com o capacitor


manobrado, cuja indutância pode ser determinada pela equação 4.17:

2
2 𝑥 𝑉𝑓𝑓
𝐿𝑖𝑛𝑑 = 𝑥𝐶 (4.17)
3 𝑥 𝐼𝑠𝑢𝑟𝑛

𝐿𝑖𝑛𝑑 : indutância do indutor anti-surto, (µH);


C : capacitância do capacitor manobrado, (µF).

A capacitância do capacitor manobrado pode ser calculada de acordo com a


equação 4.18:
𝑄𝑐𝑎
𝐶= (4.18)
2 𝑥 10−9 𝑥 𝜋 𝑥 𝑓 𝑥 𝑉𝑛𝑐 2

𝑄𝑐𝑎 : potência do módulo capacitivo manobrado, (kVAr);


𝑉𝑛𝑐 : tensão nominal do banco de capacitores, (V);
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A bobina anti-surto (bobina sem ferro) deve possuir diâmetro interno próximo de
10 cm, com número de voltas determinado a partir da equação 4.19:

𝐿𝑖𝑛𝑑 𝑥 𝐻𝑏
𝑁=𝐾𝑥 (4.19)
𝐷𝑏

𝑁: número de voltas;
𝐻𝑏 : altura da bobina, (mm);
𝐷𝑏 : diâmetro da bobina, (mm);
𝐾: constante que depende da relação 𝐻𝑏 /𝐷𝑏 , onde: 𝐻𝑏 /𝐷𝑏 K
0,1 70,6
0,5 43,6
1,0 38,4
1,5 36,4
2,0 35,3
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Recomendações adicionais:

- Dimensionar módulos capacitivos com, no mínimo, metade da potência máxima a


ser manobrada, a fim de permitir o ajuste fino do fator de potência;
- Utilizar um controlador de fator de potência que realize a varredura das unidades
chaveadas, permitindo a melhor combinação de inserção.

Exemplo 12:

Determinar o banco de capacitores necessário para corrigir o fator de potência da


instalação citada no Exemplo 4 no período das 16 às 17h (demanda máxima), de 0,81
para 0,92.

Pcirc = 2066 kW;


𝜑1 = arccos(0,81) = 35,9°
𝜑2 = arccos(0,92) = 23,07°

Qc = 2066 x [ tg (35,9°) – tg(23,07°) ] = 615,6 kVAr


Empregando-se módulos de 25 kVAr, tem-se: Qc = 25 x 25 = 625 kVAr
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Cálculos associados a tabela do Exemplo 4:

a) De 6 às 8h:
𝑄 905
FP = cos 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑔 = cos 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑔 = 0,80
𝑃 1239
𝜑1 = arccos(0,80) = 36,87°
𝜑2 = arccos(0,92) = 23,07°

Qc = 1239 x [ tg (36,87°) – tg(23,07°) ] = 401,5 kVAr

b) De 8 às 14h e 16 às 18h:
1476
FP = cos 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑔 = 0,81
2066
𝜑1 = arccos(0,81) = 35,9°
𝜑2 = arccos(0,92) = 23,07°

Qc = 2066 x [ tg (35,9°) – tg(23,07°) ] = 615,6 kVAr


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c) De 14 às 16h:
1233
FP = cos 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑔 = 0,82
1790
𝜑1 = arccos(0,82) = 34,9°
𝜑2 = arccos(0,92) = 23,07°

Qc = 1790 x [ tg (34,9°) – tg(23,07°) ] = 486,3 kVAr

d) De 18 às 20h:
1060
FP = cos 𝑎𝑟𝑐𝑡𝑔 = 0,80
1404
𝜑1 = arccos(0,80) = 36,87°
𝜑2 = arccos(0,92) = 23,07°

Qc = 1404 x [ tg (36,87°) – tg(23,07°) ] = 455 kVAr


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Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, pág. 223
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4.9 CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA PARA CARGAS NÃO-LINEARES

Na indústria, os harmônicos podem estar associados a três tipos de cargas:

- Cargas operadas por arcos voltaicos: lâmpadas de descarga (fluorescentes, vapor de


mercúrio, vapor de sódio, multivapores metálicos, etc.), fornos a arco, máquinas de
solda e outras;

- Cargas operadas com núcleo magnético saturado: transformadores operando em


sobretensão e reatores de núcleo saturado;

- Cargas operadas por fontes chaveadas: retificadores, inversores, computadores e


cargas eletrônicas de um modo geral.
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Os harmônicos podem provocar:

- Erros adicionais em medidores de energia elétrica;


- Perdas adicionais em condutores e barramentos;
- Sobrecarga em motores elétricos;
- Atuação intempestiva de equipamentos de proteção (relés, fusíveis, disjuntores);
- Surgimento de fenômenos de ressonância série ou paralela.

Ressonância série: ocorre quando as reatâncias capacitiva e indutiva são iguais e se


anulam, ficando a impedância do circuito numericamente igual o valor da resistência,
que é um valor muito pequeno. Esse tipo de ressonância ocorre entre o transformador
de força e o capacitor ou banco de capacitores ligados em um mesmo barramento,
podendo ocasionar sobrecorrentes prejudiciais aos capacitores e demais componentes
do circuito.

Ressonância paralela: ocorre quando um indutor e um capacitor estão ligados em


paralelo com a fonte de tensão. A corrente de linha é nula, pois a soma vetorial das
correntes no circuitos é zero e a tensão e a impedância assumem valores muito
elevados.
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Cálculo do fator de potência (FP):

𝐼1 𝑥 𝑐𝑜𝑠𝜑1
𝐹𝑃 = (4.20)
2: 2
𝐼1 𝐼ℎ

𝐼1 : valor eficaz da corrente na frequência fundamental(60 Hz), (A);


𝐼𝑕 : valores eficazes dos componentes harmônicos da corrente (h = 2, 3, . . . ), (A);
𝜑1 : ângulo do fator de potência na frequência fundamental.

O fator de potência também pode ser determinado quando se conhece a Taxa de


Distorção Harmônica Total de Corrente (THDI%) da instalação, ou seja:

𝑐𝑜𝑠𝜑1
𝐹𝑃 = (4.21)
𝑇𝐻𝐷𝐼 2
1:
100

Onde:
∞ 𝐼2
ℎ=2 ℎ
THDI% = 𝐼1
𝑥 100 (4.22)
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Exemplo 13:

Determinar o fator de potência verdadeiro de uma instalação industrial onde foram


realizadas medições elétricas e obtidos os seguintes resultados:

• Demanda aparente: 530 kVA;


• Demanda ativa: 424 kW;
• Corrente em 60 Hz: 805 A;
• Corrente harmônica de 3ª ordem: 95 A;
• Corrente harmônica de 5ª ordem: 62 A;
• Corrente harmônica de 7ª ordem: 16 A.
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Cálculos:

𝑃 424
Fator de potência na frequência fundamental: 𝑐𝑜𝑠𝜑1 = = 530 = 0,8
𝑆

∞ 𝐼2
ℎ=2 ℎ 95² : 62² : 16²
THDI% = 𝐼1
𝑥 100 = 805
𝑥 100 = 14,2%

𝑐𝑜𝑠𝜑1 0,8
𝐹𝑃 = = = 0,79
𝑇𝐻𝐷𝐼 2 14,2 2
1: 1:
100 100
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4.10 LIGAÇÃO DOS CAPACITORES EM BANCOS

Ligação em Triângulo Série Ligação em Estrela Série

Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, págs. 226 e 227
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Ligação em Triângulo Paralelo Ligação em Estrela Paralelo

Fonte: Mamede Filho, João. “Instalações Elétricas Industriais”, 7ª edição,2007, págs. 226 e 227
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Considerações adicionais:

- Em instalações industriais de baixa tensão, normalmente são utilizados bancos de


capacitores trifásicos na configuração triângulo;

- Não é recomendável a utilização de bancos em estrela aterrada contendo apenas um


único grupo de capacitores em série, por fase, devido a baixa reatância equivalente por
fase, o que resultaria em elevadas correntes de curto-circuito e necessidade de utilização
de fusíveis individuais de elevada capacidade;

- A configuração em estrela aterrada permite que um maior número de unidades


capacitivas possa falhar sem que se atinja o limite máximo de sobretensão de 10%;

- O arranjo em estrela aterrada deve ser utilizado em instalações com neutro efetivamente
aterrado, caso contrário, poderia ser criado um caminho para a circulação de correntes
de sequência zero, o que poderia ocasionar sobretensões perigosas durante uma falta
fase-terra;

- Por não possuírem ligação à terra, os bancos de capacitores em estrela isolada não
permitem a circulação de correntes de sequência zero durante uma falta fase-terra e
podem ser empregados tanto em sistemas com neutro isolado como em sistemas com
neutro aterrado.
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Os capacitores são projetados de tal forma que em condições normais de operação a


tensão e a potência reativa não excedam a capacidade nominal do equipamento. A
recomendação IEEE Std 1036-1992 estabelece alguns limites que não deverão ser excedidos
em caso de alguma situação de contingência:

- A tensão máxima de operação não deve ser superior a 110% da tensão eficaz nominal do
capacitor;

- O valor de pico da tensão – incluindo os harmônicos e excluindo os transitórios – não


deve ultrapassar 120% do valor de pico da tensão nominal do capacitor;

- O valor eficaz da corrente que atravessa o filtro não deverá ultrapassar 135% da corrente
nominal do capacitor;

- A potência reativa máxima fornecida não deve exceder 135% da potência nominal do
capacitor.

Deve-se ressaltar que as condições de sobrecarga são permitidas apenas em situações de


contingência, que incluem sobretensões, desequilíbrios de carga e outras ocorrências. É
importante, portanto, manter a tensão dos capacitores dentro da sua faixa nominal de
operação para todas as condições de carga em regime permanente, pois uma sobretensão
contínua igual a 10% pode reduzir a vida útil do equipamento em praticamente 50%.

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