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PASTORADO

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PASTORADO

4. MINISTÉRIO PASTORAL: Mateus cita a profecia registrada por Miquéias (Mq 5.2) unindo-a, ao
que parece, com 2Sm 5.2, dizendo: “E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor
entre as principais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar a meu povo, Israel” (Mt
2.6). O próprio Jesus se identifica como o bom pastor do seu povo (Jo 10.11). Mais adiante,
prevenindo aos seus discípulos a respeito da sua morte e ressurreição, diz: “Esta noite todos vós
vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão
dispersas” (Mt 26.31). Deixemos, agora, que o próprio Pastor nos ensine algumas características do
seu pastorado.

1) Pastor que conhece as suas ovelhas: (Jo 10.2,3,14,27). Jesus Cristo conhece pessoal e
afetivamente as suas ovelhas. O conhecimento de Deus em relação ao seu povo sempre denota
uma relação íntima e amorosa, pela qual ele distingue os Seus. Ele conhece os que lhe pertencem
(2Tm 2.19). Ele sabe que há ovelhas que ainda não fazem parte deste aprisco mas, que, no
momento certo, serão reunidas por ele mesmo, o bom pastor (Jo 10.16).

2) Pastor que é reconhecido pelas suas ovelhas: A voz de Cristo é plenamente identificada pelo seu
rebanho e, somente por ele (Jo 10.3–5,8,14,16,27). Jesus Cristo fala sempre de forma clara e
objetiva; não existe ambigüidade nos seus ensinos; entretanto, aqueles que não fazem parte do
seus escolhidos, nada entendem (Jo 10.24–26; 1Co 1.18–25).

3) Pastor que guia com segurança: As suas ovelhas não apenas reconhecem a sua voz mas,
também, O seguem tranqüilamente, porque sabem que o seu pastor as conduz em segurança (Jo
10.4; Sl 23).

4) Pastor vivificador: Ele concede vida às suas ovelhas; vida abundante e eterna. Somos
alimentados pela sua Palavra (Jo 10.10,28; Jo 6.68; Jo 14.6; Cl 3.4).

5) Pastor que se sacrifica pelas suas ovelhas: Ele se dá pelas suas ovelhas; e apenas por elas,
mesmo por aquelas que circunstancialmente O traem, como foi o caso de Pedro e, por certo,
também o nosso, infelizmente, em muitas circunstâncias (Jo 10.11,15).

6) Pastor preservador: Se somos o seu povo, não temos o que temer; ninguém pode nos arrebatar
de sua mão (Jo 10.27–29).

7) Pastor que compartilha com os seus servos o privilégio responsabilizador do pastorado: (Jo
21.16). Jesus Cristo confia aos homens que ele mesmo vocacionou, o alimento (Jo 21.15,17) e
pastoreio de suas ovelhas (Jo 21.16), sendo os próprios ministros ovelhas do mesmo rebanho,
tendo-o como Pastor (Vd. At 20.28; Ef 4.11; 1Pe 5.4).

8) Pastor Eterno: Jesus Cristo conduzirá o seu povo em segurança à eternidade, sendo desde agora
e para sempre o seu pastor (Ap 7.17).

ACHANDO A SUA VOCAÇÃO

A questão da vocação se torna uma crise, em dois momentos principais da vida. O primeiro é no
final da adolescência, quando uma pessoa é pressionada a decidir que habilidades e conhecimento
devem adquirir, para uso futuro. Alguns calouros de faculdade sentem-se pressionados a declarar
sua especialização em seu primeiro ano, antes de conhecer as opções disponíveis e os limites de
sua capacidade. O segundo período da vida é quando a vocação se torna uma crise no meio da
vida, quando o indivíduo experimenta um senso de frustração, fracasso ou falta de realização na
profissão que está seguindo. Talvez ele pergunte: “Eu desperdicei a minha vida? Estou sentenciado
para sempre a um trabalho que acho sem significado, insatisfatório e frustrante?” Essas perguntas
ressaltam o fato de que o aconselhamento vocacional é uma das partes mais importantes do
aconselhamento pastoral, ficando atrás apenas do aconselhamento conjugal. Temos de considerar,
também, o fato de que a frustração vocacional é uma das grandes causas de desarmonia conjugal e
conflitos familiares. Portanto, é importante abordar a questão da vocação com muito cuidado, tanto
nos primeiros estágios de desenvolvimento do adolescente, como nos estágios posteriores, quando
o senso de frustração predomina. O problema de discernir a vocação pessoal se focaliza,
principalmente, em quatro perguntas importantes:

1. O que eu posso fazer?


2. O que eu gosto de fazer?
3. O que eu gostaria de ser capaz de fazer?
4. O que eu devo fazer?

A última pergunta pode inquietar a consciência sensível. Para começarmos a respondê-la,


precisamos dar uma olhada nas outras três perguntas, porque estão intimamente ligadas à última:
“O que eu devo fazer?” O que eu posso fazer? Avaliar razoavelmente as nossas capacidades,
habilidades e aptidões é uma parte crucial e básica do processo de tomar decisão, na escolha de
uma vocação. Precisamos perguntar: “Quais são as minhas capacidades? O que estou preparado a
fazer?” Podemos objetar que Moisés e Jeremias protestaram contra a chamada de Deus, por
dizerem que não estavam preparados para a tarefa. Moisés argumentou que tinha limitações na
capacidade de falar, e Jeremias lembrou ao seu Criador a sua juventude. Ambos experimentaram a
repreensão de Deus, por tentarem evadir-se da chamada divina, com base na afirmação frívola de
que não tinham a capacidade para o trabalho. Nem Moisés, nem Jeremias tinham pleno
entendimento do que era necessário para realizar as convocações que Deus lhes deu. Moisés, por
exemplo, protestou que não tinha a habilidade de falar, mas Deus preparou Arão para ajudar Moisés
naquela parte da tarefa. O que Deus procurava era a liderança obediente de Moisés; o falar em
público podia ser delegado a outra pessoa. Certamente, Deus levou em consideração os dons, as
habilidades e a aptidão de Moisés, antes de chamá-lo. Devemos lembrar que Deus é o
Administrador perfeito. Ele é eficiente em sua seleção, chamando pessoas de acordo com os dons e
talentos que lhes deu. A estratégia de Satanás é manipular os cristãos a ocuparem posições para as
quais não têm habilidade ou capacidade de cumprirem bem. O próprio Satanás é muito eficiente em
direcionar cristãos à improdutividade e ineficácia. O que podemos fazer? Esta pergunta pode ser
respondida por exames de proficiência, análises de nossas forças e fraquezas e uma avaliação
sensata de nosso desempenho passado. Habilidades e desempenhos podem ser, e são, medidos de
maneiras sofisticadas, em nossa sociedade. Precisamos conhecer os parâmetros de nossas
habilidades. Pessoas procuram, frequentemente, posições para as quais não têm habilidade.
Infelizmente, isto é verdadeiro na igreja e no serviço cristão. Alguns cristãos são famintos e
sedentos por estarem no serviço cristão de tempo integral, mas não têm a habilidade e os dons
exigidos para o trabalho específico. Por exemplo, eles podem ter formação acadêmica e credenciais
para o pastorado, mas não têm as habilidades administrativas ou as capacidades pessoais para
serem pastores eficazes. Talvez, o princípio bíblico mais importante a respeito de habilidades se
acha na exortação de Paulo, que nos instrui a fazermos uma análise prudente de nós mesmos, não
pensando de nós mesmos além do que convém (Rm 12.3). Por meio de análise sensata, podemos
fazer uma avaliação séria, honesta e clara do que podemos e não podemos fazer; e devemos agir
de acordo com isso. A pessoa jovem tem uma pergunta diferente: o que eu gostaria de ser capaz de
fazer? Essa pessoa pode ter desenvolvido poucas habilidades, ou ter pouca formação educacional,
mas compreende que dispõe de tempo suficiente para adquirir habilidades e talentos, por meio de
educação ou treinamento vocacional. Neste ponto, o conceito de aptidão é importante. Aptidão
envolve as habilidades latentes de uma pessoa, bem como suas habilidades adquiridas. Uma
pessoa pode ter certa aptidão por coisas mecânicas, e não ter aptidão por coisas abstratas. Esta
pessoa pode desejar ser um filósofo, mas faria melhor investimento de seu tempo se aprendesse a
ser um mecânico de avião. Entretanto, preferências ainda são importantes. Aqui, penetramos
naquela área crítica e assustadora da experiência humana, chamada o campo da motivação.

PREPARO INTELECTUAL

Além do preparo espiritual, é importante que o pregador se prepare intelectualmente para expor a
Palavra de Deus da melhor maneira possível. Não digo que a preparação formal seja obrigatória
para que alguém se torne pregador, mas ela ajuda bastante. Meu chamado ao pastorado se deu por
ocasião da minha conversão. Não demorou muito, e eu comecei a pregar em reuniões de jovens,
acampamentos e depois igrejas. Finalmente, demonstrei ao meu pastor o desejo de evangelizar os
pescadores da praia de Maria Farinha, na cidade de Olinda. Depois de algum tempo, quis pregar no
interior de Pernambuco, quando meu pastor me orientou a frequentar um seminário a fim de
preparar-me para a tarefa. Eu não via a necessidade disso, uma vez que já era um pregador
conhecido e queria dedicar minha vida à plantação de igrejas, como fizera o apóstolo Paulo. Para
mim, àquela altura, passar quatro anos estudando em um seminário era pura perda de tempo. Meu
pastor, contudo, manteve sua posição de não me enviar sem um curso teológico, e então fui
acolhido pelo pastor da igreja onde eu havia crescido, em Recife. Ele me enviou, sem curso
teológico, para reabrir uma igreja em Gameleira, interior de Pernambuco, entre os cortadores de
cana da usina Cucaú. À medida que o tempo passou, enquanto evangelizava aquela região, fui
percebendo a necessidade de um melhor preparo para enfrentar os desafios do ministério pastoral
e acabei sendo persuadido por um conhecido pastor de jovens da cidade a frequentar o seminário.
Dificilmente já houve um calouro mais reticente do que eu. No primeiro dia de aula de teologia
sistemática perguntei ao professor rev. Gérson Gouveia, já falecido, que ajuda prática a teologia
sistemática traria à vida cristã. Demonstrando muita paciência com aquele calouro arrogante, o
experiente pastor explicou que eu oraria melhor se conhecesse melhor o Deus a quem me dirigia.
Que eu pregaria melhor se tivesse um conhecimento mais amplo e sistemático das Escrituras. Que
eu responderia melhor às questões dos jovens da minha igreja se tivesse um conhecimento amplo
de teologia e conhecimento geral de algumas disciplinas, como filosofia, antropologia etc. Aos
poucos, as barreiras foram sendo derrubadas. Percebi que o preparo teológico poderia se tornar
uma ferramenta poderosa para meu ministério e minhas pregações. Nunca mais parei de estudar.
Após o bacharelado em teologia, prossegui para o mestrado, o doutorado e o pós-doutorado em
estudos bíblicos. Nunca me arrependi do tempo investido nos estudos. Deus, obviamente, pode
usar pregadores analfabetos ou sem estudos formais em teologia, e tem feito isso com frequência.
Grande parte dos pregadores ao longo da história da igreja foi composta de cristãos sem
treinamento formal, mas que conheciam a sua Bíblia e tinham profunda paixão por Jesus. Eles
abriram igrejas, pregaram em lugares distantes, evangelizaram multidões. Alguns dos pregadores
mais conhecidos da história da igreja nunca fizeram seminário ou escola de teologia, como Charles
Spurgeon e mais recentemente Martin Lloyd-Jones, que era médico. Em contrapartida, a falta de
preparo teológico tem levado pastores a pregar falsas doutrinas, desenvolver comportamentos
legalistas, incentivar um culto falso e anunciar um evangelho distorcido. O evangelicalismo popular
está cheio desses pregadores, que rejeitam o estudo e a preparação intelectual, entendendo tratar-
se de afronta ao Espírito Santo. Alguns acusam colegas estudiosos de serem intelectuais áridos e
frios, que silenciam o Espírito Santo. Para justificar sua posição, gostam de usar, erroneamente, o
texto “a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2Co 3.6, NAA), que na verdade expressa o contraste
entre a insuficiência do sistema da legislação mosaica e a suficiência de Cristo para nos salvar do
pecado. A “letra” é o “antigo sistema, com suas leis gravadas em pedra”, que “terminava em morte”
e que foi dado aos israelitas por intermédio de Moisés (2Co 3.7). O “Espírito” é a nova aliança de
Cristo, revelada mediante o Espírito Santo e escrita em nosso coração (2Co 3.3–4,6,8). Ou seja, a
expressão não contrapõe teologia e espiritualidade, estudo e poder espiritual. O próprio uso dessa
passagem para justificar a não necessidade de estudar já prova meu ponto. O que alguns
pregadores não percebem é que nossa tarefa consiste em entender e pregar a mensagem de um
livro escrito entre dois e três mil anos atrás, em hebraico, aramaico e grego, em uma cultura que já
não existe, a do antigo Oriente Próximo, e em contextos completamente diferentes do Brasil do
século 21. E, até onde sei, o Espírito Santo não ensina grego, história, teologia e arqueologia ao
pregador por revelação direta. Creio que é tentar a Deus desprezar os recursos que ele nos deu
para melhor entender a revelação escrita, na esperança de que o Espírito Santo nos comunique
diretamente, no momento da pregação, o significado de um texto bíblico. Basta escutar na internet
os sermões suposta e diretamente revelados para perceber sua superficialidade, quando não
afirmações completamente falsas ou indevidas. Pregar no Espírito não é gritar, gesticular, usar
jargões e frases de efeito. Paulo determinou a Timóteo: “Pregue a palavra” (2Tm 4.2). Para que
possamos pregar a Palavra de Deus, como Paulo mandou, temos de primeiro interpretar e entender
o que ela está dizendo, a fim de que preguemos a Palavra de Deus, não a nossa. Mas, para isso,
precisamos nos preparar intelectual e academicamente, não necessariamente para nos tornarmos
teólogos, pensadores e doutores em Bíblia, mas para podermos ter uma compreensão clara o
suficiente das Escrituras que nos garanta pregar seu significado, e não as nossas ideias. Estou
ciente de que, em muitas denominações e igrejas, os pregadores nunca estudaram teologia nem
deles se exige um diploma acadêmico para pregar ou para tornar-se pastor. Não creio que a falta de
estudos formais em teologia desqualifique esses pregadores. Na verdade, prefiro que sejam fiéis à
Bíblia sem diploma do que ter doutorado e serem teologicamente liberais. A mensagem central da
Bíblia é suficientemente clara, ainda que usemos apenas traduções em português para preparar
nossa mensagem. Qualquer pregador que não seja analfabeto funcional e que consiga ler e
entender textos pode organizar as ideias contidas numa passagem bíblica e passá-las a seus
ouvintes, ainda que de forma sofrível. Contudo, pastores que estudaram a Bíblia, interpretação,
história da igreja e teologia sistemática estarão em melhor condição de pregar mensagens que
reflitam com mais exatidão o sentido do texto bíblico. Embora a falta de estudo — quer obtido
formalmente em seminários e institutos bíblicos, quer informalmente como autodidata — não seja
impeditivo para que um pastor pregue a Palavra de Deus, as igrejas deveriam se esforçar para
oferecer a seus pregadores a oportunidade de se prepararem melhor. A história da igreja cristã
mostra claramente que os pregadores que marcaram o cristianismo histórico e impactaram o
mundo eram pessoas preparadas, a começar do apóstolo Paulo, homem culto, preparado,
conhecedor de sua época e de sua cultura. Preciso ressalvar, contudo, que estudos teológicos só
valem a pena se feitos em seminários e escolas de teologia comprometidos com a inerrância da
Bíblia e com a fé do cristianismo histórico. Existem muitas escolas de teologia com professores
liberais, que não creem na inerrância da Bíblia, que usam o método crítico de interpretação e que
são adeptos da teologia da libertação. Em pouco tempo, eles abalam, se não arrancam, a fé dos
alunos despreparados, que deixarão o seminário pior do que quando entraram. Quero terminar este
tema oferecendo alguns conselhos para aquele que já prega em sua igreja (talvez há anos) e que,
ao ler este livro, entendeu que precisa se preparar melhor intelectualmente para seguir pregando.
Primeiro, adote e siga fielmente um sistema de leitura de bons livros de teologia bíblica, tanto do
Antigo quanto do Novo Testamento. Existem muitos livros de teologia bíblica no mercado. Um bom
filtro é a editora. Procure livros de editoras que tenham compromisso em publicar somente obras de
autores comprometidos com a infalibilidade das Escrituras. Segundo, procure escutar com
frequência as mensagens de pregadores expositivos e ver como utilizam seu conhecimento na
entrega da mensagem, especialmente na aplicação. No início de meu ministério, depois de concluir
o seminário, eu me inspirei em diversos pregadores expositivos. Na verdade, aprendi com eles a
pregar expositivamente, e não no curso de homilética do seminário, cujo professor era adepto de
sermões tópicos. Terceiro, caso haja oportunidade, faça mais um curso de teologia sistemática ou
histórica para corroborar o conhecimento bíblico. Se já tem o bacharel em teologia, procure
mestrado em boas instituições, nessas duas áreas mencionadas. Caso nunca tenha feito um curso
de teologia, existem hoje várias opções de cursos teológicos à distância. Como sempre, procure
saber cuidadosamente do compromisso teológico desses cursos antes de começar a cursá-los.

PREPARADO PARA A OBRO NO MINISTÉRIO

Infelizmente, fazer discípulos se tornou domínio exclusivo de pastores (e missionários). Vendedores


vendem, agentes de seguros asseguram e ministros ministram. Pelo menos é assim que funciona na
maioria de nossas igrejas. Embora seja verdade que os pastores, diáconos e apóstolos do Novo
Testamento fizessem discípulos, não podemos ignorar o fato de que o discipulado era função de
todos. Os membros da igreja primitiva levavam muito a sério sua responsabilidade de fazer
discípulos. Para eles, a igreja não era uma corporação administrada por um CEO. Ao contrário, eles
comparavam a igreja a um corpo que só funciona de modo adequado quando todos os membros
fazem sua parte. Paulo explicou o funcionamento da igreja: E ele designou alguns para apóstolos,
outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de
preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que […]
cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio
de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a
sua função. Efésios 4.11–16 Paulo enxergava a igreja como uma comunidade de gente redimida
onde cada pessoa está envolvida ativamente na obra do ministério. O pastor não é o ministro — pelo
menos não da forma como costumamos pensar num ministro. O pastor é o preparador, e cada
membro da igreja é um ministro. As implicações disso são enormes. Não pense nisso como uma
mera questão teológica. Enxergue a si mesmo nessa passagem. Paulo disse que é seu trabalho
realizar a obra do ministério! Jesus ordenou que você fizesse discípulos! A maioria dos cristãos
pode oferecer inúmeras razões por que não podem ou não devem discipular outras pessoas: “Não
me sinto chamado para o ministério”; “Já fiz uma bela oferta hoje; não tenho tempo para investir em
outras pessoas”; “Não sei o suficiente”; “Tenho muitos problemas pessoais para resolver. Vou
começar assim que puser minha vida em ordem”. Por mais convincentes que essas desculpas
possam parecer, as ordens de Jesus não vêm com cláusulas de exceção. Ele não nos manda seguir,
a menos que estejamos ocupados. Não nos chama para amar o próximo, a menos que não nos
sintamos preparados. Tanto que, se você ler Lucas 9.57–62, encontrará vários indivíduos que dão
desculpas por não poderem seguir Jesus. Leia a passagem e tome nota de como Jesus respondeu.
Você pode se surpreender. Deus o fez como você é; ele proveu e continuará a provê-lo com tudo de
que você precisa para realizar a tarefa. Jesus ordenou que você olhasse para as pessoas ao redor e
começasse a transformá-las em discípulos. Obviamente, só Deus pode transformar o coração das
pessoas e fazer que queiram ser seguidoras. Tudo de que precisamos é ser obedientes em nosso
esforço para ensiná-las, mesmo que ainda tenhamos muito a aprender. O primeiro passo Ser um
discipulador significa olhar diferente para as pessoas em sua vida. Cada pessoa ao seu redor foi
criada à imagem de Deus, e Jesus ordenou a cada uma delas que o seguisse. Deus colocou essas
pessoas em sua vida a fim de que você fizesse todo o possível para influenciá-las. Seguir Jesus
significa que você ensinará outras pessoas a segui-lo. Dedique algum tempo para analisar seu
primeiro passo para fazer discípulos. Deus colocou em sua vida alguém a quem você pode ensinar a
seguir Jesus? De quem se trata? Talvez Deus esteja preparando em seu coração alguém que você
não conhece muito bem. Seu primeiro passo pode ser construir um relacionamento com essa
pessoa. Talvez seja alguém que você conhece há anos, e Deus o está chamando para elevar esse
relacionamento a outro nível. Deus colocou você neste exato lugar, e as pessoas ao seu redor não
estão aí por acaso. Tenha em mente que a Grande Comissão nos chama para todo tipo de pessoa,
para aqueles dentro da igreja e também para os que estão fora, para aqueles que são parecidos
conosco e para aqueles que são muito diferentes. Todos precisam entender quem Jesus é e o que
significa segui-lo. Trabalho conjunto para fazer discípulos Deus quer que você enxergue os outros
cristãos em sua vida como parceiros no ministério. Deus não chamou você para fazer discípulos de
forma isolada: ele o colocou no contexto de um corpo de igreja de modo que você possa ser
encorajado e incentivado pelas pessoas à sua volta. E você, por sua vez, é chamado a encorajá-las
e incentivá-las. À medida que inicia este estudo, pense em como você vai proceder. Existem
cristãos em sua vida com quem você pode estudar este livro? Existem crentes maduros com quem
pode discutir as perguntas que inevitavelmente surgirão? O objetivo é que você reflita neste
material e permita que essas verdades penetrem sua mente, seu coração e seu estilo de vida.
Porém, o efeito disso será muito maior se houver outras pessoas com quem conversar, gente que
possa incentivá-lo e trabalhar com você. Os seres humanos não foram feitos para agir de maneira
isolada. Questões práticas e desafiadoras 1. Pare por um instante e leia Mateus 28. Tente se colocar
no lugar dos discípulos enquanto presenciavam essas coisas e ouviam essas palavras de Jesus.
Como você teria reagido? 2. Avalie sua experiência com a igreja à luz da ordem de Jesus para fazer
discípulos. Você pode dizer que sua igreja se caracteriza pelo cumprimento dessa ordem? Explique
sua resposta. 3. Você já se identificou com Jesus por meio do batismo? Se sim, por que, em sua
opinião, esse foi um passo importante? Se não, o que impede você de ser batizado? 4. Você diria
que está pronto para se comprometer a estudar as Escrituras e investir nas pessoas ao seu redor?
Explique sua resposta. 5. Que desculpas costumam impedir você de seguir a ordem de Jesus de
fazer discípulos? O que você precisa fazer para superá-las? 6. Deus colocou em sua vida, neste
momento, alguém que você pode começar a transformar em discípulo de Jesus Cristo? Quem? 7.
Que pessoa Deus colocou em sua vida como seu parceiro para fazer discípulos? 8. Passe algum
tempo orando para que Deus transforme você num discipulador comprometido e eficiente.
Confesse quaisquer sentimentos de inadequação e insegurança. Peça ao Senhor que capacite você
para o ministério para o qual ele o está chamando. Peça-lhe que o conduza às pessoas certas com
quem você deve trabalhar em parceria e às pessoas certas a serem discipuladas.

PREPARAÇÃO PARA O MINISTÉRIO

É impossível separar o viver piedoso e experiencial do verdadeiro ministério experiencial. A


santificação do coração de um ministro não é meramente ideal; é absolutamente necessária, seja
pessoalmente, seja para sua vocação como ministro do evangelho. A Escritura afirma que não deve
haver disparidade entre o coração, o caráter e a vida de um homem que é chamado para proclamar
a Palavra de Deus e conteúdo de sua mensagem.

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás
tanto a ti mesmo como aos seus ouvintes” (1Tm 4.16).

Jesus condenou os fariseus e escribas por não praticarem o que proclamavam. Ele os culpou pela
diferença existente entre suas palavras e seus atos; entre o que proclamavam professamente e
como agiam em sua vida diária. Os ministros confessionais, mais que quaisquer outros, deveriam
considerar bem as palavras contundentes de Cristo:

“Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus. Fazei e guardai, pois, tudo quanto
eles vos disserem, porém não os imiteis em suas obras; porque dizem e não fazem” (Mt 23.2,3).

Como ministros, somos chamados para sermos santos em nossa relação pessoal com Deus, em
nossa função de maridos e pais em nossos lares, bem como de pastores entre nosso povo quando
subimos ao nosso púlpito. Não deve haver distinção entre nossa vocação e nosso viver, nossa
confissão e nossa prática. A Escritura diz que há uma relação de causa e efeito entre o caráter da
vida de um homem como cristão e sua produtividade como ministro (Mt 7.17–20).
A obra de um ministro costuma ser abençoada em proporção à santificação de seu coração diante
de Deus. Portanto, os ministros devem buscar a graça de edificar a casa de Deus com a sólida
pregação experiencial e a doutrina, tanto quanto com uma vida santificada. Nossa pregação deve
moldar nossa vida; e nossa vida deve adornar nossa pregação. Como escreveu John Boys, “Prega
mais quem vive melhor.” Deveríamos ser o que pregamos, não só aplicando-nos aos nossos textos,
mas também aplicando os nossos textos a nós mesmos. Nossos corações deveriam ser os
traslados de nossos sermões. De igual modo, como advertiu John Owen, “Se um homem ensina
corretamente e anda tortuosamente, mais ruína haverá na noite de sua vida do que edificação no
dia de sua doutrina.”

LIÇÕES DOS PREGADORES EXPERIENCIAIS

Os velhos pregadores experienciais foram mestres na aplicação da verdade aos seus próprios
corações, tanto quanto aos dos outros. Eis algumas lições da parte dos teólogos que nos servirão
bem hoje.

1. Viva em intimidade com Deus. Você não pode imitar o viver reformado e experiencial, da mesma
forma que não pode imitar a pregação reformada e experiencial. Como as pessoas veem através
dos ministros que não vivem o que pregam, assim devemos viver em comunhão com Deus a fim de
mostrarmos aos outros que o Cristianismo é real e experiencial. Para que nossas palavras e ações
comuniquem santa piedade, nossos próprios pensamentos têm que pulsar com aquela piedade que
só flui de uma vida íntima com Deus. Como um homem pensa, assim ele é.

2. Busque ardorosamente a piedade em dependência do Espírito Santo.


O caminho para o viver santo é surpreendentemente simples: devemos andar com Deus como Ele
mesmo determinou (Mq 6.8). Fazendo uso diligente dos meios de graça e as disciplinas espirituais,
e esperando sempre pela benção do Espírito Santo. Note que o viver piedoso envolve,
respectivamente, disciplina e graça. Esta ênfase sobre dever e graça é fundamental à perspectiva
reformada e experiencial sobre dever e graça. Como escreveu John Flavel, “O dever é nosso, ainda
que o poder seja de Deus. Um homem natural não possui poder; um homem agraciado possui
algum, ainda que não seja suficiente; e esse poder que ele tem depende da força assistente de
Cristo.” De igual modo, escreveu John Owen: “O Espírito Santo é o santificador peculiar e imediato
de todos os crentes, bem como o autor de toda a santidade neles.” O Espírito aplica o que não
temos, de modo a prosseguirmos rumo ao alvo da santidade, capacitando-nos, como crentes, a
“render obediência a Deus… pela virtude da vida e morte de Jesus Cristo”. O crente, pois, é
capacitado, no dizer de Flavel, com “um constante e diligente uso e melhoramento de todos os
meios e deveres santos, a preservar do pecado a alma, e manter sua doce e livre comunhão com
Deus”. Podemos ainda ser encorajados pelo conselho de Owen: “Se pretendes expandir tua religião,
então expanda mais tuas devoções ordinárias do que as extraordinárias.” Os pregadores
reformados e experienciais advertiam frequentemente os ouvintes a exercitarem as disciplinas
experienciais a fim de promoverem o viver cristão experiencial e prático.

Especificamente, davam estes conselhos:


• Leia a Escritura diligente e meditativamente (1Tm 4.13). Richard Greenham dizia que devemos ler
nossas Bíblias com mais diligência do que os homens cavam em busca de tesouros ocultos. A
diligência aplana os lugares escarpados, amaina as dificuldades e degusta o que é insípido. Após a
leitura da Escritura, devemos rogar a Deus por mais luz a perscrutar nossos corações e vidas, e
então meditemos na Palavra. A meditação disciplinada na Escritura nos ajuda a focar em Deus. A
meditação nos ajuda a considerar o culto como uma disciplina. Ela envolve nossa mente e
entendimento, tanto quanto nosso coração e afetos; ela aplica a Escritura através da textura da
alma. A meditação ajuda a prevenir pensamentos vãos e pecaminosos (Mt 12.35) e provê recursos
donde extrair (Sl 77.10–12) inclusive diretrizes para a vida diária (Pv 6.21,22). Ela foge da tentação
(Sl 119.11,15), provê alívio nas aflições (Is 49.15–17), beneficia outros (Sl 145.7) e glorifica a Deus (Sl
49.3).
• Ore sem cessar. Devemos manter o hábito da oração secreta, caso queiramos viver
experiencialmente diante de Deus. O único modo de aprender a arte do santo argumento junto a
Deus é orar. A oração nos ajuda a nos apegarmos ao altar das promessas de Deus pelas quais nos
apossamos de Deus mesmo. O fracasso na oração é a ruína de muitos cristãos hoje. “Uma família
sem oração é como uma casa sem teto, aberta e exposta a todos os vendavais do céu”, escreveu
Thomas Brooks. Se os gigantes da história da igreja nos excedem hoje, talvez não seja porque
fossem mais educados, mais devotos, ou mais fiéis, e sim porque foram homens de oração. Eles
eram dominados pelo Espírito de súplica. Eram Daniéis no templo de Deus. Apoderemo-nos do
refúgio do recinto secreto de oração, pois ali o Cristianismo experiencial ou é estabelecido, ou
derribado. Recusemo-nos a contentar-nos com a casca da religião sem o núcleo interior da oração.
Ao nos tornarmos sonolentos na oração, oremos em voz alta, ou escrevamos nossas orações, ou
achemos um lugar tranquilo ao relento para andarmos e orarmos. Acima de tudo, continuemos a
orar. Não reservemos apenas momentos regulares de oração, mas também estejamos abertos aos
impulsos mais leves de orar. Conversar com Deus através de Cristo é o nosso mais eficaz antídoto
contra os deslizes e desânimos espirituais. Desânimo sem oração é um furúnculo propício à
infecção, enquanto que, desânimo com oração, é um furúnculo que vai em busca do bálsamo de
Gileade. Tenha a oração como prioridade em sua vida pessoal e familiar. Como disse John Bunyan,
“Você pode fazer mais do que orar após haver orado, mas não pode fazer mais do que orar até que
haja orado. … Ore com frequência, pois a oração é um escudo para a alma, um sacrifício para Deus
e um azorrague para Satanás.”
• Estude a literatura reformada e experiencial. Os livros que promovem um viver piedoso são um
poderoso auxílio ao viver experiencial. Leia os clássicos, convide os grandes escritores para que
sejam seus mentores e amigos espirituais. Os puritanos excelem em tais escritos. Raramente
haveria um sermão, um tratado, um panfleto, um diário, uma história ou uma biografia de uma pena
puritana que, de uma maneira ou de outra, não almejasse fomentar a vida espiritual, disse Maurice
Roberts. Leia livros experienciais sólidos sobre diversos tópicos que satisfaçam uma variedade de
necessidades. Para fomentar o viver experiencial, permanecendo sensível ao pecado, leia The
Plague of Plagues [A praga das Pragas], de Ralph Venning. Caso você queira ser atraído para mais
perto de Cristo, leia Looking Unto Jesus [Olhando para Jesus], de Isaac Ambrose. Para encontrar
paz na aflição, leia Letters [Correspondências], de Samuel Rutherford. Para livrar-se da tentação,
leia Temptation and Sin [Tentação e Pecado], de John Owen. Para o crescimento em santidade, leia
Keeping the Heart [Guardando o Coração], de John Flavel. Leia como um ato de culto. Leia para ser
elevado às grandes verdades de Deus, de modo que possa cultuar a Trindade, em espírito e em
verdade. Não obstante, selecione o que quer ler. Meça toda sua leitura pelo padrão da Escritura.
Muito da literatura cristã moderna é frívola, atrelada à teologia arminiana ou ao pensamento secular.
O tempo é também precioso para ser gasto com questões sem sentido. Leia mais o que aponta para
a eternidade do que para o tempo, mais o que fomenta o crescimento espiritual do que o avanço
profissional. Pense na advertência de John Trapp, “Como a água saboreia o solo pelo qual corre,
assim a alma saboreia os autores que um homem lê.” Antes de compulsar um livro, pergunte a si
mesmo: Cristo aprovaria este livro? Este aumentará meu amor pela Palavra de Deus, me ajudará a
vencer o pecado, propiciará sabedoria permanente e me preparará para a vida por vir? Ou eu
poderia gastar melhor meu tempo lendo outro livro? Converse com outros sobre os bons livros que
você lê. O diálogo sobre leitura experiencial promove viver experiencial.
• Mantenha um diário. Manter um registro reflexivo de seu diário espiritual pode promover a
piedade. Ele pode ajudar-nos em nossa meditação e oração. Pode lembrar-nos da fidelidade e obra
do Senhor. Pode ajudar-nos a entender-nos e a avaliar-nos. Pode ajudar-nos a monitorar nossas
metas e prioridades, tanto quanto a manter outras disciplinas espirituais.
• Guarde santo o Dia do Senhor. Devemos ver o Sabbath como um jubiloso privilégio, não como um
tedioso fardo. Este é o dia em que podemos cultuar a Deus e praticar as disciplinas espirituais sem
interrupção. Como diz J. I. Packer, “Devemos descansar das atividades de nossa vocação terrena a
fim de dar curso às atividades de nossa vocação celestial.”
• Sirva a outros e fala-lhes sobre Cristo. Jesus espera que evangelizemos e sirvamos a outros (Mt
28.19,20; Hb 9.14). Devemos agir assim em obediência (Dt 13.4), gratidão (1Sm 12.24), prazer (Sl
100.2), humildade (Jo 13.15,16) e amor (Gl 5.13). Servir a outros às vezes pode ser difícil, mas
somos chamados a agir assim, usando cada dom espiritual que Deus nos tem concedido (cf. Rm
12.4–8; 1Co 12.6–11; Ef 4.7–13). Um de nossos maiores galardões, como cristãos, é servir às
pessoas. Se isso nos permite vê-las se achegando para mais perto de Cristo, pela benção do
Espírito sobre a Palavra de Deus e nossos esforços, que mais poderíamos desejar? É uma
experiência profundamente humilhante o fato de só podermos chegar mais perto de Deus.

3. Almeje um pensamento balanceado.


Os grandes pregadores reformados experienciais almejaram um equilíbrio no viver cristão de três
importantes maneiras:

• Entre as dimensões objetivas e subjetivas do Cristianismo. O objetivo é o alimento para o


subjetivo; e assim o subjetivo está sempre radicado no objetivo. Por exemplo, os puritanos
afirmavam que a base primária da certeza está radicada nas promessas de Deus, mas essas
promessas devem tornar-se crescentemente reais ao crente através das evidências objetivas da
graça e do testemunho interior do Espírito Santo. Sem a aplicação do Espírito, as promessas de
Deus levam ao engodo pessoal e à presunção carnal. Em contrapartida, sem as promessas de Deus
e a iluminação do Espírito, o autoexame tende à introspecção, servidão e legalismo. O Cristianismo
objetivo e subjetivo não deve separarem-se um do outro. Devemos buscar viver de uma maneira
que revele a presença interior de Cristo baseada em Sua obra objetiva de obediência ativa e
passiva. O evangelho de Cristo deve ser proclamado como verdade objetiva, mas deve também ser
aplicado pelo Espírito Santo e interiormente apropriado pela fé. Portanto, rejeitemos dois tipos de
religião: aquela que separa a experiência da Palavra objetiva, com isso levando ao misticismo; e
aquela que pressupõe a salvação sobre as falsas bases da fé histórica ou temporal.
• Entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Quase todos os nossos pais reformados
enfatizaram que Deus é plenamente soberano e o homem é plenamente responsável. Como isso
pode ser resolvido logicamente, está além de nossas mentes finitas. Quando certa vez Spurgeon foi
interrogado sobre como estas duas grandes doutrinas bíblicas poderiam ser conciliadas, ele
respondeu: “Eu não sabia que amigos necessitam de reconciliação.” Ele continuou comparando
estas duas doutrinas aos corrimões de uma trilha a qual o Cristianismo percorre. Justamente como
os trilhos de um trem, os quais correm paralelos, parecem emergir à distância, assim as doutrinas
da soberania de Deus e a responsabilidade humana, as quais parecem separadas uma da outra
nesta vida, emergirão na eternidade. Nossa tarefa não é forçar sua fusão nesta vida, e sim mantê-
las em equilíbrio e viver de acordo com elas. E assim devemos labutar pelo Cristianismo
experiencial que faça justiça, respectivamente, à soberania de Deus e à nossa responsabilidade.
• Entre um Cristianismo doutrinal, experiencial e prático. Justamente como os pregadores
reformados ensinaram que a pregação experiencial deve oferecer equilibro de doutrina e aplicação,
o viver cristão envolve também mais que experiência. O viver cristão bíblico tem por base a sã
doutrina, a sã experiência e a prática sã.

4. Comunique a outros a verdade experiencial.


Os pregadores experienciais reformados e puritanos aplicavam seus sermões a cada parte da vida,
toda a Escritura ao homem integral. Eram destemidamente doutrinários. Podemos aprender muito
deles sobre como evangelizar. Por exemplo:
• Fale a verdade sobre Deus. Isso parece óbvio. Mas, quão frequentemente falamos aos outros
sobre o ser majestoso de Deus, Sua personalidade trinitária e seus atributos gloriosos? Quão
frequentemente informamos outros acerca de Sua santidade, soberania, misericórdia e amor?
Radicamos nossa evangelização em um robusto teísmo bíblico, ou seguimos os exemplos do
evangelismo moderno que aborda Deus como se Ele fosse um vizinho junto à porta que ajusta Seus
atributos às nossas necessidades e desejos? Quão frequentemente falamos aos outros sobre como
Deus e Seus majestosos atributos têm se tornado experiencialmente reais para nós?
• Fale a verdade sobre o homem. Acaso você fala aos outros sobre nossa natureza depravada e
nossa desesperadora necessidade da salvação em Jesus Cristo? Acaso você diz que, por natureza,
você não é melhor do que eles; que todos nós, à parte da graça, somos pecadores com um registro
terrível, o qual é um problema legal, bem como um coração mau, o qual é um problema moral?
Acaso você lhes fala sobre o terrível caráter do pecado; que o pecado é algo que nos conduz à
origem de nossa trágica queda em Adão e afeta cada parte de nosso ser, de modo a dominar nossa
mente, coração, vontade e consciência, e que somos escravos dele? Acaso você descreve o pecado
como rebelião moral contra Deus? Acaso você diz que o salário do pecado é a morte, agora e para
toda a eternidade?
• Fale a verdade sobre Cristo. Acaso apresentamos Cristo aos pecadores, sem separar Seus
benefícios de Sua pessoa, ou oferecendo-O como Salvador, enquanto ignoramos Suas
reivindicações como Senhor? Acaso oferecemos Cristo como o grande remédio para a grande
mazela do pecado, e declaramos reiteradamente Sua capacidade e disposição de salvar, e
preciosidade como o Redentor exclusivo dos pecadores perdidos? Acaso você exibe o caminho da
salvação em Cristo, em sua fé e arrependimento? Paulo disse: “jamais deixando de vos anunciar
coisa alguma proveitosa e de vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa, testificando
tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus
[Cristo]” (At 20.20,21). Acaso também evangeliza seus amigos e vizinhos quando Deus propicia
uma oportunidade? Acaso você lhes explica o que significam fé e arrependimento em um pecador
renascido?
• Fale a verdade sobre a santificação. Acaso você fala a outros como um cristão deve andar na
estrada do Rei, em santidade, gratidão, serviço, obediência, amor e renúncia? Acaso você conta
como ele deve aprender a arte da meditação, do temor a Deus e da oração infantil? Como deve
continuar na graça de Deus, buscando tornar concretas sua vocação e eleição? Acaso você
discipular seus companheiros quanto à necessidade de fé experiencial, de arrependimento e de
piedade?
• Fale a verdade sobre as consequências eternas. Não tema em falar sobre as consequências de
desprezar o sangue de Jesus Cristo. Não recue de descrever a condenação e o inferno. Como
escreveu certo puritano, “Devemos ir com a vara da verdade divina e bater em cada moita atrás da
qual um pecador pode estar escondido, até que, como Adão que se escondeu, ele se ponha diante
de Deus em sua nudez.” Devemos falar urgentemente às pessoas que nos cercam, porque muitas já
estão de caminho para o inferno. Devemos confrontar os pecadores com a lei e o evangelho, com a
morte em Adão e a vida em Cristo. Usemos toda arma que pudermos para converter pecadores da
estrada da destruição, de modo que, pela graça, experimentem uma viva e experiencial relação com
Deus em Jesus Cristo. À luz da Escritura e da experiência sabemos que o Cristo onipotente pode
abençoar seus esforços e resgatar um pecador morto, separá-lo de seus anelos pecaminosos e
fazê-lo disposto a abandonar seus caminhos perversos e volver-se para Deus, plenamente
resolvido a fazer de Deus seu alvo e seu louvor. Atos 5.31 reza assim: “Deus, porém, com sua
destra, o exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de
pecados.” Louve a Deus pela experiência de Sua espantosa graça para conosco em Cristo.

ENSINAR É PERIGOSO

Pergunte a si mesmo novamente: por que você quer fazer discípulos? Talvez você tenha relutado
em sua decisão de ser um discipulador. Talvez a única razão pela qual ainda está trabalhando neste
livro é que Jesus ordenou que fizéssemos discípulos, e você não quer ser desobediente. Você não
está certo de que tem muito a oferecer, mas sabe que deveria deixar Deus usá-lo da maneira como
ele deseja. Ou talvez você sempre se tenha visto como um líder. Você tem uma mensagem que a
igreja precisa ouvir, e está pronto para ensinar a qualquer um que queira aprender. Você não precisa
de motivação; só quer estar mais bem preparado. Para aqueles de vocês que estão relutantes,
lembrem-se de que Deus quer que ministremos por alegria, e não por mera obrigação. Ele quer que
desfrutemos do privilégio e do prazer de ministrar às pessoas, que sejamos alegres em nossa
doação (2Co 9.7) e que lideremos os outros com disposição e avidez: Pastoreiem o rebanho de
Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como
Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. 1Pedro 5.2 Para aqueles de
vocês que estão ansiosos por liderar, lembrem-se de que Deus quer que sejamos cautelosos em
nossa liderança. Lembrem-se de que estarão ensinando pessoas sobre a Bíblia e guiando-as para
uma vida devota. A Bíblia encara o papel de professor com bastante seriedade, e nós deveríamos
fazer o mesmo. Tiago nos deu uma terrível advertência acerca do poder da língua: ele alertou que,
embora possamos falar a verdade e trazer vida às pessoas, nossas palavras também podem causar
enorme perigo. A língua é um fogo, diz Tiago, que “contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o
curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno” (Tg 3.6)! Se você examinar seu
coração e encontrar algum traço (por menor que seja) de desejo pela glória e pelo prestígio
resultantes do ensino e da liderança de pessoas, dedique algum tempo para que o alerta de Tiago
impregne você. Reflita acerca do que sua língua é capaz. Como discipulador, você pode causar um
impacto enorme em favor do reino de Deus — ou pode conduzir as pessoas a um caminho horrível.
AMOR EM PRIMEIRO LUGAR

Paulo acrescenta um desafio de um ângulo diferente. Em belíssimas palavras, ele disse que obter
conhecimento e poder — e até mesmo sacrificar nosso corpo — é completamente inútil sem o amor:
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que
ressoa ou como o prato que retine. Ainda que eu tenha o dom de profecia e saiba todos os
mistérios e todo o conhecimento, e tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor,
nada serei. Ainda que eu dê aos pobres tudo o que possuo e entregue o meu corpo para ser
queimado, se não tiver amor, nada disso me valerá. 1Coríntios 13.1–3 O resultado do ministério
desprovido de amor é grave: “serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine… nada
serei… nada disso me valerá”. Em outras palavras, mesmo as ações mais impressionantes e
sacrificiais são inúteis se não forem motivadas pelo amor. Você é o tipo de pessoa que ensinaria
alguém sem amá-lo? Não se apresse para responder. Muitos bons pastores têm confessado que se
surpreendem tão ocupados no ministério que realizam suas funções mecanicamente, sem de fato
amar seu povo. A maioria de nós tem de trabalhar duro para manter o amor em primeiro plano. O
que você pensa e sente quando está num grupo de pessoas? Presta atenção excessiva àqueles que
são ricos, atraentes ou têm algo que possam lhe oferecer? Preocupa-se com o que as pessoas
pensam a seu respeito? Ou procura maneiras de amar e oportunidades de doar? Um sinal claro de
um coração desprovido de amor consiste em enxergar pessoas como um meio para fins particulares
— elas escutam você, concordam quando você precisa de afirmação, ficam fora do seu caminho
quando você não precisa delas etc. Quando se tem esse tipo de mentalidade ao ensinar outras
pessoas, o ensinamento está fadado a ser estéril e infrutífero. De acordo com Paulo, toda vez que
tentamos ensinar alguém partindo dessa mentalidade, podemos ter certeza de que nos tornamos
nada mais que um sino que ressoa ou um prato que retine; tornamo-nos irritantes e irrelevantes.
Cumprir a ordem de Jesus para fazer discípulos é mais que ter a teologia correta ou tópicos de
ensino bem desenvolvidos. Lembre-se de que se você soubesse “todos os mistérios e todo o
conhecimento”, mas não tivesse amor, nada seria. Pouco antes, na mesma carta, Paulo disse:
“Quem pensa conhecer alguma coisa, ainda não conhece como deveria. Mas quem ama a Deus,
este é conhecido por Deus” (1Co 8.2–3). Não se trata do que você sabe ou do que pensa que sabe
— trata-se de amor. Se você não está disposto a fazer do amor a Deus e do amor às pessoas sua
maior prioridade, então pare aqui. É sério, vá embora e não volte até ter resolvido esse ponto
essencial. A falta de amor é a marca inconfundível da morte: “Sabemos que já passamos da morte
para a vida porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte” (1Jo 3.14). Fazer
discípulos não tem a ver com reunir pupilos para ouvir o que ensinamos. O verdadeiro foco não é,
de modo algum, ensinar pessoas — o foco é amá-las. O chamado de Jesus para fazer discípulos
inclui ensinar pessoas a serem obedientes seguidores de Jesus, mas o ensino não é o objetivo final.
Em última análise, trata-se de ser fiel ao chamado de Deus para amar as pessoas ao nosso redor.
Trata-se de amar essas pessoas a ponto de ajudá-las a enxergar sua necessidade de amar e
obedecer a Deus. Trata-se de levá-las ao Salvador e deixar que ele as liberte do poder do pecado e
da morte e as transforme em seguidoras apaixonadas de Jesus Cristo. Trata-se de glorificar a Deus
fazendo discípulos que ensinarão outras pessoas a amar e obedecer a ele. Portanto, a pergunta é:
quanto você se importa com as pessoas ao seu redor? Quando está no meio da multidão,
interagindo com sua família ou conversando com irmãos em sua igreja, você ama essas pessoas e
deseja vê-las glorificar a Deus em cada aspecto da vida? A avaliação honesta de suas intenções e o
pedido para que Deus purifique seu coração precisam se tornar hábitos em sua vida. Dedique
algum tempo para analisar seus relacionamentos — família, amigos, colegas de trabalho, vizinhos
etc. Seu modo de pensar e interagir com as pessoas que Deus colocou em sua vida pode dizer
muita coisa sobre seu coração. Pense em seus relacionamentos e pergunte a si mesmo quanto você
ama as pessoas à sua volta. Ao avaliar seus relacionamentos, você se tornará capaz de identificar
áreas nas quais precisa trabalhar.

IMPLICAÇÕES DOUTRINÁRIAS E PRÁTICAS:

1) Todo o Ministério terreno de Cristo estava comprometido com a glória de Deus e a salvação do
seu povo.
2) Devemos pregar com a certeza de que a Bíblia é a Palavra de Deus, o poder de Deus para a
transformação dos pecadores (Rm 1.16).
3) Não devemos desanimar mesmo que não consigamos ver de imediato os frutos do nosso
trabalho; basta-nos a certeza de que no Senhor o nosso trabalho nunca será em vão (1Co 15.58).
4) Uma das formas de cultuar a Deus é obedecendo os seus preceitos. Isto implica no fato de que
em todas as áreas de nossa vida podemos e devemos cultuar a Deus, agindo conforme a sua
vontade.
5) A nossa preocupação na igreja, não deve ser quanto ao cargo que ocupamos mas, sim, em como
podemos servir melhor ao nosso Deus.
6) O pastorado de Cristo enche-nos de conforto porque ele é o nosso Pastor e, também, o Pastor
do nosso pastor (Hb 13.20; 1Pe 5.4).

Coloco aqui as que considero mais relevantes, sempre lembrando que muitos seminários e escolas
de teologia levam muito a sério a questão da ortodoxia bíblica e do cultivo da vida espiritual de seus
alunos. Não é a eles que me refiro aqui.

1. Acho que tudo começa quando as denominações mandam para os seminários e faculdades de
teologia jovens que não têm absolutamente a menor condição de serem pastores, professores,
obreiros e pregadores. Muitos são enviados sem nenhum preparo intelectual, espiritual e emocional.
Alguns mal completaram dezessete anos e vão estudar teologia simplesmente porque são líderes
destacados dos adolescentes em sua congregação, ministros do grupo de louvor ou filhos de
pessoas influentes da igreja. Não é sem razão que Paulo orienta que o líder não pode ser neófito,
isto é, novo na fé (1Tm 3:6). Eles não têm estrutura intelectual, bíblica e emocional para interagir
criticamente com os livros dos liberais e com os professores liberais que vão encontrar aos montes
em algumas das instituições para onde serão mandados. Não estarão inoculados preventivamente
contra o veneno que professores liberais costumam destilar em sala de aula.

2. Acho também que a culpa é das denominações que mantêm professores liberais (ou
conservadores frios espiritualmente) nas cátedras de suas escolas de teologia. O que um professor
que não acredita em Deus, nem que a Bíblia é a Palavra de Deus, e além de tudo não ora, tem para
ensinar a jovens que estão na sala de aula para aprender mais de Deus e de sua Palavra? Há
seminários e escolas de teologia que mantêm no corpo docente professores que nem vão mais a
uma igreja local, que usam o título de pastor apenas para ocupar uma vaga na cátedra dos
seminários. Nunca levaram ninguém a Cristo, nem estão interessados nisso. Não têm vida de
oração, de piedade. Que exemplo eles poderão dar aos jovens que sentam nas salas de aula com a
mente aberta, ansiosos e desejosos de ter modelos de líderes para começar seu próprio ministério?

3. Alguns desses professores chegam a declarar, em tom teoricamente farsesco no primeiro dia de
aula, que seu alvo pessoal é “destruir a fé de todos os seus estudantes” antes mesmo que
terminem o primeiro ano de estudos. Começam desconstruindo o conceito de que a Bíblia é a
infalível e inspirada Palavra de Deus. Com grandes demonstrações de sapiência e erudição, eles
mostram os “erros” da Bíblia e o “engano” da igreja cristã ao, “influenciada” pela filosofia grega,
elaborar doutrinas como a Trindade, a divindade de Cristo e a expiação. Mesmo sem usar
linguagem direta, embora alguns até utilizem, lançam dúvidas sobre a ressurreição literal de Cristo
dentre os mortos. A pá de cal na sepultura da fé desses meninos é a vida desses professores. Além
de não terem vida devocional alguma, alguns deles incentivam os seus pobres alunos a beber,
fumar, frequentar baladas e outros locais. Eles até lideram o grupo Noé (que se encheu de vinho) e
o grupo Isaías (“e a casa se encheu de fumo”) nos seminários!!!

4. Bem, acredito que uma fé que pode ser destruída deve ser destruída mesmo, pois não era
autêntica nem sólida. Quanto mais cedo ela for exterminada e substituída por uma fé robusta,
enraizada na Palavra de Deus, melhor. Acontece que os professores liberais e os professores
conservadores mortos só sabem destruir; eles não têm a menor ideia de como ajudar jovens
candidatos ao ministério pastoral a cultivarem uma mente educada, uma fé robusta e uma vida de
devoção e consagração a Deus: os primeiros, porque lhes falta fé; os segundos, devoção. Ao fim de
quatro anos de estudo com professores assim, vários desses jovens saem para serem pastores,
mas intimamente — alguns, abertamente — estão cheios de dúvidas quanto à Bíblia, quanto a Deus
e quanto às principais doutrinas da fé cristã. Estão confusos teologicamente, incertos
doutrinariamente e cínicos devocionalmente. Quando entraram nos estudos teológicos, eram jovens
que tinham como grande missão de sua vida pregar o evangelho, glorificar a Deus e ganhar o
mundo para Cristo. Agora, após quatro anos debaixo do jugo de professores liberais ou
conservadores mortos, seu único alvo é conseguir campo para ganhar o pão de cada dia,
sustentando a si e à família. Esse tipo de motivação destrói igrejas em curto espaço de tempo.

5. Não podemos deixar de lembrar que, na verdade, se trata de uma guerra espiritual feroz, em que
Satanás tenta de todos os modos corromper a singeleza e sinceridade da fé em Cristo, atacando a
mente e o coração dos futuros pastores (2Co 11:3). Usando professores sem fé e professores sem
vida espiritual, ele procura minar as convicções, a certeza, o fervor e a dedicação dos jovens que se
preparam para o ministério. Aqui é pertinente o lema de Calvino, orare et labutare. Pela oração, os
seminaristas poderão escapar da tendência dos estudos teológicos de transformar nossa fé em um
esquema doutrinário seco. E, pela labuta nos estudos, poderão se livrar das mentiras dos
professores liberais, neo-ortodoxos, libertinos e marxistas. Eu daria as seguintes sugestões a quem
pensa em fazer teologia e depois seguir a carreira pastoral:

• Verifique suas motivações:


O que leva você a desejar o pastorado? Muitos querem ser pastores porque não conseguem ser
mais nada na vida. Não conseguem passar no vestibular para outras carreiras, nem conseguem
emprego. Enxergam o pastorado como um caminho fácil para alguma (qualquer uma) colocação
profissional.
• Procure saber qual a opinião de seus pais, de seus pastores, e de seus amigos mais chegados,
que terão coragem de lhe dizer a verdade. • Seja honesto consigo mesmo e responda: você já levou
alguém a Cristo? Você tem liderança? Você tem facilidade de comunicação em público e em
particular?
• Você tem uma vida devocional firme, constante, sólida, em que lê a Bíblia e ora, buscando a face
de Deus, com zelo e fervor? Cultiva uma vida santa e reta diante de Deus, odeia o pecado e almeja
ser mais e mais santo em seu caminhar? Um colega de seminário me lembrou recentemente que
uma das coisas que o impediram de perder a fé e o fervor, durante o tempo de estudos, foi que ele
tenazmente se aproximou dos professores conservadores que eram espirituais, dedicados,
fervorosos, que valorizavam a vida com Deus e a santidade. A comunhão com esses homens de
Deus foi um refrigério para ele e funcionou como uma âncora nos momentos de tentação e crise.
Lamento pelos jovens que perdem a fé ou o amor a Deus durante os anos de estudos teológicos.
Lamento mais ainda pelas igrejas onde eles vão pastorear e onde vão plantar as mesmas sementes
de incredulidade e frieza que foram semeadas em sua mente aberta e despreparada por
professores sem fé e sem zelo.
1. Procure fazer cursos on-line de teologia que sejam conservadores. Não há cursos assim
reconhecidos pelo MEC. Mas, para aqueles que estão mais interessados em sobreviver e crescer na
fé cristã histórica do que em ter um diploma do MEC, há cursos a distância oferecidos por
instituições comprometidas com a Bíblia.

2. Há muitos sites na internet com bastante material reformado, que podem servir de fonte quase
inesgotável de material para estudo e reflexão. Nessas horas, o Google é um dos melhores amigos.

3. Procure adquirir boa literatura e formar uma biblioteca básica de livros reformados. Eles são de
ajuda inestimável para quem precisa sobreviver em território liberal. Esses livros podem ser
adquiridos pela internet quase em sua totalidade, pelo site de editoras que entregam pelo correio.
Livrarias em território liberal raramente têm deles nas prateleiras — use a internet para adquiri-los.

4. Encoraje seus amigos crentes que enfrentam as mesmas dificuldades que você está passando a
formar grupos de comunhão para estudar bons livros juntos, discutir questões teológicas e orar uns
pelos outros. Tudo isso ajuda na sobrevivência.

5. Procure participar de todos os eventos de linha conservadora e bíblica que puder. Há muitos
acontecendo no Brasil, como, por exemplo, os chamados encontros de fé reformada. Ainda que o
custo de passagem, inscrição e hospedagem seja alto, no final vale a pena para quem pretende
sobreviver e crescer na fé.

6. Mesmo que a maioria das igrejas em território liberal tenha pastores liberais, aqui e acolá é
possível encontrar um pregador que seja firme, que pregue a Palavra e que defenda as grandes
doutrinas da fé cristã. Ainda que ele seja de outra denominação, vá ouvi-lo de vez em quando.
Procure conversar com ele e orar juntos.

7. Gaste tempo em oração diante de Deus. Não deixe que em seu coração se forme uma raiz de
amargura e ressentimento contra liberais. Ore por eles. Ore por proteção contra o erro teológico.
Peça a Deus sabedoria e discernimento em todas as coisas.

A. SEUS REQUISITOS BÁSICOS

Em duas de suas cartas, o apóstolo Paulo delineia as qualificações daqueles que desejam essa
“nobre função” (1Tm 3.1–7; Tt 1.5–9), o que certamente implica em condições básicas para sua
continuidade (cf. tb. 1Tm 5.17–25; 1Pe 5.1–4). Cinco palavras-chaves parecem abranger os
requisitos: masculino, maduro, modelo, manso e mestre.
A primeira condição para o pastor — ser do sexo masculino — certamente é o requisito mais
contestado em muitas sociedades contemporâneas. O Novo Testamento, entretanto, não deixa
ambiguidade: o ofício se limita aos homens piedosos. Por isso, sua afirmação pinta a posição
historicamente alegada por todos os ramos cristãos, isto é, pelo menos até meados do século 20
quando ela foi mais e mais questionada e a ideia de instituir pastoras foi aceita entre certos grupos
protestantes históricos e até em igrejas evangélicas. Diante de tantos desentendimentos e
incertezas sobre esse ponto, o Apêndice 5 oferece aclarações para melhor entendermos essa
crença, mantendo-a na atualidade. Além de ser homem, o pastor deve ser um modelo de discípulo
de Cristo, bom cidadão, marido amoroso e pai responsável, em caso de ser casado e ter filhos. Esse
padrão inegociável resume-se na palavra “irrepreensível” (1Tm 3.2; Tt 1.6, 7). Se não, encontra-se
desqualificado para esse cargo, ou seja, sua piedade evidenciada lhe dá base para que, em primeiro
lugar, seja considerado e, então, para sua continuidade no ministério. Também ligado à ideia de
modelo está o fato de que o candidato deverá servir como um exemplo perante a membresia, ele
deve evangelizar ativamente os perdidos, edificar os crentes e desfrutar de um bom relacionamento
com os de fora (1Tm 3.7; 2Tm 4.5). Esse aspecto mais funcional implica sua diligência e aptidão, em
relação às quais surge a última condição.

A qualificação de mestre denota a única habilidade pessoal dentre os requisitos bíblicos para o
pastorado. O homem precisa ser “apto para ensinar” a Palavra com fidelidade e discernimento, e a
congregação irá desfrutar dos benefícios espirituais de seu empenho (2Tm 2.24; cf. Ef 4.11; Tt 1.9).
Ainda que haja um fator de competência humana implícito nessa condição, não se trata de afirmar
que essa habilidade provenha totalmente de seus esforços pessoais, pois é Deus quem
soberanamente o capacita.

É importante dizer que nem todos os pastores que servem a uma igreja precisam, necessariamente,
ter as habilidades oratórias para ensinar em cultos onde talvez centenas ou milhares de pessoas
estejam presentes. Porém, todos deveriam conhecer as Escrituras e saber aplicá-las
apropriadamente aos membros em conversas pessoais e em grupos menores. Essa ideia de uma
congregação ter vários pastores nos leva ao próximo tópico.

QUEM PODE SER PASTOR?

Muitos anos atrás, quando fui consagrado pastor pela Igreja Presbiteriana do Brasil, decidi alugar
um apartamento em Recife, perto de onde iria trabalhar. Como eu estava começando a vida, não
tinha fiador. Quando o dono do apartamento que eu desejava alugar soube que eu era pastor, disse:
“Não precisa de fiador. O senhor é pastor presbiteriano? Então não precisa de fiador, para mim
basta a sua palavra”. Tenho certeza de que, se hoje eu fosse alugar um apartamento e o dono do
apartamento soubesse que eu sou pastor, pediria uns quatro fiadores. Infelizmente, a atividade
pastoral está em desgraça no Brasil. Às vezes tenho vergonha de me apresentar. Quando vou a um
hotel e tenho de preencher uma ficha de cadastro, na linha em que devo escrever qual é minha
“profissão”, escrevo “pastor evangélico” olhando meio de lado, com medo de alguém dizer: “Mais
um charlatão, picareta ou mercenário!”. Em nossos dias, a figura do pastor ficou estereotipada por
conta da atuação dos pastores midiáticos, aqueles que têm um canal de televisão ou de rádio nas
mãos e pregam a Teologia da Prosperidade, governam e comandam impérios financeiros usando
muitas vezes meios escusos, gerando escândalos financeiros. Uma vez que é a imagem dessas
pessoas que chega à população em geral, é natural que o não cristão pense que todo pastor age do
mesmo jeito.

Até que se prove que “focinho de porco não é tomada”, você já foi considerado mercenário ou mais
um ladrão. Certa vez, ao tentar entrar em determinado país, sofri assédio na alfândega. No
momento em que me apresentei como pastor, tive de ouvir piadinhas infames. Isso em razão de um
líder religioso ter sido flagrado dois anos antes entrando naquele país com milhares de dólares
escondidos numa Bíblia. Isso é muito triste. A verdade é que a Bíblia nos ensina que surgiriam falsos
mestres, falsos pastores e falsos profetas, que, em nome do cristianismo, fariam negócios.
Inclusive, manipulando a credulidade das pessoas, em benefício de si mesmos (Mt 24.10–11). O
próprio Jesus disse a seus discípulos que, futuramente, muitos viriam em seu nome e enganariam
muitos. Em suas cartas, o apóstolo Paulo denuncia com frequência os falsos mestres, a quem ele
chama de ministros de Satanás. E, à semelhança de Satanás, eles se transfiguram em anjos de luz.
São mercadores da Palavra de Deus.

Por sua vez, o apóstolo João se refere a esses falsos mestres como anticristos: “Eles saíram de
nosso meio, mas, na verdade, nunca foram dos nossos; do contrário, teriam permanecido conosco.
Quando saíram, mostraram que não eram dos nossos” (1Jo 2.19). A verdade é que nunca ficaremos
livres dos maus pastores e dos falsos pastores. São pessoas que usam esses títulos e outros títulos
— como “bispo”, “bispo primaz”, “patriarca” e “apóstolo” — para assumir o controle, o domínio, a
supremacia da fé das pessoas e valer-se disso para benefício próprio, quer seja em termos
financeiros, quer em popularidade e assim por diante. Porém, o fato de existirem falsos pastores e
pastores que abusam dessa condição não deveria nos impedir de ver que a Bíblia fala de bons
pastores. Deus levanta pessoas por meio das quais ele traz a sua verdade, leva avante seu reino,
encoraja, abençoa e ajuda as demais pessoas. O ofício do pastor aparece em Efésios 4, quando o
apóstolo Paulo diz que Cristo deu à igreja apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres.
Inclusive a palavra “pastores” aparece junto de “mestre”, dando a ideia de que se trata de uma coisa
só. O pastor verdadeiro é, na verdade, um mestre. É um expositor da Palavra de Deus, que por meio
do ensino pastoreia e orienta as pessoas nas decisões que precisam tomar, as ajuda em um
momento de sofrimento e lhes dá norteamentos na vida. Paulo descreveu as qualificações das
pessoas que almejam servir a Deus como pastor em 1Timóteo 3. Diz assim o texto: “Esta é uma
afirmação digna de confiança: ‘Se alguém deseja ser bispo, deseja uma tarefa honrosa’ ” (v. 1).
Episcopado, aqui, tem o mesmo sentido de pastorado, pois “bispo”, “pastor” e “presbítero”
possuem todos a mesma função na Bíblia. Em seguida, Paulo prossegue: Portanto, o bispo [pastor]
deve ter uma vida irrepreensível. Deve ser marido de uma só mulher, ter autocontrole, viver
sabiamente e ter boa reputação. Deve ser hospitaleiro e apto a ensinar. Não deve beber vinho em
excesso, nem ser violento. Antes, deve ser amável, pacífico e desapegado do dinheiro. Deve liderar
bem a própria família e ter filhos que o respeitem e lhe obedeçam. Pois, se um homem não é capaz
de liderar a própria família, como poderá cuidar da igreja de Deus? Não deve ser recém-convertido,
pois poderia se tornar orgulhoso, e o diabo o faria cair. Além disso, os que são de fora devem falar
bem dele, para que não seja desacreditado e caia na armadilha do diabo.

1Timóteo 3.2–7 Trata-se, portanto, de uma citação que põe em xeque muita gente. De acordo com
a Bíblia, para ser pastor, a pessoa deve ter algumas qualidades morais, como se vê na lista
apresentada. Deve ser uma pessoa sóbria, modesta, irrepreensível, inimiga de contendas,
generosa, enfim, deve ter essas qualidades morais. Não poderia ser diferente, já que o pastor
servirá de exemplo; ele será o líder da comunidade e um referencial para as pessoas. Além disso, o
pastor precisa de autoridade para ensinar. Como ele vai ensinar as pessoas a ser aquilo que ele não
é? Também vemos nessa lista, além das qualificações morais, características sociais. Por exemplo,
o pastor precisa ter boa fama junto às pessoas de fora de seu contexto, como o balconista do
mercado e o padeiro. Ele tem de ser alguém a respeito de quem um vendedor diga: “Ah, sim, sei
quem é o pastor fulano. Ele veio comprar aqui, pagou devidamente, foi muito honesto em seu
compromisso”. O pastor deve ser uma pessoa irrepreensível nas relações sociais, dando bom
testemunho e sendo hospitaleiro. E há, por fim, requerimentos na área familiar. Diz o texto bíblico
que o pastor tem de governar a sua família e ter os filhos sob disciplina.

A questão aqui é a seguinte: se ele não consegue governar, orientar e pastorear a sua família, como
ele fará isso com a família dos outros? O texto não quer dizer que até o fim da vida os filhos de
pastores têm de frequentar alguma igreja para que o pastor mantenha sua qualificação, mas, sim,
que, enquanto os filhos são pequenos e estão debaixo da autoridade do pastor, devem ser
orientados por ele dentro da fé cristã. Desse modo, se o pastor tem filhos que são crianças ou
adolescentes completamente rebeldes, que não servem a Deus e vão contra sua Palavra, isso já diz
algo a respeito do pai. Uma última qualificação é em relação a saber ensinar. A Bíblia diz que o
pastor tem de ser apto a ensinar. Isso significa que ele precisa conhecer a teologia cristã e a Bíblia;
precisa pregar bem e ser um bom professor. Em outras palavras, não é qualquer pessoa que pode
ser pastor, mas, sim, alguém chamado por Deus e que tenha todas essas qualificações.
DICAS PARA A LIDERANÇA

Pensei em escrever um livro para pastores intitulado “Como ser demitido… e rápido!” Posso resumir
a idéia básica deste livro não escrito em uma sentença de proporções paulinas: o pastor poderia ir a
uma assembléia da igreja questionando a salvação de alguns dos membros da igreja, recusando-se
a batizar crianças, defendendo a prioridade do canto congregacional acima do desempenho
musical e pedindo autorização para remover as bandeiras cristãs e nacionais, acabar com os apelos
de vir à frente, substituir as comissões (até a comissão nomeadora) por presbíteros, ignorar a
celebração de dias como o dia das mães, o dia dos pais, o dia do trabalho, o dia das bruxas, o dia
de ano novo, o dia dos namorados, a formatura de alunos do ensino médio e o dia da
independência, começar a praticar a disciplina bíblica, remover as mulheres que assumiram a
posição de presbíteros na igreja e também afirmar que teologicamente é contrário à realização de
diversos cultos no domingo pela manhã… Esse pastor não iria mais longe do que a próxima
assembléia da igreja. Embora eu tivesse condições de escrever aquele livro, achei que
primeiramente deveria usar uma abordagem mais construtiva. Temo que alguns podem ler este livro
e chegar à sua igreja impacientes por mudanças radicais. Mas, com um pouco de sabedoria,
paciência, instrução cuidadosa e amor, podemos ficar surpresos com o ponto até aonde podemos ir
com nossas igrejas. A história da tartaruga persistente e da lebre apressada deve se tornar uma
parábola para os pastores. Aqui estão quatro características que você, como pastor, deve cultivar
para ajudá-lo a implementar as mudanças que acha são necessárias em sua igreja:

1. Seja verdadeiro Peça a Deus que o mantenha fiel à sua Palavra escrita. Nunca subestime o poder
de ensinar a verdade. Peça a Deus que você tenha integridade em seu coração, em sua maneira de
pensar. Suplique-Lhe que você seja honesto com todos — em responder perguntas e, de um modo
mais ativo, em trabalhar para que as pessoas o conheçam.

2. Seja digno de confiança Confie em Deus, e não em suas próprias habilidades e dons. Gaste
tempo em oração particular, com os outros e com a igreja. Seja paciente. Lembre as palavras de
Paulo a Timóteo: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta
com toda a longanimidade e doutrina” (2 Tm 4.2). Entregue suas ambições ao Senhor. Esteja
disposto a confiar nEle com toda a sua vida e a rogar-Lhe que o mantenha no lugar de seu
ministério atual durante o resto dos seus dias. Deus tem considerado a longevidade importante
para trazer crianças à maturidade; essa longevidade tem caracterizado muitos ministérios
frutíferos. William Gouge, pastor puritano, dizia freqüentemente que sua maior aspiração consistia
em ir de Blackfriars (sua igreja) para o céu. Gouge foi o pastor da mesma igreja de junho de 1608
até sua morte em 12 de dezembro de 1653. Ele pastoreou a mesma igreja por quarenta e seis anos.
Ore a Deus para que a sua fé aumente e o ajude a ver que a preocupação dEle pela igreja é maior
do que a sua própria.

3. Seja positivo Peça a Deus que você não seja fundamentalmente um crítico, nem seja percebido
como tal. Estabeleça uma agenda positiva. Esclareça seus planos e a visão de Deus para a igreja,
em termos de objetivos imediatos e de longo prazo. Suplique ao Senhor que o ajude a construir
relacionamentos pessoais firmes e, em especial, que o ajude a desenvolver mais líderes em sua
igreja (2 Tm 2.2). Peça-Lhe que o torne um exemplo pessoal e um defensor de evangelização e
missões. Ore a Deus para que seu zelo aumente — e de sua igreja — para a glória dEle.

4. Seja paciente Contextualize o interesse de Deus pela sua igreja. Use os bons recursos da história
de sua própria igreja. Aprenda dos membros mais velhos a história de sua igreja. Seja um
dendrologista eclesiástico. Na catedral de Lincoln, um guia turístico me disse que um dendrologista
(pessoa que estuda as árvores) poderia pegar uma amostra do miolo dos carvalhos de 14 metros
que têm sustentado o teto da catedral durante séculos e determinar quando eles foram plantados e
colhidos. Os carvalhos que ele nos mostrou tinham mais de 150 anos quando foram colhidos;
haviam sido plantados nos anos 900 e colhidos nos anos 1100. Torne-se o principal estudante da
história de sua própria igreja. Ao fazer isso, você mostra respeito e aprende. Que você se torne o
agente para redescobrir o melhor no passado de sua igreja, conduzindo-a às grandiosas coisas que
Deus tem para ela no futuro, enquanto ela manifesta o caráter de Deus à sua criação. Este encargo
de manifestar a glória de Deus é nossa maravilhosa responsabilidade e sublime privilégio. Que Deus
faça de sua igreja uma igreja saudável, que Ele derrame seu Espírito em igrejas em todo o mundo,
para que cumpram essa responsabilidade, para a sua glória. Que Ele o abençoe em sua tentativa!

AFINAL, QUAL É A DEFINAÇÃO DE PASTOR ?

Comecemos com as palavras de um pastor: Eugene Peterson, que para muitos era pastor de
pastores. Em seu belo livro Memórias de um pastor, Peterson trata da invasão da cultura de sucesso
e realização na igreja. No processo de entender minha identidade vocacional como pastor, não
pude deixar de observar que havia ao meu redor um bocado de confusão e insatisfação com a
identidade pastoral. Muitos pastores, decepcionados ou desiludidos com suas igrejas, desertam
depois de alguns anos e encontram uma ocupação que seja mais de seu agrado. E muitas igrejas,
decepcionadas ou desiludidas com seus pastores, os mandam embora e procuram pastores que
sejam mais de seu agrado. Durante os cinquenta anos em que vivenciei a vocação de pastor, essas
deserções e demissões atingiram proporções epidêmicas em igrejas de todos os ramos e formatos.
Pergunto-me se, na raiz da deserção, não existe uma premissa cultural de que todos os líderes têm
de “levar projetos adiante” e “fazer as coisas acontecerem”. Sem dúvida, é o caso dos principais
modelos de liderança que se infiltram da cultura para nossa consciência: políticos, empresários,
publicitários, relações públicas, celebridades e atletas. Embora o pastorado abarque alguns desses
aspectos, o elemento mais difundido em nossa tradição pastoral de dois mil anos não é alguém que
“faz as coisas acontecerem”, mas, sim, alguém colocado na comunidade para prestar atenção e
chamar a atenção para “o que está acontecendo neste momento” entre homens e mulheres, uns
com os outros e com Deus, esse reino de Deus primeiramente local, inexoravelmente pessoal e que
ora “sem cessar”. Se desejamos formar uma cultura tov na igreja, capaz de curar os feridos,
precisamos operar conforme o plano de Deus, e não conforme o modelo mais recente de liderança.
Este é o plano de Deus para o pastor: O pastor é alguém chamado para cultivar a cristoformidade
em si mesmo e em outros.

UM PASTOR

A quarta coisa à qual Deus me chamou foi para ser um pastor. Esta é a minha chamada vocacional e
ocupa a maior parte do meu tempo. Constantemente, eu me admiro do fato de que Deus me deu o
privilégio de servi-Lo desta maneira. O ministério pastoral é a chamada vocacional mais sublime do
mundo. Minhas responsabilidades pastorais têm precedência sobre quaisquer atividades que
envolvam recreação ou não façam parte do ministério. Tudo o que está envolvido no pastorear o
rebanho de Deus (e a Bíblia o descreve de maneira bastante compreensiva) constitui o meu dever.
Neste ministério, a minha tarefa mais importante é trabalhar fielmente na pregação da Palavra e na
oração. Todavia, essas duas atividades não devem ser realizadas simplesmente em um nível de
profissionalismo. Pelo contrário, elas devem ser praticadas em meio à minha busca por santidade.
Existe uma solidão inevitável que acompanha o pastorado. A maior parte do trabalho no ministério
pastoral pode ser feita somente quando um homem está sozinho com seu Deus. Sem esse período
de intimidade com Deus, o tempo gasto com as pessoas não terá muito valor. Em nossos dias,
existem milhares de “recursos” disponíveis aos pastores, para desviá-los da árdua tarefa de estudar
as Escrituras e orar. Sermões “poderosos” e programas “garantidos” são constantemente
oferecidos aos pastores com intrépida fanfarrice. Um homem com um pouco de esperteza, com
pouca integridade e muitos recursos financeiros pode se manter bem suprido com uma fonte
inesgotável de tais recursos. Mas ele nega a sua chamada por viver à custa do trabalho de outros,
ao invés de fazer a obra de seu próprio ministério.

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