PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO – POP DE AULA PRÁTICA
INSTRUTOR DISCIPLINA CURSO SEMESTRE ELABORAÇÃO
Bruno Passos Especialidades Cirúrgicas II Medicina 7º Fevereiro / 2025
Atividade
Prática de Catéter Venoso Central – CVC
Introdução
O cateter venoso central (CVC) é um dispositivo médico, implantado cirurgicamente com técnica
asséptica, que permite o acesso a grandes veias do corpo, em que a extremidade atinje a veia cava
superior ou inferior. Fornece acesso confiável e possibilita a monitorização hemodinâmica.
Para a inserção do CVC é utilizada a Técnica de Seldinger, a qual consiste em puncionar a veia
central com uma agulha longa e de pequeno calibre, por dentro da qual avança-se um fio-guia.
Com este na posição adequada, um dispositivo de dilatação venosa é introduzido vestindo o fio-
guia, com o objetivo de dilatar pele e tecido subcutâneo e logo após o mesmo é retirado. A seguir, o
cateter é passado vestindo o fio-guia até a posição desejada.
Os locais que podem ser utilizados para inserção de cateteres venosos centrais são a veia jugular
interna (VJI), a veia subclávia (VSC) e a veia femoral comum (VFC).
Indicações:
- Acesso venoso periférico inadequado;
- Administração de medicamentos irritantes/ hipertônicos: podem causar flebites – vasopressores,
quimioterapia;
- Nutrição parenteral total;
- Monitorização hemodinâmica – medidas de pressão venosa central, saturação venosa central de
O2 e de parâmetros cardíacos através da instalação de cateter de artéria pulmonar;
- Terapias extracorpóreas - Hemodiálise e Plasmaférese;
- Colocação de Marcapasso transvenoso cardíaco;
- Pré-operatório de cirurgias de grande porte.
Contraidicações relativas:
- Coagulopatia e/ou trombocitopenia – caso necessário, transfundir plasma fresco ou plaquetas
antes do procedimento;
- Distorção anatômica;
- Infecção ou queimadura no local da punção.
Complicações:
- Punção arterial;
- Hematoma;
- Hemotórax;
- Pneumotórax;
- Lesão de nervos;
- Embolia gasosa;
- Entre outras.
Observações importantes:
Apenas profissionais médicos estão habilitados a realizar esse tipo de procedimento invasivo.
Após punção do CVC em VSC ou VJI, dev-se realizar RX de tórax para certificar posicionamento do
cateter venoso central, tanto de seu trajeto como de sua extremidade distal.
Evitar acessos próximos à traqueostomia, marcapasso ou cardiodesfibrilador implantável.
Prefere-se punção das veias jugular interna ou subclávia, em comparação as femorais, devido ao
melhor manejo e cuidado, capacidade de deambulação do paciente, quando possível, e ao teórico
maior risco de trombose e infecções nos catéteres em veias femorais.
Objetivos
1. Praticar punção de catéter venoso central em VJI e VSC.
2. Entender a aplicabilidade clínica do CVC.
Materiais
Equipamento de proteção individual (luva e capote estéril, gorro, máscara, óculos);
Campos cirúrgicos estéreis;
Lidocaína a 1%;
Agulha, seringa e gaze;
Solução de clorexidine alcoólica e degermante;
Kit de punção (seringa, agulha, fio-guia, dilatador, cateter, fixador);
Solução intravenosa e equipo;
Porta agulha;
Fio de sutura;
Tesoura de sutura;
Material de curativo;
Se possível aparelo de ultrassonografia com transdutor linear de alta frequência.
Descrição do Procedimento
1. Apresentar-se ao paciente e certificar-se que este é o procedimento a ser realizado;
2. Obter consentimento do paciente (implícito em condições de emergência);
3. Posicione o paciente de acordo com o local anatômico a ser puncionado;
4. Proceda à paramentação cirúrgica para realizar o procedimento;
5. Realize a lavagem e a escovação cirúrgica das mãos;
6. Coloque avental e luvas estéreis;
7. Faça a assepsia extensa do local de punção;
8. Coloque campos cirúrgicos estéreis para proteger a área do procedimento.
19. Realize a infiltração com anestésico local;
20. Realize a punção venosa com agulha calibrosa conectada à seringa, mantendo sempre uma
pressão negativa com o êmbolo da seringa;
21. Quando houver refluxo de sangue, mantenha a posição da agulha e desconecte a seringa;
22. Introduza o fio-guia metálico com extremidade em “J” por volta de 20 cm;
23. Mantenha o fio-guia nessa posição e retire a agulha;
24. Proceda à dilatação da pele e ao trajeto até o vaso com introdução do dilatador pelo fio-guia
(pode ser necessária a abertura da pele com lâmina de bisturi para introdução do dilatador);
25. Mantenha o fio-guia nessa posição e retire o dilatador;
26. Introduza o cateter definitivo com cuidado, sem perder a extremidade distal do fio-guia;
27. Faça a retirada do fio-guia;
28. Lave a via (distal) com solução salina e feche o lúmen;
29. Realize a fixação o cateter com pontos, seguindo as especificações do fabricante do
dispositivo;
30. Proceda com curativo oclusivo;
31. Descarte o material na caixa de perfurocortantes;
32. Realize a confirmação radiológica da posição adequada do dispositivo.
Particularidades anatômicas dos sítios de punção:
Veia Jugular Interna
1. Posicione o paciente com a cabeça em rotação lateral contralateral ao procedimento e com
coxim sobre os ombros, facilitando a hiperextensão do pescoço;
2. Realize a punção no ápice do triângulo formado pela clavícula e pelas porções clavicular e
esternal do músculo esternocleidomastóideo;
3. Direcione a ponta da agulha para o mamilo ipsilateral com angulação de 30° a 45° com a
pele;.
4. Introduza lentamente a agulha.
Veia Subclávia
1. Posicione o paciente com a cabeça em rotação lateral, contralateral ao procedimento, e com
coxim entre os ombros, facilitando a abertura das clavículas.
2. Posicione a agulha com bisel em direção ao tórax superior.
3. Realize a punção na junção do terço proximal com o médio da clavícula.
4. Direcione a ponta da agulha para a fúrcula com angulação de 30° com o tórax, reduzindo
para 15° após a passagem para região posterior à clavícula.
5. Introduza lentamente a agulha.
Veia Femoral Comum
1. Posicione o paciente com leve flexão e rotação lateral da coxa;
2. Realize a palpação da artéria femoral;
3. Puncione 1 a 2 cm distal ao ligamento inguinal e medialmente à artéria;
4. Direcione a ponta da agulha na direção superior com angulação de 30° a 45° com a pele;
5. Introduza lentamente a agulha.
Referências
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à
Assistência à Saúde. Brasília: Anvisa, 2017.
Knobel, Elias. Monitorização hemodinâmica e estados de choque. 1ª ed. São Paulo : Editora dos editores,
2023.
PORTO, C.C. Semiologia médica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.
SCALABRINI NETO, Augusto; Dias, Roger Daglius (eds). Procedimentos em emergências [[Link].]. SANTANA
DE PARNAÍBA: Manole, 2023.