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Evidências em

Obesidade
nº 72 - novembro/dezembro 2014

Uma publicação da

Associação Brasileira para


o Estudo da Obesidade e da
Síndrome Metabólica

Jejum, inimigo
da dieta
O impacto no ritmo
do metabolismo

Reganho de peso
A resposta do
organismo após dieta

Suplementos
alimentares
Seus principais grupos,
funções e indicações
na prática esportiva
Palavra do Presidente

Expediente
Balanço e despedida
CHEGAMOS AO FINAL desta gestão (2013/2014). Foram dois anos
intensos à frente da Abeso. Começamos com a reformulação da co-
Associação Brasileira para municação, com a criação de um novo canal: nossa página no Face-
o Estudo da Obesidade e da
Síndrome Metabólica book; e o fortalecimento de canais já existentes: modernização da
revista, do site, e mais interatividade no Twitter.
DIRETORIA 2013-2014
Presidente Tivemos, logo no início, a missão de realizar o XV Congresso
Dr. Mario K. Carra de Obesidade e Síndrome Metabólica, em Curitiba, organizado pela
Vice-Presidente
Dr. João Eduardo Salles Nunes grande Rosana Radominski. Foi um sucesso, de público e de temas.
Primeira Secretária
Dra. Cintia Cercato A educação e o estudo da obesidade são pontos centrais da nossa
Segundo Secretário atuação como entidade. Nesse aspecto, também contamos com os
Dr. Alexander Benchimol
Tesoureira cursos itinerantes, durante o ano de 2014; e um programa de edu-
Dra. Maria Edna de Melo cação para a população, o Emagreça com Boa Informação. Tam-
Sede bém nos coube a organização da 16ª edição do Congresso, que será
Rua Mato Grosso, 306 - Cj. 1711 no Rio de Janeiro, em 2015. Dessa vez, a organização dos trabalhos
Higienópolis - São Paulo - SP
CEP: 01239-040 ficou a cargo do competente Alexander Benchimol.
Tel.: (11) 3079-2298
Fax:(11) 3079-1732 Nesse período, travamos uma batalha para ver de volta os medica-
email: info@[Link] mentos como opção de tratamento da obesidade. Chegamos a conse-
Secretária guir a suspensão da resolução 52/2011 da Anvisa, por meio do decre-
Renata Felix to legislativo 273/2014, mas fomos surpreendidos com a publicação
Email: info@[Link]
de nova resolução que admite a venda e prescrição desses emagrece-
Site: [Link]
dores, desde que se inicie um novo processo regulatório com estudos
que comprovem sua utilidade. Ou seja, vimos inviabilizada, por hora, a
REVISTA EVIDÊNCIAS EM OBESIDADE
volta desses medicamentos, já que esses estudos demoram anos para
Diretora responsável e Editora Científica serem concluídos. Manifestamos repúdio e continuamos na luta.
Dra. Cintia Cercato
Editora responsável Outra ação importante desta gestão foi a campanha do Dia Na-
Luciana Oncken (MTB 46.219-SP) cional de Prevenção da Obesidade, em 11 de outubro, promovida,
Redação este ano, em cinco estados. Realizada pela Sbem, com apoio da
Banca de Conteúdo
Responsável: Luciana Oncken
Abeso, é o pontapé inicial para grandes ações que têm como obje-
Rua Dr. Melo Alves, 392, cj. 601 tivo colocar a obesidade em foco.
Cerqueira Cesar - São Paulo - SP
CEP: 01417-010 Destaco, ainda, a aproximação positiva entre a Abeso e a
Fone: (11) 99305-0230 Sociedade Brasileira de Cirurgia
Email: redacao@[Link]
Bariátrica e Metabólica.
OSMAR BUSTOS

Projeto Gráfico e Edição de Arte Com grande alegria, me


Leonardo Fial
despeço. Tenho a mais absolu-
Impressão ta confiança na diretoria que
Brasilform Gráfica Editora
Email: comercial@[Link] assume o biênio 2015/2016,
Tel.: (11) 4615-1111
que terá como presidente a en-
Periodicidade: bimestral docrinologista Cintia Cercarto,
Tiragem: 5.000 exemplares
profissional competente e dedi-
Imagem de capa: Shutterstock cada, editora científica desta re-
Os anúncios publicados nesta revista são vista, que vem desempenhando
de inteira responsabilidade dos anunciantes.
Não nos responsabilizamos pelo conteúdo comer-
um excelente trabalho na Abe-
cial. Os artigos publicados na revista Evidências so. Em nome dela, saúdo a todos
em Obesidade refletem a opinião dos autores,
não necessariamente a da Abeso. os meus colegas. E agradeço a Mario K. Carra
cada um de vocês. Sucesso! Presidente da Abeso

novembro/dezembro 2014
3
Editorial

Tempo de mudanças

APÓS TRÊS ANOS como editora científica da revista, chega o mo-


mento de "passar o bastão". Foi muito gratificante, para mim,
estar aqui por todo esse tempo. Agradeço a cada um dos cola-
boradores pelos textos enviados, pelas sugestões e opiniões.
O sucesso da revista, sem dúvida, dependeu de vocês. Agora terei
outros compromissos, mas tomei um grande cuidado para esco-
lher o novo editor, afinal, adoro a revista e precisava passar para
alguém que fosse realmente dedicado, científico, e com muita
vontade de fazer mais e melhor. Daí, convidei o Bruno Halpern,
que aceitou o desafio e certamente fará um excelente trabalho!
10 Suplementos Nessa edição, temos muitos assuntos interessantes. Foi
Tipos, indicações realizado, no início de novembro, o Obesity Week, e o Marcio
e cuidados para Mancini esteve lá. Para nossa sorte ele trouxe muitas novida-
prática esportiva des, tantas que não caberiam nessa edição... Assim, nessa edi-
ção e na próxima teremos os "Ecos" deste congresso tão im-
portante. Obrigada, Marcio, pelo carinho com os colegas que
5 Obesidade em Foco não puderam estar lá.
Dia Nacional Nossa matéria de capa fala sobre os suplementos alimen-
de Prevenção da tares no esporte. Existe um uso indiscriminado e, frequente-
Obesidade mente, sem critério por parte das pessoas. Por isso, o Felipe
Gaia, de forma bastante didática, nos traz quais os principais
6 Obesity Week grupos de suplementos e suas funções.
Ecos Iris Lengruber defende, em seu texto, a importância do fra-
Farmacoterápicos cionamento da dieta e que jejum prolongado pode atrapalhar
a perda de peso. Nessa mesma linha, Alessandra Rascovski
traz evidências das adaptações que o organismo lança após o
9 Final de Ano emagrecimento no ímpeto de recuperar o peso perdido - as
Sem peso na famosas "forças engorda-
consciência, tivas"... No seu texto, traz
ou na balança que tipo de comporta-
OSMAR BUSTOS

mento pode ser útil para


14 Jejum engorda evitar esse reganho.
Por que o mecanismo Finalmente, separamos
não é o mais indicado uma pequena página de
em programas de dicas para nossos pa-
emagrecimento?
cientes aproveitarem as
festas de fim de ano sem
16 Reganho de peso culpa. As dicas elabora-
A resposta das pela Monica Beyruti,
do organismo sem dúvida, vão nos aju-
dar a cuidar melhor de Cintia Cercato
nossos pacientes! Editora Científica
Um feliz 2015 a todos!

4 Evidências em Obesidade
Reportagem

Ação do Dia Nacional de


Prevenção da Obesidade é
realizada em cinco estados
OSMAR BUSTOS

A campanha do Dia Nacional de


Prevenção da Obesidade, 11 de ou-
tubro, foi realizada em cinco esta-
dos (Ceará, Minas Gerais, Paraíba,
Santa Catarina e São Paulo), onde
foram promovidas ações com o
objetivo de chamar a atenção para
os riscos do sobrepeso e da obe-
sidade, que já atinge metade da
população brasileira.
Em São Paulo, o atendimento
ao público foi no Terminal Urba-
no do Shopping Itaquera. Foram
atendidas cerca de 600 pessoas,
entre adultos e crianças, que ti-
veram o IMC e a circunferência
abdominal medidos. Foram en-
tregues materiais educativos, sa-
colas ecológicas e bexigas para
todos os participantes. O objetivo
foi trabalhar a conscientização da
população sobre os riscos da obe-
sidade e a importância da mudan- Em Itaquera, São Paulo, 71,9% dos adultos atendidos apresentaram
ça de hábitos. excesso de peso (sobrepeso ou obesidade)
Entre os adultos atendidos,
28,1% estavam dentro do peso seu grau de obesidade. Às ve- Em Florianópolis, a campanha
normal. O sobrepeso apareceu em zes, a pessoa sabe que está aci- do “Dia Nacional de Prevenção da
29,6% da amostra; a obesidade ma do peso, mas não tem noção Obesidade” teve, no dia 11, uma
grau I, em 25,8%; a obesidade grau do quanto. A ideia foi mostrar Caminhada na Beira-Mar Norte, para
II, em 9,7%; e obesidade grau III, que, em prevenção, mudanças profissionais da saúde e público em
em 6,8% dos participantes. Metade simples, se instituídas na famí- geral. Além da caminhada, teve dis-
das crianças atendidas estava com lia, podem trazer grandes be- tribuição de material educativo. No
peso normal; 26,3% apresentavam nefícios”, destacou a coordena- Ceará e Paraíba, também foram re-
sobrepeso; outros 17,9% obesida- dora da campanha deste ano, a alizadas caminhadas e atendimento
de; a obesidade grave estava pre- diretora da Abeso, Maria Edna ao público. Em Minas Gerais, pales-
sente em 5,9% da amostra. de Melo, também membro do tra e atendimento ao público.
“Percebemos uma carência departamento de obesidade da A campanha foi uma realização
muito grande da população em Sociedade Brasileira de Endocri- do departamento de obesidade da
relação à orientação quanto ao nologia e Metabologia (Sbem). Sbem, com apoio da Abeso.

novembro/dezembro 2014
5
Artigo

Ecos farmacoterápicos
do Obesity Week

J
á faz algumas semanas que voltei de Boston, daquele que considero
o mais importante evento do mundo, o Obesity Week (que reúne o
congresso clínico e o cirúrgico em seis dias de congresso e um de
pré-congresso) e é hora de resumir minhas impressões.
A minha apresentação favorita neste ano foi a de Richard Atkinson (Pro-
fessor Emérito de Medicina e Ciências Nutricionais na Universidade de
Wisconsin em Madison e Conselheiro da Obesity Society), que recebeu o
prêmio Mickey Stunkard Lifetime Achievement. Esse prêmio foi designado
para reconhecer pessoas que tiveram uma vida de contribuições relevantes
na área da obesidade em termos de estudo, orientação e educação. Sua pa-
lestra foi sobre como combater a obesidade, e ele foi sincero dizendo que
as coisas não estão bem nessa área, especulando sobre o que se pode fazer
no futuro para melhorar os resultados, principalmente abordando ciência
básica e genética. A epigenética foi enfocada como uma área muito impor-
tante e como uma das principais causas da obesidade. Mulheres em idade
fértil são, portanto, uma prioridade.
Michael Goran, Professor de Medicina Preventiva e Pediatria na Escola
de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia, ganhou o prêmio
ARQUIVO PESSOAL

TOPS, que reconhece contribuições singulares na área da obesidade. Goran


falou sobre a associação entre a adversidade socioeconômica e a obesida-
de em crianças, e a disparidade étnica nas taxas de obesidade na infância,
apresentando dados de crianças afro-americanas e latino-americanas, que
têm risco metabólico muito mais forte, como esteatose hepática e resistên-
cia à insulina, quando comparadas com crianças caucasianas. Ênfase foi co-
locada sobre a ampla variação na resposta à intervenção de perda de peso e
no entendimento dos fatores metabólicos que ligam obesidade na infância
ao aumento do risco de doenças durante o crescimento e desenvolvimento.
Além disso, a área de tratamentos emergentes, como a liraglutida 3,0
Marcio C. Mancini mg para obesidade foi bastante explorada neste congresso. Um pôster foi
Chefe do Grupo de apresentado por Gary Zammit de Nova York, mostrando a relação entre a
Obesidade e Síndrome
Metabólica da Disciplina
perda de peso e a apneia do sono e qualidade de vida no SCALE Sleep Apnea
de Endocrinologia e Me- trial examinados post hoc. Obesos que não queriam ou não toleravam CPAP
tabologia do Hospital das com apneia moderada/grave foram randomizados para liraglutida 3,0 mg
Clínicas da Faculdade de (n=180) ou placebo (n=179) por 32 semanas. Apresentavam peso médio de
Medicina da Universidade
de São Paulo (HC-FMUSP) 117,6 kg, idade média de 49 anos, 72% homens e o índice apnéia-hipopnéia
Vice-Presidente eleito do (AHI) de 49 eventos/h. Pacientes com liraglutida tiveram uma redução de
Departamento de Obesidade AHI (-12 vs. -6 eventos/h, p=0.015) e peso (-5,7 vs. -1,6%, p<0.0001) vs.
da SBEM para 2015/2016
placebo, significantemente associada com a perda de peso. Quanto pior a

6 Evidências em Obesidade
Artigo

apnéia no baseline, maior a redução do AHI (reduções A liraglutida diminuiu a ativação


de 0,7; 1,4; 2,8 eventos/h AHI cohorts <30, 30-59 e ≥60 do córtex parietal para alimentos
eventos/h (p<0.0001). Maior perda de peso também com elevado teor de gordura,
esteve associada com maior melhora na saturação de em comparação com alimentos
oxigênio, arquitetura do sono e desfechos de qualidade de baixo teor, o que significa
de vida (p<0.01).
que ela pode alterar a atividade
Um pôster de destaque, coordenado por Christos
Mantzoros, Professor de Medicina e Saúde Ambiental
cerebral relacionada à atenção ao
na Escola de Saúde Pública de Harvard, questiona a ação estímulo a alimentos, conferindo,
central de liraglutida e objetivou mostrar se ela implica assim, um mecanismo central
nas respostas neurais a estímulos alimentares. O traba- subjacente a seus efeitos no
lho foi um estudo controlado por placebo duplo-cego metabolismo e perda de peso
randomizado cruzado que analisou como as respostas
do cérebro variavam com alimentos de alto e de baixo
teor de gordura, utilizando imagens de ressonância
magnética funcional (fMRI) em 19 indivíduos tratados peso com liraglutida foi semelhante em pacientes com e
com placebo ou liraglutida, num total de 17 dias cada sem pré-diabetes na triagem (-8,0% vs -7,9%, p=0,59) e
(0,6 mg/7 dias, 1,2 mg/7 dias e 1,8 mg/3 dias). Com li- semelhante em subgrupos de IMC (p=0,054,%, p=0,54,
raglutida, houve aumento de GLP-1 (p <0,001), redução kg). A liraglutida foi bem tolerada; distúrbios gastroin-
de glicemia de jejum (p <0,002) e de leptina (p <0,010). testinais foram mais comumente relatados. A liragluti-
A liraglutida diminuiu a ativação do córtex parietal para da 3,0 mg, como adjuvante da dieta e exercício, induziu
alimentos com elevado teor de gordura, em compara- perda de peso significativa em comparação com placebo
ção com alimentos de baixo teor (p <0,001, não corri- independente do estado pré-diabetes e IMC.
gido), o que significa que ela pode alterar a atividade Ken Fujioka, endocrinologista de La Jolla, Califórnia,
cerebral relacionada à atenção ao estímulo a alimentos apresentou outro estudo que foi fruto do SCALE, tam-
conferindo, assim, um mecanismo central subjacente a bém com a coautoria de Alfredo Halpern, que mostrou
seus efeitos no metabolismo e perda de peso. que, na semana 56, os indivíduos recebendo liraglutida
Outro interessante estudo, apresentado por Frank 3,0 mg tiveram maior perda de peso vs. placebo (dados
Greenway, Chefe do Ambulatório do Centro de Pesqui- acima mostrados) e essa perda de peso foi acompanha-
sa Biomédica de Pennington, derivado do multicên- da por melhora na qualidade de vida com liraglutide
trico SCALE, do qual nosso grupo participou (Alfredo (10,6 ± 13,3) vs. placebo (7,6 ± 12,8; diferença 3,1 [2,2;
Halpern) analisou a segurança e eficácia de liraglutida 4,0], p<0,0001), impelida principalmente pela melhora
3,0 mg, como complemento a um déficit de 500 kcal da função física, incluindo os questionários TRIM-W (di-
em adultos obesos ou com sobrepeso, randomiza- ferença 2,1 [1,3; 3,0], p<0,0001) SF-36 escores de saúde
dos 2:1, para receber uma vez por dia liraglutida 3,0 física e mental (diferença 1,7 [1,2; 2,2], p<0,0001 e 0,9
mg (n=2.487) ou placebo (n=1244) por 56 semanas. [0,3; 1,5], p=0,003), e todos os escores dos domínios do
As características basais foram: idade de 45,1 anos, IWQoL e SF-36 melhorada com liraglutida vs. placebo.
78,5% feminino, peso corporal 106,2 kg, IMC 38,3 kg/ Robert Kushner, endocrinologista da Universidade
m², 61,2% pré-diabeticos. Dos pacientes em liraglutida, de Northwestern de Chicago, trabalha com aspectos
92% perderam peso, vs. 65% no grupo placebo. Perda comportamentais da obesidade, e apresentou outro
≥5% ocorreu em 63% nos pacientes em liraglutida vs. estudo, que avaliou o impacto da perda de peso com
27% no placebo (OR 4,8, p<0,0001) e perda de >10% liraglutida 3,0 mg, como adjuvante da dieta e exercício,
e >15% com liraglutida vs. placebo foi observada em em comparação com placebo e liraglutida 1,8 mg sobre
33% vs. 11% (OR 4,3, p<0,0001) e 14% vs. 3.5% (OR a qualidade de vida relacionada à saúde (QdVRS) em
4,9, p<0,0001). Os pacientes que terminaram o estudo adultos com excesso de peso e obesidade com diabetes
com liraglutida (n=1789, 72%) perderam 9,2% (9,7 tipo 2, já que a obesidade é uma doença crônica associa-
kg) de peso vs. 3,5% (3,8 kg) no grupo placebo (n=801, da com uma QdVRS baixa, que pode ser melhorada por
64%; diferença estimada -5,7%, P<0,0001). A perda do uma perda de 5 a 10% do peso. Foram estudados 846

novembro/dezembro 2014
7
Artigo

participantes com idade de 55 anos; 50% masculino; -Lite foi melhorada com 3,0 mg (11,7 ± 14,7), mas não
IMC 37 (27-68) kg/m²; HbA1c 7,9%; duração do dia- com 1,8 mg (9,1 ± 14,1), versus placebo (7,6 ± 12,6; di-
betes 7,3 (0,2-36) anos; 11% em dieta e exercício, 57% ferença estimada (ED) e IC 95%: 2,7 [0,6-4,9]; p=0,014).
com metformina em monoterapia, 31% em antidiabéti- Liraglutida 3,0 mg, mas não 1,8 mg, melhorou também
cos orais em combinação (sulfas, metformina, pioglita- a DTSQ vs. placebo (ED: 1,4 [0,4-2,5], p<0,01) e isso de-
zona) que foram randomizados (2:1:1) para 56 semanas veu-se a melhora da função física do paciente. Portanto,
de liraglutida 3,0 mg (n=423), 1,8 mg (n=211) ou place- em indivíduos com sobrepeso e obesidade com diabetes,
bo (n=212), além de dieta com 500 kcal de déficit diário liraglutida 3,0 mg, como adjuvante da dieta e exercício,
e recomendação de exercício. Questionários específicos foi superior ao placebo e a liraglutida 1,8 mg na perda de
IWQoL e DTSQ foram utilizados para avaliar a saúde re- peso (p <0,0001 e p = 0,0024, respectivamente), e tam-
lacionada com o resultados. Na semana 56, a perda de bém melhorou significativamente a qualidade de vida e
peso (média ± SD) foi de 5,9% ± 5,5%, 4,6% ± 5,5% e a satisfação no tratamento do diabetes.
2,0% ± 4,3% com liraglutida 3,0 mg; 1,8 mg e placebo, Na próxima revista seguem mais informações sobre
respectivamente. A pontuação total média de IWQoL- o Obesity Week 2014.

Referências bibliográficas

1. Gary Zammit, et al. Improvements in Sleep Apnea En- brain areas of leptin sensitive subjects without altering
dpoints and Quality of Life are Related to the Degree brain structure. TLB-2003-P.
of Weight Loss: Results from the Randomized, Double- 8. Bryan Batch, et al. Race and sex differences in weight
-Blind SCALE Sleep Apnea Trial. T-2144-P. change in the Low- Carbohydrate Diet versus the Orlis-
2. Olivia Farr, … , Christos Mantzoros. Liraglutide alters tat Plus Low-Fat Diet Trial. TLB-2007-P.
activation of the parietal cortex with high fat food cues. 9. Nancy Bohannon, et al. Effects of Phentermine and To-
TLB-2004-P. piramate Extended-Release (PHEN/TPM ER) Treatment
3. Frank Greenway, Carel le Roux, David Lau, Arne Astrup, on Weight Loss (WL) and Metabolic Syndrome (MetS)
Ken Fujioka, Alfredo Halpern, et al. Additional Analyses Parameters in Subjects with Body Mass Index (BMI)
of the Weight-Lowering Efficacy of Liraglutide 3.0 mg in ≥35kg/m2. T-2359-P.
Overweight and Obese Adults: The SCALE Obesity and 10. Andres Acosta, et al. Effects of Phentermine-Topiramate
Prediabetes Randomized Trial. T-3027-OR. Extended-Release on Gastric Functions, Satiety, Satia-
4. Ken Fujioka, Arne Astrup, Frank Greenway, Alfredo Hal- tion and Gut Hormones in Obese Patients. T-2535-P.
pern, et al. Liraglutide 3.0 mg Reduces Body Weight 11. Timothy Church, Lucia Bonnemaison. Effects of Phen-
and Improves Health-Related Quality of Life (HRQoL) in termine and Topiramate Extended-Release (PHEN/TPM
Overweight or Obese Adults without Diabetes: the SCA- ER) on Weight Loss (WL), Risk of Type 2 Diabetes Melli-
LE Obesity and Prediabetes Randomized, Double-Blind, tus (T2DM), and Concomitant Medication Costs in Older
Placebo- Controlled, 56-week Trial. T-3031-OR. Obese/Overweight Subjects. T-2544-P.
5. Robert Kushner, et al. Weight Loss with Liraglutide 3.0 12. Donna Ryan, et al. Effects of Phentermine and Topira-
mg Is Associated with Improved Health-Related Quality mate Extended-Release (PHEN/TPM ER) on Weight Loss
of Life (HRQoL) and Treatment Satisfaction in Overwei- (WL) in Older Obese/Overweight Subjects Over 2 Years.
ght or Obese Adults with Type 2 Diabetes (T2D): The T-2614-P.
SCALE Diabetes Randomized, Double-Blind, Placebo- 13. Craig Peterson, et al. Prospective, Pharmacoepidemio-
-Controlled 56-week Trial. T-3030-OR. logic Database Analysis of Qsymia® (Phentermine and
6. Steven Smith, et al. Combination Weight Management Topiramate Extended-Release [PHEN/TPM ER]) Usage
(WM) Pharmacotherapy with Lorcaserin (LOR) and Im- from a Representative US Sample of Patients. T-2640-P.
mediate Release (IR) Phentermine (phen). Late-Late
Breaking Abstract. Todas as referências são do 32nd Annual Scientific Meeting
7. Olivia Farr, ... , Christos Mantzoros. Metreleptin therapy of The Obesity Society, Obesity Week 2-7 November 2014,
alters appetite and neural responses to food stimuli in Boston, MA, USA.

8 Evidências em Obesidade
Artigo

Para o paciente

Aproveite as festas de
final de ano sem culpa

F
inal de ano chegou. Além da Ceia de Natal e Ano Novo, ocorrem
muitas comemorações com comidas gostosas e bebidas alcoólicas,
em geral, com elevado teor calórico.
Essa não é a melhor época para iniciar uma dieta. A questão é: para
aqueles que já estão seguindo um plano alimentar para redução de peso,
esses momentos podem ser transformados em terríveis pesadelos. Para
evitar a situação, é importante planejar as ceias. Pequenas atitudes farão
toda diferença na manutenção e/ou redução de peso. E você poderá apro-
veitar a festa, sem peso na consciência, ou na balança.

• Fracione a alimentação, tomando o cuidado para não ficar mais de 4 ho-


ras sem se alimentar. É muito importante realizar um lanche saudável,
para não chegar com muita fome à festa. Frutas, vegetais em palitos, io-
gurtes magros, gelatina diet são algumas opções.
• Prefira os salgados assados aos fritos.
• Evite canapés. Em geral, são pequenos, mas ricos em gorduras e calo-
rias, e nunca comemos um só. Prefira sementes oleaginosas, frutas secas
e vegetais em palito.
ARQUIVO PESSOAL

• Sente-se em uma mesa longe do bufê, coma devagar, mastigando bem to-
dos os alimentos, apreciando e prestando atenção no que está comendo.
• Inicie com uma salada rica em folhas verdes, que irá garantir saciedade.
Use molho a base de azeite extra virgem e ervas finas, evitando os mais
gordurosos como, por exemplo, os molhos à base de creme de leite.
• Prefira preparações assadas ou grelhadas, evitando as frituras. E mo-
dere no consumo de carnes gordurosas, como leitão, pernil e costela.
Prefira aves (peru e Chester) sem pele, peixes, lombo de porco magro.
• Como acompanhamento, legumes cozidos e frutas são excelentes opções.
Apenas experimente o arroz (que pode estar com passas, amêndoas etc.),
Mônica Beyruti a farofa, o salpicão ou a salada de batatas. Não exagere nesses alimentos.
Nutricionista CRN-3/4477 • Bebidas alcoólicas devem ser ingeridas com moderação, intercale com
Especialista em Nutrição
em Cardiologia pela
água, suco de tomate ou refrigerante light.
SOCESP (Sociedade de • Para sobremesa, invista nas frutas da época.
Cardiologia do Estado de
São Paulo) Especialista em Se após tudo isso, a intenção for relaxar sem se preocupar, não deixe de
Fisiologia do Exercício pela
UNIFESP/EPM (Universidade comer seu prato predileto. Para opções mais calóricas, porções menores.
Federal de São Paulo / Es- Mais importante que se preocupar com o que fazer do dia 24 de dezem-
cola Paulista de Medicina) bro ao dia 1 de janeiro é se preocupar com o que fazemos do dia 1 de janeiro
Email: beynutri@[Link]
ao dia 24 de dezembro. Tenha um hábito saudável!

novembro/dezembro 2014
9
Artigo

Suplementos alimentares
no esporte e na saúde

V
isando o aprimoramento físico e a melhora no desempenho atlé-
tico, cada vez mais, buscam-se recursos que possam facilitar, ou
mesmo otimizar, esses objetivos.
Assim, é cada vez mais comum ouvirmos pessoas relatarem que estão
usando este ou aquele suplemento que irá prover esta melhora. Algumas
vezes o uso é orientado por um profissional capacitado na área, outras ve-
zes, o uso é feito por meio de sugestões de colegas, ou mesmo de profissio-
nais, sem instrução especializada nesse campo do conhecimento.
Com essa demanda crescente do mercado fitness, em parte até pela cres-
cente luta contra a obesidade, também tem crescido o mercado de suplemen-
tos alimentares para atletas profissionais e amadores, porém observa-se com
frequência o uso equivocado dos suplementos por falta de devida instrução
dos pacientes ou mesmo dos profissionais que os estão indicando.
E quais os principais grupos de suplementos e sua função? De um modo
geral, eles podem ser separados nos seguintes grupos:

• Hipercalóricos
• Hiperprotéicos
ARQUIVO PESSOAL

• Termogênicos

Convém ressaltar quem, para que haja um benefício palpável neste cam-
po, é necessária uma abordagem multidisciplinar envolvendo o médico, o
nutricionista e o educador físico.

Suplementos Hipercalóricos

Estes suplementos têm como objetivo fornecer energia para a realização


do treinamento/exercício, ou mesmo fornecer um aporte extra de calorias
Felipe Henning Gaia Duarte para os pacientes que precisam ganhar peso. São as chamadas “massas”.
Especialista em Existem uma série de marcas no mercado, desde nacionais até importadas,
Endocrinologia e
Metabologia – SBEM
que são facilmente identificadas, pois algumas rotulam como “massa 3.000,
Doutor em Ciências, massa 6000, massa 15.000”, por exemplo. O princípio básico destes suple-
Faculdade de Medicina mentos é que são constituídos principalmente de carboidratos com quanti-
da USP dades variáveis de lipídios e proteínas.
Membro da Comissão
Temporária de Dentre os suplementes hipercalóricos a base de carboidratos, existem
Endocrinologia dois que têm sido muito utilizados para o fornecimento de energia de modo
do Esporte – SBEM rápido para a realização de exercícios, ou mesmo para recuperação mais rá-

10 Evidências em Obesidade
Artigo

Para o uso correto dos


pida do glicogênio intramuscular após o exercício, com suplementos hipercalóricos,
o objetivo de reduzir o catabolismo, estes são: deve-se inicialmente fazer
uma estimativa do gasto
• Maltodextrina (chamada popularmente de Malto), energético diário do paciente
um polissacarídeo, derivado da conversão enzimá-
e, em seguida, realizar a
tica do amido do milho. Possui um índice glicêmico
alto com liberação rápida de açúcar para a circu-
anamnese alimentar para
lação, de modo a fornecer energia para um treina- checar o quanto de calorias
mento (quando usado antes) e promovendo a rápida que está sendo ingerido
recuperação do glicogênio muscular (quando usado
logo após a atividade física).
• Waxy Maise: consiste num suplemento hipercaló- • Nas horas que antecedem o treinamento/competi-
rico extraído do amido de uma tipo específico de ção: 1 a 2g/kg/peso de carboidratos, ingeridos 3 a 4
milho, chamado ceroso. O carboidrato (polissa- horas, podem garantir o aporte de energia adequado.
carídeo) é basicamente a amilopectina com uma • Durante a atividade física: naquelas que durem
menor quantidade de amilose. Foi propagado pela mais de uma hora, a reposição de carboidratos de 5
indústria que teria uma absorção mais rápida, com a 7g/kg por hora pode ser iniciado após a primeira
resultados melhores que a maltodextrina, mas es- hora de treino, visando manter os níveis energéticos
ses resultados são muito questionáveis, além do adequados.
preço ser mais caro. • Após o exercício: 1,5g/kg de peso do atleta com o
objetivo de melhorar a recuperação muscular e res-
Desse modo, para o uso correto dos suplementos hi- taurar os estoques. Geralmente os pós (maltodex-
percalóricos deve-se inicialmente fazer uma estimativa trina) que possuem absorção mais rápida, ingerido
do gasto energético diário do paciente e, em seguida, com líquidos, são os mais utilizados.
realizar a anamnese alimentar para checar o quanto de
calorias que está sendo ingerido. Suplementos hiperprotéicos
Quando o consumo de calorias por meio da alimen-
tação é insuficiente para repor as demandas do dia a São suplementos compostos primordialmente de
dia, em especial as demandas decorrentes da atividade proteínas e aminoácidos e tem como premissa melhorar
física, é a hora de indicar suplementos hipercalóricos. o anabolismo muscular ou diminuir o seu catabolismo.
O grande ponto do uso desta classe de suplementos Antes do uso destes suplementos, algumas conside-
é que, se não houver uma adequação ao gasto de ener- rações devem ser feitas. Primeiro, mesmo no atleta de
gia do atleta, pode facilmente ocorrer ganho de peso maior rendimento, com a maior demanda de massa mus-
sob a forma de gordura. cular, o volume de proteína diário necessário não supera
Para os atletas de performance, esportistas e compe- a quantidade de 2g de proteína por kg de peso do atleta.
tidores, o uso de dos carboidratos de liberação mais rá- Supondo um indivíduo de 80kg, no cenário mais exigente,
pida, como a maltodextrina antes do treino, ou durante esse indivíduo somente conseguiria metabolizar cerca de
o exercício (corridas longas), pode ajudar a melhorar o 160 gramas de proteína por dia. Assim sendo, primeira
desempenho durante a atividade e a obtenção de me- etapa antes de usar este tipo de suplemento é checar se
lhores resultados. o paciente realmente precisa. É bem provável que numa
A quantidade de hipercalóricos a ser ingerida deve alimentação saudável ele já obtenha algo bem próximo
ser orientada individualmente, mas, em linhas gerais, por meio da ingestão de carne, peixe, leite, ovos, etc.
pode-se ter como base o seguinte: Outro ponto importante: o intestino somente conse-
gue absorver uma quantidade limitada de proteínas por
• No dia a dia: manter o aporte de 8-10g kg/peso, vi- vez, algo em torno de 30 gramas. Deste modo, a ingestão
sando manter os estoques de energia adequados. de quantidades elevadas, em especial de uma única vez,

novembro/dezembro 2014
11
Artigo

constitui-se em desperdício, pois não será aproveitado • Hidrolisada: forma com concentração de proteínas
pelo organismo. igual ou maior que a isolada, com a vantagem das pro-
Assim sendo, o aporte de proteína deve ser fraciona- teínas já serem parcialmente pré-digeridas e hidrolisa-
do ao longo do dia e com um limite máximo a depender das, visando absorção mais rápida. Obs: quanto mais
das características do paciente (tabela 1). isolada e hidrolisada, mais caro fica o suplemento.

Pela teoria, quando indicada a suplementação hi-


Tabela 1. Necessidade de proteína por dia.
perprotéica, a WP tem sido sugerida nos períodos de
Necessidade de proteína anterior ao treino e pós-treino imediato, enquanto a
Intensidade
(kg/peso/dia) caseína tem sido indicada nos intervalos interprandias
Leve 0,8 a 1,0 e ao deitar, visando manter a aminoacidonemia cons-
Moderado 1,0 a 1,5 tante. O seguinte timing deve também ser respeitado
Intenso 1,5 a 2,0 ao ser indicado estes suplementos:

• Imediatamente após o treino, consumido com al-


Além do objetivo nutricional, os suplementos com gum carboidrato de absorção rápida, com o intuito
proteínas ou aminoácidos teriam uma vantagem adi- de diminuir o catabolismo proteico muscular. Nesse
cional de, por serem absorvidos mais rapidamente sentindo, o aporte deve ser feito imediatamente após
que alimentos como a carne, por exemplo, teriam o treino ou no máximo até 30 minutos do fim da ativi-
uma melhor atividade funcional para promover um dade. A reposição de proteínas, nesse momento, é re-
metabolismo muscular mais efetivo. alizada utilizando-se suplementes de absorção rápida
Existem três tipos principais de suplementos ali- como o WP ou mesmo a albumina em pó.
mentares ricos em proteína, a albumina em pó (ex- • Durante os exercícios de resistência (mais de 1
traída da clara do ovo), a caseína e o Whey Protein hora de treino): o aporte de proteína na proporção
(obtidas do soro do leite). de 1g para cada 3-4g de carboidrato pode conferir
A albumina em pó foi a principal forma de repo- um discreto aumento de rendimento.
sição de proteína nos atletas nas décadas passadas, • À noite, próximo a hora de deitar, momento no qual os
mas foi gradativamente substituída ao longo dos anos hormônios anabólicos endógenos, GH e testosterona
pelo Whey Protein (WP) e pela caseína devido a me- estão sendo secretados em maior quantidade, propi-
lhor digestão e melhores resultados. ciando o melhor momento anabólico para o organismo.
A diferença principal entre a WP e a caseína é o tem- Neste sentido, pode-se dar preferência (não obrigatória)
po de absorção e o tempo de liberação de aminoácidos para proteínas de liberação mais lenta como a caseína.
para a circulação. A WP é considerado um suplemento
de absorção rápida, sendo completamente absorvido Devido à característica dessa classe de suplemen-
em cerca de uma hora. Por sua vez, a caseína, ao ser in- tos, não existe razão para o seu uso em grandes quan-
gerida, tende coagular no estômago com subsequente tidades antes dos treinos, quando todo o processo de
retardo na digestão e liberação mais lenta e gradual dos metabólico está direcionado para a queima de energia
aminoácidos, sendo considerada, desse modo, um su- e não para a reconstrução muscular, situação que ocor-
plemento de liberação lenta. re principalmente no repouso. Por outro lado, peque-
A WP é o suplemento hiperprotéico mais vendido nas quantidades de proteína (0,15 a 0,25 g/kg), ingeri-
e é subdividido em três tipos: das 3 a 4 horas do exercício, podem conferir um ganho
extra para o atleta quando consumidas junto com os
• Concentrada: tem quantidades variáveis de proteí- carboidratos comentados anteriormente.
na dentro (30 a 90%), pode possuir quantidade va-
riável de carboidratos e gorduras. Termogênicos
• Isolada: geralmente tem mais de 90% de proteí-
na, com remoção quase total de gorduras, lactose e São suplementes que tem com objetivo acelerar
compostos bioativos do leite. o metabolismo corporal e, teoricamente, aumentar a

12 Evidências em Obesidade
Artigo

O principal componente lícito dos termogênicos é a cafeína.


Este suplemento tem como objetivo melhorar o desempenho durante a atividade
física, diminuindo a sensação de fadiga, dando mais disposição para o treino.
Por esse principal motivo, auxilia no processo de perda de peso

queima de gordura. Pela sua característica estimula- Mesmo a cafeína ou os outros termogênicos her-
tória, também têm sido utilizados para melhorar a dis- bários devem ser ingeridos com cautela e sob rígida
posição para atividades físicas. supervisão médica. O principio de ação catecolaminér-
O principal componente lícito dos termogênicos é a gico destes suplementos podem causar ou acentuar
cafeína. Este suplemento tem como objetivo melhorar casos de hipertensão, arritmias ou outros distúrbios
o desempenho durante a atividade física, diminuindo a cardiovasculares, além de serem contraindicados em
sensação de fadiga, dando mais disposição para o trei- paciente com histórico de crises convulsivas.
no. Por esse principal motivo, auxilia no processo de Deve-se ter especial atenção com suplementos ter-
perda de peso. mogênicos que contenham precursores ou derivados
A cafeína não necessariamente precisa ser in- da efendrina ou dimetilamilamina, como o extrato de
gerida por meio de suplementos, pode também ser MaHuang ou o óleo de Gerânio. Essas substâncias, além
ingerida pelo consumo do cafezinho normal (des- de constarem na lista de substâncias proibidas pelo co-
de que na quantidade adequada). Em suplementos, mitê olímpico e demais entidades esportivas, podem
por ser encontrada de forma isolada ou associado também causar alterações cardiovasculares importantes.
a outros itens com atividade semelhante, como o Quando indicados, devido à meia-vida curta, estes su-
chá verde ou o citrus aurantium (extrato da laranja plementos devem ser ingeridos cerca de uma hora antes
amarga que contém uma substância chamada sine- da atividade física. A dose de cafeína utilizada varia de 3
frina, catecolaminérgico, com dita predominância a 7 mg/kg de peso do atleta, podendo variar para mais ou
de ação em receptores β3). para menos, dependendo da sensibilidade do indivíduo.

Leitura complementar

1. Rodriguez NR, DiMarco NM, Langley S, American Dietetic 5. Stearns RL, Emmanuel H, Volek JS, Casa DJ. Effects of
A, Dietitians of C, American College of Sports Medicine ingesting protein in combination with carbohydrate
N, et al. Position of the American Dietetic Associa- during exercise on endurance performance: a system-
tion, Dietitians of Canada, and the American College of atic review with meta-analysis. Journal of strength and
Sports Medicine: Nutrition and athletic performance. J conditioning research / National Strength & Condition-
Am Diet Assoc. 2009;109(3):509-27. ing Association. 2010;24(8):2192-202.
2. Genton L, Melzer K, Pichard C. Energy and macronu- 6. Burke LM. Energy needs of athletes. Canadian journal
trient requirements for physical fitness in exercising of applied physiology = Revue canadienne de physiolo-
subjects. Clin Nutr. 2010;29(4):413-23. gie appliquee. 2001;26 Suppl:S202-19.
3. Kreider RB, Wilborn CD, Taylor L, Campbell B, Almada AL, 7. Boirie Y, Dangin M, Gachon P, Vasson MP, Maubois JL,
Collins R, et al. ISSN exercise & sport nutrition review: Beaufrere B. Slow and fast dietary proteins different-
research & recommendations. J Int Soc Sports Nutr. ly modulate postprandial protein accretion. Proc Natl
2010;7:7. Acad Sci U S A. 1997;94(26):14930-5.
4. McLellan TM, Pasiakos SM, Lieberman HR. Effects of 8. Supplements [Link].2014. Available from: [Link]
protein in combination with carbohydrate supplements [Link]/ais/nutrition/supplements.
on acute or repeat endurance exercise performance: a
systematic review. Sports medicine. 2014;44(4):535-50.

novembro/dezembro 2014
13
Artigo

Jejum:
o inimigo silencioso da dieta

A
obesidade emergiu como uma epidemia em países desenvolvidos,
durante as últimas décadas do século XX. No entanto, atualmen-
te, atinge todos os níveis socioeconômicos e vem aumentando sua
incidência também nos países em desenvolvimento. A obesidade não está
limitada a uma região, país ou grupo racial/étnico.
A obesidade é um fenômeno mundial que afeta ricos e pobres e é resul-
tante da ação de fatores ambientais (hábitos alimentares, atividade física
e condições psicológicas) sobre indivíduos geneticamente predispostos a
apresentar excesso de tecido adiposo.
Devido à sua etiologia multifatorial é difícil mensurar a força de cada
uma das variáveis envolvidas no processo do ganho excessivo de peso. En-
tre elas, destaca-se a influência dos fatores socioculturais que impõem um
padrão de beleza esbelto em que as mulheres, especialmente, vivem de
acordo com a tirania da moda, contrariando suas necessidades nutricio-
nais. Controlar a ingestão alimentar por meio de dietas restritivas e tornar
crônico esse comportamento devido à pressão sociocultural, que impõe pa-
drões corporais cada vez mais magros, são atitudes possivelmente desenca-
deadoras de transtornos alimentares. É interessante destacar que também
há o contraponto desse padrão de beleza em alguns países denominados
pré-industrializados, com pouca disponibilidade de alimentos, em que co-
mer “bem” é um símbolo de status até hoje.
A obesidade é uma doença de difícil controle, com altos percentuais de
ARQUIVO PESSOAL

insucessos terapêuticos e de recidivas, podendo apresentar sérias reper-


cussões orgânicas e psicossociais, especialmente nas formas mais graves.
O indivíduo obeso apresenta sofrimento psicológico decorrente tanto
dos problemas relacionados ao preconceito social e à discriminação contra
a obesidade, como das características do seu comportamento alimentar. A
depreciação da própria imagem física leva à preocupação opressiva com a
obesidade, tornando o obeso inseguro devido à sua inabilidade de manter
a perda de peso. A falta de confiança, a sensação de isolamento, atribuída
ao fracasso da família e dos amigos em entender o problema, assim como
a humilhação decorrente do intenso preconceito e discriminação aos quais
Iris Lengruber os indivíduos obesos estão sujeitos remetem enorme carga psicológica ao
Nutricionista pós-graduada obeso. Entretanto, importa enfatizar que, entre as pessoas com excesso de
em Vigilância Sanitária e
peso, não foi demonstrada nenhuma condição psicológica própria, nem
mestranda em Alimentos e
Nutrição pela Universidade traços de personalidade comuns. Há evidências de que grande parte dos
Federal do Estado do indivíduos obesos come para resolver ou compensar problemas dos quais,
Rio de Janeiro (Unirio)

14 Evidências em Obesidade
Artigo

Quando você volta a se alimentar, a fome


está incontrolável e faz você comer mais
ainda. E o que você come, fica estocado
às vezes, não têm consciência. Esses mesmos indivídu-
na forma de gordura. O organismo age
os podem apresentar dificuldades em obter prazer nas
relações sociais, por se sentirem rejeitados ou discrimi-
pela “lei da compensação”: ele tenta
nados, o que os leva ao isolamento. Por outro lado, es- manter uma reserva maior de energia
ses sentimentos contribuem para que os obesos enxer- armazenada (gordura) para se prevenir
guem a comida como importante fonte de prazer, o que, no caso de um próximo jejum
devido ao preconceito, consequentemente, restringe e
empobrece ainda mais suas relações afetivas e sociais.
Esse processo alimenta o círculo vicioso do ganho pro- O problema é que o jejum engorda!
gressivo de peso e da solidão cada vez maior. Quando se passa mais de três horas sem se alimentar
A ingestão alimentar, em diferentes condições emo- ou se faz jejum, o corpo economiza no gasto calórico e o
cionais, parece ocorrer mais evidentemente na vigência metabolismo fica mais lento. Ou seja, o metabolismo de-
de excesso de peso, pois os indivíduos obesos conso- sacelera e o indivíduo começa a gastar menos energia.
mem mais alimentos em situação de estresse emocio- É a forma do corpo estocar energia para prevenir a falta
nal. Essa teoria, chamada de Modelo Psicossomático dela. A culpa desse fenômeno é dos nossos ancestrais.
da Obesidade, afirma que as pessoas obesas, princi- Na época das comunidades primitivas, quando os ho-
palmente do gênero feminino, comem excessivamen- mens viviam da caça, passavam-se dias sem ingerir um
te como mecanismo compensatório em situações de alimento. O organismo então se adaptou a economizar
ansiedade, depressão, tristeza, raiva. Associando esse energia, pois não sabia quando se alimentaria de novo.
comportamento às características sociais de nossa épo- Além disso, quando você volta a se alimentar, a fome
ca, tais como a lipofobia, a obsessão por ser magro e está incontrolável e faz você comer mais ainda. E o que
a consequente rejeição da obesidade, grande parte da você come, fica estocado na forma de gordura. O orga-
população obesa sonha ser esbelta, vivendo e sofrendo nismo age pela “lei da compensação”: ele tenta manter
essa contradição. uma reserva maior de energia armazenada (gordura)
Em contrapartida à compulsão alimentar, observa- para se prevenir no caso de um próximo jejum.
-se um comportamento inverso, igualmente sabotador, Desta maneira, além de fazer mal à saúde, a perda
da dieta de emagrecimento: o jejum prolongado. de peso nesse caso é basicamente decorrente da perda
Com a correria dos dias atuais, é comum observar de líquidos celulares e massa muscular e, portanto, não
indivíduos que trabalham por mais de seis horas con- é eficaz. Sem contar outros prejuízos que ocorrem no
secutivas sem se alimentar. Ou até mesmo uma ati- organismo, como dor de cabeça, fraqueza, tontura etc. O
tude pensada na expectativa de sucesso da dieta por ideal, portanto, é fazer de 5 a 6 pequenas refeições por
meio do jejum. dia, e obviamente, balanceadas.

Referências

1. Borges MBF, Jorge MR. Evolução histórica do conceito de differing in energy. Phys Behav. 2003; 80(2-3):367-74.
compulsão alimentar. In: Psiquiatria na prática médica 4. McGuire MT, Jeffery RW, French SA, Hannan PJ. The rela-
[acesso 13 mar 2004]. Disponível em: [Link] tionship between restraint and weight, and weight-related
br/dpsiqu/polbr/ppm/ [Link] behaviors among individuals in a community weight-gain
2. Blundell JE, Gillett A. Control of food intake in the obese. -prevention trial. Int J Obes Relat Metab Disord. 2001;
Obes Res. 2001; 9(4):263S-70S. 25(4):574-80.
3. Match M, Gerer J, Ellgring H. Emotions in overweight and 5. Popkin BM, Doak CM. The obesity epidemic is a worldwide
normal-weight women, immediately after eating foods phenomenon. Nutr Rev. 1998; 56(4): 106-14.

novembro/dezembro 2014
15
Artigo

O organismo após dieta:


o ímpeto do reganho de peso

D
ieta é a abordagem terapêutica mais comum para perda de peso
em obesos e pacientes com sobrepeso. Contudo, apesar do ema-
grecimento bem sucedido a curto prazo, o reganho de peso é ex-
tremamente frequente. Menos de 20% dos indivíduos que emagrecem são
capazes uma redução de 10% do peso perdido além de um ano. Em torno
de um terço do peso perdido tende a retornar dentro do primeiro ano e a
maioria retorna ao peso inicial entre 3 a 5 anos.
O peso corporal é afetado por estímulos biológicos, ambientais e com-
portamentais; todos influenciados pela herança genética, a fim de manter
o estado de equilíbrio do peso corporal, ou sua homeostase, que é a pro-
priedade de um sistema com a função de regular seu ambiente interno para
manter uma condição estável, mediante ajustes de equilíbrio dinâmico.
O cérebro recebe sinais da periferia, relacionados aos estoques de energia
(a longo prazo) e disponibilidade de nutrientes (curto prazo) e baseado nos
sinais integrados, ajusta o balanço energético com o objetivo de manter esto-
que de gordura e estado nutricional. Na perda de peso em obesos e pessoas
com sobrepeso, sob restrição alimentar, há diminuição da leptina e insulina
de jejum, os chamados sinais adipocitários. Esta diminuição de insulina e lep-
ARQUIVO PESSOAL

tina passam a mensagem: os estoques de energia estão depletados!


Estudos recentes demonstram que a leptina, e talvez a insulina, reflitam
tanto a quantidade de gordura corporal quanto o tamanho das células adi-
posas. Os adipócitos menores secretam menos leptina e são mais sensíveis
à insulina. Dietas restritivas em obesos diminuem o tamanho das células
gordurosas, mas não o número. Enquanto a massa total declina, a capaci-
dade máxima de estocar energia se mantém a mesma. Estas respostas in-
tegradas da periferia com o cérebro avisam que as reservas estão baixas e
que o “tanque”não está cheio. Entretanto, o papel da insulina e da leptina
é mais complexo, já que refletem os estoques de gordura só quando há ba-
Profª Dra. Alessandra lanço energético. Quando o desbalanço ocorre, leptina e insulina refletem o
Rascovski estado metabólico (anabolismo ou catabolismo) do tecido adiposo, ou seja,
Endocrinologista com
se o organismo vai depositar ou armazenar energia. Quando o indivíduo se
Doutorado em
Endocrinologia pela FMUSP. expõe novamente ao alimento, leptina e insulina aumentam conforme o peso
Membro da “Endocrine sobe. E o pior é que quando se permite comer “à vontade” após a dieta, tanto
Society – EUA” a leptina quanto a insulina sobem muito mais rápido do que antes do excesso
Membro da “Sociedade
Brasileira de Endocrinologia de peso ter sido perdido. A leptina é mais baixa durante a perda de peso do
e Metabologia (SBEM)” que quando se estabiliza o peso reduzido, e apenas um dia, com excesso ali-
Membro da “Associação mentar é capaz de levar a resolução completa de insulina e normaliza 80% da
Brasileira de Estudos sobre
redução na leptina (em estudo com ratos pós-obesos). Assim, se a ingestão de
Obesidade (ABESO)”
alimentos continua mais livremente, o reganho de peso é uma certeza.

16 Evidências em Obesidade
Artigo

Também em resposta ao déficit energético após per- rações são menores ou transitórias nos estágios iniciais
da de peso, o núcleo arqueado do hipotálamo aumenta de perda de peso.
o estado anabólico, por meio do aumento do neuropep-
tídeo Y, do aumento de AgRP (agouti related peptide) e “The energy gap”
da diminuição da expressão da POMC (proopiomelano-
cortina), enquanto no núcleo paraventricular, diminui O termo “energy gap” significa a diferença entre o
a expressão do hormônio liberador de corticotropina, apetite (aumentado) e o requerimento de gasto ener-
tudo isso promovendo maior desbalanço energético e gético (diminuido), que ocorre durante a manutenção,
consequente ganho de peso. Estudos de ressonância após perda de peso. Esse intervalo energético reflete a
magnética functional tem mostrado atividade neural magnitude do ônus diário que fortalece os esforços cog-
alterada em pós-obesos humanos, que normaliza após nitivos para estabilizar o peso emagrecido. Um outro
três semanas de terapia de reposição com leptina. modelo proposto para explicar o reganho de peso ba-
A sinalização via encéfalo também muda, promoven- seia-se nas características das células adiposas e na ca-
do diminuição da sensibilidade aos sinais de saciedade, pacidade de utilização dos nutrientes perifericamente.
aumenta o tamanho das refeições, aumenta quantidade Extrapolando a fisiopatologia e pensando na prática
de comida ingerida e há menor resposta ao tamanho da clínica, a identificação de fatores de sucesso para manu-
refeição via colecistoquinina intestinal. tenção de peso perdido ajudam no seguimento.
Vários estudos também valorizam a ghrelina plas-
mática como marcador de reganho de peso. 1 Objetivo realista e padrão de emagrecimento: definir
Ainda no processo de adaptação após emagrecimen- um objetivo que o paciente concorde e que seja factí-
to, nas áreas cognitivo-hedônicas, os obesos que emagre- vel de alcançar melhora nos resultados em longo prazo.
ceram exibem respostas de imagem neural a estímulos Parece que uma perda de peso inicial mais significativa
de comida, que favorecem motivação e impulso de comer, favorece este resultado a longo prazo. Perda de peso
e muitas vezes, isso se resolve com administração de lep- >5% do peso após 12 semanas foi um bom indicador de
tina. Dada a importância das distorções cognitivas e da emagrecimento mantido por dois anos, enquanto per-
influência dos mecanismos dopaminérgicos no sistema da ≥ 2,5kg em quatro semanas iniciais de dieta e perda
de recompensa (“vício”), relacionados ao comportamen- ≥ 10% do peso inicial após seis meses não foi preditivo
to alimentar, isso não poderia deixar de ser citado. de manutenção do peso nos próximos dois anos.
Adaptações neuro-endócrinas também ocorrem
após perda ponderal. Com a restrição energética, pode 2 Atividade física: facilita manutenção de peso tanto pelo
ocorrer: diminuição do tônus simpático, diminuição gasto energético diretamente, quanto pela melhora da
nos níveis de hormônios tireoidianos e aumento da ati- sensação de bem-estar, além de facilitar comportamen-
vidade do eixo adreno-hipófise-hipotálamo. Essas alte- tos positivos. Caminhada e ciclismo foram as modalida-

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17
Artigo

des mais praticadas nos estudos e o movimento tam- Tabela 1. Fatores associados com manutenção do peso de
perdido e reganho após perda de peso intencional, de acordo
bém gerou diminuição do tempo em frente à televisão. O
com revisão da literature (fonte: Obesity reviews 2005)
uso de pedômetro facilitou a aderência aos exercícios e
este grupo que “mede a atividade”conquistou melhores Peso mantido Reganho de peso
resultados. A Organização Mundial da Saúde considera Atribuir obesidade a
Objetivo atingido
ativo, o indivíduo que obtém ≥ 7500 passos por dia. fatores médicos
> perda peso
Colocar barreiras a perda de peso
3 Ingestão alimentar: manutenção de peso está obvia- inicial
mente associada a menor ingestão de calorias, por- Estilo de vida ativo Sedentarismo
ções menores, diminuição da frequência de lanches Refeições
História de efeito sanfona
(beliscos) e menor quantidade de gordura. Alguns regulares
trabalhos mostram que a redução de comidas espe- Café da manhã
Descontrole alimentar
presente
cíficas, como: batatas fritas, produtos lácteos, doces,
Mais comidas
carnes vermelhas, queijos, manteiga e sobremesas Muita fome
saudáveis
se associou a melhor manutenção do peso perdido.
Menos beliscos Binge
Além disso, ritmo mais regular das refeições e pre-
Controle de Comer como reação ao estresse
sença de café da manhã diariamente são relevantes.
abusos e emoções negativas
Comparando dietas muito restritivas ou de muito bai-
Automonitorização Estressores psicossociais
xa caloria com as de controle alimentar mais flexível, a
manutenção de peso foi menos associada ao controle Resiliência Pobreza de recursos psíquicos
rígido, já que reforça a dicotomia do comportamento Capacidade de
“tudo ou nada”, que implica em atitudes extremas com Atitude passiva frente
lidar com
aos problemas
proibição de doces e alimentos afins, seguidos de gran- compulsão
des abusos pela sensação de de privação. Binge eating, Autonomia Baixa auto-estima, insegurança
que pode ser traduzido como compulsão alimentar “Narcisismo
periódica, ou seja, ingestão de grande quantidade de Psicopatologias associadas
saudável”
alimento em um período de tempo delimitado (até 2 Razões médicas ou outras pessoas
Motivação
horas), acompanhado de sensação de perda de contro- como motivação
le sobre o que ou o quanto se come; frequentemente Vida estável Dicotomia como pensamento
aparece após dietas restritivas e o maior número de
Relações próximas Ausência de suporte social
episódios de binge, durante o seguimento após dieta,
prediz reganho de peso. Histórico de “efeito sanfona”
também se associa a maior chance de reganho de peso. obesidade e transtornos de humor. Pessoas muito
Ainda não está bem estabelecido se o efeito sanfona ansiosas, com personalidades impulsivas ou droga
causa o binge ou o contrário, mas esta variação de peso adição tem pior resultado relacionado à manutenção
de forma cíclica já está bem correlacionada ao aumento de peso perdido. Também em situações de estresse,
de doença cardiovascular e aumento da mortalidade. os pacientes que reganham peso tendem a comer em
resposta a eventos de vida negativos e usam a comi-
4 Automonitorização e suporte social: a pesagem pe- da para regular o humor
riódica e controle da ingestão alimentar ajudam na
manutenção de peso. Por outro lado, os pacientes que Na transição da manutenção do peso para recaída, o
reganham peso durante o seguimento relatam mais energy gap é influenciado pela composição da dieta (au-
conflitos familiares ou pessoais, problemas médicos mento de proteína, carboidratos controlados e seleção
ou agenda muito ocupada; contudo, os que contam do tipo de gordura), pelo tempo de manutenção de peso
com suporte de familiares, amigos ou dos profissio- após emagrecimento e pelo nível de atividade física.
nais de saúde conseguem melhores resultados. Vale ressaltar ainda o papel valioso da farmacoterapia
bem prescrita e o implemento de estratégias preventi-
5 Diagnóstico de depressão, transtornos de humor ou vas contra o reganho de peso, sobre o qual ainda temos
manejo do estresse: há prevalente coexistência de muito a aprender.

18 Evidências em Obesidade

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