DISLIPIDEMIA
Internato em Medicina de Família e Comunidade
Preceptora: Lilian Santos Pinheiro
Discente: Rebeca Rocha Rodrigues
Turma Med 14
CASO CLÍNICO
Carlos, sexo masculino, 58 anos, comparece à consulta médica de rotina para
mostrar os resultados dos exames solicitados anteriormente. Sem queixas no
momento.
Trata-se de um paciente hipertenso, diabético tipo 2 há 10 anos e tabagista. Há
8 meses, sofreu um infarto agudo do miocárdio, tendo realizado angioplastia
com implante de stent.
Faz uso de AAS 100 mg/dia, Clopidogrel 75 mg/dia, Enalapril 20 mg/dia,
Metformina 850 mg 2x/dia e Sinvastatina 40 mg/dia (esta última acrescentada
há 6 meses).
CASO CLÍNICO
Exames laboratoriais:
Colesterol Total: 190 mg/dL
Qual é a estratificação de
LDL-C: 115 mg/dL
risco cardiovascular do
HDL-C: 38 mg/dL Carlos?
Triglicerídeos: 185 mg/dL Segundo sua classificação,
Não-HDL: 152 mg/dL as metas terapêuticas foram
alcançadas?
Mantemos a conduta
anterior ou modificamos ela?
INTRODUÇÃO
MODELO DE
AÇÃO
Fase precoce – infância e adolescência
A. Foco na promoção de hábitos saudáveis e na prevenção do surgimento de
fatores de risco
B. Rastreamento de dislipidemias genéticas, como a HF
MODELO DE
AÇÃO
Fase intermediária – adultos jovens à meia-idade
A. Presença frequente de aterosclerose subclínica,
detectável por métodos de imagem (ex: US de
carótidas, escore de cálcio coronariano [CAC]);
B. Indicação de intervenção precoce e intensiva,
com mudanças no estilo de vida e, quando
necessário, terapia farmacológica;
Objetivo: interromper a progressão da doença e
reduzir o risco de eventos cardiovasculares
maiores ao longo da vida.
MODELO DE
AÇÃO
Fase tardia – idosos e pacientes com doença clínica estabelecida
A. Presença de doença aterosclerótica manifesta, como IAM, AVC ou
doença arterial periférica;
B. Necessidade de tratamento intensivo e metas terapêuticas
agressivas, especialmente no controle da dislipidemia;
C. Ênfase nos indivíduos com maior risco cardiovascular dentro do
contínuo e na redução da recorrência de eventos cardiovasculares.
DIAGNÓSTICO
Medida do Colesterol Não HDL
Flexibilização do tempo de jejum
(não-HDL-c)
DIAGNÓSTICO
Medida da Apolipoproteína B (ApoB)
● Principal proteína estrutural presente nas
lipoproteínas aterogênicas; ligante para o
receptor do LDL
● Estimativa direta da concentração total de
partículas lipídicas aterogênicas plasmáticas
● Indivíduos com DM, obesidade ou síndrome
metabólica, podem se beneficiar da
mensuração de ApoB.
● Limitação: seus limiares para iniciar ou
intensificar terapia farmacológica não estão
bem estabelecidos
DIAGNÓSTICO
Medida da Lipoproteína(a)
● Partícula semelhante ao LDL, na qual a ApoB
é covalentemente ligada a uma molécula
denominada apolipoproteína(a)
● Efeitos pró-aterogênicos, pró-inflamatórios e
pró-trombóticos
● As concentrações plasmáticas de Lp(a) não
são influenciadas por dieta, idade, sexo,
estado de jejum ou estilo de vida, sendo
amplamente (> 90%) determinadas
geneticamente.
VALORES
REFERENCIAIS
ESTRATIFICAÇÃO
DO RISCO
CARDIOVASCULA
R
ESCORE DE RISCO
● Utilizados para estimar
risco de evento
cardiovascular em
determinado prazo de
tempo
● Não dispomos de um
escore de risco derivado
de dados da população
brasileira.
● Escore PREVENT (2024)
AGRAVANTES DE
RISCO
ESTRATIFICAÇÃO DE RISCO EM PACIENTES
PORTADORES DE DM
EAR: estratificador de alto risco
EMAR: estratificador de muito alto risco
EAR NO
DM
EMAR NO DM
CRITÉRIO DE EXTREMO RISCO
RISCO CARDIOVASCULAR NOS PACIENTES
PORTADORES DE DM E DRC
METAS TERAPÊUTICAS
METAS TERAPÊUTICAS
Hipertrigliceridemia leve a moderada
● TG < 150 mg/dL em jejum ou < 175 mg/dL no estado pós-prandial
● As metas para LDL-c e colesterol não-HDL têm prioridade
Hipertrigliceridemia grave (≥ 500 mg/dL ou ≥ 885 mg/dL segundo alguns
autores)
● TG < 500 mg/dL
● Risco de pancreatite aguda
● Recomenda-se o uso de fármacos mais eficazes na redução dos TG, como os fibratos
TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO
● Alimentação: reduzir/eliminar açúcares adicionados e farinhas
refinadas; priorizar alimentos com baixo índice glicêmico (ex:
leguminosas, grãos integrais, frutas com casca) e fontes de
carboidratos ricos em fibras; substituir gorduras saturadas por
insaturadas (ex: azeite de oliva e abacate)
● Exercícios físicos: 150 min/semana de atividade física aeróbica de
intensidade moderada ou 75 min de atividade vigorosa
● Cessação do tabagismo: terapia de reposição de nicotina; uso de
bupropiona; grupos de controle
● Diminuição da ingesta de álcool
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
Estatinas
● 1º Linha do tratamento ● Sintomas musculares são possíveis
efeitos colaterais
● Inibe a HMG-CoA redutase, levando a um
aumento da expressão do receptor hepático
de LDL e aumentando a depuração do LDL da
circulação
● Repetir o perfil lipídico após 4 semanas do
início do tratamento ou após o ajuste de
dose das estatinas
● Após o atingimento das metas lipídicas,
sugere-se repetir o perfil lipídico anualmente
Disponíveis no SUS: Sinvastatina (10 mg, 20 mg e 40 mg); Atorvastatina (10
mg, 20 mg, 40 mg e 80 mg)
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
Ezetimiba
● 2º Linha do tratamento
● Inibe a proteína NPC1L1, responsável pela
absorção intestinal de colesterol
● Opção alternativa em pacientes com
intolerância parcial ou total às estatinas
Disponíveis no SUS: Ezetimiba (10 mg)
ESTUDO NEAT (NEtwork to control
AtheroThrombosis)
O estudo avaliou
2.003 pacientes
com doença
arterial coronária
e/ou periférica
entre 2020 e
2022 distribuídos
entre as cinco
regiões do país
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
Terapia anti-PCSK9 Ácido bempedoico
● Anticorpos monoclonais evolocumabe, ● Inibe a ATP-citrato liase hepática,
alirocumabe e inclisirana impedindo a síntese de colesterol
● Inibe a proteína PCSK9, responsável por ● Pode potencializar os efeitos de
degradar os receptores de LDL nos terapias combinadas
hepatócitos
● Opção alternativa em pacientes com
● Via SC a cada 2-4 semanas. A inclisirana intolerância parcial ou total às
pode ser administrada a cada 6 meses estatinas
● Opção alternativa em pacientes com
intolerância parcial ou total às estatinas
● Alto custo
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO
Fibratos
● Estimula a hidrólise intravascular dos TG e a maior síntese de HDL
● Primeira linha de tratamento para pacientes com TG ≥ 500 mg/dL
● Em caso de associação com estatina, deve-se prescrever
fenofibrato devido ao menor risco de miopatia → Com
genfibrozila, essa associação é proscrita, dada a alta incidência
de efeitos adversos musculares graves, como rabdomiólise
Disponíveis no SUS: Ciprofibrato 100 mg e Fenofibrato 200 mg
CASO CLÍNICO
Qual é a estratificação de
risco cardiovascular do
Carlos?
Segundo sua classificação,
as metas terapêuticas foram
alcançadas?
Mantemos a conduta
anterior ou modificamos ela?
CASO CLÍNICO
Qual é a estratificação de
risco cardiovascular do
Carlos?
Carlos, sexo masculino, 58 anos,
comparece à consulta médica de
rotina para mostrar os resultados dos
exames solicitados anteriormente.
Sem queixas no momento.
Trata-se de um paciente hipertenso,
diabético tipo 2 há 10 anos e
tabagista. Há 8 meses, sofreu um
infarto agudo do miocárdio, tendo
realizado angioplastia com implante
de stent.
CASO CLÍNICO
Qual é a estratificação de risco
cardiovascular do Carlos?
Risco cardiovascular extremo
Segundo sua classificação, as
metas terapêuticas foram
alcançadas?
Exames laboratoriais:
Colesterol Total: 190 mg/dL
LDL-C: 115 mg/dL
HDL-C: 38 mg/dL
Triglicerídeos: 185 mg/dL
Não-HDL: 152 mg/dL
CASO CLÍNICO
Mudança de conduta
1. Terapia Combinada Plena Imediata
Substituir a Sinvastatina 40 mg por Rosuvastatina 40 mg/dia ou Atorvastatina 80 mg/dia
Associar obrigatoriamente a Ezetimiba 10 mg/dia no mesmo momento
2. Previsão de Inibidores da PCSK9 ou Ácido Bempedoico
A nova diretriz preconiza que, por se tratar de risco extremo, se a meta não for atingida
em 4 a 6 semanas, deve-se prescrever um inibidor da PCSK9 (Evolocumabe/Alirocumabe)
ou avaliar a introdução do Ácido Bempedoico
3. Mudanças no estilo de vida
Interrupção imediata do tabagismo + melhora da alimentação
MENSAGENS-CHAV
E
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretriz
Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose –
2025. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, São Paulo, v. 122, n.
9, e20250640, 2025
Obrigada
pela
atenção!
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