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CAPÍTULO I

Era uma vez...

Num cantinho de um jardim onde todas as flores pareciam fazer um


concurso de quem brilhava mais, tinha uma rosa que se sentia a própria
invisível. Tipo, nada a ver com as outras que eram super chamativas —
e, por causa disso, ela aprendeu a se esconder, a se fechar um
pouquinho mais entre as próprias pétalas.

Sempre ouvia comentários de que a cor dela era meio estranha, que
ninguém ia querer. E, com o tempo, ela acabou comprando essa ideia. A
vida dela era um eco de silêncio e um monte de "será que sou boa o
suficiente?", nunca conseguia imaginar que alguém pudesse realmente
gostar dela.

Mesmo assim, sem nem se tocar, ela continuava lá, florescendo... como
se uma parte bem lá no fundo insistisse em esperar por algo.

Até que, um dia, um jovem entrou no jardim. Ele não parecia estar ali pra
pegar uma flor qualquer, mas sim como quem procurava algo que nem
ele sabia o que era ainda.

A rosa, na dela, observou cada passo dele. Viu o carisma, a inteligência,


a beleza... os olhos atentos, a gentileza e, principalmente, aquele sorriso
que derrubava qualquer um.

E então, pensou, quase num sussurro só pra si:

1
"Um jovem tão lindo e perfeito.. por que ele escolheria alguém que nem
sequer aprendeu a se amar?"

O jovem apenas deu uma volta entre as rosas, como se estivesse


analisando, mas antes de ir embora, deu uma olhada curiosa pra rosa
que se sentia invisível.

Depois daquele dia, foi como se a vida resolvesse dar uma pegadinha
nela. O jovem não voltou.

Os meses se arrastaram no maior silêncio, e o jardim continuava o


mesmo — mas pra rosa, tudo era diferente. Agora, ela sentia falta de
algo que mal tinha começado a existir.

Pela primeira vez, ela desejou que o tempo voasse... só pra ter a chance
de ver ele de novamente.

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CAPÍTULO II

E quando a rosa já tava quase jogando a toalha, tipo, desistindo de


esperar...

Ele apareceu de novo. Mas, dessa vez, não foi só uma passadinha
rápida. O jovem chegou e, em vez de pegar uma flor ou vazar,
simplesmente sentou do lado dela — como quem só quer uma
companhia, nada de ficar procurando a flor perfeita.

A rosa ficou sem reação, chocada... e meio desconfiada. Tinha algo ali
que ela não conseguia sacar. "Por que alguém tão incrível ia querer
ficar?" "Por que alguém como ele ia querer a conversando de algo que
se sentia quase murchando?"

Depois de um silêncio que parecia durar pra sempre, o jovem olhou pra
ela com uma doçura que a fez prender a respiração e perguntou:

— Você se importaria de conversar comigo?

A rosa, pega de surpresa, simplesmente travada. A voz quase não saiu:

— Mas... por que você falaria comigo?

Ele não desviou o olhar, mantendo a firmeza:

— Porque eu gostei de você

Ainda sem acreditar, a rosa abaixou um pouquinho as pétalas.

— Eu achei que as rosas mais bonitas, essas que tão por todo lado,

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chamariam mais a sua atenção...

Por um instante, o jovem ficou na dele, como se estivesse escolhendo


as palavras com o maior cuidado do mundo. Aí, com uma calma que a
deixou mais tranquila, ele disse:

— Porque eu vi em você qualidades que a maioria nem se dá ao


trabalho de reparar.

A rosa ficou sem palavras. Ela não tava acostumada a ser notada, muito
menos a ser observada com tanta atenção. Mas tinha algo na voz do
rapaz — uma sinceridade tão de boa, quase silenciosa — que a fez
parar de questionar. E, pela primeira vez, ela não sentiu vontade de se
esconder.

Lá dentro, aquela sensação estranha e confusa começou a crescer... De


um jeito sutil, quase imperceptível, mas super real.

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CAPÍTULO III

Os dias foram passando e a conexão entre eles só aumentava. Eles


conversavam quase sempre, e, sem que ela percebesse, a presença
dele deixou de ser uma visita surpresa pra virar o motivo principal que a
fazia querer continuar ali.

Até que, numa dessas conversas, ele resolveu abrir o coração.

Mas, em vez de ficar feliz, a rosa sentiu um frio na barriga. As pétalas


dela se encolheram de leve, num instinto puro de se proteger. No fundo,
ela tinha certeza de que a história ia se repetir: ele logo ia sacar o
quanto ela era complicada e acabaria indo embora, como todo mundo.

Tomando coragem, ela tentou avisá-lo. Despejou em cima dele todos os


seus medos, suas inseguranças, tudo aquilo que ela jurava que o faria
sair correndo. E, por fim, confessou seu maior pavor:

— É melhor você ir... O jardineiro nunca ia deixar a gente em paz. Ele


arranca tudo o que é diferente, tudo o que não se encaixa. Se você ficar
perto de mim, vai acabar se machucando também.

Ele ficou em silêncio por um tempo, só olhando pra ela. Não tinha nem
sombra de medo nos olhos dele, só uma certeza inabalável.

— Eu não ligo — ele disse, se aproximando mais dela — Se eu tiver que


encarar o jardineiro, eu encaro.

E então, com a voz mais doce do mundo, mas cheia de firmeza,


completou:

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— Eu faço qualquer coisa pra cuidar de você.

Aquelas palavras tocaram nela de um jeito que nunca tinha acontecido


antes. Pela primeira vez na vida, alguém não estava arrumando as
malas pra partir; alguém estava batendo o pé e escolhendo ficar.

Ela não disse nada, mas por dentro tudo estava uma bagunça. O medo
ainda morava lá, claro... mas agora ele já não ocupava todo o espaço.
Porque, naquele instante, ela se deu conta de algo que não dava mais
pra esconder:

Ela o amava, e esse amor só aumentava. Era um crescimento


silencioso, como tudo nela, mas com uma diferença enorme. Dessa vez,
não era feito de dúvidas e incertezas... era feito inteiramente de
sentimento.

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CAPÍTULO IV

Os dias foram passando e a conexão entre eles só aumentava. Eles


conversavam quase sempre, e, sem que ela percebesse, a presença
dele deixou de ser uma visita surpresa pra virar o motivo principal que a
fazia querer continuar ali.

Até que, numa dessas conversas, ele resolveu abrir o coração.

Mas, em vez de ficar feliz, a rosa sentiu um frio na barriga. As pétalas


dela se encolheram de leve, num instinto puro de se proteger. No fundo,
ela tinha certeza de que a história ia se repetir: ele logo ia sacar o
quanto ela era complicada e acabaria indo embora, como todo mundo.

Tomando coragem, ela tentou avisá-lo. Despejou em cima dele todos os


seus medos, suas inseguranças, tudo aquilo que ela jurava que o faria
sair correndo. E, por fim, confessou seu maior pavor:

— É melhor você ir... O jardineiro nunca ia deixar a gente em paz. Ele


arranca tudo o que é diferente, tudo o que não se encaixa. Se você ficar
perto de mim, vai acabar se machucando também.

Ele ficou em silêncio por um tempo, só olhando pra ela. Não tinha nem
sombra de medo nos olhos dele, só uma certeza inabalável.

— Eu não ligo — ele disse, se aproximando mais dela — Se eu tiver que


encarar o jardineiro, eu encaro.

E então, com a voz mais doce do mundo, mas cheia de firmeza,


completou:

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— Eu faço qualquer coisa pra cuidar de você.

Aquelas palavras bateram nela de um jeito que nunca tinha acontecido


antes. Pela primeira vez na vida, alguém não estava arrumando as
malas pra partir; alguém estava batendo o pé e escolhendo ficar.

Ela não disse nada, mas por dentro tudo estava uma bagunça. O medo
ainda morava lá, claro... mas agora ele já não ocupava todo o espaço.
Porque, naquele instante, ela se deu conta de algo que não dava mais
pra esconder:

Ela o amava, e esse amor só aumentava. Era um crescimento


silencioso, como tudo nela, mas com uma diferença enorme. Dessa vez,
não era feito de dúvidas e incertezas... era feito inteiramente de
sentimento.

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CAPÍTULO V

A rosa temia o jardineiro, tinha medo que ele não gostasse da presença
do jovem ou que ele o machucasse,mas para sua surpresa o jardineiro
não brigou, apenas disse ao jovem para cuidar dela.

O rapaz, com o jardineiro deixando ele chegar perto meio sem querer, se
aproximou da rosa. Antes ele estava meio travado, mas agora tocava as
pétalas com um jeito bem cuidadoso que ele acabou de descobrir.

O jardineiro ficou de longe só de olho, acompanhando cada movimento e


cada respirada do garoto. Ele sabia que não dava para confiar de cara,
que isso era algo que se ganhava com o tempo, e o velho tinha noção
de que o caminho ia ser demorado e cheio de testes. A rosa também
sentiu que a coisa mudou.

O toque do jovem estava diferente, mais leve, mais presente. Tinha uma
promessa no ar, uma esperança de que, quem sabe, aquele carinho que
ela tanto queria finalmente ia rolar, sem aquele clima pesado de
desconfiança e de coisas que já passaram. Mas o jardineiro ainda
estava por ali, lembrando o tempo todo que a aceitação total era um luxo
que eles ainda não podiam ter.

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CAPÍTULO VI

Durante todo o tempo em que estiveram juntos, a rosa começou, aos


poucos, a se abrir mais.

Ainda rolava uma resistência. Ela ainda tinha medo de que ele visse
quem ela era de verdade. Mas, pela primeira vez, ela estava tentando
não se esconder atrás de silêncios ou de respostas secas.

Mesmo assim, uma culpa batia nela o tempo todo, como se fosse uma
sombra. Ela achava que era um peso na vida do rapaz. Olhava para os
seus próprios traumas, para as barreiras que criava e para o cansaço no
olhar… tudo nela parecia um monte de erro que ela não conseguia
esconder.

E, mesmo assim, o jovem continuava ali.

Dia após dia...

Como se nada disso fosse motivo pra ele desistir.

Mesmo tentando, a rosa ainda sentia um aperto no peito. A vida toda ela
aprendeu que sentir as coisas era perigoso. Guardava tudo trancado,
achando que mostrar que era frágil era um erro… ou uma fraqueza que
a deixaria exposta. Por isso, muitas vezes, nem ela entendia a bagunça
que rolava dentro de si.

Tinha horas que a insegurança batia forte. Momentos em que ela olhava
pra ele e tinha certeza de que ele merecia alguém " melhor". Alguém que
não fosse tão complicada. Alguém que soubesse dizer "eu te amo" sem
travar, sem medo de que tudo desse errado.

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Até que, numa noite em que os dois estavam em silêncio, a rosa
finalmente soltou o que estava entalado:

— Eu não sei mostrar o que eu sinto… — Ela desviou o olhar, com a voz
bem baixinha. — Acho que nem sei como amar alguém de verdade.

O rapaz olhou pra ela com um carinho que ela ainda não entendia
direito. Não tinha julgamento no rosto dele, só uma paciência tranquila.

Aí, com um sorrisinho e um toque suave na mão dela, ele respondeu:

— Tá tudo bem.

A voz dele era como um alívio no meio da confusão dela.

— Com o tempo, você se acostuma. — Ele chegou um pouco mais


perto, tentando olhar nos olhos dela. — E, se você quiser… eu posso te
ensinar.

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CAPÍTULO VII

Com a paciência dele, ela começou a se soltar um pouco mais. Não foi
do dia
pra noite e muito menos fácil, mas ela tava tentando. Ela gostava
tanto dele que não dava mais pra ficar fugindo do que sentia.

Ainda tinha aqueles dias ruins. Dias em que ela dava uma surtada, ou
que o "gelo" voltava — era um hábito antigo que ela nem sabia como
controlar. E, vira e mexe, isso acabava magoando ele e ela também.

Só que ele não arredava o pé. Sem pressa, sem cobrar que ela
mudasse de uma hora pra outra. Ele entendia que cada um tem seu
tempo pra se sentir seguro e "florescer". E era exatamente isso que
dava forças pra ela continuar tentando.

Pela primeira vez, ela não tava encarando a barra sozinha. Os meses
foram passando e, devagarzinho, ela foi melhorando. Eram detalhes,
coisas que quem vê de fora nem percebe, mas pra ela era um passo
gigante. Porque ela nunca tinha sido assim com ninguém. Nunca tinha
conseguido ficar, nem se sentido à vontade pra baixar a guarda desse
jeito.

Dava um medo danado, sabe? Era estranho ver que alguém continuava
ali, firme, mesmo depois de conhecer o lado mais difícil dela. Mas, no
fundo, era algo que ela não queria que acabasse nunca.

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Capítulo VIII

Nove meses se passaram...

E, mesmo com todas as inseguranças, eles continuavam ali, firmes, um


pelo outro.

Ainda rolavam umas recaídas.

Ainda tinha aqueles dias pesados, em que ela se fechava no próprio


silêncio, travada pelo medo, pela ansiedade ou por aquela vozinha
interna que não parava de dizer que tudo ia dar errado.

Mas a diferença agora era clara: ela não tava mais estagnada.

Ela tava lutando pra ser melhor. Não só por ela, mas porque sentia que
ele merecia o melhor dela.

Sem perceber, ele virou o lugar onde ela tinha paz. O único canto no
mundo onde ela sentia que não precisava de máscara, onde podia
mostrar seus pedaços quebrados sem medo de ser julgada.

E, nessa convivência do dia a dia, ela descobriu um sentimento novo:


aprendeu a amar ele de um jeito que nunca imaginou.

Não era aquele amor de cinema, todo perfeito. Não era sobre aparência
ou momentos passageiros. Ela amava quem ele era de verdade. Pela
honestidade no olhar, pela paciência gigante nos dias em que ela tava
um caos total. Pelo cuidado dele mesmo quando não diziam nada. Pelo
simples fato de ele ter ficado, mesmo quando ela mesma teria desistido

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de si.

Pra ela, ele era o equilíbrio que faltava. E o medo de perder ele virou o
seu maior fantasma. Porque não seria só o fim de um namoro... seria
perder o porto seguro dela. O homem da vida dela.

Mas, apesar de todo esse amor transbordando e de ser cuidada com


tanto carinho, aquelas vozes cruéis ainda perseguiam ela no escuro do
quarto. Eram dúvidas que ela guardava a sete chaves, com medo de
que, se falasse em voz alta, elas virassem verdade:

— Será que eu sou um peso grande demais pra ele carregar...?


— Será que alguém tão incrível merece mesmo alguém tão complicada
quanto eu?

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Oi, meu amor.

Eu sei que talvez isso tudo ainda seja pouco perto do que você merece,
mas foi o jeito mais verdadeiro que achei de te mostrar o que eu sinto.
Cada capítulo e cada palavra aqui são pedaços de mim que eu nunca
soube muito bem como explicar falando.

Então, se algum dia você bater aquela dúvida sobre o quanto eu te


amo... lê tudo isso de novo, tá? E lembra que, mesmo com medo e com
todas as minhas dificuldades, eu tentei melhorar por você.

Porque, de verdade, você virou o motivo de eu ainda estar aqui. E eu


quero muito que você continue sendo a razão de eu querer ficar. Eu te
amo demais para aceitar a ideia de te perder assim, do nada.

Valeu por não desistir de mim, mesmo nos meus dias mais pesados.
Obrigada por me amar até quando eu nem conseguia gostar de mim
mesma. E obrigada por ter paciência com essa "rosa" aqui, que passou
tanto tempo achando que nunca ia ser escolhida por ninguém.

Com todo o meu amor,

Da sua morta favorita❤️὇

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