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PÓS-GRADUAÇÃO

EM
SEGURANÇA E HIGIENE NO TRABALHO
(20ª Edição do Curso de Técnico Superior de SHT)

PROJETO INDIVIDUAL

Identificação de Perigos e Avaliação de


Riscos
João Vaz das Neves, Lda.

Orientador: Prof. Filipe Didelet

Formando: Ana Batalha

2012
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO....................................................................................................... 1

1.1. Âmbito ............................................................................................................. 2

1.2. Objetivo ........................................................................................................... 2

1.3. Metodologia .................................................................................................... 2

2. CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA .................................................................... 4

2.1. Caracterização da Atividade da JVN, Lda. .................................................... 5

2.2. Processo produtivo da JVN, Lda.................................................................... 6

2.3. Caracterização dos Recursos Humanos ....................................................... 7

2.4. Segurança e Higiene no Trabalho da JVN, Lda. ........................................... 9

2.5. Enquadramento legal da JVN, Lda. ............................................................. 10

3. ENQUADRAMENTO DA AVALIAÇÃO E CONTROLO DE RISCOS ................. 12

4. IDENTIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE RISCOS NA JVN, LDA. .......................... 19

4.1. Descrição da Situação.................................................................................. 19

4.2. Processo de Identificação ............................................................................ 25

4.3. Seleção do Método de Avaliação de Riscos ............................................... 26

4.4. Dados Adquiridos ......................................................................................... 29

4.5. Aplicação do método de Avaliação .............................................................. 32

4.6. Análise de Resultados .................................................................................. 34

4.7. Medidas Preventivas e Corretivas ............................................................... 36

5. CONCLUSÕES.................................................................................................... 40

6. BIBLIOGRAFIA .................................................................................................... 45

7. APÊNDICES ........................................................................................................ 46

Trabalho Final I
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

1. INTRODUÇÃO

Hoje em dia a vertente humana assume um papel preponderante na atividade laboral,


seja ela qual for. Outrora este era um papel insignificante, dando-se maior relevância à
produtividade deixando as condições de trabalho para último plano. Continua a ser a
produtividade uma das principais preocupações das organizações, no entanto, após se
verificar que a produtividade também é afetada pela adequação do trabalho e sua
envolvente ao Homem, começou a adotar-se outra visão em relação às condições de
trabalho a que os trabalhadores estão sujeitos.
Assim, surgiram a Segurança e a Higiene no Trabalho (SHT), estando estas
estreitamente relacionadas com o fim de garantir condições de trabalho que garantam
não só um nível de segurança e saúde dos colaboradores de uma empresa, mas
também a adequação do trabalho ao Homem de forma vantajosa para o trabalhador e
para a empresa.
Desta forma, a SHT tem-se revelado cada vez mais fundamental para o sucesso
empresarial, na medida em que contribui, não só, para uma redução de ac identes,
doenças profissionais e consequente absentismo, mas também melhora a qualidade
de trabalho dos colaboradores aumentando assim a produtividade e competitividade
da empresa.
O edifício legislativo também tem tido um papel importante na segurança no trabalho,
obrigando as empresas a implementar medidas que visem a segurança dos
trabalhadores. De acordo com a Constituição da República Portuguesa, todos os
trabalhadores, sem distinção de idade, sexo, raça, cidadania, território de origem,
religião, convicções políticas ou ideológicas, têm direito à prestação do trabalho em
condições de higiene e segurança, direito à proteção da saúde e o dever de o
defender e promover.
Independentemente da categoria e dimensão das empresas, o fator-chave para um
local de trabalho saudável é a prevenção.
Uma das formas de prevenção dentro de uma empresa é a realização de avaliações
de riscos periódicas, tendo como primeira etapa a identificação de perigo, visando a
implementação de medidas que eliminem ou, quando a sua eliminação não é possível,
corrijam os riscos a que os trabalhadores estão expostos no seu trabalho.
A avaliação de riscos é um processo dinâmico que permite às organizações a
implementação de uma política pró-ativa de gestão dos riscos no local de trabalho.

Trabalho Final 1
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

1.1. Âmbito

O presente trabalho surge no âmbito da componente prática da 20ª edição da Pós-


Graduação em Segurança e Higiene no Trabalho da Escola Superior de Tecnologia de
Setúbal em parceria com Escola Superior de Ciências Empresariais do Instituto
Politécnico de Setúbal.

1.2. Objetivo

Após adquiridos os conceitos teóricos relacionados com a Segurança no Trabalho,


este trabalho visa a realização de identificação de perigos e avaliação de riscos em
contexto real de trabalho, mais concretamente numa fábrica de produção de creolina.
Consequentemente, serão também definidas as medidas preventivas e corretivas a
adotar pela empresa, de forma a eliminar/reduzir os perigos identificados.

1.3. Metodologia

A metodologia adotada para a realização deste trabalho final dividiu-se nas seguintes
etapas:
 Visita às instalações da empresa;
 Aquisição de dados através de pesquisa e solicitação de informação
relacionada com a atividade da empresa;
 Caracterização da empresa e dos seus recursos humanos;
 Descrição da atividade realizada na empresa;
 Levantamento de dados acerca dos serviços de Segurança e Higiene no
Trabalho da empresa;
 Conhecimento do funcionamento da empresa através da observação direta;
 Seleção das secções da empresa a aplicar a identificação de perigos e
avaliação de riscos;
 Organização de listas de verificação a aplicar na empresa;
 Criar registos de observações e informações adquiridas através dos
colaboradores durante o acompanhamento da atividade;

Trabalho Final 2
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

 Identificação dos vários riscos das secções selecionadas;


 Seleção do método de análise dos riscos associados aos perigos identificados;
 Análise dos riscos identificados;
 Proposta de medidas preventivas e corretivas;
 Conclusões.

Trabalho Final 3
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

2. CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA

A João Vaz das Neves, Lda. (JVN, Lda.), empresa familiar de pequena dimensão,
situada na Moita, foi fundada em 1942, iniciando-se com o fabrico de alcatrão vegetal,
proveniente dos cepos do pinheiro, para a conservação das redes de pesca. Passando
pelo fabrico de asfalto, colas e borracha sintética, em 1990 a JVN, Lda. deu início ao
fabrico de creolina a partir de óleos da destilação de hulha. Hoje em dia, a empresa
continua com o fabrico de creolina, sendo este o maior enfoque da empresa, e
também com a produção de produtos de tratamento de madeiras porém, em menores
quantidades.

Ao longo dos anos a pequena empresa familiar tem vindo a crescer gradualmente,
sendo que de momento a empresa labora com um total de 6 colaboradores, das
8h30m às 17h30m, de Segunda-feira a Sexta-Feira.

Trabalho Final 4
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

2.1. Caracterização da Atividade da JVN, Lda.

Enquanto organização, sendo a JVN, Lda. uma microempresa, a estrutura adotada é


do tipo simples e direta (Fig.1). De forma a manter uma organização eficaz, a atividade
da empresa está estruturada da seguinte forma: existe um Gestor de toda a
organização, em colaboração com dois outros sectores: gestão de clientes e
operadores de produção. A gestão de clientes é efetuada por apenas um colaborador
em conjunto com a gestão. O sector de operadores de produção apresenta um chefe
de serviços e dois operadores cujas funções não estão bem definidas, estando todo o
sector encarregue do processo produtivo.

Gerência

Gestão de Chefe de
Clientes Serviços

operador operador

Figura 1 – Organigrama da Empresa

Trabalho Final 5
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

2.2. Processo produtivo da JVN, Lda.

O principal processo produtivo da JVN, Lda. é o processamento de creolina (cresol). A


produção é feita consoante as encomendas que chegam dos diversos clientes, sendo
que nem sempre a fábrica se encontra em processamento.
A produção da creolina consiste na mistura de resina e óleo a quente, numa caldeira a
lenha, durante cerca de duas horas, momento em que se dá a junção da soda
cáustica. Após a mistura destas três matérias-primas, esta é levada a arrefecer ao ar
livre e engarrafada. O engarrafamento é efetuado através de uma máquina de
enchimento que engarrafa, tampa e faz a marcação do lote da creolina. Finalmente é
feito o empacotamento da encomenda em caixas de cartão e a carga do camião.
Para facilitar o entendimento deste processo, o esquema do sistema de produção de
creolina da JVN, Lda. encontra-se representado na figura nº 2.

Arrefecimento

Ligação à
máquina de
enchimento

Empacotamento

De encomenda

Garrafas Marcação do Tamponamento das Enchimento


preparadas lote garrafas das garrafas

Figura 2 – Esquema de produção de creolina da JVN, Lda.

Trabalho Final 6
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

2.3. Caracterização dos Recursos Humanos

Sendo a segurança das pessoas, neste caso, dos colaboradores da empresa a


principal razão da realização de uma identificação de perigos e avaliação de riscos,
torna-se necessário o conhecimento das características dos recursos humanos da
empresa.
Como já referido, estão 6 colaboradores a laborar na empresa de momento. De
seguida apresenta-se a distribuição dos colaboradores da JVN, Lda. por atividade,
sexo e idade.

Quadro 1 – Distribuição dos colaboradores por atividade

Atividade Nº de Trabalhadores
Gerência 2
Gestão de Clientes 1
Operadores (incluindo chefe da secção) 3

Distribuição dos Colaboradores por Sexo

Masculino

100%

Figura 3 – Distribuição dos colaboradores por sexo

Como é percetível através do gráfico, todos os colaboradores são do sexo masculino.

Trabalho Final 7
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Distribuição dos colaboradores por Idade


80

70

60

50
Idade
40

30

20
Chefe S. Operador Embalador Gestor Sócio Gestor de
Gerente Clientes

Gráfico 1 – Distribuição dos colaboradores por idade

A maioria dos colaboradores da empresa tem entre os 54 e os 78 anos, no entanto é


de notar que os cargos de gestão são os que são ocupados por colaboradores mais
velhos, sendo o sector de produção constituído por colaboradores mais novos (entre
os 28 e os 54 anos).

Trabalho Final 8
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

2.4. Segurança e Higiene no Trabalho da JVN, Lda.

Segundo a Lei 102/2009 de 10 de Setembro, artigo 73º, o empregador é obrigado a


organizar o serviço de segurança e saúde no trabalho de forma a garantir a prevenção
de riscos profissionais e a promoção e vigilância da saúde dos colaboradores.
Consoante a dimensão da empresa, recursos humanos existentes e o risco que a
atividade comporta, o empregador pode optar por uma das seguintes modalidades:
- Serviço interno;
- Serviço comum;
- Serviço externo.

Para além da atividade da empresa ser considerada uma atividade de risco devido à
armazenagem de produtos químicos perigosos (inflamáveis) suscetíveis de provocar
acidentes graves (incêndios e explosões), não existem colaboradores expostos em
número suficiente que obrigue a empresa a optar pelo serviço interno de segurança e
higiene no trabalho.
Desta forma, a JVN, Lda. optou pela prestação de serviços externos de Higiene e
Segurança no Trabalho. Esta opção não retira as responsabilidades ao empregador,
pelo que compete a este as responsabilidades que a legislação lhe atribui no que diz
respeito à Saúde, Higiene e Segurança no trabalho.
É através da Gestão da JVN, Lda. que a empresa de serviços externos atua na
empresa.
Em resultado das visitas realizadas à JVN, Lda., para além de se reconhecer que
ainda existe uma certa resistência a determinadas regras de segurança, ao mesmo
tempo denota-se que já foram implementadas algumas medidas de segurança na
empresa. Extintores bem colocados, sinalizados e suficientes dentro de toda a
instalação, sinalização diversa afixada e utilização equipamentos de proteção
individual (EPI’s) e coletiva (EPC’s) são algumas das questões de segurança que já se
vêm implementadas nas instalações da JVN, Lda..

Trabalho Final 9
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

2.5. Enquadramento legal da JVN, Lda.

A legislação aplicável à JVN, Lda. em matéria de HST é a seguinte:

Lei 102/2009, 10 de Setembro - Estabelece o Regime Jurídico da promoção da


segurança e saúde no trabalho, transpondo para ordem jurídica interna a Diretiva nº
89/ 391/CEE, de 12 de Junho, destinada a promover a melhoria da segurança e da
saúde dos trabalhadores no trabalho, alterada pela Diretiva nº 2007/30/CE, de 20 de
Junho.

Lei nº 23/2012, de 25 de Junho - Procede à terceira alteração ao Código do Trabalho,


aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12 de Fevereiro.

Lei 98/2009, de 4 de Setembro - Regulamenta o regime de reparação de acidentes


de trabalho e de doenças profissionais, incluindo a reabilitação e reintegração
profissionais, nos termos do artigo 284.º do Código do Trabalho, aprovado pela Lei n.º
7/2009, de 12 de Fevereiro.

Decreto-Lei nº 24/2012 de 6 de Fevereiro - Consolida as prescrições mínimas em


matéria de proteção dos trabalhadores contra os riscos para a segurança e a saúde
devido à exposição a agentes químicos no trabalho e transpõe a Diretiva
n.º2009/161/UE, da Comissão, de 17 de Dezembro de 2009.

Decreto-Lei n.º 50/2005 de 25 de Fevereiro - Transpõe para a ordem jurídica interna


a Diretiva n.º 2001/45/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de Junho,
relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde para a utilização pelos
trabalhadores de equipamentos de trabalho.

Decreto-Lei n.º 243/86 de 20 de Agosto – Aprova o Regulamento Geral de Higiene e


Segurança do Trabalho nos Estabelecimentos Comerciais, de Escritório e Serviços.

Decreto-Lei n.º 330/93 de 25 de Setembro - Transpõe para a ordem jurídica interna a


Diretiva n.º 90/269/CEE, do Conselho, de 29 de Maio, relativa às prescrições mínimas
de segurança e de saúde na movimentação manual de cargas.

Trabalho Final 10
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Decreto-Lei n.º 182/2006 de 6 de Setembro - Transpõe para a ordem jurídica interna


a Diretiva n.º 2003/10/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 6 de Fevereiro,
relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde em matéria de exposição
dos trabalhadores aos riscos devidos aos agentes físicos (ruído).

Decreto-Lei 220/2008 de 12 de Novembro - Estabelece o regime jurídico da


segurança contra incêndios em edifícios.

Portaria 1532/2008 de 29 de Dezembro - Aprova o Regulamento Técnico de


Segurança contra Incêndio em Edifícios (SCIE).

Decreto-Lei n.º 141/95 de 14 de Junho – Estabelece as prescrições mínimas para a


sinalização de segurança e de saúde no trabalho.

Portaria n.º 1456-A/95 de 11 de Dezembro - Regulamenta as prescrições mínimas


de colocação e utilização da sinalização de segurança e de saúde no trabalho.

Portaria n.º 987/93 de 6 de Outubro - Estabelece as prescrições mínimas de


segurança e saúde nos locais de trabalho.

Trabalho Final 11
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

3. ENQUADRAMENTO DA AVALIAÇÃO E CONTROLO DE RISCOS

Antes de dar início à abordagem da identificação de riscos e avaliação de riscos


importa diferenciar estes dois conceitos:

Perigo – é a propriedade intrínseca de uma instalação, atividade, equipamento, um


agente ou outro componente material do trabalho com potencial para provocar dano.

Risco – é a probabilidade de concretização do dano em função das condições de


utilização, exposição ou interação do componente material do trabalho que apresente
perigo.

A identificação de perigos e avaliação de riscos é essencial para garantir a segurança


das empresas e de todos os seus colaboradores, pois a avaliação dos riscos consiste
na análise das situações indesejadas que são potencialmente danosas para a saúde e
segurança dos trabalhadores no seu local de trabalho decorrentes das circunstâncias
em que o perigo ocorre no trabalho.
A avaliação de riscos tem, assim, por objetivo a implementação eficaz de medidas
necessárias para proteger a segurança e a saúde dos trabalhadores. Estas medidas
podem ser na ordem da prevenção de riscos profissionais, da informação e formação
adequada dos trabalhadores e facultar aos trabalhadores a organização e criação de
meios para aplicar tais medidas necessárias.
Para se poder fazer a avaliação aos riscos a que os trabalhadores estão expostos,
antes deve se proceder a uma identificação de perigos existentes nos locais de
trabalho de uma organização.
Assim, numa primeira análise à empresa, faz-se a decomposição analítica ou
detalhada do objeto de estudo, podendo ser uma tarefa, um local, um equipamento de
trabalho, a estrutura…, de forma a se conseguir uma caracterização dos riscos
presentes, a sua relação com a fonte, possível desenvolvimento, probabilidade de
ocorrência, extensão e operador(es) exposto(s). Para isso, inicia-se o processo com
uma identificação de perigos com a aquisição de dados, não só através de manuais de
máquinas, fichas de segurança, histórico de ocorrências, inquéritos e questionários,
mas também através da observação direta com o fim de identificar materiais, sistemas,
processos e instalações que podem ter consequências indesejáveis e/ou danosas
para os trabalhadores ou terceiros que estejam expostos. No processo de identificação
de riscos, devem também ser identificadas as pessoas que estão ou podem vir estar

Trabalho Final 12
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

expostas a tais perigo identificados, podendo estas ser os operadores, fornecedores,


clientes, visitantes, dependendo da atividade da empresa.
Assim, a identificação de perigos consiste na verificação dos perigos presentes numa
dada situação de trabalho e suas possíveis consequências, em termos dos danos
sofridos pelos trabalhadores expostos.
Após o processo de identificação de riscos procede-se então à avaliação de riscos. A
avaliação dos riscos é um processo que para além de identificar as situações que
podem originar danos físicos ou psicológicos nos trabalhadores, avalia a probabilidade
de ocorrência de um acidente, devido ao perigo identificado, e avalia as potenciais
consequências. Para isso, existem diversas metodologias de avaliação de riscos que
se podem dividir em dois grandes grupos: metodologia de ordem técnica e as
metodologias orientadas para as tarefas.
As metodologias de ordem técnica são dirigidas para a avaliação do tipo de risco, ou
seja, para a componente material do trabalho e interação entre materiais e/ou
equipamentos. O outro grupo de metodologias está mais direcionado para a análise de
tarefas e operações e à análise profissional.
Desta forma, a análise de risco não se cinge apenas ao estudo específico de
equipamentos e materiais, comporta também a análise de atuações e comportamentos
humanos relacionados com a operação em causa e a utilização dos sistemas em
análise considerando também os aspetos organizativos associados.
Para efetuar uma correta avaliação dos riscos deve-se ter em conta fatores sociais,
económicos e também ambientais, fazendo uma comparação entre o valor obtido da
análise de riscos e um referencial de risco tolerável. Através desta comparação,
equaciona-se e prioriza-se as necessidades de intervenção, podendo esta intervenção
traduzir-se na interrupção da atividade em causa e sua correção, ou apenas uma ação
de acompanhamento consoante a magnitude dos riscos e a priorização definida pela
análise dos riscos.
Na figura n.º 4, apresenta-se esquematicamente as várias fases necessárias à
avaliação dos riscos enunciadas anteriormente.

Trabalho Final 13
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Figura 4 – Avaliação de Riscos

Em suma, o tratamento dos riscos na empresa inicia-se com a identificação dos


perigos e dos riscos associados para de seguida os classificar e avaliar. Assim,
possibilita-se então a realização do passo seguinte que consiste na quantificação dos
riscos, passando-se depois à implementação de medidas que visem a sua eliminação.
As medidas de segurança podem aplicar-se às ocorrências propriamente ditas ou às
suas consequências, caso ocorram.
Quando não é possível a eliminação do risco, este deve ser reduzido e controlado.
Posteriormente, estes riscos residuais devem ser avaliados mais tarde, sendo avaliada
a possibilidade de reduzir ainda mais tal risco, considerando uma possível nova
envolvência.
Assim, implementando as medidas definidas e assegurando a eliminação/reduç ão dos
riscos através de avaliações periódicas, é feito o controlo dos riscos da empresa. Este

Trabalho Final 14
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

controlo pode ser efetuado através da elaboração de planos de acompanhamento dos


resultados, para aferir das hipóteses previamente colocadas e corrigir os resultados
menos favoráveis.
Á aplicação sistemática deste processo, ou seja, implementação das medidas,
avaliação das medidas implementadas e de novos riscos que possam ocorrer,
aplicação de práticas e procedimentos com o objetivo de controlar, eliminar e, se não
possível, minimizar o quanto possível os riscos designa-se por gestão dos riscos de
uma empresa.
Resumindo, apresenta-se de forma esquemática, as diferentes componentes da
análise, avaliação e gestão do risco que deve ser feita numa organização através da
figura n.º 5.

Sim

Não

Figura 5 – Gestão do Risco

Trabalho Final 15
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Da análise dos fatores intervenientes num ambiente laboral, tem-se como


consequências nocivas do trabalho:
- O acidente;
- A doença profissional (patologia específica do trabalho);
- A doença do trabalho (patologia já identificada no indivíduo mas agravada pelo
trabalho).
Consideram-se acidentes de trabalho, os acidentes que ocorrem no local de trabalho e
que como consequência dão origem a lesões corporais, perturbações funcionais,
doenças, redução da capacidade de trabalho, ganho ou morte, assim como indica a
Lei 98/2009, 4 de Setembro no artigo 8º.
Doenças profissionais são todas as que estão indicadas na lista publicada no Diário da
República (Decreto Regulamentar nº 6/2001 de 5 de Maio e nº 76/2007 de 17 de
Julho), sob o parecer da Comissão Nacional de Revisão da Lista de Doenças
Profissionais, assim como todas as lesões corporais, perturbações funcionais ou
doenças que não estão listadas, mas que seja comprovado que as mesmas resultam
do trabalho executado e não são resultado do normal desgaste do organismo.
Os acidentes de trabalho e as doenças profissionais provocam um conjunto de
consequências para o trabalhador, podendo estas serem temporárias ou permanentes.
Custos com a saúde que não são suportados pelas seguradoras, perda de prémios,
efeitos psicológicos, entre outros, são alguns dos efeitos dos acidentes de trabalho ou
doenças profissionais no trabalhador.
Numa organização a monitorização do processo de prevenção é suportada por
indicadores. A estatística, como técnica analítica de segurança, permite obter
conclusões acerca da evolução da sinistralidade e servir de base para orientar as
técnicas operativas.
Os Índices de Sinistralidade são então uma das ferramentas mais importantes para a
análise da sinistralidade das empresas. O cálculo destes índices e a sua análise,
nomeadamente através da comparação dos resultados das várias empresas do
mesmo sector de atividade é fundamental para a avaliação da sinistralidade da
empresa.
Os índices de Sinistralidade estão divididos nos seguintes índices:
- Índice de Frequência (IF) que corresponde ao número de acidentes com baixa,
incluindo os mortais, por cada milhão de horas homem efetivamente trabalhadas.

Trabalho Final 16
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

- Índice de Incidência (II) que representa o número de acidentes com baixa ocorridos
por cada mil trabalhadores expostos.

- Índice de Gravidade (IG) que indica o número de dias úteis perdidos por cada mil
horas trabalhadas.

Existem outros índices, mas estes revelam-se ser os mais importantes e os mais
usados não só para a análise de sinistralidade das empresas, mas também permitem
o estabelecimento de prioridades e objetivos quanto às ações a desenvolver ou a
manter numa organização, ou secção da mesma. Os índices mais divulgados nas
empresas são o índice de frequência e o índice de gravidade e a sua integração nos
indicadores de gestão permite estimular um clima de responsabilidade e de
envolvimento dos colaboradores.

Na JVN, Lda. estes índices não são calculados, pois até à data não foram reportados
nenhuns acidentes de trabalho nem doenças profissionais com baixa. No entanto, já
ocorreram pequenos acidentes, nomeadamente, queimaduras, quedas ao mesmo
nível e pequenos cortes.

Segundo os últimos dados da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), em


2010 o setor da indústria química registou 8 acidentes de trabalho mortais (que
tenham sido objeto de ação inspetiva), traduzindo-se no 3º sector com maior número
de acidentes, como demonstra o quadro n.º 2.

Trabalho Final 17
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Quadro 2 – Acidentes por sector de atividade (2010)

Trabalho Final 18
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

4. IDENTIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE RISCOS NA JVN, LDA.

4.1. Descrição da Situação

A identificação de perigos e avaliação de riscos foi aplicada apenas no processo de


produção de creolina da JVN, Lda.
De forma a se entender a atividade dos colaboradores nas várias etapas do
processamento da creolina, e facilitar a identificação de perigos e avaliação de riscos,
dividiu-se o sistema produtivo em 5 fases:

- Preparação da Caldeira: a caldeira onde ocorre o processamento da creolina é a


lenha, sendo a sua alimentação e ignição efetuada manualmente por um dos
operadores.
Esta caldeira é constituída por um forno aberto, como se pode verificar na figura n.º 6,
e um tanque onde se dá a mistura inserido nas paredes da caldeira (figura n.º 7 e 8),
por cima do forno.

Figura 6 – Forno da Caldeira

Trabalho Final 19
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Figura 7 - Caldeira

Figura 8 – “boca” do tanque inserido nas paredes da caldeira

Trabalho Final 20
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

- Preparação do produto: após ignição do “forno” da caldeira, é colocado um depósito


com cerca de 2000L de óleo ao nível do tanque que está a ser aquecido recorrendo a
um empilhador, como demonstra a figura n.º 9.

Figura 9 – depósito de óleo ao nível do tanque

Do lado oposto do empilhador, outro dos operadores sobe para junto da boca do
tanque, através de umas escadas fixas que dão acesso a um tapete de segurança em
volta do tanque, de forma a abrir a torneira do depósito para fazer a purga do óleo
para dentro do tanque.
Em relação à resina, esta é utilizada em estado sólido. O empilhador levanta os
pacotes de resina necessários ao nível da caldeira, onde estará o outro operador na
boca da caldeira, que faz o desempacotamento, e junta a resina ao óleo dentro do
tanque.
Passadas duas horas, junta-se a soda cáustica ao tanque através do mesmo
procedimento.

Trabalho Final 21
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

- Arrefecimento do produto: o tanque onde se dá a mistura das matérias-primas está


ligado através de mangueiras próprias a um depósito que se encontra numa divisão da
fábrica separada da das caldeiras, como se pode visualizar na figura n.º10. Após o
enchimento deste depósito, através da abertura da mangueira que liga os dois
recipientes, este é transportado para o recinto da fábrica ao ar livre, onde se dá o
arrefecimento do produto. Este transporte é efetuado com a ajuda do empilhador.

Figura 10 – Ligação entre a caldeira e o depósito a ser arrefecido

- Enchimento das garrafas: Depois do produto arrefecido, recorrendo novamente ao


empilhador, o depósito volta para dentro das instalações onde é feita a purga do
produto arrefecido para o depósito que está ligado à máquina de enchimento.
O operador que supervisiona a máquina de enchimento, apenas tem de colocar as
garrafas vazias em cima da bancada inicial e verificar que o processo ocorre sem
nenhum problema. A máquina de enchimento, apresentada na figura n.º 11, através de
um tapete rolante, efetua o próprio enchimento das garrafas, tampa as garrafas, faz a

Trabalho Final 22
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

marcação do lote através de uma pequena pistola de tinta, e transporta as garrafas já


finalizadas para a bancada final.

Figura 11 – enchimento das garrafas

- Empacotamento da encomenda: Posteriormente à finalização das garrafas, estas são


empacotadas pelos colaboradores em caixas de cartão, pode se pode verificar na
figura nº 12, e são colocadas em cima de paletes prontas a serem introduzidas nos
contentores dos camiões, através do empilhador.

Trabalho Final 23
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Figura 12 – Finalização das garrafas e seu empacotamento

Trabalho Final 24
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

4.2. Processo de Identificação

Como já referido anteriormente, existem vários processos que permitem o


levantamento dos perigos existentes nos locais de trabalho de uma organização.
Neste caso, o levantamento das situações de perigo foi feito, numa primeira fase por
observação direta dos postos de trabalho, onde foram registadas algumas das
observações, seguido da aplicação de listas de verificação (checklists) sobre
determinados itens previamente definidos com base naquilo que havia sido observado.
Foram também consultados os manuais de utilização do equipamento e as fichas de
segurança das matérias-primas e produto produzido.
Após a aquisição da informação que foi considerada relevante para a identificação dos
perigos do processo produtivo da JVN, Lda. cruzou-se a informação adquirida com a
legislação aplicável em termos de segurança, higiene e saúde no trabalho para
obtenção dos resultados em termos de perigos identificados.
As listas de verificação foram preenchidas segundo os seguintes critérios:
- Cumpre/Sim – quando se verifica que a disposição enunciada é cumprida
pela empresa;
- Não cumpre/Não – quando não se verifica o cumprimento da disposição
enunciada;
- Não aplicável – quando a empresa não apresenta os aspetos necessários
para responder à disposição enunciada.

Assim, realizaram-se as seguintes listas de verificação (ANEXO I):


 Condições gerais de SHT;
 Ordem e limpeza;
 Agentes químicos;
 Movimentação manual de cargas;
 Prevenção de incêndios e explosões.

Trabalho Final 25
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

4.3. Seleção do Método de Avaliação de Riscos

A metodologia selecionada para a avaliação de riscos da JVN, Lda. foi o método


simplificado que se insere no grupo de metodologias direcionadas para a analise de
tarefas e operações, referido no ponto 3 do presente documento. Este método permite
quantificar a magnitude dos riscos existentes e, em consequência, hierarquizar
racionalmente a sua prioridade da prevenção.
Para se aplicar esta metodologia, primeiramente deve-se detetar as deficiências
existentes nos locais de trabalho (identificação de riscos já referida no ponto anterior)
de forma a se estimar a probabilidade de ocorrência de um acidente e, tendo em conta
a magnitude esperada das consequências, avaliar o risco associado a cada um dos
perigos identificados.
Poderia também ter-se aplicado o método de William T. Fine que permite a avaliação
dos riscos não só pela probabilidade de ocorrência do acidente e magnitude das
consequências tal como o método simplificado, mas também considera o tempo de
exposição dos trabalhadores às situações de risco identificadas. Este método, para
além desta componente que em algumas situações torna a avaliação mais completa e
adequada, permite também a priorização da prevenção pela avaliação conjunta dos
riscos e dos investimentos monetários necessários para prevenir as situações
identificadas.
No entanto, optou-se pelo método simplificado, e não pelo método de William T. Fine
pelo facto de a JVN, Lda. assistir a medidas de segurança já implementadas, que
durante as observações efetuadas, registou-se que as melhorias não necessitariam de
um grande investimento monetário na correção das situações de risco identificadas. O
tempo de exposição dos trabalhadores seria outra das razões pela qual se podia optar
pelo método de William T. Fine, no entanto este não se revelou um fator importante,
no tipo de situações que foram identificadas.

A informação fornecida pelo método simplificado é apenas orientadora. Seria


necessário comparar o nível de probabilidade de acidente que fornece este método
com o nível de probabilidade estimável a partir de outras fontes mais precisas, como
por exemplo, dados estatísticos de sinistralidade ou de fiabilidade de componentes.
Tendo em conta a simplicidade que se pretende na aplicação deste método, não se
empregarão valores reais absolutos de risco, probabilidade e consequências, mas sim
os seus graus numa escala de quatro possíveis:
 Grau de risco (GR);

Trabalho Final 26
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

 Grau de consequências esperadas (C);


 Grau de probabilidade de ocorrência (P).

No método simplificado, considera-se que o grau de risco é função da probabilidade


de ocorrência do perigo e das consequências esperadas.

Consideraram-se 6 níveis para a classificação das consequências considerando a


gravidade das consequências esperadas, como indicado no quadro nº 3. O valor mais
baixo (1) é atribuído à consequência menos danosa, e o valor mais alto (6)
corresponde à consequência mais grave:

Quadro 3 – Classificação das consequências esperadas

Consequência Valor atribuído


Pequenas lesões 1
Lesões não muito graves 2
Lesões graves num trabalhador 3
Lesões graves em vários trabalhadores 4
Morte de um trabalhador 5
Morte de vários trabalhadores 6

A classificação dos níveis de probabilidade, apresentada no quadro nº 4, também foi


dividida em 6. Seguindo a mesma lógica, à consequência com menor probabilidade de
acontecimento é atribuído o menor valor (1), e a consequência com maior
probabilidade de acontecimento o maior valor (6).

Trabalho Final 27
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Quadro 4 – Classificação da probabilidade de acontecimento

Probabilidade Valor atribuído


Totalmente improvável 1
Improvável 2
Possível 3
Provável 4
Muito provável 5
Certo 6

Após o cálculo do grau de risco, procede-se à sua classificação de acordo com o


quadro nº 5.

Quadro 5 – Classificação do grau de risco

Grau de Risco (GR) Classificação


1–3 Risco Mínimo
4–6 Baixo Risco
8 – 10 Risco Médio
12 – 36 Alto Risco

Por fim, deve-se elaborar um plano de ação com os diferentes níveis de prioridade em
função da classificação dos riscos associados aos perigos identificados.

Trabalho Final 28
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

4.4. Dados Adquiridos

Após algumas visitas às instalações onde é processada a creolina na JVN, Lda., da


aplicação das listas de verificação elaboradas e através de algumas informações
dadas pelo chefe de serviços e obtidas através dos trabalhadores, obteve-se os dados
necessários à identificação das situações de risco existentes na execução do processo
selecionada.
Assim, identificaram-se os seguintes perigos, baseados nas listas de verificação:
 A nível das condições gerais:
Falha de alguma sinalização: a distinção do local onde existe
movimentação de máquinas, nomeadamente dos empilhadores, e o
local onde devem circular os peões não está clara.
 Em relação à ordem e limpeza:
O pavimento não se encontra sempre limpo e desimpedido, estando
alguns objetos ocasionalmente no chão sem sinalização constituindo
um obstáculo para os trabalhadores.
 A nível dos agentes químicos, todas as condições são cumpridas , no entanto,
há uma determinada resistência por parte dos trabalhadores na utilização de
algum equipamento de proteção individual, nomeadamente as luvas e
máscara, e equipamento de proteção coletivo, como os varandins, que os
expõe a determinados riscos.
 Em termos de movimentação manual de carga, a grande maioria das
condições previstas na lista de verificação dedicada a esta matéria são
cumpridas. No entanto, verificou-se que a falta de uma superfície ao nível dá
máquina de enchimento que permita ao trabalhador, ter as garrafas vazias sem
ser no chão e ter que transportá-las uma a uma até à base da máquina,
representa um perigo com o risco de lesões músculo-esqueléticas associado
para os trabalhadores.
Após a aquisição destes dados através das listas de verificação, estes revelaram-se
insuficientes, como já se demonstrou no caso da movimentação manual de cargas.
Assim, foram realizadas folhas de observações efetuadas aquando das visitas à
empresa onde houve oportunidade de acompanhar a execução das operações.
Então, foram registados os seguintes perigos a juntar aos já identificados através das
listas de verificação:
O facto do forno da caldeira funcionar aberto;

Trabalho Final 29
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

A temperatura elevada das paredes da caldeira que estão alcançáveis pelos


trabalhadores;
A alimentação e ignição do forno ser feita manualmente;
Falta de controlo da pressão e/ou temperatura, no caso de se fechar a porta do
forno;
A existência de degraus junto à caldeira;
A ocorrência de respingos do tanque aquando da mistura da soda cáustica
com a mistura quente;
Os operadores que conduzem os empilhadores não possuem carta de
empilhador.

Através das observações efetuadas, registaram-se também algumas


medidas/condições de prevenção totalmente implementadas e respeitadas pelos
colaboradores, como por exemplo:
 A fábrica está equipada com sistema de deteção de incêndios e meios de
extinção suficientes e bem sinalizados;
 Existe duche de emergência;
 É cumprido o total de horas de formação em matéria de higiene e segurança
no trabalho exigido por lei;
 Existe plano de emergência interno definido;
 Sempre que possível é usado equipamento de trabalho que evita o contato
direto do trabalhador com as zonas de risco;
 Os empilhadores e máquina de enchimento, ou seja, todos os equipamentos
de trabalho, cumprem com as exigências legais de segurança, nomeadamente
do decreto-lei 50/2005 de 25 de Fevereiro;
 Existe ventilação eficaz dos gases produzidos e a manutenção do sistema em
causa é efetuada periodicamente;
 São efetuadas anualmente medições de exposição ao cresol (c reolina), de
forma a garantir que o limite definido pelo Decreto-Lei 24/2012 de 6 de
Fevereiro não é ultrapassado;
 São efetuados exames médicos específicos aos trabalhadores de forma a
avaliar também a exposição ao cresol.

Em relação ao ruído e iluminação não foram ainda efetuadas medições que permitam
considerar tais condições como perigos. Pelas observações feitas, e através do que os
vários colaboradores respondem quando inquiridos acerca destas matérias, o ruído
tanto dentro como fora das instalações é muito pouco, não havendo qualquer queixa

Trabalho Final 30
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

de incómodo pelo ruído. O mesmo acontece em relação à iluminação, que durante


grande parte do dia é aproveitada a iluminação natural, não causando qualquer
transtorno às operações efetuadas.
Após o levantamento dos perigos existentes, e das medidas de prevenção já
implementadas, efetuou-se a avaliação dos riscos seguindo o método, de forma a
hierarquizar os riscos com maior necessidade de prevenção/correção a ser
implementada.

Trabalho Final 31
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

4.5. Aplicação do método de Avaliação

Quadro 6 – Aplicação do método Simplificado

Avaliação de Riscos
Atividades Perigos Riscos Classificação
C P GR

Escadas de acesso ao tanque Queda em altura 3 3 9 Risco Médio

Lesões oculares 3 3 9 Risco Médio


Trabalho efetuado Respingos na introdução da soda
na boca do tanque cáustica com a mistura quente Contacto cutâneo com
2 4 8 Risco Médio
agentes químicos

Exposição a vapores do tanque Inalação de vapores 3 4 12 Alto Risco

Incêndio 4 2 8 Risco Médio


Geral Falta de limpeza
Queda ao mesmo nível 2 2 4 Baixo Risco

Passagem de peões e empilhadores Atropelamento e/ou


4 4 16 Alto Risco
Circulação de indiferenciada entalamento
empilhadores Condutores de empilhadores sem Atropelamento e/ou
4 4 16 Alto Risco
carta entalamento

Trabalho Final 32
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Avaliação de Riscos
Atividades Perigos Riscos Classificação
C P GR

Choque entre empilhadores 2 3 6 Baixo Risco

Queimaduras 1 2 2 Risco Mínimo


Alimentação e ignição manual
Escoriações 1 2 2 Risco Mínimo

Forno aberto Queimaduras 3 1 3 Risco Mínimo


Caldeira

Paredes da caldeira quentes Queimaduras 1 2 2 Risco Mínimo

Falta de controlo de
Explosão 6 2 12 Alto Risco
pressão/temperatura

Queda ao mesmo nível 2 4 8 Risco Médio


Enchimento de
Garrafas vazias no chão
garrafas
Lesões músculo-esqueléticas 3 3 9 Risco Médio

Trabalho Final 33
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

4.6. Análise de Resultados

Em consequência da análise dos riscos associados aos perigos identificados, é


possível realizar a priorização das medidas de prevenção/correção necessárias.
De acordo com a avaliação demonstrada no quadro nº 6, pode-se afirmar que os
riscos com maior necessidade de priorização são:
 A inalação de vapores por parte do trabalhador exposto quando efetua a
mistura das matérias-primas na boca do tanque;
 O risco de atropelamento e/ou entalamento dos trabalhadores na zona de
circulação de empilhadores, tanto devido à clarificação dos espaços
reservados à circulação de máquinas e aos espaços reservados à circulação
de peões, como pelo facto de os trabalhadores manobrarem os empilhadores
no entanto não possuem formação adequada para o fazer;
 O risco de explosão caso o forno seja fechado, causando o aumento de
pressão descontrolado;
Estes foram os riscos que revelaram maior necessidade de prevenção/correção, pois
foram os que apresentaram maior grau de risco para os trabalhadores, tendo sido
classificados como “alto risco”.
Seguindo a priorização da correção das situações de risco, os riscos classificados
como “risco médio” serão os riscos com necessidade de prevenção/correção
sequentes, sendo estes os a seguir listados:
 O risco de queda em altura na “boca” do tanque;
 As possíveis lesões oculares e contato cutâneo com agentes químicos
resultantes da introdução de soda cáustica com a mistura quente no tanque;
 O risco de incêndio associado à falta de limpeza das instalações,
principalmente junto ao forno da caldeira, onde por vezes existe material
inflamável no chão;
 O risco de lesões músculo-esqueléticas, que podem levar a doença
profissional, por parte do trabalhador encarregue de colocar as garrafas na
disposição correta na base inicial da máquina de enchimento;
 O risco de queda ao mesmo nível devido às garrafas que se encontram no
chão.
Sequencialmente devem ser implementadas as medidas de correção às situações de
risco classificadas como “baixo risco”, e estas são:

Trabalho Final 34
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

 O risco de queda ao mesmo nível resultante da falta de limpeza e organização


dos locais de trabalho;
 O risco de choque entre empilhadores, que para além de pouco provável é
possível que aconteça devido à falta de formação adequada;
 O risco de ligeiras queimaduras através do contato com as paredes da
caldeira.
Por fim, devem ser implementadas as medidas que visem a prevenção/correção das
situações classificadas como “risco mínimo”. Os riscos classificados por este grau de
risco foram os seguintes:
 O risco de ligeiras queimaduras através do contato com as paredes da
caldeira.
 O risco de escoriações e ligeiras queimaduras associadas à alimentação
manual do forno, principalmente devido ao manuseamento da madeira
necessária;
 O risco de queimaduras devido ao forno aberto, apesar da probabilidade de
ocorrência ser muito baixa.
Após a avaliação efetuada, pode-se então proceder à definição de medidas
preventivas ou corretivas das situações de risco identificadas.

Trabalho Final 35
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

4.7. Medidas Preventivas e Corretivas

Para corrigir e prevenir as situações de risco acima referidas, é necessária a


implementação de algumas medidas de segurança na JVN, Lda. para além daquelas
que já estão implementadas.
Desta forma, apresenta-se de seguida no quadro n.º 7, as medidas já implementadas
e as medidas a implementar, consoante o risco associado ao perigo identificado:

Quadro 7 – Medidas preventivas e corretivas implementadas e a implementar

Risco Medidas Implementadas Medidas a Implementar


Alto Risco

 Já foram fornecidos os  Sensibilização dos trabalhadores


equipamentos de proteção para os riscos associados à não
Inalação de Vapores individual necessários à utilização da máscara e
prevenção da inalação de consequentemente da importância
vapores, ou seja, a máscara. da sua correta utilização.

 Colocar a sinalização existente num


 Existe sinalização à entrada do
local mais visível.
recinto de aviso de circulação
 Melhorar as marcas de
de máquinas.
diferenciação de circulação de
 Já existiram marcas no chão que
Atropelamento/ máquinas e circulação de
diferenciam a circulação de
entalamento trabalhadores.
máquinas e a circulação dos
 Implementar um plano adequado de
trabalhadores, no entanto não
manutenção desta marcação.
houve manutenção, acabando
 Sensibilizar os trabalhadores para o
por desaparecer.
respeito da sinalização.

Trabalho Final 36
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Risco Medidas Implementadas Medidas a Implementar

 Controlo de pressão no forno da


caldeira.
Explosão -  Utilizar um mecanismo na porta do
forno, de forma a evitar que esta se
feche e torne o forno estanque.

Risco Médio

 Já foram disponibilizados
 Sensibilizar os trabalhadores da
varandins de segurança.
importância da utilização dos
Queda em Altura  O tanque possui uma tampa de
varandins de segurança (que na
(boca do tanque) segurança que previne o risco
maior parte das vezes estão
de queda para dentro do
retirados do sítio).
tanque.
 Devem também ser disponibilizados
óculos de proteção de forma a
prevenir lesões oculares.
 A empresa deve disponibilizar
também o fardamento adequado de
forma a prevenir queimaduras e
contatos cutâneos.
 Deve haver uma sensibilização
Lesões oculares e  Já foram disponibilizadas EPI’s
acerca dos perigos associados ao
cutâneas (aquando por parte da empresa,
manuseamento da matéria-prima
da introdução de nomeadamente luvas.
em causa e consequentemente a
soda cáustica na  Existe chuveiro de segurança,
importância da correta utilização
mistura quente) no caso de acidente.
dos EPI’s.
 Disponibilizar e expor num lugar
acessível a todos os trabalhadores
as fichas de segurança da matéria-
prima utilizada (visto que estas não
estão nas instalações da fábrica,
mas sim na sede que fica
deslocada).

Trabalho Final 37
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Risco Medidas Implementadas Medidas a Implementar

 Planificar a limpeza diária das


instalações e cumpri-las.
Incêndio (por falta  Tomar como procedimento, a
-
de limpeza) limpeza adequada do espaço
circundante do forno da caldeira,
antes da sua ignição.

 Formação dos colaboradores em


 Este é um posto de ergonomia dos seus postos de
trabalho rotativo, permitindo trabalho de forma a adquirirem
Lesões Músculo-
a distribuição do trabalho posturas corretas.
Esqueléticas (no
por todos os trabalhadores  Disponibilização por parte da
enchimento de
de maneira a não tornar o empresa de uma bancada ao nível
garrafas)
trabalho tão repetitivo para da máquina de enchimento, onde
nenhum dos trabalhadores. possam ser manuseadas as
garrafas vazias.

 Através da aquisição da bancada


Queda ao mesmo
referida no ponto anterior, elimina-
nível (devido às -
se também o risco de queda devido
garrafas)
à existência de garrafas no chão.

Baixo Risco

 Como já foi referido, uma das


Queda ao mesmo medidas necessárias a aplicar em
nível (devido à falta - toda a instalação é a planificação da
de limpeza) limpeza das mesmas e seu
cumprimento.

 A empresa deve oferecer as


condições necessárias para que os
Choque entre
- colaboradores tenham a formação
empilhadores
adequada, ou seja, carta de
empilhador.

Trabalho Final 38
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Risco Medidas Implementadas Medidas a Implementar


Risco Mínimo
Queimaduras e  Disponibilização por parte da
escoriações empresa de utensílios adequados
-
(alimentação e para o manuseamento do fogo, por
ignição da caldeira) exemplo: alicate longo.

Queimaduras (pelo
-  Aquisição de grade de segurança.
forno aberto)

Queimaduras
 Sinalização da parede da caldeira
(contato com -
com aviso de alta temperatura.
paredes quentes)

Todas as situações de risco relacionadas com a caldeira e o forno que a constitui têm
sido alvo de preocupação por parte do órgão de gestão da empresa. Sem data
prevista, devido à situação económica que a empresa enfrenta, a JVN, Lda. tem como
objetivo alterar as caldeiras, substituindo as existentes por caldeiras a gás.
O facto de esta alteração vir a eliminar alguns dos perigos, não faz com que deixem de
existir perigos associados ao processamento da creolina. Alguns dos que foram
identificados agora, principalmente os associados ao forno constituinte da caldeira,
deixarão de existir, no entanto outros poderão surgir. Assim, aquando da instalação
das caldeiras a gás, estas devem ser alvo de nova identificação de perigos e avaliação
de riscos, de forma a manter os trabalhadores sempre em segurança.

Trabalho Final 39
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

5. CONCLUSÕES

É certo que a preocupação com a Higiene e Segurança no Trabalho tem vindo a


crescer, mesmo nas organizações de pequena dimensão como é o caso da
microempresa onde foi possível realizar o presente trabalho.
Durante a realização deste projeto, foi possível fazer um breve acompanhamento da
atividade fabril da JVN, Lda. de forma a realizar a identificação de perigos e avaliação
dos riscos associados, do processamento da creolina.
Através da aplicação de listas de verificação e, principalmente, da observação direta e
alguns diálogos com os colaboradores, identificaram-se 11 perigos a que os
colaboradores estão expostos nos seus locais de trabalho. Foram também
identificadas algumas medidas já implementadas que asseguram condições de
segurança aos trabalhadores, justificando assim o baixo número de perigos
identificados.
Tendo em conta o número de perigos identificados e os riscos associados a estes, das
diversas metodologias que existem e que foram estudadas durante a componente
teórica integrante da formação, optou-se pelo método de avaliação dos riscos
simplificado.
Após a avaliação dos riscos e a sua classificação consoante o grau de risco que
representam para os trabalhadores, foram definidas as medidas corretivas necessárias
de forma a eliminar, ou pelo menos reduzir, as situações de risco existentes.
No quadro n.º 8, apresentam-se os perigos identificados, os riscos associados, seu
grau de risco, e as medidas a implementar pela organização:

Trabalho Final 40
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Quadro 8 – riscos associados às situações de perigo identificadas, sua classificação e medidas a implementar

Grau de
Riscos Medidas a Implementar
Risco

Inalação de vapores produzidos no tanque  Sensibilização dos trabalhadores para os riscos associados à não utilização da
Alto Risco máscara e consequentemente da importância da sua correta utilização.
da caldeira

 Colocar a sinalização existente num local mais visível.


 Melhorar as marcas de diferenciação de circulação de máquinas e circulação de
Atropelamento e/ou entalamento devido à
trabalhadores.
passagem de peões e empilhadores Alto Risco
 Implementar um plano adequado de manutenção desta marcação.
indiferenciada
 Sensibilizar os trabalhadores para o respeito da sinalização.

 Controlo de pressão no forno da caldeira.


Explosão associada à falta de controlo da  Utilizar um mecanismo na porta do forno, de forma a evitar que esta se feche e
Alto Risco
pressão/temperatura da caldeira torne o forno estanque.

 Colocar a sinalização existente num local mais visível.


Atropelamento e/ou entalamento dos  Melhorar as marcas de diferenciação de circulação de máquinas e circulação de
trabalhadores associado à falta de trabalhadores.
Alto Risco
formação adequada da utilização de  Implementar um plano adequado de manutenção desta marcação.
empilhadores  Sensibilizar os trabalhadores para o respeito da sinalização.

Trabalho Final 41
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Grau de
Riscos Medidas a Implementar
Risco
Queda em altura associado ao trabalho Risco  Sensibilizar os trabalhadores da importância da utilização dos varandins de
efetuado na “boca” do tanque Médio segurança (que na maior parte das vezes estão retirados do sítio).
 Devem ser disponibilizados óculos de proteção de forma a prevenir lesões
oculares.
 A empresa deve disponibilizar também o fardamento adequado de forma a
prevenir queimaduras e contatos cutâneos.
Lesões oculares e contato cutâneo devido
Risco  Deve haver uma sensibilização acerca dos perigos associados ao
aos respingos na introdução da soda
Médio manuseamento da matéria-prima em causa e consequentemente a importância
cáustica com a mistura quente
da correta utilização dos EPI’s.
 Disponibilizar e expor num lugar acessível a todos os trabalhadores as fichas de
segurança da matéria-prima utilizada (visto que estas não estão nas instalações
da fábrica, mas sim na sede que fica deslocada).
 Planificar a limpeza diária das instalações e cumprir com o planeamento.
Incêndio devido à falta de limpeza das Risco
 Tomar como procedimento, a limpeza adequada do espaço circundante do forno
instalações Médio
da caldeira, antes da sua ignição.
Queda ao mesmo nível devido a  Disponibilização por parte da empresa de uma bancada ao nível da máquina de
Risco
obstáculos no chão, nomeadamente as enchimento, onde possam ser manuseadas as garrafas vazias.
Médio
garrafas vazias

Trabalho Final 42
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Grau de
Riscos Medidas a Implementar
Risco
Lesões músculo-esqueléticas associadas  Formação dos colaboradores em ergonomia dos seus postos de trabalho de
ao trabalho efetuado no enchimento das Risco forma a adquirirem posturas corretas.
garrafas e empacotamento das Médio  Através da aquisição da bancada referida no ponto anterior, elimina-se também o
encomendas risco de queda devido à existência de garrafas no chão.
Queda ao mesmo nível devido à falta de Baixo  Como já foi referido, uma das medidas necessárias a aplicar em toda a
limpeza das instalações Risco instalação é a planificação da limpeza das mesmas e seu cumprimento.
Choque entre empilhadores associado à
Baixo  A empresa deve oferecer as condições necessárias para que os colaboradores
falta de formação adequada da utilização
Risco tenham a formação adequada, ou seja, carta de empilhador.
de empilhadores
Queimaduras e escoriações associadas à
Risco  Disponibilização por parte da empresa de utensílios adequados para o
alimentação e ignição manual do forno da
Mínimo manuseamento do fogo, por exemplo: alicate longo.
caldeira
Queimaduras devido à porta do forno se Risco
 Aquisição de grade de segurança a colocar na frente do forno.
manter aberta Mínimo
Queimaduras devido à temperatura das Risco
 Sinalização das paredes da caldeira com aviso de temperatura elevada.
paredes da caldeira Mínimo

Trabalho Final 43
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Da análise efetuada e tendo em conta as medidas propostas, conclui-se que estas são
de fácil e rápida implementação sem a necessidade de um grande investimento por
parte da empresa mesmo em relação aos riscos de maior grau.
Os maiores problemas que a empresa enfrenta em matéria de HST dizem respeito à
resistência por parte dos trabalhadores à prática de medidas de segurança já
implementadas pela empresa. Desta forma, a maioria das medidas propostas referem
a sensibilização e a formação dos trabalhadores para os riscos a que estão expostos
diariamente com o objetivo de consciencializar os trabalhadores dos perigos existentes
e dos acidentes que daí podem resultar.
Para além das várias medidas já introduzidas na JVN, Lda., a gestão tem programada
a alteração das instalações que eliminarão os riscos associados ao forno da caldeira,
substituindo as caldeiras existentes por outras a gás. Porém, face às dificuldades
económicas enfrentadas nos últimos tempos, esta tem sido uma medida adiada no
tempo. Enquanto não é feita esta alteração, propõe-se então que sejam
implementadas as medidas propostas, que não eliminando a totalidade das situações
de risco, permitem a sua redução.
Para além das medidas associadas aos perigos identificados, devem também ser
efetuadas medições da luminância, ruído e ambiente térmico, de forma a se poder
analisar se estes apresentam um risco para os trabalhadores.
Analisando ainda as medidas propostas, as suas características vão de encontro ao
esperado em relação à escolha do método adequado à avaliação dos riscos, pois os
riscos e as medidas propostas não são complexas nem têm um custo elevado que
justifiquem a análise dos custos associados como seria feito se o método aplicado
fosse o de William T. Fine.
De forma a garantir a segurança contínua de todos os trabalhadores é necessário que
seja efetuado o levantamento de perigos e a avaliação dos riscos periodicamente,
controlando os riscos que não são eliminados e analisando novas situações que
podem surgir das novas práticas e/ou alterações introduzidas na empresa. Devido à
sua importância, e sendo esta uma prática chave para a prevenção de acidentes numa
organização, também esta deve ser uma medida que a empresa deve adotar
imperativamente, visto que esta foi a primeira vez que a JVN, Lda. passou por este
processo.

Trabalho Final 44
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

6. BIBLIOGRAFIA

 [Link] - 30 Novembro 2012


 [Link] – 6 Novembro 2012
 [Link] – 28 Novembro 2012

Documentação facultada pelos Professores dos vários módulos da Pós-Graduação em


Segurança e Higiene no Trabalho.

Trabalho Final 45
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

7. APÊNDICES

Listas de Verificação

Trabalho Final 46
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Lista de Verificação – Condições Gerais de SHT

Nº de Colaboradores: 3
Empresa:
Data: 6 Dezembro 2012
Condição C NC NA Observações
A empresa tem os serviços de SHT
X Serviços Externos
adequados?
Existe uma estrutura interna organizada que
assegura as atividades de primeiros socorros, X
combate a incêndios e evacuação?

Está definido o planeamento de evacuação? X

É efetuada a promoção e vigilância da saúde


X
dos trabalhadores?

Está afixada sinalização de segurança? X Precisa de melhoria

Não foram
registados qualquer
Os acidentes de trabalho e doenças
X acidente de
profissionais são analisados?
trabalho ou doença
profissional
A lista de acidentes de trabalho está
X
atualizada?
São avaliados os índices de sinistralidade e
contabilizados os dias de incapacidade para o X
trabalho?
É feito o preenchimento e envio à ACT do
X
relatório anual de atividades?
Está atualizada a lista das situações de baixa
por doença e a identificação de doenças X
profissionais?
O empregador promove a identificação, a
X
avaliação e o controlo dos riscos?
Está elaborado e implementado o Plano de
X
Emergência Interno?

Trabalho Final 47
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Lista de Verificação – Ordem e Limpeza

Nº de Colaboradores: 3
Empresa:
Data: 6 Dezembro 2012
Condição C NC NA Observações
O pavimento é regular, de material não
escorregadio e mantém-se limpo e X
desimpedido?
As vias de circulação destinadas ao trânsito
em simultâneo de pessoas e veículos permite X
fazê-lo sem interferências e em segurança?
As medidas mínimas do pé direito das
instalações (3m) e da área por trabalhador X
2
(1,8m ) estão respeitadas?
O espaço de trabalho mantém-se limpo,
ordenado, livre de obstáculos e com o
X
equipamento necessário para manter a
limpeza e organização?
A utilização das escadas observa os
X
procedimentos mínimos de segurança?
A iluminação dos postos de trabalho, vias de
X
circulação e passagens são adequadas?
Cada ferramenta possui um local apropriado
X
de arrumação de fácil acesso?
Existe periodicamente tempo destinado à
manutenção, ordem e limpeza de cada posto X
de trabalho e respetivos equipamentos?
O armazenamento é realizado por algum
critério que facilite uma identificação clara e X
fácil dos produtos?

Trabalho Final 48
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Lista de Verificação – Agentes Químicos

Nº de Colaboradores: 3
Empresa:
Data: 6 Dezembro 2012
Condição S N NA Observações
São utilizadas substâncias químicas na
X
organização?
Essas substâncias estão armazenadas em
X
recipientes devidamente rotulados?
A atividade da organização gera substâncias
químicas sob a forma de pó, fumo, gás ou X
vapor?
Algumas dessas substâncias são tóxicas ou
X
nocivas por inalação?
As caldeiras
encontram-se
Os pontos que emitem esses contaminantes
X numa divisão
estão devidamente isolados?
separada de
todas as outras
Os trabalhadores estão afastados desses
pontos de emissão e existe um sistema de X
ventilação eficaz?
Os vapores
produzidos na
Existe extração localizada eficaz nos pontos
X caldeira são
de emissão de contaminantes?
direcionados para
fora da instalação
Existe manutenção periódica ao sistema de
X
extração?
É utilizada proteção individual respiratória
quando a exposição aos contaminantes é
X
ocasional e não existe ventilação suficiente?

Trabalho Final 49
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Lista de Verificação – Agentes Químicos (cont.)

Nº de Colaboradores: 3
Empresa:
Data: 6 Dezembro 2012
Condição S N NA Observações
É realizado algum tipo de avaliação/medição
de forma a se conhecerem os contaminantes X
químicos presentes no ambiente de trabalho?
Algumas das substâncias químicas é nociva
X
em contacto direto com a pele?
São utilizadas luvas e roupas adequadas
sempre que o trabalho com as substâncias
X Mas nem sempre
químicas implique contacto direto com as
mesmas?
Depois do contacto com substâncias químicas
contaminantes, a roupa de trabalho é
X
substituída e é realizada uma limpeza eficaz
da pele?
Quando se efetua a limpeza de derrames de
substâncias nocivas é utilizada proteção X
individual adequada?
É proibido comer, beber, ou fumar nos postos
de trabalho onde se manuseiam substâncias X
tóxicas?
São realizados exames médicos específicos
X Anualmente
aos trabalhadores expostos?
Os resíduos produzidos e recolhidos na
limpeza são alvo de algum tratamento
X
especial de forma a serem eliminados de
forma controlada?

Trabalho Final 50
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Lista de Verificação – Prevenção de incêndios e explosões

Nº de Colaboradores: 3
Empresa:
Data: 6 Dezembro 2012
Condição C NC NA Observações
A realização das tarefas exige apenas a
X
utilização das mãos?
As cargas manipuladas têm peso inferior a
X
25kg?
A forma e o volume das cartas transportadas
X
permitem um manuseamento fácil?
O peso e o tamanho da carga são adequados
X
às características físicas de cada trabalhador?
O ambiente de trabalho está adaptado ao
X
esforço físico exigido pelas tarefas?
Os trabalhadores receberam formação de
X
como movimentar as cargas de forma segura?
Existe controlo/supervisão da movimentação
X
manual de cargas?

Trabalho Final 51
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Lista de Verificação – Prevenção de incêndios e explosões

Nº de Colaboradores: 3
Empresa:
Data: 6 Dezembro 2012
Condição C NC NA Observações
Estão identificados de forma atualizada as
quantidades de materiais e produtos X
inflamáveis existentes na empresa?
O armazenamento dos materiais e produtos
X
inflamáveis é realizado em locais protegidos?
Os resíduos desses produtos e materiais são
limpos de forma regular e depositados em X
locais seguros?
Os possíveis focos de ignição dos incêndios
X
estão identificados?
As operações que exijam a manipulação de
líquidos inflamáveis são realizadas em X
condições de segurança?
As tarefas de limpeza com dissolventes
X
obedecem às condições de segurança?
Existe a proibição de fumar nas zonas onde
os produtos e materiais inflamáveis são X
manuseados e armazenados?
Os materiais e produtos inflamáveis estão
separados dos equipamentos que produzem X
chama ou calor?
Está garantido que um foco de incêndio seja
X
rapidamente controlado?
Existe equipamento que garanta a deteção do
foco de incêndio assim que ele se inicia em X
qualquer local da empresa e a qualquer hora?
Existem extintores e bocas-de-incêndio em
número e locais suficientes para garantir a X
cobertura de todas as zonas da empresa?

Trabalho Final 52
Identificação de Perigos e Avaliação de Riscos

Lista de Verificação – Prevenção de incêndios e explosões (cont.)

Nº de Colaboradores: 3
Empresa:
Data: 6 Dezembro 2012
Condição C NC NA Observações
Os trabalhadores conhecem a localização dos
meios de primeira intervenção e de combate
X
ao incêndio e sabem como manusear de
forma eficaz?
As zonas de trabalho com risco de incêndio
possuem pelo menos duas saídas para o X
exterior com largura suficiente?
Existe sinalização e iluminação de emergência
que facilite a evacuação e o acesso ao X
exterior?
A empresa possui um plano d emergência
X
pronto a ser acionado?
Em operações ocasionais que apresentem
risco de incêndio e/ou de explosão é requerida X
alguma licença especial?
Os acessos de emergência estão
desimpedidos de forma a facilitar a evacuação X
e o trabalho dos bombeiros?

Trabalho Final 53

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