Crust Ceos 1
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Crustáceos
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L Buckup
Crustáceos
Crustáceos
Resumo
Introdução
Os crustáceos límnicos constituem um grupo de incluindo o Chile, Brasil, Argentina, Uruguai, Bolivia e
invertebrados com valor biológico informativo sobre Paraguai. A bacia do Rio Grande, que limita os estados
a qualidade dos corpos d´água. Alguns grupos de crus- de São Paulo e Minas Gerais, é o limite norte de ocor-
táceos de água doce mostram um endemismo na região rência das espécies no Brasil e nos tributários do baixo
meridional da América do Sul, como Anomura Aeglidae, Rio Uruguai, na fronteira com o Uruguai, situam-se os
cuja diversidade de espécie vem sendo inventariada registros de ocorrência meridionais no espaço brasileiro.
nos últimos 15 anos (Bond-Buckup, 2003) Além desse, Até o momento, foram registradas 16 espécies endê-
outros grupos vêm sendo estudados, destacando-se os micas para o Chile, sete para a Argentina e 36 para o
caranguejos (Magalhães, 2003), os camarões de água sul do Brasil. As espécies de Aegla constituem uma das
doce (Melo, 2003) e mais recentemente, Amphipoda principais fontes de alimento da “truta” nos sistemas
Dogielinotidae, pertencentes ao gênero Hyalella, que fluviais do Chile (Burns, 1972). Dados de ocorrência
ocorrem em corpos d´água continentais, cujas espécies das espécies anteriores mostram registros de 10 espécies
freqüentemente são utilizadas em testes laboratoriais para as bacias hidrográficas sulbrasileiras dos Campos
avaliando a toxicidade de efluentes.
de Cima da Serra (Bond-Buckup, 2003). O sul do Brasil,
Os anomuros do gênero Aegla destacam-se como especialmente o nordeste do Rio Grande do Sul e sul
elemento endêmico importante da Região Neotropical, de Santa Catarina, mostram ambientes aquáticos ainda
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Crustáceos
com relativa boa qualidade, o que favorece a presença de coletas. Foram explorados diversos habitats/nichos
desses crustáceos em suas nascentes e em corpos d´água disponíveis nas cabeceiras do Rio Pelotas, pertencente
vizinhos. à bacia do Rio Uruguai, incluindo vários de seus tribu-
As informações sobre as espécies de Amphipoda do tários. Na margem direita do Rio Pelotas, foram amos-
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
gênero Hyalella, que ocorrem nas bacias hidrográficas trados o Rio Lava Tudo, o Rio Canoas e muitos de seus
do Brasil, são esparsas e muitas ainda com problemas na tributários e ainda, o Rio Caveiras. Na margem esquerda
identificação específica. Registros anteriores mencionam do Rio Pelotas, em municípios gaúchos, amostraram-se
somente 11 espécies para bacias hidrográficas do Brasil. vários tributários como o Rio do Silveira, Rio do Marco,
(Araujo & Bond-Buckup, 2005). Rio da Divisa, Rio Sepultura e o Rio Manoel Leão. Na
serra gaúcha, amostraram-se afluentes e nascentes do
Material e Métodos rio das Antas, pertencente à bacia hidrográfica Taquari/
Antas e nascentes da bacia do rio Caí, em áreas com
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
Figura 4.10. Locais de amostragem da carcinofauna nas bacias hidrográficas nos Campos de Cima da Serra.
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Crustáceos
Nas análises da rarefação baseada em amostras ranguejos). Com os dados de amostragens extensivas
(curva do coletor) utilizou-se o aplicativo EstimateS houve 82 amostras, com um total de 1942 indivíduos
7.5 (Colwell, 2005). As demais análises foram execu- de eglídeos coletados nas 13 espécies. Entre zero e 180
tadas com o aplicativo PASt (Paleontological Statistics, indivíduos foram encontrados por ponto amostral; em
Hammer & Harper). média, 23,68 (±3,313 e.p.) indivíduos ocorreram por
Na análise da similaridade qualitativa, considerando amostra (vide Tabela - página 124).
os dados de presença/ausência das espécies, utilizou- Em termos das espécies, detectou-se um fato inédito
para os eglídeos, ainda não registrado, com a presença
Figura 4.11. Locais de ocorrência de crustáceos eglídeos nas bacias hidrográficas nos Campos de Cima da Serra, incorpo-
rando os dados Probio e os dados históricos.
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Crustáceos
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
Figura 4.12. Local de ocorrência de crustáceos eglídeos, Rio do Silveira, município São José dos Ausentes, RS. Foto: L.
Buckup.
Figura 4.13. Local de ocorrência de curusstácios anfípodos hialelíneos, tribútario do rio Canoas, Sc. Foto: L. Buckup
bacia do Rio Canoas, a espécie A. odebrechtii. Os cursos informações disponíveis sobre o conhecimento da
d´água escolhidos para as amostragens mostraram-se diversidade do grupo, as amostras ainda estão sendo
adequados, já que houve ampla correspondência na examinadas. Como se trata de um grupo de crustáceos
presença de representantes dos eglídeos. Três espécies com somente quatro espécies conhecidas para bacias do
de eglídeos foram identificadas como novas para a Rio Grande do Sul, como um todo, e nenhum registro
ciência e estão sendo descritas. para os cursos d’água de Santa Catarina, era de se esperar
Com relação aos anfípodos, devido às poucas que fossem encontradas espécies novas para a ciência.
De fato, foram identificadas quatro novas espécies para
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Crustáceos
a bacia do Pelotas, sendo três espécies nos tributários rinenses. Duas espécies foram descritas, Hyalella castroi
da margem esquerda e uma espécie em um afluente e H. pleoacuta Gonzalez et al, 2006, enquanto as demais
da margem direita. Esse último representa o primeiro espécies ainda estão sendo estudadas.
registro de Dogi-elinotidae para os cursos d’água cata-
Figura 4.15. Exemplar de Hyalella pleoacuta Gonzalez, Bond-Buckup & Araujo. Foto: L. Buckup.
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Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
Figura 4.16. Exemplar de Aegla camargoi Buckup & Rossi. Foto: L. Buckup.
Figura 4.17. Exemplar de Aegla leptodactyla Buckup & Rossi. Foto: L. Buckup.
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Crustáceos
Diversidade Alfa
Figura 4.18. Rarefação baseada em amostragens de eglídeos nas diferentes sub-bacias dos Campos de Cima da Serra.
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Crustáceos
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
riqueza de espécie
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
sub-bacias
Figura 4.19. Comparação da riqueza de espécies (± i.c.) entre as sub-bacias padronizada pelo tamanho amostral de
eglídeos nos Campos de Cima da Serra, RS e SC (letras iguais não diferem significativamente).
riqueza de espécie(s)
sub-bacias
Figura 4.20. Comparação da riqueza média (± e.p.) de espécies entre as sub-bacias dos Campos de Cima da Serra, RS
e SC, para eglídeos. Não há diferenças significativas entre as riquezas para as sub-bacias sob uma ANOVA simples.
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Crustáceos
Diversidade Beta
Cinco das 13 espécies de eglídeos ocorreram somente em a sua distribuição geográfica (Anexo 2).
um rio/sub-bacia, A. inconspicua, A. ligulata, A. aegla n. sp. O rio Canoas e o Pelotas, os rios mais bem amostra-
3, A. camargoi e A. leptodactyla (Anexo 1 - Tabela 4.1 I). dos, apresentam em sua bacia (Pelotas-Uruguai) sete
Outras quatro espécies ocorreram em 3 rios/sub- espécies que não ocorrem nem na bacia do Caí nem
bacias distintas (A. franciscana, A. serrana, A. jarai, A. na do Taquari-Antas. De forma semelhante, a bacia
Figura 4.21. Frequência relativa de eglídeos, considerando os registros anteriores e as amostragens nos campos
de Cima da Serra-RS e SC. Projeto Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias.
Conclusões
Os crustáceos anomuros eglídeos estão restritos a inventariamento nos campos de cima da serra no sul do
região Neotropical da América do Sul, sendo o único Brasil. A ocorrência de quatro espécies em um mesmo
grupo de anomuros que só ocorre em águas continen- curso d´água, fato inédito na literatura, revela a diversi-
tais. A maioria das espécies se encontra em uma bacia dade dessa carcinofauna e a importância na conservação
hidrográfica ou em duas adjacentes. Mostram, portanto, da qualidade das águas.
um grande endemismo, o que foi confirmado nesse
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Crustáceos
Os dados quantitativos aqui analisados representam resíduos orgânicos, oriundos de esgotos e da criação de
uma primeira visualização dos padrões ecológicos das animais domésticos. A substituição das matas ciliares,
assembléias de crustáceos dos Campos de Cima da com sérias conseqüências no assoreamento dos rios e
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
Serra, especialmente dos eglídeos, constituindo uma na diversidade da fauna aquática, é visível na grande
exploração inédita dos aspectos faunísticos ecológicos maioria dos tributários das bacias. Nos campos de cima
deste grupo. da serra, por outro lado, a terra vem sendo cultivada,
em grande escala, com a maçã e batata, com o uso
A diversidade e o forte endemismo dos eglídeos e
não controlado de defensivos agrícolas, que afetam a
hialelídeos, verificados nos resultados desse estudo, qualidade das águas e consequentemente, diminuem as
destacam a importância da conservação dos rios e populações de crustáceos límnicos pela destruição de
alagados da região dos campos de cima da serra para a habitats e pela quebra da teia trófica límnica.
preservação da carcinofauna.
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
Figura 4.22. Tributário do rio Canoas, SC, mostrando arroio de águas impactadas com elevada matéria orgânica em suspensão.
foto G. Bond-Buckup.
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Crustáceos
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Crustáceos
Anexo 1
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
Tabela 4.1. Crustáceos amostrados por bacia hidrográfica nos Campos de Cima da Serra - Projeto PROBIO RS/SC.
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
%$&,$ (63e&,(
$HJO D I UD QFLVFD QD %XFN XS 5RVVL
$HJO D LQVFRQVS LFXD %RQG%XFN XS %XFN XS
56 &Dt $HJO D S O D QD %XFN XS 5RVVL
$HJO D VHU UD QD %XFN XS 5RVVL
+\D O HO O D VSS
$HJO D O LJXO D WD %RQG%XFN XS %XFN XS
$HJO D I UD QFLVFD QD %XFN XS 5RVVL
567DTXDUL$QWDV $HJO D S O D QD %XFN XS 5RVVL
$HJO D VHU UD QD %XFN XS 5RVVL
+\D O HO O D VSS
$HJO D MD UD L %RQG%XFN XS %XFN XS
$HJO D RG HE UHFKWLL 6FKPLWW
$HJO D VS LQRVD %RQG%XFN XS %XFN XS
6&&DY HLUDV
$HJO D Q VS
$HJO D Q VS
+\D O HO O D VSS
$HJO D MD UD L %RQG%XFN XS %XFN XS
$HJO D RG HE UHFKWLL 6FKPLWW
6&&DQRDV $HJO D VS LQRVD %RQG%XFN XS %XFN XS
$HJO D Q VS
+\D O HO O D VSS
$HJO D FD PD U JRL %XFN XS 5RVVL
$HJO D I UD QFLVFD QD %XFN XS 5RVVL
$HJO D MD UD L %RQG%XFN XS %XFN XS
$HJO D O HS WRG D FW\O D %XFN XS 5RVVL
$HJO D RG HE UHFKWLL 6FKPLWW
$HJO D VHU UD QD %XFN XS 5RVVL
6& 563HORWDV $HJO D VS LQRVD %RQG%XFN XS %XFN XS
$HJO D Q VS
$HJO D Q VS
+\D O HO O D PRQWHQHJULQD H %RQG%XFN XS $UD XMR
+\D O HO O D FD VWURL *RQ]k OH] %RQG%XFN XS $UD XMR
124 +\D O HO O D S O HRD FXWD *RQ]k OH] %RQG%XFN XS $UD XMR
+\D O HO O D VSS
Crustáceos . Anexos
Anexo 2
Figura 4.24. Mapa de altitude com os locais de ocorrência de Aegla franciscana Buckup & Rossi, 1977.
125
Crustáceos . Anexos
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
Figura 4.25. Mapa de altitude com os locais de ocorrência de Aegla inconspicua Bond-Buckup & Buckup,
1994.
Figura 4.26. Mapa de altitude com os locais de ocorrência de Aegla jarai Bond-Buckup & Buckup, 1994.
126
Crustáceos . Anexos
Figura 4.28. Mapa de altitude com os locais de ocorrência de Aegla ligulata Bond-Buckup & Buckup, 1994.
127
Crustáceos . Anexos
Biodiversidade dos Campos do Planalto das Araucárias
Figura 4.29. Mapa de altitude com os locais de ocorrência de Aegla odebrechtii Schmitt, 1942.
Figura 4.30. Mapa de altitude com os locais de ocorrência de Aegla plana Buckup & Rossi, 1977.
128
Crustáceos . Anexos
Figura 4.32. Mapa de altitude com os locais de ocorrência de Aegla spinosa Bond-Buckup & Buckup, 1994.
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