1. CRIME IMPOSSÍVEL (Art.
17 do CP)
Também chamado pela doutrina de quase-crime, tentativa
inidônea ou tentativa inadequada.
Previsão Legal (Art. 17): "Não se pune a tentativa quando,
por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta
impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o
crime."
Natureza Jurídica
Trata-se de uma causa excludente de tipicidade. Como a
conduta do agente é incapaz de colocar o bem jurídico
tutelado em risco real, afasta-se a tipicidade material e, por
arrasto, a própria tentativa.
A Teoria Adotada pelo Código Penal
O Brasil adotou a Teoria Objetiva Temperada (ou
Moderada). Para que o crime impossível se configure, a
ineficácia do meio ou a impropriedade do objeto devem ser
absolutas.
• Se a ineficácia ou impropriedade forem apenas
relativas, haverá crime tentado.
• (Para fins de prova: a "Teoria Subjetiva" puniria o
agente mesmo na ineficácia absoluta, focando no
dolo; a "Teoria Objetiva Pura" não puniria sequer a
ineficácia relativa. O Brasil ficou no meio-termo).
As Duas Espécies
1. Absoluta Ineficácia do Meio: O instrumento, a
arma ou o método empregado pelo agente é
ontologicamente incapaz de produzir o resultado
pretendido.
o Exemplo clássico: Tentar matar alguém
disparando uma arma de brinquedo, ou
ministrando açúcar acreditando ser arsênico.
2. Absoluta Impropriedade do Objeto: A pessoa ou a
coisa sobre a qual recai a conduta torna a
consumação humanamente impossível.
o Exemplo clássico: Praticar manobras
abortivas em uma mulher que não está
grávida; ou atirar contra o peito de alguém
que, cinco minutos antes, já havia falecido de
infarto (homicídio de cadáver).
Jurisprudência de Alto Nível (Teses de Prova)
• Súmula 145 do STF (Flagrante Preparado): "Não há
crime, quando a preparação do flagrante pela polícia
torna impossível a sua consumação." Se a polícia
induz o agente a praticar o crime e controla todos os
seus passos, o bem jurídico nunca esteve em risco.
É crime impossível. (Diferente do flagrante
esperado, que é perfeitamente válido).