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Brasil Inm

O documento aborda a imigração no Brasil, destacando as ondas imigratórias do século XIX e XX, que trouxeram cerca de 4 milhões de trabalhadores, principalmente europeus e japoneses, para substituir escravos e atender à demanda da agricultura e industrialização. A imigração japonesa começou em 1908, resultando em uma significativa comunidade no Brasil, que enfrentou desafios culturais e sociais, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, menciona a presença histórica dos judeus sefaradis no Brasil, que fugiram da Inquisição e mantiveram suas tradições, contribuindo para a diversidade cultural do país.

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Brasil Inm

O documento aborda a imigração no Brasil, destacando as ondas imigratórias do século XIX e XX, que trouxeram cerca de 4 milhões de trabalhadores, principalmente europeus e japoneses, para substituir escravos e atender à demanda da agricultura e industrialização. A imigração japonesa começou em 1908, resultando em uma significativa comunidade no Brasil, que enfrentou desafios culturais e sociais, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, menciona a presença histórica dos judeus sefaradis no Brasil, que fugiram da Inquisição e mantiveram suas tradições, contribuindo para a diversidade cultural do país.

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1.

Imigração no Brasil
As maiores ondas imigratórias para o Brasil foram patrocinadas pelo
governo a partir da segunda metade do século XIX, tentando trazer
trabalhadores para substituir os escravos na agricultura e para tarefas
necessárias à industrialização e ao desenvolvimento econômico. A
migraçao acentuou-se desde as décadas de 1870 e 1880 até meados do
século [Link] onda imigratória levou para o Brasil cerca de 4 milhões
de trabalhadores. A maioria era europeia, mas também é significativa a
ida de japoneses. Os europeus levaram para o país as idéias anarquistas
e socialistas, muito importantes para o desenvolvimento do movimento
operário brasileiro.
A substituição de escravos por imigrantes europeus começou em 1819
com a chegada de colonos suíços na região de Nova Friburgo. O
movimento imigratório intensificou-se na segunda metade do século XIX
com a expansão cafeeira no sudeste brasileiro e com a escassez de
escravos devido à aboliçao da escravatura em 1850.
Depois que grandes cafeicultores contrataram europeus para trabalhar
em suas terras, os governos provinciais da região incentivaram a ida
desses trabalhadores. Com isso começou um fluxo regular de
estrangeiros nos estados da regiao sudeste, tradicionais zonas cafeeiras.
No Espírito Santo havia áreas pioneiras de cultivo de café. Além de
procurar mão-de-obra para a agricultura, houve interesse de atrair a
população branca para reduzir o número de negros e mestiços no Brasil.
O governo incentivou a imigração estrangeira para o sul do país, que se
tornou estratégico após a Guerra do Paraguai. O objetivo era povoar
áreas de densidade demográfica muito baixa. Até 1889, mais de 1,5
milhão de imigrantes portugueses, espanhóis, italianos, alemães e
eslavos, entre outros, chegaram ao Brasil. A maioria foi para as
plantações de café do Sudeste, mas muitos se dirigiram às colônias do
Sul.
2. Japoneses
No Brasil, em 1908, chegaram 781 pessoas do Japão no porto de Santos.
Esta viagem simboliza o início da imigração japonesa para o Brasil.
A Era Meiji no Japão, que teve início em 1868, é marcada por uma série
de mudanças que visavam adotar técnicas da Revolução Industrial.
Principais reformas: extinção dos feudos e dos privilégios pessoais
através da reforma agrária e da reformulação do imposto territorial
rural; criação de universidades; formação de um gabinete parlamentar
(1885); e a promulgação da constituição (1889), que instaurou a
monarquia constitucional.
Isto gerou a rebelião dos partidários do antigo regime (1874-1877)
contra a perda de poder, o que exigiu grandes gastos militares. A
conseqüente inflação e a política deflacionária caracterizaram um
período de crise no Japão, em especial no setor rural. Uma das soluções
adotadas foi a emigração, até então proibida.
A aproximação entre os dois países iniciou-se no governo de Floriano
Peixoto com a promulgação duma lei, permitindo a imigração asiática.
As negociações para estabelecer japoneses no Brasil culminaram no
Tratado de Amizade Comércio e Navegação, firmado em 1895.
Incentivada pelo governo japonês e pela demanda brasileira por mão-de-
obra para a cafeicultura, a onda migratória japonesa levou para o Brasil,
segundo a Embaixada do Brasil em Tóquio, 188.900 imigrantes desde
1908 até 1941.
A enorme diversidade entre as culturas oriental e ocidental
proporcionava um grande estranhamento tanto por parte dos japoneses
que aqui chegavam como daqueles que aqui estavam.
"Em nenhuma outra guerra travada contra um adversário poderoso fora
necessário levar em consideração hábitos tão extremamente diversos
de agir e de pensar", afirma a antropóloga Ruth Benedict, no primeiro
capítulo de O crisântemo e a Espada, livro que resultou dum estudo
sobre os japoneses encomendado pelos EUA durante a Segunda Guerra
Mundial
A diferença cultural, o trabalho árduo que os esperava nas lavouras de
café, as inúmeras restrições e o isolamento a que os submeteram, foram
uma dificuldade para estes imigrantes no Brasil.
A partir de 1938 a legislação estabelecida pelo Estado Novo, que
acompanhava o projeto nacionalista de Vargas, era contrária aos
imigrantes no Brasil, principalmente quando fossem de países do Eixo
(Japão, Itália e Alemanha). Fecharam-se mais de 200 escolas japonesas,
vetara-se a publicação de revistas e jornais estrangeiros, os imigrantes
foram proibidos de desenvolver atividades políticas e até mesmo de
falar o seu idioma, e as relações diplomáticas entre Brasil e Japão foram
rompidas. O número de imigrantes japoneses afetados foi muito grande.
Neste contexto surge a associação Shindô-Renmei, em 1944. As
publicações “Corações Sujos” de Fernando Morais e “Inventário Deops –
Shindô-Renmei” de Rogério Dezem retratam a história deste grupo que
não acreditava na derrota do Japão na Segunda Guerra. Em virtude disso
a colônia japonesa dividiu-se entre os que sabiam da derrota do Japão
(makegumi) e aqueles que acreditavam na vitória japonesa (kachigumi).
Por isto, vários atentados foram realizados contra os derrotistas.
Jeffrey Lesser e Roney Cytrynowicz chamam a atenção para a
necessidade de localizar este fenômeno no contexto histórico, político e
social do período para que não seja dado um tratamento sensacionalista
ao fato.
Apenas na década de 50 a imigração japonesa é retomada, com a
partida do navio Shinzo Santos Maru com destino à Amazônia. Desse
período até 1988 o país recebeu 53.555 imigrantes. Segundo o
Consulado Geral do Japão no Rio de Janeiro cerca de 260 mil japoneses
imigraram para cá.
Atualmente o Brasil é o país que tem a maior comunidade japonesa no
exterior com 1.500.000 pessoas entre japoneses e seus descendentes. A
comunidade japonesa no Brasil estabeleceu-se em diversas colônias
principalmente em São Paulo, com 900 mil pessoas.
Na atualidade 225.000 brasileiros descendentes ou cônjuges de
japoneses residem e trabalham no Japão caracterizando uma inversão
do fluxo migratório que ocorreu até a metade do século XX. Dados do
Ministério da Justiça do Japão apontam que dos 1,55 milhão de
imigrantes que moram no Japão (1,23 % da população), os brasileiros,
representam 14,4%. Os brasileiros constituem a terceira maior
comunidade estrangeira no país. Desde a década de 80 a expansão
econômica japonesa, aliada à crise econômica brasileira impulsionou
este fluxo migratório. Ao mesmo tempo em que se anunciava a alta
inflação e a crescente dívida externa, o Japão era uma potência
tecnológica. Um dos fatores que contribuem para este fluxo migratório é
a demanda por mão-de-obra para realizar as funções rejeitadas pelos
japoneses. Tais tarefas foram estigmatizadas, segundo Lili Kawamura,
autora do livro “Para onde vão os brasileiros?”, sob o signo dos 3 K –
kitsui (penoso), kikken (perigoso) e kitanai (sujo), posteriormente
acrescidos de mais dois adjetivos dados pelos próprios brasileiros kibishii
(sacrificado) e kirai (desagradável). Estes trabalhadores são chamados
“dekassegui” (leva de filhos e netos de japoneses em busca de trabalho
em outras paragens para ganhar mais dinheiro) que, segundo Lili
Kawamura, é um termo pejorativo quando utilizado no Brasil, pois
insere a idéia de oportunismo e o estigma de classe baixa. No Japão, o
termo compreende uma denominação para migrantes de regiões pobres
para ricas. Inicialmente eram recrutados para trabalhar em fábricas,
mas com o aumento do movimento dekassegui, passaram a trabalhar
nos mais diversos serviços.
O fenômeno, que se iniciou no governo Sarney, acentuou-se no governo
Collor, principalmente após 1990. Nesse ano o governo japonês editara
a Lei de Controle da Imigração, permitindo que japoneses e seus
cônjuges ou descendentes até a quarta geração possam exercer
legalmente qualquer atividade por um período relativamente longo (2 a
3 anos).
Para Kawamura esta migração, faz parte do processo emigratório de
trabalhadores brasileiros (EUA, Europa, Ásia e América Latina), em busca
de saídas individuais para a crise econômica brasileira, no entanto que
não ocorrem de forma sistemática com apoio governamental, sob uma
política migratória. No caso dos dekassegui há uma característica
diferente: a migração seletiva de brasileiros, privilegiando a população
nikkei, ou a consangüinidade, seguindo o padrão cultural adotado pelo
Japão para definir a nacionalidade nipônica. Mesmo apresentando
feições orientais e costumes japoneses - embora da Era Meiji- e trazendo
a idéia de similaridade, os níkkeis são considerados estrangeiros.
Os níkkeis que rumam em busca de melhores condições econômicas no
Japão são, em geral, pessoas economicamente da classe média urbana.
Mesmo indo exercer trabalhos que não exigem qualificação, possuem
escolaridade, algo muito diferente dos imigrantes japoneses da primeira
metade do século. Além disso, o Brasil, no auge da imigração japonesa,
era um país buscando sair do subdesenvolvimento, uma situação
completamente oposta da que vive o Japão hoje.
Para Elisa Sasaki, pode-se dizer que no início era mais comum que
homens ou pessoas sozinhas fossem trabalhar. Era muito comum que
estes emigrantes não deixassem óbvia sua ida para o Japão, pois eram
considerados mal sucedidos pela sua comunidade. Afinal, estavam indo
trabalhar em funções desprezadas pelos japoneses. Com o passar do
tempo e o crescimento do movimento migratório, houve uma mudança
acerca da ida destes trabalhadores. Os descendentes de japoneses
valorizavam e legitimavam a ida ao Japão por ser a terra natal de seus
ancestros. Neste momento é mais comum a emigração de famílias ou
jovens casais.
A vivência social e cultural entre imigrantes brasileiros e a população
japonesa provocou, segundo Kawamura, encontros, conflitos e
ajustamentos mútuos.
Sasaki destaca o fortalecimento e ampliação das redes sociais de
brasileiros. Em Oizumi (conhecida como Brazilian Town) instalaram-se
muitas casas comerciais e serviços de propriedades de brasileiros,
inclusive um shopping center, com conexões no Brasil, expandindo
diferentes formas de vínculos, caracterizando a complexidade das redes
Brasil-Japão, fato que se alastra por várias regiões do país", relata
Kawamura.
Ir para o Japão não significa garantia de sucesso financeiro. O salário,
inicialmente atrativo, confronta-se com o alto custo de vida japonesa. O
dinheiro remetido ao Brasil é proveniente das horas extras que os
trabalhadores realizam. A crise econômica asiática afetou o movimento
dekassegui, na medida em que o número de horas extras oferecidas foi
bastante reduzido. O número de brasileiros no Japão estabilizou-se.
Segundo Sasaki, o longo tempo de permanência no Japão acaba, muitas
vezes, se transformando numa série de idas e vindas que imprimem um
constante processo de negociação de identidade por parte destes
migrantes.
Com o final do Período Feudal no Japão, muitos ficaram sem trabalho. O
governo decidiu incentivar a saída do país de seus cidadãos e criou a
Compania Imperial de Imigração.
O Kassato Maru chegou em 18 de junho de 1908 trazendo os primeiros
japoneses para o Brasil, dando início a uma aventura em um país
distante.
Os imigrantes trazidos pela Compania foram para os cafetais no interior
do Estado de São Paulo. Vencidos os contratos de trabalho, muitos
mudaram-se para o interior paulista ou para a região litorânea ao longo
da estrada de ferro Santos-Juquiá. Outros se estabeleceram na periferia
da capital.
Entre 1910 e 1914, chegaram do Japão cerca de 14.200 imigrantes e
foram criadas dezenas de comunidades japonesas. O pico do fluxo de
imigrantes aconteceu entre 1925 e 1935, quando mais de 140.000
vieram buscar uma nova vida por aqui.
A imigração foi interrompida por 10 anos, com o advento da 2ª Guerra
Mundial. No Brasil não chegaram a ser criados campos de concentração,
mas os japoneses e seus descendentes sofreram preconceitos com a
conivência do Estado. O desconforto e o medo dentro da Colonia
aumentou com o surgimento dos radicais shindo-renmei. Os terroristas
assassinaram compatriotas, considerados "traidores do Imperador" por
ter uma postura mais integrada à sociedade brasileira.
Em 1959, os japoneses voltaram a se instalar no Brasil, mas em escala
reduzida. Com a recuperação econômica do Japão, a imigração
praticamete desapareceu, sendo trocada por um aumento na entrada de
capitais, a instalação de grandes empresas.
Cerca de 260.000 imigrantes de entraram no Brasil. Já existe a quinta
geração de descendentes, os gosseis, e a comunidade japonesa já
ultrapassou o 1 milhão de pessoas. O 70% concentra-se no Estado de
São Paulo. O Paraná abriga mais 12%, o Mato Grosso 2,5% e o Pará
1,2%.
Hoje, os nikkeis estão presentes em todos setores da sociedade
brasileira, destacando-se em atividades das artes e da política.

3. Judeus

Os judeus sefaradis espalham-se principalmente nos estados da Bahia,


Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraíba. Há 30 anos, a pesquisadora do
departamento de história da USP e do Arquivo de Portugal, dedica-se ao
resgate da história destas famílias que, para fugir da Inquisição,
aceitaram a fé católica e emigraram para o Brasil, embora continuassem
com certos hábitos e tradições judaicos, que se incorporaram à cultura
tradicional.
Diversos episódios político-militares ocorridos a partir do século XIV
comprometeram a harmonia existente entre as diferentes crenças da
Península Ibérica. Quase ao mesmo tempo em que as caravelas de
Colombo e Cabral singravam os mares à procura de novas terras, muitos
refugiados judeus eram obrigados a abandonar os territórios da Espanha
e, posteriormente, de Portugal, em busca de um refúgio seguro.
Muitas famílias carregaram a chave das suas casas, pois sonhavam em
poder retornar a Sefarad. Além das chaves, levaram também seu
idioma, suas canções, sua culinária e sua cultura. Diversos países do
Mediterrâneo, a Holanda e as terras do Novo Mundo receberam levas e
mais levas de judeus refugiados. A Diáspora Sefaradi representou, para
os judeus ibéricos, uma dupla provação. Era preciso aprender novos
hábitos e idiomas para sobreviver nos países que os acolheram. Nas
ruas, falavam as línguas das nações que lhes deram abrigo, mas no
interior das suas casas e sinagogas usavam o "ladino", mistura de
espanhol e português.
Os judeus ibéricos mantiveram intactos seus hábitos alimentares, e suas
tradiçoes, preservando o cotidiano dos seus ancestrais espanhóis e
portugueses de 500 anos atrás.
A partir dos séculos XIX e XX numerosas famílias de judeus de origem
ibérica e oriental imigraram para o Brasil, estabelecendo-se,
inicialmente,
na região amazônica e, mais tarde, nas cidades do Rio de Janeiro, São
Paulo e Porto Alegre. Muitos tinham sobrenomes lusos ou hispânicos e
falavam um idioma bastante parecido com o português corrente.
Eles não imaginavam que uma enorme parcela da população brasileira
descendia dos "cristãos-novos", os judeus que permaneceram na
Espanha e em Portugal e que foram obrigados à conversão. Muitos
desses, tinham participado da epopéia dos descobrimentos (Gaspar da
Gama), das primeiras Capitanias Hereditárias (Fernando de Noronha), da
introdução da cana de açúcar no Nordeste (Diogo Fernandes) e da
fantástica expansão territorial realizada pelos bandeirantes (Raposo
Tavares).

4. Alemães no Brasil
Os primeiros imigrantes alemães chegaram ao Brasil antes da
independência, no contexto da abertura dos portos, constituindo um
grupo de comerciantes com atividades de importação/exportação
estabelecido no Rio de Janeiro e organizado socialmente através da
Gesellschaft Germania, uma associação de natureza étnica fundada em
1821. Alguns alemães integraram os três primeiros projetos de
colonização autorizados pelo governo português na Bahia, dos quais só a
colônia Leopoldina figura na historiografia da imigração. O fracasso
dessas iniciativas e a pouca expressividade estatística - pouco mais de
200 imigrantes registrados antes de 1822 - fizeram da fundação de São
Leopoldo, no Rio Grande do Sul, o marco inaugural da imigração alemã,
associada ao povoamento e colonização da região sul.
Entre 1824 e 1830 os registros indicam a entrada de menos de sete mil
alemães destinados às áreas coloniais do sul e aos batalhões de
estrangeiros agregados ao exército brasileiro, criados para lutar contra
os portugueses (no norte) e na guerra cisplatina.
À exceção dos comerciantes estabelecidos no Rio de Janeiro, não houve
imigração espontânea de alemães. O governo imperial, tentando
promover o povoamento e colonização, subsidiou os colonos e pagou a
agenciadores para trazê-los ao país. A imigração foi interrompida em
1830, com a promulgação de uma lei proibindo despesas com a
colonização estrangeira, sendo retomada quase quinze anos depois com
a fundação de colônias alemãs no sul, no Rio de Janeiro (Petrópolis) e
nas terras altas do Espírito Santo. A ação dos agenciadores a serviço do
governo imperial, a promulgação da Lei de Terras, em 1850, dando
acesso à propriedade de terras públicas para estrangeiros e abrindo
espaço para a formação de empresas particulares de colonização, e os
subsídios, aumentaram o fluxo imigratório alemão na segunda metade
do século XIX. A imigração alemã não atingiu a quantidade dos italianos,
portugueses e espanhóis. Em 1950 assinalou-se a entrada de 235.846
imigrantes alemães no período de 1819 a 1947; Willems (1946) estimou
que entre 1886 e 1936 o Brasil recebeu cerca de 280 mil alemães.
Houve certa constância do fluxo alemão desde 1824 até a década de
1930, ocorrendo dois períodos numericamente mais significativos: antes
da 1ª Guerra Mundial e nos primeiros anos da década de 1920, no auge
da crise da República de Weimar. Essa concentração foi por motivos
econômicos, impulsionando a emigração para o Brasil desde 1824,
também houve razões políticas que motivaram as saídas de
revolucionários de 1848 ou de minorias teutas do leste europeu.
Deve-se também assinalar a importância dos alemães no processo de
povoamento e colonização de uma parte do território nacional. Quase
duzentas "colônias alemãs" surgiram nos três estados do sul na segunda
metade do século XIX, concentradas nos vales dos rios Sinos, Jacuí,
Taquari e Caí, e no Alto Uruguai (Rio Grande do sul); no vale do Itajaí e a
região noroeste de Santa Catarina (cujos centros mais importantes são
Blumenau e Joinville); na região de Ponta Grossa e municípios próximos,
no Paraná; novos imigrantes prosseguiram nesse processo de ocupação,
juntamente com outros imigrantes, nas primeiras décadas do século XX.
Colônias com preponderância de alemães surgiram na Região Sudeste
(1870). Tiveram papel importante num projeto colonizador com
motivações geopolíticas, embora a imigração não estivesse restrita ao
meio rural, e boa parte das colônias surgissem da iniciativa de
companhias particulares com apoio dos governos provinciais.
Os alemães tiveram primazia na formação de uma estrutura agrária
baseada na pequena propriedade familiar, cujo tamanho, no auge do
povoamento através de linhas coloniais demarcadas em terras
devolutas, chegou à média de 25 hectares. Junto com outros grupos de
imigrantes, principalmente italianos e poloneses, formaram um
campesinato cuja característica mais marcante foi a fixação (obrigatória)
no lote colonial - sua unidade econômica básica.
O desenvolvimento posterior à fase pioneira e a diferenciação interna, a
migração para centros urbanos maiores, inclusive a cidade de São Paulo
e a emancipação de algumas colônias ainda no período imperial,
deixaram visíveis as diferenças culturais produzidas pelo processo
imigratório, num momento em que aumentava o fluxo imigratório no
início da República e recrudesciam os discursos sobre assimilação dos
estrangeiros, no rastro das preocupações nacionalistas com a possível
formação de "minorias nacionais". A maior notoriedade da imigração
alemã tem a ver com a concentração espacial em áreas coloniais e
urbanas (formação de bairros etnicamente configurados) e suas
especificidades culturais, e com a formalização de um discurso étnico
fundamentado na noção de germanidade ou germanismo e veiculado
nas instituições comunitárias (escolas, associações recreativas e
culturais, igrejas) e na imprensa e literatura publicadas em língua alemã.
O surgimento de uma etnicidade teuto-brasileira foi concomitante com a
emancipação das colônias (transformadas em município) e com os
interesses mais diretos de uma elite e de uma classe média urbana e
rural nos direitos de cidadania, aí compreendida a participação política.
A realidade histórica da colonização é apresentada no discurso étnico
como um processo pioneiro e civilizatório. A categoria de identificação
teuto-brasileiro afirma uma condição de pertencimento à nação alemã e
a cidadania brasileira como coisas compatíveis. O nacionalismo
brasileiro, porém, considerou a idéia de Deutschtum como espúria e
perigosa. Para imigrantes e descendentes a noção de Deutschtum
parecia compatível com a cidadania porque pensavam o Brasil como um
Estado etnicamente plural e não como Nação. A propaganda
pangermanista no início do século XX, com sua inspiração racista, e a
marcante presença nazista denunciada no Estado Novo, ajudaram a
produzir situações de conflito que marcaram a vida quotidiana dos
alemães e seus descendentes até o fim da década de 1940.
A campanha de nacionalização do Estado Novo, iniciada em 1937 com a
idéia de forçar a assimilação dos estrangeiros, produziu a maior crise
enfrentada por alemães e descendentes: houve intervenção nas escolas
e outras instituições comunitárias, o uso da língua materna foi proibido
em público e os militares tentavam impor civismo através do elogio ao
caldeamento étnico/racial. Ista experiência teve efeitos definitivos, como
o desaparecimento da imprensa e das escolas étnicas e de algumas
instituições culturais; mas não anulou os princípios da etnicidade teuto-
brasileira vinculados à origem comum, ao habitus e ao processo
histórico de colonização que, simbolicamente, compõem as marcas
distintivas de uma identidade étnica persistentemente reconstruída.

5. Imigrantes africanos
Os africanos no Brasil sofreram o racismo da sociedade brasileira.
Africanos foram trazidos como escravos desde meados do século XVI.
"Migrações Internacionais - Contribuições para Políticas", da Comissão
Nacional de População e Desenvolvimento (CNPD), realizado em Brasília
em 6 de dezembro de 2000 aponta o papel do Estado nesse processo.
É conhecida a seqüência de decretos e leis que levaram paulatinamente
à abolição total da escravatura, em 1888 (Lei Áurea), desde a lei Diogo
Feijó, de 1831, que pretendeu abolir o tráfico de escravos, até a Lei dos
Sexagenários, de 1885, que declarava livre todo escravo com mais de
60 anos.
A lei Diogo Feijó proibiu o tráfico de escravos, mas foi ignorada e o
tráfico persistiu por mais quase 25 anos. A Lei Eusébio de Queirós
(1853), emancipava os africanos livres que eram levados por tráfico
ilegal, mas previa que os mesmos seriam forçados a trabalhar 14 anos
para pagar as despessas de repatriação. O passo seguinte foi a Lei do
Ventre Livre, de 1871, que declarava livre toda criança nascida no Brasil,
mas seriam obrigadas a servirem a seus donos até atingirem a
maioridade. A Lei Áurea foi proclamada, em 1888, e nao teve efeito. A
Lei dos Sexagenários ,de 1885, libertou todos os escravos com mais de
60 anos – mas previa um regime de trabalho gratuito para o ex-
proprietário durante 5 anos. Na prática, a Lei Áurea não surtiu efeito
algum
Após a Proclamação da República, foram tomadas medidas para
fomentar a imigração européia. Um dos objetivos era o
embranquecimento da população.
Segundo Vida, um decreto de Getúlio Vargas, de 1943, afirma: "Atender-
se-á na admissão dos imigrantes a necessidade de preservar e
desenvolver, na composição étnica da população, as características
mais convenientes de sua ascendência européia."
Apesar da Constituição de 1988, garantir que "é inviolável a liberdade
de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos
cultos religiosos", a exigência de registro dos templos de candomblé
junto às autoridades policiais manteve-se na Bahia até 1976.
Apenas em 15 de setembro de 2000 o Ministro da Previdência
reconheceu o direito à aposentadoria para sacerdotes e sacerdotisas do
candomblé.
Todo esse processo gerou em nossa sociedade um "mito da democracia
racial" ou do "paraíso racial", uma espécie de negação dos nossos
problemas raciais. O próprio discurso de elogio à mestiçagem disfarça a
discriminação aos negros. Essas concepções são desmentidas pelas
inúmeras discriminações contra os afro-brasileiros e contra imigrantes
africanos, tanto em nível privado quanto público.
Referências:
CARNEIRO, J.F. 1950. Imigração e colonização no Brasil. Rio de Janeiro,
Faculdade Nacional de Filosofia, Cadeira de Geografia do Brasil,
Publicação Avulsa, 2.
FOUQUET, C. 1974. O imigrante alemão e seus descendentes no Brasil:
1808-1824-1974. São Paulo, Instituto Hans Staden; São Leopoldo,
Federação dos Centros Culturais 25 de Julho.
SEYFERTH, G. 1982. Nacionalismo e Identidade Étnica. Florianópolis,
Fundação Catarinense de Cultura.
WILLEMS, E. 1946. A aculturação dos alemães no Brasil. São Paulo, Cia.
Editora [Link] Capozoli: migrações pelo oceano
a. Imigrantes africanos: no seio do preconceito
A situação dos imigrantes africanos atuais sofre os reflexos do racismo a
que são expostos na sociedade brasileira. Entre essas pessoas podemos
identificar dois grupos principais: estudantes universitários e refugiados
políticos.
Os refugiados mais recentes vieram por causa da fase extremamente
violenta da guerra civil em Angola em 1992 e 1993, período no qual
estima-se 500 mil mortes. Segundo informações do Consulado de
Angola, há cerca de 15 mil imigrantes angolanos no Brasil (dados de
1996), mas o Consulado ressalta que "a maioria dos angolanos que
chegam de forma ilegal não se aproximam do Consulado; portanto há no
Brasil muitos angolanos que jamais farão parte de qualquer estimativa."
O texto de Samuel Vida mostra algumas conclusões derivadas das
queixas ouvidas durante suas pesquisas junto à comunidade negra
principalmente de Salvador. A principal queixa refere-se à desconfiança
das autoridades responsáveis pelo controle de imigração, desconfiança
que se justifica, segundo essas autoridades, dado o envolvimento de
africanos com o tráfico de drogas. No dia-a-dia, enfrentam abordagens
desrespeitosas pela Polícia Militar, casos de discriminação praticados por
funcionários de bancos e em outras atividades econômicas e
empresariais.
Segundo Kaly, o primeiro grupo de estudantes africanos veio na década
de 1960 e era constituído de 16 pessoas do Senegal, Gana, Camarões e
Cabo Verde, mediante bolsas pagas no Brasil. Hoje há estudantes vindos
de países cujas línguas oficiais são o francês, o inglês, o português e o
espanhol (Guiné Equatorial). A maioria vem com bolsa paga pelos países
de origem ou por organismos internacionais – ou, no caso de países cuja
língua oficial seja o português, pelo Brasil. Os estudantes senegaleses e
marfinenses são financiados pela própria família.
Segundo Kaly, os estrangeiros africanos são tratados como africanos;
enquanto os estrangeiros europeus são tratados com o gentílico de seu
país de origem. Os proprietários de apartamentos muitas vezes exigem
que o estudante tenha um fiador, mesmo que este tenha condições de
pagar o aluguel. O dinheiro brasileiro parece ter valor diferente quando
vem da mão de um imigrante africano. Kaly conta que "as estudantes
africanas sofrem menos com a polícia e muito mais nas lojas dos
shopping centers freqüentados pela classe média alta". Os imigrantes
são confundidos várias vezes com porteiros de edifícios e outros
empregos de renda mais baixa.
Foi notório o recente caso da intervenção da Polícia Militar no Complexo
da Maré, nas favelas do Rio de Janeiro, descrito por Vida como um dos
maiores escândalos racistas do final do século. A intervenção foi
causada pela suspeita do envolvimento de guerrilheiros angolanos no
tráfico de drogas e no assassinato de seis pessoas na favela Nova
Holanda no início de 2000. Foram presos vários angolanos, sob a
alegação de serem mercenários. Houve protestos da Embaixada de
Angola, seguida da pressão do Itamaraty e do pedido de desculpas das
autoridades cariocas.
Essas atitudes refletem-se no comportamento dos estudantes. Os que
conseguem morar em bairros "chiques" tendem inconscientemente a
mostrar o tempo todo que têm condições financeiras compatíveis com
aquele ambiente, através de roupas bem alinhadas. Vários deles
cansam-se das humilhações e preferem ficar em casa nos horários
livres.
Kaly relata um desdobramento do racismo brasileiro, o racismo entre os
próprios imigrantes. Por exemplo, muitos estudantes cabo-verdianos não
se reconhecem e não se aceitam como africanos. Muitos cabo-verdianos
são "morenos-claros" ou "pardos", e tendem a se misturar com os
brasileiros para evitar serem tratados como africanos.
Com relação aos relacionamentos, segundo Kaly, há preconceitos de
ambas as partes: brasileiros e imigrantes. Muitos estudantes africanos
não vêem com bons olhos uma colega namorando com um brasileiro,
principalmente se este for branco. O autor reproduz em seu texto o
relato de uma estudante segundo o qual um fenômeno semelhante
acontece na própria África: "se não sou do mesmo grupo étnico que o
meu namorado, você acha que não posso ser rejeitada também".
6. Caboverdianos no Brasil
A história omite o fato de ter sido Cabo Verde o principal entreposto de
escravos vindos para o Brasil, não menciona tampouco que os escravos
após serem capturados nas costas africanas eram levados a Cabo Verde,
onde passavam por um processo de ladinização; eram cristianizados e
treinados para o trabalho escravo antes de seguir para a América.
Cabo Verde era uma estação experimental, de onde vieram vários
produtos como o milho, mandioca, cana de açúcar, coqueiros, arroz,
inhame, e também as primeiras cabeças de gado.
Provavelmente, muitas pessoas de Cabo Verde estiveram no Brasil
anteriormente. O primeiro registro escrito que dá conta da presença de
caboverdianos no Brasil é encontrado nos jornais da época, relatando a
façanha de um caboverdiano chamado Simão Salvador, natural da ilha
de Santo Antão, que no Brasil Império, tornou-se herói após salvar cerca
de 18 pessoas do naufrágio de um navio, onde era tripulante. O
Imperador D. Pedro II, por gratidão, homenageou-o com um busto em
praça pública preservado ainda em nossos dias na cidade do Rio de
Janeiro.
Vindos principalmente de São Nicolau, chegavam os primeiros
emigrantes caboverdianos às cidades portuárias do Brasil (Santos e Rio
de Janeiro eram as mais procuradas) nas décadas de 20 à 40, ainda em
navios a vela ou vapor em busca de vida melhor, dadas as condições
favoráveis da terra brasileira.
Nas décadas de 50 e 60 chegaram vários emigrantes caboverdianos
vindos principalmente das ilhas de São Nicolau e São Vicente, fugindo
das várias secas e da fome que assolou o pais naquela época, através
de navios da Marinha Mercante Portuguesa.
Buscando na emigração tudo aquilo que Cabo Verde não lhes podia
oferecer, na década de 70, o Brasil era a escolha natural de vários
emigrantes caboverdia- nos, principalmente das ilhas de São Nicolau,
São Vicente e Santo Antão, das quais chegaram as principais correntes
de emigração para o Brasil. Também nessa época (75/76) vários
caboverdianos, que se encontravam em Angola e, por causa da guerra
da independência, tiveram que abandonar tudo o que possuíam naquele
pais e refugiar-se em outras localidades foram para o Brasil. Uns
refugiados viram-se obrigados a atravessar o Oceano Atlântico e rumar
com poucos recursos, para o Brasil. Estabeleceram-se no sul (Santa
Catarina), onde reconstruíram suas vidas e onde permanecem até hoje.
A miséria em Cabo Verde, aliada ao fato de ser o Brasil um país
promissor, incentivava a emigração. Mais tarde, o fato de já existir ali
uma colônia considerável e a facilidade da língua, tornava o Brasil um
paraíso para os caboverdianos.
Os caboverdianos espalharam-se por várias estados como São Paulo, Rio
de Janeiro, Santa Catarina, Pernambuco e Bahia.
No estado de São Paulo, concentraram-se principalmente nas cidades de
Santos, exercendo atividades portuárias, em São Paulo, Santo André e
São Bernardo, onde atuavam principalmente na indústria e no comércio.
No estado do Rio de Janeiro estabeleceram-se nas cidades do Rio de
Janeiro, Nova Iguaçu, Mesquita e São João de Meriti onde as principais
atividades também eram na zona portuária e indústria naval.
Muitos “patrícios” usaram a carta de chamada como instrumento para
emigrar para o Brasil, este documento era obtido através do consulado
de Portugal e consistia num termo de responsabilidade pela pessoa que
estaria sendo beneficiada pelo documento. Através dele conseguia-se
trazer um irmão, a esposa ou até mesmo uma família inteira, deixada
para trás, a espera de oportunidade de também emigrar.
O casamento por procuração foi prática largamente adotada entre os
emigrantes caboverdianos. Muitos dos que emigravam deixavam em
Cabo Verde o seu "cretcheo" e após alguns anos de trabalho, casavam-
se por procuração, também emitida pelo consulado de Portugal e
traziam então legalmente o cônjuge.
A adaptação e o relacionamento com os brasileiros foi relativamente
fácil e rápida e felizmente o Brasil era um país que não oferecia
discriminação por serem emigrantes.
Desde sempre, os emigrantes caboverdianos se mostraram sérios,
honestos e incansáveis ao trabalho, dedicando-se ao máximo. Estas
características lhes valeram a conquista de prestígio nos meios em que
conviviam, sendo até hoje respeitados por estas qualidades. Às vezes,
criaram com os brasileiros, laços de extrema amizade e confiança, a
ponto de se casarem entre si,e batizarem seus filhos.
O emigrante caboverdiano mergulhava no trabalho com as seguintes
intenções:
Levar a família que havia deixado a espera de oportunidade para
também emigrar, adquirir fundos suficientes para a compra de um
imóvel onde pudesse abrigar sua prole; regressar bem sucedido a terra
natal.
Muitos morreram sem ter tido a chance de regressar, outros tantos
ainda não tiveram esta oportunidade, alguns levaram mais de 50 anos
para rever Cabo Verde, principalmente pela crítica situação financeira
que atravessou o Brasil por vários anos e também por não existir vôos
diretos a Cabo Verde, tendo o emigrante que viajar via Lisboa, o que
tornava a viajem pouco acessível.
Durante a segunda metade da década de 70 o governo brasileiro fechou
as portas para a emigração, fosse ela de qualquer origem.
A colônia caboverdiana em São Paulo hoje é de um contigente de mais
ou menos 300 pessoas entre emigrantes e descendentes. No Rio de
Janeiro estima-se existir semelhante número.
Atualmente as pessoas que emigraram jovens já se encontram
aposentadas, seus filhos estudaram, formaram-se em várias áreas e tem
bons empregos.
A Associação Caboverdiana do Rio de Janeiro já conta com sua sede
própria construída em regime de mutirão no distrito de Mesquita, onde
se reúnem para bailes, confraternizações, festas de casamento etc.
A Associação Caboverdiana de São Paulo foi fundada em 1978,
aproveitando a febre de nacionalidade que os invadiu no período pós
independência. Nestes quase 20 anos atravessou várias crises,
chegando quase a extinção, porém, tem-se mantido viva. Normalmente
promove encontros, confraternizações, onde se saboreia a "Cachupa",
além de ouvir e dançar "Mornas" , "Coladeiras" e "Funanás".

7. Núcleos Coloniais: origem de muitas cidades


 ALEMÃES: Entre 1848 e 1872, chegaram ao Brasil 19.523 alemães.
(informação do IBGE).
Estima-se que 12 milhões de brasileiros descendem de alemães
Bairros de Colonização alemã em São Paulo: Santo Amaro, Campo Belo,
Parelheiros, tem a influencia da cultura germânica.

 LITUANOS: Em S. Paulo vivem em torno de 180 mil lituanos e


descendentes. Nesta cidade há um bairro dos lituanos: Vila Zelina, onde
está a Igreja São José, construída pela comunidade, onde uma missa é
rezada em lituano. Nessa Igreja, há uma sala usada para reuniões, aulas
de lituano e ensaio de grupos de danças típicas, e outras atividades. No
dias 16 de fevreiro, no Colégio São Miguel da Vila Zelina, é feita a festa
que comemora a "Independência da Lituania". Há um jornal dirigido aos
Lituanos em sua língua natal. Nas proximidades da Igreja, pode-se
conhecer a culinária lituana.
 JAPONESES: Em 1908 chegou ao Porto de Santos (SP) o navio
Kasato Maru, trazendo os primeiros imigrantes japoneses. Eram 165
famílias. No Brasil há em torno de 1,5 milhões de descendentes de
japoneses. A maior concentração está na cidade de São Paulo e região
do ABCD.
Cidades de maior concentração de população nipo-brasileira:
São Paulo com 367.600, Curitiba (PR) (região Metropolitana) com
36.000, Campinas (SP) e região com 35.000, Mogi das Cruzes e região,
com 34.000, Brasília com 30.000, Maringá (PR) e região com 23.000,
Guarulhos (SP) com 22.000, Londrina (PR) e região com 20.000, Marília
(SP) e região com 15.000 e, Araçatuba (SP) e região com 14.000

 ITALIANOS: Em 28/07/1877 - 1º Núcleo Colonial de São Caetano do


Sul , com 28 famílias originárias de Treviso. Logo, chegou o 2º grupo de
italianos originários de Mantua. Hoje São Caetano do Sul é uma grande
cidade. Outras 3 cidades italianas: Thiene, decreto de 30/06/1976;
Vittorio Veneto, decreto de 27/03/1984 e Iglesias, decreto de
14/03/1988.

No princípio do Século XIX houve grandes modificações políticas e


econômicas na Europa. Terminadas as guerras napoleônicas, o
Congresso de Viena - 1814/1815 - estabeleceu arbitrariamente novos
estados. A Itália ficou dividida em sete Estados soberanos, surgindo, em
consequência, o ideal da unificação, obtida apenas em 1870. Terminada
a luta, o sonho de paz e prosperidade foi substituído por uma dura
realidade: muitos desempregados e camponeses sem terras. A
Revolução Industrial, substituíra o trabalho do homem e a solução foi
emigrar em busca de novas terras, ricas e não exploradas. A imigração
européia do final do século XIX, está associada às transformações
sociais, políticas e econômicas que aconteceram no mundo ocidental.
A situação econômica de toda a Itália deteriorara-se no final do século
XIX, mas a crise não foi homogênea em todo o país.
O Norte foi a primeira área a ser atingida, pois ali começou a se
desenvolver a industrialização, deixando os agricultores sem emprego e
sem mercado para seus produtos, que não podiam competir com os
locais ou com os importados. Por isso, no norte da Itália haveria muitos
emigrantes nessa época. No Sul a emigração começaria no início do
século XX.
Muitos imigrantes italianos que foram para o Brasil eram originários das
mesmas localidades e/ou das mesmas famílias.
Entre 1815 e 1914 a população do velho continente aumentou,
passando de 180 para 450 milhões de habitantes, o que provocou a
emigração para outros continentes de 40 milhões de pessoas, 85% para
as Américas.
Na Itália, na década de 60, a supressão das alfândegas regionais, a
oferta de produtos industriais a preços reduzidos e o desenvolvimento
das comunicações, destruiram a produção artesanal.

A unificação alfandegária fez com que as economias regionais sofressem


um violento baque. A disparidade econômica do Norte e do sul (mais
agrícola) agravou o quadro econômico do país.
Preocupado em obter recursos para a realização de obras públicas, o
governo italiano tomava medidas impopulares, como o imposto sobre a
farinha, que atingia duramente os pobres.
Outra medida foi controlar a entrada dos cereais vindos das Américas,
vendidos mais barato do que os locais. Essa medida prejudicava a
população, que era obrigada a comprar farinha por um preço maior.
Também a indústria vinícola foi atingida: o governo italiano decretou
uma taxa alfandegária sobre a entrada de produtos franceses, e a
França respondeu. A exportação de vinho da Itália para a França caiu de
300 milhões de litros para 1,9 milhão em três anos.
A pequena indústria artesanal tinha sido destruída, os impostos estavam
elevados, os minifúndios eram cada vez menores. Aumentou o consumo
de pratos à base de milho, como a polenta. Com uma dieta alimentar
desequilibrada, os camponeses se tornaram subnutridos e aumentaram
os casos de malária e de pelagra. A alternativa foi emigrar.
As primeiras colônias na região Sul foram as de Conde dÉu e Dona Isabel
(atualmente Garibaldi e Bento Gonçalves, respectivamente), no Rio
Grande do Sul, criadas pela presidência do estado em 1870. Para ocupar
essas colônias, o governo estadual firmou contrato com duas empresas
privadas, que deveriam introduzir 40 mil colonos em um prazo de dez
anos.
Desde 1872 até 1875 chegaram 3260 imigrantes. Na Europa Central, e
em especial na Alemanha, havia uma prevenção generalizada contra o
Brasil, que era visto como um lugar onde os imigrantes sofriam
privações.
Os imigrantes preferiam ficar nas áreas já colonizadas do que se
arriscarem matto adentro. Em 1874 só 19 lotes de Conde d'Eu estavam
sendo cultivados, com apenas 74 pessoas vivendo no local.
Desestimulado pelo insucesso, o governo estadual desistiu de
administrar a colonização da área, e repassou-a para o governo central.
Em 1875 chegaram as primeiras levas de italianos para Conde D'Eu e
Dona Isabel. Essas colônias limitavam com o rio Caí, os campos de
Vacaria e o município de Triunfo.
Nesse ano foi criada a colônia Caxias, no local chamado "Campo dos
Bugres". Esta colônia limitava com Nova Petrópolis, São Francisco de
Paula, o rio das Antas e Conde d'Eu e Dona Isabel. Em 1877 foi criada
uma nova colônia para imigrantes italianos, a de Silveira Martins, em
terras de matto, próximas de Santa Maria.
Essas quatro colônias oficiais foram o núcleo básico da colonização
italiana que, a partir dali, transbordaria para regiões próximas, até
atingir o planalto. Em 1884, os colonos atravessaram o rio das Antas e
fundaram Alfredo Chaves; São Marcos e Antonio Prado (1885) foram, por
sua vez, um prolongamento natural de Caxias.
O governo imperial (pouco depois federal) criou as colônias italianas de
Mariana Pimentel (1888), Barão do Triunfo (1888), Vila Nova de Santo
Antonio (1888), Jaguari (1889), Ernesto Alves (1890) e Marquês do
Herval (1891). A partir de 1889 houve preocupação de que as colônias
criadas fossem mistas, com membros de várias etnias, mas a idéia teve
sucesso apenas parcial, pois geralmente os colonos se remanejavam,
reagrupando-se, por iniciativa própria, segundo seus grupos étnicos.
Os italianos tinham que desbravar a terra que adquiriam. Mas, os lotes
eram bastante pequenos. Ali plantavam produtos de subsistência, como
o milho e o trigo, mas o cultivo que marcou sua presença no Rio Grande
do Sul foi a videira.
Antes de sua chegada, a produção vinícola do Rio Grande era
considerada de qualidade inferior. Mas os primeiros colonos trouxeram
novas variedades de uvas e isto ajudou a aperfeiçoar a qualidade do
vinho gaúcho. Desde o início do século XX foram criadas cooperativas
vinícolas e a produção cresceu e melhorou, transformando o estado no
principal produtor de vinhos finos do país.
No RG havia ferrovia, rede telegráfica, sistema bancário organizado e, a
navegação fluvial a vapor encontrava-se bastante desenvolvida. Todos
esses elementos facilitavam a comunicação entre os diferentes pontos
da província, e permitiam uma atividade econômica mais sólida e
organizada - ainda centrada na pecuária e na agroindústria do charque,
couro e outros derivados.
Além disto, a província estava mais "pacífica". A Guerra do Paraguai
acabara há pouco tempo, as campanhas do Prata tinham ficado para
trás e a Revolução Farroupilha era coisa do passado. As coisas nao iam
permanecer assim: haveria a Revolução Federalista de 1893, a de 1923
e a Revolução de 1930.
Ainda existia muita terra livre, principalmente nas serras na encosta,
nordeste e no Alto Uruguai: em total eram 87 mil quilômetros quadrados
de terras devolutas.

Bibliografia:
- "A imigração Espanhola no Brasil" - Robert S. Klein
- "Cafeicultura e Imigração - cronologia e a geografia do café" - (apostila)
- "E chegaram os imigrantes..." - o café e a imigração em São Paulo - de
Sônia Maria de Freitas
- Pesquisa na Internet, etc.
[Link]

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