Salve quem tem fé Salve quem não tem fé
Ponto Riscado
Os pontos riscados na Umbanda trazem muitos fundamentos. Com seus
traços e desenhos, a Entidade revela sua linha de trabalho e a finalidade que
se dispõe naquela Gira. De acordo com estudiosos, sua origem se dá em
Angola e Congo, berços da cultura banto (ou bantu), de onde chegaram os
primeiros escravizados no Brasil.
O ponto riscado é uma escrita sagrada que proporciona segurança e firmeza, e
ainda, evoca poderes ancestrais, onde cada risco traz uma carga de valores
espirituais indispensáveis para a firmeza de uma Gira, como também para o
grupo que ali se encontra. Tanto no chão do Terreiro, como no corpo dos
médiuns e/ou consulentes, as Entidades usam desse fundamento para dar
proteção e desfazer males.
Por vezes, o médium iniciante se sente inseguro na hora de riscar o ponto,
quando a Entidade está incorporada, o que é naturalmente compreensível,
partindo do princípio de que, enquanto iniciante, se vê na obrigação de
responder a todos os ritos pedidos pela Casa que frequenta. No entanto, é
bom que se saiba, que o ponto riscado só vem na hora em que o médium
estiver devidamente preparado, e consequentemente, relaxado. Pois, é
preciso que, enquanto médium de Umbanda, ele conheça suficientemente
suas Entidades e suas formas de trabalho.
O fato de um médium por vezes, não ter dado ainda o ponto riscado de sua
Entidade, não quer dizer que ele seja inferior àquele que já o fez. Cada
médium tem seu tempo e suas habilidades. Um médium, por exemplo,
considerado mão-de-pemba, terá muito mais facilidade de executar o ponto
riscado, do que aquele médium que não tem tal habilidade. Tudo no tempo
de cada um: esse é o fundamento.
Também importante ressaltar, que os símbolos abaixo descritos, podem ter
significados variados, pois obedecem a um momento, uma situação, um tipo
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de trabalho que está sendo realizado. Por exemplo: a cruz pode significar
ligação entre os mundos espiritual e material, como também a morte, ou
ainda a libertação, e fechamento de corpo...
Aqui será passado um significado genérico:
A cruz : por muito tempo, até mesmo para poder manter vivo seus cultos, os
escravizados associaram a cruz, ao Pai Oxalá. Graças ao sincretismo, até hoje
tal feito permanece em alguns Terreiros. No ponto riscado ela significa a
conexão entre o orun (Céu) e o ayê (Terra), a vitória sobre a morte, o ponto
de encontro para trabalhos de cura e para desfazer demandas. Muito
associada aos Pretos-Velhos e ao Orixá Omolu.
Seta para baixo: geralmente riscada em frente ao Congá, em direção a
corrente dos médiuns, que dependendo de outros símbolos que acompanhe o
risco, significa a expansão do axé do Congá para todos na corrente, e ao
mesmo tempo o pedido de licença para iniciar os trabalhos naquela Gira. Está
associada aos Caboclos e ao Orixá Oxóssi.
Seta para cima: em direção ao Congá, significa a busca do conhecimento,
concentração e equilíbrio para o decorrer da Gira. A busca do caminho a se
seguir para ter sucesso e prosperidade.
Espiral: um dos mais antigos símbolos ancestrais, simbolizando a evolução e
involução, a busca pelo “eu”, a força e energia das grandes magias. A
necessidade de renovar-se sempre. O espiral traz renovação de forças e axé
para o ambiente ou corpo, onde é riscado.
Setas cruzadas: poderoso ponto de proteção. Evocação aos Caboclos das
Matas. Barreira contra demandas e dificuldade de concentração.
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Espada: representa a segurança e ordem aos trabalhos na Gira. Evoca o Orixá
Ogum, para que caminhos sejam abertos e nenhum mal atrapalhe esse
caminhar.
Cruzadas e voltadas para cima, simbolizam o fechamento de corpo, o
fechamento de toda passagem do mal. Firmeza e ordem na Gira.
Cruzadas e voltadas para baixo, simbolizam a permissão de Orixá Ogum para
dar seguimento a Gira e seus trabalhos, ao mesmo tempo, simboliza também
o fechamento das encruzilhadas, para que Exu não dê passagem aos inimigos.
Ondas no sentido horizontal: linha do mar.
No sentido vertical: linha da Oxum
Linha horizontal: plano material
Linha vertical: planoespiritual
Coração: busca pelo equilíbrio sentimental, o amor, a força de Oxum.
Chave: busca por novos conhecimentos e soluções de problemas. Abertura de
portas para a prosperidade.
Âncora: representa força e resistência. Capacidade para suportar desafios.
Símbolo ligado a Iemanjá e Marinheiros.
Punhal: simboliza força, determinação e poder.
Ramos de louro (ou erva da Jurema): símbolo da prosperidade, abertura de
caminhos, vitória e abertura de caminhos.
Tridente (arredondado): princípio feminino. A busca pelo equilíbrio: corpo,
alma e espírito. Associado as Pombas Giras. Ainda, à sexualidade, fecundação
e criação.
Tridente (retos): princípio masculino. Mesma definição do arredondado.
Associado aos Exus. Também representando a virilidade, a força e conquistas.
Coração com uma cruz dentro: a esperança, a calma, a fé inabalável. Símbolo
associado a Nanã Buruquê.
Machado de duas lâminas (oxé): a justiça, o equilíbrio. Símbolo associado a
Xangô.
Coração com ondas na vertical: a busca pelo equilíbrio no amor e nas
conquistas. Símbolo associado a Oxum.
Jogo da velha: busca pela vitória. Usado para livrar-se de perturbações
espirituais e materiais.
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Estrela cadente com ondas: bênçãos para uma nova vida. Proteção de Mãe
Iemanjá.
Caveira: simboliza no ponto riscado a morte, a igualdade, a capacidade de
resistir e enfrentar adversidades. Representa a Linha das Almas.
Círculo: o todo, o universo. Quando usado em volta de todo o ponto riscado,
significa que a Entidade está limitando a energia a um determinado espaço de
tempo, pedindo que o ponto só seja apagado depois de alguns dias.
Triângulo: fé, amor e caridade. Equilíbrio pleno entre as forças espirituais e
materiais. Conquista.
Cruz com pedestal: vitória sobre a morte. Cura de doenças. Símbolo associado
a Omulu/Obaluaiê.