VINGADORES ULTIMATO
Vingadores: Ultimato é a conclusão de uma saga de 22 filmes e 80 anos de histórias
em quadrinhos, que levou 11 anos para ser contada no cinema
Vingadores: Ultimato fecha as cortinas da primeira grande megassaga
da Marvel nos cinemas. Um projeto que consumiu 11 anos, se estendeu por 22
filmes e rendeu bilhões de dólares à Disney está sendo encerrado agora, com
velhos amigos dando adeus, e passando a tocha para uma nova geração de
heróis, que viverão novas aventuras nos anos que se seguirão, para a nossa
alegria.
Afinal, a Marvel e a Disney fecharam a Saga do Infinito com chave de ouro?
Descubra na resenha sem spoilers a seguir.
"E houve um dia como nenhum outro..."
A trama de Vingadores: Ultimato se passa poucos dias depois do fim
de Guerra Infinita: Thanos conseguiu o que queria, matou metade da
população do universo e boa parte dos heróis que tentou impedi-lo, em vão. No
entanto, surge uma possibilidade de reverter o que aconteceu, graças a dois
fatores ausentes no conflito anterior: a Capitã Marvel (Brie Larson) e o Homem-
Formiga (Paul Rudd).
Discutir muito mais coisas além disso significaria entregar elementos do enredo
importantíssimos, e acredito que a surpresa ao chegar na sala de cinema faz
parte da experiência. O que pode ser dito é: TODAS as teorias ventiladas na
internet estão erradas. Todas, sem exceção.
O que dá para discutir, e isso já foi mostrado nos trailers, é o sentimento de
derrota que abateu não só os Vingadores, mas todo o mundo: as pessoas
desistiram de tudo ao perderem seus entes queridos, e não conseguem seguir
em frente. A humanidade... estagnou.
Mas como este é um filme de ação, baseado em heróis de quadrinhos, espere
por muitas reviravoltas, piadinhas, um pouco de drama e batalhas épicas, que
colocam as de Guerra Infinita no chinelo, e ficam no mesmo nível de
grandiosidade do confronto final de Aquaman, curiosamente, o filme mais "ao
estilo Marvel" que a DC já lançou.
All Good Things...
Após mais de uma década, a Disney e a Marvel chegaram à conclusão que é
hora de contar novas histórias, e para isso, Vingadores: Ultimato está sendo o
filme de despedida de pelo menos dois atores: Robert Downey Jr. e Chris
Evans estão pela última vez dando vida a Tony Stark/Homem de Ferro e Steve
Rogers/Capitão América, e o arco pessoal de cada um deles é fechado de
forma comovente, alinhada com tudo o que ambos representam.
Os heróis que ficam serão inevitavelmente acompanhados de uma nova
geração de heróis e vilões, com a Marvel podendo explorar novas
oportunidades. Ela já faz algumas brincadeiras nesse sentido, e deixa pontas
soltas propositais para promover conteúdos futuros já confirmados. Isso sem
contar a possibilidade de integrar os heróis da Fox, como os X-Men e o
Quarteto Fantástico, rebootando ambos para serem incluídos no MCU.
Tecnicamente, Vingadores: Ultimato é primoroso. O nível dos efeitos está
anos-luz do que vimos em Homem de Ferro, as piadinhas ainda estão lá, hora
sutis (como um indireta da Natasha pro Banner), e outras mais escrachadas.
Há também o fato de que a Marvel deu um jeito de revisitar boa parte de seus
filmes anteriores, mas de novo, dizer mais do que isso é spoiler.
O único problema, é que o filme é longo demais. Alguns problemas poderiam
ter sido resolvidos mais rápido, e para mim, três horas parece ser um pouco
demais. Eu acredito que 150 minutos seriam suficientes, mas como este filme é
uma festa de despedida do início ao fim, ele é recheado de fanservice, para
alegria de todos nós, e desespero de quem só assiste filmes de países sem luz
elétrica e água encanada.
Tem Stan Lee?
Adivinha...
Tem cenas pós-creditos?
Isso é spoiler. O que posso dizer é: aguarde e confie.
Conclusão
Vingadores: Ultimato é a conclusão épica de uma história que levou oito
décadas de HQs e 22 filmes para ser contada nos cinemas, mas mais
importante: ela foi contada da maneira certa. Para a minha geração, que veio
de uma época onde não dava para fazer algo assim porque não tínhamos a
tecnologia, ou porque ninguém queria gastar tanto dinheiro com filmes
baseados em quadrinhos (ou ambos), foi um período de trevas, onde uma obra
boa era acompanhada por uma baciada de outras ruins.
Para cada Superman: O Filme, que me convenceu que um homem podia voar,
havia três Superman IV e mais um Supergirl (o com a Helen Slater, não a série
atual, que é excelente); para cada Batman: O Filme, cinco Liga da Justiça da
América; para cada Blade, dois Geração X.
As pessoas costumam dizer que o ponto de virada foi X-Men (1999), mas
sendo bem sincero, ele era um filme que economizava muito em efeitos (a
Tempestade mal voava); o que bateu o martelo e disse "agora vai" foi
o Homem-Aranha do Sam Raimi, e de lá para cá, só ganhamos. Hoje temos
uma árvore que fala e um guaxinim, um Hulk fiel às HQs, homens de armadura,
supersoldados, reinos ocultos avançadíssimos com tecnologia nível Star Trek,
e mulheres brilhantes que detonam naves espaciais na base da porrada.
E melhor, nada disso parece galhofa na tela. Está tudo como era nas HQs, só
que com (muitos) milhões de orçamento e técnicos de primeira por trás.
MARVEL e polêmica Fase 4
Desde o nascimento do Universo Compartilhado da Marvel lá em 2008 com o
lançamento do primeiro filme do Homem de Ferro, é inegável o sucesso do
estúdio em conectar diversas franquias distintas e arrastar multidões para as
salas de cinema, tendo gerado até hoje mais de $22 bilhões de dólares
arrecadados em bilheteria.
Em 2019 com o lançamento de Vingadores-Ultimato, a Marvel encerrou o que
ela mesma chamou de A Saga do Infinito, um evento que vinha sendo
construído há dez anos onde culminou com o embate entre os heróis e o titã
Thanos, e fez salas de cinemas ao redor do mundo virarem estádios de futebol
com tamanha empolgação.
De maneira geral, todos os filmes da Marvel até o fim da chamada Fase 3
tiveram uma boa aceitação por parte do público, seja por afeição aos
personagens que foram desenvolvidos por anos ou por querer saber como iria
terminar a história daquele homem roxo que estava atrás de seis joias. Porém
a atual fase do UCM (a chamada Fase 4) está em um caminho bem diferente e
dividindo muitas opiniões.
Tudo novo de novo
Após o lançamento de Ultimato, a Marvel “zerou” tudo e recomeçou, com
personagens diferentes, alguns desconhecidos pela maioria do público que
conhece o estúdio apenas pelas telonas, além de começar uma caminhada
para um outro futuro megaevento que ainda não está tão claro. Muito menos
qual ou quem seria a principal ameaça.
A Fase 4 da Marvel Studios já contou com os lançamentos de Viúva Negra,
Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis, Eternos, Doutor Estranho no Multiverso
da Loucura e o recente Thor Amor e Trovão.
E a verdade é que nenhum desses filmes foi unanimidade entre o público, os
próprios fãs da Marvel e a crítica especializada. Apesar da conhecida fórmula
Marvel está presente, produções como Eternos e Multiverso da Loucura foram
filmes bem diferentes pra o padrão estabelecido no estúdio.
Eternos teve como diretora Chloe Zhao, que ganhou o Oscar por sua direção
em Nomadland, e deixou sua marca no longa, que contou com várias locações
reais, uma linda fotografia, cenas filmadas no que ela chama de “hora mágica”,
registrando o pôr do sol com suas luzes reais e naturais. Além de toda a
beleza, Eternos nos apresentou um grupo de dez novos personagens
milenares e superpoderosos com um elenco que abraçava a diversidade e
representatividade. O filme foi o primeiro a contar com um herói abertamente
gay no UCM (Phastos) e a primeira heroína surda (Makkari).
Já Multiverso da Loucura tem a direção forte de Sam Raimi, que tem suas
características bem explícitas e traz um toque de horror para o UCM, com
momentos que de fato te provocam sustos, além de abrir ainda mais as portas
do multiverso e expandir o seu conceito.
E não é só no cinema que a Marvel divide opiniões atualmente, o estúdio já
lançou séries para o Disney+ como Wandavision, Falcão e o Soldado Invernal,
Loki, What If…?, Gavião Arqueiro, Cavaleiro da Lua, Ms. Marvel, sem contar os
projetos que ainda serão lançados este ano, os que estão em pós-produção ou
estão sendo gravados, e ainda os inúmeros projetos que foram anunciados e
confirmados.
O que parecia a princípio ser uma boa notícia para quem gosta de super-
heróis, pode não estar tendo o efeito esperado. Com três ou quatro filmes
lançados por ano e mais três ou quatro séries, a Marvel criou uma linha de
produção que tem deixado muita gente irritada principalmente pelo ritmo de
lançamentos e a falta de profundidade nos roteiros em alguns casos, e até
mesmo no que diz respeito ao CGI/efeitos especiais usados pelo estúdio que
sempre foi um ponto elogiado (afinal eles nos deram o Thanos), mas que agora
vem sofrendo várias críticas especialmente após a divulgação do trailer de
Mulher-Hulk, onde a personagem que será vivida por Tatiana Maslany, parecia
que ainda não estava finalizada.
O fato é que com polêmicas ou não, com efeitos especiais ruins ou não, a
Marvel parece que não vai diminuir o ritmo nem tão cedo, já que no final do
mês o estúdio volta à San Diego Comic Con para dar mais detalhes sobre o
seu futuro e a Fase 5, que ainda precisa nos apresentar o Quarteto Fantástico
e os X-Men.