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br/rbpd
O planejamento estratégico para uma
cidade inteligente sob a ótica do Curitiba
2035 e o Ranking Connected Smart Cities
RESUMO
Silvia Assunção Davet Locatelli Diante dos desafios dos municípios para solucionar os problemas da crescente urbanização
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Universidade Tecnológica Federal do e atender aos anseios da sociedade local que demanda maior participação na condução da
Paraná. Curitiba. Paraná. Brasil.
gestão pública, o tema planejamento estratégico municipal vem ganhando mais espaço nas
Ivan Carlos Vicentin cidades brasileiras, tendo como um bom exemplo disso o projeto Curitiba 2035 que propõe
vicentin@[Link]
Universidade Tecnológica Federal do ações de curto, médio e longo prazo com o desejo de tornar Curitiba uma cidade cada vez
Paraná. Curitiba. Paraná. Brasil. mais inteligente para proporcionar uma melhor qualidade de vida possível a sua população
local. As temáticas estratégicas priorizadas pelo Curitiba 2035 estão em consonância com
os temas avaliados pelo Ranking Connected Smart Cities que divulga o resultado anual das
cidades com melhor possibilidade de desenvolvimento urbano para a construção de um
futuro próspero. O presente trabalho se propõe a analisar a posição de Curitiba neste
ranking e sua evolução. Foi realizada uma pesquisa descritiva, sobre a posição de Curitiba
no ranking, nos anos de 2015 a 2018, colhendo dados de documentos públicos e em sítios
eletrônicos e comparando as informações obtidas. Os resultados revelaram a evolução do
status de Curitiba para a cidade mais inteligente do Brasil e seu grande comprometimento
com o planejamento do seu futuro.
PALAVRAS-CHAVE: Curitiba, urban development, municipal strategic planning, smart city,
ranking.
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R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
1 INTRODUÇÃO
Com o decorrer dos anos, os municípios brasileiros passaram por profundas e
constantes transformações, sendo que com a Constituição Federal de 1988,
iniciou-se um processo de descentralização que resultou numa maior autonomia
para os municípios, com a transferência de competências para moldar o seu
desenvolvimento e definir o seu destino. Porém, as suas competências técnicas e
administrativas se mostraram limitadas diante das novas responsabilidades e
surgiu, então, o reconhecimento de que os tradicionais instrumentos de
planejamento urbano focados simplesmente em normas e etapas burocráticas já
não eram tão adequados para lidar com a forma flexível e dinâmica de
desenvolvimento das médias e grandes cidades (PFEIFER, 2000).
Ao longo dos anos, verificou-se que o processo de urbanização é uma
tendência marcante em países em estágio de desenvolvimento como o Brasil e os
grandes centros de aglomeração humana implicam em maiores desafios aos
municípios e com a ampliação de problemas decorrentes deste estilo de vida e que
se inserem em inúmeros temas como educação, saúde, segurança, moradia,
infraestrutura, tecnologia, economia, acolhimento social, mobilidade, transporte,
acessibilidade, energia, saneamento básico, cultura, lazer, conservação e uso
sustentável de recursos naturais, poluição, oportunidades de empregos,
comunicação local e global, via relações sociais presenciais e não presenciais,
dentre muitos outros (CURITIBA 2035).
Essas problemáticas advindas da forma da ocupação espacial urbana em
constante evolução induzem os munícipes a buscar, cada vez mais, uma qualidade
de vida mais adequada na cidade e uma maior participação na condução do
município, trazendo constantemente mais desafios aos gestores públicos
municipais para planejar soluções mais inovadoras, inteligentes, objetivas e
sustentáveis, como intervenções de caráter primordialmente estruturante e que
sejam, sobretudo, positivas e perenes para a comunidade local.
Entretanto, criar uma iniciativa de natureza especificamente estruturante
visando à melhoria das condições de vida na cidade, não é uma tarefa simples
quando se tem pela frente dois principais obstáculos a serem superados neste tipo
de projeto como são a ausência de visão compartilhada de futuro, a influência
política, a atuação burocrática e a dificuldade de continuidade de programas e
projetos, tanto na gestão pública quanto na esfera privada.
Nesse contexto, para que se tenha eficácia com este trabalho na esfera
municipal, deve-se pensar num plano municipal para o futuro, objetivo, criativo e
específico focado em enfrentar os desafios da atualidade na era tecnológica em
expansão constante, indo além das meras diretrizes legislativas, das ações de curto
prazo, das soluções paliativas, evitando-se principalmente a descontinuidade
recorrente de programas instituídos pela gestão pública que acabam sendo
alterados ao longo dos anos, muitas vezes, em decorrência da linha de pensamento
política dos gestores públicos do momento, sem levar em conta como fator
primordial o interesse público, as etapas de planejamento em andamento e os
anseios específicos da sociedade local.
Considerando esses fatores, foi que surgiu, em Curitiba, a ideia de projetar o
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futuro da cidade para o ano de 2035 por meio de ações mais inteligentes e
inovadoras que demandam mais tempo para programação, execução e retorno de
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médio e longo prazos, mas que trazem resultados mais significativos e duradouros,
inclusive, para torná-la uma cidade melhor para se viver e da maneira mais
inteligente possível.
Cidades inteligentes seriam aquelas que bem realizam a visão de futuro em
várias vertentes – economia, pessoas, governança, mobilidade, meio ambiente e
qualidade de vida – e são construídas sobre a combinação inteligente de atitudes
decisivas, independentes e conscientes dos atores que nelas atuam (GIFFINGER e
GUDRUN, 2010).
Schreiner (2016) explica que: “Um plano de Cidade Inteligente traz aos
gestores o desafio de transformar metrópoles tradicionais em ambientes mais
inteligentes, interativos e sustentáveis. Modernizar e expandir a infraestrutura das
cidades, aproximando cada vez mais o governo do cidadão, têm sido alguns dos
grandes desafios do século”.
Mas, cabe um alerta de Weiss, Bernardes e Consoni (2015):
Há que se considerar, entretanto, que a proposição de cidades
inteligentes deve ser vista e avaliada com cautela. O discurso da
cidade inteligente não deve retratar um local imaginário ou
utópico, para onde convergem todos as ideias de
desenvolvimento sustentável e de democratização do acesso e
bom uso da informação. Ao contrário, deve apontar para uma
forma pragmática e factível sobre como tais ideias podem ser
materializadas.
Diante disso, surge o pensamento de buscar um planejamento mais efetivo e
métricas que possam avaliar as ações de cidades que investem no futuro, pois são
consideradas mais inteligentes, estáveis, atrativas a investimentos, turismo,
moradia e outros, capazes de se manter sustentáveis a longo prazo, tendo em vista
que estão mais preparadas para enfrentar fatores e riscos diversos como
econômicos, sociais, ambientais e outros.
Em 2015, foi criado no Brasil o ranking de cidades inteligentes, chamado
Ranking Connected Smart Cities, como ferramenta útil para mensurar o
desempenho das cidades mais inteligentes, levando em consideração o
planejamento destas para o tratamento dos temas mais importantes para a
construção de uma cidade voltada para o futuro.
O ranking é o principal indicador nacional sobre o tema, sua constituição está
de acordo com os princípios de sustentabilidade, as cidades selecionadas para sua
composição são avaliadas segundo esses critérios e a integração do município
dentre os mais inteligentes, conectados, humanos e sustentáveis torna-se um
diferencial que pode gerar melhorias nos resultados financeiros e na imagem da
municipalidade perante à comunidade em geral, nacional ou internacional.
Da análise da lista das primeiras 10 (dez) cidades classificadas na pesquisa,
Curitiba foi a 1ª colocada, o que levou à questão que norteou o presente estudo:
qual a evolução da cidade após o lançamento do Curitiba 2035 no âmbito nacional
de cidades mais preparadas para um desenvolvimento de um futuro promissor
perante o Ranking Connected Smart Cities e o seu compromisso com a
manutenção de seu status ao longo do tempo?
Página | 499 Este estudo tem como objetivo avaliar a evolução e o comprometimento da
cidade de Curitiba participante do Ranking Connected Smart Cities, com relação ao
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
tema da construção de um planejamento estratégico com foco no futuro como o
Curitiba 2035. Para alcançar o objetivo geral, foram definidos os seguintes
objetivos específicos: comparar dados públicos referentes às temáticas
estratégicas primordiais do Curitiba 2035 com os temas avaliados pela pesquisa
Connected Smart Cities na sua versão do ano de 2018; comparar resultados
obtidos pela capital paranaense que denotem a melhoria ou não do seu estado
como cidade inteligente e antenada com os assuntos mais relevantes ao
desenvolvimento municipal eficiente, sustentável e perene.
Trata-se de um estudo sobre uma amostra da classificação de 1 (uma) cidade,
Curitiba, nas 4 (quatro) edições do Ranking Connected Smart Cities, divulgado
entre os anos de 2015 a 2018, durante a vigência do Curitiba 2035, conforme dados
coletados na base de dados disponível em sítio eletrônico.
Constatou-se que os estudos nacionais referenciados ao final abrangeram
diversas questões relacionadas ao planejamento estratégico municipal, porém,
nenhum estudo analisou questões específicas do Curitiba 2035 e que indiquem o
perfil de Curitiba entre as cidades consideradas em melhor estágio de
desenvolvimento para o futuro, pelo menos nos últimos 4 (quatro) anos, e o seu
compromisso com a efetiva melhoria do seu estado atual mediante concretização
de ações propostas no projeto municipal. Por conta disso, acredita-se que o
presente estudo preenche a lacuna de pesquisa referente à evolução da cidade
escolhida frente ao plano traçado para seu futuro.
O presente estudo justifica-se para destacar certas características da cidade
mais bem colocadas no Ranking Connected Smart Cities e o comprometimento
desta com a efetivação do seu planejamento de longo prazo, Curitiba 2035, a fim
de demonstrar os seus pontos fortes e eventuais pontos a melhorar.
Espera-se que este estudo enriqueça os debates acadêmicos e práticos sobre
o tema, considerando a falta de trabalhos sobre o Curitiba 2035 e os temas mais
priorizados no documento que o instrumentaliza.
Acredita-se que o resultado do estudo possa contribuir também para uma
futura avaliação dos gestores públicos municipais sobre a importância de um
planejamento estratégico efetivo para a construção de um futuro melhor para a
cidade que estão gerindo, entendendo a evolução das ações propostas para o
desenvolvimento sustentável como um diferencial. Além disso, o estudo pode
servir para uma posterior autoavaliação da cidade analisada sobre as próprias
informações divulgadas e práticas voltadas ao tratamento de assuntos atinentes
ao município específico.
Este artigo está estruturado em 5 (cinco) partes. Sendo assim, primeiramente,
a introdução traz uma abordagem sobre as transformações e desafios dos
municípios ao longo dos anos, a preocupação e a importância de ações de longo
prazo bem planejadas para uma administração pública eficiente e para a sociedade
local. A segunda parte trata-se do referencial teórico que expõe o planejamento
estratégico como instrumento da boa gestão municipal, o surgimento do Curitiba
2035 e suas temáticas prioritárias, o Ranking Connected Smart Cities e seu
alinhamento ao Curitiba 2035 como indicativo de evolução da cidade avaliada. A
terceira parte descreve o procedimento metodológico desenvolvido na pesquisa.
A quarta parte exibe a análise dos resultados observados. A quinta e última parte
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apresenta a conclusão.
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico do presente estudo apresenta os temas que dão suporte
teórico para a pesquisa.
2.1 Planejamento estratégico municipal como instrumento para construção da
cidade do futuro
Inúmeras questões do cotidiano municipal como territoriais, econômicas,
financeiras, políticas, sociais, ambientais e de gestão tem constantemente
preocupado os municípios, requerendo um avanço nas técnicas de planejamento
até então desenvolvidas pelo gestor público local. Atender aos diferentes
interesses inerentes a cada um desses assuntos e garantir a efetiva participação
comunitária pode ser o maior desafio da administração pública local, por exigir
instrumentos técnicos, modernos, práticos e efetivos de planejamento e de
gestão.
No cenário legislativo brasileiro, o que se teve em matéria de planejamento
municipal a partir das determinações da Constituição Federal Brasileira de 1988 foi
o chamado Plano Diretor, in verbis:
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo
Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei,
tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções
sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes.
§ 1o O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório
para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento
básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.
Por sua vez, regulamentando o dispositivo constitucional, o Estatuto das
Cidades prevê diretrizes metodológicas e operacionais ao plano diretor, como lê
no artigo 42:
Art. 42. O plano diretor deverá conter no mínimo:
I - a delimitação das áreas urbanas onde poderá ser aplicado o
parcelamento, edificação ou utilização compulsórios,
considerando a existência de infra-estrutura e de demanda para
utilização, na forma do art. 5º desta Lei;
II - disposições requeridas pelos arts. 25, 28, 29, 32 e 35 desta Lei;
III - sistema de acompanhamento e controle.
Segundo o guia de elaboração do plano diretor do Ministério das Cidades
(2018):
Embora a legislação vigente, especialmente o Estatuto da Cidade,
tenha proporcionado incontestáveis avanços para o planejamento
e a gestão urbana municipal, não se pode ignorar o fato de que as
normas tal como editadas não prevêem respostas para todas as
situações práticas pelas quais um município de grande
envergadura está enfrentando e enfrentará nos próximos anos,
nos processos de urbanização, sobretudo, diante de uma
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comunidade cada vez mais atualizada, antenada e exigente em
seus direitos perante os gestores municipais.
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
Considerando esse contexto municipal da era atual, há de se pensar em
instrumentos mais criativas, modernos, personalizados, práticos e efetivos capazes
de agregar valor ao formato dos planos municipais tal como existentes, mas
aprimorar a maneira de lidar adequadamente com processos dinâmicos de
mudanças e transformações complexas que exigem constante reavaliação de
ações implementadas e vindouras a fim de mantê-las adequadas às necessidades
presentes e futuras.
O planejamento estratégico, método inicialmente desenvolvido para o setor
privado, pode ser a ferramenta ideal para dar o tratamento necessário aos desafios
municipais, pois tem aplicabilidade ao setor público quando adaptado que às
condições específicas deste. Essa proposta de planejamento municipal substitui
um pensamento estático e regulado da administração pública por uma ideia mais
flexível e dinâmica de gerenciamento de projetos com técnicas de trabalho
diferenciadas adaptadas ao contexto que se apresentar ao longo do tempo
(PFEIFER, 2010).
Recomenda Vainer (2002):
Inspirado em conceitos e técnicas oriundos do planejamento
empresarial, originalmente sistematizados na Harvard Business
School, o planejamento estratégico, segundo seus defensores,
deve ser adotado pelos governos locais em razão de estarem as
cidades submetidas às mesmas condições e desafios que as
empresas. Assim, por exemplo, Bouinot e Bermils afirmam a
necessidade da "transposição da démarche estratégica para a
gestão urbana" porque as cidades vêm sendo desafiadas por
"mutações idênticas" às vividas pelas empresas (Bouinot &
Bermils, 1995, p. 12).
Conforme Rezende e Ultramari (2007):
O plano diretor municipal (PDM) e o planejamento estratégico
municipal (PEM) são instrumentos de planejamento e gestão de
municípios e prefeituras, considerados, atualmente, de
importância inquestionável. A realização de tais instrumentos
deve mesmo ser compatibilizada com regulamentos de ordem
superior, tais como a própria Constituição Federal, a Lei de
Responsabilidade Fiscal e o Estatuto da Cidade.
Como item essencial a ser agregado ao planejamento municipal, Rezende
(2007) indica a maior participação social:
O planejamento estratégico municipal pode constituir um
instrumento de política pública relevante para o desenvolvimento
local e regional, principalmente pelas dificuldades dos recursos
financeiros nos municípios, pela obediência à Lei de
Responsabilidade Fiscal, pela exigência do Estatuto da Cidade e
pelas pressões dos munícipes e dos interessados na cidade. Tais
interessados também podem ser chamados de atores sociais ou
stakeholders, residentes ou não no município. Essas pressões
podem ser minimizadas pela elaboração e implementação de um
planejamento estratégico participativo nos municípios, pois pode
propiciar o envolvimento coletivo dos cidadãos, com seus anseios,
e pode descentralizar e compartilhar as decisões dos
Página | 502 administradores locais.
Do mesmo modo, Ermínia Maricato (2002) opina:
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
O processo de formulação participativa de um plano pode ser mais
importante que o plano em si, dependendo da verificação de
certas condições. Isto porque ele pode criar uma esfera ampla de
debate e legitimar os participantes com seus pontos de vista
diferentes e conflitantes. A constituição e consolidação dessa
esfera de participação política é que poderá auxiliar na
implementação de um sistema de planejamento e nas
reorientações ao plano.
Também na mesma linha, Rizzon, Bertelli, Matte, Graebin e Macke (2017):
O envolvimento do cidadão, de forma responsiva e participativa
provou-se fundamental para o desenvolvimento e implementação
com sucesso de processos e metodologias para cidades
inteligentes. Assim, o cidadão precisa ser “chamado” a participar
do desenvolvimento de sua cidade, precisa estar inserido em
iniciativas de compartilhamento do conhecimento e de dados
sobre o que está sendo proposto para a sua cidade, precisa estar
engajado de forma ativa em iniciativas que visam a melhoria de
seu ambiente individual e social para que suas reais necessidades
sejam atendidas.
O próprio Ministério das Cidades (2018) apóia a participação de todos os
cidadãos no planejamento de sua cidade para poderem intervir na realidade de
seu município.
Além disso, não se pode deixar de lembrar que o gestor local tem um
importante papel no estímulo à crença da população local de uma real
possibilidade de atingimento de um futuro melhor para o munícipio, como indicam
Castells & Borja (1996):
Cabe ainda ao governo local a promoção interna à cidade para
dotar seus habitantes de 'patriotismo cívico', de sentido de
pertencimento, de vontade coletiva de participação e de
confiança e crença no futuro da urbe. Esta promoção interna deve
apoiar-se em obras e serviços visíveis, tanto os que têm um caráter
monumental e simbólico como os dirigidos a melhorar a qualidade
dos espaços públicos e o bem-estar da população.
Segundo Pfeiffer (2000), o planejamento estratégico municipal é um
instrumento de gerenciamento com um único propósito: tornar o trabalho de uma
cidade ou prefeitura mais eficiente. O enfoque estratégico no desenvolvimento
local diminui as indecisões e favorece as transformações econômicas, sociais e
políticas nas cidades, para tratar com coerência a multiplicidade de iniciativas
sobre o município, buscando um consenso entre os múltiplos atores (inclusive o
governo) na seleção de um futuro desejável e factível.
Ao aplicar os passos de um planejamento estratégico é possível avaliar
cuidadosamente as condições existentes de um município, pois para que possa ser
aplicado no setor público com tanto êxito como em empresas privadas, deve-se
ter condições prévias favoráveis como uma vontade política para iniciar o processo
de construção do plano, é uma liderança competente, uma participação de
representantes de organizações públicas e privadas, recursos mínimos,
sensibilidade social, dentre outros.
Página | 503 Todavia, planejar no setor público também importa suplantar determinadas
barreiras.
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
A influência política inerente à administração pública, incluída nesta a
municipal, pode ser considerado um dos maiores desafios a ser superado para a
aplicação adequada de um planejamento estratégico, levando em conta que pode
haver uma preferência da gestão atual de atuar com intervenções visíveis, mesmo
de pequeno porte para satisfazer um maior número possível dos seus munícipes,
em lugar de ações estratégicas que são capazes de provocar mudanças estruturais
mais benéficas e perenes. Não deve ser eliminado o caráter político, pois também
tem sua importância no processo de construção dos planos futuros, mas
certamente deve-se tentar minimizar os seus efeitos em prol do interesse público,
dos problemas reais do município e das necessidades da sociedade local (PFEIFER,
p. 10).
Entre as diversas reivindicações exigidas pela sociedade atual, há inúmeras
que afetam a administração pública municipal e tem ganho destaque a
preocupação com o futuro e modernidade da cidade em face da relevância dada à
qualidade da vida dos residentes, o que tem exigido dos gestores municipais um
novo posicionamento em sua interação com os desafios da atualidade para tornar
as cidades mais inteligentes, conectadas e sustentáveis.
Considerando-se que são muitas as definições encontradas na literatura para
cidade inteligente, para o presente estudo, limita-se a adotar o pensamento de
que uma cidade inteligente se forma com investimentos em capital humano e
social, investindo em tecnologias de informação e comunicação para alimentar um
crescimento econômico sustentável e uma melhoria da qualidade de vida,
adotando uma gestão sábia dos recursos naturais por meio de uma governança
participativa (CARAGLIU; DEL BO; NIJKAMP, 2011).
Segundo Rizzon, Bertelli, Matte, Graebin e Macke (2017):
A adoção de iniciativas de smart cities surge para atender a
demandas atuais a nível local, de nação e global. A preocupação
com a escassez de recursos naturais e produtivos, recursos
energéticos, densidade demográfica, conflitos étnicos, culturais e
sociais, necessidade de melhor gerenciamento e planejamento
dos espaços urbanos como um todo despontam como
“provocadores”, estimuladores de um processo de mudança que
urge em necessidade de planejamento, desenvolvimento e ação
para que seja possível o surgimento de cidades inteligentes,
governança inteligente e consequentemente, cidadãos
inteligentes e engajados em processos de mudança.
Para Abdala, Schreiner, Costa e Santos (2014): a contribuição do surgimento
das cidades inteligentes para uma cidade sustentável está no uso da tecnologia
como provedora de valor inteligente com o envolvimento das pessoas, suas
relações com o ambiente e a capacidade de desenvolvimento, de adaptação e
superação da comunidade local. Assim, a tecnologia e suas aplicações devem ser
vistas sob uma perspectiva holística, descentralizada, integradora e participativa,
visando a melhoria da percepção e relação das pessoas com o seu ambiente.
2.2 Curitiba 2035
Dando continuidade e aprofundamento ao processo reflexivo do
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planejamento de uma cidade de Curitiba para o futuro, iniciado desde 2010 com o
projeto Curitiba 2030, foi dado andamento ao projeto Curitiba 2035, lançado em
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
22 de março de 2016, envolvendo uma parceria entre Comunitas, Instituto
Arapyaú, Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Sistema Fiep) e
Prefeitura Municipal de Curitiba, além da participação da sociedade por meio de
dinâmicas de criação de inteligência coletiva (CURITIBA 2035, 2017).
Este novo projeto foi publicado para explicitar as diretrizes e ações de curto,
médio e longo prazo que nortearão as políticas de desenvolvimento sustentável da
cidade de Curitiba nos 20 anos seguintes à divulgação dele.
O Curitiba 2035 tem o propósito de instrumentalizar as aspirações e o futuro
almejado pela sociedade curitibana, bem como de suas interrelações
metropolitanas, no sentido de preparar o município para um crescimento
ordenado, um desenvolvimento socioeconômico e sustentável, aproveitando de
forma consciente as oportunidades e os investimentos inerentes à cidade,
primando pela qualidade de vida e bem-estar da população local (CURITIBA 2035,
2017).
Em seu conteúdo, revisita o estudo prospectivo Curitiba 2030, considerando
as evoluções ocorridas desde o ano de 2010 para incorporar as mudanças
significativas do contexto socioeconômico e tecnológico, dar continuidade àquilo
que já foi planejado e injetar vitalidade no planejamento de longo prazo por meio
de novas estratégias de participação social.
Sua missão é manter Curitiba como uma cidade inovadora, proporcionando a
transformação urbana de modo a atender a um futuro coletivamente desejado
para a cidade, com o pensamento de que o ser humano é considerado a medida
de todas as coisas e a cidade deve ser concebida como um lugar de encontro dos
cidadãos (CURITIBA 2035, 2017).
O desenho metodológico do projeto 2035 foi desenvolvido com fundamento
na Prospectiva Estratégica da escola francesa e no método Roadmapping.
A Prospectiva Estratégica é utilizada para a reflexão e a criação coletiva, o
planejamento de longo prazo, a investigação dos futuros possíveis e a exploração
das suas possibilidades, diferenciando-se de outras metodologias de planejamento
ao obter e analisar as opiniões de diversos atores de forma estruturada, interativa,
participativa, coordenada e sinérgica (GODET, 2011).
O Roadmapping é o método que possibilita a interação de grupos de
especialistas, a criação de visões prospectivas, a elaboração de conjuntos de ações
encadeadas em um horizonte temporal de curto, médio e longo prazos e as
representações gráficas simplificadas para expor as intenções estratégicas,
alinhando e coordenando os esforços das partes envolvidas para atender a um ou
a vários objetivos (TREITEL, 2005).
Os trabalhos foram estruturados nas etapas metodológicas de articulação de
parcerias estratégicas, realização de estudos preparatórios, engajamento de
atores-chave em encontros reflexivos, produção de inteligência coletiva e
sistematização e validação das construções coletivas.
Os estudos e as pesquisas da etapa inicial foram elaborados pelo Observatório
Sistema Fiep, de forma a apresentar os panoramas quantitativos com a
sistematização de indicadores, séries históricas e estatísticas relacionados à
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situação atual da cidade e das áreas temáticas consideradas importantes, os
estudos de Tendências com a identificação de fenômenos sociais e tecnológicos
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
relacionados a dinâmicas presentes e futuras da vida nas cidades, o benchmarking
de Cidades contendo a pesquisa sobre experiências inspiradoras de cidades
inovadoras, consideradas como referências no contexto global (CURITIBA 2035,
2017).
A construção de um modelo de consulta pública de deu com o apoio da
Comunitas, utilizando-se do aplicativo chamado Colab para obter as grandes
tendências que impactam a vida nas cidades e permitir a reflexão sobre as futuras
ações estruturantes para as nove áreas temáticas priorizadas. Segundo dados
divulgados sobre o projeto, foram contabilizadas 389 participações pelo aplicativo
(CURITIBA 2035, 2017).
A orientação estratégica, acompanhamento e cooperação técnica do projeto,
ficaram a cargo de um Comitê Executivo, composto por um grupo fixo de
representantes das instituições consorciadas e eventuais convidados, e um Comitê
Gestor, integrado por 20 entidades, sendo atores estratégicos da sociedade civil,
advindos da comunidade acadêmica, do governo, do setor empresarial e do
terceiro setor (CURITIBA 2035, 2017).
Diversos encontros de dinâmica de inteligência coletiva foram realizados,
merecendo destaque, o 1º Painel Estratégico Curitiba 2035, realizado nos dias 04
de agosto e 05 de outubro de 2016, respectivamente no Salão de Atos da
Prefeitura Municipal de Curitiba e na sede do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas do Paraná (Sebrae-PR), pois indicou a coerência no pensamento de
longo prazo para Curitiba e resultou na priorização de nove áreas temáticas
estratégicas para o horizonte de 2035 (CURITIBA 2035, 2017).
O Curitiba 2035 estabeleceu 9 (nove) temáticas estratégicas prioritárias para
o futuro de Curitiba, a saber: Cidade da Educação e do Conhecimento, Coexistência
em um Cidade Global, Governança, Meio Ambiente e Biodiversidade, Mobilidade
e Transporte, Saúde e Qualidade de Vida, Desenvolvimento Socioeconômico,
Planejamento e Gestão Urbana e Segurança (CURITIBA 2035, 2017).
Essas temáticas são tratadas em capítulos específicos do projeto e trazem os
resultados da reflexão prospectiva explicitando os seguintes elementos: situação
atual; visão de futuro; barreiras; fatores críticos de sucesso; ações de curto, médio
e longo prazos.
O produto final obtido após as reflexões prospectivas realizadas em todas
etapas metodológicas do projeto, foi organizado em um Roadmap Estratégico que
representa graficamente o caminho a ser percorrido para pela sociedade
curitibana para alcançar o futuro almejado para 2035. No dia 25 de julho de 2017,
na Sala Brasil da Prefeitura Municipal de Curitiba, foi realizado o 2º Painel
Estratégico Curitiba 2035, no qual foram apresentados e validados coletivamente
os resultados dos trabalhos desenvolvidos, disponibilizando um dashboard como
ferramenta para o público acompanhar os indicadores sobre a evolução da
municipalidade, acessível no endereço http://
[Link]/indicadores.
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R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
2.3 Temáticas prioritárias para Curitiba e o foco em Planejamento e Gestão
Urbana
A Tabela 1 aponta as temáticas prioritárias estabelecidas no Curitiba 2030 e
no Curitiba 2035, com suas diferenças básicas:
Tabela 1: Temáticas Prioritárias.
Curitiba 2030 Curitiba 2035 Diferença resumida
Cidade da Educação e do
Cidade do Conhecimento Mudança de nomenclatura
Conhecimento
Coexistência em uma Cidade Coexistência em uma Cidade
-
Global Global
Governança Governança -
Meio Ambiente e Meio Ambiente e
-
Biodiversidade Biodiversidade
Transporte e Mobilidade Mobilidade e Transporte Mudança de nomenclatura
Saúde e Bem-estar Saúde e Qualidade de Vida Mudança de nomenclatura
Absorvido por outras Absorvida por outras
Cidade em Rede
temáticas temáticas
Desenvolvimento
- Nova temática
Socioeconômico
Planejamento e Gestão
- Nova temática
Urbana
- Segurança Nova temática
Fonte: Adaptado do Curitiba 2035.
Observa-se que, das 7 (sete) temáticas prioritárias que estiveram presentes
no Curitiba 2030, todas foram mantidas no Curitiba 2035, em alguns casos, com
alteração do escopo. Especificamente com relação à temática “Cidade em Rede”,
de 2030, teve seus princípios absorvidos no espectro de outras temáticas
priorizadas para 2035.
Além disso, nota-se que foram incluídas no projeto vigente, Curitiba 2035, 3
(três) novas temáticas a saber: Desenvolvimento Socioeconômico, Planejamento e
Gestão Urbana e Segurança, resultando no total de 9 temáticas.
2.4 A temática Planejamento e Gestão Urbana e as Ações propostas para
Inovação
No âmbito do Curitiba 2035, nota-se que a temática estratégica Planejamento
e Gestão Urbana tem como escopo a discussão sobre a atuação social na produção
da cidade proposta pela ação institucional ou pelas intervenções da população.
Relativamente ao tema Gestão, este aborda a situação presente da localidade,
almejando a sistematizar práticas de administração que atendam os diferentes
interesses dos agentes sociais da cidade. Já, o tema Planejamento abrange a
reflexão sobre o futuro da cidade, buscando elaborar planos ou programas com o
Página | 507 objetivo de implementar ações preventivas ou necessárias ao contexto urbano
estudado. (CURITIBA 2035, 2017).
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
É a temática indispensável do projeto na preparação da cidade para as
constantes transformações do contexto global em curso, utilizando-se, inclusive,
da opinião da sociedade local como base para a formulação da resolução de
problemas e do desenho de políticas públicas, para garantir a efetividade da
administração pública e um futuro próspero tal como almejado.
Para o projeto, a visão de futuro da temática Planejamento e Gestão Urbana
consiste em planejar e gerir a cidade de forma integrada e democrática, com busca
constante pela equidade, humanização, inovação, inteligência, economicidade,
sustentabilidade e cidadania.
Como principais barreiras à concretização da visão referida foram elencadas:
Burocracia em processos administrativos, Pequena participação social no
acompanhamento da gestão municipal, Escassez de dados e informações sobre a
gestão pública, Comunicação ineficiente com os diferentes estratos da população,
Utilização limitada de tecnologias da informação e comunicação, Deficiência nos
modelos e ferramentas de gestão e Ausência de uma cultura de planejamento de
longo prazo. (CURITIBA 2035, 2017)
Já os fatores críticos de sucesso identificados foram: Diretrizes de Estado,
Gestão e governança, Educação e Cultura e Inovação. A partir desses fatores é que
foram propostas as 106 (cento e seis) ações de curto, médio e longo prazos para a
concretização da visão temática em questão.
Tratando-se especificamente da Inovação como fator crítico de sucesso à
concretização da visão de futuro da temática Planejamento e Gestão urbana, o
Curitiba 2035 contém ações de curto, médio e longo prazo apresentadas na Tabela
2 a seguir.
Tabela 2: Ações propostas – Temática Planejamento e Gestão Urbana - Fator
crítico Inovação.
Ação de Curto Prazo Ação de Médio Prazo Ação de Longo Prazo
Elaboração de um
Elaboração de estudos
banco com pesquisas Ampliação de sistemas
prospectivos de Ampliação de sistemas
relacionadas ao de infraestrutura
tendências sociais e de infraestrutura urbana
planejamento e à urbana inteligente nas
tecnológicas para o inteligente na RMC
gestão urbana de regionais do município
ambiente urbano
Curitiba
Implementação de
programa de
Mapeamento dos Desenvolvimento de
intercâmbio
ativos de plataforma interativa
internacional de
conhecimento e para coleta de práticas Ampliação da rede de
profissionais de
inovação relacionados de ação urbana fibra ótica na RMC
planejamento e gestão
ao planejamento e à realizadas pela
para desenvolvimento
gestão urbana população
de projetos de inovação
urbana
Criação de premiação
Criação de aplicativos Instituição do uso de
para startups com as
com informações que drones para
melhores contribuições
facilitem a vida monitoramento da
para o planejamento e
Página | 508 cotidiana da população cidade em tempo real
a gestão urbana
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
Elaboração de estudo
Desenvolvimento de de métodos menos Elaboração de um
evento bienal invasivos para a modelo de resiliência
internacional, em manutenção de no sistema de
Curitiba, com foco em instalações segurança de dados da
inovação urbana subterrâneas de cidade
infraestrutura
Desenvolvimento de
Produção de estudo aplicativos de
Criação de concursos sobre utilização de realidade aumentada
para identificação de mobiliário urbano para fornecimento de
soluções urbanas flexível136 em diversos serviços de informação
inovadoras espaços públicos da e orientação da
cidade população que transita
em Curitiba
Elaboração de estudo
Instituição de de viabilidade sobre
premiação para redução de entraves
tecnologias sociais em burocráticos para o
planejamento e gestão desenvolvimento de
urbana soluções urbanas
inovadoras
Fonte: Adaptado do Curitiba 2035.
Essas ações propostas são coerentes com o pensamento de Curitiba em se
tornar uma cidade cada vez mais inteligente por meio de um bom planejamento
estratégico municipal focado para o futuro.
2.5 Trabalhos anteriores
Os trabalhos anteriores a respeito de tema semelhante ao objeto do presente
estudo, mas em outro contexto, demonstra a utilidade da escolha de uma capital
como cidade a ser analisada e as variáveis escolhidas neste estudo para avaliar o
projeto Curitiba 2035 e a evolução deste município para a posição atual de cidade
mais inteligente do Brasil.
O estudo de Macadar e Freitas (2013) analisou a algumas iniciativas de Porto
Alegre, no sentido de se tornar uma cidade mais inteligente e os resultados
indicaram que esta cidade atende aos requisitos para isso.
Também houve o estudo de Schreiner (2016) sobre a experiência do Rio de
Janeiro como cidade inteligente, concluindo-se que se trata de um modelo de
sucesso, com grau de maturidade elevado, porém, precisa continuar evoluindo e
contar com forte apoio institucional, para que cada vez mais a população possa
usufruir dos benefícios das inovações tecnológicas aplicadas aos desafios do dia a
dia da cidade.
3 METODOLOGIA DE PESQUISA
Página | 509
Com relação aos fins, a pesquisa classifica-se como descritiva, com enfoque
qualitativo, pois pretende descrever características de uma população e
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
estabelecer relações entre esses dados. Como ensina Lakatos (2017), o
levantamento de dados do trabalho se deu por pesquisa documental ou de fontes
primárias e por pesquisa bibliográfica ou de fontes secundárias cuja autoria é
conhecida.
O período de tempo de estudo compreende o período entre os anos de 2015
a 2018, pelas seguintes razões: a) o Ranking Connected Smart Cities é o principal
estudo sobre cidades inteligentes do Brasil e foi lançado em 2015; b) o projeto
Curitiba 2035 foi lançado em 22 de março de 2016; c) a avaliação do Ranking
Connected Smart Cities é feita anualmente; d) a última edição do Ranking
Connected Smart Cities foi divulgada em 4 de setembro de 2018, sendo que, das
700 (setecentas) cidades participantes, o resultado apontou Curitiba como a
cidade mais inteligente do Brasil (SMARTCITIES, 2018); e) a utilização de um
ranking de cidades leva à obtenção de um indicativo oficial, objetivo, atual e
atrativo da evolução da posição da cidade de Curitiba nas temáticas estratégicas
do Curitiba 2035 no lapso temporal decorrido desde o seu lançamento até a
elaboração deste trabalho, como recomendado por Griffing e Haindi (2009, p. 2).
Os dados, objeto do presente estudo e úteis à presente pesquisa para fins de
comparação, são provenientes da internet, em sítios eletrônicos e em documentos
públicos. A coleta de dados foi feita por meio de consulta a livros, artigos de
revistas especializadas e documentos disponíveis na internet, com ênfase nos
dados públicos disponíveis no site do Curitiba 2035 e da Connected Smart Cities. O
levantamento de dados buscou informações nos dados de livre acesso na internet
e do próprio banco de dados dos sítios eletrônicos consultados.
O procedimento de coleta de dados se deu com as seguintes etapas. Iniciou-
se com a identificação e avaliação do conteúdo do projeto Curitiba 2035, via sítio
eletrônico específico. Na sequência, no site da Connected Smart Cities, foram
analisados os resultados da avaliação da cidade de Curitiba como inteligente,
conectada e sustentável.
Em seguida, por meio do acesso ao sítio eletrônico do Ranking Connected
Smart Cities dos anos de 2015, 2016, 2017 e 2018, foram coletadas as classificações
da cidade de Curitiba de forma geral e por eixos específicos da avaliação: região,
porte, mobilidade e acessibilidade, urbanismo, meio ambiente, energia, tecnologia
e inovação, saúde, segurança, educação, empreendedorismo, governança e
economia.
Análise dos dados obtidos da internet foi descritiva. Os dados foram tabulados
no Microsoft Excel para possibilitar a comparação.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
O estudo da evolução da cidade de Curitiba desde o ano anterior ao
lançamento do projeto Curitiba 2035 até a última edição do Ranking Connected
Smart Cities é apresentado em duas partes considerando dados dos anos de 2015
a 2018, com foco neste último. A primeira parte apresenta a comparação das
temáticas priorizadas pelo Curitiba 2030, pelo Curitiba 2035 e, em seguida, o
alinhamento destas com os temas avaliados pelo Ranking Connected Smart Cities.
A segunda parte apresenta os dados da classificação de Curitiba no Ranking
Página | 510
Connected Smart Cities e as evidências de uma evolução em eixos temáticos que
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
seriam importantes ao planejamento da cidade para um futuro melhor es estão
presentes no Curitiba 2035.
4.1 O Curitiba 2035 e o Ranking Connected Smart Cities
Diante das temáticas estratégicas que vem sendo priorizadas no planejamento
do futuro da cidade de Curitiba, desde a divulgação do Curitiba 2035, importante
analisar se estão alinhadas à tendência nacional atual sobre a construção de um
futuro promissor para as cidades do futuro, visando à efetividade da administração
pública e a melhor qualidade de vida da população local.
Para poder avaliar o projeto de Curitiba e sua posição no cenário nacional, é
possível adotar uma abordagem objetiva e quantitativa concentrada em questões
que são mensuráveis, focada em analisar uma ampla gama de indicadores e que
forneça informações específicas para facilmente identificar cidades inteligentes
com perfis interessantes que podem vir a ser exemplos de ‘boas práticas’
(GRIFFING e GRUDUN, 2010).
Assim, chegou-se à ideia da utilização de um ranking de cidades inteligentes
que trouxesse dados objetivos e atuais sobre o tema de planejamento do futuro
das cidades, utilizado e reconhecido em âmbito nacional, além de desenvolvido
por empresas reconhecidas no mercado, para proporcionar uma posição sobre a
situação do projeto Curitiba 2035 em relação ao tratamento atual dado
nacionalmente ao tema.
O Ranking Connected Smart Cities, lançado em 2015, que mapeia e classifica
as cidades com maior potencial de desenvolvimento no Brasil, através de
indicadores que analisam como esses centros urbanos investem em planejamento
e ações para se tornarem mais inteligentes, conectadas, humanas e sustentáveis.
A avaliação das cidades é feita anualmente por meio de uma metodologia
desenvolvida pela Urban Systems atuante no ramo de consultoria há 20 (vinte)
anos com publicações de estudos sobre o tema, em parceria com a Sator, empresa
líder na elaboração de plataforma de negócios, a partir do levantamento das
principais publicações nacionais e internacionais, em organismos nacionais como
Ministérios, Secretarias, Agências Reguladoras, entre outros para elencar
indicadores possíveis de se mensurar dentro da realidade brasileira (CSC-19).
Com meios de avaliação como esse ranking, é possível que os gestores
municipais adquiram o conhecimento sobre o estado atual e o nível de evolução
da cidade que conduzem, além do real comprometimento de sua gestão com a
concretização das ações planejadas para a obtenção de um futuro positivo para a
comunidade local, podendo, com isso, fazer mais do que simplesmente cumprir o
que lhes é exigido legalmente para gerir o município, utilizando-se de práticas de
planejamento que garantirão a perenidade da administração pública, bem como
refletirão positivamente para a sociedade atual e para as futuras gerações.
Por este motivo, entende-se importante expor as linhas gerais deste ranking
para facilitar a compreensão da sua importância para a construção de uma melhor
cidade para o futuro e sua utilidade para obter dados sobre a evolução da cidade
com o projeto para o futuro de 2035.
Página | 511
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
O Connected Smart Cities se preocupa com a construção de cidades mais
inteligentes, humanas e sustentáveis com os seguintes princípios: Integração,
Inovação, Colaboração, Transparência e Foco nas pessoas (CSC-19).
Importante salientar o conceito de Cidades Inteligentes adotado pelo
Connected Smart Cities focado na conectividade e os exemplos a se refere: “O
Conceito de Conectividade sendo a relação existente entre os diversos setores
analisados”. O conceito de smart cities considerado entende que o
desenvolvimento só é atingido quando os agentes de desenvolvimento da cidade
compreendem o poder de conectividade entre todos os setores.
Exemplo disso é a consciência de que investimentos em saneamento estão
atrelados não apenas aos ganhos ambientais, como aos ganhos em saúde, que irão
a longo prazo reduzir os investimentos na área (atendimentos de saúde básica) e
consequentemente impactarão em questões de governança e até mesmo
economia.
Outro exemplo é a importância da educação, não apenas como índices básicos
de atendimento do serviço e qualidade do ensino, mas o poder que ela possui na
formação e reprodução dos potenciais de cada cidade. O entendimento das
potencialidades locais e regionais permitem a atração de investidores e a criação
de cursos atrelados às cadeias produtivas da região, que irão repercutir na atração
de empresas e ampliação dos clusters, bem como possibilitar uma melhoria na
condição social, que terá impacto em todos os demais setores.
A Importância da sustentabilidade econômica como base da sustentabilidade
ambiental e social, uma vez que entendemos que não seja possível que municípios
atinjam sustentabilidade ambiental ou social, sem a base de um desenvolvimento
econômico que garantirá uma reprodução dos ganhos nas outras esferas.
Vale ressaltar que os exemplos de conexões dos setores são numerosos e essa
visão, que apoia a escolha dos indicadores e eixos desenvolvidos, não busca
substituir outras visões existentes de cidades inteligentes, porém entendendo o
distanciamento das cidades brasileiras em relação às cidades inteligentes
internacionais (smart), temos como objetivo apontar eixos de melhora e
municípios de inspiração para as cidades analisadas”. (RANKING, 2018).
A avaliação das cidades é feita anualmente, identificando as 100 (cem) cidades
mais inteligentes e conectadas do Brasil.
A última avaliação realizada ocorreu em 2018, com a participação de 700
(setecentas) cidades, sendo analisadas todas as cidades com mais de 50 mil
habitantes a partir de 70 indicadores, em 11 eixos temáticos: Mobilidade,
Urbanismo, Meio Ambiente, Energia, Economia, Tecnologia e Inovação, Educação,
Saúde, Segurança, Empreendedorismo, Governança.
A Tabela 3 aponta as temáticas prioritárias estabelecidas no Curitiba 2030 e
no Curitiba 2035, fazendo uma correlação aos eixos temáticos do Ranking
Connected Smart Cities:
Página | 512
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
Tabela 3: Temáticas Prioritárias.
Ranking Connected Smart
Curitiba 2030 Curitiba 2035
Cities
Cidade da Educação e do
Cidade do Conhecimento -
Conhecimento
Coexistência em uma Cidade Coexistência em uma Cidade
-
Global Global
Governança Governança Governança
Meio Ambiente e Meio Ambiente e
Meio Ambiente
Biodiversidade Biodiversidade
Transporte e Mobilidade Mobilidade e Transporte Mobilidade
Saúde e Bem-estar Saúde e Qualidade de Vida Saúde
Absorvido por outras Pode estar absorvido em
Cidade em Rede
temáticas outras temáticas
Desenvolvimento Economia
-
Socioeconômico Empreendedorismo
Urbanismo
Planejamento e Gestão
- Energia
Urbana
Tecnologia e Inovação
- Segurança Segurança
Fonte: Adaptado de Curitiba 2035 e Ranking Connected Smart Cities
([Link]
Diante das temáticas que vem sendo priorizadas pelo Curitiba 2035 e os
indicadores avaliados pelo Ranking Connected Smart Cities, verifica-se que estão
bastante alinhadas e isso denota que o projeto referido tem acompanhando a
tendência nacional propondo ações para os temas, de fato, de maior importância
para o planejamento de um futuro o mais promissor possível para a
municipalidade.
Tanto é assim que o documento que instrumentaliza o Curitiba 2035, ao
detalhar a temática Planejamento e Gestão Urbana cita a posição nacional da
cidade neste ranking específico, à época do lançamento do projeto, e ao expor as
ações propostas para o fator crítico de sucesso, Inovação, verifica-se que estas
tratam de assuntos que também são presentes nos quesitos avaliados pelo ranking
citado.
4.2 A evolução de Curitiba como cidade mais inteligente do Brasil
Para obter dados sobre o compromisso público de Curitiba com a sua evolução
para um futuro promissor, como almejado no projeto Curitiba 2035, optou-se pela
coleta do resultado do Ranking Connected Smart Cities quanto à classificação desta
cidade, nos anos de 2015 a 2018, período que abrange o ano imediatamente
anterior ao lançamento do projeto para 2035 e vai até a última edição divulgada
do ranking.
Página | 513
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
A 4ª e última edição do Ranking Connected Smart Cities, realizada em 2018,
foi composta por 100 (cem) cidades, sendo que os Ranking Setoriais apresentaram
os resultados até a 50ª posição (RANKING, 2018).
A apresentação do resultado da avaliação das cidades se dá com a indicação
da posição geral da cidade, mas também por eixo temático, por região geográfica
e por porte (quantidade de habitantes), a fim de que as cidades possam se inspirar
por ações existentes em outros municípios a fim de aprimorar pontos em que não
estejam tão bem avaliadas.
No que se refere à cidade de Curitiba, a Tabela 4 traz o comparativo da sua
posição no ranking, geral e por eixos temáticos, no intervalo de 4 (quatro) anos, de
2015 a 2018, para poder possibilitar a análise da evolução ou não da sua
classificação desde o lançamento do Curitiba 2035 até a última divulgação do
ranking.
Tabela 4: Posição de Curitiba no Ranking Connected Smart Cities.
Eixo 2015 2016 2017 2018
Geral 5º 3º 2º 1º
Região * - - 3º 1º
Porte (Mais de 500
- - - 1º
mil habitantes) *
Mobilidade e
4º 4º 4º 7º
Acessibilidade
Urbanismo 4º 1º 3º 2º
Meio Ambiente 2º 4º 2º 20º
Energia Abaixo de 10º Abaixo de 10º Abaixo de 50º Abaixo de 50º
Tecnologia e
Abaixo de 10º 8º 4º 3º
Inovação
Saúde Abaixo de 10º Abaixo de 10º 34º 33º
Segurança Abaixo de 10º Abaixo de 10º Abaixo de 50º 44º
Educação 6º Abaixo de 10º 1º 5º
Empreendedorismo Abaixo de 10º Abaixo de 10º 3º 2º
Governança 1º 1º 3º 1º
Economia Abaixo de 10º Abaixo de 10º 11º 9º
Fonte: Adaptado do sítio eletrônico do Ranking Connected Smart Cities.
* Com relação a esses eixos, não foram encontrados os dados necessários
nos documentos pesquisados sobre o Ranking Connected Smart Cities para fazer
o estudo comparativo.
Página | 514
Pela coleta de dados, verificou-se que Curitiba conquistou o 1º lugar no
ranking geral de cidades mais inteligentes do Brasil em 2018. A capital paranaense
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
conquistou, ainda, o 1º lugar nas categorias por faixa populacional com mais de
500 (quinhentos) mil habitantes, pela região sul e pelo tema governança.
Classificou-se em 2º lugar nos aspectos de empreendedorismo e urbanismo, além
de ocupar a 3ª posição na categoria de tecnologia e inovação.
Cumpre salientar que, o ranking emitiu uma nota específica sobre o excelente
resultado geral obtido por Curitiba na pesquisa, destacando também alguns eixos
nos quais a cidade atingiu uma ótima posição, conforme segue:
A cidade de Curitiba atinge em 2018 a 1ª colocação no Ranking
Connected Smart Cities, conquistando também a primeira posição
no eixo Governança, que apresenta indicadores de investimento
municipal, gestão e transparência.
Além de Governança, a capital paranaense destaca-se também
por ter subido posição nos eixos de: Urbanismo (2ª colocada),
Empreendedorismo (2ª), Tecnologia e Inovação (3ª), Educação
(5ª) e Economia (9ª).
Mobilidade e Urbanismo, eixo que a cidade já se destaca há alguns
anos, é outro importante setor que auxilia na posição de Curitiba
como a mais inteligente no Brasil (RANKING, 2018).
Analisando os indicadores do Ranking Connected Smart Cities nos quais
Curitiba obteve uma posição de elevado destaque na classificação das cidades,
verifica-se que vários destes estão relacionados com as temáticas estratégicas do
Curitiba 2035. Especialmente em relação à temática Planejamento e Gestão
Urbana do projeto, com foco no fator crítico de sucesso Inovação, os dados da
pesquisa evidenciam uma evolução da cidade neste aspecto, desde o lançamento
do Curitiba 2035, pela pontuação nos assuntos de urbanismo, empreendedorismo,
tecnologia e inovação – está entre as 3 (três) primeiras cidades, além da
manutenção de uma louvável posição nos tópicos de mobilidade, acessibilidade e
economia – está entre as 10 (dez) primeiras cidades.
Especificamente no tocante ao eixo temático empreendedorismo, oportuno
salientar a sua importância para a cidade, pois, para esta alcançar o futuro
desejado, não basta possuir um planejamento de excelência, mas também
necessita manter o espírito empreendedor dos gestores públicos e dos cidadãos
locais para colocarem em prática as ações planejadas e monitorar a execução
destas em sua plenitude a fim de gerar resultados benéficos para todos.
Isso porque, segundo Drucker (1987): Os empreendedores estão sempre
buscando mudanças, reagem a elas e as exploram como sendo oportunidades,
nem sempre vistas pelos demais. São pessoas que criam algo novo, diferente,
mudam ou transformam valores, não restringindo o seu empreendimento a
instituições exclusivamente econômicas. São essencialmente inovadores, com
capacidade para conviver com riscos e incertezas envolvidos nas decisões.
Os tópicos nos quais Curitiba alcançou bons resultados se coadunam ao
conceito de cidade inteligente de Kitchin (2014) como aquela cuja economia e a
governança está sendo conduzida pela inovação, pela criatividade e pelo
empreendedorismo, sendo promulgada por pessoas inteligentes.
Segundo notícia divulgada sobre a cerimônia de abertura do Connected Smart
Página | 515
Cities, realizada no dia 4 de setembro de 2018, em São Paulo, o Prefeito de
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
Curitiba, Sr. Rafael Greca, enfatizou que as ações desenvolvidas em Curitiba
contribuíram para a cidade se tornar uma cidade mais inteligente e que:
O município tem o compromisso de melhorar a qualidade de vida
dos curitibanos com uma gestão moderna e inteligente. Dessa
forma, a Prefeitura vem incentivando e fomentando esse
ambiente de inovação da cidade com o Vale do Pinhão, o
movimento de todas as áreas da Prefeitura e do próprio
ecossistema da capital para tornar a cidade a mais inteligente do
País”. (...) E, como resultado destes esforços, a capital vem
subindo ano a ano no Ranking Connected Smart Cities e, em 2018,
atingiu o primeiro lugar no Ranking Geral e em todas as categorias.
Este reconhecimento mostra que a cidade está no caminho certo
(Notícia on-line, 2018).
Entretanto, apesar de Curitiba ter alcançado resultados expressivos na
avaliação do ranking e melhorado sua posição em diversos temas culminando com
o recebimento do 1º lugar dentre as cidades mais inteligentes, o ranking também
indicou que a cidade pode estar deixando a desejar em eixos básicos e essenciais
à adequada qualidade de vida da população local, como se vê nas posições nada
enaltecíeis em que foi classificada nos eixos meio ambiente, energia, saúde e
segurança – está na 20ª posição ou muito abaixo desta.
De maneira geral, o resultado atingido por Curitiba no ranking denota uma
genuína preocupação da gestão municipal com vários temas estratégicos
constantes no Curitiba 2035, uma crescente e rápida evolução em seu
desenvolvimento como cidade inteligente, além do aprimoramento no seu
planejamento para o futuro, com potencial para melhorar ainda.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conforme estão evoluindo as cidades como grandes centros de aglomeração
urbana, mais desafios vem surgindo aos gestores municipais para lidar com os
assuntos locais que conduzem, tendo que se preocupar com a boa gestão dos
municípios e com soluções cada vez mais inovadoras para tratar as constantes e
novas problemáticas decorrentes disto atender aos anseios dos munícipes.
Neste contexto, se insere a necessidade de se pensar num planejamento
estratégico municipal como ferramenta para a construção de uma cidade
inteligente voltada para o futuro, sendo bem organizado e com ações de curto,
médio e longo prazo que efetivamente venham a ser implementadas, monitoradas
e aprimoradas ao longo do tempo, num processo contínuo de reavaliação da
situação do município frente aos desafios, às barreiras e aos fatores críticos de
sucesso, sempre visando à excelência e perenidade da boa gestão pública.
Este estudo teve como objetivo principal descrever os anseios e desafios de
uma cidade para alcançar um futuro promissor por meio de um planejamento
estratégico objetivo, moderno, com ações de longo prazo, visando à adequada
qualidade de vida dos munícipes e a perenidade da boa administração pública do
município.
Para subsidiar a conclusão do presente trabalho, foi analisado o planejamento
Página | 516 da cidade de Curitiba para o futuro do ano de 2035, chamado Curitiba 2035, com
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
foco nas temáticas estratégicas priorizadas neste projeto, especialmente,
Planejamento e Gestão Urbana e seu fator crítico de sucesso Inovação.
A fim de avaliar a convergência do projeto de âmbito municipal, Curitiba 2035,
com as ações reconhecidas no território brasileiro como relevantes ao
planejamento de cidades para o futuro, foi utilizado o Ranking Connected Smart
Cities, que opera desde 2015 e permanece até o corrente ano sendo divulgado
anualmente com a finalidade de reconhecer publicamente as cidades com mais
possibilidades de desenvolvimento promissor.
Foi constatado não haver diferença significante nos tópicos de interesse do
projeto Curitiba 2035 e do Ranking Connected Smart Cities relacionados com o
tema em estudo, da forma como está divulgado em seus documentos corporativos
e em informativos de sítios eletrônicos pesquisados.
Analisando os temas priorizados no planejamento do projeto Curitiba 2035
para implementar ações futuras no município, constatou-se que estão
acompanhando à tendência nacional de assuntos considerados mais importantes
para se obter um futuro positivo para a municipalidade, tendo em vista que se
alinham perfeitamente com os eixos temáticos pelos quais as cidades são avaliadas
no Ranking Connected Smart Cities.
Por conta do alinhamento dos tópicos que interessam ao Curitiba 2035 e ao
ranking citado para avaliar o compromisso da cidade de Curitiba com o futuro, a
classificação desta na pesquisa anual, se tornou um ponto relevante a ser levado
em consideração neste trabalho.
Os resultados obtidos por Curitiba no Ranking Connected Smart Cities, no
período compreendido entre os anos de 2015 a 2018, possibilitaram entender e
concluir que, o fato de a capital paranaense ter sido classificada em 1º lugar, no
Brasil, dentre as cidades mais inteligentes, conectadas, humanas e sustentáveis,
pela avaliação da 4ª edição da pesquisa divulgada no ano de 2018, além de ter
obtido uma boa posição em diversos eixos temáticos específicos da avaliação,
pode ser considerado um indicativo de que o Curitiba 2035 teve influência na
evolução positiva deste município desde o seu lançamento em 2016 e está sendo
uma ferramenta de grande valia para a construção de uma cidade com foco no
melhor futuro possível, tendo potencial para se tornar um instrumento
indispensável no planejamento estratégico da municipalidade dos próximos anos.
Ficou evidenciado que a realização do planejamento estratégico municipal de
forma organizada, especializada, coletiva e participativa, com ações de curto,
médio e longo prazos sem se limitar apenas ao ciclo do mandato político de 4
(quatro) anos dos gestores municipais, oferece para os municípios e seus
munícipes mais retorno positivo. Uma proposta de natureza empreendedora pode
contribuir com os municípios preocupados com seu desenvolvimento local e com
os desafios políticos, sociais, ambientais, financeiros e de gestão.
Observou-se que, de maneira geral, pelas posições que a capital atingiu no
ranking integra um grupo de cidades de grande porte e representativa de sua
região geográfica. Pelas melhores classificações obtidas por Curitiba no ranking,
denota-se que possuem relação com a temática estratégica Planejamento e
Gestão Urbana e seu fator crítico de sucesso Inovação do Curitiba 2035.
Página | 517 Por outro lado, quando analisadas a situação em que a capital se encontra no
ranking em assuntos de relevância básica municipal, como meio ambiente,
R. bras. Planej. Desenv., Curitiba, v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019.
educação, saúde, segurança, ficaram evidenciados pontos de atenção significantes
para o município de Curitiba ter que tratar num futuro muito próximo, haja vista
que se encontra muito abaixo das 10 (dez) primeiras cidades do futuro em tópicos
de natureza essencial à comunidade local, revelando uma possível falha na
preocupação com esses temas na vigência do Curitiba 2035.
Verificou-se que, iniciativas como o Curitiba 2035, procuram materializar um
planejamento estratégico municipal, como uma ferramenta útil e importante para
que a gestão da cidade se torne tecnicamente mais competente, além de estimular
um processo de reflexão dos gestores sobre as questões básicas ligadas às
necessidades da comunidade local para reavaliar as ações em andamento e
adequá-las à realidade presente no momento adequado.
Notou-se que, ao buscarem a adoção das melhores práticas de planejamento
estratégico para construir ações municipais voltadas para um futuro positivo e
perene, certamente as cidades contribuem para a melhoria da qualidade de vida
da sociedade local e para a eficiência da administração pública no atingimento dos
objetivos almejados, podendo, inclusive, ser valorizadas no âmbito nacional de
maneira a obter retorno positivo a sua imagem e que possa ser convertido em
novas ações que foquem no desenvolvimento político, social, econômico e
ambiental integrados da municipalidade.
Apesar dos resultados obtidos, não se pode ignorar que o presente trabalho
apresenta limitações à quantidade de dados utilizados na amostra analisada, ao
tema escolhido, ao período abrangido e às variáveis adotadas para a análise
comparativa, tendo em vista que muitos podem ser os potenciais indicativos de
evolução e compromisso da cidade com um futuro bem planejado e promissor.
Destarte, sugerem-se futuros estudos com uma amostra maior de dados, com
comparação entre cidades de mesmo porte, com outras técnicas de pesquisa e até
com a finalidade de contribuir para a melhoria do planejamento estratégico dos
municípios enfatizando a sua relação com o nível de comprometimento destes
com todos os temas relevantes para a construção de uma cidade dos sonhos do
futuro, nacionalmente reconhecida, e que consiga manter o status adquirido de
maneira estável ao longo dos anos.
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The municipal strategic planning for a smart
city under the Curitiba 2035 opinion and
the Ranking Connected Smart Cities
ABSTRACT
The configuration of Brazilian urban expansion reflects the existing disparities in space that
are directly related to social fragmentation, with clear divisions between ideal habitable
environments and those with severe weaknesses. In this sense, we cite real estate
organization and speculation as intrinsic elements of fragmentation and socio-spatial
articulation. The objective of this work is to study the real estate organization of the
municipalities of São Miguel / RN and Pau dos Ferros / RN, considering the territorial
dynamics associated with them. Therefore, the search for existing real estate and the
verification of urban expansion in these municipalities was carried out, with attention to
the areas close to public higher education institutions for Pau dos Ferros / RN from satellite
images. It was found that the real estate organization of a city varies according to the
territorial dynamics present in it: the climate, the service rate, commerce and work are
preponderant elements in the differentiation of the commercial real estate arrangement
of São Miguel / RN and Pau dos Irons / RN. With regard to real estate speculation, the
holders of capital act in the acquisition of real estate for valuation and subsequent
profitability, either through sale with higher value, or through investments that have the
function of generating profit by the lease.
KEY WORDS: Urban formation; real estate organization; socio-spatial segregation.
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Recebido: 30 jun. 2019.
Aprovado: 04 ago. 2019.
DOI: 10.3895/rbpd.v8n3.9918
Como citar: LOCATELLI, S. A. D.; VICENTIN, I. C. O planejamento estratégico municipal para uma cidade
inteligente sob a ótica do Curitiba 2035 e o ranking connected smart cities. R. bras. Planej. Desenv. Curitiba,
v. 8, n. 3, p. 497-522, set./dez. 2019. Disponível em: <[Link] Acesso em: XXX.
Correspondência:
Silvia Assunção Davet Locatelli
Avenida Sete de Setembro, 3165 – Rebouças - Curitiba - PR
Direito autoral: Este artigo está licenciado sob os termos da Licença CreativeCommons-Atribuição 4.0
Internacional.
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