Números Complexos
A construção dos números complexos passou por diversos
obstáculos, que levaram em média 300 anos para serem
vencidos, desenvolvendo, assim, teorias referentes a esse
conjunto numérico.
Aprenda como utilizar o i².
Historicamente, os números complexos
começaram a ser estudados graças à grande
contribuição do matemático Girolamo Cardano
(1501-1576). Esse matemático mostrou que
mesmo tendo um termo negativo em uma raiz
quadrada era possível obter uma solução para a
equação do segundo grau: x2 – 10x +40 = 0. Essa
contribuição foi de grande importância, pois até
então os matemáticos não acreditavam ser possível
extrair a raiz quadrada de um número negativo. A
partir dos estudos de Girolamo Cardano, outros
matemáticos estudaram sobre esse impasse na
matemática, obtendo uma formalização rigorosa
Object 1
com Friedrich Gauss (1777-1855).
O conjunto dos números complexos é o conjunto que possui maior cardinalidade, afinal ele contém
todos os outros conjuntos. É necessário, pois, compreender os processos das operações (aritméticas,
trigonométricas, algébricas) envolvendo elementos desse conjunto, assim como a representação
geométrica dos números complexos.
Portanto, nessa seção serão abordados assuntos como: concepções básicas do número complexo,
operações aritméticas com números complexos, operações trigonométricas com os números
complexos, o Plano de Argand-Gauss, entre outros artigos que se relacionam com os números
complexos – números de grande importância e aplicabilidade.
A origem de i ao quadrado igual a -1
No estudo dos números complexos deparamo-nos com a seguinte igualdade: i2 = – 1.
A justificativa para essa igualdade está geralmente associada à resolução de equações do 2º grau
com raízes quadradas negativas, o que é um erro. A origem da expressão i2 = – 1 aparece na
definição de números complexos, outro assunto que também gera muita dúvida. Vamos
compreender o motivo de tal igualdade e como ela surge.
Primeiro, faremos algumas definições.
1. Um par ordenado de números reais (x, y) é chamado de número complexo.
2. Os números complexos (x1, y1) e (x2, y2) são iguais se, e somente se, x1 = x2 e y1 = y2.
3. A adição e a multiplicação de números complexos são definidas por:
(x1, y1) + (x2, y2) = (x1 + x2 , y1 + y2)
(x1, y1)*(x2, y2) = (x1*x2 – y1*y2 , x1*y2 + y1*x2)
Exemplo 1. Considere z1 = (3, 4) e z2 = (2, 5), calcule z1 + z2 e z1*z2.
Solução:
z1 + z2 = (3, 4) + (2, 5) = (3+2, 4+5) = (5, 9)
z1*z2 = (3, 4)*(2, 5) = (3*2 – 4*5, 3*5 + 4*2) = (– 14, 23)
Utilizando a terceira definição fica fácil mostrar que:
(x1, 0) + (x2, 0) = (x1 + x2, 0)
(x1 , 0)*(x2, 0) = (x1*x2, 0)
Essas igualdades mostram que no que diz respeito às operações de adição e multiplicação, os
números complexos (x, y) se comportam como números reais. Nesse contexto, podemos estabelecer
a seguinte relação: (x, 0) = x.
Usando essa relação e o símbolo i para representar o número complexo (0, 1), podemos escrever
qualquer número complexo (x, y) da seguinte forma:
(x, y) = (x, 0) + (0, 1)*(y, 0) = x + iy → que é a chamada de forma normal de um número complexo.
Assim, o número complexo (3, 4) na forma normal fica 3 + 4i.
Exemplo 2. Escreva os seguintes números complexos na forma normal.
a) (5, – 3) = 5 – 3i
b) (– 7, 11) = – 7 + 11i
c) (2, 0) = 2 + 0i = 2
d) (0, 2) = 0 + 2i = 2i
Agora, observe que chamamos de i o número complexo (0, 1). Vejamos o que ocorre ao fazer i2.
Sabemos que i = (0, 1) e que i2 = i*i. Segue que:
i2 = i*i = (0, 1)*(0, 1)
Utilizando a definição 3, teremos:
i2 = i*i = (0, 1)*(0, 1) = (0*0 – 1*1, 0*1 + 1*0) = (0 – 1, 0 + 0) = (– 1, 0)
Como vimos anteriormente, todo número complexo da forma (x, 0) = x. Assim,
i2 = i*i = (0, 1)*(0, 1) = (0*0 – 1*1, 0*1 + 1*0) = (0 – 1, 0 + 0) = (– 1, 0) = – 1.
Chegamos à famosa igualdade i2 = – 1.
Adição, subtração e multiplicação de número
complexo
Os números complexos são escritos na sua forma algébrica da seguinte forma: a + bi, sabemos que
a e b são números reais e que o valor de a é a parte real do número complexo e que o valor de bi é a
parte imaginária do número complexo.
Podemos então dizer que um número complexo z será igual a a + bi (z = a + bi).
Com esses números podemos efetuar as operações de adição, subtração e multiplicação,
obedecendo à ordem e características da parte real e parte imaginária.
Adição
Dado dois números complexos quaisquer z1 = a + bi e z2 = c + di, ao adicionarmos teremos:
z1 + z2
(a + bi) + (c + di)
a + bi + c + di
a + c + bi + di
a + c + (b + d)i
(a + c) + (b + d)i
Portanto, z1 + z2 = (a + c) + (b + d)i.
Exemplo:
Dado dois números complexos z1 = 6 + 5i e z2 = 2 – i, calcule a sua soma:
(6 + 5i) + (2 – i)
6 + 5i + 2 – i
6 + 2 + 5i – i
8 + (5 – 1)i
8 + 4i
Portanto, z1 + z2 = 8 + 4i.
Subtração
Dado dois números complexos quaisquer z1 = a + bi e z2 = c + di, ao subtraímos teremos:
z1 - z2
(a + bi) - (c + di)
a + bi – c – di
a – c + bi – di
(a – c) + (b – d)i
Portanto, z1 - z2 = (a - c) + (b - d)i.
Exemplo:
Dado dois números complexos z1 = 4 + 5i e z2 = -1 + 3i, calcule a sua subtração:
(4 + 5i) – (-1 + 3i)
4 + 5i + 1 – 3i
4 + 1 + 5i – 3i
5 + (5 – 3)i
5 + 2i
Portanto, z1 - z2 = 5 + 2i.
Multiplicação
Dado dois números complexos quaisquer z1 = a + bi e z2 = c + di, ao multiplicarmos teremos:
z1 . z2
(a + bi) . (c + di)
ac + adi + bci + bdi2
ac + adi + bci + bd (-1)
ac + adi + bci – bd
ac - bd + adi + bci
(ac - bd) + (ad + bc)i
Portanto, z1 . z2 = (ac + bd) + (ad + bc)I.
Exemplo:
Dado dois números complexos z1 = 5 + i e z2 = 2 - i, calcule a sua multiplicação:
(5 + i) . (2 - i)
5 . 2 – 5i + 2i – i2
10 – 5i + 2i + 1
10 + 1 – 5i + 2i
11 – 3i
Portanto, z1 . z2 = 11 – 3i.
Argumento de um número complexo
Os números complexos são uma extensão do conjunto dos números reais. Na verdade, número
complexo é um par ordenado de números reais (a, b). Escrito na forma normal, o par ordenado (a, b)
fica z = a + bi. Representando esse número complexo no plano de Argand-Gauss, teremos:
O segmento de reta OP é chamado de módulo do número complexo. O arco formado entre o eixo
horizontal positivo e o segmento OP, no sentido anti-horário, é chamado de argumento de z.
Observe a figura abaixo para determinarmos as características do argumento de z.
No triângulo retângulo formado, podemos afirmar que:
Podemos constatar, também, que:
Ou
Exemplo 1. Dado o número complexo z = 2 + 2i, determine o módulo e o argumento de z.
Solução: Pelo número complexo z = 2 + 2i, sabemos que a = 2 e b = 2. Segue que:
Exemplo 2. Determine o argumento do número complexo z = – 3 – 4i.
Solução: Para determinar o argumento de z, precisamos conhecer o valor de |z|. Assim, como a = –
3 e b = – 4, teremos:
Nos casos em que o argumento não for um ângulo notável, é preciso determinar o valor de sua
tangente, como feito no exemplo anterior, para só depois podermos afirmar quem é o argumento.
Exemplo 3. Dado o número complexo z = – 6i, determine o argumento de z.
Solução: Vamos calcular o valor do módulo de z.
Conjunto dos números complexos
Os números naturais surgiram da necessidade do homem de relacionar objetos a quantidades, os
elementos que pertencem a esse conjunto são:
N = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, ...}, o zero surgiu posteriormente, com a finalidade de
expressar algo nulo no preenchimento posicional.
O conjunto dos números naturais surgiu simplesmente com o propósito da contagem, no comércio
sua utilização esbarrava nas situações em que era preciso expressar prejuízos. Os matemáticos da
época, no intuito de resolver tal situação, criaram o conjunto dos números inteiros, simbolizado pela
letra Z.
Z = {... , -4,-3,-2,-1,0,1,2,3,4, ... }
Operações comerciais representando lucros ou prejuízos podiam ser calculadas, por exemplo:
20 – 25 = – 5 (prejuízo)
–10 + 30 = 20 (lucro)
–100 + 70 = – 30 (prejuízo)
Com a evolução dos cálculos, o conjunto dos números inteiros não estava satisfazendo algumas
operações, assim foi estipulado um novo conjunto numérico: o conjunto dos números racionais.
Esse conjunto consiste na união entre o conjunto dos números naturais com os números inteiros
mais os numerais que podem ser escritos na forma de fração ou números decimais.
Q = { ... , -5; ...; - 4,7; ... ; - 2; ... ; -1;...; 0; ...; 2,65; ...; 4; ... }
Alguns números decimais não podem ser escritos na forma de fração, dessa forma não pertencem ao
conjunto dos racionais, eles formam o conjunto dos números irracionais. Este conjunto possui
números importantes para a Matemática, como o número pi (~3,14) e o número de ouro (~1,6).
A união dos conjuntos dos números Naturais, Inteiros, Racionais e Irracionais formam o conjunto
dos números Reais.
A criação do conjunto dos números Reais se deu ao longo de todo o processo de evolução da
Matemática, atendendo às necessidades da sociedade. Na busca por novas descobertas, os
matemáticos esbarraram em uma situação oriunda da resolução de uma equação do 2º grau. Vamos
resolver a equação x² + 2x + 5 = 0 aplicando o Teorema de Bháskara:
Note que ao desenvolver o teorema nos deparamos com a raiz quadrada de um número negativo,
sendo impossível a resolução dentro do conjunto dos números Reais, pois não existe número
negativo que elevado ao quadrado tenha como resultado número negativo. A resolução destas raízes
só foi possível com a criação e adequação dos números complexos, por Leonhard Euler. Os
números Complexos são representados pela letra C e mais conhecidos como o número da letra i,
sendo designada nesse conjunto a seguinte fundamentação: i² = -1.
Esses estudos levaram os matemáticos ao cálculo das raízes de números negativos, pois com a
utilização do termo i² = -1, também conhecido como número imaginário, é possível extrair a raiz
quadrada de números negativos. Observe o processo:
Os números Complexos constituem o maior conjunto numérico existente.
N: conjunto dos números Naturais
Z: conjunto dos números Inteiros
Q: conjunto dos números Racionais
I: conjunto dos números Irracionais
R: conjunto dos números Reais
C: conjunto dos números Complexos
Divisão de números complexos
Ao dividirmos dois números complexos devemos escrevê-los em forma de fração e multiplicarmos
o numerador e o denominador pelo conjugado do denominador, veja como:
Dado dois números complexos z1 e z2, para efetuarmos a divisão dos dois devemos seguir a
seguinte regra:
z1 : z2 = z1 .
z2
De uma forma geral podemos demonstrar a divisão de dois números complexos por:
Dado z1 = a + bi e z2 = c + di a divisão de z1 : z2 será:
Forma algébrica
Os números complexos são formados por um par ordenado (a, b) onde os valores de a estão situados
no eixo x (abscissa) e os valores de b no eixo y (ordenadas). Sobre o eixo x marcamos os pontos
relacionados à parte real do número complexo e sobre o eixo y os pontos relacionados à parte
imaginária.
Sendo P o ponto de coordenadas (a, b), a forma algébrica pela qual representaremos um número
complexo será a + bi, como a e b Є R.
A forma algébrica de representar um número complexo é mais prática e mais utilizada nos cálculos.
Definindo as partes que formam um número complexo z = a + bi.
z é um número complexo qualquer.
a é a parte real do número complexo z.
b é a parte imaginária do número complexo z.
O conjunto dos números que formam a parte real é representado por Re (z).
O conjunto dos números que formam a parte imaginária é representado por Im (z).
Veja alguns exemplos de como identificar a parte real e a parte imaginária de um número complexo:
z = - 3 + 5i
Re(z) = -3
Im(z) = 5
z = -5 + 10i
Re(z) = -5
Im(z) = 10
z = 1/2 + (1/3)i
Re(z) = 1/2
Im(z) = 1/3
As coordenadas a e b podem assumir qualquer valor real, dependendo do valor que eles assumirem
o número complexo irá receber um nome diferente:
Quando a e b forem diferentes de zero dizemos que o número complexo é imaginário:
z = 2 + 5i
Quando o valor de a é igual a zero e o de b é diferente de zero dizemos que o número complexo é
imaginário puro:
z = 0 + 2i
z = 2i
Quando a diferente de zero e b igual a zero dizemos que o número complexo será real.
z = 5 – 0i
z=5
Exemplos:
Determine o valor de k para que z =(k-6) + 7i, seja:
Número Real
Para que o complexo seja um número real devemos fazer b = 0 e a ≠ 0.
k–6≠0
então: k ≠ 6
Imaginário puro
Para que um número complexo seja imaginário puro a = 0 e b ≠ 0, então podemos dizer que:
k–6=0
então: k = 6
Forma Trigonométrica de um Número
Complexo
Sabemos que um número complexo possui forma geométrica igual a z = a + bi, onde a recebe a
denominação de parte real e b parte imaginária de z. Por exemplo, para o número complexo z = 3 +
5i, temos a = 3 e b = 5 ou Re(z) = 3 e Im(z) = 5. Os números complexos também possuem uma
forma trigonométrica ou polar, que será demonstrada com base no argumento de z (para z ≠ 0).
Considere o número complexo z = a + bi, em que z ≠ 0, dessa forma temos que: cosӨ = a/p e senӨ
= b/p. Essa relações podem ser escritas de outra forma, acompanhe:
cosӨ = a/p → a = p*cosӨ
senӨ = b/p → b = p*senӨ
Vamos substituir os valores de a e b no complexo z = a + bi.
z = p*cosӨ + p*senӨi → z = p*( cosӨ + i*senӨ)
Essa forma trigonométrica é de grande utilidade nos cálculos envolvendo potenciações e
radiciações.
Exemplo 1
Represente o número complexo z = 1 + i na forma trigonométrica.
Resolução:
Temos que a = 1 e b = 1
A forma trigonométrica do complexo z = 1 + i é z = √2*(cos45º + sen45º * i).
Exemplo 2
Represente trigonometricamente o complexo z = –√3 + i.
Resolução:
a = –√3 e b = 1
A forma trigonométrica do complexo z = –√3 + i é z = 2*(cos150º + sen150º * i).
Fórmulas de Moivre
Consideremos o número complexo não nulo z = p*(cosӨ + i*senӨ) e o número n Є N, dessa forma
escrevemos:
zn = z*z*z*...*z ou zn = p*p*p*...*p *(cosӨ + i*senӨ)* (cosӨ + i*senӨ).... (cosӨ + i*senӨ), daí,
zn = pn*[cos(Ө+Ө+Ө+...+Ө) + i*sen(Ө+Ө+Ө+...+Ө)], onde concluímos que:
zn = pn *[cos(nӨ) + i*sen(nӨ)]
Essa expressão é um recurso muito importante nas situações envolvendo a expressão (a + bi)n, caso
não existisse, deveríamos usar o binômio de Newton, o que acarretaria em cálculos trabalhosos.
Obs.: para calcularmos a potência de um número complexo utilizando a 1º fórmula de Moivre,
devemos escrever o complexo na sua forma trigonométrica.
Exemplo 1
Dado o complexo z = – 2 – 2i, calcule z10.
Exemplo 2
Dado o número complexo z = –1 –√3i, determine z15.
Inverso de um número complexo
O inverso de um número é a troca do numerador pelo denominador e vice-versa, desde que essa
fração ou número seja diferente de zero. Em um número complexo acontece da mesma forma: um
número complexo para ter seu inverso é preciso ser não nulo, por exemplo:
Dado um número complexo qualquer não nulo z = a + bi, o seu inverso será representado por z –1.
Veja o cálculo do inverso do número complexo z = 1 – 4i.
Portanto, o inverso do número complexo z = 1 – 4i será:
Concluímos que o inverso de um número complexo não nulo terá a seguinte generalidade: z = a +
bi
Quando multiplicamos um número complexo pelo seu inverso o resultado será sempre igual a 1, z *
z–1 = 1. Observe a multiplicação do complexo z = 1 – 4i pelo seu inverso:
A multiplicação de números complexos ocorre da seguinte maneira:
(a+bi)*(c +di) = ac + adi + bci + bdi² = ac + (ad + bc)i + bd(–1) = ac + (ad + bc)i – bd = ( ac – bd) +
(ad + bc)i
Número de raízes de uma equação
A resolução de equações é uma atividade cotidiana. Intuitivamente resolvemos equações em nosso
dia a dia e nem nos damos conta disso. Ao fazer o seguinte questionamento: “A que horas deverei
levantar para ir à escola de forma que não chegue atrasado?” e obtemos a resposta, na verdade
acabamos de resolver uma equação onde a incógnita é o tempo. Essas questões cotidianas sempre
instigaram matemáticos de todas as épocas na busca de soluções e métodos de resoluções de
equações.
A fórmula de Báskara é um dos mais famosos métodos de resolução de uma equação. Trata-se de
uma “receita”, um modelo matemático que fornece, quase que instantaneamente, as raízes de uma
equação do 2º grau. O interessante é que não existem tantas fórmulas para resolução de equações
como se imagina. Equações do terceiro e quarto graus são muito complicadas de se resolver,
havendo fórmulas de resolução para os casos mais simples desses tipos de equações.
É interessante saber que o grau da equação é que determina quantas raízes ela apresenta. Sabemos
que uma equação do 2º grau apresenta duas raízes. Logo, uma equação do 3º grau terá três raízes e,
assim, sucessivamente. Agora, vamos observar o que ocorre com algumas equações.
Exemplo. Resolva as equações:
a) x2 + 3x – 4 = 0
Solução: Aplicando a fórmula de Báskara para resolução de uma equação do 2º grau, obtemos:
Sabemos que a = 1, b= 3 e c = – 4. Assim,
Como resolvemos uma equação do 2º grau, temos duas raízes.
b) x3 – 8 = 0
Solução: Nesse caso, temos uma equação do terceiro grau incompleta de simples resolução.
Solução: Nesse caso, temos uma equação do 4º grau incompleta, também chamada de equação
biquadrada. A solução desse tipo de equação também é simples. Veja:
A equação x4 + 3x2 – 4 = 0 pode ser reescrita da seguinte forma:
(x2)2 + 3x2 – 4 =0
Fazendo x2 = t e substituindo na equação acima obtemos:
t2 + 3t – 4 = 0 → que é uma equação do 2º grau.
Podemos resolver essa equação utilizando a fórmula de Báskara.
Esses valores não são as raízes da equação, pois a incógnita é x e não t. Mas temos que:
x2 = t
Então,
x2 = 1 ou x2 = – 4
De x2 = 1, obtemos que x = 1 ou x = – 1.
De x2 = – 4, obtemos que não há números reais que satisfaçam a equação.
Portanto, S = {– 1, 1}
Observe que na alternativa a tínhamos uma equação de 2º grau e encontramos duas raízes. Na
alternativa b resolvemos uma equação do 3º grau e encontramos apenas uma raiz. E a equação do
item c, tratava-se de uma equação do 4º grau e encontramos apenas duas raízes.
Como foi dito anteriormente, o grau da equação determina quantas raízes ela possui:
Grau 2 → duas raízes
Grau 3 → três raízes
Grau 4 → quatro raízes
Mas o que ocorreu com as equações das alternativas b e c?
Acontece que uma equação de grau n ≥ 2 pode ter raízes reais e raízes complexas. No caso da
equação de terceiro grau do item b encontramos apenas uma raiz real, as outras duas raízes são
números complexos. O mesmo ocorre para a equação do item c: encontramos duas raízes reais, as
outras duas são complexas.
Sobre raízes complexas, temos o seguinte Teorema.
Se o número complexo a + bi, b ≠ 0, for raiz da equação a0xn + a1xn-1+ ... + an-1x + an = 0, de
coeficientes reais, então seu conjugado, a – bi, também é raiz da equação.
São consequências do Teorema:
• Equação do 2º grau com coeficientes reais → apresenta apenas raízes reais ou duas raízes
complexas conjugadas.
• Equação do 3º grau com coeficientes reais → possui somente raízes reais ou uma raiz real e duas
raízes complexas conjugadas.
• Equação do 4º grau com coeficientes reais → apresenta apenas raízes reais ou duas raízes
complexas conjugadas e duas reais ou somente quatro raízes complexas conjugadas, duas a duas.
• Equação do 5º grau com coeficientes reais → tem apenas raízes reais ou duas raízes complexas
conjugadas e as outras reais ou pelo menos uma raiz real e as outras raízes complexas, duas a duas
conjugadas.
O mesmo ocorre para equações de graus superiores a 5.
Números Complexos
Ao resolver uma equação do 2º grau podemos obter três resultados, dependendo do valor do
discriminante:
∆ > 0, duas raízes reais diferentes.
∆ = 0, uma raiz real.
∆ < 0, nenhuma raiz real.
Resolvendo a equação do 2º grau dentro do universo dos números reais, os casos em que
∆ < 0 não podem ser resolvidos, pois não existe raiz de número negativo dentro do conjunto dos
números reais.
O surgimento dos números complexos possibilitou obter soluções para casos em que é necessário
descobrir novos conjuntos numéricos, onde o quadrado de um número negativo tem como resultado
um número negativo.
Iremos representar essa proposição utilizando uma unidade imaginária i, assim poderemos dizer que
o quadrado de um número é um número negativo, então i * i = - 1, isto é, i² = - 1 .
Representamos um número complexo z = (x,y) sendo x Є R e y Є R, na seguinte forma: z = a + bi
(forma algébrica) , onde a é a parte real de z e b a parte imaginária de z.
Exemplos:
z = 2 + 4i : Re(z) = 2 Im(z) = 4
z = 5 – 2i : Re (z) = 5 Im (z) = –2
A equação do 2º grau x² + 25 = 0 é impossível de ser resolvida no conjunto dos números Reais, mas
pode ser resolvida dentro do conjunto dos números Complexos, da seguinte forma:
x² + 81 = 0 (Equação incompleta do 2º grau)
x² = –81
x = ±√–81
Temos (±9i)² = (±9)² * i² = 81 * (– 1 ) = – 81
x = ±9i
2x² - 16x + 50 = 0 (Equação completa do 2º grau)
a = 2, b = -16, c = 50
∆ = b² - 4ac
∆ = (-16)² - 4 * 2 * 50
∆ = 256 – 400
∆ = -144
Temos (±12i)² = 144i² = 144*(-1) = -144.
x’ = 4 + 3i e x’’ = 4 – 3i
Operações de Números Complexos na Forma
Trigonométrica
Considere dois números complexos quaisquer:
1. Multiplicação
O produto de z1 por z2 será dado por:
Observe que o número complexo resultante é tal que:
Seu módulo é igual ao produto dos módulos de z1 e z2 e seu argumento é igual à soma dos
argumentos de z1 e z2.
Importante: Esse procedimento pode ser generalizado para a multiplicação de n números
complexos:
2. Divisão
O quociente entre z1 e z2 será dado por:
Oposto, conjugado e igualdade de números
complexos.
Para determinarmos o oposto, o conjugado e a igualdade de qualquer número complexo precisamos
conhecer alguns fundamentos.
Oposto
O oposto de qualquer número real é o seu simétrico, o oposto de 10 é -10, o oposto de -5 é +5. O
oposto de um número complexo respeita essa mesma condição, pois o oposto do número complexo
z será – z.
Por exemplo: Dado o número complexo z = 8 – 6i, o seu oposto será:
- z = - 8 + 6i.
Conjugado
Para determinarmos o conjugado de um número complexo, basta representar o número complexo
através do oposto da parte imaginária. O conjugado de z = a + bi será:
Exemplo:
z = 5 – 9i, o seu conjugado será:
z = – 2 – 7i, o seu conjugado será
Igualdade
Dois números complexos serão iguais se, e somente se, respeitarem a seguinte condição:
Partes imaginárias iguais
Partes reais iguais
Dado os números complexos z1 = a + bi e z2 = d + ei, z1 e z2, serão iguais se, somente se, a = d e
bi = ei.
Observações:
A soma de números complexos opostos será sempre igual a zero.
z + (-z) = 0.
O conjugado do conjugado de um número complexo será o próprio número complexo.
Não existe relação de ordem no conjunto dos números complexos, então não podemos
estabelecer quem é maior ou menor.
Exemplo 1
Dado o número complexo z = - 2 + 6i, calcule o seu oposto, o seu conjugado e o oposto do
conjugado.
Oposto
- z = 2 - 6i
Conjugado
Oposto do conjugado
Exemplo 2
Determine a e b de modo que .
-2 + 9i = a - bi
Precisamos estabelecer a propriedade da relação de igualdade entre eles. Então:
a=-2
b=-9
Plano de Argand-Gauss
A cada número complexo z = a + bi, podemos associar um ponto P no plano cartesiano. No
complexo podemos representar a parte real por um ponto no eixo real, e a parte imaginária por um
ponto no eixo vertical, denominado eixo imaginário.
A este ponto P, correspondente ao complexo z = a +bi, chamamos de imagem ou afixo de z.
Observe a representação da interpretação geométrica dos números complexos:
Atualmente, o plano dos números complexos é conhecido como plano de Argand-Gauss.
Com base no plano representado vamos calcular a distância p (letra grega: rô), entre os pontos O e
P. Observe que basta aplicarmos o Teorema de Pitágoras no triângulo retângulo, dessa forma temos:
O mód
ulo de z é representado pela grandeza p, mas também pode ser representado por |z|.
A ângulo Ө (0 ≤ Ө < 2π), formado pelo eixo real e a reta do segmento OP, é chamado de argumento
de z (z ≠ 0) e é indicado por Arg(z). Baseado nessas definições podemos estabelecer as seguintes
relações na interpretação geométrica dos complexos:
Exemplo
Calcule o módulo e o argumento do número complexo z = 1 + 2i.
Módulo
a=1eb=2
Argumento
Ө = Arg(z)
Portanto, o argumento de z é o arco cuja tangente é 2.
Veja como ficaria o gráfico representativo do número complexo z = 1 + 2i.
Radiciação de números complexos na forma
trigonométrica
As operações com números complexos na forma trigonométrica facilitam o cálculo envolvendo os
elementos desse conjunto. Multiplicação e divisão de complexos que estão na forma trigonométrica
são feitas quase que instantaneamente, enquanto que na forma algébrica o processo requer mais
cálculos. A potenciação e a radiciação de complexos na forma trigonométrica também ficam
facilitadas com a utilização das fórmulas de Moivre. Vejamos como se procede a radiciação desses
números:
Considere um número complexo qualquer z = a + bi. A forma trigonométrica de z é:
As raízes de índice n de z são dadas pela segunda fórmula de Moivre:
Exemplo 1. Determine as raízes quadradas de 2i.
Solução: Primeiro devemos escrever o número complexo na forma trigonométrica.
Todo do número complexo é da forma z = a + bi. Assim, temos que:
Sabemos também que:
Com os valores de seno e cosseno podemos concluir que:
Assim, a forma trigonométrica de z = 2i é:
Agora, vamos calcular as raízes quadradas de z utilizando a fórmula de Moivre.
Como queremos as raízes quadradas de z, obteremos duas raízes distintas z0 e z1.
Para k = 0, teremos
Para k = 1, teremos:
Ou
Exemplo 2. Obtenha as raízes cúbicas de z = 1∙(cosπ + i∙senπ)
Solução: Como o número complexo já está na forma trigonométrica, basta utilizar a fórmula de
Moivre. Pelo enunciado temos que ø = π e |z| = 1. Assim,
Teremos três raízes distintas, z0, z1 e z2.
Para k = 0
Para k = 1
Ou z1 = – 1, pois cos π = – 1 e sen π = 0.
Para k = 2
Sistema cartesiano ortogonal
Se duas retas se cruzam e formam um ângulo de 90º elas são perpendiculares. A perpendicularidade
dessas duas retas forma um sistema cartesiano ortogonal.
As duas retas são chamadas de eixos:
Eixo das abscissas: reta x.
Eixo das coordenadas: reta y.
Onde as retas x e y se encontram é formado um ponto, que é chamado de ponto de origem.
O sistema cartesiano ortogonal é dividido em quatro partes e cada uma é um quadrante.
Um ponto no sistema cartesiano ortogonal é formado por dois pontos, um do eixo das abscissas e
outro do eixo das ordenadas.
O ponto no sistema cartesiano ortogonal é chamado de par ordenado.
O ponto X possui um número x que é a abscissa do ponto P.
O ponto Y possui um número y que é a ordenada do ponto P.
(x, y) é chamado de par ordenado do ponto P.
Portanto, para determinarmos um ponto P no sistema cartesiano ortogonal é preciso que as abscissas
e as ordenadas sejam dadas.
Veja o sistema cartesiano ortogonal abaixo e os pontos que estão indicados.
O ponto A (1, 1) encontra-se no 1° quadrante.
O ponto B (3, 0) encontra-se no eixo das abscissas x.
O ponto C (5, -4) encontra-se no 4º quadrante.
O ponto D (-3, -3) encontra-se no 3º quadrante.
O ponto E (0, 4) encontra-se no eixo das ordenadas
O ponto F (4, 3) encontra-se no 1º quadrante.
O ponto G (-2, 3) encontra-se no 2° quadrante.