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O documento aborda os desdobramentos da teoria psicanalítica, com foco na obra de Melanie Klein e suas inovações na psicanálise infantil. Klein introduziu conceitos como a análise didática e a importância das primeiras relações de objeto, desafiando as ideias de Freud sobre o complexo de Édipo. A obra destaca a relevância de suas contribuições para a compreensão do psiquismo humano e a clínica psicanalítica contemporânea.

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O documento aborda os desdobramentos da teoria psicanalítica, com foco na obra de Melanie Klein e suas inovações na psicanálise infantil. Klein introduziu conceitos como a análise didática e a importância das primeiras relações de objeto, desafiando as ideias de Freud sobre o complexo de Édipo. A obra destaca a relevância de suas contribuições para a compreensão do psiquismo humano e a clínica psicanalítica contemporânea.

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04/06/2026, 13:35 UNIP - Universidade Paulista : DisciplinaOnline - Sistemas de conteúdo online para Alunos.

DESDOBRAMENTOS DA TEORIA PSICANALÍTICA

MÓDULO 1

Desdobramentos e expansões da psicanálise:- a Psicanálise na Inglaterra, França e Estados Unidos.

Diferentes matrizes clínicas e suas consequências para a teorização psicanalítica.

Panorama geral da vida e obra de Melanie Klein. Contexto cultural, histórico e político.

A psicanálise de crianças. A técnica do brincar.

Édipo precoce e formação do superego. Conflito entre pulsão de vida e pulsão de morte (amor e ódio).

Bibliografia básica/obrigatória:

CINTRA, E.M.U.; FIGUEIREDO, L.C.M. Melanie: algumas informações introdutórias. In: ______. Melanie Klein, Estilo e
Pensamento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

______. Melanie Klein, a psicanálise e o movimento psicanalítico internacional: dados históricos. In: ______. Melanie Klein,
Estilo e Pensamento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2004.

KLEIN, M. Estágios iniciais do conflito edipiano (1928). In: ______. Amor, culpa e reparação e outros trabalhos. Rio de
Janeiro: Imago, 1991.

A psicanálise pós-freudiana tem em Melanie Klein (1882-1960) um de seus principais representantes, sendo seu
pensamento, suas ideias e as inovações que trouxe para o campo da teoria e da clinica psicanalíticas só comparáveis ao
ensino de Jacques Lacan e, por isto tendo repercussão mundial. Apesar de manter-se respeitosa quanto a anterioridade
histórica representada pelo pensamento freudiano, promoveu transformações importantes - e algumas radicais - na teoria em
questão, criando a psicanálise de crianças e instaurando o que viria a se chamar análise didática, fazendo dela, como disse
Roudinesco (1998), “uma chefe de escola”.

Seu interesse pela psicanálise começou com a leitura do texto de Freud, Sobre os sonhos (1901), dando início em sua
análise pessoal com Sandor Ferenczi, que será quem a levará para apresentar, em 1919, um trabalho sobre a análise de
uma criança de cinco anos que era, na verdade, a análise empreendida por ela de seu próprio filho.
Karl Abraham será seu segundo analista, tendo iniciado sua análise com ele em 1924 e, além disto, as ideias de Abraham
lhe inspiraram no desenvolvimento de suas próprias perspectivas sobre a organização do desenvolvimento sexual,
começando a questionar, principalmente, alguns aspectos do complexo de Édipo.

Sua compreensão do psiquismo humano, assim como a construção de sua teoria baseou-se na observação das crianças e
principalmente destas na interação com os brinquedos. Destas observações iniciam-se suas contribuições à compreensão
das causas dos distúrbios emocionais mais severos. Suas convicções conduzem a uma nova escola psicanalítica que
enfatiza a influência do intrapsíquico do bebê na sua relação com o mundo externo; destaca a importância do que ocorre
durante o primeiro ano de vida do bebê humano, como vivências determinantes de nossa personalidade.

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Tornou-se um expoente teórico das relações de objeto e uma pioneira na análise infantil. Entre suas principais contribuições
podemos destacar a ênfase nas primeiras relações de objeto; a existência de um ego rudimentar (contrariando a ideia
freudiana); a noção de fantasia inconsciente e o uso de defesas primitivas operando já desde o nascimento; a presença de
um sadismo e agressividade constitucionais; o reconhecimento de um superego arcaico cuja manifestação acontece desde
muito cedo no desenvolvimento psíquico da criança; o uso do brinquedo como um meio de acesso ao psiquismo da criança e
cuja para a interpretação; sua técnica psicanalítica de lidar com as forças intrapsíquicas por meio da interpretação precoce de
impulsos inconscientes.

Para Klein, os estágios iniciais do complexo de Édipo começam durante a posição depressiva. Ela parte da ideia de que a
criança tem um conhecimento inato dos genitais de ambos os sexos e que fantasias orais e genitais influenciam desde o
nascimento no uso qualitativo de mecanismos de projeção e introjeção que constituem o mundo interno e sua relação com o
“objeto” externo - mãe. A constatação que o bebê realiza no decorrer da posição depressiva, a unificação do objeto (objeto
bom e objeto mau são o mesmo), o faz temer fantasiosamente sua perda e o risco da retaliação, como respostas aos
ataques dirigidos ao seio mau.

Exercício

O Conceito Kleiniano de Complexo de Édipo se difere em partes do conceito desenvolvido por Freud, já que para Melanie
Klein:

A. O Complexo de Édipo pode ser verificado quando a criança atinge o período sexual fálico na segunda infância e
dá-se então conta da diferença de sexos, tendendo a fixar a sua atenção libidinosa nas pessoas do sexo oposto no
ambiente familiar.

B. O Complexo de Édipo é o momento em que os impulsos sexuais da criança passam a ser direcionados ao
progenitor do sexo oposto.

C. No momento em que o bebê se relaciona com um de seus progenitores de forma discriminada, ou seja, quando
percebe que sua aproximação de um deles, objeto bom, o faz sentir-se mais seguro.

D. O Complexo de Édipo se inicia quando surge na criança o medo da perda do objeto bom, momento em que a
ansiedade persecutória perde força e os impulsos amorosos, ao contrário, tornam – se mais fortes.

E. A chegada ao Complexo de Édipo representa uma conquista tardia no processo de amadurecimento, pois é preciso
que a criança tenha passado com sucesso outras etapas no desenvolvimento emocional.

Resposta: D

Ainda em Viena, na década de 20, confrontou-se diretamente com Anna Freud, o debate era em torno do que deveria ser a
psicanálise de crianças aparecendo sob duas posições: uma forma nova e aperfeiçoada de pedagogia (posição defendida
por Anna Freud) ou a oportunidade de uma exploração psicanalítica do funcionamento psíquico desde o nascimento (como
queria Melanie Klein). O conflito estendeu-se, provocando o descontentamento de S. Freud e, desde sempre, Melanie Klein
ficou marcada como alguém que provocava paixões e repulsas à sua volta. Em 1927, com a apresentação de “Os estádios
precoces do conflito edipiano” expôs explicitamente suas discordâncias com Freud sobre a data de início do complexo de
Édipo, sobre seus elementos constitutivos e sobre o desenvolvimento psicossexual diferenciado dos meninos e das meninas.
Já com A psicanálise de crianças (1932), expôs a estrutura de seus futuros desenvolvimentos teóricos, sobretudo o conceito
de posição (posição esquizo-paranóide/posição depressiva), assim como sua concepção ampliada da pulsão de morte.

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Em Londres, onde Melanie já estava desde 1926, com a chegada dos analistas vienenses e berlinenses que fugiam do
nazismo - inclusive a família Freud - as hostilidades irromperam e na década de 40 começou o período das Grandes
Controvérsias, cujos autores eram essencialmente mulheres, umas reunidas em torno de Melanie Klein e outras em torno de
Anna Freud. Em 1946, um Lady’s agreement resultou na institucionalização de uma divisão da Sociedade entre kleinianos,
annafreudianos e Independentes (Winnicott).

Exercício

Para Figueiredo (2004), Melanie Klein é um nome de grande importância e peso no cenário psicanalítico contemporâneo.
Suas contribuições ao campo da psicanálise representaram uma ampliação e uma renovação da técnica analítica. Tendo em
vista o percurso histórico da psicanálise kleiniana, assinale a alternativa CORRETA:

A. Melanie Klein tem uma forte ligação teórica com a psicanálise. Seu primeiro contato com a mesma se deu
diretamente com Freud, em uma conferência que ele proferia em Budapeste. Maravilhada com a proposta freudiana,
Melanie Klein se torna uma leitora assídua da obra.

B. Em Berlim, no início de sua carreira e antes de iniciar seu trabalho com crianças, Melanie Klein estabelece a
análise de psicóticos e borderlines como uma área legítima da clínica psicanalítica a partir de um fazer clínico
singular.

C. Apesar do interesse mútuo pela psicanálise com crianças, Melanie Klein e Anna Freud tinham claras
divergências teóricas, diferenças estas que em Londres contribuíram para a separação entre os kleinianos e
freudianos.

D. Melanie Klein possuía um espírito muito criativo e inovador, se propondo a discutir e desenvolver muitas idéias
consideradas polêmicas mesmo dentro do meio psicanalítico. Sua impecável formação acadêmica e seu refinado
estilo de escrita, a protegeram de maiores críticas ou ataques pessoais.

E. A autora em questão é a principal integrante do grupo kleiniano inglês. Este grupo, que era muito forte e coeso,
dominou o cenário psicanalítico internacional durante as décadas de 40 e 50, obtendo alcance teórico mundial.

Resposta: C

Em 1955, no Congresso de Genebra, M. Klein apresentou sua comunicação intitulada “Um estudo sobre a inveja e a
gratidão”, na qual desenvolvia o conceito de inveja, que articulava com uma extensão da pulsão de morte, à qual dava um
fundamento constitucional. Assim, retoma o início de suas propostas aliadas às de Karl Abraham., mas dá início também a
uma nova polêmica que gerou seu rompimento com outro grande expoente da psicanálise inglesa, D. W. Winnicott.

Assim, as propostas kleinianas constituem-se como um sistema de pensamento que modificou inteiramente a doutrina e a
clinica freudianas, criando novos conceitos e instaurando uma prática da análise, da qual decorreu um tipo de formação
didática diferente da prática freudiana clássica.

Melanie Klein e seus sucessores tiveram o grande mérito de integrar à psicanálise não só o tratamento de crianças, como o
tratamento das psicoses; quanto aos aspectos teóricos mais relevantes para uma introdução a este tema, é fundamental
destacar as mudanças que sua perspectiva promoveu quanto ao complexo de Édipo, à relação arcaica mãe/bebê e o lugar
do pai, cujas evidências encontrou na elucidação do ódio primitivo (inveja) que seria próprio dos primórdios da relação de
objeto e, quanto à estrutura da psicose, fará entender-se pela conceituação das posições esquizo-paranóide e posição
depressiva. Assim os kleinianos inscreveram a loucura no âmago da subjetividade humana.

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Este interesse em relação à psicose e às relações arcaicas com a mãe foi passo fundamental na possibilidade de
identificação do que há de recalcado já na criança - o bebê. Com isso propôs-se, ao mesmo tempo, uma teorização rica e
complexa sobre a subjetividade humana, inscrevendo a loucura no seu centro e oferecendo um enquadre aos tratamentos
especificamente infantis.

Exercício

A teoria desenvolvida por Melaine Klein é considerada por muitos psicanalistas de imensa contribuição para a Psicanálise,
principalmente os conceitos sobre o desenvolvimento primitivo do psiquismo. Contudo, verificamos em sua biografia que
apesar de viver em um rico meio cultural, artístico e filosófico não cursou uma universidade sendo considerada uma analista
leiga. Sendo assim, Melanie Klein iniciou seus primeiros contatos com a psicanálise a partir de:

A. Observações de crianças que estavam no período de latência.

B. Por indicação de amigos que estudavam psicanálise.

C. Por meio de diversas leituras de obras de autores que teorizavam sobre o porquê da guerra.

D. Primeiramente pela leitura de Freud e logo em seguida pela experiência de análise como paciente de Sándor
Ferenczi.

E. Pela experiência de análise como paciente de Freud.

Resposta: D

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