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Approaching

O artigo analisa a evolução da teoria institucional ao longo de mais de três décadas, destacando sete tendências que evidenciam seu amadurecimento e a correção de limitações teóricas iniciais. O autor enfatiza a importância da agência dos atores organizacionais e a complexidade dos ambientes institucionais, além de discutir a transição de um foco em organizações isoladas para uma análise de campos organizacionais interdependentes. A pesquisa também aborda a necessidade de bases empíricas mais robustas e a ampliação do escopo analítico para entender melhor as dinâmicas institucionais.

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Diêgo Matos
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Approaching

O artigo analisa a evolução da teoria institucional ao longo de mais de três décadas, destacando sete tendências que evidenciam seu amadurecimento e a correção de limitações teóricas iniciais. O autor enfatiza a importância da agência dos atores organizacionais e a complexidade dos ambientes institucionais, além de discutir a transição de um foco em organizações isoladas para uma análise de campos organizacionais interdependentes. A pesquisa também aborda a necessidade de bases empíricas mais robustas e a ampliação do escopo analítico para entender melhor as dinâmicas institucionais.

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Approaching adulthood: the maturing of institutional theory

O artigo inicia apresentando uma análise retrospectiva da teoria institucional


aplicada às organizações, destacando que o autor pretende examinar sete
tendências gerais que evidenciam o amadurecimento dessa perspectiva teórica
ao longo de mais de três décadas de desenvolvimento. O objetivo central
consiste em demonstrar como limitações teóricas iniciais foram corrigidas,
como indicadores empíricos foram aperfeiçoados e como o escopo das
pesquisas institucionais foi ampliado para abranger novos tipos de
organizações e problemas analíticos.

Segundo o autor, a formulação inicial da abordagem neoinstitucional ocorreu a


partir de 1977, especialmente por meio dos trabalhos de John Meyer e seus
colaboradores. Essas pesquisas propuseram que a estrutura formal das
organizações não deveria ser explicada apenas por imperativos tecnológicos
ou dependências de recursos, mas também por forças institucionais, definidas
naquele momento de forma relativamente ampla como estruturas normativas,
mitos racionalizados e conhecimentos legitimados por sistemas educacionais,
prestígio social, legislação e decisões judiciais.

O texto destaca que essa formulação inicial representou uma explicação


inovadora tanto para a estrutura formal das organizações quanto para a
posição privilegiada que elas ocupam nas sociedades modernas enquanto
atores legítimos e dominantes. Além disso, essa perspectiva deu origem a um
programa contínuo de construção teórica e pesquisa que permaneceu influente
e atrativo para estudiosos de diversas áreas intelectuais.

Entretanto, o autor argumenta que os trabalhos fundadores também


carregavam pressupostos problemáticos que influenciaram o desenvolvimento
posterior da teoria institucional. Ele sustenta que foram necessários muitos
anos para reformular certos argumentos e revisar pressupostos incorporados
nos estudos iniciais, ressaltando que teorias, assim como sistemas sociais, são
influenciadas por processos de dependência de trajetória e pela força
duradoura das obras fundadoras.

Scott afirma que o artigo está organizado em torno da identificação de


correções e modificações ocorridas ao longo da evolução da teoria
institucional. Essas mudanças incluem tanto transformações significativas
quanto ajustes mais graduais, sendo interpretadas pelo autor como evidências
de uma trajetória geral positiva de desenvolvimento teórico.

Ao discutir a evolução conceitual da teoria institucional, o autor observa que


formulações anteriores enfatizavam o papel dos hábitos, da história, das
pressões morais e dos costumes na manutenção da ordem social. Em
contraste, abordagens mais recentes passaram a enfatizar sistemas simbólicos
e estruturas cognitivas que orientam o comportamento dos indivíduos e das
organizações.

O texto destaca que algumas tentativas de organizar essas diferentes


perspectivas produziram distinções entre o chamado “velho” e o “novo”
institucionalismo. Contudo, o autor considera mais produtivas as abordagens
que identificam o institucionalismo como um conjunto de processos voltados
para a reprodução e estabilidade da ordem social.

Nesse contexto, Scott atribui especial importância à contribuição de DiMaggio e


Powell, que identificaram três mecanismos fundamentais de reprodução social:
processos coercitivos, normativos e miméticos. Desenvolvendo essa proposta,
o autor apresenta sua própria distinção entre elementos regulativos, normativos
e cultural-cognitivos como componentes centrais da ordem institucional.

Os elementos regulativos são descritos como mecanismos relacionados à


criação de regras, monitoramento e aplicação de sanções. Os elementos
normativos introduzem dimensões prescritivas, avaliativas e obrigatórias à vida
social. Já os elementos cultural-cognitivos dizem respeito às concepções
compartilhadas que definem a realidade social e os referenciais por meio dos
quais os significados são produzidos.

O autor explica que esses três componentes sustentam diferentes formas de


ordem institucional, variando quanto às bases da conformidade, às motivações
para a obediência, aos mecanismos de ação e aos fundamentos da
legitimidade. Assim, a conformidade pode ocorrer para evitar punições, por
obrigação moral ou porque determinadas formas de ação são percebidas como
as únicas concebíveis dentro de um determinado contexto social.

Scott argumenta ainda que os elementos cultural-cognitivos constituem as


bases mais profundas das instituições, pois fornecem as classificações,
pressupostos e premissas que sustentam tanto crenças quanto normas e
regras. Embora elementos regulativos frequentemente recebam maior atenção
por serem mais visíveis, o autor observa que eles podem ser menos profundos
e menos consequentes do que os componentes normativos e cultural-
cognitivos.

Segundo o texto, sistemas regulativos são mais fáceis de modificar e


manipular, mas também podem gerar comportamentos estratégicos, desvios e
dissociação entre normas formais e práticas efetivas. Por esse motivo,
compreender quais elementos institucionais predominam em determinado
contexto constitui uma tarefa fundamental para os estudiosos das instituições.

Nas páginas finais do trecho analisado, o autor aborda uma importante


mudança teórica relacionada à compreensão dos ambientes institucionais. Os
estudos iniciais tratavam esses ambientes como estruturas homogêneas que
impunham exigências uniformes às organizações, concebendo a influência
institucional como um processo essencialmente determinista e de cima para
baixo. Nessa perspectiva, organizações bem-sucedidas precisariam
necessariamente se conformar às exigências do ambiente institucional.

Scott explica que a homogeneidade organizacional foi inicialmente interpretada


como principal evidência da influência institucional. Contudo, posteriormente, a
teoria passou a reconhecer que os campos organizacionais frequentemente
apresentam fragmentação, ambiguidades e exigências concorrentes,
produzindo conflitos, complexidade administrativa, estruturas híbridas e
dificuldades de legitimação. Essa revisão permitiu compreender que ambientes
institucionais são mais variados e complexos do que se imaginava
originalmente.

Nas páginas 5 a 7 do artigo, Scott aprofunda a discussão sobre a revisão de


pressupostos fundamentais da teoria institucional, especialmente aqueles
relacionados à agência dos atores organizacionais e à natureza das mudanças
produzidas pelas pressões institucionais. O autor argumenta que as
formulações iniciais da teoria institucional superestimavam a unidade, a
coerência e a independência dos ambientes institucionais, mas que, ao longo
do tempo, a teoria passou a reconhecer a existência de variedade,
complexidade, ambiguidades e conflitos nesses contextos. Essa reformulação
abriu espaço para considerar possibilidades de escolha e exercício de agência
tanto por indivíduos quanto por organizações.

Nesse contexto, Scott destaca a contribuição de Paul DiMaggio, que chamou


atenção para o papel dos interesses e da agência na teoria institucional.
Segundo DiMaggio, a ênfase excessiva em normas, pressupostos tomados
como certos e limitações cognitivas, associada ao uso frequente de
construções passivas na literatura institucionalista, contribuiu para reduzir a
atenção dedicada à atuação intencional dos atores. Como alternativa, ele
propôs deslocar o foco analítico das instituições já estabelecidas para os
processos de institucionalização, argumentando que esses processos resultam
de esforços políticos realizados por atores que buscam alcançar determinados
objetivos. Além disso, a forma assumida pelas instituições e o êxito de projetos
de institucionalização dependeriam da distribuição relativa de poder entre
aqueles que apoiam, contestam ou procuram influenciar tais processos.

O artigo observa que DiMaggio exemplificou essa perspectiva ao analisar a


construção do campo dos museus de arte nos Estados Unidos, demonstrando
que conflitos e disputas entre atores são particularmente visíveis durante
períodos de formação de novos campos organizacionais. Entretanto, Scott
ressalta que, com base na teoria da estruturação de Anthony Giddens,
posteriormente incorporada pelos institucionalistas, a construção institucional
não deve ser entendida como um evento excepcional, mas como um processo
contínuo. Nessa perspectiva, as estruturas sociais são permanentemente
reproduzidas e modificadas pelas ações de atores individuais e coletivos, de
modo que os processos institucionais operam simultaneamente de cima para
baixo e de baixo para cima.

A ampliação do espaço concedido à agência também foi fortalecida pelas


contribuições de Christine Oliver. Scott explica que Oliver propôs combinar
argumentos da teoria institucional com elementos da teoria da dependência de
recursos para compreender diferentes respostas estratégicas das organizações
diante das pressões institucionais. Embora a conformidade permaneça como a
resposta mais provável, a autora argumentou que organizações também
podem adotar estratégias de compromisso, evasão, desafio ou manipulação.
Além disso, Oliver especificou condições que tornam cada uma dessas
respostas mais provável, contribuindo para tornar a teoria institucional mais
receptiva à análise da ação intencional dos gestores.

Scott afirma que essa incorporação da agência tornou a teoria institucional


mais atraente para públicos ligados à administração e à gestão, uma vez que
escolas de administração tendem a resistir a abordagens que retratam gestores
como excessivamente passivos diante das pressões ambientais. Dessa forma,
a teoria passou a reconhecer um campo mais amplo de atuação estratégica
para os administradores organizacionais.

Na sequência, o autor examina outra transformação importante da teoria


institucional: a passagem de uma concepção de mudança superficial para uma
compreensão mais consequente dos efeitos institucionais. Scott recorda que
Meyer e Rowan haviam argumentado que organizações frequentemente
respondiam às pressões institucionais por meio da chamada “conformidade
cerimonial”, adotando formalmente mudanças estruturais exigidas pelo
ambiente enquanto mantinham suas práticas cotidianas relativamente
inalteradas. Durante um período significativo, essa dissociação entre estruturas
formais e práticas concretas foi frequentemente tratada como característica
central dos efeitos institucionais.

Entretanto, o autor ressalta que pesquisadores passaram gradualmente a


reconhecer que o grau de conformidade institucional varia entre organizações.
Em vez de assumir que a dissociação entre estrutura e prática constitui a
resposta típica, os estudiosos passaram a investigar os diferentes níveis de
profundidade das respostas organizacionais às pressões institucionais. Um
exemplo citado é o estudo de Westphal e Zajac sobre planos de incentivo
vinculados ao desempenho corporativo. A pesquisa demonstrou que muitas
empresas adotavam formalmente esses programas sem implementá-los
efetivamente, caracterizando conformidade cerimonial. Contudo, os autores
também identificaram fatores que influenciavam a implementação real das
reformas, verificando, por exemplo, que organizações que adotavam as
mudanças mais precocemente tendiam a implementá-las com maior
frequência.

Scott enfatiza que, a partir dessas pesquisas, a dissociação deixou de ser


entendida como prova automática da influência institucional e passou a ser
tratada como um fenômeno que também requer explicação.

Nas páginas finais desse trecho, o autor destaca estudos que demonstram
como mudanças inicialmente aparentes ou superficiais podem adquirir
consequências mais profundas ao longo do tempo. Ele menciona a análise de
Edelman, segundo a qual existem diferentes graus de dissociação entre
estrutura e ação. Em alguns casos, alterações estruturais substituem
mudanças substantivas; em outros, elas transformam gradualmente papéis
organizacionais e identidades profissionais, criando defensores internos das
reformas.

Scott acrescenta que uma resposta recorrente das organizações às pressões


externas consiste na internalização dessas demandas por meio da criação de
departamentos especializados e da contratação de profissionais capacitados
para lidar com os novos problemas. Como exemplo, cita organizações
químicas que estabeleceram setores compostos por engenheiros ambientais
para responder a pressões relacionadas à questão ambiental. O autor observa
que tais mecanismos podem tanto limitar quanto fortalecer as demandas
externas, uma vez que os novos profissionais frequentemente passam a atuar
como promotores internos das mudanças. Assim, reformas inicialmente
motivadas por pressões externas podem adquirir justificativas internas
associadas à produtividade, à sustentabilidade ou a outros objetivos
organizacionais.

Nas páginas 8 a 10 do artigo, Scott discute dois movimentos importantes no


amadurecimento da teoria institucional: o fortalecimento da base empírica das
pesquisas institucionais e a ampliação do foco analítico do nível organizacional
para o nível dos campos organizacionais. O autor sustenta que, nos primeiros
estudos institucionalistas, os efeitos institucionais eram frequentemente
afirmados sem que houvesse mensuração direta dos mecanismos
responsáveis por produzi-los. Em muitos casos, pesquisadores observavam
regularidades organizacionais e as atribuíam à influência institucional, mas sem
apresentar indicadores empíricos capazes de demonstrar efetivamente a
presença dessas forças.

Como exemplo, Scott menciona pesquisas sobre organizações educacionais


públicas nos Estados Unidos que identificaram crescente homogeneização
estrutural ao longo de quarenta anos. Embora os autores tenham atribuído
esse processo à difusão de modelos organizacionais padronizados, não
apresentaram evidências empíricas diretas para sustentar essa interpretação
institucional.

O autor também cita estudos que identificaram consenso entre professores e


gestores escolares e concluíram que esse consenso possuía origem
institucional, apesar da ausência de medidas específicas dos mecanismos
institucionais que teriam produzido tal resultado. Da mesma forma, algumas
pesquisas consideravam que a insuficiência de explicações baseadas em
outras teorias constituía evidência indireta em favor das interpretações
institucionalistas, sem que os processos institucionais fossem medidos
diretamente.

Segundo Scott, essa situação começou a mudar quando pesquisadores


passaram a desenvolver instrumentos mais adequados para captar
transformações em regras, normas e sistemas de crenças. Diversos
indicadores passaram a ser utilizados para examinar empiricamente elementos
institucionais, incluindo a quantidade e o conteúdo de materiais veiculados pela
mídia, programas de treinamento, formas de raciocínio socialmente
legitimadas, sistemas de registro, certificação e acreditação, além de
legislações regulatórias, ações de fiscalização e processos judiciais.

O autor afirma que esses avanços contribuíram para o surgimento de uma


nova modalidade de pesquisa denominada “novo arquivismo”. Essa abordagem
caracteriza-se pela utilização de métodos analíticos formais, pela atenção aos
elementos constitutivos das organizações, pela preocupação em medir formas
compartilhadas de significado e pelo interesse em compreender as lógicas
configuracionais que articulam esses elementos em atividades organizadas.
Em consequência, os estudos institucionais passaram a depender não apenas
da originalidade de seus pressupostos teóricos, mas também de bases
empíricas mais robustas e instrumentos analíticos mais sofisticados.

Na sequência, Scott examina a transição de abordagens centradas na


organização para perspectivas voltadas aos campos organizacionais. O autor
observa que os neoinstitucionalistas sociológicos deslocaram sua atenção para
níveis analíticos mais amplos, diferentemente de teorias anteriores que
concentravam suas explicações nas características individuais das
organizações e em suas relações imediatas com o ambiente.

Scott ressalta que teorias como a contingencial, a dependência de recursos e a


economia dos custos de transação procuravam explicar variações estruturais
das organizações considerando predominantemente suas relações técnicas,
econômicas ou de troca. Mesmo abordagens institucionais anteriores
frequentemente privilegiavam estudos de caso focados em organizações
isoladas.

Em contraste, a teoria neoinstitucional passou a dedicar atenção significativa


aos campos organizacionais, entendidos como conjuntos de populações
organizacionais interdependentes que participam de um mesmo subsistema
social e cultural. Essa mudança permitiu que a análise deixasse de enfatizar
organizações isoladas inseridas em ambientes para concentrar-se na própria
organização do ambiente, considerando as organizações como participantes de
sistemas mais amplos de relações.

O autor destaca que formulações iniciais dos campos organizacionais


atribuíram importância excessiva aos aspectos estruturais e relacionais,
negligenciando dimensões simbólicas e culturais. Posteriormente, estudos mais
recentes passaram a enfatizar a coprodução de sistemas relacionais e
significados compartilhados como elementos constitutivos dos campos.

Scott explica ainda que os campos organizacionais podem desempenhar


múltiplas funções analíticas. Eles podem atuar como fontes de variáveis
independentes que influenciam as organizações, como sistemas intermediários
que conectam organizações a forças sociais mais amplas ou como fenômenos
que também necessitam de explicação própria. Essa perspectiva evidencia que
as organizações operam simultaneamente em sistemas compostos por formas
organizacionais semelhantes e diferentes, mantêm relações competitivas e
cooperativas, ocupam posições diversas dentro de estruturas relacionais
complexas e são influenciadas tanto por atores próximos quanto por forças
mais distantes.

Nas páginas finais desse trecho, Scott observa que alguns pesquisadores
definiram campos organizacionais com base em produtos, serviços ou
concepções gerenciais compartilhadas. Contudo, o autor destaca que estudos
posteriores reconheceram que os campos também podem ser constituídos por
conflitos e disputas em torno de questões específicas. Como exemplo,
menciona o caso da indústria química, cujas organizações participam de um
campo marcado por divergências relativas aos impactos ambientais e às
responsabilidades associadas a essas atividades. Nesse contexto, relações
organizacionais e lógicas institucionais são estruturadas não apenas pelo
consenso, mas também pelo desacordo, o que levou institucionalistas a
dialogar cada vez mais com teorias dos movimentos sociais e da sociologia
política para compreender os processos que ocorrem no nível dos campos
organizacionais.

Nas páginas 11 a 13 do artigo, Scott examina duas transformações centrais na


evolução da teoria institucional: a superação da oposição entre
institucionalismo e racionalidade econômica e a ampliação do interesse
analítico pelos processos de mudança institucional. O autor inicia observando
que os trabalhos fundadores de Meyer e Rowan apresentavam uma distinção
entre ambientes institucionais racionalizados e exigências de mercado
associadas à eficiência técnica. Nessa formulação, os requisitos institucionais
apareciam em tensão com as demandas por desempenho eficiente, criando
uma separação entre legitimidade institucional e racionalidade econômica.

Scott argumenta que essa visão foi reforçada por DiMaggio e Powell, que
diferenciaram as pressões de conformidade decorrentes da competição das
pressões originadas nos processos institucionais. Segundo essa interpretação
inicial, os mecanismos institucionais tenderiam a tornar as organizações mais
semelhantes sem necessariamente aumentar sua eficiência. Como
consequência, a teoria institucional corria o risco de se transformar em uma
explicação voltada principalmente para aspectos considerados não racionais
das organizações.

O autor observa que essa tendência foi fortalecida pelo fato de muitas
pesquisas institucionais iniciais concentrarem-se em organizações como
escolas, agências públicas e entidades sem fins lucrativos. Dessa forma, a
teoria institucional poderia ser percebida como adequada para estudar
organizações pouco expostas à competição ou apenas os aspectos não
racionais das organizações de mercado.

Para enfrentar essa limitação, diversos pesquisadores passaram a reformular a


agenda teórica. Scott destaca uma proposta desenvolvida por ele próprio em
conjunto com Meyer, segundo a qual todas as organizações operam
simultaneamente em ambientes técnicos e institucionais, embora a intensidade
das pressões provenientes de cada tipo de ambiente varie entre diferentes
organizações. Nessa perspectiva, bancos e hospitais enfrentariam elevadas
exigências técnicas e institucionais, enquanto outras organizações estariam
sujeitas a combinações distintas desses dois tipos de pressão.

Entretanto, o autor ressalta que essa tipologia apresenta limitações, pois pode
minimizar o fato de que os próprios mercados e arranjos técnicos são
constituídos por processos institucionais. Questões como os critérios utilizados
para avaliar qualidade e eficiência, as regras que regulam a competição, as
estratégias consideradas legítimas e os atores reconhecidos como
participantes válidos dos mercados são definidas institucionalmente. Assim, os
processos institucionais não atuam apenas em contextos afastados da
competição, mas também estruturam os próprios mecanismos de mercado.

Scott afirma que, a partir da década de 1990, começaram a surgir formulações


mais abrangentes. Powell argumentou que um institucionalismo
excessivamente restrito produzia uma separação inadequada do universo
organizacional e defendeu que os institucionalistas demonstrassem como
forças políticas e institucionais estabelecem as bases da ação econômica. De
maneira semelhante, outros autores sustentaram que arranjos institucionais
desempenham papel central mesmo em ambientes fortemente orientados pelo
mercado e pela técnica.

Segundo o autor, essas contribuições favoreceram o reconhecimento de que


regras, normas e sistemas de crenças sustentam todos os sistemas sociais
estáveis, inclusive os sistemas econômicos. Os processos institucionais não
substituem a competição; eles fornecem as regras, os padrões normativos e os
referenciais culturais que organizam a própria competição e orientam a ação
estratégica dos participantes.

Na sequência, Scott volta-se para a questão da mudança institucional. Embora


o conceito de instituição esteja associado à estabilidade e à ordem, o autor
enfatiza que instituições também passam por transformações decorrentes de
fatores externos e internos. Mudanças exógenas podem surgir a partir de
alterações políticas, econômicas ou sociais ocorridas em sistemas mais amplos
ou vizinhos, capazes de desestabilizar regras e entendimentos previamente
estabelecidos. Em determinadas situações, novas lógicas institucionais
oriundas de outros contextos podem penetrar e reconfigurar campos
organizacionais já consolidados.

Além disso, Scott identifica fontes endógenas de mudança, incluindo


incompatibilidades entre níveis institucionais mais amplos e práticas locais,
conflitos entre elementos institucionais distintos e persistência de
desempenhos considerados insatisfatórios diante das expectativas existentes.

O autor explica que as pesquisas institucionais iniciais voltadas para a


mudança concentravam-se principalmente em demonstrar efeitos institucionais
ou em analisar a difusão gradual de determinados elementos institucionais,
como reformas administrativas e processos de homogeneização
organizacional. Nesses estudos, a atenção recaía predominantemente sobre
mudanças convergentes.

Scott identifica o estudo de DiMaggio sobre a institucionalização do campo dos


museus de arte nos Estados Unidos como uma das primeiras investigações a
examinar processos de mudança institucional envolvendo conflito e disputa.
Essa pesquisa analisou a competição entre diferentes modelos de organização
dos museus e destacou o papel de grupos profissionais na busca pelo controle
do campo.
O autor ressalta que DiMaggio criticou a tendência dos institucionalistas de
enfatizar processos evolutivos não direcionados e pouco conflituosos,
defendendo maior atenção às dimensões intencionais, aos conflitos e às
disputas que moldam os campos organizacionais. Essa crítica foi articulada ao
conceito de estruturação de Giddens, segundo o qual estruturas sociais
constituem simultaneamente o contexto e o resultado da ação humana.

Nas páginas finais desse trecho, Scott explica que, nessa perspectiva, as
estruturas não são entidades fixas, mas processos continuamente produzidos e
reproduzidos por atores reflexivos e intencionais. O autor observa que um
número crescente de pesquisadores passou a adotar essa visão processual
das organizações e das instituições, investigando tanto a construção de novos
arranjos institucionais quanto processos de conflito, desinstitucionalização e
reconstrução institucional. Essa renovada atenção à mudança e aos estudos
longitudinais é apresentada como um indicador do amadurecimento da
pesquisa institucional e de seu interesse crescente pelos contextos históricos,
pela dependência de trajetória e pela coevolução entre organizações e
instituições.

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