Universidade de Brasília
Faculdade de Medicina
Curso de Especialização em Medicina de Família e Comunidade
Projeto de Intervenção
ALESSANDRA RODRIGUES CREMASCO
FORTALECIMENTO E QUALIFICAÇÃO DO
ACOMPANHAMENTO PRÉ NATAL NA
UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE JOSÉ DE
ANCHIETA
Brasília
2026
ALESSANDRA RODRIGUES CREMASCO
FORTALECIMENTO E QUALIFICAÇÃO DO
ACOMPANHAMENTO PRÉ NATAL NA UNIDADE
BÁSICA DE SAÚDE JOSÉ DE ANCHIETA
O presente projeto de intervenção tem como
objetivo qualificar o acompanhamento pré-
natal na Unidade Básica de Saúde José de
Anchieta, por meio do fortalecimento do aco-
lhimento, ampliação das ações educativas, in-
centivo à participação do parceiro e organi-
zação do processo de trabalho da equipe, vi-
sando melhorar a assistência materno-infantil
na Atenção Primária à Saúde.
Orientador: ANA PAULA RAMIRES RO-
SEMBERGUE
Brasília
2026
ALESSANDRA RODRIGUES CREMASCO
FORTALECIMENTO E QUALIFICAÇÃO DO
ACOMPANHAMENTO PRÉ NATAL NA UNIDADE
BÁSICA DE SAÚDE JOSÉ DE ANCHIETA
O presente projeto de intervenção tem como
objetivo qualificar o acompanhamento pré-
natal na Unidade Básica de Saúde José de
Anchieta, por meio do fortalecimento do aco-
lhimento, ampliação das ações educativas, in-
centivo à participação do parceiro e organi-
zação do processo de trabalho da equipe, vi-
sando melhorar a assistência materno-infantil
na Atenção Primária à Saúde.
Monografia aprovada em ___/___/___.
ANA PAULA RAMIRES
ROSEMBERGUE
Orientador
ANAISA GOMES RAMOS
Convidado
Brasília
2026
Dedico este trabalho às gestantes acompanhadas na Atenção Primária à Saúde, à equipe
da Unidade Básica de Saúde José de Anchieta e a todos os profissionais que atuam com
compromisso, acolhimento e cuidado humanizado na promoção da saúde materno-infantil.
Agradecimentos
Agradeço à equipe da Unidade Básica de Saúde José de Anchieta, aos tutores da
UNA-SUS, às gestantes acompanhadas durante a prática profissional e à minha família,
pelo apoio, incentivo e contribuição para a realização deste projeto de intervenção voltado
ao fortalecimento do pré-natal na Atenção Primária à Saúde.
Cuidar da gestante é promover saúde, acolhimento e proteção para mãe e filho,
fortalecendo vínculos e garantindo um acompanhamento pré-natal humanizado, integral e
contínuo na Atenção Primária à Saúde.”
Resumo
Atenção Primária à Saúde desempenha papel fundamental na organização do cuidado
materno-infantil, sendo o pré-natal uma estratégia essencial para a promoção da saúde e a
prevenção de agravos durante a gestação. Este projeto de intervenção tem como objetivo
qualificar o acompanhamento pré-natal na UBS José de Anchieta, fortalecendo práticas
já existentes e ampliando ações educativas, o acolhimento humanizado e o vínculo entre
equipe, gestantes e familiares, além de estimular a participação do parceiro. Trata-se de
um estudo intervencionista desenvolvido no contexto da Estratégia Saúde da Família, com
participação da equipe multiprofissional e das gestantes acompanhadas na unidade. Entre
as ações propostas, destacam-se o fortalecimento do acolhimento, a realização de grupos
educativos mensais, a implementação do pré-natal do parceiro, a busca ativa de faltosas e
as consultas compartilhadas entre médico e enfermagem. Espera-se, com a implementação
dessas estratégias, melhorar a qualidade do pré-natal, ampliar o protagonismo das gestan-
tes, fortalecer o vínculo com a equipe de saúde e qualificar os indicadores assistenciais,
promovendo cuidado integral, contínuo e humanizado.
Palavras-chave: pré-natal; gestação; atenção integral à saúde da mulher; atenção primária
à saúde
Sumário
1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
2 JUSTIFICATIVA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
4 OBJETIVOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
5 METODOLOGIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
6 RESULTADOS ESPERADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
1 Introdução
Apesar dos avanços observados na ampliação do acesso ao pré-natal, a morbimortalidade
materna e neonatal ainda representa importante desafio de saúde pública no Brasil. Em
2022, a razão de mortalidade materna no país foi de 57,7 óbitos por 100 mil nascidos vivos,
enquanto entre mulheres pretas esse número chegou a 110,6, evidenciando desigualdades
no acesso e na qualidade da assistência ofertada. Nesse contexto, o Ministério da Saúde
destaca a necessidade de fortalecimento das redes de cuidado, com vistas à redução de
desfechos evitáveis e à qualificação da atenção à saúde materna e infantil.
No Espírito Santo, o cenário também reforça a relevância do tema. Dados finais de
2024 apontam razão de mortalidade materna de 48,1 óbitos por 100 mil nascidos vivos no
estado, com maior concentração na regional Metropolitana, que apresentou razão de 61,8.
No mesmo período, foram registrados 24 óbitos maternos, 448 óbitos fetais e 610 óbitos
infantis, indicadores que demonstram a necessidade de vigilância contínua e de qualificação
permanente da assistência pré-natal, ao parto e ao cuidado neonatal (SAÚDE, 2025a).
Além disso, documentos estaduais recentes evidenciam que, em 2024, foram registradas
1.979 consultas de pré-natal do parceiro no Espírito Santo e 389 ações educativas voltadas
às gestantes, com participação total de 5.840 pessoas. Entretanto, o próprio documento
ressalta a necessidade de ampliar a adesão dos parceiros a esse cuidado, especialmente em
regiões de maior contingente populacional. Tais dados demonstram que, mesmo diante
da oferta de ações e estratégias institucionais, ainda persistem desafios relacionados à
participação do parceiro, ao fortalecimento das atividades educativas e à ampliação do
cuidado compartilhado durante o processo gestacional (SAÚDE, 2025b).
Diante desse contexto, este projeto de intervenção tem como objetivo qualificar o
acompanhamento pré-natal na UBS José de Anchieta, fortalecendo as práticas já existentes
e ampliando ações que favoreçam a integralidade do cuidado, a humanização da assistência,
o protagonismo da gestante e a corresponsabilização da família no processo de cuidado.
Pretende-se, com isso, contribuir para a melhoria da qualidade do pré-natal ofertado na
unidade, por meio do fortalecimento do vínculo entre equipe e gestantes, da ampliação das
ações de educação em saúde, da maior participação do parceiro e da família, do estímulo
ao protagonismo da mulher e do aperfeiçoamento dos indicadores de acompanhamento
materno-infantil.
.
2 Justificativa
A escolha do tema Fortalecimento e qualificação do acompanhamento pré-natal na
UBS José de Anchieta justifica-se pela relevância do pré-natal como uma das principais
estratégias de promoção da saúde materno-infantil e prevenção de agravos durante a
gestação, o parto e o puerpério. Embora a Atenção Primária à Saúde seja a principal
porta de entrada e coordenadora desse cuidado, ainda persistem desafios importantes
relacionados à qualidade da assistência, à integralidade do acompanhamento e à redução
de desfechos maternos e neonatais evitáveis.
A pertinência deste projeto também se apoia no cenário epidemiológico atual, uma vez
que a morbimortalidade materna e infantil ainda representa importante problema de saúde
pública no Brasil e no Espírito Santo. Além disso, as desigualdades no acesso, na qualidade
da assistência e na participação efetiva da gestante, do parceiro e da família no processo
de cuidado reforçam a necessidade de implementação de estratégias que fortaleçam a
assistência pré-natal no âmbito da Estratégia Saúde da Família.
No contexto da UBS José de Anchieta, observa-se a existência de práticas já consolidadas
no acompanhamento das gestantes, como consultas regulares, atuação multiprofissional e
participação dos Agentes Comunitários de Saúde. Entretanto, identificam-se possibilidades
de aprimoramento relacionadas à ampliação das ações educativas, ao fortalecimento do
acolhimento humanizado, à busca ativa de gestantes faltosas, ao incentivo ao pré-natal do
parceiro e ao fortalecimento do vínculo entre equipe, gestante e familiares. Dessa forma, o
projeto apresenta relevância prática, pois propõe intervenções viáveis e compatíveis com a
realidade local, com potencial para qualificar o cuidado ofertado e fortalecer os indicadores
assistenciais da unidade.
Este estudo também se justifica por sua relevância acadêmica e social, ao possibilitar
reflexão crítica sobre o processo de trabalho da equipe de saúde e contribuir para a
construção de estratégias de intervenção voltadas à melhoria contínua da assistência.
Assim, espera-se que a proposta possa não apenas beneficiar diretamente as gestantes
acompanhadas na UBS José de Anchieta, mas também servir como referência para outras
equipes da Atenção Primárias interessadas em fortalecer a qualidade do pré-natal e
promover cuidado integral, humanizado e centrado nas necessidades da mulher e de sua
família.
3 Fundamentação teórica
3.1 Atenção Primária à Saúde e Estratégia Saúde da Família
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui o eixo estruturante do Sistema Único de
Saúde (SUS), sendo responsável pela coordenação do cuidado e pela ordenação da Rede
de Atenção à Saúde. Caracteriza-se por sua atuação territorializada e pela valorização de
atributos essenciais, como a longitudinalidade, a integralidade e a construção de vínculo
entre equipe e usuários.
Nesse contexto, a APS configura-se como espaço privilegiado para o acompanhamento
das gestantes, possibilitando a identificação precoce de fatores de risco e a implementação de
intervenções oportunas e resolutivas. A Estratégia Saúde da Família (ESF), como principal
modelo de organização da APS no Brasil, fortalece esse cuidado ao permitir atuação
multiprofissional, conhecimento do território e abordagem ampliada dos determinantes
sociais da saúde (SAÚDE, 2017).
3.2 O pré-natal como intervenção estratégica em saúde pública
O pré-natal, enquanto componente fundamental da atenção à saúde da mulher, tem
como objetivo garantir o desenvolvimento adequado da gestação, reduzir riscos maternos e
perinatais e promover experiências positivas no ciclo gravídico-puerperal.
Entretanto, evidências científicas apontam que a ampliação do acesso às consultas,
isoladamente, não é suficiente para assegurar desfechos favoráveis, sendo imprescindível
a qualificação da assistência prestada. Dessa forma, o pré-natal deve ser compreendido
como uma intervenção estratégica em saúde pública, com potencial de impacto direto na
redução da morbimortalidade materna e neonatal (WHO, 2016).
3.3 Qualidade da atenção e longitudinalidade do cuidado
A qualidade da atenção pré-natal está diretamente relacionada à continuidade do
acompanhamento e à integralidade do cuidado ofertado. A longitudinalidade, característica
essencial da APS, permite o seguimento da gestante ao longo de todo o ciclo gravídico-
puerperal, favorecendo a construção de vínculo e a detecção precoce de agravos.
Além disso, a realização de consultas periódicas, exames preconizados e vigilância
contínua dos fatores de risco são fundamentais para garantir assistência resolutiva e segura
(BRASIL, 2012).
3.4 Humanização do cuidado e tecnologias relacionais
De acordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, o pré-natal deve ser desenvolvido
sob a perspectiva da humanização, incorporando não apenas aspectos clínicos, mas também
dimensões psicológicas, sociais e culturais da gestante.
A humanização do cuidado implica práticas como acolhimento qualificado, escuta ativa,
respeito à autonomia da mulher e compartilhamento das decisões terapêuticas. Essas ações,
consideradas tecnologias relacionais, contribuem significativamente para o fortalecimento
do vínculo entre equipe de saúde e usuária, sendo determinantes para a adesão ao pré-natal
(BRASIL, 2006).
3.5 Educação em saúde e letramento em saúde
As ações educativas em saúde desempenham papel central na qualificação do pré-
natal. Estratégias como grupos educativos e rodas de conversa favorecem a construção
compartilhada do conhecimento, promovem a autonomia da gestante e estimulam seu
protagonismo no processo de cuidado.
Nesse contexto, o letramento em saúde destaca-se como elemento essencial, pois
possibilita à gestante compreender informações, tomar decisões informadas e adotar
práticas saudáveis durante a gestação, o parto e o puerpério (SAÚDE, 2012).
3.6 Participação do parceiro e cuidado familiar
A participação do parceiro no pré-natal tem sido incentivada pelas políticas públicas
como estratégia de ampliação da integralidade do cuidado. O pré-natal do parceiro favorece
o envolvimento da família no processo gestacional, fortalece a rede de apoio à gestante e
contribui para a inserção dos homens nos serviços de saúde.
Essa abordagem amplia as ações de promoção e prevenção, além de reforçar o cuidado
centrado na família (BRASIL, 2023).
3.7 Organização do processo de trabalho na APS
A organização do processo de trabalho na APS é um elemento fundamental para a
efetividade das ações de pré-natal. A atuação multiprofissional, o planejamento das ações,
a definição de fluxos assistenciais e a articulação com outros pontos da rede de atenção
são essenciais para garantir a continuidade e a integralidade do cuidado.
Além disso, estratégias como consultas compartilhadas entre médico e enfermagem
fortalecem o trabalho em equipe e ampliam a resolutividade da assistência (SAÚDE, 2017).
3.8 Monitoramento, busca ativa e qualificação do cuidado
A busca ativa de gestantes faltosas e o monitoramento contínuo dos indicadores assis-
tenciais são ferramentas indispensáveis para a qualificação do cuidado. O acompanhamento
sistemático permite identificar fragilidades no processo de trabalho, orientar intervenções
e subsidiar o planejamento em saúde.
A utilização de sistemas de informação e instrumentos de gestão contribui para a
organização do cuidado e para a melhoria da qualidade da assistência ofertada (SAÚDE,
2017).
3.9 Síntese integrativa da qualificação do pré-natal na APS
Diante do exposto, evidencia-se que a qualificação do pré-natal na APS depende da
articulação de múltiplas estratégias, incluindo acolhimento qualificado, educação em saúde,
participação do parceiro, atuação multiprofissional e monitoramento de indicadores.
Tais elementos sustentam teoricamente as intervenções propostas neste projeto, de-
monstrando sua coerência com as diretrizes do SUS e sua aplicabilidade no contexto da
Unidade Básica de Saúde José de Anchieta.
Assim, o fortalecimento do acompanhamento pré-natal, baseado em práticas integradas,
humanizadas e centradas na gestante e em sua família, mostra-se fundamental para
garantir o cuidado integral e contínuo, contribuindo para a melhoria dos indicadores de
saúde materno-infantil e para a consolidação de um modelo de atenção mais equitativo e
resolutivo (BRASIL, 2023; SAÚDE, 2012; SAÚDE, 2017; WHO, 2016).
4 Objetivos
4.1 Objetivo Geral
Qualificar o acompanhamento pré-natal na Unidade Básica de Saúde José de Anchieta,
por meio do fortalecimento do acolhimento, da ampliação das ações educativas, do incentivo
à participação do parceiro e da organização do processo de trabalho da equipe, para
garantir o cuidado integral, contínuo e humanizado das gestantes, com impacto positivo
nos indicadores de saúde materno-infantil.
4.2 Objetivos Específicos
Fortalecer o acolhimento das gestantes na unidade, promovendo escuta qualificada
e atendimento humanizado desde o início do pré-natal, para melhorar o vínculo entre
usuárias e equipe de saúde e favorecer a adesão ao acompanhamento, garantindo o cuidado
contínuo;
Ampliar e sistematizar a realização de grupos educativos mensais, abordando temas
relacionados à gestação, parto, puerpério e cuidados com o recém-nascido, para promover
educação em saúde, autonomia e preparo das gestantes, contribuindo para o cuidado
integral;
Incentivar a participação do parceiro no acompanhamento pré-natal, por meio da
implementação do pré-natal do parceiro, para fortalecer o apoio à gestante, o vínculo
familiar e a corresponsabilização no cuidado;
Realizar busca ativa das gestantes faltosas, com apoio dos Agentes Comunitários de
Saúde, para garantir a continuidade do acompanhamento e reduzir riscos maternos e fetais;
Estimular a realização de consultas compartilhadas entre médico e enfermagem, para
fortalecer o trabalho multiprofissional e ampliar a resolutividade da assistência, assegurando
abordagem integral;
Promover o fortalecimento do vínculo entre equipe de saúde, gestantes e familiares,
para favorecer o cuidado longitudinal, contínuo e centrado nas necessidades da usuária;
Melhorar o registro e o monitoramento das ações de pré-natal, para qualificar os
indicadores assistenciais e subsidiar o planejamento das ações, garantindo continuidade do
cuidado;
Estimular o protagonismo da gestante no seu processo de cuidado, promovendo autono-
mia e corresponsabilização, para favorecer práticas seguras e fortalecer o cuidado integral
durante a gestação e o puerpério.
5 Metodologias
5.1 Delineamento do estudo
Trata-se de um estudo de intervenção, com abordagem mista (quantitativa e qualitativa),
desenvolvido no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), na Unidade Básica de
Saúde José de Anchieta, localizada no município de Serra–ES, no âmbito da Estratégia
Saúde da Família (ESF).
O estudo tem como finalidade a qualificação do processo de trabalho e da assistên-
cia pré-natal, a partir da implementação de estratégias organizacionais e assistenciais
fundamentadas nas diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS).
5.2 Cenário do estudo
O cenário da intervenção será a Unidade Básica de Saúde José de Anchieta, inse-
rida na rede de Atenção Primária à Saúde do município de Serra–ES, responsável pelo
acompanhamento pré-natal de gestantes adscritas ao território.
A unidade conta com equipe multiprofissional composta por médico, enfermeiro, técnicos
de enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), atuando de forma integrada na
assistência à população.
5.3 População do estudo
A população do estudo será composta por:
Gestantes acompanhadas no pré-natal da unidade durante o período de execução do
projeto;
Profissionais da equipe de saúde diretamente envolvidos no cuidado pré-natal (médico,
enfermeiro, técnicos de enfermagem e ACS).
5.4 Etapas do projeto de intervenção
O projeto será desenvolvido em quatro etapas sequenciais e interdependentes:
5.4.1 Diagnóstico situacional
Será realizada análise do processo de trabalho e da assistência pré-natal na unidade,
por meio de:
Revisão de prontuários físicos e eletrônicos (e-SUS APS);
Levantamento de indicadores assistenciais (início do pré-natal, número de consultas,
adesão, participação em atividades educativas e presença do parceiro);
Observação do fluxo de atendimento e da organização do processo de trabalho da
equipe;
Identificação de fragilidades e potencialidades relacionadas ao cuidado pré-natal.
5.4.2 Planejamento das intervenções
Com base no diagnóstico situacional, serão definidas e organizadas intervenções voltadas
à qualificação do pré-natal, incluindo:
Reorganização do acolhimento às gestantes;
Implantação e/ou sistematização de grupos educativos mensais;
Ampliação da participação do parceiro no pré-natal;
Estruturação da busca ativa de gestantes faltosas;
Implementação de consultas compartilhadas entre médico e enfermagem.
As ações serão planejadas em conjunto com a equipe de saúde, respeitando a realidade
local e os fluxos assistenciais já existentes na unidade.
5.4.3 Implementação das intervenções
As intervenções serão executadas de forma contínua durante o período do estudo,
contemplando:
Acolhimento qualificado: com escuta ativa, identificação de necessidades e fortalecimento
do vínculo;
Grupos educativos: encontros mensais abordando temas como gestação, sinais de alerta,
alimentação, saúde mental, parto, puerpério e cuidados com o recém-nascido;
Pré-natal do parceiro: incentivo à participação ativa do companheiro nas consultas e
atividades educativas;
Busca ativa: realizada com apoio dos Agentes Comunitários de Saúde para acompanha-
mento de gestantes faltosas;
Consultas compartilhadas: articulação entre médico e enfermagem visando ampliar a
integralidade do cuidado.
5.4.4 Monitoramento e avaliação
O monitoramento será realizado de forma contínua, utilizando indicadores assistenciais
e análise qualitativa do processo de trabalho.
Indicadores quantitativos:
Proporção de gestantes com início precoce do pré-natal (até o 1 trimestre);
Número médio de consultas realizadas por gestante;
Taxa de absenteísmo em consultas;
Participação em atividades educativas;
Participação do parceiro no pré-natal.
Indicadores qualitativos:
Percepção da equipe de saúde sobre o processo de trabalho;
Percepção das gestantes quanto ao acolhimento, vínculo e qualidade da assistência;
Observação do fortalecimento do cuidado longitudinal.
5.5 Análise dos dados
Os dados quantitativos serão analisados por meio de estatística descritiva simples,
utilizando frequências absolutas e relativas.
Os dados qualitativos serão analisados por meio de abordagem descritiva interpretativa,
a partir de registros de observação e relatos dos profissionais de saúde e das usuárias.
5.6 Aspectos éticos
O estudo respeitará os princípios éticos estabelecidos pela Resolução n 466/2012 do
Conselho Nacional de Saúde, garantindo:
Sigilo e confidencialidade das informações;
Utilização dos dados exclusivamente para fins acadêmicos e assistenciais;
Respeito à autonomia dos participantes.
Por se tratar de projeto de intervenção no serviço, com foco na melhoria da qualidade
da assistência, poderá haver dispensa de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa,
conforme normativas institucionais vigentes.
5.7 Síntese metodológica
O presente estudo configura-se como uma intervenção em Atenção Primária à Saúde
orientada à qualificação do processo de trabalho, com foco na melhoria do acompanhamento
pré-natal.
As estratégias propostas envolvem ações assistenciais, organizacionais e educativas,
articuladas ao monitoramento contínuo de indicadores e à participação ativa da equipe
multiprofissional, visando à melhoria da qualidade da assistência materno-infantil.
6 Resultados esperados
Espera-se que a implementação das intervenções propostas contribua significativamente
para a qualificação do acompanhamento pré-natal na Unidade Básica de Saúde José
de Anchieta, promovendo melhorias no processo de trabalho da equipe e na assistência
ofertada às gestantes, com base nos princípios da integralidade, longitudinalidade e cuidado
centrado na usuária.
No eixo do acesso e adesão, espera-se ampliar a captação precoce das gestantes,
favorecendo o início do pré-natal ainda no primeiro trimestre de gestação, bem como
aumentar a adesão às consultas e reduzir a taxa de absenteísmo, por meio do fortalecimento
do acolhimento e da implementação de estratégias de busca ativa.
No eixo da qualidade assistencial, espera-se aumento do número médio de consultas
por gestante, melhoria da completude e organização dos registros em prontuário e maior
sistematização do acompanhamento pré-natal, contribuindo para uma assistência mais
resolutiva e segura.
No eixo da integralidade do cuidado, espera-se ampliação da participação das gestantes
em atividades educativas, promovendo o fortalecimento do letramento em saúde, maior
autonomia e protagonismo no processo gestacional, além de melhor preparo para o parto,
puerpério e cuidados com o recém-nascido.
No eixo familiar e social, espera-se incremento da participação do parceiro no acompa-
nhamento pré-natal, fortalecendo o vínculo familiar, ampliando o suporte social à gestante
e promovendo a corresponsabilização no cuidado.
No eixo organizacional, espera-se fortalecimento do trabalho multiprofissional, com
maior integração entre médico, enfermagem e Agentes Comunitários de Saúde, ampliação
das consultas compartilhadas e melhoria na coordenação do cuidado, com reorganização
dos fluxos assistenciais.
Além disso, espera-se aprimoramento do vínculo entre equipe de saúde, gestantes e
familiares, favorecendo um cuidado mais humanizado, contínuo e centrado nas necessidades
das usuárias.
Do ponto de vista dos indicadores assistenciais, espera-se aumento da proporção de
gestantes com acompanhamento adequado, melhoria nos registros clínicos e qualificação
das ações desenvolvidas no pré-natal.
Por fim, espera-se que o projeto contribua para a melhoria da qualidade do cuidado
materno-infantil na unidade, com potencial impacto na redução de agravos evitáveis
durante a gestação, parto e puerpério, além de fortalecer a organização da assistência
na Atenção Primária à Saúde e servir como modelo para outras equipes interessadas na
qualificação do pré-natal.
7 Considerações finais
O presente projeto de intervenção evidenciou a importância da qualificação do acompa-
nhamento pré-natal no âmbito da Atenção Primária à Saúde, destacando o papel estratégico
da Unidade Básica de Saúde José de Anchieta na promoção do cuidado materno-infantil
integral, contínuo e humanizado.
A partir da análise do contexto local, foi possível identificar potencialidades já exis-
tentes na unidade, como a boa adesão das gestantes ao pré-natal, o acompanhamento
multiprofissional e a atuação dos Agentes Comunitários de Saúde na busca ativa e no
fortalecimento do vínculo com as usuárias. No entanto, também foram evidenciadas fra-
gilidades relacionadas à ampliação das ações educativas, à participação do parceiro e à
necessidade de aprimoramento contínuo do processo de trabalho da equipe.
Diante disso, a proposta de intervenção mostrou-se pertinente e viável, ao apresentar
estratégias alinhadas às diretrizes da Atenção Primária à Saúde e às políticas públicas
voltadas à saúde da mulher, com foco na humanização da assistência, no fortalecimento
do vínculo e na promoção do protagonismo da gestante.
Espera-se que as ações implementadas contribuam para a melhoria da qualidade da
assistência pré-natal, com impacto positivo nos indicadores de saúde materno-infantil,
além de favorecer maior integração da equipe, fortalecimento do cuidado compartilhado e
ampliação da participação da família no processo gestacional.
Ressalta-se, ainda, a importância da continuidade das ações propostas e do monitora-
mento sistemático dos indicadores assistenciais, como forma de garantir a sustentabilidade
das melhorias implementadas e o aperfeiçoamento constante da assistência.
Por fim, destaca-se que este estudo contribui não apenas para a realidade da UBS José
de Anchieta, mas também para a reflexão sobre práticas de cuidado na Atenção Primária
à Saúde, podendo servir como referência para outras equipes que buscam qualificar o
acompanhamento pré-natal e promover um cuidado mais resolutivo, humanizado e centrado
nas necessidades das gestantes e de suas famílias.
Referências
BRASIL, M. d. s. Pré-natal e puerpério: atenção qualificada e humanizada – manual
técnico. Brasília: Ministério da saúde, 2006. Citado na página 11.
BRASIL, M. d. S. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério da saúde, 2012.
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BRASIL, M. d. s. Guia do pré-natal do parceiro para profissionais de saúde. Brasília:
Ministério da saúde, 2023. Citado 2 vezes nas páginas 11 e 12.
SAÚDE, B. Ministerio da. Atenção ao Pré-natal de Baixo Risco. 2012. Disponível em:
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SAÚDE, E. S. Secretaria de Estado da. Boletim epidemiológico da saúde materno-infantil.
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SAÚDE, E. S. Secretaria de Estado da. Relatório de ações de saúde materno-infantil.
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WHO, W. H. O. WHO Recommendations on Antenatal Care for a Positive Pregnancy
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