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O documento apresenta uma narrativa sombria e intensa, onde o protagonista enfrenta medos e demônios pessoais em um ambiente opressivo. A história é marcada por encontros com figuras do passado e desafios físicos em um cenário de luta. A tensão aumenta à medida que o protagonista se depara com uma figura familiar em um confronto inesperado.
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Guia 1

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Introdução

Os passos queimam no asfalto gelado.


O sangue me acompanha a cada metro pelo chão.
Ainda não quero voltar e ver aquilo de novo.

As cercas de ferro me encaram.


O cheiro dos carros da madrugada é intoxicante.
O céu escuro fecha ao redor quando os postes encontram o meu caminho.

E logo percebi tarde demais que ele me esperava.

Capítulo 1

Tic Tac.
Tic Tac.
O relógio ecoa pelo pequeno quarto.

Enquanto os medos noturnos me perseguem, escuto a respiração leve dos meus próprios
demônios.

Tic Tac.
Tic Tac.

O medo é palpável enquanto sinto o cheiro dos energéticos e comida podre.

Tic Tac.
Tic Tac.

Lembrar o que eu li naquele dia ainda me atormenta.


Levanto da cama.

Em cima da mesa tem uma carta.

A carta está aberta.


O nojo ainda é explícito.

Ignoro. Ainda não é o momento.

*
Eu sinto as pessoas olhando para mim.
É estranho como tudo mudou de repente.

— Ei, mãe! Me compra um sorvete? — Pergunta uma criança animada.

Eu passo reto por eles.


— Mamãe, por que aquele garoto fede e é assim?

Minha pele translúcida queima no sol.


Eu coloco o meu casaco que está manchado de gordura.

Capítulo 2

As paredes ornamentadas de pedra se estendem até os céus.


O cheiro de suor humano e carne preenche as lacunas irregulares.
O rosto cansado daquele que nunca voltará me observa de dentro das janelas mal feitas.

Um sorriso quebrado cresce em meus lábios enquanto entro na instalação.

*
Meu peito aperta como se alguém tentasse sair.
— Concorrente Especial, levante.
O ar trava na garganta enquanto tento fazer minhas pernas responderem.

— Vá até a porta 32 e espere lá

Os corredores engolem o som dos meus passos.


O quadriculado guia o meu olhar para o vazio.
Participantes passam ao meu lado — alguns feridos e alguns sem vida.
“Neuróticos são perigosos” penso.

A porta de metal treme por falta de energia.


Passo pela porta.

O cheiro de areia molhada pela chuva irrita o meu nariz.


A água cai do céu e molha minhas roupas.
Pessoas lutando em quadrados de areia.
Olho em volta.

— Campo 5. Adam e Lívia — Um alto falante diz.

Caminho até a quadra.


Diferente das outras, essa é de pedra.
Pela névoa da chuva, tem alguém do outro lado.
— Está de sacanagem…
— Olá, “irmãozinho” — Diz Lívia.

Ela ainda usa tranças em cada lado do pescoço.


Cabelo solto atrás.
Usa uma máscara de tédio Branca.
Uma camisa branca e shorts preto.

Ela avança com um pulo.


Uma faca aparece na mão dela.
— Qual o seu problema?! — Grito.

Sem resposta.

Cada vez ela fica mais rápida.


— Como…
Ela me acerta.
— Ah! Porra!

— Não vai usar o seu monstro? — Ela debocha.


— Cala… a… boca…

Avanço para cima dela…

Capítulo 3

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