RESUMÃO DE
POLÍTICAS DE SAÚDE
Concursos e Residências
Política Nacional de Atenção Integral
à Saúde da Criança (PNAISC)
SUS
Resumido
Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da
Criança (PNAISC)
Introdução
A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC)é
um marco fundamental no Sistema Único de Saúde (SUS) para a garantia
do direito à vida e à saúde de crianças no Brasil. Instituída no âmbito do
SUS pela Portaria nº 1.130, de 5 de agosto de 2015, a PNAISC visa
aprimorar a atenção à saúde da criança, desde a gestação até os 9 anos
de vida, com um olhar especial para a primeira infância e populações
vulneráveis. Este e-book condensa os pontos mais relevantes da PNAISC e
seus anexos, conforme literatura oficial, para otimizar seus estudos e
prepará-lo para as questões de prova.
Capítulo 1: Disposições Gerais da PNAISC
1.1. Objetivo da PNAISC
A PNAISC tem por objetivo promover e
proteger a saúde da criança e o
aleitamento materno, por meio de atenção e
cuidados integrais e integrados da gestação
aos 9 (nove) anos de vida. Há uma especial
atenção à primeira infância e às populações
de maior vulnerabilidade. O propósito final é a
redução da morbimortalidadee a criação de
um ambiente que facilite a vida com
condições dignas de existência e pleno
desenvolvimento.
💡 Dica de Prova:Memorize o período "da gestação aos 9 anos de vida". É
um detalhe frequentemente cobrado.
1.2. Definições para fins da PNAISC
Para uma correta aplicação da Política, são consideradas as seguintes
definições etárias:
Criança: Pessoa na faixa etária de 0
(zero) a 9 (nove) anos, ou seja, de 0
(zero) até completar 10 (dez) anos ou 120
(cento e vinte) meses.
Primeira Infância:Pessoa na faixa etária
de 0 (zero) a 5 (cinco) anos, ou seja, de
0 (zero) até completar 6 (seis) anos ou 72
(setenta e dois) meses.
⚠️ Atenção: Para fins de atendimento em serviços de pediatria no SUS, a
PNAISC contemplará crianças e adolescentes até a idade de 15 (quinze)
anos, ou seja, de 0 (zero) até completar 16 (dezesseis) anos ou 192 (cento
e noventa e dois) meses. Este limite etário é passível de alteração
conforme normas e rotinas do estabelecimento de saúde.
1.3. Princípios Orientadores da PNAISC
A PNAISC é orientada por 8 (oito) princípios fundamentais:
I - direito à vida e à saúde;
II - prioridade absoluta da criança;
III - acesso universal à saúde;
IV - integralidade do cuidado;
V - equidade em saúde;
VI - ambiente facilitador à vida;
VII - humanização da atenção; e
VIII - gestão participativa e controle social.
💡 Dica de Prova: Entender e memorizar esses princípios é crucial, pois
podem ser cobrados em questões de verdadeiro ou falso, ou para
identificar qual princípio está sendo aplicado em um cenário.
1.4. Diretrizes da PNAISC
As diretrizes devem ser observadas na elaboração dos planos, programas,
projetos e ações de saúde voltadas para crianças:
I - gestão interfederativa das ações de saúde da criança;
II - organização das ações e serviços na rede de atenção;
III - promoção da saúde;
IV - fomento à autonomia do cuidado e da corresponsabilidade da
família;
V - qualificação da força de trabalho do SUS;
VI - planejamento e desenvolvimento de ações;
VII - incentivo à pesquisa e à produção de conhecimento;
VIII - monitoramento e avaliação; e
IX - intersetorialidade.
💡Dica de Prova: Diferencie "princípios" de "diretrizes". Princípios são os valores
e fundamentos, enquanto diretrizes são as linhas de ação para a política.
1.5. Estrutura da PNAISC: Os Sete Eixos Estratégicos
A PNAISC se estrutura em 7 (sete) eixos estratégicos. Eles visam orientar
e qualificar as ações e serviços de saúde da criança no território nacional,
considerando determinantes sociais para garantir o direito à vida e à
saúde. O objetivo é permitir o nascimento e o pleno desenvolvimento na
infância de forma saudável e harmoniosa, bem como a redução de
vulnerabilidades, riscos e prevenção de doenças crônicas e da morte
prematura de crianças.
💡 Dica de Prova: Conhecer os 7 eixos é fundamental. Questões podem pedir
para listar os eixos ou identificar a qual eixo pertence uma determinada ação.
Capítulo 2: Os Sete Eixos Estratégicos e Suas Ações
Estratégicas
Neste capítulo, detalharemos cada um dos sete eixos estratégicos da
PNAISC, abordando suas definições e as principais ações estratégicas
associadas, conforme a legislação.
2.1. Eixo I: Atenção Humanizada e Qualificada à Gestação, ao
Parto, ao Nascimento e ao Recém-Nascido
Definição: Consiste na melhoria do acesso,
cobertura, qualidade e humanização da atenção
obstétrica e neonatal, integrando ações do pré-
natal e acompanhamento da criança na atenção
básica com as desenvolvidas nas maternidades,
formando uma rede articulada de atenção.
Ações Estratégicas:
A prevenção da transmissão vertical do HIV e da sífilis.
A atenção humanizada e qualificada ao parto e ao recém-nascido no
momento do nascimento, com capacitação de profissionais para
prevenção da asfixia neonatal e apoio a parteiras tradicionais.
A atenção humanizada ao recém-nascido prematuro e de baixo peso,
com a utilização do "Método Canguru". (Detalhado no Capítulo 4)
A qualificação da atenção neonatal na rede de saúde materna,
neonatal e infantil, com especial atenção aos recém-nascidos graves
ou potencialmente graves, internados em Unidade Neonatal, com
cuidado progressivo entre UTIN, UCINCo e UCINCa.
A alta qualificada do recém-nascido da maternidade, com vinculação
da dupla mãe-bebê à Atenção Básica, de forma precoce, para
continuidade do cuidado (ex: "5º Dia de Saúde Integral").
O seguimento do recém-nascido de risco, após a alta da maternidade,
de forma compartilhada entre a Atenção Especializada e a Atenção
Básica.
As triagens neonatais universais.
2.2. Eixo II: Aleitamento Materno e Alimentação
Complementar Saudável
Definição: Estratégia ancorada na promoção,
proteção e apoio ao aleitamento materno,
iniciando na gestação, considerando as vantagens
da amamentação para a criança, mãe, família e
sociedade, e a importância do estabelecimento de
hábitos alimentares saudáveis.
Ações Estratégicas:
A Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC). (Detalhada no
Capítulo 4)
A Estratégia Nacional para Promoção do Aleitamento Materno e
Alimentação Complementar Saudável no SUS - Estratégia Amamenta
e Alimenta Brasil (EAAB).
A Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA).
A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano.
A implementação da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos
para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos Chupetas e
Mamadeiras (NBCAL).
A mobilização social em aleitamento materno.
2.3. Eixo III: Promoção e Acompanhamento do Crescimento e
do Desenvolvimento Integral
Definição: Consiste na vigilância e estímulo do pleno crescimento e
desenvolvimento da criança, em especial do "Desenvolvimento na Primeira
Infância (DPI)", pela atenção básica à saúde, conforme as orientações da
"Caderneta de Saúde da Criança", incluindo ações de apoio às famílias para
fortalecimento de vínculos familiares.
Ações Estratégicas:
A disponibilização da "Caderneta de Saúde da Criança", com
atualização periódica de seu conteúdo. (Detalhada no Capítulo 4)
A qualificação do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento
da primeira infância pela Atenção Básica à Saúde.
O Comitê de Especialistas e de Mobilização Social para o
Desenvolvimento Integral da Primeira Infância, no âmbito do SUS.
O apoio à implementação do Plano Nacional pela Primeira Infância.
2.4. Eixo IV: Atenção Integral a Crianças com Agravos
Prevalentes na Infância e com Doenças Crônicas
Definição:Estratégia para o diagnóstico precoce
e a qualificação do manejo de doenças
prevalentes na infânciae ações de prevenção de
doenças crônicas e de cuidado dos casos
diagnosticados, com fomento da atenção e
internação domiciliar sempre que possível.
Ações Estratégicas:
A Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI).
A construção de diretrizes de atenção e linhas de cuidado.
O fomento da atenção e internação domiciliar.
2.5. Eixo V: Atenção Integral à Criança em Situação de
Violências, Prevenção de Acidentes e Promoção da Cultura
de Paz
Definição: Articular um conjunto de ações e estratégias da rede de saúde
para a prevenção de violências, acidentes e promoção da cultura de
paz, além de organizar metodologias de apoio a serviços especializados e
processos formativos para qualificação da atenção à criança em situação
de violência (sexual, física, psicológica, negligência e/ou abandono),
visando à implementação de linhas de cuidado nas redes de atenção à
saúde e de proteção social.
Ações Estratégicas:
O fomento à organização e qualificação dos serviços especializados
para atenção integral a crianças e suas famílias em situação de
violência sexual.
A implementação da "Linha de Cuidado para a Atenção Integral à
Saúde de Crianças, Adolescentes e suas Famílias em Situação de
Violência".
A articulação de ações intrassetoriais e intersetoriais de prevenção de
acidentes, violências e promoção da cultura de paz.
O apoio à implementação de protocolos, planos e outros compromissos
sobre o enfrentamento às violações de direitos da criança pactuados
com instituições governamentais e não governamentais, que compõem
o Sistema de Garantia de Direitos.
💡 Dica de Prova: A notificação de suspeita ou confirmação de maus-tratos
contra crianças e adolescentes é uma ação crucial. Responsáveis técnicos de
todas as entidades de saúde do SUS deverão notificar o Conselho Tutelar,
utilizando formulário próprio e em duas vias (uma para o Conselho, outra para o
prontuário).
2.6. Eixo VI: Atenção à Saúde de Crianças com Deficiência ou
em Situações Específicas e de Vulnerabilidade
Definição: Articular um conjunto de estratégias intrassetoriais e
intersetoriais para inclusão dessas crianças nas redes temáticas de
atenção à saúde, mediante a identificação de situação de vulnerabilidade
e risco de agravos e adoecimento, reconhecendo suas especificidades
para uma atenção resolutiva.
Ações Estratégicas:
A articulação e intensificação de ações para inclusão de crianças
com deficiências, indígenas, negras, quilombolas, do campo, das
águas e da floresta, e crianças em situação de rua, entre outras, nas
redes temáticas.
O apoio à implementação do protocolo nacional para a proteção
integral de crianças e adolescentes em situação de risco e desastres.
O apoio à implementação das diretrizes para atenção integral à saúde
de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil.
2.7. Eixo VII: Vigilância e Prevenção do Óbito Infantil, Fetal e
Materno
Definição: Contribuir para o monitoramento e investigação da
mortalidade infantil e fetal e possibilitar a avaliação das medidas
necessárias para a prevenção de óbitos evitáveis.
Ações Estratégicas:
Os comitês de vigilância do óbito materno, fetal e infantil em âmbito
local. (O Comitê Nacional é detalhado no Capítulo 4)
Capítulo 3: Aspectos Operacionais e Complementares
3.1. Organização da PNAISC
A PNAISC se organiza a partir da Rede de Atenção à Saúde e de seus
eixos estratégicos, mediante a articulação das ações e serviços de saúde
disponíveis nas redes temáticas, especialmente as desenvolvidas na rede
de saúde materna, neonatal e infantil e na atenção básica. A Atenção
Básica é a coordenadora do cuidadono território.
3.2. Competências dos Entes Federativos
A implementação da PNAISC envolve a responsabilidade compartilhada entre as
esferas de gestão do SUS.
I - Compete ao Ministério da Saúde (MS):
Articular e apoiar a implementação da PNAISC em parceria com
gestores estaduais e municipais, alinhando ações e serviços da
criança no Plano Nacional de Saúde.
Desenvolver ações de mobilização social, informação, educação,
comunicação, divulgação e implementação das ações.
Propor diretrizes, normas, linhas de cuidado e metodologias
específicas.
Prestar assessoria técnica e apoio institucional a estados, DF e
municípios.
Promover capacitação e educação permanente de profissionais de
saúde.
Fomentar a qualificação de serviços (centros de apoio, formação).
Monitorar e avaliar indicadores e metas nacionais.
Apoiar e fomentar pesquisas estratégicas.
Promover articulação intersetorial e interinstitucional.
Estimular, apoiar e participar da discussão sobre ações da PNAISC com
setores da sociedade e controle social.
Designar e apoiar representação política em fóruns, colegiados e
conselhos nacionais (especialmente CONANDA).
II - Compete às Secretarias de Saúde dos Estados e do Distrito Federal:
Coordenar a implementação da PNAISC em seu território, respeitando
diretrizes do MS e promovendo adequações.
Desenvolver ações de mobilização social, informação, educação,
comunicação em âmbito estadual/distrital.
Prestar assessoria técnica e apoio institucional a municípios e regiões
de saúde.
Promover capacitação e educação permanente de profissionais.
Monitorar e avaliar indicadores e metas estaduais/distritais.
Promover articulação intersetorial e interinstitucional.
Estimular, apoiar e participar da discussão sobre ações da PNAISC.
Designar e apoiar representação política em fóruns, colegiados e
conselhos estaduais (especialmente Conselho Estadual dos Direitos da
Criança e do Adolescente).
No DF, compete os direitos e atribuições reservadas às Secretarias de
Saúde dos Estados e dos Municípios.
III - Compete às Secretarias de Saúde dos Municípios:
Prestar assessoria técnica e apoio institucional a municípios e regiões
de saúde.
Promover capacitação e educação permanente de profissionais.
Monitorar e avaliar indicadores e metas estaduais/distritais.
Promover articulação intersetorial e interinstitucional.
Estimular, apoiar e participar da discussão sobre ações da PNAISC.
Designar e apoiar representação política em fóruns, colegiados e
conselhos estaduais (especialmente Conselho Estadual dos Direitos da
Criança e do Adolescente).
No DF, compete os direitos e atribuições reservadas às Secretarias de
Saúde dos Estados e dos Municípios.
Implantar/implementar a PNAISC em seu território, respeitando
diretrizes e promovendo adequações.
Promover capacitação e educação permanente dos profissionais de
saúde.
Monitorar e avaliar indicadores e metas municipais, alimentando
sistemas de informação.
Promover articulação intersetorial e interinstitucional.
Fortalecer a participação e o controle social no planejamento,
execução, monitoramento e avaliação.
Designar e apoiar representação política em fóruns, colegiados e
conselhos municipais (especialmente Conselho Municipal dos Direitos
da Criança e do Adolescente).
💡 Dica de Prova: Observe as nuances nas competências de cada esfera. Por
exemplo, o Ministério da Saúde articula e apoia, enquanto os Estados
coordenam em seu âmbito e os Municípios implantam/implementam em seu
território.
3.3. Financiamento
O financiamento da PNAISC é de responsabilidade tripartite, de acordo
com pactuação nas instâncias colegiadas de gestão do SUS.
3.4. Monitoramento e Avaliação
O processo de monitoramento e avaliação da PNAISC
ocorrerá de acordo com as pactuações realizadas nas
instâncias colegiadas de gestão do SUS. Devem
considerar os indicadores de atenção à saúde da criança
estabelecidos nos instrumentos de gestão do SUS, em
âmbito federal, estadual, do Distrito Federal e municipal.
💡 Dica de Prova: A PNAISC contará com um documento orientador
disponibilizado pela Coordenação-Geral de Saúde da Criança e Aleitamento
Materno (CGSCAM/DAPES/SAS/MS) no endereço eletrônico
[Link]/crianca.
Capítulo 4: Temas de Destaque para Provas
Alguns temas são frequentemente aprofundados em questões de concurso
devido à sua relevância e detalhes normativos.
4.1. Método Canguru
O Método Canguru é um modelo de assistência
perinatal voltado para o cuidado humanizado
que reúne estratégias de intervenção bio-psico-
social. Não é um substitutivo de UTIN nem de
incubadoras, mas sim uma estratégia para
aprimorar a atenção perinatal.
Definição:
O contato pele-a-pele no Método Canguru começa com o toque,
evoluindo até a posição canguru. É precoce e crescente, por livre
escolha da família, pelo tempo que ambos entenderem ser prazeroso e
suficiente. Permite maior participação dos pais e da família nos
cuidados neonatais.
A posição canguru consiste em manter o recém-nascido de baixo
peso, em contato pele-a-pele, na posição vertical junto ao peito dos
pais ou de outros familiares. Deve ser orientada, segura e
acompanhada por equipe de saúde treinada.
Vantagens:
Aumenta o vínculo mãe-filho e reduz o tempo de separação.
Melhora a qualidade do desenvolvimento neurocomportamental e
psicoafetivo do RN de baixo peso.
Estimula o aleitamento materno (frequência, precocidade, duração).
Permite controle térmico adequado e favorece estimulação sensorial.
Contribui para redução do risco de infecção hospitalar.
Reduz o estresse e a dor dos RN de baixo peso.
Propicia melhor relacionamento da família com a equipe.
Possibilita maior competência e confiança dos pais no manuseio do
filho.
Contribui para a otimização de leitos de UTIN e UCI devido à maior
rotatividade.
População a ser atendida:
Gestantes de risco para nascimento de crianças de
baixo peso.
Recém-nascidos de baixo peso.
Mãe, pai e família do recém-nascido de baixo peso.
Aplicação do Método em Três Etapas:
1ª Etapa: Inicia no pré-natal da gestação de alto risco, seguido da
internação do RN na Unidade Neonatal. Foco no acolhimento dos pais,
esclarecimento das condições do RN, estímulo ao livre e precoce acesso
dos pais, suporte à amamentação, diminuição de estímulos ambientais
adversos e garantia de proteção ao estresse e dor do bebê. Garante a
permanência da puérpera por pelo menos cinco dias e apoio com
transporte e refeições.
2ª Etapa: O bebê permanece de forma contínua com a mãe, e a posição
canguru é realizada pelo maior tempo possível, funcionando como um
"estágio" pré-alta hospitalar.
Critérios de elegibilidade para o bebê: Estabilidade clínica, nutrição
enteral plena (peito, sonda ou copo), peso mínimo de 1.250g.
Critérios de elegibilidade para a mãe: Desejo de participar,
disponibilidade de tempo, rede social de apoio, consenso com
profissionais, capacidade de reconhecer sinais de estresse/risco do
RN, conhecimento e habilidade para manejar o bebê em posição
canguru.
Critérios para alta hospitalar com transferência para a 3ª etapa:
Mãe segura e motivada, compromisso materno/familiar com a posição
canguru pelo maior tempo possível, peso mínimo de 1.600g, ganho de
peso adequado nos três dias antes da alta, sucção exclusiva ao peito
ou habilidade para complementação, acompanhamento ambulatorial
assegurado até o peso de 2.500g.
3ª Etapa: Acompanhamento da criança e da
família no ambulatório e/ou domicílio até
atingir o peso de 2.500g, dando continuidade
à abordagem biopsicossocial. Foco no exame
físico completo, avaliação do equilíbrio
psicoafetivo, apoio à rede social, correção de
situações de risco, orientação de tratamentos
e imunizações.
💡 Dica de Prova: Atente-se aos pesos específicos em cada etapa do Método
Canguru (1.250g para 2ª etapa, 1.600g para alta, 2.500g para 3ª etapa/fim do
seguimento ambulatorial).
4.2. Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC)
A Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) é uma estratégia para
promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à saúde integral da
criança e da mulher. Hospitais Amigos da Criança devem adotar ações
educativas e garantir a vinculação da gestante ao estabelecimento
hospitalar no último trimestre.
Critérios para Habilitação (Públicos e Privados):
I - Cumprir os "Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno",
propostos pela OMS e UNICEF:
Passo 1: Ter uma Política de Aleitamento Materno.
Passo 2:Capacitar a equipe de saúde.
Passo 3: Informar gestantes sobre benefícios e manejo.
Passo 4:Ajudar mães a iniciar aleitamento na primeira meia hora pós-
nascimento (contato pele a pele por pelo menos uma hora).
Passo 5: Mostrar como amamentar e manter lactação.
Passo 6: Não oferecer bebida/alimento que não seja leite materno,
exceto indicação médica/nutricionista.
Passo 7:Praticar alojamento conjunto (mães e RN juntos 24h/dia).
Passo 8:Incentivar aleitamento materno sob livre demanda.
Passo 9:Não oferecer bicos artificiais ou chupetas.
Passo 10: Promover grupos de apoio à amamentação e encaminhar
mães.
I - Cumprir os "Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno",
propostos pela OMS e UNICEF:
III - Garantir permanência da mãe ou do pai junto ao recém-nascido 24
horas por dia e livre acesso a ambos ou responsável legal.
IV - Cumprir o critério global "Cuidado Amigo da Mulher":
Garantir acompanhante de livre escolha durante trabalho de parto,
parto e pós-parto.
Ofertar líquidos e alimentos leves durante o trabalho de parto.
Incentivar movimentação e posições de escolha no parto (se não
houver restrições médicas).
Garantir ambiente tranquilo, acolhedor, com privacidade e iluminação
suave.
Disponibilizar métodos não farmacológicos de alívio da dor (banheira,
massagens, bola de pilates, compressas).
Assegurar cuidados que reduzam procedimentos invasivos (ruptura de
membranas, episiotomias, aceleração/indução, partos instrumentais,
cesarianas), a menos que necessário por complicações.
Autorizar presença de doula comunitária ou voluntária, se for da
vontade da mulher.
Processo de Habilitação:
Requerimento e preenchimento de formuláriosonline ou físico.
Autoavaliação(pelo próprio estabelecimento).
Pré-avaliação (por avaliadores IHAC estaduais, após autoavaliação
aprovada). Prazo de 90 dias para adequações caso não atenda
integralmente.
Avaliação Global (por avaliadores IHAC da CGSCAM/DAPES/SAS/MS,
após pré-avaliação aprovada). Prazo de 6 meses para adequações caso
não atenda integralmente.
Validade da Habilitação: A habilitação tem validade de 3 (três) anos.
Monitoramento: Estabelecimentos habilitados devem se submeter anualmente
à autoavaliação online.
Reavaliação Trienal: A cada 3 (três) anos, os
hospitais serão reavaliados presencialmente
pelas secretarias estaduais ou do DF, ou a
qualquer tempo em caso de denúncia. Se não
cumprirem os critérios, há prazos para
adequação (6 meses, depois 3 meses em caso
de progresso). Se não aprovado, será
desabilitado.
Desabilitação:Ocorre se o hospital não for avaliado
por 2 períodos trienais consecutivos, não cumprir
critérios nas reavaliações, ou não realizar a
autoavaliação por 2 anos consecutivos. A placa de
"Hospital Amigo da Criança" deve ser devolvida.
💡 Dica de Prova: Preste muita atenção aos "Dez Passos" e ao "Cuidado Amigo
da Mulher". Eles são detalhados e frequentemente explorados em questões. Os
prazos para reavaliação e desabilitação também são importantes.
4.3. Caderneta de Saúde da Criança
A "Caderneta de Saúde da Criança" é um instrumento
fundamental para o acompanhamento do crescimento e
desenvolvimento integral da criança.
Disponibilização: Fica disponível gratuitamente a todas as crianças
nascidas em território nacional.
Distribuição: As cadernetas são distribuídas anualmente aos municípios
em quantidade suficiente para todas as crianças nascidas vivas em
maternidades públicas ou privadas.
Padronização: Toda caderneta de saúde no país deve se adequar à
Resolução MERCOSUL/GMC Nº 04/05 e seu anexo, que estabelece a
"Informação Básica Comum para a Caderneta de Saúde da Criança".
Conteúdo Mínimo (Informação Básica Comum):
Dados pessoais da criança.
Dados maternos e paternos/responsáveis.
Dados da gravidez e parto (nº de controles pré-natais, tipo de parto,
local, patologias).
Dados do recém-nascido (peso, tamanho, PC, IG, Apgar, reanimação,
grupo sanguíneo, anormalidades).
Alimentação na alta (aleitamento exclusivo, mista, artificial).
Espaço para anotação de doenças e tratamentos.
Tabela de crescimento.
Alimentação.
Desenvolvimento até um ano de vida.
Calendário de vacinação.
Espaço para observações de saúde bucal, ocular e auditiva.
💡Dica de Prova: A gratuidade, a universalidade (todas as crianças nascidas), e
a adesão à padronização do MERCOSUL são pontos importantes. Saber os tipos
de informações contidas é útil.
4.4. Comitê Nacional de Prevenção do Óbito Infantil e Fetal
Instituído pela Portaria MS/GM nº 1258/2004, o Comitê Nacional de
Prevenção do Óbito Infantil e Fetal (CNPOIF) é uma ação estratégica do
eixo VII da PNAISC.
Composição: O Comitê é composto por
representantes de diversas entidades e secretarias,
como SAS, SVS, CONASS, CONASEMS, ABEn,
ABENFO, CFM, COFEN, FEBRASGO, SBP, ABRASCO,
CONANDA, e Pastoral da Criança.
Competências:
Estimular a investigação dos óbitos infantis e fetais pelas equipes
de saúde, com participação integrada de profissionais da vigilância
epidemiológica e assistência.
Estimular a análise dos óbitos investigados para identificar
problemas relacionados à assistência, organização dos
serviços/sistema, e condições sociais/familiares/comunitárias.
Contribuir para a melhoria da informação em saúde (correção de
estatísticas, qualificação de informações de nascimentos e óbitos).
Contribuir para a melhoria dos registros de saúde(preenchimento de
prontuários, fichas, Cartão da gestante e Cartão da Criança).
Acompanhar, assessorar e estimular a constituição de comitês
estaduais, regionais, municipais e hospitalares.
Avaliar periodicamente os problemas observados no estudo dos óbitos
e as medidas de intervenção.
Divulgar resultados e experiências bem-sucedidas.
Elaborar propostas para construção de políticas nacionais de redução
da mortalidade.
Promover a mobilização do poder público, instituições e sociedade
civil.
Promover seminários, oficinas e encontros nacionais.
💡 Dica de Prova: A composição do comitê, com a diversidade de
representantes, e suas competências (investigar, analisar, melhorar
informações/registros, estimular comitês) são pontos-chave.
4.5. Brinquedotecas nas Unidades de Saúde que Ofereçam
Atendimento Pediátrico em Regime de Internação
A Lei nº 11.104/2005 torna obrigatória a presença de brinquedotecas em
hospitais que ofereçam atendimento pediátrico em regime de internação.
Objetivos:
Tornar a criança um parceiro ativo em seu
tratamento, aumentando a aceitabilidade da
internação.
Contribuir para a construção e fortalecimento de
vínculos afetivos.
Definições:
Brinquedoteca: Espaço provido de brinquedos e jogos educativos,
destinado a estimular crianças e acompanhantes a brincar,
contribuindo para vínculos e afeto.
Atendimento Pediátrico: Atenção dispensada à criança de 28 dias a
12 anos, em regime de internação.
Diretrizes:
Disponibilizar brinquedos variados e propiciar atividades com jogos,
figuras, leitura e entretenimento.
Agregar estímulos positivos ao processo de cura, proporcionando o
brincar como lazer e alívio de tensões.
Ampliar o alcance do brincar para a família e acompanhantes,
facilitando a integração.
A implementação deve ser precedida de trabalho de divulgação e
sensibilização da equipe e voluntários.
Dimensionamento: Deve atender à RDC/ANVISA nº 50/2002.
Hospitais sem condições de criar ambiente específico podem
compartilhar com o refeitório, desde que haja horários definidos.
Deve haver área para guarda e higienização dos brinquedos,
conforme CCIH.
Horários de funcionamento definidos pela direção, com livre acesso da
criança.
Para crianças impossibilitadas de sair do leito, profissionais devem
facilitar o acesso às atividades dentro das enfermarias.
Profissionais: Qualificação e número determinados pelas necessidades da
instituição, podendo ser equipes especializadas, voluntárias ou mistas.
Financiamento: Subsídios do próprio hospital ou externos
(nacionais/estrangeiros, públicos/privados).
💡Dica de Prova: A faixa etária para atendimento pediátrico nas brinquedotecas
(28 dias a 12 anos) e a possibilidade de compartilhamento de espaço são
detalhes importantes.
Conclusão
A PNAISC é um documento abrangente e essencial para a prática da saúde
no Brasil, especialmente para profissionais que atuam ou pretendem atuar
com crianças. Dominar seus princípios, diretrizes, eixos estratégicos e
temas específicos como o Método Canguru, IHAC, Caderneta de Saúde e
Comitês de Óbito é crucial não apenas para aprovação em concursos e
residências, mas para a excelência no cuidado à saúde da criança.
Mantenha-se atualizado com as normativas mais recentes e revise
periodicamente estes conteúdos para garantir um desempenho
excepcional.