CURSO DE ENGENHARIA DE COMPUTAÇÃO
Sistemas Digitais – 5º. Período
Prof. Luiz Pessoa
Dispositivos Sequenciais e lógicos: Flip-Flop’s
Dispositivos Sequenciais e Lógicos
Introdução
No capítulo anterior, conhecemos os sistemas de numeração, em especial o binário,
que será de fundamental importância para nossos estudos neste e no próximo capítulo.
Pudemos aprender sobre as portas lógicas e como formamos circuitos lógicos com base
nelas.
Agora, daremos início ao estudo dos dispositivos sequenciais e lógicos. Em primeiro
lugar conheceremos os flip-flops, veremos os seus principais tipos existentes e suas
principais características.
Objetivos
Depois dos estudos propostos neste texto, você estará apto(a) a:
• identificar os tipos de flip-flops existentes;
• realizar operações com estes flip-flop’s
Flip-flops
Os flip-flops são os dispositivos sequenciais mais elementares existentes e se
caracterizam por:
• serem biestáveis (trabalham com os dois níveis de tensão (0 e 1));
• funcionarem como uma memória, pois podem armazenar um bit;
• são tempo-dependentes, ou seja, para funcionarem, dependem de um sinal
(onda quadrada) períodico em sua entrada chamada clock.
Observe a Figura 1.
Figura 1: Forma de onda típica de um sinal de clock.
Dependendo dos valores presentes na(s) entrada(s) de um flip-flop, ele pode gerar um
valor de saída, porém seu funcionamento depende do sinal de clock. A transição do
clock é responsável pela ativação de um flip-flop. Esta transição pode ser de subida
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Figura 2a (do nível baixo para o nível alto) ou de descida Figura 2 b (do nível alto para
o nível baixo).
Figura 2a: Transição de subida do clock.
Figura 2b: Transição de descida do clock.
Os flip-flops mais comuns e utilizados em sistemas digitais são SC, JK e D. Agora,
veremos detalhadamente cada um deles:
Flip-Flop SC
O FF SC é o menos utilizado, porém ele nos servirá de base para conhecermos o FF
JK, que será extensivamente utilizado. A Figura 3, a seguir, nos mostra a representação
de um FF SC. Note que ele possui as duas entradas S e C, responsáveis pelo seu nome,
e mais uma entrada de clock (Neste caso, o clock é de transição de subida). Este FF
ainda possui duas saídas: Q e Q barrado (𝑄̅ ). A saída normal, que sempre será
analisada, é a saída Q. A saída Q barrado apenas terá sempre o valor inverso da saída
Q.
O modo de funcionamento deste FF é regido pela tabela-verdade localizada a seguir.
Para entendermos seu funcionamento, podemos fazer uma analogia do clock com uma
chave de liga e desliga ou ativação e desativação do FF. Como este FF é ativo na
transição de subida do clock, toda vez que houver uma transição de subida deste
podemos imaginar que estaremos ligando a chave de ativação do FF. E, quando o FF
é ativado, ele analisa os valores presentes em suas entradas e gera um valor na saída,
de acordo com a tabela-verdade. Basicamente, a cada transição do clock, ele funciona
da seguinte maneira:
• Quando S=0 e C=0, a saída Q não mudará de estado, ou seja, será mantido o
valor da saída anterior.
• Quando S=0 e C=1, a saída Q será igual a zero(0).
• Quando S=1 e C=0, a saída Q será igual a um(1).
• A combinação das duas entradas S=C=1 não é possível utilizando ente FF, ou
seja, não se devem ligar as duas entradas em nível lógico alto(1).
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Tabela-verdade do FFSC
S C CLK Saída Q
0 0 Subida Não muda
0 1 Subida 0
Figura 3: Flip-flop SC.
1 0 Subida 1
1 1 Subida Inexistente
Flip-Flop JK
O FF JK que conheceremos agora será de grande importância para nós, pois por meio
dele é que criaremos os contadores, que são dispositivos muito utilizados em sistemas
digitais. A Figura 4, a seguir, nos mostra a representação de um FF JK. Note que ele
possui as duas entradas J e K, responsáveis pelo seu nome, e mais uma entrada de
clock (neste caso, o clock é de transição de descida, devido à bolha inversora presente
em sua entrada). Este FF ainda possui duas saídas: Q e Q barrado (𝑄̅ ). A saída normal,
que sempre será analisada, é a Q. A saída Q barrado (𝑄̅ ) apenas terá sempre o valor
inverso da saída Q.
Praticamente este FF funciona de maneira semelhante ao SC, porém com uma única
diferença: o fato de existir uma saída quando as suas duas entradas forem nível lógico
alto. Por esta razão é que ele é altamente utilizado.
O modo de funcionamento deste FF é regido pela tabela-verdade localizada a seguir.
Para entendermos seu funcionamento, podemos fazer uma analogia do clock como uma
chave de liga e desliga ou ativação e desativação do FF. Como este FF é ativo na
transição de descida do clock, toda vez que houver uma transição de descida deste
podemos imaginar que estaremos ligando a chave de ativação do FF. E, quando o FF
é ativado, ele analisa os valores presentes em suas entradas e gera um valor na saída,
de acordo com a tabela-verdade. Basicamente, a cada transição do clock, ele funciona
da seguinte maneira:
• Quando J=0 e K=0, a saída Q não mudará de estado, ou seja, será mantido o
valor da saída anterior.
• Quando J=0 e K=1, a saída Q será igual a zero(0).
• Quando J=1 e K=0, a saída Q será igual a um(1).
• Quando J=1 e K=1, a saída Q mudará de estado, ou seja, o valor da saída
anterior será invertido, dizemos então que o FF comuta.
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Tabela-verdade do FFJK
J K CLK Saída Q
0 0 Descida Não muda
Figura 4: Flip-flop JK. 0 1 Descida 0
1 0 Descida 1
1 1 Descida Comuta
Flip-flop D
O último FF que veremos, o FF D (Figura 5), é o de mais simples análise, pois possui
apenas uma entrada. Este FF é encontrado principalmente no interior de registradores,
alguns dispositivos de memória, pois ele funciona como uma memória de um bit.
Tabela-verdade
D CLK Saída Q
0 Descida 0
1 Descida 1
Figura 5: Flip-flop D.
Este FF funciona da seguinte maneira: quando colocamos um valor lógico (0 ou 1) em
sua entrada D, este valor é armazenado pelo FF. Quando este recebe um pulso de
transição de clock, o valor lógico armazenado é transferido para a sua saída D.
Exemplo 1
Analise as formas de onda presentes na entrada do FF JK e plote as formas de onda
de sua saída (Q):
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Resolução:
Como o desenho do FF JK nos mostra, ele é ativo nas transições de descida do clock,
portanto é nestes pontos que devemos analisar. Então, com base na tabela do FF JK,
podemos plotar a forma de onda de sua saída Q, fazendo a análise dos pulsos de clock
e das entradas J e K.
Entradas de sobreposição ou assíncronas
A maioria dos FFs existentes possui uma ou duas entradas, conhecidas como entradas
assíncronas ou de sobreposição. Estas entradas não funcionam em conjugação com as
entradas chamadas de síncronas (J e K ou S e C etc) ou com a entrada clock, ou seja,
estas entradas assíncronas ou de sobreposição não são dependentes do sinal de clock.
A função destas entradas, basicamente, é de colocar a saída Q do FF no estado 0 ou
1, exatamente no instante desejado, independente dos pulsos de clock. Em outras
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palavras, podemos dizer que as entradas de sobreposição, quando acionadas,
sobrepõem-se às entradas síncronas ou de clock, não importando qual valor ou estado
estejam presentes nas entradas delas.
Figura 1: FF JK com as entradas assíncronas SET e CLR.
A seguir temos a tabela-verdade que rege os modos de funcionamento do FFJK em
relação às entradas assíncronas.
Como podemos ver pela tabela-verdade, quando as entradas SET e CLR se encontram
com nível lógico alto, o FF se encontra funcionando normalmente. Se CLR vai para o
nível lógico baixo, imediatamente a saída do FF vai para o nível lógico baixo,
independente dos valores presentes nas entradas J, K, e CLK. Da mesma forma, se
SET vai para o nível lógico baixo, imediatamente a saída do FF vai para o nível lógico
alto, independente dos valores presentes nas entradas J, K, e CLK. Não é utilizada a
condição das duas entradas de sobreposição com nível lógico baixo.
Exemplo 2
Analise as formas de ondas presentes na entrada do FF JK e plote as formas de onda
de sua saída (Q):
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Resolução: