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Rafael Inglês

Rafael Barcelos de Moraes é formado em Letras com mestrado em Linguística Aplicada, focando no ensino de línguas e crenças dos alunos sobre aprendizado. Ele destaca a importância da formação de professores na área de línguas e como a tecnologia pode facilitar o aprendizado. Atualmente, participa do NEAB, que aborda questões de raça no Brasil, e sugere investigar a eficácia do ensino à distância na aprendizagem de línguas.

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Rafael Inglês

Rafael Barcelos de Moraes é formado em Letras com mestrado em Linguística Aplicada, focando no ensino de línguas e crenças dos alunos sobre aprendizado. Ele destaca a importância da formação de professores na área de línguas e como a tecnologia pode facilitar o aprendizado. Atualmente, participa do NEAB, que aborda questões de raça no Brasil, e sugere investigar a eficácia do ensino à distância na aprendizagem de línguas.

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Qual o seu nome?

Rafael Barcelos de Moraes.

Sua formação, graduação e, se tiver, especialização, mestrado e doutorado?

Sou formado em Letras, com habilitação em Língua Inglesa e Língua Portuguesa e tenho
mestrado em Linguística Aplicada.

Com qual a área mais geral do conhecimento científico que você se identifica?

Área de letras. Embora eu esteja na área de letras, a gente dialoga muito com a área de
humanidades também.

Qual a área de conhecimento científico mais específica que você se identifica?

Com a linguística aplicada. Eu, teoricamente, não posso trabalhar com tradução porque
eu fiz letras e licenciatura para dar aula, embora eu possa trabalhar com tradução se eu
conseguir um bom emprego nessa área e que me aceite nesse sentido. Agora, dentro
da área de letras, a gente tem várias ramificações, tem aqueles que são da literatura,
tem aqueles que são da linguística. Eu sou da linguística aplicada que estuda o ensino
da língua. E o meu mestrado é na Linguística Aplicada, justamente porque eu estudo as
formas de ensinar a língua, quais que são os métodos, as metodologias, o que funciona,
o que não funciona.

Qual pesquisador ou pesquisadora você considera mais relevante para a sua área de
conhecimento? E quais teorias esse pesquisador ou pesquisadora desenvolveu?

Tem tantos, é difícil de escolher uma. Mas, embora eu trabalhe bastante com a questão
racial, na linha inglesa também, a minha formação foi muito dentro da área de crenças.
E a pesquisadora mais importante do Brasil que a gente tem nessa área é a Ana Maria
Barcelos, que é professora na UFV, Federal de Viçosa, inclusive foi minha professora
orientadora, ela é a principal pesquisadora de crenças no Brasil. Essa pesquisa sobre
crenças, tem a ver com pesquisar o que os estudantes acreditam sobre o ensino da
língua e a forma como isso afeta ou influencia as suas ações na hora que você está
estudando ou nas oportunidades que você tem de estudar a língua. Por exemplo, tem
estudante que acredita que só consegue aprender inglês se for viajar para o exterior ou
se for fazer um cursinho. Então, muitas vezes, ele deixa de aproveitar as oportunidades
da escola porque ele fica acreditando que é só o cursinho que vai conseguir ensinar
inglês para ele. Logo, ele tem uma crença e essa crença vai influenciar a ação desses
alunos. Então, a Ana Maria Barcelos, ela fala sobre isso, a influência que essas crenças
têm nas nossas ações no dia a dia, no cotidiano.
Quais contribuições relevantes sua área de conhecimento trouxe para a sociedade?
Que impactos ela gerou?

Eu acho que todo mundo que quer aprender língua é, de uma forma ou outra,
atravessado pela área de letras, não tem como a gente aprender línguas se não através
de professores que tenham estudado para isso. Embora, por conta do inglês ser, hoje
em dia, um produto de mercado, a gente tem muitas escolas que vão usar dessa
oportunidade pra poder vender cursinho pra vocês e muitas das vezes elas vão
contratar pessoas que falam inglês, mas que não tem a formação. Então, muitas vezes
nas escolas de inglês, a gente tem engenheiro, tem agricultor, tem empresário, que só
porque viajou para o exterior e fala inglês, está ali dando aula na escola de inglês. E isso
acontece muito porque hoje em dia o inglês é um produto, é de mercado. Mas, se a
gente for pensar em escolas como a nossa, escolas regulares, eu digo, assim, de ensino
regular, que vão, precisam seguir a lei e contratar pessoas que estão formadas para
poder fazer isso, então, todas as pessoas que querem aprender inglês ou qualquer outra
língua vão ser influenciadas de alguma forma ou outra por nosso trabalho, inclusive a
produção de material didático é feita por professores de inglês, pessoas que estudaram,
trabalham com isso. Acho que o impacto da sociedade é justamente isso. E sem língua
a gente não faz nada, né, gente? Não importa qual língua que seja, seja língua
portuguesa, seja libras, seja língua inglesa, espanhola, francesa, alemã.

Em quais situações problemas atuais da sociedade, a sua área do conhecimento pode


trazer contribuições para sanear esses problemas futuramente?

Então, por exemplo, hoje em dia, se as pessoas querem aprender inglês elas vão precisar
de formas de aprender inglês. Então, a minha área, ela pode ajudar com sugestões ou
com opções ou com ofertas de oportunidades e metodologias, inclusive trabalhar com
outras áreas para poder ajudar na resolução desses problemas. Por exemplo, a gente
pode trabalhar com o pessoal da tecnologia de informação, da informática, e sugerir
aplicativos, sites, a gente pode trabalhar com o pessoal das redes sociais, que trabalha
muito com com oferta pelas redes e fazer cursinhos em vídeo. Então, eu acho que se
existe uma dificuldade de aprender inglês, eu acho que a gente consegue ofertar, não
só em inglês, né? Eu digo em inglês porque é a minha formação, mas qualquer idioma.
Eu acho que a gente consegue, se as pessoas precisam, têm as necessidades de
aprender as línguas, a gente consegue, de alguma forma, em colaboração com outras
áreas, inclusive, suprir com essas necessidades.

Em sua percepção, o que você julga ser um facilitador e o que julga ser um limitador
para o desenvolvimento científico dentro de sua área de conhecimento?

Eu acho que o limitador é justamente porque as pessoas acreditam muitas vezes que a
língua não tem dono. Qualquer pessoa que fale a língua se acha, muitas vezes,
confortável para poder opinar sobre a língua sem ter estudado a respeito do ensino,
sem ter estudado sobre a língua especificamente, da mesma forma como a gente
estuda. Então, existem áreas do conhecimento que as pessoas acham que elas
conseguem optar, opinar. E o facilitador, eu acho que hoje em dia a tecnologia, ela ajuda
muito para quem quer aprender línguas. Então, você não precisa sair da sua casa para
aprender línguas, você não precisa ter contato com nativo, que essa é uma outra crença
também que as pessoas têm. Para poder aprender inglês, tem que falar como nativo,
tem que aprender como nativo. Inclusive as escolas de inglês se aproveitam muito dessa
crença para poder fazer a propaganda, né? Fale inglês como nativo, então estude como
nativo. E não precisa de nada disso. Mas ao mesmo tempo, com a tecnologia a gente
consegue aprender inglês em casa sozinho né, na minha época era muito mais difícil.
Hoje em dia você consegue procurar a letra da música que você quer. Você quer assistir
um vídeo, coloca a legenda, coloca a tradução, você muda, vai, vem, repete. Na minha
época era fita cassete, você tinha que apertar o botão e o negócio ficava rodando, até
chegar naquela parte. Eu acho que a tecnologia ajuda muito na área de línguas.

Qual tipo de metodologia é mais utilizado dentro de sua área do conhecimento para
se desenvolver uma pesquisa científica? Cite um exemplo.

Para o futuro, dentro dessa área de conhecimento, qual profissão você acredita ser
mais promissora?

Eu não sei se promissora, mas eu acredito que na área de língua inglesa, ensino de língua
inglesa, nunca vai faltar oportunidade para professor. Eu não sei se é uma área
promissora, não sei se vocês querem ser professores, mas sempre tem oportunidade
de emprego para professor. Agora, se é promissora, não sei. Acho que sim, dependendo
da formação de professor. Depende de onde você vai trabalhar também né, porque
muitas vezes a gente acha que a gente está tentando, tentando, tentando muitas coisas
no mundo, não é muito fácil.

Você prefere desenvolver projetos relacionados à área de ensino, pesquisa ou


extensão.

Eu acho que as três coisas caminham juntas, não tem como fazer. Eu trabalho com a
comunidade, é uma extensão do conhecimento da escola para a comunidade. O ensino,
geralmente, costuma ser somente na escola e a pesquisa, às vezes, não envolve nem os
alunos. É eu com os meus materiais, com os meus textos, com as minhas fontes. Não
tem como eu trabalhar fora da comunidade sem antes eu ter feito uma pesquisa, sem
antes eu ter estudado para aquilo. Não tem como trabalhar com a comunidade sem ter
uma experiência de ensino, porque o que eu vou levar para a comunidade é ensinar
alguma coisa que eu aprendi aqui dentro da nossa comunidade, dentro da escola.
Então, ensino, pesquisa e extensão, eles sempre caminham juntos. Agora, em termos
de oportunidade, às vezes a gente não tem muitos editais para o ensino. A gente tem
mais editais para a pesquisa e mais editais para a extensão. Então a gente acaba
ofertando projetos nessas áreas e não faz tanta coisa de ensino, porque não tem apoio
institucional para poder realizar.

Qual foi o projeto de ensino, pesquisa ou extensão que você participou e que você
considera como o mais relevante? Descreva um projeto de forma sucinta, destacando
a sua contribuição social ou acadêmica.

Eu, atualmente, tenho pesquisado muito na área de raça. E o projeto do qual eu me


envolvo, que eu acho que tem uma relevância importante, é o NEAB, embora não seja
nem pesquisa, ensino, extensão especificamente. O NEAB é tudo isso. O NEAB é um
núcleo de estudos afro-brasileiros e indígenas e dentro do NEAB a gente faz ensino, faz
pesquisa e faz extensão, faz tudo junto. E o NEAB, ele é importante para a gente discutir
as questões de raça no Brasil, que afinal de contas, a gente sabe que a gente vive num
país estruturalmente racista, né, e a gente precisa conversar sobre isso. Caso contrário,
as coisas vão continuar da forma como estão e nunca vão mudar, e a gente precisa
formar pessoas que entendam que isso é um problema, que isso precisa ser solucionado
para que as gerações futuras não tenham que passar por situações que a gente ainda
vive até hoje, de preconceito, de discriminação.

Qual tem sido a sua área de interesse para o desenvolvimento de projetos


atualmente, seja no ensino, na pesquisa ou na extensão?

Eu acho que essa pergunta acaba sendo respondida pela resposta anterior. O NEAB.

Cite um Problema de Pesquisa na sua área de conhecimento que você acredita ser
viável para ser investigado na forma de projeto no IFMG campus Ribeirão das Neves.

Atualmente, por conta das tecnologias, a gente tem se aproveitado bastante delas para
poder estudar a distância. Então, uma das coisas que a gente pode investigar é como é
que está acontecendo o ensino à distância, se ele está sendo efetivo, se não está sendo
efetivo, o que poderia melhorar, o que poderia ser diferente para ser mais efetivo.
Muitas pessoas, por exemplo, começam um curso à distância, abandonam o curso.
Então, abandonam o curso por quê? O inglês também tem esse abandono ou as pessoas
vão até o final? Tem várias plataformas que oferecem, às vezes, incentivos.

Foi uma solução que eles encontraram para poder fazer as pessoas continuarem
conectadas. Então, o ensino à distância, por meio dos aplicativos ou de sites, eles são
um desafio que a gente ainda precisa pensar bastante a respeito. E se é bom ou se é
ruim, né? Eu acho que depende muito de cada um, mas de que forma que isso pode ser
mais efetivo, né?

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