Ministério da educação
Professor: Msc. Rafael Bonadiman
MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS
“MIP”
CHAPECÓ 2010 2
INTRODUÇÃO
MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS
Problemas com inseticidas:
a) Resistência de insetos pragas aos inseticidas; Utilização simultânea de diferentes técnicas
de supressão populacional;
b) Novas pragas, antes secundárias;
Complexidade.
c) Efeito adverso sobre insetos úteis;
d) Desequilíbrios biológicos; CROCOMO (1990): Objetivo do MIP é manter
e) Efeito prejudicial aos peixes e animais; os insetos em uma condição de “não
f) Efeito tóxico ao homem; praga”, de forma econômica e harmoniosa
com o ambiente.
g) Resíduos nos alimentos, água e solo.
3 4
Conceito de MIP
“Sistema de decisão para uso de táticas de
controle, isoladamente ou associadas
harmoniosamente, numa estratégia de
manejo baseada em análises de
custo/benefício que levam em conta o
interesse e/ou impacto nos produtores,
sociedade e ambiente.”
5
1
MIP Agrotóxicos e afins
OBRIGATÓRIAS
1975 soja Utilizar produtos químicos registrados, mediante
receituário agronômico, Lei Federal 7.802/89 e Decreto
1980 NC pragas da soja 4.074/2002; utilizar sistemas adequados de amostragem e
Baculovirus anticarsia diagnóstico para tomada de decisões, em função dos níveis
definidos para intervenção; elaborar tabela de uso por praga e
1997 PIF maçã doença, tendo em conta a eficiência e seletividade dos produtos,
riscos de surgimento de resistência, persistência, toxicidade,
1999 PIF pêssego, uva de mesa e resíduos em frutas e impacto ao meio ambiente; utilizar os
indicadores de monitoramento de pragas para definir a
manga necessidade de aplicação de agrotóxicos, conforme normas
7
técnicas. 8
Agrotóxicos e afins CONCEITO DE PRAGA
É uma espécie de inseto que em curto
PROIBIDAS espaço de tempo é capaz de multiplicar
rapidamente e atingir um nível
Usar agrotóxicos somente piretróides; aplicar populacional que causa dano econômico às
produtos químicos sem o devido registro, conforme culturas.
legislação vigente; empregar recursos humanos sem a
devida capacitação técnica;
Pragas-chave
Pragas ocasionais
9 10
Flutuações populacionais TIPOS DE INSETOS-PRAGA
Nível de Equilíbrio (NE): Representa a densidade média Inseto não-praga:
da população do inseto durante um longo período de ND
tempo na ausência de mudanças permanentes no NC
ambiente. DENSIDADE
POPULACIONAL
D
NE
D
Nível de Controle (NC): Representa a densidade
populacional na qual medidas de controle devem ser
tomadas para evitar os prejuízos econômicos.
TEMPO
Nível de Dano (ND): Representa a menor densidade
populacional capaz de causar perdas econômicas
significativas ao agricultor. 11 12
2
TIPOS DE INSETOS-PRAGA TIPOS DE INSETOS-PRAGA
Aplicação de medidas de controle
Pragas ocasionais:
ND
NC
D
DENSIDADE
POPULACIONAL
NE
D
TEMPO
13 14
TIPOS DE INSETOS-PRAGA TIPOS DE DANOS
Diretos
Indiretos
Toxinas
Transmissão de patógenos
Exsudatos
15 16
EXECUÇÃO DO MIP 1 - Avaliação do ecossistema
1 - Avaliação do ecossistema
Reconhecer as pragas-chaves
Monitoramento
Amostragens periódicas Reconhecer os inimigos naturais
Acompanhar a flutuação populacional
2 - Tomada de decisão
Acompanhar a fenologia da cultura
3 - Escolha do sistema de redução populacional
17 18
3
Nível populacional Levantamentos populacionais
Armadilhas que exigem a presença
Amostragens constante do operador
População armadilhas
Rede entomológica
a) Armadilhas que exigem a presença
Método do pano
constante do operador
Contagem direta
a) Armadilhas que não exigem a presença
constante do operador Aspirador de tubo ou boca
19 20
Armadilhas que não exigem a presença Flutuação populacional de Grapholita molesta em dois pomares
comerciais da cultura do pessegueiro da região de Pelotas/RS,
constante do operador 2000/2001 (Fachinello et al., 2001).
45
Armadilha luminosa 40
35
N.º indivíduos
30
Armadilha de feromônio sexual 25
20
15
10
Frasco caça-mosca 5
0
04/07/2000
18/07/2000
01/08/2000
15/08/2000
29/08/2000
12/09/2000
26/09/2000
10/10/2000
24/10/2000
07/11/2000
21/11/2000
05/12/2000
19/12/2000
02/01/2001
16/01/2001
30/01/2001
13/02/2001
27/02/2001
Bandeja d’água
Período (dias)
Cartão adesivo
PC PI NC
21 22
Mosca-da-fruta
Ceratitis capitata
Anastrepha fraterculus
23
4
Dano da mosca-das-frutas em pêssego Número de armadilhas
Monitoramento:
1 armadilha/ha
NC = 0,5 mosca/armadilha/dia isca
NC = 1 mosca/armadilha/dia total
Controle:
Uma armadilha a cada cinco plantas
26
Pulgões em batata
2 - Tomada de decisão
Nível de Dano Econômico (NDE)
- Dano provocado pelo inseto
- Perdas econômicas decorrentes do dano
- Valor econômico da produção
- Bandejas com água detergente
- 4 bandejas / ha a 25 a 60 cm de altura do solo - Custo das medidas de controle
- NC = 20 pulgões nas 4 bandejas por semana
- 100 folhas/ha 2 vezes/semana
27 28
- NC = 30 pulgões/folha
Valores relativos do custo do ataque de uma
praga sobre uma cultura 2 - Tomada de decisão
100
90
80
70
Prejuízo
60
Custo
Lucro
50
Custo de controle
30
40
30 Custo normal
20
10
0
1 2 3 4 5 6
1. Sem praga 4. Com praga e com controle considerável
2. Com praga e sem controle 5. Com praga e com controle racional
3. Com praga e com controle 6. Com praga e com excesso de controle
Ex: grafolita NC = 30 adultos/armadilha/semana
30
5
3 - Escolha do sistema de redução
2 - Tomada de decisão populacional
Conhecimento biologia, comportamento e
ecologia da praga e dos inimigos naturais;
Conhecimento da cultura;
-1
Atenção às condições ambientais;
Programação para emprego das medidas de
controle.
Ex: mosca-das-frutas NC = - 1 mosca/frasco/dia
31 32
Diagrama de decisão do MIP (FERREIRA, 1980) Componentes do MIP
AMOSTRAGEM
• Controle cultural
Atingiu Não • Controle químico
NDE ?
• Controle biológico
Sim • Resistência de plantas
Controlar
33 34
CONTROLE DE PRAGAS CONTROLE DE PRAGAS
Métodos Culturais:
Métodos Legislativos: Rotação de cultura
Serviço quarentenário
Aração do solo
Medidas obrigatórias de controle
Época de plantio e de colheita
Métodos Mecânicos: Destruição de restos de cultura
Catação manual Poda
Esmagamento de ovos Ensacamento de frutos
Adubação
35 Irrigação 36
6
CONTROLE DE PRAGAS CONTROLE DE PRAGAS
Controle por Comportamento: Métodos Físicos:
Feromônios - Fogo
Atraentes - Drenagem
Repelentes - Inundação
- Temperatura
Resistência de plantas a insetos
37 38
CONTROLE DE PRAGAS Controle Biológico
Controle Biológico:
Principais medidas:
• Criar condições favoráveis para preservar os inimigos
Predadores
naturais nativos;
Parasitóides
• Reduzir o efeito prejudicial de produtos químicos;
Fungos
• Aplicar inseticidas somente quando necessário;
Bactérias
• Usar métodos de aplicação seletivos.
Vírus
Nematóides
39 40
Nível de controle para a mosca-branca Bemisia
argentifolli na cultura do melão
Nível de dano de tripes em
alho cultivado no Distrito
Federal e Região Geo-
econômica
NC = 4 insetos adultos/folha 41 42
7
Tratamento Produção (ton/ha) Nº aplicações Custo/ha (U$$)
Deltametrina 9,8 a 16 161
Deltametrina + Expurgo 7,0 a 16 172
Diazinon + Expurgo 6,1 b 16 123
Expurgo --- --- ---
5 tripes/planta 9,5 a 7,5 75
10 tripes/planta 9,3 a 5,0 50
20 tripes/planta 9,3 a 2,5 25
40 tripes/planta --- --- ---
60 Tripes/planta --- --- ---
Testemunha 9,6 a --- 0
C.V. (%) 13,4
NC = 20 tripes/planta
43 44
EXEMPLO DA DETERMINAÇÃO DO NDE E EXEMPLO DA DETERMINAÇÃO DO NDE E
NCE - ARROZ NCE - ARROZ
GRÜTZMACHER (1998)
Infestação artificial
Lagartas de S. frugiperda - 3º ínstar
Delineamento experimental - Blocos ao acaso
Dez tratamentos e quatro repetições
Parcelas de 1,5 m2 cercadas com estrutura de latão
galvanizado
45 46
EXEMPLO DA DETERMINAÇÃO DO NDE E EXEMPLO DA DETERMINAÇÃO DO NDE E
NCE - ARROZ NCE - ARROZ
Tratamentos: cinco níveis de infestação, em duas épocas:
1) 0 lagartas/m2 aos 15 dias - Testemunha;
2) 0 lagartas/m2 aos 30 dias - Testemunha;
3) 5 lagartas/m2 aos 15 dias;
4) 5 lagartas/m2 aos 30 dias;
5) 10 lagartas/m2 aos 15 dias;
6) 10 lagartas/m2 aos 30 dias;
7) 20 lagartas/m2 aos 15 dias;
8) 20 lagartas/m2 aos 30 dias;
9) 40 lagartas/m2 aos 15 dias;
10) 40 lagartas/m2 aos 30 dias. 47 48
8
EXEMPLO DA DETERMINAÇÃO DO NDE E
NCE - ARROZ Densidades Populacionais Equação Produção Estimada (g)
(x) y = -3,551x + 471,46 (y)
600 5 y = -3,551 (5) + 471,46 453,71
500
Produção (g/parcela)
10 y = -3,551 (10) + 471,46 435,95
400
15 y = -3,551 (15) + 471,46 418,20
300
20 y = -3,551 (20) + 471,46 400,44
y = -3,551x + 471,46
200
R2 = 0,95 25 y = -3,551 (25) + 471,46 382,69
100
30 y = -3,551 (30) + 471,46 364,93
0
0 5 10 15 20 25 30 35 40
35 y = -3,551 (35) + 471,46 347,18
Lagartas/m 2 40 y = -3,551 (40) + 471,46 329,42
Figura 17. Relação entre diferentes densidades populacionais de lagartas de Spodoptera frugiperda com
infestação artificial a campo aos 15 dias após a emergência das plantas e a produção por
parcela na cultivar Embrapa 6-Chuí, Pelotas-RS, ano agrícola 1997/98.
49
Densidades Populacionais Produção (kg/ha) Perdas na Produção (%)
0 6.094,00 -
5 5.671,38 6,94
CT x 100
10 5.449,38 10,58
15 5.227,50 14,22
ND = ------------------
20 5.005,50 17,86 V
25 4.783,63 21,50
30 4.561,63 25,15
35 4.339,75 28,79 ND = Nível de dano (%)
40 4.117,75 32,43 CT = Custo do tratamento por ha
V = Valor da produção por ha
52
Assim:
32,43% (Tabela) ---------- 40 lagartas/m2
Ct = Mão de obra + Inseticida = R$ 15,00 0,82% (Fórmula) ---------- x
V (Valor da Produção) = R$ 1.828,20 x = 1,01 lagartas/m2
6.094 kg/ha
Valor do saco de arroz = R$ 15,00
6.094/50 = 121,88 x R$ 15,00 = R$ 1.828,20
Desta forma têm-se:
ND = 100 x 15/1.828,20 = 0,82%
Amostragem com quadrado de madeira (0,5 x 0,5 m).
0,82% é o dano correspondente ao nível de controle para a NC = 1 lagarta a cada quatro pontos de 0,5 x 0,5 m.
cultura com o potencial de produzir 6.094 kg/ha.
9
DETERMINAÇÃO DO ND E NC PARA Nezara viridula
EM SOJA produtividade
55 56
CÁLCULOS
y = 2613,86 – 102,3743 x
y = 2613,86 – 102,3743 (0) = 2511,49 kg/ha ND = 100 x 1550,72 / 18435,14 = 8,41%
y = 2613,86 – 102,3743 (4) = 2204,36 kg/ha 12,23%
y = 2613,86 – 102,3743 (8) = 1794,87 kg/ha 28,53% 61,14% ---------- 16 percevejos
y = 2613,86 – 102,3743 (16) = 975,87 kg/ha 61,14% 8,41% ---------- x
Produtividade = 2511,49 Kg/ha
x = 2,20 percevejos/m NC
Ct = Cr$ 1550,72
V = Cr$ 18435,14 (Cr$ 440,40 / saco)
57 58
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