[Conteúdo 01] – Prazos para Conclusão
do Inquérito Policial (Indiciado Preso)
1. Conceito e Importância dos Prazos
O inquérito policial é o procedimento de natureza administrativa e pré-processual,
presidido pela autoridade policial, com o objetivo de apurar a autoria e materialidade da
infração penal.
Quando o investigado está preso, o Estado não pode manter alguém privado de
liberdade indefinidamente.
Por isso, o legislador fixou prazos legais para a conclusão do inquérito, evitando prisões
abusivas.
2. Regras Gerais dos Prazos
2.1. Polícia Civil (Esfera Estadual)
● Prazo: 10 dias
● Contagem: Da data da efetiva prisão do indiciado.
● Prorrogação: Não prevista expressamente no CPP (mas pode haver pedidos
fundamentados em situações excepcionais).
● Fundamento Legal:
Art. 10 do CPP: “O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado
estiver preso, contado o prazo a partir do dia em que se executar a ordem de
prisão."
●
Atualmente a jurisprudência permite 15 em 15 indefinitivamente.
🔵 Importante:
Se não concluído no prazo, pode haver:
● Relaxamento da prisão (art. 5º, LXV, CF/88);
● Substituição por medidas cautelares diversas da prisão (art. 319, CPP);
● Soltura mediante imposição de fiança (se cabível).
2.2. Polícia Federal (Esfera Federal)
● Prazo: 15 dias, prorrogáveis por mais 15 dias, mediante autorização judicial.
● Contagem: Da efetiva prisão.
● Fundamento Legal:
Art. 66 da Lei nº 5.010/1966: "O prazo para conclusão do inquérito policial, estando
o indiciado preso, será de 15 dias, podendo ser prorrogado por mais 15 dias,
mediante autorização do juiz."
🔵 Importante:
● Necessário pedido fundamentado da autoridade policial para a prorrogação.
● Despacho judicial autorizando.
3. Observações Relevantes para Provas de Elite
3.1. Contagem de Prazos
❌
● Inclui-se o dia da prisão na contagem?
NÃO. Aplica-se o art. 798, §1º, do CPP: exclui-se o dia do começo e inclui-se o
do vencimento.
● Domingos e feriados: Prazos não se interrompem (art. 798, §3º, "a", CPP).
Porém se for prazo material conta sim.
3.2. Excesso de Prazo
● O excesso não gera automaticamente o relaxamento da prisão.
● O STF e o STJ admitem excessos razoáveis em casos como:
○ Grande número de réus;
○ Complexidade da investigação;
○ Diligências imprescindíveis ainda pendentes;
○ Contribuição da defesa para a demora.
Exemplo prático cobrado em prova:
Pluralidade de acusados → Pode justificar dilação do prazo sem violação de direito.
4. Jurisprudência Atualizada e Esquematizada
4.1. STF
● HC 191.836/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 01/09/2020
O excesso de prazo para conclusão do inquérito não enseja de forma automática
a concessão da liberdade, sendo necessária a análise das peculiaridades do caso
concreto.
● Súmula 21 do STF
"Pronunciado o réu, fica superada a alegação de constrangimento por excesso de
prazo na formação da culpa."
4.2. STJ
● HC 684.891/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 03/05/2022
O simples excesso de prazo não é suficiente para o relaxamento da prisão quando
presente a complexidade da investigação e pluralidade de réus.
● Súmula 52 do STJ
"Encerrada a instrução criminal, fica superada a alegação de constrangimento por
excesso de prazo."
5. Leis Aplicáveis
Fonte Dispositivo Conteúdo
Legal
Código de Processo Art. 10 Prazo de 10 dias para indiciado preso
Penal (CPP) (estadual)
Lei nº 5.010/1966 Art. 66 Prazo de 15 dias para indiciado preso
(federal), prorrogáveis
Constituição Federal Art. 5º, LXV Relaxamento da prisão ilegal
(CF/88)
✅ Quadro-Resumo Final para Revisão
Polícia/Âm Prazo Prorrogação Previsão Observações
bito Inicial Legal Importantes
Polícia Civil 10 dias Não expressa (pode Art. 10 do Contagem exclui dia do
(Estadual) haver em casos CPP começo. Excesso não
excepcionais, com gera soltura automática.
fundamentação)
Polícia 15 dias +15 dias (com Art. 66 da Pedido fundamentado
Federal autorização judicial) Lei do delegado e decisão
5.010/66 judicial necessária.
[Conteúdo 02] – Inquérito Policial e Ação
Penal Privada: Prazos, Natureza e
Efeitos
1. O Inquérito Policial e sua Relação com a Ação Penal
Privada
O inquérito policial é procedimento preparatório, não obrigatório para a propositura da
ação penal.
Serve para a colheita de elementos de informação, mas não é indispensável ao
ajuizamento da ação.
● Art. 12 do CPP:
"O inquérito policial acompanhará a denúncia ou queixa, sempre que servir de base
à uma ou outra."
🔵 Observação importante:
● Se existirem elementos informativos suficientes para caracterizar justa causa,
dispensa-se o inquérito.
● Exemplo: Termo Circunstanciado (TC) ou documentos robustos podem fundamentar
a queixa diretamente.
2. Prazo para Ajuizamento da Ação Penal Privada
Quando o crime é de ação penal privada (ex.: crimes contra a honra), o prazo para propor a
queixa-crime é de:
● Prazo: 6 meses
● Contagem: A partir do conhecimento da autoria pelo ofendido ou por seu
representante legal.
Fundamento Legal:
● Art. 103 do Código Penal (CP):
"Salvo disposição em contrário, o ofendido decairá do direito de queixa, ou de
representação, se não o exercer dentro do prazo de 6 (seis) meses, contado do dia
em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 100, § 3º, do dia
em que se esgota o prazo para o oferecimento da denúncia."
🔵 Nota:
● A decadência é causa extintiva da punibilidade (art. 107, IV, CP).
● Trata-se de prazo peremptório e fatal: não se suspende, não se interrompe, nem
se prorroga.
3. A Instauração do Inquérito NÃO Suspende Nem
Interrompe Prazos
● Não há previsão legal de que a instauração do inquérito suspenda ou interrompa:
○ O prazo decadencial para ajuizar a queixa-crime (6 meses); ou
○ O curso da prescrição penal.
✅ Logo:
● Instauração do inquérito não suspende o prazo de 6 meses da queixa-crime.
● Instauração do inquérito não interrompe a prescrição.
Fundamento prático:
O inquérito é mera investigação e não possui natureza de ação penal nem equivale à
prática de ato judicial.
4. Instauração do Inquérito em Crimes de Ação Penal
Privada
Exigência:
● Só pode haver inquérito se houver requerimento expresso do ofendido ou de seu
representante legal.
Fundamento Legal:
● Art. 5º, §5º do CPP:
"Nos crimes de ação privada, o inquérito policial só poderá ser iniciado mediante
requerimento de quem tenha qualidade para intentar a ação penal."
🔵 Ponto de atenção em provas:
● Sem requerimento, eventual inquérito instaurado é nulo.
● O requerimento não substitui a queixa — é apenas condição para iniciar o
inquérito.
5. Jurisprudência Atualizada
5.1. STF
● HC 93.436/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski:
A instauração de inquérito policial não suspende o prazo para oferecimento da
queixa-crime, tampouco interrompe o prazo decadencial.
5.2. STJ
● REsp 1.610.592/PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas:
Em ação penal privada, o transcurso do prazo decadencial para oferecimento da
queixa não é suspenso pela instauração do inquérito policial.
● Súmula 714 do STF:
"É concorrente a legitimidade do ofendido e do Ministério Público para a ação penal
por crime de ação pública, se aquele não exerce o direito de representação no prazo
legal."
(embora essa súmula trate de ação pública condicionada, reforça a natureza peremptória
dos prazos de manifestação do ofendido).
6. Legislação Seca Aplicável
Fonte Dispositivo Conteúdo
Legal
Código Penal (CP) Art. 103 Prazo de 6 meses para oferecimento da queixa a
partir do conhecimento da autoria
Código Penal (CP) Art. 107, IV Decadência é causa extintiva da punibilidade
Código Penal (CP) Art. 117 Rol taxativo das causas de interrupção da
prescrição (inquérito não incluído)
Código de Processo Art. 5º, §5º Instauração de inquérito em crimes de ação
Penal (CPP) privada depende de requerimento
Código de Processo Art. 12 Inquérito não é condição indispensável para
Penal (CPP) propositura da ação
Código Penal (CP) Art. 117do Código Penal (CP) - Interrupção da Prescrição
O Artigo 117 do Código Penal brasileiro disciplina as causas que interrompem o curso
do prazo prescricional da pretensão punitiva ou da pretensão executória. A
interrupção da prescrição, diferentemente da suspensão, zera o prazo já decorrido,
fazendo com que a contagem se inicie novamente a partir do marco interruptivo. É
crucial compreender as hipóteses taxativas elencadas neste artigo, pois elas
impactam diretamente na possibilidade de o Estado exercer o seu direito de punir ou
de executar a pena imposta.
As causas de interrupção da prescrição da pretensão punitiva, ou seja, o prazo para o
Estado iniciar a ação penal, são as seguintes:
● Pelo recebimento da denúncia ou da queixa: O ato formal pelo qual o Poder
Judiciário acolhe a acusação formulada pelo Ministério Público (denúncia) ou pelo
ofendido (queixa-crime) interrompe a prescrição. A data do recebimento é o marco
para o reinício da contagem do prazo.
● Pela pronúncia: Nos crimes dolosos contra a vida julgados pelo Tribunal do Júri, a
decisão de pronúncia, que julga admissível a acusação e encaminha o réu a
julgamento pelo conselho de sentença, também interrompe a prescrição.
● Pela decisão confirmatória da pronúncia: Caso a decisão de pronúncia seja
objeto de recurso e o tribunal superior a confirme, essa decisão também constitui um
marco interruptivo da prescrição.
● Pela publicação da sentença ou acórdão condenatório recorrível: A publicação
da decisão judicial que condena o réu, mesmo que ainda passível de recurso,
interrompe o prazo prescricional.
● Pelo início ou continuação do cumprimento da pena: Se o condenado inicia o
cumprimento da pena privativa de liberdade, restritiva de direitos ou de multa, o
prazo da prescrição da pretensão executória é interrompido. Essa interrupção
persiste enquanto o cumprimento da pena estiver em andamento.
● Pela reincidência:
É importante ressaltar que cada uma dessas causas de interrupção possui seus
requisitos e implicações específicas, sendo fundamental a análise do caso concreto
para determinar se e quando a prescrição foi interrompida. A correta identificação
dos marcos interruptivos é essencial para o cálculo preciso do prazo prescricional e
para garantir a segurança jurídica das partes envolvidas no processo penal.
✅ Quadro-Resumo Final para Revisão
Tema Resumo Técnico
Obrigatoriedade do Inquérito ❌ Inquérito é dispensável se houver justa causa
(Art. 12, CPP)
Prazo para Propositura da 6 meses, contados do conhecimento da autoria (Art.
Queixa-Crime 103, CP)
Instauração do Inquérito Suspende ❌ Não suspende, nem interrompe (HC 93.436/SP)
Prazo?
Inquérito Interrompe Prescrição? ❌ Não interrompe (Art. 117, CP)
Inquérito em Crime de Ação ✅ Só mediante requerimento expresso (Art. 5º,
Privada §5º, CPP)
[Conteúdo 03] – Prazos para Conclusão
do Inquérito Policial na Lei de Drogas
(Lei nº 11.343/2006)
1. Introdução
A Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006) traz regras próprias sobre prazos de inquérito
policial, diferentes do Código de Processo Penal (CPP).
Essas regras são aplicáveis exclusivamente aos crimes previstos na Lei de Drogas
(tráfico, associação para o tráfico, etc.).
2. Prazos para Conclusão do Inquérito Policial (Art. 51
da Lei nº 11.343/06)
2.1. Investigado Preso
● Prazo: 30 dias.
● Contagem: A partir da efetiva prisão.
● Possibilidade de prorrogação:
○ Pode ser prorrogado uma vez;
○ Por igual período (+30 dias);
○ Necessário requerimento da autoridade policial e oitiva do Ministério Público.
🔵 Resumo:
30 + 30 dias, com autorização judicial.
2.2. Investigado Solto
● Prazo: 90 dias.
● Contagem: A partir do ato que instaura o inquérito.
● Possibilidade de prorrogação:
○ Pode ser prorrogado uma vez;
○ Por igual período (+90 dias);
○ Com requerimento da autoridade policial e manifestação do MP.
🔵 Resumo:
90 + 90 dias, com autorização judicial.
3. Fundamento Legal
● Art. 51 da Lei nº 11.343/2006:
"O inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado
estiver preso, e de 90 (noventa) dias, quando estiver solto, podendo, em qualquer
caso, ser duplicado, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária e
manifestação do Ministério Público."
4. Jurisprudência Atualizada
4.1. STF
● HC 122.694/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski:
A fixação dos prazos diferenciados na Lei de Drogas visa equilibrar a necessidade
de uma investigação aprofundada diante da complexidade desses delitos e o direito
fundamental do investigado à razoável duração do processo.
4.2. STJ
● HC 661.558/SP, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado):
Os prazos previstos no art. 51 da Lei nº 11.343/06 prevalecem sobre os prazos
gerais do CPP, e o excesso de prazo só será causa de relaxamento da prisão se não
houver justificativas razoáveis (complexidade, pluralidade de investigados,
diligências necessárias).
Situação Código de Processo Penal (CPP) Lei de Drogas (Lei nº
11.343/06)
Investigado 10 dias (estadual) / 15 dias 30 dias (+30 dias)
Preso (federal)
Investigado Solto Sem prazo expresso 90 dias (+90 dias)
6. Comparativo entre Prazos (CPP vs. Lei de Drogas)
📚 Dica Estratégica de Concurso
● Memorizar: Lei de Drogas → 30/90 dias (preso/solto), ambos prorrogáveis.
● Não confundir com o CPP (10 dias preso – Estadual / 15 dias preso – Federal).
● Sempre lembrar que a duplicação depende de decisão judicial.
● Gravar que inquérito de drogas é tratado com mais elasticidade porque a
investigação é mais complexa
[Conteúdo 04] – Pedido de Arquivamento
do Inquérito e Providências do Juiz
1. Contextualização
Após o término do inquérito policial, a regra é o encaminhamento dos autos ao Ministério
Público (titular da ação penal pública) para que:
● Ofereça denúncia; ou
● Requeira diligências complementares; ou
● Requeira o arquivamento.
Quando o Promotor de Justiça requer o arquivamento e o juiz discorda, o juiz não pode
simplesmente rejeitar o arquivamento. Existe um procedimento próprio.
2. Providência Correta do Juiz
O Juiz deve remeter os autos ao Procurador-Geral de Justiça (PGJ), para que:
● Ofereça denúncia diretamente; ou
● Designe outro membro do Ministério Público para fazê-lo; ou
● Ratifique o pedido de arquivamento.
3. Fundamentos Legais
● Art. 28 do Código de Processo Penal (CPP) (Redação Atualizada pela Lei nº
13.964/2019 – Pacote Anticrime):
"Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar denúncia, requerer o
arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz,
antes de decidir, deverá remeter os autos ao procurador-geral, aplicando-se as
mesmas regras no âmbito do Ministério Público Militar e do Ministério Público junto
aos tribunais."
A jurisprudência atual mudou isso. agora só para casos teratologicos e de
ilegalidades.
A jurisprudência atual sobre o tema de intervenção judicial em inquéritos policiais sofreu
uma alteração significativa. Anteriormente, a possibilidade de вмешательство judicial era
mais ampla, admitindo-se em diversas situações onde se verificassem vícios ou
irregularidades no curso da investigação. No entanto, o entendimento jurisprudencial
hodierno restringiu essa intervenção a casos excepcionais, considerados teratológicos ou
eivados de manifesta ilegalidade.
Essa mudança de orientação busca preservar a autonomia da polícia judiciária na condução
das investigações, evitando um controle judicial excessivo que poderia comprometer a
celeridade e a eficácia da persecução penal. Assim, a intervenção do Poder Judiciário no
inquérito policial passou a ser reservada para aquelas situações em que a ilegalidade ou a
teratologia do ato investigatório sejam flagrantes e evidentes, demandando uma correção
imediata para garantir a legalidade do procedimento e os direitos dos envolvidos.
🔵 Pontos Fundamentais:
● O juiz não pode determinar diretamente o arquivamento nem obrigar o MP a
denunciar.
● O juiz deve remeter os autos ao chefe do MP (PGJ).
● O PGJ terá três opções: oferecer denúncia, designar outro membro, ou insistir no
arquivamento.
4. Jurisprudência Atualizada
4.1. Supremo Tribunal Federal (STF)
● HC 191.836/PR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 01/09/2020:
O pedido de arquivamento formulado pelo MP, se não acolhido pelo magistrado,
deve ensejar a remessa dos autos ao Procurador-Geral, nos termos do art. 28 do
CPP.
● ADI 1570/DF:
A atuação do Ministério Público na persecução penal é privativa. O Judiciário não
pode substituir-se ao Parquet para determinar ajuizamento de denúncia.
4.2. Superior Tribunal de Justiça (STJ)
● HC 673.632/GO, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/05/2022:
Com a nova redação do art. 28 do CPP (Pacote Anticrime), o juiz, discordando do
arquivamento, está obrigado a remeter os autos ao PGJ, sem outra possibilidade.
5. Fluxograma Atual do Procedimento
1. Inquérito concluído → MP recebe.
2. MP requer arquivamento → juiz discorda.
3. Juiz não arquiva e não denuncia.
4. Juiz remete os autos ao Procurador-Geral de Justiça.
5. O PGJ pode:
○ Oferecer denúncia diretamente;
○ Designar outro promotor para denunciar;
○ Insistir no arquivamento.
[Conteúdo 05] – Crimes Contra a Honra:
Ação Penal e Inquérito Policial
1. Regra Geral: Ação Penal Privada
● Crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria) → regra geral: ação penal
privada.
Fundamento:
● Art. 145, caput, do Código Penal (CP):
"Nos crimes previstos neste Capítulo (crimes contra a honra), somente se procede
mediante queixa."
🔵 Resumo:
● O ofendido deve ajuizar queixa-crime no prazo de 6 meses após o conhecimento
da autoria (art. 103, CP).
2. Exceções: Ação Penal Pública Condicionada
Há hipóteses em que, embora o crime contra a honra seja, em regra, de ação privada, a
ação será pública condicionada:
2.1. Ofendido Servidor Público
● Se o ofendido for funcionário público, e o crime de honra for praticado em razão
do exercício de suas funções, haverá:
○ Ação penal pública condicionada à representação do ofendido.
🔵 Fundamento:
● Súmula 714 do STF:
"É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público,
condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a
honra de servidor público em razão do exercício de suas funções."
● Art. 145, parágrafo único, do CP:
Procede-se mediante representação do ofendido no caso do inciso II do caput do
art. 141.
2.2. Ofensa Com Lesão Corporal
● Se do crime de injúria (art. 140) resultar lesão corporal, será ação penal pública
incondicionada.
🔵 Fundamento:
● Art. 145, caput, parte final, CP:
"Salvo quando, no caso do art. 140, §2º, da violência resultar lesão corporal."
3. Instauração do Inquérito Policial: Regras Específicas
3.1. Crimes de Ação Penal Privada
● Inquérito somente mediante requerimento do ofendido ou de quem tenha
qualidade para representá-lo.
Fundamento:
● Art. 5º, §5º, CPP:
"Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a
inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la."
3.2. Crimes de Ação Penal Pública Condicionada
● Inquérito somente mediante representação do ofendido.
Fundamento:
● Art. 5º, §4º, CPP:
"O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não
poderá ser iniciado sem ela."
3.3. Requisição de Autoridade Judicial
● A requisição de Tribunal ou juiz não supre a necessidade de representação.
● Representação é manifestação de vontade exclusiva do ofendido (ou seu
representante legal).
🔵 Resumo:
● Sem representação ou requerimento — não pode haver instauração válida de
inquérito.
4. Doutrina Relevante
4.1. Guilherme de Souza Nucci
"Nos crimes contra a honra, a regra é a ação penal privada. Todavia, quando o
ofendido é funcionário público e o fato está ligado ao exercício da função, a
ação será pública condicionada à representação, havendo a concorrência entre
o MP e o ofendido."
(Nucci, Código Penal Comentado, 2024)
4.2. Rogério Greco
"A finalidade da representação é proteger a intimidade e o interesse do
ofendido. A instauração do inquérito sem representação válida compromete a
legitimidade da persecução penal."
(Greco, Curso de Direito Penal, Parte Geral, 2024)
4.3. Aury Lopes Jr.
"O inquérito é um procedimento de natureza preparatória que depende, nos
crimes de ação privada e pública condicionada, da provocação legítima do
ofendido, não podendo ser iniciado de ofício ou por requisição judicial isolada."
(Aury Lopes Jr., Direito Processual Penal, 2024)
5. Jurisprudência Atualizada
Supremo Tribunal Federal (STF)
● Súmula 714:
"É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público,
condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a
honra de servidor público em razão do exercício de suas funções."
Superior Tribunal de Justiça (STJ)
● HC 587.193/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 03/03/2022:
Inquérito instaurado sem representação em crimes de ação penal pública
condicionada é nulo, pois carece de condição de procedibilidade.
[Conteúdo 06] – Decisão de
Arquivamento do Inquérito Policial:
Irrecorribilidade e Hipóteses de Revisão
1. Regra Geral: Irrecorribilidade do Arquivamento
1.1. Natureza Jurídica da Decisão de Arquivamento
● A decisão de arquivamento não é sentença e não faz coisa julgada material.
● Não gera extinção definitiva da pretensão punitiva — salvo em hipóteses
excepcionais (ex.: arquivamento por atipicidade manifesta).
🔵 Consequência:
● Em regra, não cabe recurso (nem apelação, nem recurso em sentido estrito, nem
carta testemunhável).
2. Possibilidade de Desarquivamento
● Art. 18 do CPP:
"Depois de ordenado o arquivamento do inquérito, por falta de base para a
denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras
provas tiver notícia."
🔵 Resumo:
● Descobertas provas novas e substanciais → o inquérito pode ser desarquivado e
as investigações reiniciadas.
Provas novas = aquelas desconhecidas no momento do arquivamento ou que alterem
substancialmente o quadro probatório.
3. Hipóteses Excepcionais de Revisão ou Impugnação
da Decisão de Arquivamento
3.1. Reexame Necessário
Crimes contra a Economia Popular ou Saúde Pública
● Art. 7º da Lei nº 1.521/1951:
O arquivamento do inquérito depende de reexame obrigatório pelo Tribunal.
🔵 Resumo:
● Mesmo após o MP pedir arquivamento, o Tribunal deve revisar a decisão
obrigatoriamente.
3.2. Recurso em Sentido Estrito
Jogo do Bicho e Jogo de Corridas de Cavalos (fora de local autorizado)
● Art. 6º e parágrafo único da Lei nº 1.508/1951:
Caberá recurso em sentido estrito contra decisão de arquivamento nesses casos.
🔵 Resumo:
● Decisão de arquivamento nesse contexto admite recurso em sentido estrito
(RESS).
3.3. Correição Parcial
Arquivamento de Ofício pelo Juiz
● Caso o juiz, sem provocação do MP, determine de ofício o arquivamento → ato
ilegal.
● A medida cabível é correição parcial (instrumento destinado a corrigir erro de
procedimento).
3.4. Mandado de Segurança
Decisão Teratológica de Arquivamento
● Quando a decisão de arquivamento for manifestamente ilegal (teratológica), é
cabível mandado de segurança.
Exemplo jurisprudencial:
● HC 123.365/SP, Rel. Min. Og Fernandes, STJ, 2010:
"Mandado de segurança cabível quando a decisão de arquivamento se baseia em
motivo diverso da ausência de justa causa, evidenciando ilegalidade flagrante."
3.5. Revisão pelo Colégio de Procuradores
Atribuição Originária do Procurador-Geral
● Art. 12, XI, da Lei nº 8.625/1993 (Lei Orgânica Nacional do MP):
O Colégio de Procuradores pode rever decisão de arquivamento tomada pelo
Procurador-Geral de Justiça, nos casos de sua atribuição originária.
🔵 Resumo:
● Quando o PGJ arquiva diretamente em procedimentos originários → possível
revisão pelo colegiado.
4. Doutrina Relevante
4.1. Guilherme de Souza Nucci
"A regra é a irrecorribilidade da decisão de arquivamento, admitindo-se,
todavia, o desarquivamento na hipótese de surgimento de prova nova.
Exceções específicas de cabimento recursal decorrem de leis especiais."
(Nucci, Código de Processo Penal Comentado, 2024)
4.2. Eugênio Pacelli
"O arquivamento não gera coisa julgada material. Assim, sendo descoberta
nova prova substancial, é possível reabrir a investigação. A decisão judicial que
arquiva fora dos parâmetros legais pode ser combatida por correição parcial ou
mandado de segurança."
(Pacelli, Curso de Processo Penal, 2024)
4.3. Aury Lopes Jr.
"No sistema acusatório, o arquivamento é ato do Ministério Público, controlado
pelo Judiciário, mas sem a criação de vínculos definitivos, salvo exceções muito
restritas."
(Aury Lopes Jr., Direito Processual Penal, 2024)
5. Jurisprudência Atualizada
Supremo Tribunal Federal (STF)
● HC 123.365/SP, Rel. Min. Og Fernandes, 2010:
"É possível mandado de segurança para impugnar decisão teratológica de
arquivamento."
Superior Tribunal de Justiça (STJ)
● HC 687.392/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 2022:
"O arquivamento do inquérito em crimes da Lei nº 1.521/1951 (economia popular)
exige reexame obrigatório."
✅ Quadro-Resumo Final para Revisão
Situação Medida Cabível Fundamento
Arquivamento regular (regra Irrecorrível Princípio da
geral) não-judicialização
Prova nova descoberta Desarquivamento e Art. 18 do CPP
reabertura
Crime contra a economia Reexame necessário Art. 7º da Lei
popular 1.521/1951
Jogo do bicho ou corridas de Recurso em Sentido Estrito Art. 6º da Lei
cavalos (RESS) 1.508/1951
Arquivamento de ofício pelo juiz Correição parcial Doutrina consolidada
Decisão teratológica de Mandado de segurança HC 123.365/SP
arquivamento
Arquivamento pelo PGJ em Revisão pelo Colégio de Art. 12, XI, Lei nº
caso originário Procuradores 8.625/1993
[Conteúdo 07] – Formas de Instauração e
Conclusão do Inquérito Policial
1. Formas de Instauração do Inquérito Policial
1.1. Regra Geral: Crimes de Ação Penal Pública
De acordo com o Art. 5º, caput, do Código de Processo Penal (CPP), o inquérito policial
será iniciado:
● I – De ofício pela autoridade policial;
● II – Mediante requisição da autoridade judicial ou do Ministério Público;
● III – A requerimento do ofendido ou de quem tenha qualidade para representá-lo.
🔵 Resumo:
● O inquérito não depende exclusivamente de requerimento do ofendido.
● Pode ser instaurado de ofício, por requisição ou por requerimento.
1.2. Crimes de Ação Penal Pública Condicionada e Privada
Ação Pública Condicionada
● Exige representação do ofendido (art. 5º, §4º, CPP).
Ação Penal Privada
● Exige requerimento do ofendido (art. 5º, §5º, CPP).
🔵 Importante:
● Sem representação ou requerimento → inquérito é nulo.
2. Prazo para Conclusão do Inquérito Policial
Conforme o Art. 10 do CPP:
● Indiciado Preso: 10 dias.
○ Contados a partir da execução da prisão.
● Indiciado Solto: 30 dias.
○ Com possibilidade de prorrogação mediante autorização judicial.
🔵 Resumo:
● 10 dias (preso).
● 30 dias (solto).
(Salvo prazos especiais, como na Lei de Drogas: 30/90 dias).
3. Obrigatoriedade do Relatório Final
Segundo o Art. 10, §1º, do CPP:
"A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos
ao juiz competente."
🔵 Resumo:
● Relatório é obrigatório quando o inquérito é concluído.
● Não é facultativo ou sujeito à conveniência da autoridade policial.
Conforme doutrina de Renato Brasileiro:
"A ausência injustificada de relatório final configura infração disciplinar da
autoridade policial."
4. Doutrina Relevante
4.1. Renato Brasileiro de Lima
"O relatório final é peça obrigatória. O descumprimento dessa obrigação pelo
delegado de polícia pode ensejar responsabilização disciplinar."
(Renato Brasileiro, Manual de Processo Penal, 2024)
4.2. Eugênio Pacelli
"A instauração do inquérito, nos crimes de ação penal pública, pode ocorrer por
iniciativa da própria autoridade policial, por requisição judicial ou do Ministério
Público, ou ainda por requerimento do ofendido."
(Pacelli, Curso de Processo Penal, 2024)
4.3. Aury Lopes Jr.
"O inquérito é uma peça administrativa investigativa, cujo encerramento, via
relatório, é imprescindível para o controle judicial posterior."
(Aury Lopes Jr., Direito Processual Penal, 2024)
5. Jurisprudência Atualizada
Superior Tribunal de Justiça (STJ)
● HC 618.328/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 27/09/2022:
"A ausência de relatório final no inquérito, quando injustificada, pode ensejar
nulidade relativa."
● REsp 1.660.586/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 15/06/2021:
"A instauração do inquérito policial para apuração de crimes de ação penal pública
pode se dar de ofício, por requisição ou a pedido do ofendido."
✅ Quadro-Resumo Final para Revisão
Tema Situação Previsão Observações
Legal
Forma de instauração De ofício / Art. 5º, Não depende
(ação pública) Requisição / CPP exclusivamente do
Requerimento ofendido
Forma de instauração Depende de Art. 5º, Representação prévia
(ação pública representação do §4º, CPP necessária
condicionada) ofendido
Forma de instauração Depende de Art. 5º, Sem requerimento =
(ação privada) requerimento §5º, CPP nulidade
Prazo de conclusão 10 dias Art. 10, Contado da execução da
(preso) CPP prisão
Prazo de conclusão 30 dias Art. 10, Pode ser prorrogado
(solto) CPP
Relatório final Obrigatório Art. 10, Sua ausência injustificada
§1º, CPP gera infração disciplinar
🔵 [Conteúdo 08] – Acordo de Não
Persecução Penal (ANPP) e Alternativas
de Solução Penal
🟠 1. Conceito e Fundamento Legal
O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) é uma inovação introduzida pelo Pacote
Anticrime (Lei nº 13.964/2019), inserido no art. 28-A do Código de Processo Penal.
🟣 Requisitos básicos para propor o ANPP:
● Infrações penais sem violência ou grave ameaça;
● Pena mínima inferior a 4 anos;
● Confissão formal da prática da infração;
● Condições ajustadas entre MP e acusado;
● Homologação judicial do acordo.
🟠 2. Situações de Vedação ao ANPP
Não cabe o ANPP quando:
● O investigado for reincidente ou
● Já tiver sido beneficiado nos 5 anos anteriores por:
○ Acordo de não persecução penal anterior;
○ Suspensão condicional do processo;
○ Transação penal.
🔵 Importante:
● O ANPP não pode ser homologado se o réu já usufruiu da suspensão condicional
do processo nos últimos 5 anos.
● Prioriza-se medidas despenalizadoras progressivas, mas vedado o uso repetido
imediato.
🟠 3. ANPP e Crimes de Violência contra Mulher
O Supremo Tribunal Federal (STF) já decidiu que:
● Em regra, é possível o oferecimento do ANPP em crimes envolvendo violência
doméstica contra a mulher, desde que preenchidos os requisitos legais,
especialmente ausência de grave ameaça e observância da vontade da vítima.
🔵 Resumo:
● Não há vedação automática.
● Avaliação caso a caso (STF – HC 180.325/MS).
Não. O Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) não é aplicável em
casos de violência doméstica ou familiar, ou em casos de feminicídio,
independentemente da pena prevista. A lei vedou o ANPP em tais casos
para garantir o direito fundamental à não discriminação.
Explicação Detalhada:
Proibições ao ANPP:
A lei estabelece que o ANPP não pode ser proposto para crimes praticados no
âmbito da violência doméstica ou familiar, incluindo crimes contra a mulher por
razões de gênero.
Justificativa:
A proibição visa proteger as vítimas de violência, especialmente mulheres, e
garantir que a lei seja aplicada de forma enérgica em situações de violência
doméstica.
Exceções:
O ANPP pode ser considerado para crimes de menor potencial ofensivo que não
envolvam violência doméstica ou familiar, mas não em casos de feminicídio.
Recursos:
Caso o MP não proponha o ANPP em um caso de violência doméstica ou
familiar, a vítima pode recorrer às vias judiciais para buscar a punição do
agressor.
Ação Penal Pública:
Em casos de violência doméstica, a ação penal é pública incondicionada, ou
seja, não depende da vontade da vítima para que o processo seja iniciado.
🟠 4. Transação Penal (Lei 9.099/95)
● Aplica-se às infrações de menor potencial ofensivo (pena máxima até 2 anos).
● Vedada se a pena mínima igualar ou ultrapassar 1 ano.
Portanto, não cabe transação para crimes cuja pena mínima seja igual ou superior
a 4 anos.
🔵 Resumo:
● Transação penal → somente para infrações penais leves (não para crimes mais
graves).
🟠 5. Suspensão Condicional do Processo (Sursis
Processual)
● Prevista no art. 89 da Lei nº 9.099/1995.
● Só pode ser proposta pelo Ministério Público.
● O juiz não pode oferecer de ofício a suspensão condicional do processo.
🔵 Resumo:
● Suspensão é iniciativa exclusiva do Ministério Público.
● O juiz apenas homologa ou rejeita, se for o caso.
🟠 6. Recusa do Ministério Público e Fundamentação
● O Ministério Público deve justificar por escrito as razões do não oferecimento do
ANPP.
● Simples alegações genéricas não bastam — é necessário demonstrar a ausência
dos requisitos legais no caso concreto.
🔵 Importante:
● O controle dessa recusa é feito pelo Judiciário no momento da homologação.
7. Doutrina Relevante
Guilherme de Souza Nucci
"O ANPP representa uma importante ferramenta de política criminal para
racionalizar o sistema penal. Contudo, sua aplicação exige rigorosos limites de
oportunidade e conveniência, especialmente em crimes de violência
doméstica."
(Nucci, Código de Processo Penal Comentado, 2024)
Aury Lopes Jr.
"O acordo de não persecução penal consagra o princípio da oportunidade
mitigada, mas exige a verificação precisa de seus requisitos legais sob pena de
nulidade."
(Aury Lopes Jr., Direito Processual Penal, 2024)
8. Jurisprudência Atualizada
Supremo Tribunal Federal (STF)
● HC 180.325/MS, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 2021:
Admite-se o ANPP em casos de violência doméstica, desde que presentes os
requisitos e respeitada a vontade da vítima.
Superior Tribunal de Justiça (STJ)
● REsp 1.887.511/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 2021:
A negativa do MP em propor o ANPP deve ser devidamente fundamentada, sob
pena de nulidade.
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Tema Situação Previsão Observação
Cabimento do Crime sem violência ou grave Art. 28-A do Necessário
ANPP ameaça, pena mínima inferior a 4 CPP acordo entre MP
anos, confissão e investigado
Vedação ao Reincidência / Beneficiado por Art. 28-A, §2º,
ANPP suspensão/transação/ANPP nos CPP
últimos 5 anos
Violência Admite ANPP em casos sem STF – HC Avaliação caso a
doméstica grave ameaça e com vontade da 180.325/MS caso
vítima
Transação penal Apenas para infrações de menor Lei 9.099/95 Pena mínima de
potencial ofensivo (pena até 2 4 anos → Não
anos) cabe transação
Suspensão Iniciativa exclusiva do MP Art. 89 da Lei Juiz não pode
condicional do 9.099/95 oferecer de
processo ofício
Fundamentação Obrigatória Jurisprudência
para negativa STF/STJ
📚 Dica Estratégica de Concurso
● Fixar:
○ ANPP depende da confissão + pena mínima < 4 anos.
○ Juiz não pode oferecer de ofício nem suspensão nem ANPP.
○ Violência doméstica → não impede ANPP automaticamente.
🟣 Quadro Comparativo – Transação
Penal × ANPP × Suspensão Condicional
do Processo
Critério Transação Penal ANPP Suspensão
Condicional do
Processo
Previsão Legal Art. 76, Lei 9.099/95 Art. 28-A, CPP Art. 89, Lei
9.099/95
Momento Antes da denúncia Antes da denúncia Após recebimento
da denúncia
Iniciativa Ministério Público Ministério Público Ministério Público
Homologação Necessária Necessária Necessária
Judicial
Crime Abrangido Menor potencial Pena mínima inferior Pena mínima igual
ofensivo (pena a 4 anos, sem grave ou inferior a 1 ano
máxima até 2 anos) ameaça
Exige Confissão? Não Sim Não (mas deve
aceitar as
condições)
Consequência do Extinção da Extinção da Extinção da
Cumprimento punibilidade punibilidade punibilidade
Possível para Não Em tese, sim (caso Não
Violência concreto)
Doméstica?
📚 Dica Final de Estudo Estratégico
● Memorizar:
○ Transação penal: antes da denúncia, crimes leves.
○ ANPP: confissão formal, pena mínima < 4 anos, mesmo antes da denúncia.
○ Suspensão condicional: após denúncia, pena mínima pequena.
● Gravar a lógica: ANPP exige confissão expressa → Transação e Suspensão não.
🔵 [Conteúdo 09] – Análise Completa:
Instauração de Inquérito, Suspensão
Condicional, Prisão Temporária e ANPP
🟠 1. Instauração do Inquérito Policial nos Crimes de
Ação Penal Privada
● Art. 5º, §5º, do CPP:
"Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente poderá proceder a
inquérito a requerimento de quem tenha qualidade para intentá-la."
🔵 Resumo:
● O inquérito não pode ser instaurado de ofício nos crimes de ação penal privada.
● Exige requerimento do ofendido ou representante legal.
🟠 2. Suspensão Condicional do Processo (Sursis
Processual)
● Súmula 696 do STF:
"Reunidos os pressupostos legais permissivos da suspensão condicional do
processo, mas se recusando o promotor de justiça a propô-la, o juiz, dissentindo,
remeterá a questão ao Procurador-Geral, aplicando-se por analogia o art. 28 do
Código de Processo Penal."
🔵 Resumo:
● Se o MP se recusar a oferecer a suspensão condicional, o juiz não pode propor de
ofício.
● O juiz deve remeter os autos ao Procurador-Geral para análise.
🟠 3. Prisão Temporária
● Art. 2º da Lei nº 7.960/1989:
"A prisão temporária será decretada pelo juiz, em face da representação da
autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público, e terá o prazo de 5
(cinco) dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada
necessidade."
🔵 Resumo:
● Prazo inicial: 5 dias;
● Prorrogável: mais 5 dias;
● Excepcionalmente prorroga-se mediante decisão fundamentada e extrema
necessidade.
🟠 4. Acordo de Não Persecução Penal (ANPP)
● Art. 28-A do CPP:
"O Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal nas condições
especificadas em lei."
🔵 Resumo:
● Legitimidade exclusiva do Ministério Público;
● Juiz não pode propor de ofício;
● O juiz apenas:
○ Homologa o acordo;
○ Devolve para reformulação se as condições forem inadequadas (Art. 28-A,
§5º);
○ Recusa a homologação se o acordo não atender aos requisitos legais (§7º).
🟠 5. Incomunicabilidade do Indiciado
● Art. 21 do CPP:
"A incomunicabilidade do indiciado dependerá sempre de despacho nos autos e
somente será permitida quando o interesse da sociedade ou a conveniência da
investigação o exigir."
🔵 Resumo:
● Prazo máximo: 3 dias.
● Recepção constitucional do art. 21 é controversa (tendência: não recepção).
● Mesmo que recepcionado, deve respeitar o direito de defesa e acesso ao advogado
(art. 5º, LXIII, CF/88).
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Tema Situação Previsão Observações
Legal
Instauração de Inquérito Requerimento Art. 5º, §5º, Sem requerimento,
(ação privada) obrigatório CPP inquérito é nulo
Suspensão condicional Remessa ao PGJ Súmula Analogia ao art. 28 do
recusada pelo MP 696/STF CPP
Prisão temporária 5 dias + 5 dias Art. 2º, Lei Exige decisão
7.960/89 fundamentada
ANPP (acordo) Iniciativa exclusiva Art. 28-A, Juiz apenas homologa
do MP CPP ou recusa
Incomunicabilidade Máximo 3 dias Art. 21, CPP Discussão sobre
recepção pela CF
🔵 [Conteúdo 10] – Atuação do
Ministério Público na Fase Investigatória
e a Questão da Suspeição/Impedimento
🟠 1. Enunciado Central
Súmula 234 do STJ:
"A participação de membro do Ministério Público na fase investigatória criminal
não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da
denúncia."
🟢 2. Fundamento Jurídico e Prático
● A atuação do Ministério Público na fase pré-processual (como fiscal das
investigações ou órgão controlador externo da polícia) não impede que o
mesmo membro ofereça a denúncia posteriormente.
● A imparcialidade objetiva do MP é garantida pela sua estrutura funcional e seus
deveres institucionais (art. 129 da CF/88).
🟣 3. Doutrina Relevante
Renato Brasileiro
“A atuação do Promotor de Justiça na fase investigatória, inclusive com a
presidência de diligências, não enseja impedimento ou suspeição para a
propositura da ação penal.”
Eugênio Pacelli
“É plenamente admissível que o mesmo membro do Parquet que tenha
requisitado diligências no inquérito ofereça a denúncia, sob pena de
esvaziamento de suas funções institucionais.”
🟠 4. Jurisprudência
Superior Tribunal de Justiça (STJ)
● Súmula 234/STJ é consolidada e reiteradamente aplicada.
● A jurisprudência rejeita alegações de nulidade com base apenas na atuação prévia
do MP na investigação.
Supremo Tribunal Federal (STF)
● Também reconhece a possibilidade plena de o MP atuar investigando e,
posteriormente, denunciando, desde que respeitado o sistema acusatório e os
direitos fundamentais do investigado.
🟢 5. Legislação Aplicável
● Art. 129, CF/88 – Compete ao Ministério Público:
○ Inciso VIII: “Requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito
policial”.
● Art. 28-A, §14, CPP – Acordo de não persecução penal pode ser proposto pelo
mesmo membro que investigou.
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Tema Enunciado Jurisprudência Observação
Atuação do MP na Não gera Súmula 234/STJ É compatível com sua
investigação impedimento nem função constitucional
suspeição
Controle de Pode requisitar Art. 129, VIII, Fiscal natural do
legalidade do diligências CF/88 inquérito
inquérito
Alegação de Rejeitada pela STJ e STF Precisa de
parcialidade jurisprudência demonstração objetiva
de vício
🔵 [Conteúdo 11] – Temas Avançados da
Fase de Inquérito Policial
🟠 1. Presença do Advogado no Interrogatório Policial
● Regra: A presença do advogado não é obrigatória no interrogatório realizado no
âmbito do inquérito policial, por se tratar de fase inquisitiva e administrativa, onde
ainda não há contraditório pleno.
● Contudo, o investigado tem direito a ser assistido, caso requeira.
Negar esse direito, uma vez solicitado, gera nulidade do ato (art. 5º, LXIII, CF/88 e
art. 7º, XXI, do Estatuto da OAB).
🟣 2. Condução Coercitiva do Investigado
● A jurisprudência atual veda a condução coercitiva para fins de interrogatório,
sob pena de violação ao princípio nemo tenetur se detegere (direito ao silêncio e à
não autoincriminação).
Jurisprudência:
● ADPF 395 e ADPF 444 – STF
Liminar concedida pelo Min. Gilmar Mendes (2017) proibindo condução coercitiva
de investigado para interrogatório sem prévia intimação e descumprimento
injustificado.
🔵 Resumo:
A condução coercitiva para interrogatório fere direitos fundamentais e foi suspensa por
decisão do STF, com tendência à consolidação definitiva dessa vedação.
🟢 3. Confissão Obtida sob Tortura no Inquérito
● Confissão obtida mediante violação de direitos fundamentais, como por tortura, é
absolutamente nula.
● Todavia, ratificação espontânea em juízo — sem coação — é válida e pode ser
considerada como meio de prova.
● Regra doutrinária e jurisprudencial: vícios ocorridos no inquérito não
contaminam automaticamente a ação penal, salvo se repercutirem na fase
judicial.
🟠 4. Atuação de Assistente Técnico na Fase de
Inquérito
● Vedada a atuação de assistente técnico na fase de investigação.
Fundamento legal:
● Art. 159, §§ 4º e 5º do CPP:
○ Os assistentes técnicos somente poderão atuar na fase processual, ou
seja, durante a ação penal.
🔵 Resumo:
Durante o inquérito, não é admitida a participação de assistente técnico, salvo em
investigações defensivas com base no art. 14 da Resolução 181/2017 do CNMP,
hipótese ainda controvertida e dependente de aceitação jurisprudencial.
🟣 5. Suspeição do Delegado de Polícia
● Art. 107 do CPP:
"Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito;
deverão, entretanto, declarar-se suspeitas quando ocorrer motivo legal."
🔵 Resumo:
● A lei não admite arguição formal de suspeição contra delegado na fase
inquisitiva;
● Mas impõe o dever de autodeclaração de suspeição, caso presente alguma das
hipóteses do art. 107 do CPP.
✅ Quadro-Resumo Final para Revisão
Tema Regra Aplicável Fundamento Observações
Presença do Não obrigatória, mas Art. 5º, LXIII, CF/88 Nulidade se negado
advogado no garantida se e art. 7º, XXI, EOAB após solicitação
inquérito requerida
Condução Vedada ADPF 395 e 444 Viola o princípio
coercitiva para (STF) nemo tenetur se
interrogatório detegere
Confissão sob Nula Art. 5º, III e LXIII, Ratificação
tortura CF/88 espontânea em juízo
pode ser válida
Assistente técnico Não permitido Art. 159, §§ 4º e 5º, Permitido apenas na
no inquérito CPP fase processual
Suspeição do Deve se declarar Art. 107, CPP Obrigação legal, não
delegado suspeito, não cabe faculdade
arguição formal
📚 Comentário Crítico para Provas de 2ª
Fase / Orais
● Condução coercitiva: Tema interdisciplinar (Processo Penal + Constitucional).
Argumentar pela prevalência do princípio da dignidade da pessoa humana e do
devido processo legal.
● Confissão com vício: Explorar o princípio do "fruto da árvore envenenada" (doctrina
dos EUA, aplicada no Brasil em alguns casos), com exceção quando houver
confirmação espontânea e isenta de vícios em juízo.
● Suspeição do delegado: Explorar a natureza inquisitorial do inquérito e a função
limitada da imparcialidade nesse estágio, mas enfatizando o dever de moralidade e
transparência na atuação estatal
🔵 [Conteúdo 12] – Prazos para
Conclusão do Inquérito Policial nas Leis
Especiais
🟠 1. Código de Processo Penal (CPP)
● Art. 10, CPP:
○ Indiciado preso (flagrante ou preventivo): 10 dias, contados da execução
da ordem de prisão;
○ Indiciado solto: 30 dias, podendo ser prorrogado mediante autorização
judicial.
🟠 2. Código de Processo Penal Militar (CPPM)
● Art. 20, CPPM:
○ Indiciado preso: 20 dias, prorrogáveis pelo mesmo prazo mediante
autorização da autoridade judiciária competente;
○ Indiciado solto: 40 dias, também prorrogáveis.
🟠 3. Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006)
● Art. 51:
○ Indiciado preso: 30 dias, prorrogáveis por mais 30 dias, com autorização
judicial e manifestação do MP;
○ Indiciado solto: 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias, nas mesmas
condições.
🟠 4. Lei de Organizações Criminosas (Lei nº
12.850/2013)
● Art. 2º, §1º:
○ Aplica-se por analogia os prazos do CPP, salvo autorização judicial
fundamentada que justifique a prorrogação por complexidade.
🔵 Importante:
Essa lei não fixa prazo específico, mas autoriza expressamente prorrogação superior à
regra geral do CPP, dada a complexidade das investigações.
🟠 5. Lei de Lavagem de Dinheiro (Lei nº 9.613/1998)
● Art. 2º, §1º:
○ Também se aplica o prazo do CPP (10 ou 30 dias), mas a jurisprudência
admite prorrogação extensa, dado o caráter transnacional e complexo
dos crimes.
🟠 6. Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019)
● Não fixa prazo específico.
Aplica-se a regra do CPP (10 dias preso / 30 dias solto), conforme o tipo penal ser
processado via rito comum.
🟠 7. Estatuto do Desarmamento (Lei nº 10.826/2003)
● Não fixa prazo próprio.
Aplicação subsidiária do CPP.
🟠 8. Lei de Crimes Hediondos (Lei nº 8.072/1990)
● Não há prazo específico para o inquérito.
Aplica-se o CPP, salvo quando combinado com a Lei de Drogas, que traz prazos
próprios.
🟠 9. Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº
8.429/1992)
● Trata-se de esfera cível.
Não se aplica a regra de inquérito policial, mas sim de investigação civil
(procedimento administrativo pelo MP).
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final – Prazos de
Conclusão do Inquérito Policial
Legislação Indiciado Indiciado Prorrogação Observações
Preso Solto
CPP (Art. 10) 10 dias 30 dias Sim, com Regra geral
autorização
judicial
CPPM (Art. 20) 20 dias 40 dias Sim, por igual Justiça Militar
prazo
Lei de Drogas (Art. 51) 30 dias 90 dias Sim, por igual Complexidade
prazo reconhecida
Lei 12.850/2013 10 dias 30 dias Sim, Pode ultrapassar
(Organizações (CPP) (CPP) amplamente prazos do CPP
Criminosas) autorizado
Lei 9.613/1998 10 dias 30 dias Sim, Casos complexos
(Lavagem) (CPP) (CPP) judicialmente
Demais leis CPP CPP Conforme CPP Aplicação
(Desarmamento, subsidiária
Abuso, Hediondos)
📚 Dica Estratégica para Concursos
● Lei de Drogas: lembrar de cabeça → 30/90 dias (preso/solto), ambos prorrogáveis.
● Inquérito Militar: 20 dias preso / 40 solto, prorrogação autorizada judicialmente.
● Organizações Criminosas e Lavagem: banca pode cobrar possibilidade de
prorrogação além do CPP, por complexidade.
● Pegadinha comum: confundir o prazo da prisão temporária (5 + 5 dias) com o prazo
do inquérito — são institutos distintos!
● STJ e STF já admitiram que o prazo do inquérito não é absoluto, desde que
justificado e não gere constrangimento ilegal (excesso de prazo exige análise caso a
caso).
🔵 [Conteúdo 13] – Atos Iniciais e
Controle do Inquérito Policial (Art. 5º ao
20 do CPP)
🟠 1. Instauração do Inquérito Policial (Art. 5º, CPP)
📜 Dispositivo Legal:
Art. 5º, CPP:
"Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:
I – de ofício;
II – mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público;
III – a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para
representá-lo."
🔍 Interpretação Técnica:
● A autoridade policial pode instaurar de ofício o inquérito nos casos de ação penal
pública incondicionada.
● Nos crimes de ação penal pública condicionada ou privada, a instauração
depende de representação ou requerimento (art. 5º, §§ 4º e 5º).
● A requisição judicial ou do MP obriga a instauração do inquérito, não sendo
facultativa.
🟠 2. Devolução do Inquérito pelo Ministério Público
(Art. 16, CPP)
📜 Dispositivo Legal:
Art. 16, CPP:
"O Ministério Público não poderá requerer a devolução do inquérito à
autoridade policial, senão para novas diligências imprescindíveis ao
oferecimento da denúncia."
🔍 Interpretação Técnica:
● O MP pode devolver o inquérito, mas somente se houver diligências essenciais
para formar sua opinio delicti.
● Não pode devolvê-lo por “conveniência” investigativa genérica.
● O controle judicial da legalidade do pedido pode ser feito pelo juiz, especialmente se
envolver constrangimento ao investigado.
🟠 3. Arquivamento do Inquérito Policial (Art. 17 e Art.
28, CPP)
📜 Dispositivos Legais:
Art. 17, CPP:
"A autoridade policial não poderá mandar arquivar os autos de inquérito."
Art. 28, CPP:
"Se o órgão do Ministério Público requerer o arquivamento do inquérito policial,
o juiz, antes de decidir, deverá remeter os autos ao procurador-geral."
🔍 Interpretação Técnica:
● A autoridade policial jamais arquiva: essa é função exclusiva do Ministério
Público.
● O juiz não pode arquivar de ofício, nem determinar o arquivamento sem passar
pelo controle da chefia do MP, conforme o novo procedimento do art. 28 (pós-Pacote
Anticrime).
🟠 4. Sigilo do Inquérito (Art. 20, CPP)
📜 Dispositivo Legal:
Art. 20, CPP:
"A autoridade assegurará, no inquérito, o sigilo necessário à elucidação do fato
ou exigido pelo interesse da sociedade."
🔍 Interpretação Técnica:
● O sigilo é regra geral externa (para terceiros), mas não absoluto:
○ A defesa técnica tem direito ao acesso pleno aos elementos de prova já
documentados.
○ STF – Tema 990: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter
acesso amplo aos elementos de prova já documentados”.
📚 Doutrina Relevante
● Renato Brasileiro:
“O arquivamento do inquérito é atribuição exclusiva do Ministério Público, sendo
vedado ao juiz e, especialmente, à autoridade policial determinar seu arquivamento.”
● Aury Lopes Jr.:
“O inquérito é um procedimento inquisitivo e administrativo. Ainda assim, deve
respeitar o contraditório diferido e o direito de defesa mínima, incluindo o acesso aos
autos pelo defensor.”
⚖️ Jurisprudência Atualizada
● STF – HC 151.605, Tema 990:
Defesa tem direito de acesso aos autos de inquérito policial, mesmo antes da
instauração de processo, desde que os elementos estejam documentados.
● STF – ADPF 395 e ADPF 444:
Vedação à condução coercitiva de investigados para interrogatório sem intimação
prévia.
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Tema Regra Dispositivo Observação
Instauração do De ofício, requisição ou Art. 5º, I e II, Varia conforme natureza
IP requerimento CPP da ação penal
Devolução do Apenas para diligência Art. 16, CPP Vedada devolução
IP essencial genérica
Arquivamento Exclusivo do MP; juiz Art. 17 e 28, Delegado não arquiva
remete ao PGJ CPP nunca
Sigilo Permitido, mas não
absoluto
🔵 [Conteúdo 14] – Direito de Acesso da
Defesa Técnica ao Inquérito Policial
🟠 1. Natureza Sigilosa do Inquérito
● O inquérito policial é inquisitivo e sigiloso, conforme o art. 20 do CPP, mas o sigilo
não é absoluto.
📜 Art. 20, CPP:
"A autoridade assegurará, no inquérito, o sigilo necessário à elucidação do fato
ou exigido pelo interesse da sociedade."
🔍 O sigilo visa:
● Proteger a eficácia da investigação;
● Preservar a identidade de colaboradores e testemunhas;
● Evitar destruição de provas ou fuga de investigados.
🟣 2. Direito do Advogado de Acesso aos Autos
📜 Súmula Vinculante nº 14, STF:
"É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório
realizado por órgão competente, digam respeito ao exercício do direito de
defesa."
📜 Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/94), Art. 7º, XXI:
"É direito do advogado [...] assistir a seus clientes investigados durante a
apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo
interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos
investigatórios e probatórios dele decorrentes [...]."
🔍 Resumo Prático:
● O advogado tem direito de acesso aos autos já documentados, ainda na fase do
inquérito;
● O acesso pode ser restringido apenas quanto a diligências em andamento (ex.:
interceptações em curso, buscas ainda não realizadas).
🟢 3. Jurisprudência Relevante
🔹 STF – Inq 4.244/DF, Min. Gilmar Mendes:
“A diligência em andamento que pode autorizar a negativa de acesso aos autos
é apenas a colheita de provas cujo sigilo é imprescindível. O argumento
genérico de diligência em andamento não autoriza a ocultação de provas para
surpreender o investigado.”
🔹 STF – Rcl 10110, Min. Ricardo Lewandowski:
“É legítima a restrição de acesso parcial aos autos do inquérito, quando
fundadas em diligências sigilosas e não concluídas, conforme entendimento
da Súmula Vinculante 14.”
🔵 4. Não Aplicabilidade do Contraditório Pleno
● O inquérito policial é inquisitivo e não se rege pelo contraditório pleno;
● A defesa técnica (advogado) não precisa ser intimada de todas as diligências;
● Contudo, deve ser assegurado o direito de presença no interrogatório e de
acesso às provas formalizadas.
📚 Doutrina Relevante
Renato Brasileiro:
“O direito de acesso aos autos do inquérito, com base na SV 14, não é
absoluto. A restrição só é admitida quando houver diligência sigilosa em
andamento, sob pena de nulidade da investigação.”
Aury Lopes Jr.:
“A defesa não pode ser surpreendida no interrogatório do investigado. O acesso
ao conteúdo das provas já produzidas é inerente ao contraditório mínimo
exigido mesmo na fase inquisitorial.”
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Tema Regra Fundamento Observações
Natureza do Sigiloso Art. 20, CPP Sigilo externo, não
inquérito absoluto
Acesso do Direito garantido SV 14 / Art. 7º, Exceto provas em
advogado aos XXI, EOAB diligência sigilosa em
autos curso
Intimação do Não obrigatória Doutrina e Inquérito é inquisitivo,
advogado para jurisprudência sem contraditório
diligências pleno
Restrições de Só para diligências em STF (Inq 4244 e Deve ser justificável e
acesso curso Rcl 10110) documentada
Nulidade por Sim, se negado acesso EOAB / SV 14 Pode contaminar
ausência de às provas provas derivadas
defesa documentadas
🎯 Dica Estratégica para Concurso
● Grave: "Acesso sim, surpresa não".
● Bancas cobram limites do sigilo: diligência em curso pode ser mantida em segredo,
mas jamais se oculta prova pronta.
● Use sempre a SV 14 + Art. 7º, XXI, EOAB + jurisprudência do STF para
fundamentar qualquer questão discursiva sobre acesso da defesa.
🔵 [Conteúdo 15] – Efeitos do
Arquivamento do Inquérito Policial e
Coisa Julgada
🟠 1. Arquivamento do Inquérito Policial: Conceito
O arquivamento do inquérito policial ocorre quando o Ministério Público, após análise do
caderno investigativo, conclui que não há justa causa para oferecer denúncia (falta de
indícios mínimos de autoria e materialidade).
O pedido de arquivamento, se aceito, encerra a fase pré-processual.
Porém, os efeitos desse arquivamento dependem do fundamento jurídico adotado.
🟢 2. Coisa Julgada Formal × Material no Arquivamento
Tipo de Definição Efeitos
Coisa
Julgada
Formal Impede reabertura do inquérito naquele Permite reabertura com
processo, mas não impede nova ação prova nova (Art. 18, CPP)
com novas provas
Material Produz efeitos definitivos, impedindo nova Não admite reabertura,
investigação ou ação penal sobre os nem com novas provas
mesmos fatos
🟣 3. Entendimento dos Tribunais Superiores
🔷 STJ:
● RHC 46.666/MS:
○ Fazem coisa julgada material:
■ Arquivamento por atipicidade da conduta;
■ Arquivamento por causas excludentes de ilicitude.
Interpretação: reconhece a impossibilidade de reabrir a investigação mesmo
com novas provas, por já haver juízo definitivo sobre o mérito penal.
🔷 STF:
● HC 125.101 e Inq 3114:
○ Arquivamento por atipicidade: coisa julgada material;
○ Arquivamento por excludente de ilicitude: coisa julgada apenas formal
(pode ser reaberto com prova nova).
Interpretação: há divergência com o STJ, prevalecendo no STF que só a
atipicidade gera coisa julgada material.
🟠 4. Arquivamento por Juiz Incompetente
A jurisprudência, por razões de segurança jurídica e favor rei, admite que o
arquivamento realizado por juiz incompetente obsta a instauração de nova ação
penal, salvo se demonstrada nulidade ou inexistência jurídica da decisão.
Princípios envolvidos:
● Ne bis in idem: não se pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato.
● Segurança jurídica: a estabilidade das decisões deve ser preservada, inclusive em
sede pré-processual.
● Favor libertatis e favor rei: garantias do investigado prevalecem em caso de
dúvida.
📜 Dispositivo Aplicável
Art. 18 do CPP:
"Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por
falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas
pesquisas, se de outras provas tiver notícia."
🔍 Exige prova nova para reabrir investigação quando não houve coisa julgada
material.
📚 Doutrina Relevante
Eugênio Pacelli:
"O arquivamento por ausência de tipicidade implica análise do mérito, gerando
coisa julgada material, impedindo nova persecução penal."
Guilherme de Souza Nucci:
"Somente os arquivamentos fundados em excludentes de ilicitude ou
culpabilidade podem ser revistos se surgirem provas novas, salvo se
reconhecido o mérito penal."
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Situação Tipo de Coisa Reabertura STF STJ
Julgada Possível?
Arquivamento por Material Não Sim Sim
atipicidade
Arquivamento por Formal (STF) / Sim (STF) / Não Forma Materia
excludente de ilicitude Material (STJ) (STJ) l l
Arquivamento por juiz Impede nova Apenas se for Sim Sim
incompetente ação penal (favor absolutamente nulo
rei)
Arquivamento sem juízo de Formal Sim, com prova Sim Sim
mérito (ex: falta de provas) nova
🎯 Dica Estratégica para Concurso
● Grave jurisprudência divergente entre STF e STJ:
○ STF é mais restritivo quanto à coisa julgada material (somente atipicidade);
○ STJ amplia para incluir excludentes de ilicitude.
● Arquivamento por juiz incompetente: em regra, gera estabilidade jurídica,
mesmo que a competência estivesse errada.
● Provas novas (Art. 18): só autorizam reabertura se não houve coisa julgada
material.
🔵 [Conteúdo 16] – Início,
Desenvolvimento e Arquivamento do
Inquérito Policial à Luz da Lei
13.718/2018 e Normas Correlatas
🟠 1. Ação Penal nos Crimes Contra a Dignidade
Sexual (Lei 13.718/2018)
📜 Art. 213, CP (Estupro – caput)
"Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção
carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso."
📜 Art. 225, CP (Redação atual)
"Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante
ação penal pública incondicionada."
📜 Art. 5º, §3º, CPP:
"Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração
penal em que caiba ação pública poderá, verbalmente ou por escrito,
comunicá-la à autoridade policial [...]"
🔍 Resumo:
● Desde 25/09/2018 (Lei 13.718/18), todos os crimes sexuais passaram a ser de
ação penal pública incondicionada.
● A lei não retroage, por ser mais gravosa ao réu.
● O inquérito policial pode ser instaurado independentemente da manifestação da
vítima.
🟠 2. Interrogatório do Indiciado e Identificação
Criminal
📜 Art. 6º, V, CPP:
"A autoridade policial deverá [...] ouvir o indiciado, com observância, no que for
aplicável, do disposto no Capítulo III do Título VII deste Livro [...]"
📜 Art. 1º da Lei 12.037/2009:
"O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nos
casos previstos nesta Lei."
📜 Art. 5º, LVIII, CF:
"O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas
hipóteses previstas em lei."
🔍 Resumo:
● O delegado pode interrogar o investigado, mas este não é obrigado a
comparecer ou falar (direito ao silêncio).
● Identificação criminal só é permitida em hipóteses legais, como:
○ Dúvida sobre a identidade;
○ Registros incompletos;
○ Necessidade de identificação por perícia.
🟠 3. Falsa Identidade perante Autoridade Policial
📜 Súmula 522, STJ:
"A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica,
ainda que em situação de alegada autodefesa."
🔍 Resumo:
● A alegação de autodefesa não exclui a tipicidade da conduta de atribuir identidade
falsa à autoridade pública.
● A infração penal prevista é o crime do art. 307 do CP (Falsa identidade).
🟠 4. Arquivamento do Inquérito Policial
📜 Art. 28, CPP (Redação pós-Lei 13.964/2019):
"Se o órgão do MP requerer o arquivamento do inquérito policial, o juiz
remeterá os autos ao procurador-geral, que:
I – poderá oferecer a denúncia;
II – designar outro membro do MP para fazê-lo;
III – insistir no arquivamento, obrigando o juiz a aceitar."
🔍 Resumo:
● O arquivamento é ato complexo: depende da iniciativa do MP e do controle
interno pela chefia institucional.
● O juiz não pode arquivar por conta própria.
● Essa dinâmica reforça o sistema acusatório e a separação entre as funções de
investigar, acusar e julgar.
🟠 5. Inquérito Policial como Peça Dispensável
📜 Doutrina + Interpretação do CPP:
O inquérito policial não é peça essencial para o oferecimento da denúncia
(inteligência do art. 12 do CPP, por interpretação).
O MP pode formar a opinio delicti com quaisquer outros elementos de
informação idôneos (ex.: termo circunstanciado, documentos, relatórios,
provas autônomas).
🔍 Resumo:
● O inquérito serve para colher indícios, mas o MP pode denunciar sem a
conclusão formal do inquérito, desde que haja justa causa.
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Tema Regra Atual Fundamento Observação
Ação penal nos Pública Art. 225, CP (Lei Válido após
crimes sexuais incondicionada 13.718/2018) 25/09/2018
Início do inquérito Qualquer pessoa pode Art. 5º, §3º, CPP Delegado instaura
comunicar mesmo sem vítima
Interrogatório no IP Não é obrigatório Art. 6º, V, CPP Direito ao silêncio
garantido
Identificação Depende de previsão Art. 1º, Lei Não é automática
criminal legal 12.037/09 e CF/88
Falsa identidade Conduta típica mesmo Súmula 522, STJ Crime do art. 307,
por autodefesa CP
Arquivamento MP requer e PGJ Art. 28, CPP Juiz não arquiva de
controla ofício
Inquérito é MP pode denunciar Art. 12 Desde que haja justa
dispensável sem IP (interpretação) causa
🔵 [Conteúdo 17] – Arquivamento
Implícito e Arquivamento Indireto no
Processo Penal
🟠 1. Conceito de Arquivamento Implícito
O arquivamento implícito ocorre quando o Ministério Público omite-se
injustificadamente de denunciar:
● Um fato criminoso investigado (→ arquivamento implícito objetivo);
● Um indiciado específico (→ arquivamento implícito subjetivo).
Nessa hipótese, o juiz recebe a denúncia apenas parcialmente e não aplica o art. 28 do
CPP para os fatos ou pessoas excluídas.
🔴 Posição atual dos Tribunais Superiores:
Esse tipo de arquivamento não é admitido.
📜 Jurisprudência
STJ – RHC 80.144/ES
"O arquivamento implícito não encontra guarida no ordenamento jurídico
brasileiro."
(Rel. Min. Rogerio Schietti, 03/10/2017, DJe 16/10/2017)
STF – RHC 113.273
"O arquivamento implícito não foi concebido pelo ordenamento jurídico
brasileiro."
(Rel. Min. Luiz Fux, DJe 14/08/2013)
🟣 2. Espécies de Arquivamento Implícito
Espécie Definição Exemplo
Objetivo MP deixa de denunciar um fato Não inclui crime de lesão corporal
investigado apurado no mesmo IP
Subjetiv MP deixa de denunciar um indiciado Denuncia um dos autores e omite o
o sem justificativa coautor
📍 Em ambos os casos, a omissão deve ser expressamente justificada. Se não for, o
juiz deve aplicar o art. 28 do CPP para evitar arquivamento automático e ilegal.
🟢 3. Conceito de Arquivamento Indireto
O arquivamento indireto ocorre quando o Ministério Público:
● Deixa de oferecer denúncia porque entende que o juízo é incompetente,
solicitando a remessa dos autos ao juízo competente.
Se o juiz discordar e se julgar competente, aplica-se o art. 28 do CPP.
📜 Jurisprudência – STF
CA 12, Pleno, Rel. Min. Rafael Mayer
“A recusa do MP em oferecer denúncia por entender o juízo incompetente é
arquivamento indireto e deve ser resolvida à luz do art. 28 do CPP.”
🟠 4. Aplicabilidade do Art. 28 do CPP
📜 Art. 28, CPP (Redação pós-Pacote Anticrime):
"Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer
o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o
juiz remeterá os autos ao Procurador-Geral para decisão sobre a continuidade."
🔍 Importante:
● Não pode ser presumido que houve arquivamento por omissão do MP.
● Quando o MP deixa de denunciar parte dos fatos ou pessoas, sem justificativa, o
juiz deve aplicar o art. 28.
📚 Doutrina Relevante
Renato Brasileiro:
"O arquivamento implícito deve ser repudiado, pois consagra uma forma de
arquivamento sem controle jurisdicional, violando o sistema acusatório."
Aury Lopes Jr.:
"Arquivamento indireto é figura legítima; arquivamento implícito, não. A omissão
deve ser expressamente controlada, sob pena de violação ao devido processo
penal acusatório."
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Tipo Definição Admitido Consequência
?
Arquivamento MP omite fato criminoso sem ❌ NÃO Juiz deve aplicar art.
Implícito Objetivo justificativa 28
Arquivamento MP omite indiciado sem ❌ NÃO Idem
Implícito Subjetivo justificativa
Arquivamento Indireto MP não denuncia por ✅ SIM Juiz aplica art. 28 se
entender o juízo discordar
incompetente
Art. 28 do CPP Regula o arquivamento com ✅ Garantia do sistema
controle da chefia do MP acusatório
🎯 Dica Estratégica para Provas
● Bancas adoram confundir arquivamento implícito com desmembramento de
denúncia.
● Nunca aceite omissão do MP sem manifestação expressa — isso configura vício
procedimental.
● Arquivamento indireto é legítimo: o MP está negando o oferecimento da denúncia
por questão de competência, e o juiz resolve pela via do art. 28.
🔵 [Conteúdo 18] – Arquivamento por
Atipicidade da Conduta: Coisa Julgada
Material e Cabimento de Recurso
🟠 1. Arquivamento do Inquérito Policial: Regra Geral
📜 Art. 18 do CPP:
"Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por
falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas
pesquisas, se de outras provas tiver notícia."
🔍 Interpretação tradicional (majoritária):
● Arquivamento tem efeitos rebus sic stantibus;
● É uma decisão de natureza administrativa, sem coisa julgada material;
● Não cabe recurso, salvo surgimento de novas provas (Súmula 524, STF).
🟣 2. Arquivamento com Fundamento em Atipicidade
da Conduta
🔍 Situação Excepcional:
Quando o arquivamento se dá por reconhecimento da atipicidade penal do fato, há
entendimento jurisprudencial consolidado de que a decisão faz coisa julgada material.
STF – HC 125.101
"Reconhecimento da atipicidade da conduta enseja coisa julgada material e
impede nova persecução penal."
STJ – RHC 46.666/MS
"Arquivamento por atipicidade da conduta impede nova investigação, ainda
que com novas provas."
🔴 Consequência:
● Arquivamento se aproxima de uma sentença terminativa de mérito, pois há
julgamento definitivo da inexistência de fato típico.
🟢 3. Cabimento de Recurso?
🧩 Tese minoritária (citada pela banca):
● Em situações excepcionais, o arquivamento por atipicidade poderia ser
impugnado por recurso, apesar de não haver processo penal formalmente
instaurado.
● Aponta-se o cabimento de apelação residual (Art. 593, II, CPP), por analogia ao
julgamento de absolvição sumária (Art. 397, III, CPP).
📜 Art. 397, III, CPP:
"O juiz absolverá sumariamente o réu quando verificar: [...] III – que o fato
narrado evidentemente não constitui crime."
📜 Art. 593, II, CPP:
"Cabe apelação no prazo de 5 dias: [...] II – das decisões definitivas, ou com
força de definitivas, proferidas por juiz singular nos casos não previstos no
caput deste artigo."
🔍 Crítica:
● Essa tese é altamente questionável, pois o arquivamento se dá fora do processo
penal, ainda na fase inquisitiva.
● A jurisprudência majoritária entende que não cabe recurso e que o controle deve
se dar por meio de:
○ Remessa ao Procurador-Geral (art. 28, CPP), ou
○ Mandado de segurança em caso de decisão teratológica.
⚖️ 4. Súmulas e Posição Oficial
📜 Súmula 524, STF:
"Arquivado o inquérito policial por despacho do juiz, a pedido do promotor, não
pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas."
✅ Confirma a natureza definitiva, mas não menciona recurso cabível.
📚 Doutrina Relevante
Eugênio Pacelli:
“Não há processo sem ação penal. Logo, não há que se falar em recurso de
decisão que arquive o inquérito por atipicidade, pois sequer há formação da
relação processual.”
Renato Brasileiro:
“A decisão de arquivamento do inquérito, ainda que por atipicidade, não
comporta apelação. Se nula, deve ser atacada por correição parcial ou
mandado de segurança.”
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Situação Efeito Jurisprudência Cabe Recurso?
Arquivamento Coisa julgada STF / STJ Não
genérico (sem justa formal
causa)
Arquivamento com Coisa julgada STF – HC 125.101 / ❌(majoritária) / ✅
atipicidade material STJ – RHC 46.666 (minoritária – apelação
residual)
Arquivamento com STF: Formal / Divergente Não, salvo novas provas
excludente de STJ: Material
ilicitude
Decisão teratológica Pode ser MS / Correição Sim, excepcionalmente
impugnada parcial
🎯 Dica Estratégica para Provas
● Em provas objetivas: não cabe recurso contra decisão de arquivamento.
● Em prova discursiva ou oral:
○ Cite a tese minoritária como argumento explorável, com base em
interpretação analógica do art. 593, II, CPP.
○ Enfatize que a tese é polêmica e não pacificada.
○ Use isso como diferencial em questões avançadas, mostrando domínio da
controvérsia.
🔵 [Conteúdo 19] – Acordo de Não
Persecução Penal (ANPP): Aspectos
Jurídicos Fundamentais
🟠 1. Natureza Jurídica do ANPP: Direito Subjetivo ou
Discricionariedade?
📜 Art. 28-A do CPP:
“Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e
circunstancialmente a prática da infração penal sem violência ou grave ameaça
e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá
propor acordo de não persecução penal [...]”
🔍 Interpretação dominante (STJ):
● O ANPP não é direito subjetivo do investigado;
● A expressão “poderá” confere discricionariedade regrada ao MP;
● O MP pode deixar de propor o acordo quando considerar que ele não é suficiente
ou necessário para a reprovação e prevenção do crime.
AgRg no RHC 152.756/SP – Min. Reynaldo Soares da Fonseca:
"O ANPP não constitui direito subjetivo do investigado."
🟣 2. Requisito da Confissão Formal e Circunstanciada
🔍 Elementos exigidos:
● Confissão formal = realizada com garantias legais (defensor presente, registrada,
sem coação);
● Confissão circunstanciada = detalhada, com descrição da dinâmica dos fatos,
autoria, forma de execução.
📜 Resolução CNMP nº 181/2017, art. 18, §2º:
“A confissão detalhada dos fatos e as tratativas do acordo serão registradas por
meio audiovisual [...] e o investigado deve estar sempre acompanhado de
defensor.”
STJ – AgRg no REsp 1.945.881/RS:
“É inadmissível o ANPP na hipótese de inexistência de confissão formal e
circunstanciada.”
❗️ Importante: Confissão qualificada (ex.: nega ilicitude, alega legítima defesa) não atende
ao requisito para o acordo.
🟢 3. Legitimidade para Proposição do ANPP
● Somente o Ministério Público, nos casos de ação penal pública, pode propor o
acordo.
📜 Art. 30, CPP:
"Ao ofendido ou a quem tenha qualidade para representá-lo caberá intentar a
ação privada."
🔍 O MP não tem legitimidade para intervir com ANPP em ação penal privada, por
ausência de titularidade.
🔵 4. Aplicação Retroativa do ANPP
● O ANPP foi introduzido pela Lei 13.964/2019 (Pacote Anticrime).
🔍 Posição do STJ:
● É possível aplicar o ANPP a fatos anteriores à sua entrada em vigor, desde que:
○ Ainda não tenha sido recebida a denúncia.
HC 607.003/SC – Info 683, STJ:
"Aplica-se o ANPP a fatos anteriores à Lei 13.964/2019, desde que não
recebida a denúncia."
📚 Doutrina Relevante
Renato Brasileiro:
“O ANPP é expressão da política criminal consensual e deve ser interpretado à
luz do princípio da legalidade qualificada, sendo cabível desde que atendidos
os requisitos legais e o MP entenda suficiente sua aplicação.”
Aury Lopes Jr.:
“O acordo de não persecução penal traduz um poder-dever discricionário do
Ministério Público. Não cabe ao juiz impor o acordo, nem à defesa exigi-lo como
direito subjetivo.”
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Tema Regras e Precedentes Base Legal / Jurisprudência
Natureza jurídica Não é direito subjetivo STJ – AgRg no RHC 152.756/SP
Confissão Deve ser formal e Art. 28-A, CPP / STJ – AgRg no REsp
necessária circunstanciada 1.945.881
Confissão Não serve para ANPP Res. CNMP 181/17 / Jurisprudência
qualificada
Ação penal ANPP não se aplica Art. 30, CPP
privada
Aplicação Sim, até o recebimento da STJ – HC 607.003/SC (Info 683)
retroativa denúncia
🎯 Dica Estratégica para Concursos
● Destaque a confissão como elemento-chave do ANPP — sua ausência é causa
de exclusão imediata da proposta.
●
● Em prova oral ou segunda fase: mostre que a aplicação retroativa é permitida,
mas limitada pelo recebimento da denúncia.
🔵 [Conteúdo 20] – Princípios e
Procedimentos em Matéria de
Arquivamento, Representação, Queixa e
Curadoria no Processo Penal
🟠 1. Princípio do Promotor Natural e Conflito de
Atribuições
📜 Art. 10, X, Lei nº 8.625/1993 – Lei Orgânica Nacional do MP:
"Compete ao Procurador-Geral de Justiça: [...] X – dirimir conflitos de
atribuições entre membros do Ministério Público, designando quem deva oficiar
no feito."
🔍 Resumo:
● O Princípio do Promotor Natural impede designações arbitrárias ou por
conveniência.
● Em conflito positivo (dois promotores se consideram competentes) ou negativo
(ambos se julgam incompetentes), a solução é dada pelo PGJ, com base na Lei
Orgânica Estadual.
● O PGJ deve designar o membro com atribuição originária e não simplesmente
escolher um novo promotor.
🟣 2. Arquivamento do IP – Aplicação do Art. 28 do
CPP e ADI 6.305
📜 Art. 28, CPP (redação anterior – ainda vigente por liminar do STF):
"Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer
o arquivamento do inquérito policial [...] o juiz, no caso de considerar
improcedentes as razões invocadas, fará remessa [...] ao procurador-geral [...]"
🔍 Resumo Atualizado:
● A nova redação do art. 28 (Lei 13.964/2019) teve eficácia suspensa por medida
cautelar na ADI 6.305;
● Continua em vigor a redação revogada do artigo, segundo decisão do Min. Luiz
Fux;
● O juiz ainda remete ao PGJ se discordar do arquivamento – sistema clássico de
controle.
🟢 3. Curador Especial e Direito de Queixa (Art. 33,
CPP)
📜 Art. 33, CPP:
"Se o ofendido for menor de 18 anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado
mental, e não tiver representante legal, ou colidirem os interesses deste com os
daquele, o direito de queixa poderá ser exercido por curador especial [...]"
🔍 Resumo:
● A curadoria não é obrigatória, mas facultativa;
● A nomeação do curador especial visa suprir a ausência ou conflito de interesses
do representante legal;
● O erro comum é afirmar que o curador deverá promover a queixa — o texto legal diz
que poderá.
🔵 4. Impugnação do Arquivamento pelo Ofendido (Art.
28, §1º, CPP)
📜 Art. 28, §1º, CPP:
"Se a vítima [...] não concordar com o arquivamento do inquérito policial,
poderá, no prazo de 30 dias do recebimento da comunicação, submeter a
matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme
dispuser a respectiva Lei Orgânica."
🔍 Resumo:
● O prazo é de 30 dias para impugnação;
● A forma de revisão é definida por cada MP estadual/federal em sua Lei
Orgânica;
● Não cabe recurso judicial direto — a revisão é interna no âmbito do MP.
🟠 5. Assistência Judiciária para Ação Penal Privada
(Art. 32, CPP)
📜 Art. 32, CPP:
"Nos crimes de ação privada, o juiz, a requerimento da parte que comprovar a
sua pobreza, nomeará advogado para promover a ação penal."
🔍 Resumo:
● Exige-se comprovação da hipossuficiência financeira;
● Não se exige, contudo, atestado formal de pobreza;
● A comprovação pode ser feita por qualquer meio legalmente idôneo (declaração,
documentos, provas indiretas etc.).
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Tema Regra Fundamento Observações
Promotor natural e PGJ designa membro Art. 10, X, Lei Não pode haver
conflito de atribuição com atribuição legítima 8.625/93 promotor "ad hoc"
Arquivamento do IP Aplica-se redação ADI 6.305 / Art. Eficácia da nova
(atual) antiga 28, CPP redação suspensa
Curador especial Pode promover a Art. 33, CPP Não é obrigação
queixa
Impugnação do Submete à revisão Art. 28, §1º, Lei Orgânica define
arquivamento interna no MP CPP o trâmite
Assistência para ação Basta comprovação de Art. 32, CPP Atestado formal
privada pobreza não é obrigatório
●
🔵 [Conteúdo 21] – Recusa ao
Cumprimento de Requisições: Incide o
Crime de Desobediência?
🟠 1. Tipicidade Penal: Art. 330 do Código Penal
📜 Art. 330, CP:
"Desobedecer a ordem legal de funcionário público.
Pena – detenção, de quinze dias a seis meses, e multa."
🔍 Elementos do tipo:
● Ordem legal, clara e expressa;
● Ordem emanada de funcionário público competente;
● Recusa injustificada ao cumprimento da ordem.
🟢 2. Recusa a Requisições do Ministério Público ou da
Autoridade Policial
● É comum a autoridade policial ou o MP requisitarem documentos, informações,
exames ou relatórios técnicos de órgãos públicos ou privados.
🔍 Controvérsia:
A recusa em atender essas requisições configura desobediência (art. 330, CP)?
⚖️ 3. Jurisprudência do STJ – Posição Firmada
RHC 6.511/SP, Rel. Min. Vicente Leal, 6ª Turma, j. 15/09/1997, DJ 27/10/1997:
"A recusa no cumprimento de diligência requisitada não caracteriza o
crime de desobediência. Trata-se de comportamento penalmente atípico."
🔍 Justificativa do STJ:
● O descumprimento de requisições não é suficiente para configurar desobediência;
● O MP ou a autoridade policial devem buscar vias administrativas ou judiciais
próprias para compelir o cumprimento;
● A jurisprudência entende que o tipo penal do art. 330 exige ordem pessoal, direta
e legal, o que nem sempre se verifica nessas requisições genéricas.
📚 Doutrina Relevante
Renato Brasileiro:
“O simples descumprimento de requisição do MP ou da autoridade policial, sem
demonstração de dolo específico de afrontar a autoridade pública, não
caracteriza desobediência penalmente típica.”
Aury Lopes Jr.:
“O uso do direito penal como forma de coerção ao cumprimento de diligência
administrativa deturpa o papel do processo penal e da persecução penal em um
Estado Democrático de Direito.”
🟣 4. Soluções para a Recusa Indevida
● Via cível ou procedimentos administrativos disciplinares (quando envolver
servidor público);
● Representação à autoridade superior ou ação judicial de obrigação de fazer;
● Mandado de segurança em situações urgentes.
✅ 🟣 Quadro-Resumo Final para
Revisão
Situação Configura Fundamento Alternativa jurídica
Desobediência
(Art. 330, CP)?
Recusa ao ❌ Não STJ – RHC Mandado de segurança,
cumprimento de 6.511/SP via cível
requisição do MP
Recusa a ordem Depende Se for ordem Sim, se presentes os
direta de autoridade legal, pessoal, requisitos do tipo
policial expressa e
imediata
Descumprimento de ❌ Não Doutrina Sanções administrativas
ofício genérico majoritária
Desobediência ✅ Sim Jurisprudência Pode configurar crime,
dolosa a ordem unânime inclusive desobediência
judicial ou desrespeito à ordem
judicial
📘 [Conteúdo 22] – Acesso da Defesa ao Inquérito
Policial e Limites do Sigilo
⚖️ 1. Regra Geral: Acesso aos Autos pelo Advogado
✅ Súmula Vinculante 14, STF:
“É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao
exercício do direito de defesa.”
🔎 O que isso significa:
● A defesa tem direito de acesso amplo aos autos do inquérito, desde que as
diligências já estejam concluídas e documentadas.
● Diligências em andamento e com sigilo imprescindível podem ser
temporariamente inacessíveis.
🚫 2. Limite: Sigilo de Diligências em Andamento
🔹 Jurisprudência do STF – Inq 4244, Min. Gilmar Mendes:
“Diligência em andamento pode justificar negativa de acesso apenas quando o
sigilo for imprescindível. Não se admite ocultar provas para ‘surpreender’ o
investigado.”
⚠️ Prova de concurso pode trazer expressões como:
● “sigilo para garantir a eficiência da investigação”
● “diligência em curso”
● → Só é válido se o sigilo for necessário e justificado.
📚 3. Casos de Acesso Garantido
✅ Documentos já lavrados e juntados aos autos (ex.: mandado cumprido, laudo
pericial, autos de apreensão).
✅ Relatórios policiais concluídos.
✅ Elementos que digam respeito ao direito de defesa, ainda que não mencionados
expressamente no art. 7º da OAB.
🚫 4. Casos de Acesso Restrito (temporariamente)
Situação Acesso da defesa? Justificativa
legal/jurisprudencial
Diligência em andamento ❌ Não SV 14 e Inq 4244/STF
com sigilo essencial (temporariamente)
Mandado de busca ainda ❌ Não Não documentado → não incide
não cumprido SV 14
Interceptação telefônica em ❌ Não Sigilo essencial à eficácia
curso
Diligência já cumprida e ✅ Sim Acesso obrigatório → SV 14 e
documentada Rcl 10110 STF
Laudo pericial já incorporado ✅ Sim Integra o acervo probatório → SV
14
📝 5. Jurisprudência de Reforço
Rcl 10110, STF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski
A defesa pode acessar os autos já documentados, mesmo que ainda esteja
em fase de inquérito. Diligências futuras ou em andamento com sigilo podem
ser resguardadas.
📘 [Conteúdo 23] – Arquivamento Implícito do Inquérito
Policial
🧠 1. Conceito
📌 Arquivamento implícito:
Quando o Ministério Público deixa de se manifestar (sem justificativa) sobre:
● algum fato delituoso apurado no inquérito, ou
● algum indiciado,
e o juiz se omite em aplicar o art. 28 do CPP (remeter ao Procurador-Geral).
🛑 Não é admitido pela jurisprudência atual.
🔍 2. Tipos
Tipo Definição
🎯 Objetivo MP ignora um fato delituoso apurado no inquérito
👤 Subjetivo MP ignora um dos indiciados, sem qualquer
justificativa
⚖️ 3. Jurisprudência Atual
✅ STJ – RHC 80.144/ES, Rel. Min. Rogerio Schietti (2017):
“O arquivamento implícito não encontra guarida no ordenamento jurídico
brasileiro.”
✅ STF – RHC 113273, Rel. Min. Luiz Fux (2013):
“O arquivamento implícito não foi concebido pelo ordenamento jurídico
brasileiro.”
⚠️ 5. O que o juiz deveria fazer?
🔁 Aplicar analogicamente o art. 28 do CPP:
“Se o juiz entender que o MP deveria ter incluído o fato ou indiciado omitido,
deve remeter ao PGJ.”
📘 [Conteúdo 24] – Atos Iniciais da Autoridade Policial
(Art. 6º, CPP)
📌 Tema cobrado com frequência em 1ª fase e oral.
⚖️ Finalidade do Art. 6º CPP
Disciplinar as providências imediatas que devem ser tomadas pela autoridade policial
assim que tiver conhecimento da infração penal.
✅ Atos Obrigatórios (Art. 6º, CPP)
Incis Ato da Autoridade Policial
o
I Dirigir-se ao local da infração, garantindo a preservação do estado das coisas até
os peritos
II Apreender objetos ligados ao fato, após liberação dos peritos criminais
III Colher todas as provas úteis para elucidar o fato e suas circunstâncias
IV Ouvir o ofendido
V Ouvir o indiciado, observando regras do interrogatório judicial (Cap. III, Título VII)
VI Proceder a reconhecimento de pessoas e coisas, além de acareações
VII Determinar exames de corpo de delito e demais perícias necessárias
VIII Identificar o indiciado (ex.: datiloscopia) e juntar folha de antecedentes
IX Investigar a vida pregressa do indiciado (perfil pessoal, familiar, social,
psicológico)
X Identificar filhos do preso, suas idades, deficiência e responsável indicado
🧠 Pontos que Caem em Prova
🔹 Ouvir o indiciado (inciso V):
→ O interrogatório é ato de defesa, o indiciado não é obrigado a falar.
→ Termo deve ser assinado por 2 testemunhas que ouçam a leitura.
🔹 Apreensão de objetos (inciso II):
→ Só após liberação dos peritos criminais.
🔹 Preservação do local (inciso I):
→ Autoridade deve impedir alteração da cena até chegada da perícia.
🔹 Vida pregressa (inciso IX):
→ Inclui aspectos sociais, econômicos e psicológicos.
🔹 Informações sobre filhos (inciso X):
→ Inclusão pela Lei 13.257/2016 (Marco Legal da Primeira Infância).
→ Visa proteção integral da criança (art. 227, CF/88).
📚 Doutrina
📖 Renato Brasileiro:
“As providências do art. 6º não são apenas recomendáveis, mas obrigatórias,
sob pena de eventual nulidade ou deficiência investigativa.”
📖 Nucci:
“A omissão injustificada de qualquer desses atos poderá implicar nulidade,
especialmente se resultar em prejuízo à ampla defesa.”
📘 [Conteúdo 25] – Atores e seus limites no Inquérito
Policial
🔍 1. Detetive Particular
🚫 Vedado (Lei 13.432/2017, art. 10):
● Participar de diligências policiais
● Ter acesso a registros telefônicos
● Conduzir investigações oficiais
✅ Permitido (art. 5º):
● Colaborar com investigações, se autorizado pelo contratante
● Aceite depende do delegado, que pode revogar a qualquer tempo
🧭 Deveres (art. 11):
● Preservar o sigilo das fontes
● Respeitar intimidade, honra, privacidade e imagem
⚖️ 2. Ministério Público
✅ Pode investigar diretamente (Tema 184/STF), desde que:
● Seja por autoridade própria
● Por prazo razoável
● Respeite:
○ Garantias do investigado (ex: não autoincriminação)
○ Súmula Vinculante 14 (acesso da defesa)
○ Controle judicial permanente
○ Prerrogativas dos advogados (Lei 8.906/94, art. 7º)
📌 Julgado importante – STF (ADI 6299):
● MP deve submeter o PIC ao juiz natural
● Prazo: 90 dias após publicação da ata do julgamento
● Mesmo sem juiz das garantias implementado
👨⚖️ 3. Juiz
❌ Não pode investigar:
● Atuar como investigador fere o sistema acusatório
● Não pode se imiscuir na fase investigatória
🛡️ 4. Advogado do Investigado
✅ Tem acesso aos autos já documentados (SV 14/STF):
“É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova já documentados, que digam respeito ao exercício do
direito de defesa.”
🚫 Não tem acesso:
● A diligências em andamento
● A documentos sigilosos ainda não incorporados aos autos
👥 5. Vítima e Familiares
✅ Têm direito de acesso aos elementos documentados da investigação (RMS
70.411/RJ, STJ, 2023):
● Inclusive familiares da vítima fatal
● Fundamentado no:
○ Protocolo de Minnesota
○ Caso Favela Nova Brasília (Corte IDH)
○ Súmula Vinculante 14, em leitura ampliada
● Direito não se restringe ao investigado, mas alcança também a vítima
📚 Jurisprudência-Chave
🔹 STF – SV 14:
Direito da defesa de ter acesso aos elementos já documentados no inquérito.
🔹 STF – Tema 184:
O MP pode investigar diretamente, com respeito aos direitos fundamentais.
🔹 STJ – RMS 70.411/RJ (2023):
Reconhece o acesso dos familiares da vítima aos autos documentados do
inquérito, inclusive com base em tratados internacionais.
📊 Quadro-Resumo Visual
Ator Pode Fazer Não Pode Fazer
Detetive Colaborar c/ investigação Participar de diligências; acessar
(autorizado pelo delegado) registros sigilosos
MP Investigar (PIC); conduzir Sonegar dados ao juiz; fugir do
diligências controle judicial
Juiz Controlar legalidade dos atos; Investigar; requisitar provas
decidir sobre medidas diretamente
Advogado Acesso amplo ao que está Acesso prévio a diligências em
(defesa) documentado curso
Vítima/Família Acesso aos elementos já Influenciar diretamente nas
formalizados diligências em andamento
📘 [Conteúdo 26] – Efeitos dos Vícios do Inquérito
Policial na Ação Penal
⚖️ REGRA GERAL (Doutrina majoritária e jurisprudência consolidada)
Os vícios do inquérito policial não contaminam a ação penal.
📌 Fundamento:
● O inquérito tem natureza informativa, preparatória e inquisitorial, não
probatória.
● Visa à formação da opinio delicti do MP.
● Ausência do contraditório e ampla defesa.
📚 Doutrina:
● Renato Brasileiro: “As nulidades do inquérito são, em regra, irrelevantes para a ação
penal, salvo se a denúncia delas depender diretamente.”
⚠️ EXCEÇÃO (Quando há violação de garantias constitucionais ou uso
de provas ilícitas)
Os vícios podem contaminar a ação penal quando:
🔴 a) Provas ilícitas ou ilegalidades graves (ex: tortura, interceptação ilegal)
📍 HC 149.250/SP (STJ – Caso Satiagraha)
“As nulidades verificadas na fase pré-processual, quando demonstradas à
exaustão, contaminam futura ação penal.”
📌 Exemplo:
🧨 Tudo contaminado (árvore envenenada – “fruit of the poisonous tree”).
● Tortura → confissão → condução de provas → denúncia
🔴 b) Violação de prerrogativas do advogado
📜 Art. 7º, XXI, Estatuto da OAB (Lei 8.906/94):
“É direito do advogado assistir a seus clientes investigados durante a apuração
de infrações, sob pena de nulidade absoluta do interrogatório ou depoimento e
de todos os elementos probatórios dele derivados.”
📌 Exemplo:
🧨
● Investigado é ouvido sem advogado → confessa → gera diligências → MP denuncia
Tudo pode ser anulado.
🔴 c) MP usa diretamente as provas contaminadas para formar a opinio delicti
📚 CESPE – Juiz Federal 2011 (gabarito: correta):
“Vícios no inquérito não repercutem na ação penal, salvo se forem violadoras
de garantias e o MP não conseguir afastar os elementos viciados ao formar
sua opinio delicti.”
🔁 REVISÃO VISUAL
Situação Ação Penal será
Anulada?
Vício formal no inquérito (ex: ausência de relatório, numeração ❌ Não
errada)
Interrogatório sem defensor ✅ Sim
Provas obtidas por tortura ✅ Sim
Provas derivadas de interceptação telefônica ilícita ✅ Sim
Provas nulas não usadas na denúncia ❌ Não
Inquérito sem contraditório e sem defesa técnica ❌ Não
📌 SÍNTESE FINAL PARA PROVA
● A nulidade do inquérito não anula a ação penal, salvo quando:
○ Viola garantias fundamentais (ex: defesa técnica, não autoincriminação)
○ As provas ilícitas forem utilizadas na denúncia
○ Não for possível ao MP desvincular a opinio delicti dos elementos viciados
○
📘 [Conteúdo 27] – Delação Anônima e Início da
Investigação Criminal
🔹 REGRA GERAL
A delação anônima, sozinha, não é suficiente para justificar a instauração de
inquérito policial ou qualquer procedimento investigatório.
⚖️ FUNDAMENTO JURISPRUDENCIAL
📌 STJ – REsp 1304871/SP, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz
“A delação anônima pode ensejar a instauração de inquérito policial, desde que
corroborada por elementos investigativos prévios que denotem
verossimilhança da comunicação.”
📌 Súmula 234 do STJ (complementar)
A participação do MP na investigação não gera nulidade, mas precisa
observar as garantias processuais.
🔎 ENTENDIMENTO CONSOLIDADO
● A denúncia anônima pode servir de notitia criminis inqualificada.
● Deve ser apurada preliminarmente (ex: diligências externas, checagem prévia).
● Somente após elementos mínimos de veracidade poderá haver:
○ Instauração de inquérito policial
○ Representação para interceptação telefônica
○ Pedido de busca e apreensão
⚠️ ATENÇÃO PARA PEGADINHAS DE PROVA
Situação Pode instaurar IP
diretamente?
Delação anônima sem verificação prévia ❌ NÃO
Delação anônima com confirmação por diligência inicial (ex: ✅ SIM
fotos, vídeo, depoimento informal)
Delação apócrifa + elementos probatórios concretos (ex: ✅ SIM
confissão posterior)
🧠 DICA DE MEMORIZAÇÃO
⚠️ Delação anônima é ponto de partida, não ponto de chegada.
Precisa ser verificada antes de virar inquérito.
📝 LEITURA COMPLEMENTAR (Opcional)
Art. 5º, §3º, CPP
“Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração
penal [...] poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial
[...]”
Cuidado: essa regra não isenta o dever de verificação prévia quando se tratar de
comunicação anônima.
📘 [Conteúdo 28] – Revisão do Arquivamento do
Inquérito Policial (Art. 28, §1º, CPP)
⚖️ Base Legal – Art. 28, §1º, CPP
"Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento
do inquérito policial, poderá, no prazo de 30 dias do recebimento da
comunicação, submeter a matéria à revisão da instância competente do
órgão ministerial, conforme dispuser a respectiva lei orgânica."
🔹 Regras Essenciais para Provas
Item Regra Fundamento/Observação
A ❌ Não cabe revisão a qualquer Art. 28, §1º, CPP – prazo de 30 dias
tempo
B ❌ Não é só a vítima que pode STF autorizou o juiz a enviar à revisão em
provocar revisão casos de ilegalidade ou teratologia
C ❌ Membro do MP que discordou Somente a vítima ou o juiz nas hipóteses
não pode submeter à revisão do item B
D ✅ Correta – STF admite que o juiz ADIs 6298, 6299, 6300 e 6305 – Julg.
provoque a revisão em caso 24/08/2023 – interpretação conforme
excepcional
E ❌ O dispositivo do §1º do art. 28 STF não declarou inconstitucionalidade –
não foi declarado inconstitucional apenas deu interpretação conforme
🧠 Esquematização Visual
plaintext
CopiarEditar
QUEM PODE PEDIR REVISÃO?
----------------------------
✅ Vítima ou representante legal → prazo: 30 dias
✅ Juiz → apenas em caso de:
- Ilegalidade patente
- Teratologia no ato de arquivamento
❌ Membro do MP discordante
🧠 Dica de Memorização
Vítima tem 30 dias. Juiz só age em absurdo. MP que discorda, silencia.
📌 Jurisprudência Atualizada – STF (ADI 6305)
🟦 Interpretação conforme ao art. 28, §1º, do CPP:
“Também poderá o juiz enviar à instância revisional do MP se houver patente
ilegalidade ou teratologia.”
🔍 [Resumo Rápido] – Suspeição de Autoridade
Policial e Identificação Criminal
⚖️ 1. Suspeição da Autoridade Policial
✅ Ponto Principal 🧠 Explicação
A autoridade policial não pode ser recusada por Art. 107 do CPP
suspeição, mas deve se declarar suspeita quando
ocorrer motivo legal
As causas de suspeição do art. 254 do CPP Ex.: inimizade, interesse na
aplicam-se por analogia às autoridades policiais causa, vínculo familiar com
partes etc.
📘 Art. 107, CPP:
"Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito,
mas deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal."
🔍 2. Identificação Datiloscópica em Crimes de Organização Criminosa
❌ Lei Revogada ✅ Lei Atual 🔄 Diferença
Lei 9.034/1995 – Exigia Lei 12.850/2013 – A nova lei não traz obrigação de
identificação datiloscópica Revogou a exigência identificação datiloscópica do
investigado
🛑 Cuidado na prova:
Se aparecer exigência de identificação obrigatória em casos de organização criminosa →
está errada!
🎯 Dica Final
Autoridade policial não pode ser recusada, mas deve se afastar se
suspeita.
Lei nova de organização criminosa não exige datiloscopia.
📑 RELATÓRIO POLICIAL – RESUMO ESTRATÉGICO
PARA PROVA
⚖️ 1. Função e Limites do Relatório Policial
❌ Não Pode ✅ Deve
Vincular o MP Relatar as diligências realizadas
Emitir juízo de valor Justificar diligências não realizadas
Defender tese Indicar testemunhas não ouvidas (art. 10, §2º,
jurídica CPP)
🔹 MP não se vincula ao relatório: pode formar sua própria opinio delicti com base em
outros elementos informativos.
🧾 2. Fundamento Legal – CPP
📘 Art. 10, §§ 1º e 2º, CPP:
§1º A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará
os autos ao juiz competente.
§2º No relatório poderá indicar testemunhas não ouvidas, mencionando onde
possam ser encontradas.
🌿 3. Lei de Drogas (Lei 11.343/2006)
📘 Art. 52:
Relatório policial sumário, devendo conter:
● Classificação do delito
● Quantidade e natureza da droga
● Local e condições da ação
● Circunstâncias da prisão
● Conduta, qualificação e antecedentes do agente
📚 Art. 13-A e 13-B do CPP – Lei nº 13.344/2016
⚖️ 🔎 O que a lei permite?
🔹 Delegado de Polícia e Ministério Público podem:
✅ Requisitar diretamente de órgãos públicos ou empresas privadas:
● 📄 Dados e informações cadastrais da vítima ou do suspeito
● 🚫 Sem necessidade de autorização judicial (sem reserva de jurisdição)
🧭 🎯 Crimes abrangidos (Art. 13-A, CPP)
Crime Dispositivo
Sequestro e cárcere privado Art. 148, CP
Redução à condição análoga à de Art. 149, CP
escravo
Tráfico de pessoas Art. 149-A, CP
Extorsão com restrição de liberdade Art. 158, §3º, CP
Extorsão mediante sequestro Art. 159, CP ✅
Tráfico internacional de crianças Art. 239, ECA
❗ Todos esses casos admitem requisição direta de dados cadastrais.
📌 Exemplo cobrado em prova
Q: O art. 159 (extorsão mediante sequestro) admite requisição direta de dados
cadastrais, sem prévia autorização judicial?
✅ R: Sim. Está expressamente previsto no art. 13-A do CPP, incluído pela Lei nº
13.344/2016.
🛡️ Dica Final
🔑 Se o crime estiver no rol do art. 13-A, CPP → pode haver requisição direta,
🎯 Memorize os seis crimes-chave.
sem juiz.
📘 Início do Inquérito Policial – Casos Especiais
🔹 1. Crimes de Ação Pública Condicionada à Representação
📌 Base legal: Art. 5º, § 4º, CPP
✅ Regra: O inquérito não pode ser iniciado sem a representação do ofendido ou de
seu representante legal.
🧠 Memorize: “Sem representação, sem inquérito.”
🔹 2. Crimes de Ação Privada
📌 Base legal: Art. 5º, § 5º, CPP
✅ Regra: A autoridade policial só pode iniciar inquérito mediante requerimento de
quem tenha legitimidade para propor a queixa.
🧠 Lembre-se: Não há investigação de ofício em crime de ação privada.
🔹 3. Exceção com Requisição Ministerial
📌 Base legal: Art. 24, CPP
✅ A ação pública (inclusive o inquérito) pode depender de:
● ✉️ Representação do ofendido (ação pública condicionada)
● 🛂 Requisição do Ministro da Justiça (ex: crimes contra honra do Presidente)
📌 Dica de Prova:
🔸 Se a questão mencionar ação pública condicionada à representação ou
🔸 Cuidado com pegadinhas como "autoridade poderá iniciar de ofício" nesses
ação privada, o inquérito não poderá ser iniciado de ofício.
casos.
REVISAO 02 EXERCICIOS 11 DE OUTUBRO DE 2025
📚 TRANCAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL – RESUMO ESQUEMATIZADO
📌 Tema: Controle judicial do inquérito policial – habeas corpus contra indiciamento
(FGV/PCRN/2021 – DELEGADO)
indevido
⚖️ 1. Indiciamento indevido pela autoridade policial
● Quando a autoridade policial indica autoria mesmo havendo clara excludente
de ilicitude (ex: legítima defesa), isso pode configurar constrangimento ilegal.
● Tal situação autoriza o trancamento do inquérito policial.
🛑 2. O que é o trancamento do inquérito?
● É o encerramento precoce e forçado do inquérito, quando sua manutenção viola
direitos fundamentais, como:
○ Ausência manifesta de justa causa;
○ Fato evidentemente atípico;
○ Excludente de ilicitude patente (como legítima defesa clara);
○ Condições da ação ausentes.
🧾 3. Qual instrumento adequado?
● O instrumento cabível é o habeas corpus (remédio constitucional para proteger a
liberdade de locomoção).
● Previsão: art. 5º, LXVIII, da CF/88 e art. 647 do CPP.
● Justificativa: o indiciamento indevido implica constrangimento à liberdade do
investigado.
👨⚖️ 4. Autoridade competente para julgamento
● Autor do ato impugnado: delegado de polícia (autoridade policial).
● Autoridade julgadora: juiz de 1ª instância, competente para supervisionar a
investigação.
✅ RESUMO FINAL:
Quando a autoridade policial realiza indiciamento injustificado (ex: diante de
legítima defesa evidente), cabe habeas corpus para trancar o inquérito
policial, por violação ao direito de liberdade.
Como o ato parte do delegado, o juiz de 1º grau é o competente para análise
da impetração.
Se quiser, posso organizar todos esses resumos em um material único em PDF ou
imagem para revisão visual. Deseja isso?
📚 INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR E INQUÉRITO POLICIAL – RESUMO
📌 Tema: Regras fundamentais do inquérito policial e jurisprudência relevante (STF/STJ)
ESQUEMATIZADO (FGV/PCERJ/2022)
⚖️ 1. Controle jurisdicional da investigação
● 🔹 A investigação não é um espaço imune ao controle judicial.
● Há sempre um juízo que supervisiona atos como:
○ Busca e apreensão domiciliar;
○ Decretação de prisão cautelar;
○ Outras medidas que exigem reserva de jurisdição.
⏳ 2. Duração do inquérito e prazo razoável
● A gravidade e a complexidade do caso justificam, sim, a prorrogação do prazo
investigativo.
● ❌ Não existe constrangimento ilegal automático pelo simples decurso de tempo.
● Critério: juízo de razoabilidade, conforme art. 5º, LXXVIII, CF/88 e jurisprudência do
STJ (AgRg no HC 710.216/PR).
⚠️ 3. Medidas cautelares e contraditório na fase investigativa
● A previsão do art. 282, §3º do CPP (dispensa da oitiva prévia em caso de urgência
ou risco de ineficácia) se aplica apenas à fase judicial.
● ❌ Não se exige contraditório ou oitiva de partes na investigação, pois esta é
inquisitiva e unilateral.
📁 4. Juntada posterior de provas do inquérito
● ✅ É válida a juntada tardia de provas colhidas na investigação, desde que:
○ A defesa seja intimada previamente à sentença;
○ Seja garantido o contraditório e a ampla defesa;
○ Não haja demonstração de prejuízo (art. 563, CPP – princípio do pas de
nullité sans grief).
👩⚖️ 5. Presença de advogado no interrogatório policial
● ❌ Não é obrigatória a presença de advogado no interrogatório policial.
● O que se exige é que o investigado seja informado de seu direito de ser assistido
por advogado (STJ, AgRg no AREsp 1882836/SP).
✅ Resumo Final (Essência da FGV):
● O inquérito policial é controlado pelo Judiciário, pode ter duração prorrogada por
justificativa, não exige contraditório, admite provas juntadas após seu encerramento
(com direito de manifestação da defesa), e não exige presença obrigatória de
defensor no interrogatório, apenas ciência do direito à assistência.
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Claro! Aqui está o resumo esquematizado e direto, com base na explicação da alternativa
E da questão apresentada na imagem:
⚖️ Fumus Comissi Delicti no Inquérito Policial – Resumo para
Concursos Jurídicos
📌 Conceito:
➡️ Fumus comissi delicti = “fumaça de cometimento de crime”
✅ É o fato com aparência de infração penal, base para instauração da investigação.
🧠 Aury Lopes Jr. (Doutrina):
“O objeto da investigação preliminar é o fato constante na notitia criminis, ou
seja, o fumus comissi delicti, que dá origem à investigação e orienta todos os
atos dessa fase.”
🔍 Objetivo da investigação:
● Esclarecer o fato e verificar a autoria, com base em verossimilhança.
● A autoria não precisa ser previamente atribuída.
● A identificação do autor ocorre durante a investigação, sendo um elemento
acidental da notitia criminis.
🎯 Ponto-chave para prova:
● O fumus comissi delicti é o que legitima o inquérito.
● Não é necessário que o suspeito esteja identificado para começar a investigação.
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Aqui está o resumo técnico e esquematizado do tema cobrado pela questão 30
(FGV/TJ-AL/2018), com base no art. 18 do CPP e jurisprudência:
⚖️ Desarquivamento do Inquérito Policial – Art. 18 do CPP
📜 Base legal
Art. 18, CPP:
"Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por
falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas
diligências, se de outras provas tiver notícia."
🔁 Desarquivamento – quando é possível?
✔️ Requisitos para desarquivamento:
● Prova nova = elemento não analisado no momento do arquivamento;
● A prova pode até existir anteriormente, mas não ter sido conhecida ou
considerada no arquivamento;
● Retoma-se a investigação se a nova prova oferecer justa causa para persecução
penal.
📌 Aplicação ao caso da questão:
🟢 Joana:
● Nova prova documental (25 ligações do ex-namorado).
● Documento não existia no momento do arquivamento.
● ✅ Prova nova → autoriza desarquivamento.
🟢 Maria:
● Descoberto gravador com voz do autor.
● Já existia, mas não foi apreendido ou conhecido antes.
● ✅ Prova nova (jurisprudência do STJ) → permite desarquivamento.
❗ Pontos doutrinários e jurisprudenciais relevantes:
● 📌 Não há coisa julgada material no arquivamento do inquérito, exceto em
arquivamentos por atipicidade do fato ou extinção de punibilidade (segundo parte da
doutrina).
● 🧑⚖️ O juiz não homologa mais o arquivamento (segundo a nova leitura do art. 28 do
CPP dada pelo STF nas ADIs 6298-6305).
● 📢 Pode provocar a revisão do arquivamento quando houver patente ilegalidade
ou teratologia.
✅ Gabarito correto: Letra C
➡️
Resumo direto para prova:
O inquérito arquivado pode ser reaberto caso surjam novas provas, ainda que elas já
existissem antes, desde que não tenham sido consideradas na decisão de
arquivamento.
Essa regra decorre do art. 18 do CPP e da jurisprudência do STF/STJ.
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19 de outubro de 2025
Art. 107. Não se poderá opor suspeição às autoridades policiais nos atos do inquérito, mas
deverão elas declarar-se suspeitas, quando ocorrer motivo legal.
O fumus comissi delicti se refere ao fato com aparência de delito. Neste sentido, Aury
Lopes Jr. afirma que: “O objeto da investigação preliminar é o fato constante na notitia
criminis, isto é, o fumus commissi delicti que dá origem à investigação e sobre o qual
recai a totalidade dos atos desenvolvidos nessa fase. Toda a investigação está centrada
em esclarecer, em grau de verossimilitude, o fato e a autoria, sendo que esta última
(autoria) é um elemento subjetivo acidental da notícia-crime. Não é necessário que seja
previamente atribuída a uma pessoa determinada. A atividade de identificação e
individualização da participação será realizada no curso da investigação preliminar.”
(LOPES JR, Aury, Direito Processual Penal, Saraiva 17ª edição, 2020).
📚 RESUMO TÉCNICO – INÉPCIA DA DENÚNCIA, ART. 516 DO CPP E
DIFERENCIAÇÃO ENTRE DENÚNCIA GENÉRICA E GERAL
⚖️ 1. Inépcia da denúncia por ausência de descrição da conduta
individualizada
● A simples qualificação formal do agente (ex: diretor de instituição financeira)
não é suficiente para legitimar a persecução penal.
● É necessário que a peça acusatória descreva, objetivamente, conduta
individualizada que vincule o agente ao fato delituoso.
● A ausência dessa descrição compromete o exercício da ampla defesa e enseja o
reconhecimento da inépcia da denúncia, conforme entendimento do STF (HC
83.947/AM, Rel. Min. Celso de Mello).
📘 2. Art. 516 do Código de Processo Penal – Juiz pode rejeitar a
denúncia após a resposta
● O juiz poderá rejeitar a denúncia ou queixa após a apresentação da resposta
escrita, se convencido da inexistência do crime ou da improcedência da
ação.
● Trata-se de rejeição superveniente, permitida após a defesa prévia, com
fundamento no art. 516 do CPP:
“Art. 516. O juiz rejeitará a queixa ou denúncia, em despacho fundamentado, se
convencido, pela resposta do acusado ou do seu defensor, da inexistência do
crime ou da improcedência da ação.”
🧾 3. Cabimento de recurso em sentido estrito contra a rejeição da
denúncia
● A decisão que rejeita a denúncia por inépcia não faz coisa julgada material,
apenas formal.
● Assim, é cabível a interposição de Recurso em Sentido Estrito (art. 581, I,
CPP).
🔍 4. Diferença entre denúncia genérica e denúncia geral
❌
● Denúncia genérica:
É vedada. Aponta fato incerto e imprecisamente descrito, sem vincular o
agente de forma individual ao crime.
→ Ex: imputações vagas sem indicar conduta concreta.
✅
● Denúncia geral:
É admitida em casos excepcionais, como nos crimes societários ou de
autoria coletiva.
→ Admite imputação menos detalhada, desde que haja mínima descrição da
ligação entre os agentes e o fato delituoso.
● Jurisprudência:
○ STJ (RHC 96.738/RS): admite denúncia geral quando há demonstração
sutil de vínculo entre conduta e fato.
○ STF (HC 118.891): admite denúncia em crimes societários sem
indicação minudente da conduta individual, desde que haja
contextualização suficiente.
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revisão. Deseja?
📚 RESUMO TÉCNICO – ESPÉCIES DE FLAGRANTE (ART. 302 DO CPP) E
DISTINÇÕES JURISPRUDENCIAIS
⚖️ 1. Flagrante Preparado ou Provocado (ou Crime de Ensaio)
● Ocorre quando o agente é induzido, instigado ou provocado a praticar o
delito, com o objetivo de ser preso em flagrante.
● Há ausência de voluntariedade, pois a conduta é provocada artificialmente
pela polícia ou terceiro.
● É ilegal e inválido, por configurar crime impossível (art. 17 do CP).
● Também chamado de crime de ensaio ou delito putativo por obra do agente
provocador (Damásio de Jesus).
● Súmula 145/STF:
“Não há crime quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a
sua consumação.”
⚖️ 2. Flagrante Prorrogado ou Ação Controlada
● É o retardamento da intervenção policial, autorizado legalmente, para que a
prisão ocorra no momento mais útil à coleta de provas.
● A autoridade não induz o crime, apenas controla o momento da captura.
● Previsto em leis especiais (ex.: art. 8º da Lei 12.850/2013 e art. 53, II, da Lei
11.343/2006).
● Difere do flagrante preparado, pois não há provocação, mas apenas
planejamento tático.
⚖️ 3. Flagrante Forjado, Urdido ou Maquinado
● Situação fictícia, na qual agentes públicos ou particulares fabricam
artificialmente uma situação de flagrante para incriminar pessoa
sabidamente inocente.
● O fato é inexistente ou simulado, tratando-se de prisão arbitrária e ilegal.
● Gera nulidade absoluta, podendo ensejar responsabilização penal e
administrativa dos envolvidos.
⚖️ 4. Flagrante Impróprio, Irreal, Imperfeito ou Quase-flagrante
● Previsto no art. 302, III, do CPP.
● Ocorre quando o agente é perseguido logo após o crime, em situação que
faça presumir ser o autor da infração.
● A perseguição deve ser imediata e contínua.
● É flagrante válido, não se confundindo com o flagrante presumido.
⚖️ 5. Flagrante Presumido ou Ficto
● Previsto no art. 302, IV, do CPP.
● Configura-se quando o indivíduo é encontrado logo depois com objetos,
armas, instrumentos ou papéis que façam presumir sua autoria.
● A captura ocorre após o crime, com base em indícios imediatos de autoria.
● Não se confunde com o flagrante impróprio.
📌 SÍNTESE COMPARATIVA
Espécie de Natureza Legalida Fundamento Observações
Flagrante de
Preparado/Provocad Provocado ❌ Ilegal Súmula Crime
o (crime de ensaio) artificialmente 145/STF impossível
Prorrogado (ação Retardamento ✅ Legal Leis especiais Estratégia de
controlada) da captura (Lei investigação
12.850/13)
Forjado/Urdido Fabricado, ❌ Ilegal CPP e CF/88 Prisão
inexistente arbitrária
Impróprio Perseguição ✅ Legal Art. 302, III, Exige
(quase-flagrante) imediata CPP continuidade
da perseguição
Presumido (ficto) Encontro ✅ Legal Art. 302, IV, Não confundir
posterior com CPP com o
indícios impróprio
🧠 Mnemônico para memorização rápida:
“Pre-pa-for-im-pre” → preparado, prorrogado, forjado, impróprio,
presumido
➜ Apenas o segundo, quarto e quinto são legais.
Quer que eu monte este conteúdo em formato de flash cards para juiz e promotor
(nível oral/discursivo), com perguntas e respostas técnicas a partir deste resumo?
Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão
remetidos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu
representante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.