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Massango$

O documento analisa a filosofia política na Idade Moderna, com foco em John Locke, que defendeu que o poder político legítimo vem do consentimento do povo e não do direito divino dos reis. Locke introduziu conceitos como o contrato social, direitos naturais e a separação de poderes, influenciando a Revolução Gloriosa e as democracias atuais. A obra conclui que o governo deve proteger os direitos à vida, liberdade e propriedade, e que o povo tem o direito de resistência contra governantes tiranos.

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O documento analisa a filosofia política na Idade Moderna, com foco em John Locke, que defendeu que o poder político legítimo vem do consentimento do povo e não do direito divino dos reis. Locke introduziu conceitos como o contrato social, direitos naturais e a separação de poderes, influenciando a Revolução Gloriosa e as democracias atuais. A obra conclui que o governo deve proteger os direitos à vida, liberdade e propriedade, e que o povo tem o direito de resistência contra governantes tiranos.

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Escola comunitária nossa senhora do Livramento

12ª A1

Disciplina: Filosofia

Tema:Filosofia política na idade moderna

Nomes dos participantes: Números:


Albertina Sérgio Tamele 1

Cesartina Rosita Monjane 6


Cid Adolfo Mavale 8
Vanildo José Nhassambo
Yúmina Luísa 47

Nome do professor:
Massango
Índice
 Introdução ........................................ 1

 Biografia de John Locke ............................ 2

 O pensamento político de John Locke ............... 3

 A sociedade política e a propriedade privada ...... 3

 Contexto histórico que influenciou Locke .......... 4

 Estado de natureza vs Estado civil ................ 5

 Poderes do governo segundo Locke .................. 6

 Conclusão ......................................... 8

 Referências bibliográficas ...................... 9


Introdução:

Filosofia Política na Idade Moderna

A Idade Moderna, compreendida entre os séculos XV e XVIII, marcou uma ruptura profunda
com as concepções políticas medievais centradas na autoridade divina e no feudalismo. Nesse
período de transformações como o Renascimento, as Grandes Navegações e a Reforma
Protestante, surgiram pensadores que lançaram as bases do pensamento político ocidental
contemporâneo.

A filosofia política moderna se caracteriza pelo deslocamento do poder do “direito divino dos
reis” para a razão humana e para os contratos firmados entre os indivíduos e o Estado.
Pensadores como Maquiavel, Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau
questionaram a origem do poder, a natureza humana e os limites da autoridade
governamental. Suas ideias sobre o Estado, soberania, direitos naturais e contrato social
continuam influenciando as democracias atuais.

Dessa forma, este trabalho tem como objetivo analisar as principais correntes e autores da
filosofia política na Idade Moderna, compreendendo como suas reflexões romperam com a
tradição medieval e estruturaram conceitos fundamentais como Estado, liberdade e cidadania
que moldam a política até os dias de hoje.
Biografia de John Locke

John Locke nasceu em 29 de agosto de 1632, em Wrington, Somerset, na Inglaterra, e faleceu


em 28 de outubro de 1704, em Essex. Filho de um advogado puritano que lutou ao lado do
Parlamento na Guerra Civil Inglesa, Locke cresceu em um período de intensos conflitos
políticos e religiosos que moldaram seu pensamento.

Formou-se em medicina e filosofia pela Universidade de Oxford em 1656. Além de filósofo,


atuou como médico, tutor e secretário de Lord Anthony Ashley Cooper, futuro Conde de
Shaftesbury. Essa proximidade com a política inglesa o fez se envolver diretamente nas
disputas entre o Parlamento e a monarquia absolutista dos reis Stuart.

Por defender ideias liberais e participar de conspirações contra Jaime II, Locke foi obrigado a
se exilar na Holanda entre 1683 e 1689. Retornou à Inglaterra após a Revolução Gloriosa de
1688, que derrubou o absolutismo e consolidou o poder do Parlamento. Suas obras mais
importantes são “Ensaio sobre o Entendimento Humano” e “Dois Tratados sobre o Governo
Civil”, onde defendeu os direitos naturais à vida, liberdade e propriedade.

Considerado o “pai do liberalismo”, Locke influenciou diretamente a Declaração da


Independência dos EUA e a Constituição americana. Para ele, o poder do Estado vinha de um
contrato social e o povo tinha o direito de destituir governantes tiranos.
O pensamento político de John Locke

John Locke foi um filósofo inglês do século XVII que viveu em uma época de muitas brigas
políticas na Inglaterra. Ele até precisou fugir pra Holanda porque era contra o rei Carlos II.
Sua ideia principal tá no livro _Dois Tratados sobre o Governo_.

Diferente de Hobbes, Locke tinha uma visão mais otimista do ser humano. Pra ele, antes do
Estado existir - o chamado "estado de natureza" - as pessoas já eram livres, iguais e donas de
si. Não era uma guerra total, mas tinha um problema: não existia juiz pra resolver conflitos.

Por isso, Locke defendia que todo mundo nasce com 3 direitos básicos: *vida, liberdade e
propriedade*. Ninguém pode te tirar isso à força.

O Estado só existe porque as pessoas aceitam fazer um acordo, um "contrato social". Elas
abrem mão de parte da liberdade pra viver em sociedade com mais segurança e conforto. Mas
tem condição: se o governante não proteger esses 3 direitos, o povo pode tirar ele do poder.

A sociedade política e a propriedade privada segundo Locke

Para Locke, "os homens unidos em comunidade devem agir baseados no que a maioria da
comunidade consente. O acto da maioria considera-se acto de todos". Isso mostra a ideia de
governo da maioria, base da democracia.

Ele explica que ao entrar na sociedade, os indivíduos "abandonam todo o poder necessário
aos fins que ditaram a reunião em sociedade, à maioria da comunidade". Ou seja, transferem
o poder de punir pro Estado.

Locke surge como "o defensor da propriedade privada e da democracia na época moderna".
Por isso, ele defendia que "o poder político não deve ser determinado pelas condições de
nascimento". O Estado "não deve intervir, mas sim garantir e tutelar o livre exercício da
propriedade, da palavra e da iniciativa econômica".
Contexto histórico que influenciou locke

John Locke viveu entre 1632-1704, período marcado por crises políticas e religiosas na
Inglaterra. O país passou pela Guerra Civil Inglesa, pela ditadura de Oliver Cromwell e pela
Restauração da monarquia com Carlos II. Esse cenário de conflito entre Parlamento e Coroa
moldou todo o pensamento político de Locke.

O ponto decisivo foi a Revolução Gloriosa de 1688. O rei Jaime II tentava impor o
catolicismo e governar sem o Parlamento, seguindo a doutrina do "direito divino dos reis".
Essa doutrina dizia que o rei era escolhido por Deus e não prestava contas a ninguém. O
Parlamento reagiu e depôs Jaime II, colocando Guilherme de Orange no trono. Foi uma
revolução sem derramamento de sangue, mas com consequência enorme: o rei passou a
depender do Parlamento.

Locke publicou _Dois Tratados sobre o Governo_ em 1689, logo após esse evento. Mas ele
escreveu o texto antes, enquanto estava exilado na Holanda por conspirar contra Carlos II. O
objetivo era político: dar base teórica pra justificar a deposição de um rei tirano. Locke
precisava provar que tirar Jaime II não era crime, e sim direito do povo.

Ao defender que "o poder não vem de Deus, e sim do povo", Locke rompeu com 1000 anos
de tradição europeia. Ele tirou a legitimidade da religião e colocou na razão humana. Isso foi
o começo do Estado laico e do constitucionalismo. A partir de Locke, nenhum governante
poderia mais dizer "eu mando porque Deus mandou". Ele teria que provar que o povo
consentiu.

Estado de natureza vs Estado civil

O "estado de natureza" é um conceito central pra entender a política lockiana. Mas diferente
de Hobbes, Locke via esse estado de forma positiva. Pra ele, antes do governo os homens
eram "livres, iguais e independentes". Livres porque ninguém tinha autoridade sobre o outro.
Iguais porque todos tinham a mesma razão e os mesmos direitos dados pela natureza.

Nesse estado já existia a "lei natural". Locke dizia que a razão mostrava a todos que ninguém
podia atacar a vida, saúde, liberdade ou posses de outra pessoa. Era como uma moral
universal que todo ser racional entendia. Então o estado de natureza não era anarquia total.
Qual era o problema então? Locke apontava 3 "inconvenientes":
1. *Falta de lei escrita e conhecida*: Cada um interpretava a lei natural do seu jeito. O que
pra um era justiça, pra outro era injustiça.
2. *Falta de juiz imparcial*: Como não existia tribunal, cada um julgava sua própria causa.
E ninguém é imparcial quando julga algo que lhe diz respeito.
3. *Falta de poder pra executar*: Mesmo quem estava certo não tinha força pra punir quem
errava. A vítima tinha que fazer justiça com as próprias mãos.

Por causa desses 3 problemas, os homens decidem criar o "estado civil" através do contrato
social. Eles abrem mão do direito de julgar e punir sozinhos e entregam esse poder pra
comunidade. Surge então o governo: um poder comum, com leis públicas e juiz neutro. O
estado civil não muda a natureza humana, só organiza melhor a convivência.

É importante: pra Locke, o estado civil não anula os direitos naturais. Vida, liberdade e
propriedade continuam existindo. O governo só existe pra protegê-los melhor.

Poderes do governo segundo Locke

Locke foi o primeiro filósofo a dividir o poder do Estado de forma sistemática. Essa ideia
ficou conhecida depois como "separação dos poderes" e Montesquieu só desenvolveu melhor
40 anos depois. Pra Locke, dividir o poder era forma de evitar tirania.

1. Poder Legislativo
É o poder supremo da sociedade política. "Supremo" não significa que manda em tudo, e sim
que vem direto do povo. O Legislativo é formado por representantes eleitos e tem a função
exclusiva de criar leis gerais, abstratas e permanentes. Essas leis valem pra todos, inclusive
pro rei. Locke defendia que o Parlamento não podia ser dissolvido pelo rei e que devia se
reunir com frequência. Sem Legislativo forte, o governo vira despotismo.

2. Poder Executivo
Fica responsável por executar as leis que o Legislativo cria. Cuida da segurança interna, da
polícia e da ordem pública. O Executivo precisa ser ágil, por isso não pode ser exercido por
uma assembleia grande. Locke aceitava que o rei exercesse esse poder, desde que estivesse
subordinado à lei feita pelo Parlamento. Executivo que faz lei = tirania.
3. Poder Federativo
Locke separou esse poder do Executivo porque tem natureza diferente. O Federativo cuida
das relações externas: guerra, paz, alianças, tratados com outras nações. Enquanto o
Executivo cuida do "dentro", o Federativo cuida do "fora". Na prática hoje os dois ficaram
juntos no mesmo presidente/primeiro-ministro, mas Locke já via que precisava de lógica
diferente pra lidar com outros Estados.

Essa divisão tinha um objetivo político claro: ninguém pode concentrar todo o poder. Quem
faz a lei não pode executar sozinho, e quem executa não pode criar a regra do jogo.

Conclusão
Diante do exposto, conclui-se que a política de John Locke fundamenta o Estado liberal
moderno ao defender que todo poder político legítimo nasce do consentimento do povo, e não
do direito divino dos reis. Locke rompeu com o absolutismo ao afirmar que o Estado de
natureza, regido pela razão e pela lei natural, só é substituído pelo Estado civil para resolver
os inconvenientes da ausência de juiz imparcial e de leis públicas.
Ao dividir o poder em Legislativo, Executivo e Federativo, e ao estabelecer limites rígidos à
ação do governo, Locke criou as bases do Estado de Direito e da separação de poderes. Para
ele, o governo só existe para proteger os direitos naturais à vida, liberdade e propriedade.
Quando o governante viola esses limites, o contrato social se dissolve e o povo recupera o
direito de resistência.
Assim, o pensamento lockiano influenciou diretamente a Revolução Gloriosa de 1688, a
Independência dos Estados Unidos e as constituições democráticas atuais, consolidando a
ideia central de que o governo deve ser limitado, representativo e subordinado à lei.

"Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha
de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. De modo que aquele que se opõe à
autoridade resiste à ordenação de Deus".

Romanos 13:1-2

Referências bibliográficas
GEQUE, Eduardo; BIRIATE, Manuel. Filosofia 12: Pré-Universitário: Novo Currículo do
Ensino Secundário. Maputo: Longman Moçambique, s.d. p. 82.

LOCKE, John. Segundo Tratado sobre o Governo Civil: Ensaio acerca da verdadeira origem,
extensão e objetivo do governo civil. Tradução de Magda Lopes e Marisa Lobo da Costa. 4.
ed. Petrópolis: Vozes, 2006. p. 38-82.

SKINNER, Quentin. As Fundações do Pensamento Político Moderno. Tradução de Renato


Janine Ribeiro. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 442-465.

ABBAGNANO, Nicola. História da Filosofia. Vol. 7: A filosofia do século XVII. 4. ed.


Lisboa: Presença, 1999. p. 301-320.

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