UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ
Maria Candida Andrade Mathias - 35131
Samuel Rodrigues Silva - 2018011204
Victor Fernando dos Santos Morais - 20210165160
Projeto e Análise da Substituição do Sistema de Corrente por motor elétrico em uma
Cortina Rolô
Itajubá
2026
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO................................................................................................................. 3
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA....................................................................................... 4
3. METODOLOGIA.............................................................................................................. 5
4. DIMENSIONAMENTO..................................................................................................... 6
5. CONCLUSÃO................................................................................................................ 11
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1. INTRODUÇÃO
As cortinas rolô são amplamente utilizadas em ambientes residenciais e comerciais
devido à sua praticidade e simplicidade de operação. Normalmente, seu acionamento é
realizado por meio de correntes plásticas, que podem apresentar desgaste e ruídos ao longo
do tempo. Como alternativa, um motor elétrico com sistema de transmissão por correias
oferece maior durabilidade, funcionamento mais silencioso e maior acessibilidade no
acionamento. Além disso, permite movimento mais eficiente e preciso.
Dessa forma, este trabalho tem como objetivo analisar a substituição do sistema
convencional por corrente por um sistema de acionamento por motor elétrico em uma
cortina rolô, avaliando sua viabilidade técnica por meio do dimensionamento dos novos
componentes e da comparação entre as duas soluções.
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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Os elementos de máquinas são componentes mecânicos empregados na transmissão
de movimento, potência e forças entre as diversas partes de um sistema. Eixos, polias,
correias, engrenagens, correntes e mancais estão entre os componentes mais importantes.
Esses componentes são essenciais para assegurar o funcionamento correto dos mecanismos
e a eficácia dos sistemas mecânicos.
Os sistemas de transmissão mecânica são responsáveis por transferir movimento e
potência de um componente para outro. As transmissões por engrenagens, correntes e
correias são alguns dos métodos mais empregados. A seleção do sistema é influenciada por
elementos como custo, eficácia, manutenção e condições de operação.
As correias "V" de seção trapezoidal permitem a transmissão de potência por meio
de atrito entre a correia e as polias, oferecendo robustez, absorção de vibração, e boa
eficiência em aplicações mecânicas
As polias são elementos encarregados de transmitir movimento por meio das
correias. A relação de transmissão, o torque transmitido e a velocidade de operação do
sistema são afetados diretamente por seu dimensionamento.
As cortinas rolô empregam mecanismos de acionamento que possibilitam o
enrolamento e desenrolamento do material. Correntes plásticas costumam ser usadas para
executar esse movimento. O uso de um motor elétrico com correias se apresenta uma
opção para prolongar a vida útil do mecanismo, diminuir ruídos e aprimorar a experiência
do usuário no uso do sistema.
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3. METODOLOGIA
Este estudo foi realizado por meio de pesquisa bibliográfica do material
fornecido pelo professor e análise de um sistema de acionamento utilizado em cortinas
rolô.
Primeiramente, foi conduzido um estudo sobre componentes de máquinas,
concentrando-se em correias “V”, polias e sistemas de transmissão mecânica.
Posteriormente, foi avaliado o funcionamento de uma cortina rolô tradicional acionada por
corrente.
Com base nessa avaliação, sugeriu-se substituir a corrente pelo sistema motorizado
com sistema de transmissão por correia V. Os componentes fundamentais do sistema foram
estabelecidos, entre eles polias, correia e eixo de acionamento.
Em seguida, foi realizado o dimensionamento básico do mecanismo, levando em
consideração a transmissão do movimento necessário para abrir e fechar a cortina.
Finalmente, foram comparados o sistema tradicional e a solução sugerida, levando em
consideração fatores como manutenção, durabilidade, ruído e viabilidade técnica.
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4. DIMENSIONAMENTO
As dimensões de uma cortina rolô dependem principalmente do tipo de filtro que ela
fornece, desta forma, selecionamos uma cortina arbitrária blackout, cujas dimensões são o
cálculo médio de cortinas encontradas no mercado: 2,50 m a 3,00 m de largura por 2,90 m
de altura em peças únicas.
Figura 1: proposta de projeto da cortina rolô
Fonte: Elaborado por alunos
Foi então selecionada uma cortina blackout arbitrária de 3 metros de largura e 2,90
metros de altura com acionamento mecânico por correia. O torque mínimo recomendado
para o acionamento motorizado dessa cortina é de 2,04 Nm, sendo o padrão comercial mais
indicado o uso de um motor tubular de 6 Nm.
Multiplica-se a largura pela altura para obter a área total de tecido:
A = 3 x 2,9 =8,7 m²
O tecido blackout em média pesa 0,5kg/m², sendo assim, o peso da cortina é:
8,7 x 0,5 = 4,35 Kg
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Assumindo que a barra inferior niveladora pesa 1,20 Kg, podemos determinar a massa total
do sistema:
4,35 + 1,20 = 5,55 kg
A força peso será:
Segunda Lei de Newton e Gravidade: 𝐹 = 5, 5 × 9, 81 = 53, 5 = 54, 4𝑁
● Cálculo do torque
Assumindo que o tubo de alumínio superior é de ao menos 50mm de diâmetro, o raio do
tubo é de 0,025 metros, logo, o torque nominal é:
Conceito de Torque (Momento de uma Força): 𝑇 = 54, 4 × 0, 025 = 1, 3𝑁𝑚
● Seleção da correia
A partir do torque, seguimos então com o cálculo da potência de projeto que pode ser
calculada através da potência mecânica:
𝑃 = 𝑇×𝑛
Assumindo que a velocidade de rotação do eixo é de 15𝑟𝑝𝑚 , temos:
2*π*𝑛*𝑇 2*π*15*1,3
𝑃= 60
= 60
= 2, 04𝑊
Considerando que o esforço da polia e correias é mínimo, podemos adotar um fator de
segurança igual 1,2 (pag 30 da apostila), assim, a potência do projeto é:
𝑃𝑑 = 𝑃 × 𝐹𝑆 = 2. 04𝑊 × 1, 2 = 2, 45𝑊
Agora, convertendo a potência do projeto para cv:
2,45 −3
𝑃𝑑 = 735,5
= 3, 33 × 10 𝑐𝑣
Como a potência é baixa, a seção da correia deve ser pequena e para este tipo de aplicação,
normalmente seria escolhida uma correia de seção A. Além disso, como a potência é muito
pequena, apenas uma correia seria o suficiente:
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𝑁𝑢𝑚𝑒𝑟𝑜 𝑑𝑒 𝑐𝑜𝑟𝑟𝑒𝑖𝑟𝑎𝑠 = 𝑃𝑑/𝑃𝑐 = 1, 2 == 1
Portanto, uma correia em V é suficiente.
Os parâmetros abaixo foram assumidos ou levantados como ponto de partida do projeto:
Tabela 1 - Dados de entrada
Parâmetro Símbolo Valor adotado
Torque no rolo (padrão T 6 N·m
comercial)
Diâmetro do rolo D_rolo 50 mm
Rotação do rolo n_rolo 15 rpm
Potência necessária P ≈ 9,4 W
Material do eixo — SAE 1020 laminado
Resistência à ruptura (SAE σ_rup 380 MPa
1020)
Montagem — Chaveta, carga gradual (sem
choque)
Fonte: Elaborado por alunos
I. Velocidade Angular do rolo: ω = 2π. 𝑛/60 = 1, 57𝑟𝑎𝑑/𝑠
II. Potência necessária: 𝑃 = 𝑇. ω = 6 × 1, 5 = 9, 4𝑊
Assim, um motor de 25W é o suficiente com ampla folga.
A correia deve fazer uma redução 2:1, levando de ~30 rpm (saída do motorredutor)
para 15 rpm no rolo.
I. i = n_entrada / n_saída = D_movida / D_motora
i = 2 → D_movida = 2 × D_motora
i = D₂ / D₁ = 160 / 80 = 2,0
II. v = π × D₁ × n₁ / 60.000 = π × 80 × 30 / 60.000 ≈ 0,126 m/s
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Com potência de 9,4 W e diâmetro da polia motora de 80 mm, o perfil A (menor perfil
comercial) é amplamente suficiente.
Tabela 2 - Dimensões da correia
Parâmetro Perfil A
Largura do topo (b) 13 mm
Altura (h) 8 mm
Ângulo de garganta 40°
Potência máxima típica até 3 kW (muito acima do necessário)
Fonte: Elaborado por alunos
III. D₂ < C < 3(D₁+D₂)
160 mm < C < 3×(80+160) = 720 mm
Adotamos distância entre centros: C = 300 mm.
Para o dimensionamento do comprimento da correia, a fórmula aproximada é:
π (𝐷−𝑑)²
𝐿 = 2𝐶 + 2
(𝐷 + 𝑑) + 4𝐶
Lp = 2C + π(D₁+D₂)/2 + (D₂−D₁)²/(4C)
Lp = 2×300 + π×(80+160)/2 + (160−80)²/(4×300)
Lp = 600 + 376,99 + 5,33 = 982,3 mm
Da tabela, a correia A38 com L=990mm é apropriada, com ângulo de abraçamento de:
θ = 180° − 60°×(D₂−D₁)/C
θ = 180° − 60°×(160−80)/300 = 180° − 16° = 164° > 120°
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● Tensões na correia
T1 / T2 = e^(μ × α / sen(θ/2))
μ = 0,35
α = 164° × π/180 = 2,86 rad
θ = 40°
T1 / T2 = 18,7
Ft = T / r_movida = 6 / 0,080 = 75 N
Sendo Ft = T1 - T2 e T1 = 18,7 × T2, montamos o sistema:
18,7 × T2 - T2 = 75 → 17,7 × T2 = 75 → T2 = 4,2 N
T1 = 18,7 × 4,2 = 79,2 N
Forca resultante na polia:
Fc = T1 + T2= 83,4 N
● Dimensionamento do eixo
comprimento de 80mm
Fc = 83,4 N
eixo tem 80mm de comprimento
M = 83,4 × 0,080 = 6,67 Nm
Momento fletor no engaste: M = 6,67 Nm
● Método ASME
τ_adm,base = min [ 0,30 × σ_esc ; 0,18 × σ_rup ]
Para SAE 1020 laminado (σ_esc = 210 MPa e σ_rup = 380 MPa):
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0,30 × σ_esc = 0,30 × 210 = 63,0 MPa
0,18 × σ_rup = 0,18 × 380 = 68,4 MPa
τ_adm,base = min { 63,0 ; 68,4 } = 63,0 MPa (adotado)
Como a polia é fixada como uso de chaveta, é necessário considerar o rasgo de chaveta,
assim multiplica-se a tensão adotada por 0,75;
τ_adm = 0,75 × τ_ad = 0,75 × 63,0 = 47,25 MPa
τ_adm = 47,25 MPa
● Fatores de choque e fadiga (Kb e Kt)
Os fatores Kb e Kt corrigem o efeito do tipo de carga sobre o momento fletor e o torque,
respectivamente
árvores ou eixos que giram, carga gradualmente aplicada(sem choque): adotado kb = 1,5;
kt = 1,0
- Kb × M = 1,5 × 6,67 = 10,01 N·m
- Kt × T = 1,0 × 6,0 = 6,00 N·m
- √[(10,01)² + (6,00)²] = √[100,2 + 36,0] = √136,2 = 11,67 N·m
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- 16 / (π × 47,25 × 10⁶) = 16 / (148,4 × 10⁶) = 1,078 × 10⁻⁷ m⁻³
d = ³√{ 1,078 × 10⁻⁷ × 11,67 } = ³√{ 1,258 × 10⁻⁶ }; d ~ 0,01079 m = 10,8 mm
adotado o eixo de 12mm
após adotar o eixo é necessário recalcular a tensão para confirmar que está abaixo da
admissivel
τ_eq = (16 / π × d³) × √[(Kb × M)² + (Kt × T)²]
π × d³ = π × (0,012)³ = π × 1,728 × 10⁻⁶ = 5,428 × 10⁻⁶ m³
τ_eq = (16 / 5,428 × 10⁻⁶) × 11,67 = 2,948 × 10⁶ × 11,67
τ_eq = 34,4 MPa
assim:
τ_eq = 34,4 MPa < τ_adm = 47,25 MPa
● dimensionamento da chaveta
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da tabela o eixo de 12mm é recomendado o uso da chaveta 4x4(mm²)
comprimento é dado por, L_min = 1,25 × d = 1,25 × 12 = 15 mm
para seção de chaveta quadrada, pode se analisar tanto por esmagamento quanto para
cisalhamento
σ_esm = F / (t/2 × L) = 4T / (t × L × D)
σ_esm = (4 × 6) / (0,004 × 0,015 × 0,012)
σ_esm = 33,3MPa
σ_esm,adm = 0,9 × σ_esc = 0,9 × 210 = 189 MPa
σ_esm = 33,3 MPa << 189 MPa ok
- por cisalhamento:
A força tangencial F que a chaveta transmite e:
F = 2T / D = 2 × 6 / 0,012 = 1000 N
τ_s = F / (b × L) = 2T / (b × L × D)
τ_s = (2 × 6) / (0,004 × 0,015× 0,012)
τ_s = 16,67 MPa
τ_s = 16,67 MPa < τ_adm = 47,25 MPa ok
● Rolamento do Eixo
Para suportar o eixo, dimensionamos um rolamento de uma carreira de esferas, com
as seguintes equações:
Fr= 29,5 N; d= 12 mm; n= 15 rpm.
temos o L10h, com p= 3. assim, para uma vida de aproximadamente 3000
horas, podemos escolher um rolamento com o valor de C de aproximadamente 41,8 N.
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Pelo catálogo SKF, o rolamento selado com o menor valor de C e d= 12mm é o 6001-2Z.
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Com seu valor C= 5070 N e D= 28mm. Assim, seu L10h é de 5,64× 10 horas.
Tabela 3 - Resumo do projeto
Item Especificação adotada Norma / Referência
Motor Monofásico 25 W Catálogo comercial
Motorredutor Saída ≈ 30 rpm, relação 48:1 Catálogo comercial
Rotação no rolo ≈ 15 rpm Dado de projeto
Eixo de acionamento d = 12 mm — SAE 1020 laminado ASME / NBR 6158
Comprimento em balanço c = 80 mm Construtivo
Chaveta 4×4×15 mm NBR 6375 / DIN 6885
Correia Perfil A — A38 (L_p = 990 mm) NBR 11709 / ISO 4184
Polia motora Ø 80 mm Catálogo comercial
Polia movida Ø 160 mm Catálogo comercial
Distância entre centros C = 300 mm Construtivo
Ângulo de abraçamento 164° > 120° ✓ Verificado
Rolamento SKF 6001-2Z d= 12mm; D= 28mm Catálogo comercial
Fonte: Elaborado por alunos
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5. CONCLUSÃO
Com base nos estudos realizados, verificou-se que a utilização do novo sistema para
cortinas rolô é uma alternativa tecnicamente viável ao sistema convencional por corrente.
A solução proposta apresentou vantagens relacionadas à redução de ruídos, menor
necessidade de manutenção e maior durabilidade dos componentes. Além disso, o projeto
permitiu aplicar conceitos de elementos de máquinas, como transmissão de potência, polias
e correias, demonstrando a importância do correto dimensionamento mecânico para o
desempenho do sistema.
Conclui-se que a substituição da corrente tradicional por um motor elétrico com
transmissão por correia pode proporcionar melhorias operacionais e maior confiabilidade
ao mecanismo de acionamento da cortina rolô.
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REFERÊNCIAS
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