TCC Dinah
TCC Dinah
FLORIANÓPOLIS
2019
Dinah Antero Nicoletti
FLORIANÓPOLIS
2019
Dinah Antero Nicoletti
Este Trabalho Conclusão de Curso foi julgado adequado para obtenção do Título de Bacharel
em Ciência e Tecnologia de Alimentos e aprovado em sua forma final pelo Curso.
________________________
Prof. ª [Link] Maria Oliveira Muller.
Coordenadora do Curso
Banca Examinadora:
________________________
Prof.ª Dra. Marília Miotto
Orientadora
Universidade Federal de Santa Catarina
________________________
Prof.ª Dra. Carlise Beddin Fritzen-Freire
Universidade Federal de Santa Catarina
________________________
Prof.ª Dra. Isabela Maia Toaldo
Universidade Federal de Santa Catarina
Dedico este trabalho a minha mãe Margarida, ao meu
padrasto Valdir e ao meu namorado Augusto.
AGRADECIMENTOS
À Prof. Dr.ª Marília Miotto, pela orientação, pela paciência e dedicação em me ajudar a realizar
este trabalho.
Ao Prof. Dr. Giustino Tribuzi pela participação durante o desenvolvimento deste projeto.
Ao Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca – CEDAP/EPAGRI, parceiro deste
projeto desde a sua concepção até a sua realização.
À Dr.ª Natália da Costa Marchiori, pesquisadora do CEDAP/EPAGRI, pela colaboração na
elaboração e execução do projeto.
À Fazendo Marinha Atlântico Sul pelo fornecimento de amostras e ao CEDAP/EPAGRI pela
coleta e transporte..
À Natália e a Karin, pela amizade, pela parceria, e pela dedicação durante as análises.
Ao Adolfo pelos ensinamentos e suporte durante a pesquisa
À Nataly pela disponibilidade em ajudar no uso do microscópio.
À Nati do laboratório de Ciência e Tecnologia de Alimentos por disponibilizar alguns materiais.
À Mariana e Samira, pela amizade e pelo apoio.
Ao Prof. Dr. Airton Kist, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, pela colaboração com as
análises estatísticas.
Ao grupo Numical em especial Alana, Maria Luiza, Gabriela e Aline.
À Juci, Josiel e Michele pelo incentivo e ensinamentos.
Aos meus amigos Andriele, Bruna, Nathalia, Maria Eliza e Thalita, que me apoiaram e
estiverem presente durante nesses 4 anos.
A turma de TCC e 15.2.
Aos membros da banca.
Ao laboratório de Bioprocessos.
Ao laboratório de Ciência e Tecnologia de Alimentos
Ao Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos.
A Universidade Federal de Santa Catarina e ao Departamento.
RESUMO
O estado de Santa Catarina é maior produtor nacional de moluscos bivalves, sendo destaque os
mexilhões, ostras e vieiras na economia do estado. Moluscos bivalves são organismos
filtradores que captam seu alimento da água e pode vir acumular bactérias, toxinas e vírus
presentes na água. As ostras da espécie Crassostrea gigas são as mais produzidas no estado e
podem conter uma microbiota muito variada de bactérias deteriorantes e patogênicas. Durante
o beneficiamento de ostras in natura é exigido pelo Plano Nacional de Controle Higiênico
Sanitário de Moluscos Bivalves (PNCMB) a lavagem com água hiperclorada (concentração de
5ppm residual), mas não fica claro se o efeito do cloro é eficaz para redução de possíveis micro-
organismos patogênicos. Desta forma, o objetivo deste estudo foi avaliar o efeito do cloro nas
ostras C. gigas durante o tempo de armazenamento, à 5,0±0,7°C, através de ensaios
microbiológicos, análises físico-químicas incluindo umidade e pH, e mortalidade das ostras. As
ostras foram coletadas pelo Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap),
instituição parceira neste projeto, na baía sul de Santa Catarina na fazenda marinha Atlântico
Sul, durante o mês de Setembro. As ostras foram divididas em dois grupos de amostras, o grupo
que passou pelo processo com água hiperclorada e o grupo controle, e as análises foram realizas
em intervalos de tempos selecionados (0, 1, 2, 4, 6 e 8 dias), em cada tempo, 6 ostras de cada
grupo era destinado aos ensaios microbiológico e 3 ostras de cada grupo pra os ensaios físicos,
um total de 9 ostras em cada tempo e a mortalidade eram observados nas 9 ostras selecionadas
em cada grupo. Os resultados obtidos foram, ausência de Salmonella spp nos dois grupos de
amostras, realizado no primeiro e último dia, e contagens de E. coli abaixo do limite de
quantificação ante os dias de armazenamento. As contagens de bactéria aeróbias e halofílicas
durante os 8 dias de armazenamento, estavam de acordo com alguns estudos, indicando estar
em boas condições de qualidade. Observou-se crescimento de Vibrio spp. no 4° dia de
armazenamento, e a espécie isolada foi o V. alginolyticus nas amostras do grupo tratadas com
água hiperclorada. Durante o tempo de armazenamento as amostras do grupo com água
hiperclorada e amostras do grupo controle apresentou baixa perda de água e o pH não foi
evidenciado a baixo de 6, indicativo de boa qualidade. A taxa de mortalidade das amostras com
água clorada foi 13% superior ao grupo controle com 11%, um achado nesse estudo, foi que o
cloro pode ter apresentado alguma toxicidade sobre as ostras, entretanto é necessário mais
pesquisas, com uma amostragem maior para poder avaliar este efeito. Neste estudo concluiu-
seque não foi observada diferença estatísitica entre os dois grupos, quanto a utilização do cloro
(p>0,05) para os parâmetros microbiológicos e físico-químicos avaliados. Exceção foi
observada para as contagens de bactérias psicrotróficas aeróbias para as quais foram obtidas
contagens menores (p<0,05) nas amostras do grupo com água hiperclorada em relação às
amostras do grupo controle, o que nos permite concluir que o tratamento com água hiperclorada
influenciou nestas contagens durante os oito dias de armazenamento.
The state of Santa Catarina is the major producer of bivalve mollusks, with special attention for
the the mussel, oyster, and scallops in the economy of the state. Bivalve mollusks are filtering
organisms that can capture their food from water and can accumulate bacteria, toxins, and
viruses present in water. The oysters of the Crassostrea gigas species are the most produced in
the state and could have a very varied microbiota of spoilage and pathogenic bacteria. During
the processing of fresh oysters, the National Hygienic Sanitary Control Plan (PNCMB) requires
the washing with hyperchlorinated water (residual 5ppm concentration), but it is not clear
whether the effect of chlorine is effective in reducing possible pathogenic microorganisms.
Thus, this study aimed to evaluate the effect of chlorine on C. gigas oysters during storage
period at 5.5 ± 0.7 ° C through microbiological assays, physicochemical analysis including
moisture and pH, and oyster mortality. The oysters were collected by the Center for Aquaculture
and Fishing Development (Cedap) from the southern bay of Santa Catarina Island in the South
Atlantic Harvest Area in the mounth of September. It was divided into two sample groups, the
hyperchlorinated water process group, and the control group, and the analyses were performed
at selected time intervals (0, 1, 2, 4, 6 and 8 days), et each time, 6 oysters from each group were
used for microbiological assays and 3 oysters from each group for physical assays, a total of 9
oysters at each time and mortality was observed in the 9 oysters selected in each group. The
results obtained were absence of Salmonella spp in both sample groups, performed on the first
and last day, and low [Link] counts during the storage days. Aerobic and halophilic bacterial
counts during the 8 days of storage agreed with some studies and good [Link] of Vibrio
spp. on the 4th day of storage, and the species isolated was V. alginolyticus in the group samples
with hyperchlorinated water. During storage time, the samples of the group with
hyperclorinated water and samples of the control group showed low water loss and pH was not
evidenced below 6, indicative of good quality. The mortality rate of the chlorinated water
samples was 13% higher than the 11% control group, a finding in this study was that chlorine
may have shown some toxicity on oysters, however more research is needed, with a larger
sampling for oysters. In this study it was concluded that no statistical difference was observed
between the two groups regarding the use of chlorine (p>0,05) for the microbiological and
physicochemical parameters evaluated. Exception was observed for the counts of aerobic
psychrotrophic bacteria for which lower counts were obtained (p<0,05) in the samples of the
group with hyperchlorinated water compared to the samples of the control group which, allows
us to conclude that the treatment with hyperchlorineted water influenced these counts during
the eight days of storage.
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 15
2 OBJETIVOS ............................................................................................................. 16
2.1 OBJETIVO GERAL................................................................................................... 16
4.3.2 pH ............................................................................................................................... 30
6 CONCLUSÃO .......................................................................................................... 43
7 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 44
15
1 INTRODUÇÃO
2 OBJETIVOS
O objetivo deste trabalho foi avaliar a influência do tratamento com água hiperclorada
na qualidade microbiológica, físico-química e mortalidade de ostras Crassostrea gigas durante
o período de armazenamento.
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.1 AQUICULTURA
significativo, embora a União Europeia seja o maior mercado único de moluscos bivalves
(FAO, 2018).
As ostras representam 97% da aquicultura mundial (EUROPEAN COMMISION,
2013), Ostras dos gêneros Ostione nep, Crassostrea sp., foi a espécie de maior produção
mundial de molusco e especificamente a C. gigas se encontrou em sexto colocado (FAO, 2018).
No Brasil, o estado de Santa Catarina, que apresenta um pouco mais de 1% da área total
do país, é responsável por 93% da produção de moluscos bivalves. As excelentes condições
geográficas desta área, como a presença de um grande número de baias, favorecem o cultivo
destes organismos marinhos. Os moluscos bivalves cultivados em Santa Catarina
compreendem, principalmente mexilhões (Perna perna), seguido por ostras (Crassostrea gigas
e C. rhizophorae) e vieiras (Lyropecten nodosus) (EPAGRI, 2012; SANTOS; GIUSTINA,
2018; FAO, 2019).
A produção de moluscos bivalves (mexilhões, ostras e vieiras) comercializada em 2017
por Santa Catarina foi de 13.580 toneladas, representando uma redução de 11,7% em relação a
2016 (figura 1). Atuou diretamente na produção um contingente de 565 maricultores, redução
de 8,6% em relação a 2016 (604 maricultores), distribuídos em 11 munícipios do litoral,
compreendidos entre Palhoça e São Francisco do Sul (SANTOS; GIUSTINA, 2018).
Os municípios que mais contribuíram para produção total de moluscos bivalves foi
Palhoça (8.093 toneladas), seguido por Florianópolis (2.800 toneladas), Bombinhas (936
toneladas), São José (432 toneladas) e Penha (597 toneladas) (SANTOS; GIUSTINA, 2018).
Os moluscos bivalves são organismo filtradores que captam seu alimento, na água e
neste processo também pode vir a acumular microrganismos, como vírus e bactérias, toxinas e
outras substâncias que podem estar presentes no ambiente marinho. Deste modo, podem
acumular uma carga microbiana significativa e representar um risco para saúde dos
consumidores, especialmente se forem consumidos crus ou mal cozidos (RUBINI et al., 2018;
SUPLICY, 2018).
A qualidade da água é um fator importante e determinante para a qualidade
microbiológica dos moluscos bivalves nela cultivados. Tratamento de esgoto ineficiente,
escoamento de água superficiais de terras agrícolas e urbanas, atividades de navegação e
animais domésticos são algumas das potenciais fontes poluidoras que podem introduzir perigos
biológicos nas águas utilizadas para a maricultura (GARBOSSA et al., 2017; SUPLICY, 2018).
Em relação as bactérias que podem contaminar os moluscos bivalves e que representam
um grande impacto a saúde pública, pode-se citar Vibrio cholerae, Vibrio parahaemolyticus,
Vibrio vulnificus, Clostridium botulium, que são bactérias encontradas naturalmente no
ambiente marinho; bactérias provenientes do intestino de animais de sangue quente, indicativo
de contaminação de origem fecal, dentre elas Campylobacter jejuni, Escherichia coli,
Salmonella spp, Shigella spp e Yersinia enterocolitica. Já espécies como Bacillus cereus,
Staphylococcus aureus, Cloristridium perfrigens e Listeria monocytogenes podem contaminar
os moluscos bivalves através de práticas inadequadas e falta de boas práticas no processamento.
Em relação aos vírus, os de maior incidência em pescados são os norovirus e Hepatite A (HUSS;
GRAM, 2004; FDA, 2019).
Em um estudo conduzido por Fusco et al. (2013) no sul da Itália, foi apontada a presença
de Escherichia coli e norovirus nas amostras de moluscos bivalves Mytilus galloprovincialis e
Solen marginatus. Estudo realizado em amostras de mexilhões coletadas ao longo da costa
atlântica marroquina foi constatada a presença de Escherichia coli, Salmonella spp., Vibrio
20
3.1.2 Legislação
acordo com esta normativa, moluscos bivalves devem atender os limites de 230 NMP de E. coli
por 100 gramas e ausência de Samonella spp (UE, 2005).
No Brasil, a qualidade microbiológica das águas destinadas ao cultivo de moluscos
bivalves para a alimentação humana segue os parâmetros estabelecidos pela Resolução n°357,
março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), através da contagem
de coliformes termotolerantes na água.
A amostragem necessária deve apresentar no mínimo 15 amostras coletadas no mesmo
local e não deve exceder a média geométrica de 43 NMP/100mL de coliformes termotolerantes,
e o pencentil 90% não deverá ultrapassar 88 NMP/100mL. Esses índices deverão ser mantidos
em monitoramento anual, com um mínimo de 5 amostras. (BRASIL, 2005).
O Programa Nacional de Controle Higiênico-Sanitário de Moluscos Bivalves
(PNCMB), implantado através da Instrução Normativa Interministerial n°7, de 8 de maio de
maio de 2012, estabelece critérios para o controle sanitário na produção e comercialização de
ostras, mexilhões, vieiras e berbigões. O controle microbiológico estabelecido é a contagem do
NMP de [Link] por 100 gramas da parte comestível dos moluscos bivalves. (BRASIL, 2012).
A portaria n° 175 de maio de 2013 definiu o plano de amostragem para o
monitoramento e a definição dos critérios para retirada dos moluscos bivalves das áreas de
extração ou cultivo, conforme consta no quadro 1.
A ostra da espécie Crassostrea gigas (C. gigas), conhecida como ostra do Pacífico ou
Japonesa, pertence ao filo Mollusca, classe bivalve (RUPP, 1995; GOSLING, 2001). De forma
geral, a estrutura da ostra é composta por um corpo macio protegido por duas seções de conchas
calcarias, unida por um ligamento do tipo dobradiça em uma das extremidades (WHEATON,
2007). A carne propriamente dita é presa em cada extremidade do músculo adutor unindo as
duas valvas, controlando a abertura e fechamento das mesmas (GOSLING, 2001; WHEATON,
2007).
As valvas são compostas principalmente por carbonato de cálcio, e apresentam estrutura
bastante variável. De maneira geral, a valva inferior ou esquerda é maior e mais côncava, sendo
a qual, a ostra encontra fixada ao substrato, enquanto a valva superior ou valva direita é
geralmente mais plana (RUPP, 1995).
A C. gigas é nativa na região oeste do pacífico, encontrada naturalmente no Japão,
Coréia e China, entretanto cultivada em diversas regiões da Europa, América do Norte e
América do Sul, apresentando boa distribuição global (IMAI, 1982 apud MANZONI, 2006;
GOSLING, 2001; SCHMITT, 2006).
No Brasil, o cultivo de [Link] foi introduzido no ano de 1974, quando as primeiras
importações de semente de ostras foram realizadas, pelo Instituto de Pesquisa da Marinha em
Cabo Frio/RJ (POLI, 1995). O estado de Santa Catarina deu início a pesquisa e
desenvolvimento tecnológico de C. gigas, na década de 80 pelo departamento de aquicultura
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e o ano de 1990 representa o início da
maricultura em escala comercial, tanto da produção de Ostra C. gigas, quanto a de mexilhão e
vieiras (ANDRADE, 2016). Atualmente Santa Catarina é o maior produtor nacional de C. gigas
e representa um forte impacto econômico para o estado (ANDRADE, 2016; SANTOS;
GIUSTINA, 2018).
O cultivo de C. gigas consegue se desenvolver em diversos ambientes costeiros. Os
fatores limitantes de sua exploração estão basicamente na tecnologia de cultivo e poluição do
ambiente marinho. De forma geral, são dois sistemas de cultivo, o de fundo, que exige sistema
de fundo firme, sem lodo, abrigado de correntes, ondas e baixa ocorrência de predadores, Já o
23
sistema de cultivo suspenso, permite cultivar grande volume de ostra, sendo a base da
ostreicultura de C. gigas, ocupando pouca área e permite utilizar a profundidade do local,
adaptando conforme as condições de profundidade, corrente, ondas e ventos fortes (SILVA,
1995).
A poluição é um fator relevante, pois são organismos que se alimentam através da
filtração de algas microscópicas e material em suspensão existente na água, entretanto, em caso
de descarga continua de esgoto, pode carregar substâncias tóxicas e microrganismos
patogênicos em área de cultivo, que poderão ser filtrados e concentrados, aumentando o risco
de doenças relacionadas ao consumo de ostras e outros moluscos bivalves (SILVA, 1995;
SOUZA; PETCOV, 2013).
O beneficiamento de ostras vivas, inicia com a lavagem sob água corrente potável ou
água do mar limpa, sob pressão para retirada de sujidades e organismos aderidos na concha
(BRASIL, 2012). De acordo com o PNCMB, deve estar prevista a utilização de equipamento
adequado para hipercloração (5ppm de cloro residual livre) de água, durante a lavagem da
matéria prima, mas não fica claro se o efeito do cloro é eficaz para redução de possíveis
microrganismos patogênicos.
Após a lavagem, ostras provenientes de área liberada sob condição devem ser
submetidas ao tratamento de depuração, que visa reduzir a contaminação microbiana aos níveis
aceitáveis para o consumo humano, realizado em ambiente natural ou em centro de depuração
(BRASIL, 2012; SOUZA; PETCOV, 2013). O processo de depuração em ambiente natural,
consiste em levar as ostras em áreas onde a qualidade da água esteja adequada para produção,
ou realizada em centros de depuração, transferindo para tanques com água do mar circulante,
esterilizada com ultravioleta, cloro ou ozônio (GALVÃO; OETTERER, 2014; GYAWALI et
al, 2019).
A depuração é praticada na Europa, Austrália e Ásia e em menor ocorrência nos Estado
Unidos e demonstra ser bem sucedia na redução de bactérias indicadoras de contaminação fecal
(GYAWALI et al, 2019). No Brasil, estudo realizado por Corrêa et al. (2007) no estado de
Santa Catarina, avaliou um sistema comercial de depuração de irradiação UV combinado com
24
cloro sob a temperatura de 19°C, através da contaminação artificial com Salmonella enterica
sorovar Typhimurium (variou entre 15.000 a 20.000 UFC/g) em [Link], e resultou na
eliminação total das bactérias em 12 horas de processo. De acordo com Souza et al (2014),
concluíram que a depuração é uma alternativa eficiente para redução de patógenos, porém em
Santa Catarina é necessário realizar mais estudos para confirmar a eficiência desse processo.
Por fim, devem ser dispostas em embalagem de forma a evitar a perda de líquido
intravalvar e ser expedido o mais rápido possível para o consumidor (BRASIL, 2012). Não
contém requerimento quanto aos métodos de transporte, permitindo o uso de sistema de
refrigeração ou em gelo (GALVÃO; OETTERER, 2014).
Ostras comercializadas na forma in natura são perecíveis e, de forma geral, tem uma
vida de prateleira muito curta (PORTELA, 2005). A vida de prateleira depende de alguns
fatores como a qualidade da água, higiene durante a manipulação, condições de armazenamento
e principalmente com a carga microbiana inicial (GONÇALVES, 2011; FORSYTHE, 2013).
A microbiota de ostras é basicamente dominada por psicrotróficos e geralmente as
bactérias isoladas são Pseudomonas spp., Aleomonas spp., Shewanella putrefaciens,
Acinetobacter spp., e Moraxella spp., já a microbiota mesófila é formada basicamente por
bactérias dos gêneros Microccus e Acinetobacter, bactérias deteriorantes responsáveis por
causar odor e sabor desagradável, além disso, microbiota de ostrasespécies dos gêneros
Staphylococcus e Bacillus, bactérias ácido láticas e bactérias das famílias Vibrionaceae e
Enterobacteriacea também posem ser isoladas de ostras (GRAM; HUSS, 1996; CAO; XUE;
LIU, 2009;). As bactérias frequentemente isoladas em ostras da da família Vibrionaceae
incluem V. cholerae, V. parahaemolyticus, V. vulnificus e Alteromonas hydrophila (COOK;
RUPLE, 1989) e em relação a família Enterobacteriacea mesofilica as de maior ocorrência em
pescados são E. coli, Salmonella spp., Shigella spp. e Yersinia enterolitica (FDA, 2019).
A temperatura é um fator importante para o controle bacteriológico, os psicrotróficos
são capazes de deteriorar o alimento em temperatura de refrigeração (abaixo de 7°C) e os
mesofilos se multiplicam em temperaturas elevadas (acima de 20°C). Deste modo, o sistema de
refrigeração é o método de controle mais adequado para pescado, de modo a retardar a
multiplicação microbiana e ação de alguns micro-organismos deteriorantes, e o armazenamento
refrigerado tende a prolongar a vida de prateleira, pela diminuição da taxa de deterioração e a
25
4 MATERIAL E MÉTODOS
Ostras da espécie Crassostrea gigas recém colhidas na Fazenda Marinha Atlântico Sul,
Florianópolis SC, foram entregues no laboratório de Tecnologia de Pescados, do Departamento
de Ciência e Tecnologia de Alimentos – UFSC. As ostras foram coletadas pelo Centro de
27
Em cada um dos intervalos de tempo determinados, duas amostras de ostras, sendo uma
de cada tratamento foram coletadas. As ostras foram lavadas sob água corrente com auxílio de
escova para remoção de sujidades externas previamente as análises. Assepticamente, as ostras
foram abertas com auxílio de faca estéril e a carne juntamente com o líquido intravalvar foram
transferidos para saco estéril e homogeneizados para formar um pool. A partir deste pool, foram
pesados 25g para realização das diluições e condução das análises.
28
Para esta análise foram utilizado o método do American Public Health Association
(APHA, 2011). Diluições decimais seriadas foram inoculadas, através de semeadura em
superfície, em ágar padrão para contagem (PCA). As placas foram incubadas a 7±1°C durante
10 dias. Os resultados foram expressos em UFC/g.
Pesou-se 25g de amostras e diluiu-se (1:10) com 225g de solução salina tamponada com
fosfato (PBS) e realizou-se diluições decimais seriadas. Pelo método de semeadura em
superfície, inoculou-se em placas contendo ágar tripticase de soja (TSA) suplementada com
2,5% NaCl. As placas foram incubadas a 35±1°C por 48h e os resultados foram expressos em
UFC/g (MUDOH et al., 2014).
Vibrio vulnificus, como de Vibrio parahaemolyticus, foram repicadas para ágar triptona sal com
3% de NaCl (T1N3). As colônias foram submetidas ao teste da oxidase, utilizando tiras de
oxidase, coloração de Gram para estudo da morfologia bacteriana. Para confirmação das
espécies de Vibrio, os testes bioquímicos que seguem foram realizados: teste de crescimento
em diferentes concentrações de NaCl (0%, 3%, 6%,8%,10%), Lactose, Arabinose, Lisina e
disco de Ortonitrofenil-B-D-galactopiranosido (ONPG). O resultado foi expresso em
NMP/100g.
4.3.1 Umidade
4.3.2 pH
4.4 MORTALIDADE
Em cada tempo definido, a mortalidade foi avaliada tocando nas ostras que estavam com
as valvas abertas ou semiabertas. Foram determinadas como mortas as ostras que
permaneceram abertas após o toque, ou seja, nas quais não foi observado o encolhimento no
manto. O resultado foi expresso em porcentagem com relação ao número de unidades totais.
Para a análise estatística foi empregada análise de variância ANOVA com nível de
significância de 5% (p=0,05). One-way ANOVA foi utilizado para análise dos dados em cada
grupo considerando o fator tempo. Two-way ANOVA para comparação entre os dois grupos,
considerando os fatores tempo e cloro e assim poder determinar se houve diferença estatística
entre os dois tratamentos. As diferenças estatísticas eram consideradas quando o P<0,05. O
programa utilizado para avaliação estatística foi o Minitab Statistical Software.
5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
estando de acordo com a legislação vigente, RDC n°12 de 2001, regulamentada pela ANVISA
(BRASIL, 2001).
Em relação à enumeração de E. coli conforme consta na tabela 2, foi observado que
desde as amostras do primeiro dia, as contagens de E. coli estavam abaixo do limite de
quantificação do método menor que 1,8 NMP/100g, e mantiveram até o final dos dias de
armazenamento.
Tabela 2. Contagens de E. coli nas amostras de ostras do grupo controle (Co) e as amostras que
receberam o tratamento com água hiperclorada (AH) armazenadas durante oito dias a
temperatura de 5,5 ±0,7°C.
Tempo de armazenamento NMP/100g
(dias) Co AH
0 <1,8 <1,8
1 <1,8 <1,8
2 <1,8 <1,8
4 <1,8 <1,8
6 <1,8 <1,8
8 <1,8 <1,8
cultivo influenciam diretamente na presença de E. coli nas ostras. Os resultados deste estudo
corroboram com os resultados do presente trabalho.
Os resultados das contagens de mesófilos aeróbios totais são mostradas na figura 2.
As amostras do grupo Co e AH apresentaram contagens iniciais de 2,9 log UFC/g e 2,7 log
UFC/g, respectivamente. Observou-se, para o grupo Co, um aumento de 1 log UFC/g nas
contagens quando comparado o tempo zero com as ostras após dois dias de armazenamento.
Com relação ao tempo zero e o último dia de armazenamento (tempo 8), foi observado um
aumento de 0,6 Log UFC/g. Para as amostras do grupo AH, observou-se redução das contagens
entre o tempo zero e o dia 1 de armazenamento, e um aumento 1,86 log UFC/g ao final dos
oitos dias de armazenamento. .
Figura 2. Contagens de mesófilos aeróbios totais nas amostras de ostras do grupo controle (Co)
e as amostras que receberam o tratamento com água hiperclorada (AH), armazenadas durante
oito dias à temperatura de 5,5 ±0,7°C.
5,0
4,0
log UFC/g
3,0
2,0 Co
AH
1,0
0,0
0 2 4 6 8
Tempo de Armazenamento (dias)
7
34
4,0
3,0 Co
2,0 AH
1,0
0,0
0 2 4 6 8
Tempo de Armazenamento (dias)
Figura 4. Contagem de bactérias halofílicas nas amostras de ostras do grupo controle (Co) e as
amostras que receberam o tratamento com água hiperclorada (AH), armazenadas durante oito
dias a temperatura de 5,5 ±0,7°C.
4,00
3,50
3,00
log UFC/g
2,50
2,00
1,50 Co
1,00 AH
0,50
0,00
0 2 4 6 8
Tempo de Armazenamento (dias)
Tabela 3. Contagem de Vibrio spp. em Ostras ([Link]) nas amostras de ostras do grupo
controle (Co) e as amostras que receberam o tratamento com água hiperclorada (AH),
armazenadas durante oito dias a temperatura de 5,5 ±0,7°C.
Tempo de NMP/g
armazenamento
(dias) Co AH
0 <3,0 <3,0
1 <3,0 <3,0
2 <3,0 <3,0
4 <3,0 3,0
6 <3,0 <3,0
8 <3,0 <3,0
As contagens de Vibrio spp. em ostras está relacionado por alguns fatores, pela
temperatura da água do mar, principalmente nas estações de primavera e verão que a
temperatura da água fica em torno de 24,3°C (RAMOS, 2012). A coleta das ostras neste estudo
foi realizada na primavera durante o mês de setembro nas quais a temperatura da água do mar
estava sob uma temperatura de 17,5°C, abaixo da temperatura adequada para o crescimento de
Vibrio spp., e de acordo com Silva (2016) a contagem de Vibrio spp. em ambiente costeiro, é
raramente detectado em temperaturas abaixo de 15°C.
As contagens de Vibrio spp. em ostras também são influenciadas pela salinidade da água
do local de cultivo, a salinidade das aguas da baia sul da ilha de Santa Catarina variam em torno
de 30,1±4,6 ppm (RAMOS, 2012), sendo adequadas para espécies de Vibrios spp., entretanto,
nos Estados Unidos onde as contagens e a incidência de Vibrio spp. nas ostras são maiores, os
valores de salinidade são menores que os observados no Brasil. Ramos et al. (2014) relatou que
a incidência de Vibrio spp. em ostras é inversamente proporcional a salinidade da água.
Estudo realizado por Ramos et al. (2012), avaliou a contaminação de ostras [Link] nas
regiões da baía sul de Santa Catarina, e foi detectado diferentes espécies de Vibrio spp., sendo
que o [Link] foi a espécie mais isolada seguido de [Link], [Link] e
[Link]. Outro estudo realizado por Ramos et al. (2014), avaliou 60 amostras de ostras da
espécie C. gigas na mesma região, e o resultado foi de 48,3% de Vibrio spp., sendo que 6,7%
eram isolados da espécie [Link].
38
Tabela 4. Teor de umidade nas amostras de ostras do grupo controle e as amostras que
receberam o tratamento com água hiperclorada, armazenadas durante oito dias a temperatura
de 5,5 ±0,7°C.
Umidade(%) ± DP
39
Tempo de armazenamento
Co AH
(dias)
0 75,96 ± 1,91ª 76,20 ± 1,99ª
1 82,10 ± 2,43 87,03 ± 7,69ª
2 79,90 ± 4,45ª 78,19 ± 4,05ª
4 77,98 ± 2,34ª 77,59 ± 1,66ª
6 76,74 ± 4,31ª 79,79 ± 0,78ª
8 75,05 ± 1,69ª 75,51 ± 4,09ª
DP=desvio padrão. Os valores que apresentam a mesma letra não diferem estatisticamente a um nível de
significância de 5% pelo teste de ANOVA.
Para a determinação de umidade não foi observada diferença estatística (p> 0,05) entre
os dois grupos, desta forma conclui-se que o tratamento com cloro não interfere neste
parâmetro. De modo geral, as amostras apresentaram baixa perda de água, mantendo o
parâmetro químico majoritário com porcentagem próximo do resultado obtido nas amostras do
tempo zero.
Os valores de pH da carne nas amostras de ostras são mostrados na tabela 5. O valor
inicial do pH das amostras do grupo Co e AH foram de 6,37±0,18 e 6,54±0,03, respectivamente,
sendo que nos dois grupos o pH diminuiu entre os dias 0 e 3, semelhante aos resultados do
estudo de MUDOH et al. (2014) com ostras in natura armazenadas à temperatura de 5°C.
Tabela 5. Valores de pH da carne nas amostras de ostras do grupo controle (Co) e as que
receberam o tratamento com água hiperclorada (AH) armazenadas durante oito dias a
temperatura de 5,5 ±0,7°C.
Tempo de armazenamento (dias) pH±DP
40
Co AH
0 6,37 ± 0,18ª 6,54 ± 0,03ª
1 6,25 ± 0,04 6,23 ± 0,21ª
2 6,28 ± 0,09 6,18 ± 0,15
4 6,46 ± 0,12ª 6,38 ± 0,05ª
6 6,30 ± 0,19ª 6,46 ± 0,09ª
8 6,40 ± 0,08ª 6,34 ± 0,21ª
Note: DP=desvio padrão. Os valores que apresentam a mesma letra não diferem estatisticamente a um nível de
significância de 5% pelo teste de ANOVA.
Para as amostras do grupo Co, foi observado uma redução estatisticamente significativa
(p<0,05) nos dias 1 e 2 em relação ao tempo 0, e nos demais dias de armazenamento não foi
observado diferença estatística significativa na redução e aumento de pH (p>0,05). As amostras
do grupo AH apresentaram uma redução estatisticamente significativa no dia 2 em relação aos
dias 0, 4, 6, e 8 (p<0,05). A diminuição do pH pode estar relacionada ao alto nível de glicogênio
presente em ostras, iniciando o processo fermentativo por bactérias ácido láticas, tornando
assim o meio ácido, sendo que, a forma inicial de deterioração de ostras é parcialmente
fermentativa (CAO; XUE; LIU, 2009).
Ao comparar os valores de pH entre os dois grupos durante os 8 dias de armazenamento
a temperatura de 5,5 ± 0,7°C, não foi observada diferença significativa (p>0,05), desta forma,
conclui-se que o cloro não produziu efeito na variação de pH. Comparado as amostras do grupo
Co, o grupo AH apresentou menor valor de pH de 6,18 ± 0,15 no 2° dia de armazenamento á
5°C, sendo que esta redução pode estar relacionada com a ação de bactérias fermentativas.
Em estudo realizado por Pottinger (1948), concluiu que o pH é um bom índice de
qualidade para analisar o grau de frescor das ostras, indicando um odor desagradável em pH
entre 6,0 e 5,9. Neste estudo as ostras estavam em boas condições sensoriais, tanto nas amostras
do grupo Co e as amostras do grupo AH, uma vez que os valores de pH observado não foram
inferiores a 6,18 ± 0,15, indicando pouca perda de qualidade durante o tempo de
armazenamento.
Os níveis de mortalidade das amostras do grupo Co e AH, variaram de 11 a 44%, a
partir de uma amostragem de 9 ostras coletadas em cada grupo durante 8 dias de
armazenamento. Conforme mostra a tabela 6, de 9 ostras coletadas em cada grupo de amostra,
no último dia de armazenamento apresentou uma perda de 44%, isso reflete a 7% do total em
ambas as amostras. As amostras do grupo Co apresentou mortalidade total de 11%, inferior ao
41
grupo AH (13%), sendo que mais da metade foi constatado no último dia de armazenamento
nos dois grupos de amostra.
Tabela 6. Taxa de mortalidade diária e porcentagem total, das amostras de ostras do grupo
controle (Co) e as amostras que receberam o tratamento com água hiperclorada (AH),
armazenadas durante oito dias a temperatura de 5,5 ±0,7°C.
Tempo de Co AH
armazenamento (dias) n°ostras % n°ostra %
0 1 11% 1 11%
1 - - - -
2 1 11% - -
4 - - - -
6 - - 2 22%
8 4 44% 4 44%
Total 11% - 13% -
Note: n° ostras: número de ostras mortas diariamente, através da amostragem de 9 ostras de cada grupo, coletado
nos tempos selecionados.
Estudo realizado por Su, Yang e Hase (2010), avaliou a mortalidade durante o tempo de
armazenamento de ostras não depuradas e ostras após tratamento em sistema de depuração
refrigerado, e apresentou resultados semelhantes durante 7 dias de armazenamento, e de acordo
com os seus resultados obtidos, o estudo concluiu que a refrigeração não tem efeito sobre a
mortalidade, e que esta pode estar relacionada com a falta de nutrientes. Observa-se que os
resultados apresentados no grupo AH, podem estar relacionados ao efeito do cloro,
apresentando alguma toxicidade sobre as ostras, entretanto mais estudos devem ser conduzidos
para poder afirmar esta suposição.
A temperatura é um fator importante na conservação de ostras in natura, mantendo
durante os durante os dias de armazenamento em uma temperatura média de 5,5±0,7°C com
umidade relativa de 83,48±4,96%. Durante o tempo de armazenamento os ensaios físico-
químicos e microbiológicos revelaram boas condições de qualidade, considerando paramentos
descritos na literatura.
Entretanto, estudos complementares necessitam ser feitos, especialmente com ostras que
tenham contaminação inicial com E. coli para poder avaliar a evolução deste parâmetro durante
o período de armazenamento. Ainda, este estudo configura-se como um estudo piloto e o
42
6 CONCLUSÃO
As amostras de ostras coletada na baía sul de Santa Catarina estavam em boas condições
de qualidade microbiológica, apresentaram uma microbiota inicial com baixa contagem de
mesófilos aeróbios totais, psicrotróficos aeróbios, bactérias halofílicas, [Link], Vibrio spp. e
ausência de Salmonella spp. Também foi observado que as amostras de ostras do grupo com
água hiperclorada e as amostras do grupo controle, apresentaram boa qualidade microbiológica
e físico-química durante os 8 dias de armazenamento a temperatura de 5,5 ± 0,7°C. No entanto
observou-se um isolado de Vibrio spp. da espécie de [Link], nas amostras de ostras
com água hiperclorada, após 4 dias de armazenamento, mas esta de acordo com o limite
recomendado pelo guia de controle de moluscos bivalves dos Estados Unidos.
De modo geral, a taxa de mortalidade foi baixa, no entanto as amostras do grupo com
água hiperclorada apresentaram taxa de mortalidade superior às amostras do grupo controle,
mas de todo modo os resultados apresentados não foi possível concluir se o cloro apresentou
44
algum efeito tóxico sobre as ostras, seriam necessários mais estudos para analisar essa
suposição.
Com base nos parâmetros avaliados neste estudo, conclui-se que as amostras do grupo
tratadas com água hiperclorada não apresentaram diferença estatística (p>0,05) em relação ao
grupo controle, com exceção para as contagens de bactérias psicrotróficas aeróbias durante os
8 dias de armazenamento, em que as amostras do grupo AH apresentaram resultados
estatisticamente menores em relação ao grupo Co (p<0,05). Sugere-se repetições deste estudo,
incluindo amostras em triplicata para permitir obter resultados mais precisos sobre a influência
do cloro nas ostras durante o período de armazenamento. Adicionalmente, é importante a
condução de estudos complementares sobre o efeito de tempo e temperatura na multiplicação
de E. coli durante o período de armazenamento, uma vez que é este o parâmetro microbiológico
regulado na legislação Brasileira.
Destaca-se a importância deste problema, pelos aspectos já citados, e pela parceria entre
UFSC e CEDAP/EPAGRI.
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