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Modulo 4

O documento discute a visão tradicional do 'erro' humano, destacando a necessidade de uma análise mais profunda que considere fatores contextuais e subjetivos. Enfatiza a importância de entender o trabalho como um processo dinâmico que envolve adaptações e decisões em tempo real, e propõe uma abordagem preventiva para a gestão da segurança no trabalho. Além disso, sugere que a análise de acidentes deve ser sistêmica, levando em conta tanto as condições de trabalho quanto a subjetividade dos trabalhadores.

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ricardo
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Modulo 4

O documento discute a visão tradicional do 'erro' humano, destacando a necessidade de uma análise mais profunda que considere fatores contextuais e subjetivos. Enfatiza a importância de entender o trabalho como um processo dinâmico que envolve adaptações e decisões em tempo real, e propõe uma abordagem preventiva para a gestão da segurança no trabalho. Além disso, sugere que a análise de acidentes deve ser sistêmica, levando em conta tanto as condições de trabalho quanto a subjetividade dos trabalhadores.

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RESUMO – MÓDULO 4

Visão tradicional do “erro” humano:

 Culpa (conceito jurídico)


 Desvio em relação às normas (referência única, não considera o contexto a
expertise do trabalhador)
 Julgamento a posteriori ou ilusão retrospectiva
 Tratado como variável que explica um evento
Consequência: perda da oportunidade do aprendizado com base no “erro” pelos sistemas
de gestão e de produção. (Lima, 2011)
Na concepção tradicional, ao se comparar o processamento dos recursos (entradas) pelo
trabalhador gerando desvios de conduta, falhas, incidentes, acidentes, entre outros
(saídas) temos como consequência o “erro” humano.
Mas, na verdade o que ocorreu foi um “erro” humano ou uma falha?
Não há relação entre os processos cognitivos elaborados por quem analisa o “erro”, a
partir de uma visão retrospectiva, e pelo trabalhador no “calor da ação, no embate com
o real” - devido aos seguintes fatores:

 Qualidade da informação disponível


 Interface homem/máquina
 Representação da situação
 Expertise
 Recursos disponíveis ou indisponíveis
 Complexidade do caso
 Sinais (ambíguo, fraco, rotineiro)
 Organização e gestão do trabalho (impedindo ou levando o trabalhador a agir de
determinada forma)
O que é trabalhar?

 Fazer frente às panes, incidentes, incoerências organizacionais, imprevistos


(matéria-prima, prazos, colegas, chefias, outros) – que distanciam o prescrito do
real.
 Parte das ações para trabalhar não pode ser antecipada, o caminho precisa ser
inventado ou descoberto no meio da ação, o que pode resultar em falha.
Ou seja, trabalhar é o que o trabalhador precisa acrescentar ao que foi prescrito para
enfrentar as variabilidades de modo a alcançar os objetivos esperados pela gestão,
colegas e por ele próprio.
O que contribui para a falha humana?

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RESUMO – MÓDULO 4
O foco deve ser sobre o processo cognitivo confrontando com a situação vivenciada, o
“erro” deve ser analisado de forma clínica e não como explicação para o fato, assim é
necessário saber:

 O que e como foi pensado e executado antes e no curso da ação.


 O que foi pensado e impedido de ser executado de forma distinta do planejado.

Processos subjetivos a ser explorados:

 Atenção, memória
 Percepção e avaliação de risco (antes e durante a ação)
 Experiência, expertise, competência
 Antecipações, deliberações e escolhas (antes e durante a ação)
 Ideologias defensivas, valores culturais, afetos
Na análise da falha é preciso considerar o modelo de gestão, a organização do trabalho, as
condições de trabalho.
O que interessa é a subjetividade em ação associada às condições de trabalho, permitindo
a criação de formas inovadoras de prevenção, identificação dos pontos fortes e fracos dos
trabalhadores e as falhas e vulnerabilidades da empresa no campo da gestão da produção
e da segurança e saúde do trabalhador que precisam ser sanadas.
Oportunidades para tornar a gestão da segurança mais preventiva do que corretiva:

 Análise do trabalho real: ao analisar com o trabalhador o processo de pilotagem


dos sistemas temos a indicação de onde e como auxiliá-lo, antecipando acidentes e
incidentes.
Segurança do processo = Segurança Normatizada (barreiras, regras, procedimentos) +
Segurança em Ação (competência para diagnósticos e correção de desvios como
experiência, conhecimento, outros)
Durante a execução do trabalho é preciso identificar com os trabalhadores as origens dos
problemas e dos recursos necessários para aprimorar a pilotagem do sistema (melhorar
competências, procedimentos normativos aderentes à realidade, outros).
O inventário de risco previsto na NR 01 precisa contemplar os riscos da tarefa e os riscos
que surgem na pilotagem do sistema.
A análise precisa se voltar ao cotidiano, os alertas devem ser discutidos coletivamente
(canais de informação), substituir as barreiras e fazer uso da Ecologia de Saberes
(Boaventura [Link]).
Análise dos acidentes e incidentes de alto risco:

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RESUMO – MÓDULO 4
 Devem ser analisados os fatores distais e proximais e as consequências imediatas e
tardias (modelo gravata-borboleta de análise de acidente – Hale [Link], 2007)
Princípios metodológicos:

 Não se satisfazer com os primeiros achados, nos comportamentos e nas falhas dos
trabalhadores.
 Fazer a análise sistêmica e cognitiva do “erro” cometido pelo operador, mesmo no
caso de trabalhador experiente.
 Conduzir a investigação de um acidente/incidente sob dois aspectos fundamentais:
as condições concretas de trabalho e a subjetividade do trabalhador.
Promoção da gestão da segurança na prevenção de acidentes do trabalho: antecipar os
acidentes com uso da metodologia da AET, a análise da falha humana, do trabalho real e
do acidente.
Ações para a prevenção de acidentes graves, fatais e tecnológicos ampliados:

 Foco na prevenção dos riscos de maior potencial


 Repensar o sistema de defesa em profundidade
 Cultivar uma consciência compartilhada dos riscos mais importantes
 Ter êxito na prevenção dos acidentes mais graves
Na análise de acidentes ampliados a análise da atividade deve ser considerada na:

 Análise histórica (tecnologia, gestão, fatores humanos e organizacionais que


contribuíram para o evento)
 Análise horizontal (interface dos serviços e dos setores)
 Análise vertical (estrutura organizacional, interações
Equívocos e limites da análise de acidentes:

 Tratar fato sistêmico como fato isolado, uma decisão isolada de uma pessoa
 Ausência de crítica radical da relação e interação entre estrutura (sistema
econômico) e indivíduo
O que está por trás dos acidentes de trabalho, graves, fatais e tecnológicos ampliados?
Decorrem de modelos e práticas generalizadas, não específicas de uma empresa ou atos
e decisões isoladas de uma ou mais pessoas:

 Esgotamento: do modelo econômico, da exploração do trabalho e recursos


naturais, da política, da imprensa hegemônica e sua forma de vender o mercado
para (con)formar a “opinião pública”.
 Esgotamento: do modelo de gestão do trabalho, do modelo de gestão de
segurança e saúde, do modelo de sociedade, de cada por si, dos processos de
judicialização e criminalização.
 Colapso do modelo de sociedade de consumo e de exploração.

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RESUMO – MÓDULO 4
Leitura Recomendada / Referências
ALMEIDA, Ildeberto Muniz; VILELA, Rodolfo A. G. Modelo de análise e prevenção de
acidentes de trabalho - MAPA. Piracicaba: Cerest, 2010. 52p. Disponível em:
[Link]
AMALBERTI, R. Gestão da segurança. Botucatu: FMB-UNESP, 2016.
AMALBERTI, René et al. Gestão de segurança em sistemas complexos e perigosos - teorias
e práticas: uma entrevista com René Amalberti. Rev. bras. saúde ocup., São Paulo, v. 43, e
9, 2018. Disponível em: [Link]
76572018000100701&lng=pt&nrm=iso
Acessos em 09 jan. 2019. Epub 30-Ago-2018. [Link]
6369000021118
BOISSIÈRES, I. O essencial da prevenção de acidentes graves, fatais e tecnológicos
ampliados. Cadernos da Segurança Industrial, ICSI, Toulouse, França, n. Disponível em:
[Link]
04/Icsi_essentiel_PO_prevencao_acidentes_graves_fatais_tecnologicos_ampliados_2019_
[Link]
BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Secretaria de Inspeção do Trabalho.
Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho. Guia de análise de acidentes de
trabalho. Brasília, 2010. 76 p. Disponível em: [Link]
[Link]/arq/[Link]
CARDOSO, Vitor Alexandre de Freitas; CUKIERMAN, Henrique Luiz. A abordagem
sociotécnica na investigação e na prevenção de acidentes aéreos: o caso do vôo RG-254.
Rev. bras. saúde ocup. [online]. 2007, v.32, n.115, p. 79-98. ISSN 0303-7657. Disponível
em: [Link]
DANIELLOU, F.; SIMARD, M.; BOISSIÈRES, I. Fatores humanos e organizacionais da
segurança industrial: um estado da arte. Tradução de R. Rocha, F. Duarte e F. Lima, do
original “Facteurs humains et organisationnels de la sécurité industrielle : un état de l’art.
Cadernos da Segurança Industrial, ICSI, Toulouse, França, n. 2013-07, 2010. Disponível em:
[Link]
[Link]
DEJOURS, C. A avaliação do trabalho submetida a prova do real – críticas aos fundamentos
da avaliação. In: SZNELWAR, L. I.; MASCIA, F. (Orgs.). Trabalho, tecnologia e organização.
São Paulo: Blucher, 2008.
DINIZ, E.P.H.; LIMA, F.P.A.; ROCHA, R.; CAMPOS, M.A. Do erro à experiência: passando
pelos compromissos cognitivos: oportunidades para desenvolver a segurança e a
eficiência do trabalho. 2018. Disponível em:
[Link]

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RESUMO – MÓDULO 4

DINIZ, E. P. H; LIMA, F. de P. A; CAMPOS, M. A; ROCHA, R. O acidente da Barragem de


Rejeitos de Fundão: um acidente organizacional? In: PINHEIRO, T. M. M.; POLIGNANO, M.
V.; GOULART, E. M. A. (Org.). Mar de Lama da Samarco na Bacia do Rio Doce: Em Busca de
Respostas. Projeto Manuelzão – UFMG 2019. Disponível em:
[Link]
do-rio-doce-em-busca-de-respostas-download-gratuito/
LIMA, F. P. A. Natureza dos acidentes e metodologia de análise: princípios e conceitos. In:
LIMA, F. P. A; RABELLO, L.; CASTRO, M. (Org.). Conectando saberes: dispositivos sociais de
prevenção de acidentes e doenças no trabalho. Belo Horizonte: Fabrefactum, 2015.
Prefácio. p. 12-22. (Série Confiabilidade Humana).
LLORY, M.; MONTMAYEUL, R. O acidente e a organização. Belo Horizonte: Fabrefactum,
2014. 192 p. Disponível em: [Link]
paginas/o_acidente_e_a_organizacaomiolo_e_capa2.pdf
ROCHA, Raoni; LIMA, Francisco. Erros humanos em situações de urgência: análise
cognitiva do comportamento dos pilotos na catástrofe do voo Air France 447. Gest. Prod.,
São Carlos , v. 25, n. 3, p. 568-582, Sept. 2018 . Disponível em:
[Link]

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