0% acharam este documento útil (0 voto)
1 visualizações2 páginas

Dúvida Cartesiana

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
1 visualizações2 páginas

Dúvida Cartesiana

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

1º exercicio da parte 2 do teste (existência de deus) Dúvida cartesiana

Texto A- René Descartes A dúvida cartesiana constitui o elemento central do método de René Descartes
Texto B-David Hume para a fundamentação do conhecimento, apresentando um conjunto de
O Texto A contém uma premissa fundamental do Argumento pela Causalidade características específicas que a distinguem do ceticismo pirrónico. Em primeiro
da Ideia de Deus, utilizado por Descartes para provar a existência de uma lugar, trata-se de uma dúvida metódica, uma vez que não é um fim em si
entidade divina. A premissa presente no texto é a de que a ideia de um ser mesma, mas sim um instrumento ou ferramenta intelectual utilizada
infinito e perfeito não pode ser produzida por um ser finito e imperfeito. deliberadamente para alcançar uma verdade indubitável. Por ser um meio para
Descartes argumenta que "nada se pode acrescentar à sua perfeição [de atingir um fim, ela é também provisória, o que significa que o filósofo pretende
Deus]", enquanto o conhecimento humano é marcado pela limitação e pelo abandoná-la assim que encontrar um fundamento sólido, não visando a
esforço de "acrescentamento". No sistema cartesiano, esta premissa sustenta o suspensão permanente do juízo. No que diz respeito à sua amplitude, a dúvida
princípio da causalidade aplicado às ideias: deve haver tanta realidade na causa é universal, pois incide sobre todas as crenças anteriormente aceites sem
como no efeito. Sendo o Homem um ser imperfeito (causa), ele não poderia ser crítica, desde os dados sensoriais até às verdades racionais, revelando um
a origem da ideia de perfeição infinita (efeito). Portanto, a existência desta ideia caráter radical ao atacar as próprias raízes e os fundamentos em que o edifício
no espírito humano serve de prova de que Deus existe e que "imprimiu" essa do saber se apoiava. Finalmente, a dúvida de Descartes é hiperbólica, ou seja,
marca na nossa alma. deliberadamente exagerada, pois o filósofo adota a estratégia de rejeitar como
falso tudo aquilo que suscite a mínima incerteza, levando este exercício ao
extremo através da hipótese do Génio Maligno para testar a resistência da
razão e, por fim, encontrar o primeiro princípio do conhecimento: o "Cogito".

Princípios de conexão entre as ideias


Hume identifica três princípios fundamentais de conexão. O primeiro é o
princípio da semelhança, que ocorre quando a nossa mente é levada de uma
ideia para outra que lhe é parecida. Um exemplo clássico é o de alguém que, ao
observar a fotografia de um amigo, é imediatamente remetido para a ideia da
própria pessoa real, devido às características físicas comuns entre a imagem
(cópia) e o objeto original.
O segundo princípio é o da contiguidade no tempo ou no espaço, que se
verifica quando a ideia de um objeto ou evento nos faz pensar em algo que está
habitualmente próximo dele. Por exemplo, se alguém menciona uma divisão
específica de uma casa, como a cozinha, a nossa mente tende a evocar a ideia
das divisões adjacentes, como a sala de jantar, devido à proximidade espacial
que estas têm na nossa experiência quotidiana.
Finalmente, o terceiro princípio é o da causalidade (causa e efeito), que Hume
considera a conexão mais forte na organização do nosso conhecimento sobre
questões de facto. Este princípio acontece quando relacionamos dois objetos ou
eventos porque acreditamos que um é o produtor do outro. A título de exemplo,
quando pensamos numa queimadura, somos instantaneamente levados a
pensar na dor.

ciência vs censo comum Resumo das Características Principais duvida cartesiana:


-Metódica: É um instrumento ou ferramenta para chegar à verdade.
O senso comum caracteriza-se por ser um conhecimento superficial e acrítico, -Provisória: Subsiste apenas até que se encontre uma certeza absoluta.
pois baseia-se na experiência quotidiana e na tradição sem questionar os -Universal: Aplica-se a todo o conhecimento em geral (sentidos, razão, mundo
fundamentos do que é observado. É um saber subjetivo, variando de pessoa exterior).
para pessoa, e dogmático, uma vez que aceita as evidências sensoriais como -Radical: Ataca as raízes e os fundamentos do saber tradicional.
verdades absolutas. Além disso, é fragmentário e assistemático, ou seja, não há -Hiperbólica: É uma dúvida exagerada que rejeita como falso o que for
uma organização lógica ou uma explicação profunda das causas, sendo apenas minimamente duvidoso-
um conjunto de orientações práticas para a sobrevivência. O conhecimento científico é um saber racional, objetivo e metódico que
procura explicar as causas e as leis que regem os fenómenos. Ao contrário do
Em oposição, a ciência constitui uma rutura epistemológica com o senso
senso comum, ele não nasce da experiência casual, mas sim de uma rutura
comum. Caracteriza-se por ser um conhecimento crítico e revisível, o que epistemológica que exige um pensamento crítico e organizado.
significa que as teorias estão sempre sujeitas a testes e podem ser refutadas. A A finalidade do método em Descartes é a reconstrução de todo o saber sobre
ciência procura ser objetiva, utilizando uma linguagem rigorosa e matemática bases absolutamente seguras e indubitáveis, garantindo que a mente nunca
para descrever fenómenos de forma universal. É um saber metódico e aceite o que é falso como verdadeiro. O método visa substituir a incerteza do
sistemático, pois segue um conjunto de regras e procedimentos (como a senso comum por um sistema de conhecimento rigoroso, inspirado na clareza e
experimentação e a demonstração) para explicar as causas dos fenómenos, na lógica da matemática, que permita ao ser humano alcançar a verdade e
dominar a natureza através da razão. Em termos práticos, as quatro regras do
organizando-os num corpo coerente de leis e teorias.
método — evidência, análise, síntese e enumeração — funcionam como um
1º princípio indubitável de Descartes é o Cogito ("Penso, logo existo") filtro que elimina preconceitos e juízos precipitados, conduzindo a mente de
Após aplicar a dúvida radical a tudo o que conhece, ele percebe que, para forma ordenada de intuições simples até às conclusões mais complexas. Assim,
duvidar, é necessário pensar, e para pensar é necessário existir. Mesmo sob a a finalidade última não é apenas teórica, mas também prática.
hipótese do Génio Maligno, o ato de pensar confirma a existência do sujeito
como substância pensante. Esta é uma intuição racional, clara e distinta, que
serve de base sólida para reconstruir todo o saber.
René Descartes: defende que o conhecimento autêntico provém da razão e
não dos sentidos, que são enganadores. Através da dúvida metódica, ele
alcança a primeira verdade absoluta, o Cogito, estabelecendo a existência do
sujeito pensante. Contudo, para validar a razão e o conhecimento do mundo
exterior, ele demonstra a existência de Deus como um ser sumamente perfeito e
não enganador. Esta perfeição divina assegura que as nossas faculdades
racionais são fiáveis, tornando Deus o garante de toda a verdade e permitindo a
reconstrução das ciências sobre bases sólidas e inatas.
David Hume: defende um empirismo radical onde o conhecimento está limitado
à experiência sensível. Ele rejeita a existência de ideias inatas, afirmando que a
mente é inicialmente vazia e preenchida por perceções, sendo as ideias meras
cópias de impressões prévias. Para Hume, a ideia de Deus é uma construção
da imaginação que eleva ao infinito qualidades humanas. Além disso, defende
que a nossa crença na causalidade e nas leis da natureza não provém da
razão, mas do hábito e da repetição, o que nos conduz a um ceticismo
moderado: não temos certezas absolutas sobre o futuro, apenas probabilidades
baseadas na experiência passada

Você também pode gostar