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UNIVERSIDADE SALGADO DE OLIVEIRA
CURSO DE PSICOLOGIA
Cácio Andrade
Edicéia Borges de Oliveira
Joyce Vieira dos Santos Xavier
Leontina Campos de Oliveira
Maria Célia de S. Cavalcante
RACISMO
GOIÂNIA
2019
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Cácio Andrade
Edicéia Borges de Oliveira,
Joyce Vieira dos Santos Xavier
Leontina Campos de Oliveira
Maria Célia de S. Cavalcante
RACISMO
Trabalho apresentado em cumprimento das exigências
da disciplina: Psicologia Social I, do Curso de
Psicologia da Universidade Salgado de Oliveira, sob a
Orientação do professor Ms. Marcelo Machado de
Albuquerque.
GOIÂNIA
2019
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RACISMO
por
Cácio Andrade, Edicéia Borges de Oliveira,
Joyce Vieira dos Santos Xavier, Leontina Campos de Oliveira,
Maria Célia de S. Cavalcante
FOLHA DE APROVAÇÃO
Trabalho apresentado em cumprimento das exigências da disciplina: Psicologia Social, do
Curso de Psicologia da Universidade Salgado de Oliveira.
Aprovado em 22 de outubro de 2019.
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Mestre Marcelo Machado de Albuquerque
Orientador
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INTRODUÇÃO
Para entender um pouco melhor o complexo debate contemporâneo sobre Racismo
no Brasil e como os discursos e interpretações da questão racial foram moldados ao longo do
tempo, é essencial recorrer à História para adquirir o conhecimento sobre racismo e
desigualdade racial no Brasil. Para tanto, diferentes campos do conhecimento, como
sociologia, antropologia, ciência política e psicologia social, são importante na desconstrução
da monocultura de conhecimento sobre a questão racial que predomina na Brasil. O objetivo
dessa abordagem é elaborar uma interpretação sobre a questão dos negros e o racismo
presente ao longo de suas vidas, entendendo a maneira como essa história é contada e os
aspetos psicossociais que legitimam e perpetuam os lugares de subalternidade de homens e
mulheres negros. Somente assim, conseguiremos explicitar os porquês das políticas públicas
sobre questões raciais e o fato de que não se trata de uma reivindicação de privilégios, mas de
igualdade, justiça social, reparação ou perpetuação dessa desigualdade.
Tal empreendimento requer a desconstrução de crenças e práticas profundamente
arraigadas que permeiam constantemente nossa vida cotidiana e que contribuem para a
institucionalização e naturalização do racismo. Afinal, muito do que propomos aqui se refere
às maneiras pelas quais aprendemos a entender e interpretar o racismo.
Para tanto, propõe-se um curso desta análise esclarecer como o racismo e a
desigualdade racial foram institucionalizados em nossa consciência social.
O QUE É O RACISMO
Racismo é a denominação dada a discriminação e preconceito (direta ou
indiretamente) contra indivíduos ou grupos por causa de sua etnia ou cor. Sendo o preconceito
uma forma de conceito ou juízo formulado sem qualquer conhecimento prévio, enquanto a
discriminação é o ato de separar, excluir ou diferenciar pessoas.
A discriminação pela origem é encontrada desde a Antiguidade, quando povos gregos
e latinos classificavam os estrangeiros como bárbaros. A origem do preconceito de raça, é
mais nova, tendo sido alavancada nos séculos XV e XVI conquista econômica e domínio de
técnicas que proporcionaram a expansão marítima e colonização do continente americano. O
domínio do “novo mundo” (assim chamado pelos europeus), o genocídio dos povos nativos e
a escravização sistêmica de povos africanos geraram um movimento de tentativa de
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justificação de tais relações de poder por uma suposta hierarquia das raças. Onde os europeus
consideravam que os povos de origem europeia nata seriam mais inteligentes e capazes.
Mais tarde nos séculos XIX, com o impulso positivista sobre as ciências e
comportamentos sociais, teorias racistas surgiram para hierarquizar de uma vez por toda a
ideia de uma superioridade da raça branca.
No Brasil, o Racismo está associado a escravização de povos africanos (negros),
inicialmente vendidos por líderes de suas tribos para uma força de trabalho necessário para
construção do “novo mundo”, onde logo passaram a ser capturados sob grande violência na
África e transportados como objetos nos porões de navios às Américas.
O RACISMO COMO FENÔMENO SOCIAL
O racismo, como fenômeno comportamental e social, permeia todos os aspectos que
corroboram a composição social de um povo; desta forma, procura justificar a hegemonia
política, histórica e econômica. Para falarmos sobre racismo, é necessário reconhecer a
complexidade multidisciplinar que envolve sua discussão. São elas: histórica, antropológica,
social, psíquica e política.
Os grupos sociais hoje no mundo, são predominantemente mestiços, uma vez que pela
evolução das espécies, proporciona essa força de adaptação, mutação e variabilidade genética
ao longo das eras. Portanto, quando se aplica ao ser humano um conceito de raça, a fim de
segrega-lo em grupos étnicos, encontramos uma ambiguidade que ainda nos dias de hoje é
reforçada por uma ideologia de estereótipos, onde permite-se perpetuar o ser humano em
classes. Onde uns são melhores e mais puros que outros, assim como no século XV.
Ainda que, todos os indivíduos devam ser considerados basicamente iguais e
merecedores das mesmas oportunidades e direitos, as possíveis diferenças psicossociais entre
eles não são eliminadas. Assim, tem sentido falar em raça negra, indígena, parda, mestiça.
Mas continua sendo um absurdo falar de uma raça branca e que se intitula soberana.
O tema da desigualdade racial adquiriu relevância e reconhecimento progressivos no
campo das políticas públicas somente no final do século XX, com a lei que criminaliza o
racismo no Brasil (1988); e no início do século XXI o debate foi institucionalizado em nível
nacional (2003) com a criação da Secretaria Especial de Políticas e Promoção da Igualdade
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Racial, (Seppir) com status de Ministério. Outro movimento de importância é a instituição de
programas de maior acesso e permanência de estudantes negros, brasileiros nativos e de
escolas públicas no ensino superior. Iniciativas como o PROUNI - Programa Universidade
para Todos; que teve um impacto significativo no acesso da juventude negra a escolas
particulares de ensino superior, programas de educação indígena e uma crescente
incorporação de políticas de cotas sociais e raciais para acesso democrático ao governo
federal.
Importante destacar que essas políticas foram implantadas sob forte influência
internacional, que nesse contexto pressionava principalmente a África do Sul para abolição do
Apartheid (significa separação) e de Nelson Mandela, seu principal líder contra o político
segregador; o qual foi implantado em 1948 como política oficial por uma minoria branca,
descendentes da colonização inglesa e holandesa, que separava os habitantes em seus direitos
sociais, políticos e culturais em “brancos e negros”. Onde somente a minoria branca tinha
acesso aos serviços públicos de qualidade, a liberdade de frequentar ambientes públicos e
principalmente de votar. O apartheid trouxe revoltas populares, violência e um significativo
movimento de resistência interna, bem como um longo embargo comercial contra a África do
Sul.
Como símbolo dessa resistência social, o mais importante líder Nelson Mandela,
passou 27 anos na prisão (1962 – 1990), sendo 67 anos dedicado à causa. Foi vencedor do
Prêmio Nobel da Paz em 1993 e Presidente da África do Sul de 1994 a 1999.
A eleição de Mandela foi um marco divisório na história do país, que saiu do regime
draconiano para a democracia plena, elegendo o primeiro governante negro; seu governo seria
para reconciliar oprimidos e opressores, uns com os outros e consigo mesmos.
Mandela morreu em 5 de dezembro de 2003, e ainda é homenageado por todo o
mundo, de diversas maneiras.
ENTREVISTAS
Ronaldo Antônio
80 anos
Aposentado pela Rede Ferroviária Federal;
Ex-jogador de futebol (até 1973) e treinador de goleiros;
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Funcionário da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil);
Sempre trouxe ao longo de sua vida valores como respeito e integridade;
Se intitula vaidoso, alegre, feliz e importante.
1) Você se considera branco, pardo, negro, preto, amarelo, indígena?
Negão
2) Na sua percepção, existe racismo no Brasil?
Existe sim. Mas eu nunca dei atenção para isso. Sempre fui mais eu.
3) Você já sofreu racismo? Como foi?
Ahh sim! Várias vezes, mas nunca dei importância para isso. Até o dia em que agrediram
meu filho verbalmente o repreendendo: “ Ohhh neguinho seu cabeça de bosta de
rolinha.”Me senti no direito de revidar.
4) Qual a primeira vez que você percebeu o racismo?
Quando jovem ainda em Uberlândia, onde negros não poderiam andar na mesma calçada
que os brancos. Existia uma via só para brancos e outra só para negros do outro lado da
rua. Mas eu nunca levei ao pé da letra essa determinação. Sempre andei onde me era
conveniente.
5) Qual a sua posição a respeito do dia da "consciência negra"?
“Minha filha eu nem sei para que isso?” Eu só tenho em minha consciência que sou
“preto” e igual a você. Se cortar a pele tem sangue da mesma cor e funcionamos do
mesmo jeito.
6) Você acredita no alcance das políticas públicas e sociais brasileiras que
"privilegiam" os negros e as minorias?
Como já citei anteriormente, nunca me envolvi em questões que me separam da maioria.
Nunca me vi diferente. Eu sou eu!
7) Qual a sua posição a respeito das políticas de cotas? Ela tem alcance humanitário ou
segregador?
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Se um tem direito. Todos devem ter, até brancos. Não acho que isso deveria existir.
8) A partir de uma visão humana, como você acredita que as diferenças étnicas podem
se comportar nos próximos anos?
Sei de mim. Gosto mais de viver, sou muito feliz. Tive e tenho uma vida boa demais.
Graças à Deus.
9) Como é ser mulher negra no Brasil hoje, em comparação com o início da sua
trajetória acadêmica e do movimento a comunidade?
Minhas filhas estão todas bem casadas, com suas famílias, trabalham, eu vejo que está
tudo indo bem. Elas têm as queixas delas. Mas quem não tem? Faz parte da vida. O
importante é que estão todas bem.
10) Em um país miscigenado com a tradição de auto declaração racial, não seria melhor
fazer cotas por critérios econômicos?
Como já disse: Isso é bobagem.
Versilene Francisco Dias
39 anos
Mestre em Direito Agrário – UFG (2019);
Foi a primeira mulher quilombola Kalunga com mestrado em direito no
país; (Fonte-UFG);
Ingressou na instituição em 2011 pelo programa UFGInclui;
1) Você se considera branca, parda, negra, preta, amarela, indígena?
Eu me considero preta.
2) Na sua percepção, existe racismo no Brasil?
Existe sim.
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3) Você já sofreu racismo? Como foi?
Sim. Já sofri e ainda sofro. Quando saí da minha comunidade, fui morar e trabalhar em
uma fazenda, os outros trabalhadores capinavam com a enxada, eu tinha que capinar
com a mão. Na escola fora da comunidade diziam que pessoas da minha comunidade
tinham mau cheiro, que meu cabelo era de vassoura.
Ao trabalhar na casa de uma família, me colocaram para dormir em um quarto de
despejo, e eu só poderia comer quando todos da casa já tinham feito sua refeição.
E somente a dona da casa era quem fazia meu prato.
4) Qual a primeira vez que você percebeu o racismo?
Em 2001, com 21 anos, quando saí da comunidade para estudar. Até então, convivia com
as pessoas como eu, éramos como uma grande família.
5) Qual sua posição a respeito do dia da consciência negra?
Dia 20 de novembro foi o dia de reconhecimento do primeiro quilombo do Brasil. Marca
a luta do povo negro pela liberdade, que não aconteceu dia 13 de maio.
É importante levarmos em consideração a necessidade de uma reparação pública por
todos os anos de submissão dos negros na sociedade.
6) Você acredita no alcance das políticas públicas e sociais brasileiras que
“privilegiam” os negros e as minorias?
Ainda há um longo caminho a ser percorrido, para que essas políticas passem a ser de
fato as portas para uma reparação de desigualdade social. Ainda enfrentamos muitas
fraudes e falta de fiscalização a esses programas.
Trabalho acreditando que esses espaços precisam ser ocupados. Infelizmente, sou a primeira
do Brasil. Era para ter várias. É uma responsabilidade muito grande para carregar sozinha. Espero que,
em breve, tenha vários colegas para compartilhar essa conquista também.
7) Qual a sua posição a respeito das políticas de cotas? Ela tem alcance humanitário ou
segregador?
Não vejo como segregador e nem um privilégio. É uma maneira de recompensar o povo
negro que não teve acesso à educação.
Fui alfabetizada pelo meu tio, e jamais tive condições de competir com os estudantes do
WR. Se não fosse através das cotas não teríamos acesso a Universidade. Hoje, graças a
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política de cotas temos muitos quilombolas na Universidade.
8) A partir de uma visão humana, como você acredita que as diferenças étnicas podem
se comportar nos próximos anos?
A sociedade está longe de entender a diferença de nível e espaço; longe de reconhecer os
nossos direitos de ter o cabelo crespo, vestir cores, sapatilha e ou qualquer outra escolha
que fizermos. Um “branco”, ao decidir se quer ir ao trabalho de sapatilha ou calça jeans,
está de acordo com os padrões. No meu caso, se eu não aparecer no TJ de terno, sou
estereotipada. Se eu faço a opção de calçar uma sapatilha ao invés de um salto, não estou
me “comportando” como pedem os padrões e sou julgada por isso. Vivemos em uma
sociedade “branca” e engravatada.
9) Como é ser mulher negra no Brasil hoje, em comparação com o início da sua
trajetória acadêmica e do movimento a comunidade?
Difícil. Não mudou muito desde quando sai do quilombo para o mundo em busca de
melhores condições. Não se vêm negros ocupando espaços importantes na sociedade. A
comunidade Kalunga está longe de ter o mínimo de saneamento basico por exemplo.
10) Em um país miscigenado com a tradição de auto declaração racial, não seria melhor
fazer cotas por critérios econômicos?
Não acredito. Pois temos o direito institucional e direitos humanos que nos garante
igualdade aos espaços políticos, econômicos e sociais. Essas políticas, como disse
anteriormente, são de caráter reparador. E não uma solução que atenda às desigualdades
sociais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
"Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, da sua origem ou da sua
religião. Para odiar, é preciso aprender. E, se podem aprender a odiar, as pessoas também
podem aprender a amar."
Mandela
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