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A477a Alves, Arthur de Oliveira.
Análise estrutural de um edifício em concreto armado considerando a influência das vigas baldrame e
da esbeltez dos pilares / Arthur de Oliveira Alves. – 2019.
68 f. : il. color.
Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade Federal do Ceará, Campus de Russas,
Curso de Curso de Engenharia Civil, Russas, 2019.
Orientação: Prof. Dr. Otávio Rangel de Oliveira e Cavalcante.
1. Dimensionamento estrutural de edifícios. 2. Concreto armado. 3. Estabilidade global. 4. Índice de
esbeltez. 5. Vigas baldrame. I. Título.
CDD 620
RESUMO
Esse trabalho trata-se da análise comparativa entre um edifício em concreto armado de 4
pavimentos para dois tipos de concepção estrutural, com vigas baldrame e sem vigas baldrame.
O objetivo é analisar a influência desses elementos estruturais no comportamento da estrutura
ao que diz respeito a sua estabilidade global e os deslocamentos sofridos no topo do edifício,
analisando ainda o consumo de materiais para os dois tipos de concepção. Para isso foi
dimensionado um modelo padrão no Software comercial AltoQi Eberick 2019 e este modelo foi
usado como base para o dimensionamento e análise dos demais modelos estudados. Além de
analisar a influência das vigas baldrame nesse estudo, buscou-se verificar ainda a influência da
variação de esbeltez dos pilares de fundação no comportamento da estrutura sem vigas
baldrame. Os resultados obtidos demonstraram que a concepção estrutural sem as vigas
baldrame pode representar uma economia de materiais em estruturas de concreto armado para
pilares de fundação com índice de esbeltez “λ” menor ou igual a 90.
Palavras-chave: Vigas baldrame; Estabilidade global; Índice de esbeltez; Dimensionamento
estrutural de edifícios.
ABSTRACT
This work is the comparative analysis between a reinforced concrete building of 4 floors for
two types of structural design, with baldrame beams and no baldrame beams. The objective is
to analyze the influence of these structural elements on the behavior of the structure with respect
to its overall stability and the displacements suffered at the top of the building, as well as
analyzing the material consumption for both types of design. For this, a standard model was
dimensioned in the commercial software AltoQi Eberick 2019 and this model was used as basis
for the sizing and analysis of the other models studied. In addition to analyzing the influence of
baldrame beams in this study, it was also sought to verify the influence of the slenderness
variation of the foundation pillars on the behavior of the structure without baldrame beams. The
results showed that the structural design without baldrame beams can represent a material
savings in reinforced concrete structures for foundation columns with slenderness index "λ"
less than or equal to 90.
Keywords: Baldrame beams; Overall stability; Slimness index; Structural sizing of buildings.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 2.1 - Curva estatística de Gauss......................................................................................18
Figura 2.2 - Classes de resistência para concretos estruturais....................................................19
Figura 2.3 - Diagrama tensão-deformação do concreto.............................................................20
Figura 2.4 - Módulo de elasticidade secante.............................................................................. 21
Figura 2.5 - Classes de agressividade ambiental (CAA)............................................................23
Figura 2.6 - Correspondência entre a classe de agressividade ambiental e o cobrimento
mínimo......................................................................................................................................24
Figura 2.7 - Idealização do comportamento linear de uma estrutura .........................................25
Figura 2.8 - Diagrama tensão x deformação de um material não linear .....................................26
Figura 2.9 - Modelo de pórtico espacial.....................................................................................29
Figura 2.10 - Modelo de grelhas................................................................................................ 30
Figura 2.11 - Coeficiente γf = γf1 x γ..........................................................................................31
Figura 2.12 - Coeficiente γf2......................................................................................................31
Figura 2.13 - Combinações de serviço.......................................................................................32
Figura 2.14 - Combinações últimas usuais.................................................................................33
Figura 2.15 - Valores dos coeficientes γc e γs.............................................................................34
Figura 2.16 - Isopletas de velocidade básica V0 (m/s)................................................................35
Figura 2.17 - Processo P-Delta..................................................................................................38
Figura 2.18 - Comprimentos de flambagem..............................................................................39
Figura 3.1 - Fluxograma das etapas da pesquisa........................................................................41
Figura 3.2 - Planta de forma do pavimento térreo......................................................................43
Figura 3.3 - Planta de forma do pavimento tipo........................................................................ 44
Figura 3.4 - Representação em 3D do modelo padrão................................................................44
Figura 3.5a - Descrição dos modelos analisados: Edifício com vigas baldrame.........................50
Figura 3.5b - Descrição dos modelos analisados: Edifício sem vigas baldrame.........................50
Figura 3.6a - Dimensão dos pilares para os modelos B2,5* e B3,0*: Modelo B2,5*..................51
Figura 3.6b - Dimensão dos pilares para os modelos B2,5* e B3,0*: Modelo 3,0* ...................51
Figura 4.1 - Resultados para a “λ” dos pilares de fundação e térreo........................................52
Figura 4.2 - Resultados para o coeficiente de estabilidade global “γz” no eixo x.....................53
Figura 4.3 - Resultados para o coeficiente de estabilidade global “γz” no eixo y.....................54
Figura 4.4 - Deslocamentos no topo do edifício na direção x...................................................55
Figura 4.5 - Deslocamentos no topo do edifício na direção y...................................................56
Figura 4.5 - Quantitativo global de concreto em m³................................................................57
Figura 4.7 - Quantitativo global de aço em kg..........................................................................58
Figura 4.8 - Consumo global de formas em m²........................................................................59
Figura 4.9 - Consumo de concreto local no pavimento térreo em m³.......................................60
Figura 4.10 - Consumo de aço local no pavimento térreo em kg.............................................61
Figura 4.11 - Consumo de formas local no pavimento térreo em m²........................................62
LISTA DE TABELAS
Tabela 2.1 – αE para diferentes agregados ...............................................................................21
Tabela 3.1 – Configurações de materiais e durabilidade utilizadas nos modelos.....................47
Tabela 3.2 – Cargas distribuídas por área utilizadas nos modelos............................................49
Tabela 3.3 – Descrição dos modelos analisados.......................................................................50
LISTA DE SÍMBOLOS
fc Resistência à compressão do concreto (Mpa)
fcm Resistência média do concreto à compressão (Mpa)
fck Resistência característica do concreto à compressão (Mpa)
σ Tensão (N)
ε Deformação (cm)
E Módulo de elasticidade (Mpa)
I Momento de inércia (Kg.m²)
Vo Velocidade básica do vento
γz Coeficiente de estabilidade global
λ Índice de esbeltez dos pilares
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 15
1.1 Justificativa ................................................................................................................... 16
1.2 Objetivos....................................................................................................................... 16
1.2.1 Objetivo geral ............................................................................................................... 16
1.2.2 Objetivos específicos .................................................................................................... 16
1.3 Organização do trabalho ............................................................................................... 17
2 REFERENCIAL TEÓRICO ......................................................................................... 17
2.1 Concreto armado........................................................................................................... 17
2.2 Propriedades do concreto.............................................................................................. 18
2.2.1 Resistência à compressão (fc) ....................................................................................... 18
2.2.2 Resistência à tração do concreto .................................................................................. 19
2.2.3 Diagramas tensão-deformação e módulo de elasticidade do concreto........................ 20
2.2.4 Aço para o concreto armado ........................................................................................ 22
2.3 Diretrizes para a durabilidade das estruturas em concreto armado .............................. 22
2.3.1 Vida útil de projeto ....................................................................................................... 22
2.3.2 Agressividade ambiental ............................................................................................... 22
2.3.3 Cobrimento das armaduras .......................................................................................... 23
2.4 Concepção estrutural .................................................................................................... 24
2.5 Análise estrutural .......................................................................................................... 24
2.5.1 Análise linear................................................................................................................ 25
2.5.2 Análise não linear ......................................................................................................... 26
[Link] Não linearidade física (NLF) ........................................................................................ 27
[Link] Não linearidade geométrica (NLG) .............................................................................. 28
2.6 Modelos estruturais ...................................................................................................... 28
2.6.1 Pórticos espaciais ......................................................................................................... 29
2.6.2 Modelo de grelhas ........................................................................................................ 29
2.7 Ações e combinações.................................................................................................... 30
2.7.1 Combinações de serviço ............................................................................................... 32
2.7.2 Combinações últimas.................................................................................................... 32
2.8 Estado Limite Último (ELU) ........................................................................................ 33
2.9 Estado Limite de Serviço (ELS) ................................................................................... 34
2.10 Vento..............................................................................................................................35
2.11 Estabilidade global dos edifícios .................................................................................. 36
2.11.1 Coeficiente gama-z (γz) ................................................................................................. 37
2.11.2 Processo P-Delta .......................................................................................................... 37
2.12 Esbeltez dos pilares ...................................................................................................... 38
2.13 Vigas baldrame ............................................................................................................. 40
3 MATERIAIS E MÉTODOS ......................................................................................... 40
3.1 Delineamento da pesquisa ............................................................................................ 40
3.2 Etapas da pesquisa ........................................................................................................ 41
3.3 Projeto arquitetônico base ............................................................................................ 42
3.4 Estudo de caso .............................................................................................................. 42
3.4.1 Lançamento da estrutura .............................................................................................. 42
3.4.2 Configurações do Software comercial AltoQi Eberick 2019 ........................................ 45
3.4.3 Combinações de ações ................................................................................................. 45
3.4.4 Configurações de análise ............................................................................................. 45
3.4.5 Configurações de dimensionamento............................................................................. 46
3.4.6 Configurações de materiais e durabilidade ................................................................. 47
3.4.7 Configurações de vento ................................................................................................ 47
3.4.8 Verificações ao estado limite de serviço (ELS) ............................................................ 48
3.4.9 Carregamentos adotados .............................................................................................. 48
3.5 Descrição dos modelos ................................................................................................. 49
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ................................................................................ 52
4.1 Resultados para a esbeltez “λ” dos pilares ................................................................... 52
4.2 Resultados para o coeficiente de estabilidade global “γz” ............................................ 53
4.3 Deslocamentos no topo do edifício .............................................................................. 55
4.4 Consumo de materiais global ....................................................................................... 57
4.5 Consumo de materiais local .......................................................................................... 59
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 64
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 66
ANEXO A.....................................................................................................................67
15
1 INTRODUÇÃO
Para Riemke (2015) o emprego do concreto armado continua sendo a técnica mais
utilizada no Brasil para a concepção de estruturas de edificações residenciais e comerciais. Este
cenário parece não sofrer muitas modificações nos próximos anos, levando em consideração o
menor custo financeiro em relação a outros tipos de estruturas como as metálicas, associado ao
conhecimento técnico acumulado mais consolidado entre os engenheiros nacionais.
A elevada exigência do setor de construção civil leva à busca constante por soluções
mais econômicas para projetos estruturais em concreto armado. Segundo Giongo (2007) o custo
da estrutura em concreto armado moldado in loco para edifícios convencionais representa cerca
de 20% a 25% do custo total, considerando a obra pronta para utilização.
A concepção estrutural é uma das etapas iniciais que tem mais influência sobre o
projeto final, pois consiste em definir os materiais a serem empregados, determinar as ações
atuantes sobre a estrutura, dispor o posicionamento e realizar o pré-dimensionamento dos
elementos que compõem a estrutura (KIMURA, 2007).
Ertel (2016) salienta que o fato de existirem várias imposições aos projetos
estruturais como as arquitetônicas, normativas e de infraestruturas regionais fazem com que o
engenheiro estrutural busque por concepções capazes de atender a todos esses parâmetros. É
necessário ainda concebendo uma estrutura segura, econômica, que otimize recursos e
apresente consumo de materiais adequado além de causar a mínima interferência na arquitetura
da edificação. Em alguns locais do país, nota-se estruturas concebidas sem as vigas baldrame,
principalmente em edificações de poucos pavimentos e que apresentam garagem em seu
pavimento térreo.
Poucos são os estudos disponíveis referentes a esse tipo de concepção estrutural, o
que faz com que várias dúvidas sejam levantadas em relação a segurança e a estabilidade desse
tipo de construção. Tal concepção estrutural pode representar uma construção mais econômica
se comparada a construções convencionais que utilizam vigas baldrame para a amarração dos
pilares no pavimento térreo.
Diante disto, este trabalho visa estudar e analisar a influência das vigas baldrame
no comportamento estrutural de uma edificação de 4 pavimentos em concreto armado. O estudo
visa considerar ainda a influência da esbeltez dos pilares de fundação visto que, com o
desenvolvimento das técnicas e controle rigoroso de materiais, as estruturas estão cada vez mais
esbeltas, o que diminui a sua rigidez e consequentemente a estabilidade global e a torna mais
suscetível a deslocamentos devido a ação do vento.
16
1.1 Justificativa
O trabalho parte da premissa de que existem poucos estudos acerca do
comportamento das estruturas em concreto armado que não utilizam vigas baldrame em sua
concepção afim de se reduzir os custos com a construção. Para tanto, percebe-se válida a análise
da influência desses elementos no travamento da estrutura, visto que, a NBR6118/2014 prevê
limites de deslocamentos horizontais no topo do edifício que devem ser respeitados para
minimização do desconforto sensorial e possíveis patologias que venham a surgir como trincas
e fissuras na alvenaria de vedação.
É importante considerar ainda, que, por existirem construções cada vez mais
esbeltas, torna-se válida a análise da influência da esbeltez dos pilares nas concepções sem uso
das vigas baldrame afim de se verificar as situações que possam inviabilizar esse tipo de
construção, tanto no que diz respeito a segurança da estrutura quanto ao efetivo consumo de
materiais.
1.2 Objetivos
1.2.1 Objetivo geral
Analisar o comportamento estrutural de um edifício em concreto armado,
considerando a influência das vigas baldrame para diversas situações de esbeltez dos pilares de
fundação.
1.2.2 Objetivos específicos
Modelar e analisar a estrutura de um edifício padrão no Software comercial AltoQi
Eberick 2019, considerando dois tipos de concepção, edifício com vigas baldrame e
edifício sem vigas baldrame;
Conceber e analisar diferentes modelos variando-se o comprimento dos pilares de
fundação;
Analisar a influência da esbeltez dos pilares de fundação no comportamento da estrutura
e o impacto no consumo de materiais;
17
Realizar um levantamento quantitativo de formas, aço e concreto para os diferentes
modelos desenvolvidos para a realização de análises comparativas.
1.3 Organização do trabalho
Esse trabalho encontra-se dividido em 5 seções, sendo elas: Introdução, Referencial
Teórico, Materiais e Métodos, Resultados e Discussões e Considerações Finais.
Na seção 1 é apresentada a introdução do trabalho, onde aborda o tema de maneira
suscinta. Além disso, nesta seção também é apresentadas a justificativa deste trabalho e os
objetivos a serem alcançados com o estudo.
Na seção 2 o referencial teórico acerca do tema tratado é apresentado, para que se
possa obter o embasamento teórico necessário a compreensão do estudo.
A seção 3 trata dos materiais e métodos utilizados para a confecção deste trabalho,
abordando as etapas da realização da pesquisa e o estudo de caso.
A seção 4 apresenta os resultados e as discussões acerca do estudo de caso
desenvolvido.
Por fim, na seção 5 são apresentadas as conclusões e considerações finais acerca do
trabalho, bem como as sugestões para trabalhos futuros.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Concreto armado
Santos (2014) comenta que o concreto possui como principal característica a
elevada resistência à compressão e baixa resistência à tração, o que leva ao surgimento de
fissuras e o rompimento frágil dos elementos estruturais na zona tracionada, onde a influência
da resistência à compressão é pouco utilizada. A inserção de barras de aço em posições
convenientes tornam o concreto viável a aplicação em estruturas que são solicitadas a esforços
de tração, visto que o aço é um material com alta resistência a esse tipo de esforço. Assim, ao
fissurar o concreto em sua zona comprimida, os esforços de tração passam a ser absorvidos
pelas barras de aço e ao concreto são atribuídas tensões de compressão, aumentando a
resistência do elemento e garantindo a viabilidade da sua utilização.
18
2.2 Propriedades do concreto
2.2.1 Resistência à compressão (fc)
Segundo Carvalho (2014) a resistência a compressão é a principal característica do
concreto, a qual é determinada através do ensaio de corpos de prova submetidos à compressão
centrada. O autor cita ainda que diversos fatores influenciam a resistência do concreto
endurecido, dos quais os principais são a relação entre as quantidades de cimento, agregados e
água (Traço) e a idade do concreto.
Para a obtenção dos valores de compressão, a NBR 5739/2007 estabelece os
critérios para esse tipo de ensaio, e a NBR 5738/2015 é responsável pelas diretrizes de
moldagem dos corpos de prova.
Libânio (2007) comenta que o ensaio de compressão deve ser realizado com vários
corpos de prova, e, através dos resultados se faz um gráfico com os valores obtidos da
resistência a compressão (fc) pela quantidade de corpos-de-prova relativos a determinado valor
de resistência a compressão. A partir deste ensaio forma-se uma curva chamada de Curva
Estatística de Gauss ou Curva de Distribuição Normal para a resistência do concreto à
compressão. A curva estatística de Gauss pode ser visualizada abaixo (Figura 2.1).
Figura 2.1 – Curva estatística de Gauss
Fonte: Pinheiro (2007)
Os dois principais resultados do ensaio podem ser obtidos na curva de Gauss, sendo
eles: resistência média do concreto à compressão (fcm) que consiste na média aritmética dos
valores de fc e resistência característica à compressão (fck), obtido através do fcm de acordo com
a Equação 1:
Fck = fcm – 1,65S (Eq. 1)
19
Onde “s” é o desvio-padrão e representa a distância entre a abscissa de fcm e o ponto
de inflexão da curva. O valor de 1,65 representa o quantil de 5%, ou seja, apenas 5% dos corpos
de prova apresentam resistência a compressão inferior a fck. A NBR 8953/2015 define as classes
de resistência em função do fck, conforme a Figura 2.2.
Figura 2.2 – Classes de resistência para concretos estruturais
Fonte: NBR 8953/2015
Para este trabalho foram utilizados concretos de classe de resistência do grupo I,
sendo C25 para vigas, lajes e sapatas e C30 para os pilares.
2.2.2 Resistência à tração do concreto
A resistência à tração do concreto assim como a resistência à compressão, é obtida
através de ensaios. Segundo Carvalho (2014) existem três tipos de ensaios para se obter a
resistência a tração, são eles: tração direta, compressão diametral e tração na flexão.
Na ausência de ensaios, a NBR 6118/2014 permite a obtenção da resistência média
a tração (fctm), a partir da resistência característica à compressão (fck). Pode-se obter ainda,
através de Fctm, a resistência característica à tração inferior, fctk,inf e superior, fctk,sup, através das
Equações 2, 3 e 4:
fctm = 0,3𝑓𝑐𝑘 / (Eq. 2)
fctk,inf = 0,7fctm (Eq. 3)
fctk,sup = 1,3fctm (Eq. 4)
As resistências à tração são dadas em Mpa, e a Equação 2 só é válida para concretos
até a classe C50. Para este trabalho, o software utilizado permite que as resistências a tração
sejam determinadas automaticamente por meio das equações descritas, através da classe de
concreto escolhido.
20
2.2.3 Diagramas tensão-deformação e módulo de elasticidade do concreto
Os diagramas tensão-deformação do concreto mostram a relação entre a tensão (σ)
e a deformação (ε) do concreto. Carvalho (2014) cita que na compressão os diagramas são
obtidos por ensaios de corpo de prova de compressão centrada, apresentando uma parte curva
(parabólica na classe I) e outra sensivelmente retilínea. Na tração são utilizados diagramas
bilineares. O diagrama proposto pela NBR 6118/2014 para tensão-deformação do concreto
pode ser visualizado na Figura 2.3.
Figura 2.3 – Diagrama tensão-deformação do concreto
Fonte: NBR 6118/2014
Módulo de elasticidade (ou módulo de deformação) é uma grandeza mecânica que
mede a rigidez de um material sólido, e pode ser definido a partir das relações entre tensões e
deformação, de acordo com os diagramas tensão-deformação (CARVALHO, 2014).
Para o concreto, são definidos dois módulos de elasticidade: tangente e secante. O
módulo de deformação tangente inicial Eci pode ser obtido através da curva tensão-deformação
do concreto, e consiste no coeficiente angular da parte retilínea da curva, na ausência de parte
retilínea, utiliza-se a tangente à curva na origem, como cita Sodré (2018). Na falta de ensaios a
NBR 8522/2017 define o método de ensaio para a obtenção do módulo de deformação tangente
inicial, onde, o valor pode ser estimado a partir das Equações 5 e 6:
Eci = αE .5600 𝑓𝑐𝑘 Para fck 20Mpa a 50Mpa (Eq. 5)
/
Eci = 21,5.10³.αE . ( + 1,25) para fck de 55Mpa a 90 Mpa (Eq. 6)
Eci e fck são dados em Mpa e αE depende da natureza do agregado utilizado no
concreto conforme a Tabela 2.1.
21
Tabela 2.1 – αE para diferentes agregados
αE = 1,2 para basalto e diabásio αE = 0,9 para calcário
αE = 1,0 para granito e gnaisse αE = 0,7 para arenito
Fonte: NBR 8522/2017
O módulo de elasticidade secante, Ecs, é utilizado nas análises elásticas do projeto,
para a determinação dos esforços solicitantes e verificações de serviço, também pode ser obtido
através dos ensaios descrito na NBR 8522/2017. Na ausência de ensaios, o valor pode ser obtido
através da Equação 7:
Ecs = α[Link] (Eq. 7)
Em que:
αi = 0,8+0,2 ≤1
A NBR 6118/2014 apresenta valores de módulo de elasticidade estimados e
arredondados, para diversas classes de concreto, considerando o granito como agregado graúdo.
Esses valores podem ser visualizados abaixo (Figura 2.4).
Figura 2.4 – Módulo de elasticidade tangente e secante estimados
Fonte: NBR 6118/2014
O Software Eberick utilizado neste trabalho permite que os módulos de elasticidade
sejam calculados automaticamente a partir do fck do concreto utilizando as equações descritas
acima, para este trabalho considerou-se o granito como agregado e foram utilizados concretos
com fck de 30 e 25 Mpa.
22
2.2.4 Aço para o concreto armado
O aço utilizado em estruturas de concreto armado devem atender as prescrições da NBR
7480/2007, este aço é denominado pela NBR 6118/2014 de armadura passiva. A NBR
7480/2007 classifica os aços para concreto armado em CA-25, CA-50 e CA-60. A parte
numérica representa a tensão de escoamento característica do aço, fyk em kN/cm². A NBR ISO
6892-1/2013 determina os ensaios para a obtenção do diagrama tensão-deformação, bem como
dos valores característicos de resistência ao escoamento, da resistência à tração, fstk e da
deformação na ruptura, εuk.
2.3 Diretrizes para a durabilidade das estruturas em concreto armado
2.3.1 Vida útil de projeto
De acordo com a NBR 6118/2014, a vida útil de uma estrutura é definida pela
capacidade de resistir as influências ambientais previstas e definidas em conjunto pelo projetista
e pelo contratante. As estruturas de concreto devem ser projetadas para resistir sob condições
ambientais prevista na época da elaboração do projeto, e quando utilizadas para os fins a que
foi projetada, conservem sua segurança, estabilidade e aptidão em serviço num período de no
mínimo 50 anos, sem exigir medidas extras de manutenção e reparo.
2.3.2 Agressividade ambiental
A classe de agressividade ambiental (CAA) é um parâmetro importante e que deve
ser considerado no projeto estrutural quanto a durabilidade da estrutura. A NBR 6118/2014
define as classes de agressividade ambiental e o risco de deterioração da estrutura. A Figura 2.5
abaixo traz as classes de agressividade ambiental previstas na norma.
23
Figura 2.5 – Classes de agressividade ambiental (CAA)
Fonte: NBR 6118/2014
Para este trabalho, considerou-se uma classe de agressividade moderada em um
ambiente urbano, resultando num risco de deterioração da estrutura pequeno.
2.3.3 Cobrimento das armaduras
Para Carvalho (2014), o cobrimento mínimo é distância livre da face da peça
estrutural e a camada de barras mais próxima a esta face. O cobrimento mínimo visa criar uma
camada de proteção para a armadura, evitando que ela fique exposta aos efeitos do ambiente,
impedindo a sua corrosão. De acordo com a NBR 6118/2014 o cobrimento nominal é obtido
através de um acréscimo de tolerância através na execução ao mínimo e pode ser obtido na
Figura 2.6.
24
Figura 2.6 – Correspondência entre a classe de agressividade ambiental e o cobrimento mínimo
Fonte: NBR 6118/2014
Para este trabalho, utilizou-se os cobrimentos nominais para a classe de
agressividade II, onde eles são pré-configurados no Software Eberick.
2.4 Concepção estrutural
A fase de concepção estrutural consiste no lançamento dos elementos no projeto
arquitetônico. O lançamento da estrutura na fase de concepção deve tentar o máximo possível
preservar a estética dos ambientes, minimizando a poluição visual escondendo a parte estrutural
atrás de paredes e outros recursos. Segundo Alva (2007), para a concepção estrutural
primeiramente é preciso conhecer a finalidade e as necessidades do edifício a ser construído,
para posteriormente se projetar uma estrutura que atenda todos os requisitos desejados,
concebendo uma estrutura que resista aos esforços verticais (peso próprio, cargas de trabalho e
acidentais) e esforços horizontais atuantes na edificação (vento, desaprumo, efeitos sísmicos).
2.5 Análise estrutural
Para Martha (2010) a análise estrutural é a fase do projeto estrutural em que se
realizam, a partir de um modelo estrutural, os levantamentos dos esforços internos e externos
da estrutura perante as ações impostas. A idealização do comportamento da estrutura nesta etapa
do projeto é de fundamental importância, pois ao final desta análise obtém-se os resultados de
25
esforços correspondentes, deslocamentos, e deformações na estrutura em estudo.
Segundo a NBR 6118/2014 a análise estrutural pode ser efetuada por diferentes
métodos que se diferenciam pelo comportamento admitido para os materiais constituintes da
estrutura e as limitações correspondentes a cada modelo.
2.5.1 Análise linear
Nesse tipo de análise, admite-se que os materiais constituintes da estrutura
assumem comportamento elástico linear. Para Alva (2007) um material é considerado elástico-
linear quando, após sofrer deformação devido a ações externas retorna a sua configuração
inicial após cessadas as ações. A Figura 2.7 mostra a idealização do comportamento da
estrutura em uma análise linear.
Figura 2.7 – Idealização do comportamento linear de uma estrutura
Fonte: Kimura (2007)
Um comportamento elástico-linear significa que o material tem propriedades
elásticas e assim sua deformação é proporcional a intensidade das ações externas, ou seja, existe
uma constante de proporcionalidade responsável por essa relação. Essa constante é definida
como módulo de elasticidade e o cientista inglês Robert Hooke, em 1678, foi o primeiro a
estabelecer experimentalmente essa relação, e por isso, a Equação 8 que determina o módulo
de elasticidade é conhecida como lei de Hooke:
𝜎 = 𝐸. 𝜀 (Eq. 8)
Em que:
𝜎: Tensão atuante;
E: Módulo de elasticidade longitudinal do material;
𝜀: Deformação específica do material.
26
De acordo com a NBR 6118/2014 a análise linear é usualmente empregada para a
verificação dos estados limites de serviço (ELS), porém essa análise pode servir de base para o
dimensionamento dos elementos estruturais no estado limite último (ELU), desde que se
garanta uma ductilidade mínima às peças.
2.5.2 Análise não linear
Conforme explicitado no tópico 14.5.5 da NBR 6118/2014 considera-se o
comportamento não linear geométrico e dos materiais. Desse modo, toda a geometria das
estruturas precisam ser conhecidas para que a análise não linear possa ser efetuada, pois a
resposta da estrutura depende de como ela foi armada.
Um material dito não linear é aquele que apresenta uma relação de não linearidade
entre tensões e deformações, ou seja, essa relação não pode ser definida por uma constante.
Apesar de se saber que o comportamento do concreto armado é não linear, acima de certos
limites de tensão, na prática é comum a utilização da análise linear devido a sua maior
simplicidade e à maior familiaridade dos projetistas (FONTES, 2005). A Figura 2.8 traz o
comportamento do diagrama tensão x deformação de um material não linear.
Figura 2.8 – Diagrama tensão x deformação de um material não linear
Fonte: Adaptado de Kimura (2007)
Devido à complexidade envolvida nesse tipo de análise, o tempo de processamento
de uma análise não linear torna-se maior do que uma análise linear. De acordo com Kimura
(2007), nos tempos passados isso onerava demasiadamente a elaboração de um projeto, no
entanto, hoje em dia, devido ao grande avanço do desempenho dos computadores, esse
problema não mais existe.
Dois fatores principais são responsáveis pelo surgimento de comportamento não
linear de uma estrutura à medida que o carregamento é aplicado, dividindo a não linearidade
27
em dois tipos:
Não linearidade física (NLF): Refere-se à alteração das propriedades dos materiais que
compõe a estrutura;
Não linearidade geométrica (NLG): Considera a relação não linear entre tensões e
deformações e deslocamentos e o equilíbrio na posição deformada das estruturas.
[Link] Não linearidade física (NLF)
Segundo Fontes (2005) a não linearidade física (NLF) desenvolve-se a partir de
fissuração, fluência, deformação plástica do concreto, escoamento das armaduras, entre outros
fatores e está associado ao comportamento dos materiais. Ainda segundo o autor, é possível
implementar a NLF por meio de sucessivas análises lineares, com a utilização de um
carregamento incremental. A rigidez dos elementos sofre alterações de acordo com o nível de
solicitação da etapa anterior, como, por exemplo, atingindo o momento de fissuração de
determinada seção do elemento.
Outro modo de considerar a NLF, menos preciso, porém mais simples, é embutindo-
a na análise linear, com uma redução na inércia bruta da seção transversal dos elementos
estruturais. A redução da rigidez de uma seção está relacionada à diminuição do módulo de
deformação ‘E’ do concreto, com o aumento da tensão, e com a redução do momento de inércia
‘I’, provocado pela fissuração (Fontes, 2005).
A NBR 6118/2014 permite uma redução simplificada da rigidez para a consideração
da NLF de acordo com as Equações 9, 10, 11, 12 e 13:
Lajes: (EI)sec = 0,3Eci .Ic (Eq. 9)
Vigas: (EI)sec = 0,[Link] para As’≠As (Eq. 10)
(EI)sec = 0,[Link] para As’=As (Eq. 11)
Pilares: (EI)sec = 0,[Link] (Eq. 12)
Estruturas de contraventamento formadas somente por vigas e pilares: (EI)sec =
0,7Eci Ic. (Eq. 13)
Em que:
Eci =Módulo de deformação tangente inicial;
Ic = Momento de inércia da seção bruta de concreto.
Para a realização deste trabalho o Software comercial AltoQi Eberick 2019 foi
28
configurado utilizando os fatores de redução da rigidez indicados na NBR 6118:2014 para a
consideração aproximada da não linearidade física. Os valores utilizados foram 0,3 para lajes,
0,4 para vigas e 0,8 para os pilares.
[Link] Não linearidade geométrica (NLG)
A Não linearidade geométrica (NLG), segundo Fontes (2005) é decorrente dos
efeitos de segunda ordem, provenientes da análise da estrutura em sua posição indeformada, e
estes devem ser somados aos efeitos de primeira ordem. Geralmente as estruturas apresentam
resposta não linear aos efeitos de segunda ordem, ou seja, os deslocamentos extras não são
diretamente proporcionais ao carregamento aplicado. Essa análise de segunda ordem pode ser
global (edifício como um todo) ou local (elementos isolados como tramos de pilares).
A consideração da não linearidade geométrica, assim como na NLF, deve ser feita
por meio de uma análise incremental, interativa, ou incremental-interativa, a partir da qual se
tem a atualização da geometria deformada para cada passo de carga ou iteração (Fontes 2005).
O Software comercial AltoQi Eberick 2019 utilizado nesse trabalho permite a
utilização do processo P-Delta para o cálculo dos efeitos de segunda ordem provenientes da não
linearidade geométrica da edificação de forma interativa, onde é configurada o número máximo
de iterações e a precisão mínima. Para este trabalho utilizou-se um número máximo de 10
iterações e uma precisão mínima de 1%. Dessa forma o processo P-Delta é realizado 10 vezes
e os resultados para os deslocamentos horizontais da última análise são comparados com a
penúltima com o objetivo dessa diferença não ultrapassar a precisão mínima de 1% e a estrutura
ser processada.
2.6 Modelos estruturais
Os modelos estruturais visam representar as características condicionante da
estrutura como, condições de contorno, esforço, ligações entre os elementos e a discretização
deles. Esses modelos estruturais são utilizados para a análise da estrutura. Ao simular a estrutura
através desse protótipo, chamado de ‘modelo estrutural’, os efeitos das ações expressadas pela
análise estrutural e a consequente verificação do estado limite último (ELU) e de serviço (ELS)
refletem em resultados mais próximos da realidade a ser executada (MARTHA, 2010). Existem
diversos modelos estruturais que podem ser utilizados na análise estrutural, desde os modelos
mais simples aos mais complexos.
29
2.6.1 Pórticos espaciais
De acordo com Kimura (2007) o modelo de pórtico espacial consiste num modelo
tridimensional formado por barras representando todos os pilares e vigas do edifício,
possibilitando uma avaliação bastante completa e eficiente do comportamento global da
estrutura, a Figura 2.9 abaixo ilustra o modelo de pórtico espacial. A NBR 6118/2014 permite
que a rigidez a torção seja reduzida simplificadamente, para 15% da rigidez elástica assim como
nas grelhas, devido a fissuração.
Figura 2.9 – Modelo de pórtico espacial
Fonte: Kimura (2007)
O modelo de pórtico espacial permite a aplicação simultânea de ações verticais e
horizontais, podendo ser avaliado o comportamento do edifício em todas as direções e sentidos.
Na prática atual, o modelo de pórtico espacial é amplamente utilizado em projetos profissionais
elaborados com o auxílio de uma ferramenta computacional. É bastante abrangente pois admite
tanto o cálculo de edifícios altos e complexos como estruturas de pequeno porte (Kimura, 2007).
2.6.2 Modelo de grelhas
De acordo com a NBR 6118/2014 os pavimentos dos edifícios podem ser
discretizados como grelhas, para estudo das cargas verticais, considerando-se a rigidez à flexão
dos pilares de maneira análoga à das vigas contínuas. A NBR 6118/2014 em seu item [Link]
permite, assim como nos pórticos espaciais, reduzir a rigidez à torção das vigas por fissuração
utilizando-se 15% da rigidez elástica.
Segundo Carvalho (1994), o modelo de grelhas consiste na substituição da placa
(laje) por uma malha equivalente de vigas (grelha equivalente). O conceito pode ser estendido
para placas que se apoiam diretamente em pilares. No caso de estruturas reticuladas há também
a possibilidade do uso de grelhas. A Figura 2.10 traz a representação de um modelo de grelhas.
30
Figura 2.10 – Modelo de grelhas
Fonte: Kimura (2007)
Conforme Kimura (2007) cada painel de laje é subdividido em diversos
alinhamentos de barras (elementos reticulados) posicionados na direção principal e secundária
dela. Essa subdivisão é chamada de discretização e faz com que cada barra represente um trecho
do pavimento. Usualmente adotam-se barras de laje com comprimento máximo de 50cm. Em
regiões que necessitam de uma análise mais detalhada, no caso de regiões com grande
concentração de esforços, pode-se gerar uma malha de barras mais densa no local.
2.7 Ações e combinações
De acordo com a NBR 6118/2014 deve-se considerar a influência de todas as ações
que possam produzir efeitos significativos para a segurança da estrutura na análise estrutural,
levando em consideração os possíveis estados limites últimos e de serviço.
A NBR 8681/2003 classifica as ações segundo a sua variabilidade no tempo em três
categorias: ações permanentes, ações variáveis e ações excepcionais. As ações permanentes são
aquelas que ocorrem com valores praticamente constantes durante toda a vida útil da construção.
Também são considerados permanentes as ações que aumentam no tempo, tendendo a um valor
limite constante de acordo com a NBR 6118/2014. Dentre as ações permanentes tem-se as
diretas que são constituídas pelo peso próprio da estrutura, pelo peso dos elementos construtivos
fixos, das instalações permanentes e dos empuxos permanentes, e as ações indiretas que são
constituídas pelas deformações impostas pela retração e fluência do concreto, deslocamentos
de apoio, imperfeições geométricas e protensão.
Por outro lado, a NBR 8681/2003 diz que as ações variáveis representam o
carregamento que pode ou não ser imposto na estrutura durante a sua vida útil ou de construção,
como por exemplo, sobrecarga de utilização, variações de temperatura, pressão hidrostática ou
hidrodinâmica, forças de impacto ou efeitos do vento.
As ações excepcionais são classificadas de acordo com a NBR 8681/2003 como
31
ações decorrentes de causas tais como explosões, choques de veículos, incêndios, enchentes ou
sismos excepcionais.
Assim como as resistências dos materiais, os valores de cálculo (Fd) das ações são
obtidos a partir dos valores característicos Fk e representativos, multiplicados pelos respectivos
coeficientes de ponderação γf, definido na NBR 6118/2014 através da Equação 14:
γf = γf1 x γf2 x γf3 (Eq. 14)
No estado limite último esses coeficientes são obtidos 11.1 e 11.2 da NBR
6118/2014 que podem ser visualizadas abaixo nas Figuras 2.11 e 2.12 respectivamente.
Figura 2.11 – Coeficiente γf = γf1 x γf2
Fonte: NBR 6118/2014
Figura 2.12 – Coeficiente γf2
Fonte: NBR 6118/2014
32
Já no estado limite de serviço o coeficiente de ponderação das ações é dado pela
Equação 15:
γf = γf2 (Eq. 15)
Em que:
γf2: Tem valor variável conforme a verificação que se deseja fazer, de acordo com
a Figura 2.12;
γf2 = 1 para combinações raras;
γf2 = ψ1 para combinações frequentes;
γf2 = ψ2 para combinações quase permanentes.
2.7.1 Combinações de serviço
As combinações de serviço são classificadas de acordo com seu tempo de
permanência na estrutura e devem ser verificadas de acordo com a Figura 2.13.
Figura 2.13 – Combinações de serviço
Fonte: NBR 6118/2014
2.7.2 Combinações últimas
33
Segundo Clímaco (2008) uma combinação última pode ser classificada como
normal, especial, de construção ou excepcional, as combinações últimas usuais estão dispostas
na Figura 2.14.
Figura 2.14 – Combinações últimas usuais
Fonte: Suprimida da NBR 6118/2014
As combinações de cargas utilizadas neste trabalho seguiram todas as
recomendações previstas na NBR 6118/2014. Os coeficientes de ponderação e fatores de
combinação foram definidos para combinações de ações normais para edifícios residenciais e
as combinações são geradas e analisadas de maneira automática pelo Software Eberick para se
verificar a situação mais desfavorável a estrutura.
2.8 Estado Limite Último (ELU)
Para Carvalho (2014) o Estado Limite Último (ELU) é relacionado ao estado no
qual a estrutura não pode ser utilizada devido ao esgotamento da capacidade resistente e o risco
iminente de colapso. A estrutura quando atinge esse estado, geralmente, apresenta indícios antes
de romper como barulhos, rachaduras em paredes ou elementos estruturais, tombamento parcial
e outros.
De acordo com a NBR 6118/2014 o dimensionamento da estrutura nesse estado é
feito adotando-se um coeficiente de ponderação para a minoração das resistências, afastando os
34
materiais do seu estado limite último, permitindo uma maior segurança no dimensionamento
da estrutura por parte do projetista. Esses coeficientes de ponderação podem ser visualizados
na Figura 2.15 abaixo.
Figura 2.15 – Valores dos coeficientes γc e γs
Fonte: NBR 6118/2014
2.9 Estado Limite de Serviço (ELS)
Clímaco (2008) considera que os Estados Limites de Serviço são atingidos quando
a estrutura deixa de atender aos requisitos específicos da edificação, sob condições normais de
uso e ambientais. No entanto, esses estados não estão associados a riscos iminentes de colapso
da estrutura.
Para as análises realizadas nesse trabalho considerou-se de maneira especial a
verificação dos deslocamentos horizontais no topo do edifício. Segundo a NBR 6118/2014 os
deslocamentos limites são valores práticos utilizados para a verificação em serviço do estado
limite de deformações excessivas da estrutura. Os resultados dos deslocamentos horizontais
obtidos pelo Software AltoQi Eberick 2019 podem ser analisados e comparados com os valores
limites calculados através da Equação 16 prescrita na tabela 13.3 da NBR 6118/2014.
Desl. limite = H/1700 (Eq. 16)
Em que:
H = Altura total da edificação.
O cálculo dos deslocamentos característicos no topo da estrutura é realizado pelo
software pelo método dos deslocamentos, considerando apenas o carregamento horizontal do
vento nas direções x e y para uma combinação frequente desses esforços.
35
2.10 Vento
Segundo Medeiros e Souza (2017), o vento é uma ação externa que deve ser sempre
considerado, sendo avaliado principalmente em estruturas mais altas e esbeltas, onde o seu
efeito é mais relevante.
A previsão de estruturas resistentes a esforços laterais provocados pelo vento deve
ser estudada desde a concepção estrutural. A definição desses esforços passa, inicialmente, pela
determinação da velocidade básica (V0) adequada ao local onde a estrutura será construída. Essa
velocidade deve ser igual ou superior as apresentadas pelo gráfico de isopletas do Brasil
presente na NBR 6123/1988 e que pode ser visualizado abaixo na Figura 2.16.
Figura 2.16 – Isopletas de velocidade básica V0 (m/s)
Fonte: NBR 6123/1988
Definida a velocidade básica do vento, esta é multiplicada pelos fatores S1, S2 e S3
para a obtenção da velocidade característica do vento Vk através da Equação 17:
Vk = V0.S1.S2.S3 (Eq. 17)
Em que:
S1: Fator topográfico;
36
S2: Fator de rugosidade;
S3: Fator estatístico.
A partir da obtenção da velocidade característica do vento Vk é possível determinar
a pressão dinâmica “q” em N/m² atuante na estrutura, através da Equação 18:
q = 0,613Vk² (Eq. 18)
Para este trabalho, foram definidos os parâmetros de entrada V0, S1, S2 e S3 e a
definição dos esforços foi dada pelo Software AltoQi Eberick 2019.
2.11 Estabilidade global dos edifícios
A análise da estabilidade global de edifícios de concreto armado envolve dois tipos
de análises: análise de 1ª ordem e análise de 2ª ordem. De acordo com Kimura (2007) a análise
de 1ª ordem caracteriza-se pela obtenção dos esforços a partir das configurações geométricas
iniciais da estrutura, analisando os esforços na configuração indeformada, esses esforços são
chamados de “efeitos de primeira ordem”. Já a análise em segunda ordem leva em consideração
os esforços da estrutura na sua configuração deformada, analisando assim os chamados “efeitos
globais de segunda ordem”.
A NBR 6118/2014 para efeito de cálculo, classifica as estruturas em estruturas de
nós fixos e de nós móveis. As estruturas de nós fixos são aquelas que apresentam efeitos de
segunda ordem inferiores a 10% em relação aos efeitos de segunda ordem, já as estruturas de
nós móveis são aquelas em que os efeitos de segunda ordem são superiores a 10%, tendo como
limite 30% dos efeitos de primeira ordem. As estruturas classificadas como de nós fixos podem
ter os efeitos globais de segunda ordem desconsiderados, porém, quando ela for classificada
como de nós móveis estes efeitos devem ser considerados nos cálculos, segundo a mesma
norma.
A análise da estabilidade global de um edifício de concreto armado é realizada na
estrutura como um todo e pode ser definida através de alguns parâmetros estudados, para que o
projetista conheça o comportamento da edificação perante os efeitos de segunda ordem
(KIMURA, 2007).
Dentre os parâmetros utilizados para analisar a estabilidade global das estruturas
destacam-se o coeficiente gama-z (γz) e o processo P-Delta.
37
2.11.1 Coeficiente gama-z (γz)
Kimura (2007) explica que o coeficiente γz é um parâmetro criado pelos
engenheiros brasileiros Augusto Carlos de Vasconcelos e Mário Franco, amplamente utilizado
para análise da estabilidade global de edifícios em concreto armado de maneira simples, rápida
e eficiente.
Em Carmo (1995), ressalta-se que esse parâmetro surgiu da necessidade de se
desenvolver um meio capaz de classificar as estruturas em nós fixos ou nós móveis e, além
disso, obter os esforços de segunda ordem, quando necessário, sem precisar realizar uma análise
de segunda ordem.
Segundo a NBR 6118/2014, esse coeficiente é válido para estruturas reticulados de
no mínimo quatro pavimentos. Ele pode ser determinado a partir de uma análise linear de
primeira ordem, para cada caso de carregamento, adotando-se valores de rigidez estabelecidos
na mesma norma.
O valor de γz para cada combinação de carregamento é dado, segundo a NBR
6118/2014, pela Equação 19:
γz = , (Eq. 19)
, ,
Em que:
M1,tot,d = momento de tombamento, ou seja, a soma dos momentos de todas as
forças horizontais da combinação considerada, com seus valores de cálculo, em
relação à base da estrutura;
ΔMtot,d = soma dos produtos de todas as forças verticais atuantes na estrutura, na
combinação considerada, com seus valores de cálculo, pelos deslocamentos
horizontais de seus respectivos pontos de aplicação, obtidos da análise de 1ª ordem.
De acordo com a NBR 6118/2014 considera-se que a estrutura é de nós fixos se for
obedecida a condição γz ≤ 1,1 e de nós móveis se 1,1≤γz ≤ 1,3. Para estruturas com γz superior
a 1,3, considera-se que a estrutura apresenta elevada deslocabilidade.
2.11.2 Processo P-Delta
38
Para Iglesia (2016) o processo P-Delta, também conhecido como método da carga
lateral fictícia, é um método de realizar a análise não linear considerando os efeitos de segundo
ordem gerados por cargas laterais em estruturas, que podem ser causados por excentricidades,
mudanças de geometria, rigidez ou massa, onde ocorrem deslocamentos e deformações. As
cargas verticais adicionam momentos iguais ao produto da carga vertical ‘P’ pelo deslocamento
lateral “Delta”, por isso, a denominação “P-Delta”. A Figura 2.17 abaixo mostra a idealização
do processo P-Delta.
Figura 2.17 – Processo P-Delta
Fonte: Iglesia (2016)
Ertel (2016) salienta que o processo P-Delta é um processo iterativo onde, em um
primeiro momento as ações verticais e horizontais são aplicadas sobre a estrutura em
deformação, verificando-se a posição deformada da estrutura. Em um segundo momento, os
esforços originais são aplicados novamente sobre a estrutura indeformada junto com os esforços
gerados pelos deslocamentos após a estrutura se deformar. Este processo é repetido até obter-
se uma convergência entre os valores de deformação apresentados pela estrutura. Os esforços
finais obtidos pelo processo P-Delta são utilizados no dimensionamento da estrutura e a posição
final do edifício deve obedecer às verificações dos Estados Limites de Serviço.
2.12 Esbeltez dos pilares
O índice de esbeltez de acordo com a NBR 6118/2014 é a razão entre o
comprimento de flambagem e o raio de giração, nas direções a serem consideradas, este índice
é dado pela Equação 20:
39
λ= com i = . (Eq. 20)
Em que:
le = comprimento de flambagem;
i = Raio de giração;
I = Momento de inércia.
A = Área da seção.
Para seções retangulares, como as utilizadas no projeto o índice de esbeltez é dada
pela Equação 21:
,
λ= (Eq. 21)
Em que:
h = dimensão do pilar na direção considerada;
O comprimento de flambagem de uma barra isolada depende das vinculações na
base e no topo conforme mostra a Figura 2.18.
Figura 2.18 – Comprimentos de flambagem
Fonte: Bastos 2017.
Segundo a NBR 6118/2014 a esbeltez limite, λi, corresponde ao valor da esbeltez
no qual os efeitos de segunda ordem começam a reduzir a resistência do pilar no Estado Limite
Último. A esbeltez limite pode ser obtida pela Equação 22:
40
, .
λi = , com 35 ≤ λi ≤ 90 (Eq. 22)
Em que:
e1/h = Excentricidade de primeira ordem;
αb = Coeficiente que depende da distribuição de momentos no pilar.
A NBR 6118/2014 garante ainda que os esforços locais de 2ª ordem em elementos
isolados podem ser desprezados quando o valor da esbeltez, λ, for menor que o valor limite λi.
Os pilares são classificados quanto a sua esbeltez em:
Pilares curtos: λ ≤ λi;
Pilares mediamente esbeltos: λi < λ ≤ 90;
Pilares esbeltos: 90 < λ ≤140;
Pilares muito esbeltos: λ ≤ 200.
2.13 Vigas baldrame
Vigas baldrame são elementos estruturais normalmente alocados abaixo do nível do
solo. Podem ser concebidos em concreto armado, concreto simples ou em blocos maciços.
(ERTEL, 2016).
Ainda segundo o autor esses elementos podem ser usados como fundação para
edificações de pequeno porte e baixas cargas de solicitação, dependendo da capacidade
resistente do solo local. Essas vigas têm ainda a função de travar os pilares e os elementos de
fundação entre si, garantindo estabilidade a estrutura.
3 MATERIAIS E MÉTODOS
3.1 Delineamento da pesquisa
No que se refere aos procedimentos técnicos, a pesquisa se caracteriza como uma
pesquisa bibliográfica, sendo denotada de estudo de caso visto que ela visa abordar os
resultados de análises estruturais de diversos modelos elaborados.
41
Por se tratar de um estudo envolvendo pesquisa bibliográfica e estudo de caso, a
pesquisa pode ser classificada como exploratória, destacando-se como objetivos principais, o
aprimoramento de conceitos e descoberta de intuições.
3.2 Etapas da pesquisa
As etapas referentes a pesquisa definidas na metodologia deste estudo estão
expostas na Figura 3.1 e descritas logo a seguir.
Figura 3.1 – Fluxograma das etapas da pesquisa
Fonte: Elaborado pelo autor
A primeira etapa deste trabalho trata da realização da pesquisa bibliográfica, onde
é realizado o aprofundamento sobre o assunto afim de se obter o embasamento teórico
necessário. Normas técnicas, bibliografias direcionadas, dissertações e publicações foram
utilizados para o desenvolvimento deste trabalho.
Definiu-se o projeto arquitetônico base com o auxílio do Software AutoCAD
contando com as dimensões, posições de esquadrias, delimitação de ambientes entre outras, que
foi utilizado como base para a elaboração dos modelos estruturais no estudo de caso.
Realizou-se o lançamento da estrutura através do Software comercial AltoQi
Eberick 2019 para o projeto arquitetônico base e o estudo de caso foi definido dimensionando-
se a estrutura do modelo padrão e em seguida realizando a confecção dos demais modelos
variando o comprimento dos pilares de fundação e a retirada das vigas baldrame.
Em seguida, a análise dos resultados realizou-se tendo em vista a verificação
comparativa entre os modelos com vigas baldrame e sem vigas baldrame para os diferentes
comprimentos de pilar de fundação, a análise de alguns parâmetros referentes ao
comportamento da estrutura e o quantitativo de materiais foi realizada. Por fim, as
considerações finais acerca dos resultados obtidos com o estudo são elencadas.
42
3.3 Projeto arquitetônico base
O projeto arquitetônico utilizado como base para o desenvolvimento dos modelos
estruturais estudados é composto por um pavimento térreo mais três pavimentos tipo,
totalizando quatro pavimentos. No térreo encontra-se vagas de estacionamento e acesso aos
apartamentos. Nos pavimentos tipo tem-se dois apartamentos por pavimento, totalizando seis
unidades de aproximadamente 61m² cada. Cada apartamento é dividido da seguinte maneira:
uma sala de estar/jantar, um banheiro, dois quartos, uma cozinha, uma área de serviço e uma
varanda. As plantas baixas contendo os pavimentos térreo e tipo da edificação podem ser
encontradas nos Anexos 1 e 2.
3.4 Estudo de caso
3.4.1 Lançamento da estrutura
O primeiro passo para a elaboração do projeto estrutural do modelo padrão é o
lançamento da estrutura após a importação da arquitetura base no Software Eberick. O
lançamento dos elementos estruturais se deu da seguinte forma:
Lançamento dos pilares: Os pilares foram lançados partindo do pavimento tipo, para
isso foram adotadas as dimensões de 20x40cm, com exceção dos dois pilares próximos
a escada que tiveram suas dimensões aumentadas para servirem de apoio a viga de
sustentação da mesma como pode ser visto na Figura 3.2, as seções adotadas respeitam
a seção mínima de 360cm² prevista na NBR 6118/2014. Optou-se por lançá-los na
direção de menor comprimento do edifício, ou seja, na direção de menor inércia e
buscou-se o mínimo de interferência com o projeto arquitetônico.
Lançamento das vigas: Para as vigas, adotou-se as dimensões de 19x40 para a estrutura
de contraventamento e 14x40 para a estrutura contraventada, respeitando uma folga de
5cm para cada lado da parede de alvenaria para o reboco, como mostra a planta de forma
do pavimento tipo (Figura 3.3), na definição da altura desses elementos, levou-se em
consideração que os vãos médios eram da ordem de 4 metros onde utilizou-se a relação
de l/10 para a altura das vigas. As vigas baldrame foram lançadas com altura de 30cm
pois se encontram apoiadas no solo, e mesmas larguras das demais vigas do pavimento
tipo como pode ser visualizado na planta de forma do pavimento térreo (Figura 3.2).
43
Lançamento das lajes: Para as lajes, adotou-se uma espessura de 10cm para todas,
buscando uma uniformização das seções. As lajes do projeto são todas lajes maciças e
foram engastadas umas nas outras na etapa de lançamento.
Lançamento das fundações: A fundação escolhida para o projeto foi a sapata isolada.
Neste trabalho, optou-se por utilizar a opção disponível no Eberick que transforma um
pilar de arranque em fundação e as suas dimensões são calculadas automaticamente de
acordo com as cargas na fundação e os parâmetros de resistência do solo. Neste trabalho
as sapatas foram adotadas de forma genérica e seu dimensionamento não foi
considerado pois não contempla os objetivos do estudo.
Figura 3.2 – Planta de forma do pavimento térreo
Fonte: Elaborado pelo autor
44
Figura 3.3 – Planta de forma do pavimento tipo
Fonte: Elaborado pelo autor
A representação em 3D do modelo padrão pode ser visualizada abaixo na Figura
3.4.
Figura 3.4 – Representação em 3D do modelo padrão
Fonte: Elaborado pelo autor
45
3.4.2 Configurações do Software comercial AltoQi Eberick 2019
Antes de realizar o processamento da estrutura no Eberick 2019 é necessário
realizar a configuração do software para o projeto, respeitando sempre os valores normativos.
Baseado no referencial teórico apresentado e as características da edificação, as configurações
do Software comercial AltoQi Eberick 2019 foram realizadas.
3.4.3 Combinações de ações
Para as combinações de ações do projeto foram mantidas as configurações default
do Software Eberick 2019, visto que os coeficientes já são configurados de acordo com a NBR
6118/2014 e as combinações necessárias já são previamente configuradas como foi mencionado
no tópico 2.7 do referencial teórico. Desse modo, o Software Eberick determina a combinação
que representa a situação mais desfavorável a estrutura.
3.4.4 Configurações de análise
As configurações de análise definem os parâmetros do modelo de cálculo, pelo qual
o software determina os esforços e deslocamentos na estrutura.
Como citado no tópico 2.5 do referencial teórico deste trabalho, o processo de
cálculo escolhido nesta análise foi o de grelhas + pórtico espacial. Neste modelo os painéis de
lajes são analisados primeiro, através de um modelo bi-dimensional de grelha, em seguida, as
reações das lajes nas vigas são adicionadas a um modelo de pórtico espacial que representa
somente os pilares e as vigas. A escolha desse modelo deu-se por representar um custo
computacional menor, tornando-se mais atrativo tendo em vista a quantidade de modelos
estudados.
Para as configurações de análise é importante definir a redução no engaste para nós
semi-rígidos, a redução na torção para os pilares e a redução na torção para a s vigas.
Com relação a redução no engaste para nós semi-rígidos, a NBR 6118/2014, em seu
item [Link], define que o coeficiente de redistribuição dos momentos (δ) deve obedecer aos
limites de 0,9 para estruturas de nós móveis e 0,75 para estruturas de nós fixos, implicando em
uma redução no momento fletor de até 10% para estruturas de nós móveis e até 25% para
estruturas de nós rígidos. Como na estrutura em questão utilizou-se apenas ligações totalmente
engastadas, não utilizando nós semi-rígidos, foi mantido o valor default de 15% do Software
46
Eberick.
Outro ponto a ser considerado nas configurações de análise é a redução na torção
para pilares e vigas. O item [Link] da NBR 6118/2014 determina o percentual de redução da
rigidez à torção destes elementos. Com isso, pode-se reduzir a rigidez a torção das vigas por
fissuração, em até 85%, utilizando 15% do valor da rigidez elástica. De forma análoga, o mesmo
pode ser considerado para os pilares. Neste trabalho, optou-se por configurar a redução da
rigidez a torção das vigas em 85% e não utilizar a redução da rigidez a torção para os pilares.
Na não linearidade física, os fatores de redução da rigidez do material foram
configurados de acordo com o que consta no item 15.7.3 da NBR 6118/2014 conforme
explicado no item 2.3 do referencial teórico deste trabalho, utilizando os valores de redução de
0,3 para as lajes, 0,4 para as vigas e 0,8 para os pilares.
Diante do fato das análises dos efeitos de segunda ordem serem mais precisos
quando realizados pelo processo P-Delta do que pela aproximação do coeficiente γz, o Software
Eberick foi configurado para utilizar este processo na análise da não linearidade geométrica
como exemplificado no item [Link] do referencial teórico deste trabalho. Utilizou-se um
número máximo de 10 iterações e uma precisão mínima de 1%. Dessa forma o processo P-Delta
é realizado 10 vezes e os resultados para os deslocamentos horizontais da última análise são
comparados com a penúltima com o objetivo dessa diferença não ultrapassar a precisão mínima
de 1% e a estrutura ser processada.
3.4.5 Configurações de dimensionamento
Para o dimensionamento dos pilares, a NBR 6118/2014 estabelece uma taxa
máxima de até 8% para o limite da taxa de armadura, incluindo as regiões de emendas. Com
isto, utilizou-se neste trabalho a taxa máxima de 4% para evitar que nas regiões de emendas a
taxa armadura ultrapasse o valor limite normatizado. O Software Eberick permite configurar o
número máximo de barras em uma face da seção do pilar entre 2 e 90 barras, foi utilizado o
número máximo permitido de 90 barras.
A seção transversal mínima foi configurada em 360cm² com a menor dimensão
sendo 14cm como estabelece a NBR 6118/2014.
Para o dimensionamento das vigas, é importante a definição da relação máxima
entre a altura e o centro de gravidade (CG) da armadura. De acordo com a NBR 6118/2014 esta
relação é limitada em 10%, assim como foi configurado neste trabalho. A norma de estruturas
estabelece ainda que a taxa de armadura máxima nas vigas é de 8%, porém, para garantir que a
47
soma das armaduras de tração e de compressão neste trabalho não ultrapassem o limite
estabelecido na NBR 6118/2014, foi configurado o valor de 2% para a taxa de armadura máxima
das vigas.
No dimensionamento das lajes a NBR 6118/2014 em seu item 20.1, determina que
o espaçamento máximo para a armadura positiva principal seja de 20cm ou o dobro da altura
da laje, prevalecendo o menor valor, como as lajes utilizadas no projeto tem altura de 10cm,
utilizou-se a configuração de 20cm para o espaçamento dessa armadura. Em relação a armadura
positiva secundária, a NBR 6118/2014 prevê um espaçamento máximo de 20% da armadura
principal ou 33cm prevalecendo o menor valor. Nesse caso, utilizou-se 25cm como
espaçamento máximo da armadura positiva secundária. A taxa de armadura máxima foi definida
de maneira análoga a das vigas.
As configurações de dimensionamento dos elementos são indispensáveis ao
desenvolvimento deste trabalho, principalmente no que diz respeito ao quantitativo de materiais
que será abordado nos resultados.
3.4.6 Configurações de materiais e durabilidade
As características dos materiais e durabilidade que engloba as classes de
agressividade, a resistência característica do concreto e os cobrimentos dos elementos são
configurados nesta etapa, o concreto adotado paro este trabalho tem peso específico de
25KN/m³. As considerações para os parâmetros iniciais do projeto desenvolvido estão descritas
abaixo (Tabela 3.1).
Tabela 3.1 – Configurações de materiais e durabilidade utilizadas nos modelos
Classe de agressividade II (Moderada)
Elementos Fck (Mpa) Cobrimento
Pilares 30 3
Vigas 25 3
Lajes 25 2,5
Sapatas 25 3
Fonte: Elaborado pelo autor
3.4.7 Configurações de vento
48
Para as cargas de vento, considerou-se que a edificação fica localizada no estado do
Ceará, considerando assim que a velocidade básica do vento utilizada para o carregamento na
estrutura é de 30 m/s de acordo com o mapa de isopletas presente na NBR 6123/1988. Além da
velocidade básica do vento, foram definidos os fatores S1, S2 e S3 como citado no item 2.10 do
referencial teórico. Para esses valores considerou-se que a edificação é uma edificação
residencial que se encontram em um terreno plano ou fracamente acidentado e sua maior
dimensão horizontal ou vertical é menor do que 20 metros. Desse modo, o valor de S1 foi igual
a 1,0, S2 igual a 1,04 e S3 igual a 1,0.
3.4.8 Verificações ao estado limite de serviço (ELS)
A tabela 13.3 da NBR 6118/2014 define uma flecha limite para elementos
estruturais igual a L/250 referentes a aceitabilidade sensorial (Visual) e L/350 referentes aos
limites para vibrações sentidas no piso devido às cargas acidentais. Para os elementos não
estruturais a norma define um deslocamento lateral limite no topo de edifício de H/1700 e de
Hi/850 entre pavimentos adjacentes. Esses deslocamentos são advindos de cargas de vento. Tais
configurações foram adotadas utilizando combinações quase permanentes para as flechas em
elementos estruturais e combinações frequentes para as vibrações no piso e deslocamento lateral
do edifício.
3.4.9 Carregamentos adotados
Para as cargas de parede, foram considerados carregamentos de blocos cerâmicos
vazados, que, de acordo com a NBR 6120/1980 é de 13kN/m³. As cargas distribuídas por área
no edifício foram baseadas nas utilizadas no trabalho de Ertel (2016), para as cargas
permanentes considerou-se revestimento, regularização e acabamento de teto e as cargas
acidentais foram definidas de acordo com a NBR 6120/1980. Estas cargas estão apresentadas
na Tabela 3.2 abaixo.
49
Tabela 3.2 – Cargas distribuídas por área utilizadas nos modelos
Carregamentos
Pavimento Acidental (kN/m²) Permanente (kN/m²)
Escada 2,5 1,5
Térreo 0 0
Tipo 1,5 1,5
Cobertura 0,5 0,5
Fonte: Adaptado de Ertel, 2016
Efetuado o lançamento da estrutura, as configurações necessárias no Software
Eberick e o lançamento das cargas, a estrutura do modelo padrão pode assim ser processada e
dimensionada para o estudo.
3.5 Descrição dos modelos
Para o trabalho em questão, foram analisadas 10 situações diferentes incluindo o
modelo padrão, onde variou-se o comprimento “h” dos pilares que vão desde as vigas baldrame
(quando estas são utilizadas na estrutura) até a fundação, e neste trabalho serão chamados de
pilares de fundação, para o edifício com vigas baldrame e sem vigas baldrame partindo do
modelo padrão com pilar de fundação de comprimento h=1,5m até h=3,0m variando o
comprimento em 50cm. A variação no comprimento desses pilares foi utilizada para variar a
esbeltez dos mesmos e poder estudar a influência deste parâmetro. A Figura 3.5 mostra um
esquema dos modelos estudados, identificando os tipos de estruturas analisadas e os parâmetros
envolvidos.
50
Figura 3.5 - Descrição dos modelos analisados, (a) Edifício com vigas baldrame, (b) Edifício sem vigas
baldrame.
Fonte: Elaborado pelo autor.
Abaixo, na Tabela 3.3, todos os modelos analisados estão descritos de maneira
resumida.
Tabela 3.3 - Descrição dos modelos analisados
Descrição dos modelos analisados
Tipo A: Edifício com viga baldrame
Modelo Descrição
A1,5 Edifício com pilar de fundação de 1,5m
A2,0 Edifício com pilar de fundação de 2,0m
A2,5 Edifício com pilar de fundação de 2,5m
A3,0 Edifício com pilar de fundação de 3,0m
Tipo B: Edifício sem viga baldrame
Modelo Descrição
B1,5 Edifício com pilar de fundação de 1,5m
B2,0 Edifício com pilar de fundação de 2,0m
B2,5 Edifício com pilar de fundação de 2,5m
B3,0 Edifício com pilar de fundação de 3,0m
B2,5* Edifício com pilar de fundação de 2,5m (Considerando
aumento na seção dos pilares de fundação e térreo)
B3,0* Edifício com pilar de fundação de 3,0m (Considerando
aumento na seção dos pilares de fundação e térreo)
Fonte: Elaborado pelo autor
Como evidenciado na Tabela 3.3, os modelos do Tipo A possuem em seu pavimento
térreo vigas baldrames engastadas nos pilares. Já os modelos do Tipo B são aqueles que não
possuem vigas baldrame.
51
Partindo do dimensionamento estrutural do modelo padrão A1,5, todos os demais
modelos foram reprocessados e analisados no Software comercial AltoQi Eberick 2019, onde
foi verificada a seção das vigas e pilares definidos na fase de lançamento da estrutura e tais
elementos foram dimensionados seguindo os critérios de dimensionamento para os Estados
Limites Últimos (ELU) e as verificações para os Estados Limites de Serviço (ELS) com as
mesas seções utilizadas no modelo padrão.
A análise realiza da no Software Eberick não indicou a necessidade de mudança na
seção dos pilares e vigas dos modelos do Tipo A, com vigas baldrame, onde as plantas de forma
de todos os modelos são iguais às do modelo padrão (Figura 3.2 e Figura 3.3).
Para os modelos do Tipo B, sem vigas baldrame, a análise realizada no Eberick
também não indicou a necessidade de mudança na seção dos elementos estruturais, porém,
elaborou-se os modelos B2,5* e B3,0* conforme indicado na Tabela 4.3.1, com um aumento na
seção de todos os pilares para diminuir a esbeltez dos mesmos. Portanto, para os modelos B2,5*
e B3,0* a menor dimensão dos pilares que anteriormente era de 20cm no modelo padrão passou
a ter 21cm e 24cm respectivamente como mostra a Figura 3.6. Para se chegar a essas novas
dimensões foram realizadas várias tentativas para encontrar a mínima dimensão que garantia
um índice de esbeltez (λ) menor do que 90 para os modelos.
Figura 3.6 – Dimensão dos pilares para os modelos B2,5* e B3,0*, (a) Modelo B2,5*, (b) Modelo 3,0*
Fonte: Elaborado pelo autor
52
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados serão tratados separadamente divididos entre os seguintes tópicos:
Índice de esbeltez “λ”, Coeficiente de estabilidade global “γz”, deslocamentos no topo do
edifício, consumo de materiais globais e consumo de materiais locais no pavimento térreo.
4.1 Resultados para a esbeltez “λ” dos pilares
Foram analisados os resultados para a esbeltez “λ” dos pilares de fundação e do
pavimento térreo, que são os pilares afetados pela retirada das vigas baldrame. Esses resultados
estão dispostos na Figura 4.1.
Figura 4.1 – Resultados para a esbeltez “λ” dos pilares de fundação e térreo
110,00
100,00
90,00
80,00
70,00
60,00
λ
50,00
40,00
30,00
20,00
10,00
0,00
B2,5 B3,0
A1,5 A2,0 A2,5 A3,0 B1,5 B2,0 B2,5 B3,0
* *
λ - Pi l ar Fund. 25,95 34,60 43,25 51,90 77,85 86,50 95,15 86,50 103,80 86,50
λ - Pi l ar. Térreo 51,90 51,90 51,90 51,90 77,85 86,50 95,15 86,50 103,80 86,50
Fonte: Elaborado pelo autor
A análise da figura 4.1 indica que nos primeiros modelos, referentes aos modelos
com vigas baldrame (A1,5, A2,0, e A2,5) o índice de esbeltez “λ” é diferente nos pilares de
fundação e do pavimento térreo, visto que, existe a ligação da viga baldrame engastada nos
pilares sendo que os pilares de fundação tem comprimento diferente dos pilares do pavimento
térreo. É possível observar ainda um aumento na esbeltez dos pilares de fundação ao aumentar
o seu comprimento, conforme o comportamento crescente do gráfico. A partir do modelo A3,0,
modelo com vigas baldrame e pilar de fundação de 3,0m, nota-se que o índice de esbeltez para
os pilares de fundação e do térreo são iguais, tal fato ocorre, pois, com a retirada das vigas
baldrame esses pilares passam a representar um pilar só com comprimento equivalente.
53
É importante observar também que os pilares do modelo 2,5 e 3,0 ultrapassam o
índice de esbeltez “λ” de 90, sendo o maior valor igual a 103,80 para o modelo B3,0, e, dessa
forma, passam a ser classificados como pilares esbeltos enquanto os demais modelos
apresentam pilares mediamente esbeltos, tal ocorrência pode implicar em mudanças
significativas no consumo de material devido a consideração dos efeitos locais de segunda
ordem no dimensionamento dos pilares como prevê a NBR 6118/2014.
4.2 Resultados para o coeficiente de estabilidade global “γz”
Os resultados para o coeficiente de estabilidade global “γz” são divididos entre o
eixo x e y da edificação e dispostos nas Figuras 4.2 e 4.3.
Figura 4.2 – Resultados para o coeficiente de estabilidade global “γz” no eixo x
1,12
1,11 1,11
1,11
1,10 1,10
1,10
1,10
1,09
1,09
λz
Tipo A
1,09 1,09 1,09
1,09 Tipo B
1,08 1,08
1,08
1,07
1,07
1,5 2 2,5 3 2,5* 3,0*
Modelos
Fonte: Elaborado pelo autor
A figura 4.2 mostra, um pequeno aumento no valor de “γz” para o eixo x da
edificação no que diz respeito aos modelos do tipo A (com vigas baldrame) com pilar de
fundação de 1,5m e 2,0m de comprimento, para os respectivos modelos do tipo B (sem vigas
baldrame) “γz” permanece constante para os pilares de 1,5m e 2,0m, indicando pouca influência
das vigas baldrame na estabilidade da estrutura para essa faixa de comprimento de pilar de
fundação. A partir dos modelos com pilar de fundação de 2,0m, os modelos do tipo A
permanecem com um valor de “γz” constante e os modelos do tipo B sofrem um aumento
contínuo, indicando uma maior influência da retirada das vigas baldrame ao se aumentar o
54
comprimento dos pilares de fundação, principalmente nos pilares de 2,5m e 3,0m que são os
que apresentam índice de esbeltez superior a 90. Ao aumentar a seção desses pilares nota-se
que os valores de γz tendem a cair. Se comparados os valores de γz , a maior diferença se dá no
modelo com pilar de fundação de 3,0m e que também é o modelo que apresenta maior índice
de esbeltez (λ = 103,8) nos pilares, porém, como essa diferença é de apenas 1,83%, nos leva a
crer que a retirada das vigas baldrame e o aumento no comprimento e consequente aumento no
índice de esbeltez dos pilares pouco influencia na estabilidade global da estrutura em estudo,
indicando que o aumento nos deslocamentos da estrutura são pequenos. Nota-se ainda que o
este índice permanece dentro do limite de 1,3 estabelecido em norma para considerar que a
estrutura não apresenta deslocabilidade excessiva.
Figura 4.3 – Resultados para o coeficiente de estabilidade global “γz” no eixo y
1,18
1,17
1,16
1,14
1,14 1,12
1,12 1,12
1,12
1,10 1,10
λz
1,10 Tipo A
1,08 1,09
Tipo B
1,08 1,08
1,06
1,04
1,02
1,5 2 2,5 3 2,5* 3,0*
Modelos
Fonte: Elaborado pelo autor
A figura 4.3 mostra um aumento praticamente linear no coeficiente “γz” com a
retirada das vigas baldrame para o eixo y da edificação. Inicialmente, com os pilares de
fundação de 1,5m de comprimento, a diferença desse coeficiente entre os modelos do tipo A
(com vigas baldrame) e do tipo B (sem vigas baldrame) era de 1,85% e passou a ser de 6,36%
entre os modelos com pilar de fundação de 3,0m de comprimento e maior esbeltez (λ = 103,8),
valor bem superior a maior variação observada para este mesmo parâmetro em relação ao eixo
x. Pode-se observar, de acordo com o gráfico 4.3, uma diminuição nesse coeficiente de
estabilidade global com o aumento da seção dos pilares de fundação e térreo e diminuição da
esbeltez representados através dos modelos B2,5* (λ = 86,5) e B3,0* (λ = 103,8), indicando um
55
aumento na estabilidade global da estrutura com o aumento da seção desses pilares. O fato do
modelo que apresentou maior variação no seu coeficiente de estabilidade global “γz” ter
apresentado um aumento de 6,36% com a retirada das vigas baldrame e o aumento da esbeltez
dos pilares indica que estas não impactam de maneira significativa a estabilidade da estrutura,
ou seja, o aumento nos deslocamentos da estrutura são pequenos. Os resultados mostram que
nenhum dos modelos apresentam deslocamentos excessivos tanto para x quanto para y, visto
que o valor de “γz” não ultrapassa o limite de 1,3 estabelecido na NBR 6118/2014.
4.3 Deslocamentos no topo do edifício
Os resultados da análise para os deslocamentos no topo do edifício causados pela
ação do vento e limitados pela verificação do estado limite de serviço de deslocamentos
excessivos dos modelos estudados estão apresentados abaixo divididos entre o eixo x e y da
edificação e dispostos nas Figuras 4.4 e 4.5.
Figura 4.4 – Deslocamentos no topo do edifício na direção x
0,4
0,37
0,35
0,30 0,31
0,33 0,29
0,3
Desl. (cm)
0,26
Tipo A
0,25 0,23 0,26 Tipo B
0,24
0,2 0,21
0,15
1,5 2 2,5 3 2,5* 3,0*
Modelos
Fonte: Elaborado pelo autor
Através da figura 4.4 pode-se notar que, a medida em que se aumenta o
comprimento dos pilares de fundação, observa-se um aumento contínuo nos deslocamentos no
topo do edifício na direção x. Nota-se também que os deslocamentos para os modelos sem vigas
baldrame são maiores do que para os modelos com esses elementos. Os resultados para os
modelos B2,5* e B3,0* mostram que o aumento na seção dos pilares reduz esses deslocamentos,
56
devido ao aumento de rigidez da estrutura. A maior variação encontrada para esses
deslocamentos com a retirada das vigas baldrame é percebida para o modelo com pilares de
fundação de 3,0m e é da ordem de 15,4%, valor relativamente baixo, o que nos leva a crer que
as vigas baldrame tem pouca influência no travamento da estrutura em estudo. Nota-se ainda
que para nenhum dos modelos o valor de deslocamento ultrapassa o limite estabelecido na NBR
6118/2014, no caso do modelo com maior deslocamento no valor de 0,37cm, que é o modelo
B3,0 o limite de deslocamento no topo do edifício é de 0,88cm. É importante observar que os
maiores valores de deslocamento são para o mesmo modelo que apresenta maior índice de
esbeltez “λ”.
Figura 4.5 – Deslocamentos no topo do edifício na direção y
0,45
0,42
0,4
0,35
0,31
Desl. (cm)
0,3
0,28
0,27 Tipo A
0,25 0,25
Tipo B
0,22
0,2 0,21
0,20
0,18
0,15 0,16
0,1
1,5 2 2,5 3 2,5* 3,0*
Modelos
Fonte: Elaborado pelo autor
Para os deslocamentos no topo do edifício na direção y, vide figura 4.5, os
resultados evidenciam que, assim como na direção x, quanto mais se aumenta o comprimento
dos pilares de fundação maiores são os valores de deslocamentos. É possível notar ainda que a
retirada das vigas baldrame causa uma grande variação nesses deslocamentos devido à perda
de estabilidade gerada pela retirada desses elementos.
Enquanto para os modelos com pilar de fundação de 1,5m de comprimento a
variação com a retirada das vigas baldrame foi de 31,25% para os modelos com pilar de
fundação de 3,0m essa variação foi de 90,91%, nota-se que esse modelo é o mesmo que
apresenta maior índice de esbeltez “λ” entre todos os modelos. O fato de os deslocamentos
apresentarem maiores valores e variações para o eixo y do que para o eixo x reforçam ideia de
que o eixo y é o de menor rigidez da estrutura, sendo assim, mais suscetíveis a essas variações.
57
Apesar do modelo B3,0 que representa o modelo com pilar de fundação de 3,0m de
comprimento apresentar valor elevado de deslocamento no topo do edifício, sendo bem superior
ao valor do deslocamento para o mesmo modelo com vigas baldrame, esse deslocamento se
manteve dentro dos limites estabelecidos na NBR6118/2014, que, para esse modelo é de 0,88cm.
É importante observar ainda que o aumento na seção dos pilares do modelo 2,5m e 3,0m reduz
significativamente os deslocamentos no topo do edifício como mostra os modelos B2,5* e
B3,0* pois, aumenta-se a rigidez da estrutura.
4.4 Consumo de materiais global
Os resultados para o consumo de material global estão divididos entre o quantitativo
de concreto, aço e formas e engloba o quantitativo desses materiais referentes aos pilares, vigas
e lajes de todo o edifício para cada modelo. Tais resultados estão expressos abaixo nas Figuras
4.6, 4.7 e 4.8.
Figura 4.6 – Quantitativo global de concreto em m³
122,00
120,00
118,00
Concreto (m³)
116,00
114,00
112,00
110,00
108,00
106,00
1,5 2 2,5 3
Tipo A 116,50 117,40 118,20 119,50
Tipo B 111,10 112,00 112,80 114,10
Tipo B* 113,80 116,20
Fonte: Elaborado pelo autor
Os resultados explícitos na figura 4.6 mostram, ao se comparar os modelos do tipo
A (com vigas baldrame), com os modelos do tipo B (sem vigas baldrame) que vão de 1,5m a
3,0m de comprimento, que, a redução do consumo de concreto é mais significativa para os
modelos com pilares menos esbeltos, visto o menor comprimento do pilar de fundação. A partir
da análise dos resultados para os modelos com pilar de fundação de 1,5m que apresenta índice
de esbeltez de 25,95 no modelo A1,5 com vigas baldrame e 77,85 no modelo B1,5 sem vigas
58
baldrame, fica evidenciado uma redução no consumo global deste item de 5,4m³.
Incrementos elevam a esbeltez do pilar como um todo, aproximando ou
ultrapassando o valor limite de λ = 90 para pilares mediamente esbeltos. Sendo assim,
necessitam de aumento nas suas dimensões que resultam no aumento no consumo de concreto
como pode ser observado nos modelos B2,5* que tem seção de 21x40cm e B3,0* com seção
de 24x40cm.
Figura 4.7 – Quantitativo global de aço em kg
7600,00
7400,00
7200,00
7000,00
Aço (kg)
6800,00
6600,00
6400,00
6200,00
6000,00
1,5 2 2,5 3
Tipo A 6712,70 6797,30 6872,20 6949,70
Tipo B 6419,00 6682,30 6993,80 7378,00
Tipo B* 6712,20 6772,50
Fonte: Elaborado pelo autor
A análise dos resultados referentes ao consumo global de aço dos modelos
estudados, vide figura 4.7, indica que a redução no consumo deste insumo é mais significativa
nos modelos com pilares de fundação de menor comprimento e consequentemente menor índice
de esbeltez “λ”. A figura 4.7 mostra ainda que modelos que apresentam índice de esbeltez
superior a 90, como os modelos B2,5 e B3,0, que são modelos sem vigas baldrame e
apresentam λ = 95,15 e 103,80 respectivamente, o consumo de aço é superior ao dos modelos
com vigas baldrame (Tipo A) e mesmo comprimento de pilar de fundação. A comparação entre
o consumo de aço dos modelos A3,0 e B3,0 indica um aumento de 428,3kg de aço após a
retirada das vigas baldrame. Esse aumento do consumo de aço ao ultrapassar o limite de esbeltez
de 90 é justificado pela necessidade de consideração dos efeitos de segunda ordem e fluência
no dimensionamento desses pilares, resultando na necessidade de incrementar seção de aço.
Ao aumentar a seção dos pilares como ocorreu nos modelos B2,5* e B3,0*, o
consumo de aço para os modelos sem viga baldrame volta a ser inferior em relação aos modelos
59
A2,5 e B3,0 com vigas baldrame visto que, o índice de esbeltez “λ” que anteriormente era
superior a 90 volta a apresentar valores inferiores a esse limite.
Figura 4.8 – Quantitativo global de formas em m²
1520,00
1500,00
1480,00
1460,00
Formas (m²)
1440,00
1420,00
1400,00
1380,00
1360,00
1340,00
1320,00
1,5 2 2,5 3
Tipo A 1469,00 1481,60 1494,20 1506,80
Tipo B 1384,90 1397,50 1410,10 1427,00
Tipo B* 1414,50 1436,70
Fonte: Elaborado pelo autor
Os resultados referentes ao consumo global de formas, vide gráfico 4.8, dos
modelos analisados mostram uma redução em torno de 5% nos quantitativos dos modelos do
tipo B sem vigas baldrame em relação aos modelos do tipo A com vigas baldrame para todos
os comprimentos de pilar de fundação estudados, exceto para os modelos com aumento na seção
dos pilares (B2,5* e B3,0*). Para os modelos em que os pilares sofreram um aumento da seção
de concreto, caso dos os modelos B2,5* e B3,0*, para reduzir o índice de esbeltez a valores
inferiores a 90, essa redução no consumo global de formas mostrou-se menos significativa,
visto que o aumento na seção dos pilares acarreta em uma necessidade de maior consumo de
formas para a concretagem desses elementos. A comparação entre os modelos A,30 e B3,0*,
edifícios com pilares de fundação de 3,0m de comprimento com e sem vigas baldrame
respectivamente, apresentou uma redução em torno de 4% no consumo de formas onde
anteriormente era na ordem de 5%.
4.5 Consumo de materiais local
Para analisar melhor a variação no quantitativo de materiais nos modelos, foi
estudado o consumo de materiais a nível local no pavimento térreo, pavimento afetado
60
diretamente pela retirada das vigas baldrame e consequentemente da mudança de esbeltez dos
pilares. Os resultados referentes a esta análise podem ser visualizados logo abaixo nas Figuras
4.9, 4.10 e 4.11.
Figura 4.9 – Quantitativo de concreto local no pavimento térreo em m³
Fonte: Elaborado pelo autor
A análise da figura 4.9 indica uma redução no quantitativo de concreto para os
modelos do tipo B (sem vigas baldrame) em relação aos do tipo A (com vigas baldrame), sendo
mais acentuada no modelo com pilar de fundação de 1,5m de comprimento e menor esbeltez (λ
= 25,95). Para esse modelo, a redução no consumo de concreto foi de 15,38%. Em termos locais,
a redução no consumo de concreto é mais significativa, visto que, a localização das vigas
baldrame no pavimento térreo significa que não ocorre redução no consumo desse item nos
pavimentos subsequentes.
Ao se aumentar a esbeltez e ultrapassar o valor limite de λ = 90, a redução no
consumo de concreto é menos acentuada devido ao aumento na seção dos pilares. Para os
modelos com pilares de fundação de 2,5m e 3,0m, a retirada das vigas baldrame resultou em
esbeltez em torno de 95,15 e 103,8 para os modelos B2,5 e B3,0 respectivamente, e a redução
no consumo de concreto foi de aproximadamente 14,67% para o modelo com pilar de fundação
com 2,5m de comprimento e 13,79% para o modelo com pilar de fundação com 3,0m de
comprimento. Aumentando a seção dos pilares e reduzindo sua esbeltez, no caso dos modelos
B2,5* e B3,0*, que passou a apresentar λ em torno de 86,5, ou seja, menor do que 90, essa
redução passou a ser de 12,26% para o modelo com pilar de fundação de 2,5m de comprimento
e 8,49% para o modelo com pilar de fundação de 3,0m de comprimento, o que evidencia uma
61
redução significativa no consumo de concreto com o aumento na esbeltez dos pilares.
Figura 4.10 – Quantitativo de aço local no pavimento térreo em kg
Fonte: Elaborado pelo autor
Os resultados expostos na figura 4.10 indicam uma redução no quantitativo de aço
ao retirar-se as vigas baldrame para os modelos com pilares de fundação de 1,5 e 2,0 metros de
comprimento, modelos que apresentam esbeltez menor do que 90. Essa redução mais acentuada
para o modelo com pilar de fundação de 1,5m de comprimento e esbeltez de 77,85 (modelo
B1,5), que no caso, apresentaram uma redução de 13,80% se comparado ao modelo com vigas
baldrame e mesmo comprimento de pilar de fundação (modelo A1,5)
A medida em que se aumenta a esbeltez dos pilares de fundação e a mesma se
aproxima do valor limite de λ = 90, a redução no consumo deste material com a retirada das
vigas baldrame fica menos acentuada, como é o caso dos modelos com pilar de fundação de
2,0metros que apresentam índice de esbeltez de 86,50 sem as vigas baldrame (modelo B,20).
Para esse modelo a redução no consumo de aço deu-se em torno de 5,29% em relação ao modelo
com vigas baldrame (A2,0), valor inferior em 8,51% em relação ao modelo com pilar de
fundação de 1,5m de comprimento. Essa redução menos acentuada no consumo de aço se dá
devido a redistribuição dos esforços na estrutura causados pelo aumento da esbeltez nos pilares
de fundação.
Ao ultrapassar o valor limite de λ = 90, como acontece nos modelos sem vigas
baldrame e com pilar de fundação de 2,0m e 3,0m (modelos B2,5 e B3,0), nota-se um aumento
no consumo deste material, tal aumento se dá pela necessidade de se considerar os efeitos de
62
segunda ordem e a fluência no dimensionamento desses pilares para compensar a elevada
esbeltez. Para o modelo com pilar de fundação de 3,0m, a retirada das vigas baldrame, como
evidenciado no modelo B3,0 que apresentou índice de esbeltez igual a 103,80, ocasionou um
aumento de 396,8kg de aço utilizados no pavimento em comparação ao modelo com vigas
baldrame (A3,0), valor considerável em termos locais.
Os resultados mostram ainda que, ao aumentar a seção dos pilares de fundação e
térreo, como visto nos modelos B2,5* e B3,0*. A redução no índice de esbeltez para os modelos
com pilar de fundação de 3,0m de comprimento que anteriormente apresentou valor superior a
90 e passou a ter λ = 86,50 com o aumento na seção dos pilares, voltou indicar um consumo de
aço menor do que no modelo com vigas baldrame (A3,0), sendo essa redução em torno de
203,6kg, redução essa somente inferior a observada nos modelos com pilar de fundação de 1,5m
de comprimento, indicando que o aumento na esbeltez dos pilares influencia diretamente no
consumo de aço.
Figura 4.11 – Quantitativo de formas local no pavimento térreo em m²
490,00
460,00
430,00
Formas (m²)
400,00
370,00
340,00
310,00
280,00
250,00
1,5 2 2,5 3
Tipo A 459,00 471,60 484,20 496,80
Tipo B 374,8 387,4 400 415
Tipo B* 404,5 424,8
Fonte: Elaborado pelo autor.
A análise da figura 4.11 indica uma redução no consumo de formas local no
pavimento térreo para todos os comprimentos de pilares de fundação, sendo essa redução mais
acentuada nos modelos com pilares de fundação de 1,5m de comprimento e menor índice de
esbeltez (λ = 77,85) para o modelo sem vigas baldrame (B1,5). A comparação entre o modelo
A1,5, modelo com vigas baldrame e B1,5, modelo sem vigas baldrame, apresentou uma redução
no consumo de formas de 18,34%. Incrementos no comprimento do pilar de fundação elevam
63
a sua esbeltez a valores superiores ao limite de λ= 90, acarretando a necessidade de aumento na
seção desses pilares para a diminuição desse índice, o que torna a redução no consumo de
formas menos significativa para pilares de fundação de maiores comprimentos. Ao se comparar
o consumo deste material no modelo sem vigas baldrame com pilares de fundação de 3,0m de
comprimento (B3,0), que apresentou índice de esbelte de 103,8 e o modelo com vigas baldrame
e mesmo comprimento de pilar de fundação (A3,0), a redução no consumo de formas após a
retirada das vigas baldrame deu-se em torno de 16,46%. Já a mesma comparação entre o modelo
com vigas baldrame (3,0) e o modelo sem vigas baldrame e com aumento na seção dos pilares
(B3,0*) e esbeltez de 86,50 essa redução ocorreu em torno de 14,5% indicando que o aumento
da esbeltez nos pilares afeta diretamente o consumo de formas devido a necessidade de aumento
na seção dos pilares.
64
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com os resultados obtidos com o estudo, a primeira conclusão a se fazer
é que, para o edifício estudado através dos diversos modelos propostos, a retirada das vigas
baldrame da estrutura não representa riscos à estabilidade global e ao atendimento do Estado-
Limite de Serviço de deslocamentos horizontais visto que, os valores para esses parâmetros
mantiveram-se dentro dos limites previsto na NBR 6118/2014. Pode-se concluir ainda que, a
medida em que os pilares de fundação sofrem um aumento no seu comprimento, e
consequentemente no seu índice de esbeltez, os valores de “γz” e dos deslocamentos ficam mais
suscetíveis a variações com a retirada das vigas baldrame e a estrutura perde mais estabilidade,
porém, mantendo-se dentro dos limites.
Outra consideração a ser feita é que a retirada das vigas baldrame pode representar
uma situação favorável em relação à economia nas estruturas visto que, para os modelos sem
esses elementos e que o índice de esbeltez dos pilares nos pavimentos de fundação e térreo
ficaram abaixo de 90, se tratando portando, de pilares mediamente esbeltos, o quantitativo de
materiais para concreto, aço e formas apresentou uma redução de 4,63%, 4,37% e 5,72% em
comparação com os respectivos modelos com vigas baldrame, considerando apenas o consumo
bruto de material, não considerando ainda valores significativos de mão-de-obra e despesas
indiretas como energia, manutenção de equipamentos, produção de resíduos, entre outras.
O fato de que para pilares com esbeltez superior a 90, ao invés de se obter uma
redução no consumo de todos os materiais, obteve-se um aumento no quantitativo de aço, leva
à conclusão de que só é possível conceber economia à estrutura com a retirada das vigas
baldrames se os pilares apresentarem um comportamento de pilar mediamente esbelto, ou seja,
tenha um ‘λ’ inferior a 90. Dessa forma, a esbeltez dos pilares é um fator limitante a redução
dos custos com materiais na estrutura devido a retirada das vigas baldrame.
Apesar dos resultados mostrarem uma redução nos quantitativos dos materiais
analisados em alguns modelos, os valores não apresentam uma economia realmente
significativa a nível global de toda a estrutura, há de se considerar ainda o fato de que as formas
em estruturas de concreto podem ser reaproveitas. Contudo para obras de menor porte, com
dois pavimentos e principalmente térreas, a remoção desses elementos pode representar
economia significativa para o construtor. Deve-se considerar também a importância das vigas
baldrame não só para a estabilidade global e o travamento da estrutura. Esses elementos
proporcionam uma melhor distribuição das cargas, transmitindo-as diretamente ao solo e,
evitam o surgimento de trincas e problemas relacionados a umidade do solo, o que poderia
65
acarretar custos futuros maiores do que a economia obtida com a não execução desses
elementos.
Vale salientar que os resultados obtidos através desse estudo só são válidos para
este caso especial de um edifício de 4 pavimentos. Toda e qualquer estrutura deve ser analisada
e estudada de maneira adequada de modo a contemplar todas as suas peculiaridades e
especificidades visto que cada uma delas se comporta de maneiras distintas.
Considerações para trabalhos futuros:
Realizar um estudo mais detalhado da redução de gastos, considerando mão-
de-obra e custos indiretos com energia, manutenção de equipamentos,
geração de resíduos, entre outros;
Realizar um estudo considerando estruturas com maior número de
pavimentos e variações na esbeltez da mesma como um todo;
Realizar análises referentes a redistribuição dos esforços na estrutura,
considerando a influência da retirada das vigas baldrame nos esforços
direcionados aos elementos de fundação.
66
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2015.
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ANEXO A
Anexo A.1 – Planta baixa do pavimento térreo
Anexo A.2 – Planta baixa do pavimento tipo