Introdução
Prezado estudante, esta aula servirá para que você aprenda não
somente conceitos novos sobre física radiológica apenas de forma
teórica, mas para estudar os conceitos que ajudarão no seu cotidiano
em um setor de imagens médicas de um hospital. Para você que vai
trabalhar com radiação ionizante, conhecer o histórico dos raios X,
quem descobriu a radioatividade, e como eram os primeiros modelos
atômicos é muito importante. Isso porque, além de facilitar a
compreensão de muitas unidades de medidas – que foram nomeadas
devido aos seus descobridores –, fará com que você estude com mais
facilidade, pois entenderá o processo como um todo. Portanto, esta
aula é essencial para sua formação.
Modelos Atômicos
Em meados de 1896, um cientista francês chamado Henri Becquerel
descobriu a radioatividade, estudando a fosforescência natural das
substâncias químicas. Nesse experimento, utilizou amostras que
continham urânio em sua composição, e observou que as emissões
radioativas ocorriam de forma espontânea. Contudo, diversos estudos
foram realizados antes e depois da descoberta de Henri Becquerel, e
foram de extrema importância para que chegássemos aos
conhecimentos atuais a respeito da radioatividade.
Estudos feitos durante o final do século XIX e início do século XX
foram responsáveis pelo avanço das descobertas das estruturas
atômicas.
O modelo atômico de Rutherford-Borh foi o que melhor ilustrou o real
comportamento atômico, por meio da descoberta dos elétrons,
prótons e nêutrons.
Antes do conhecimento atômico de Rutherford-Borh, tivemos
inúmeros outros cientistas que tentaram descrever a estrutura
atômica.
Em 1808, o cientista John Dalton postulou que toda matéria existente
era constituída por átomos – palavra que deriva do latim: a indica
negação, e tomos significa divisão; logo, átomo é algo “sem divisão”.
Portanto, para Dalton o átomo era uma bola maciça, indivisível,
impermeável e indestrutível. Também acrescentou em seu postulado
que todos os átomos de um elemento químico específico eram
idênticos, tendo o mesmo número de massa, tamanho e propriedades
químicas. E que em um processo de reação química, o que ocorre é a
separação, combinação ou novo arranjo de átomos, mas nunca
poderá ocorrer a sua destruição. O modelo atômico de Dalton ficou
conhecido como “bola de bilhar”, como mostra a Figura 1:
Figura 1 | Modelo atômico de Dalton (bola de bilhar). Fonte:
Wikipedia.
Já em 1897, J. J. Thompson, por meio de experimentos com a natureza
elétrica da matéria, postulou que toda matéria era composta por
cargas elétricas (positivas e negativas) e, dessa forma, modificou o
conceito do modelo atômico. O modelo atômico de Thompson ficou
conhecido como “pudim de passas”, pois, para ele, o átomo era algo
cilíndrico e fluido, com prótons e elétrons dispersos dentro desse
átomo. Cabe ressaltar que para ele o número de elétrons e prótons
tinham que ser o mesmo para que o átomo fosse eletricamente
neutro. O modelo atômico de Thompson é demonstrado na Figura 2:
Figura 2 | Modelo atômico de Thompson. Fonte: Brasil Escola ([s. d.],
[s. p.]).
Alguns anos depois, Rutherford fez um experimento bombardeando
uma fina lâmina de ouro com raios alfa. Durante esse experimento
ele analisou que os raios não desviavam, portanto isso significava que
o átomo do material bombardeado não poderia ser maciço e positivo;
muito pelo contrário, ele deveria ser um imenso vazio. Portanto,
Rutherford pensou que como grande parte dos raios passavam direto
pela lâmina de ouro, e somente pouca parte desses raios sofriam
desvios, era devido à grande massa do átomo estar contida em uma
pequena região, e não em seu todo. Foi então que ele deu o nome de
núcleo ao local em que se encontravam as partículas positivas,
denominadas prótons. Também verificou que o átomo tinha uma
grande eletrosfera, na qual ficavam as partículas negativas (elétrons),
e que estas giravam em volta do núcleo, à semelhança do sistema
planetário. A Figura 3 ilustra esse modelo:
Figura 3 | Modelo atômico de Rutherford. Fonte: Wikipedia.
Modelo atômico de Rutherford-
Borh e radioatividade
Com a descoberta de Rutherford, sabemos que o estudo avançou
quanto à semelhança que temos hoje a respeito do conceito de um
átomo. Contudo, alguns anos depois, tivemos o postulado de
Rutherford-Borh, que resolveu algumas dúvidas geradas com o
postulado de Rutherford. Niels Borh foi um físico dinamarquês que
realizou seus experimentos seguindo a linha de pensamento de
Ernest Rutherford. Um dos questionamentos era: se o núcleo é
constituído apenas de partículas positivas e os elétrons circundam
esse núcleo, tendo cargas negativas, como não ocorria o processo de
atração das cargas? Por que os elétrons não se chocariam com os
prótons?
O postulado Rutherford-Borh respondeu que, no átomo, os elétrons
ficam em estados de energia definidos e estacionários, e cada elétron
ligado à sua camada possui uma energia fixa e determinada.
Os cientistas notaram também que quando um átomo está com seus
elétrons em suas camadas definidas e preenchidas, não emitiam luz.
Contudo, quando os elétrons passavam de um estado maior de
energia para um de menor energia, ocorria a emissão de luz.
Esse postulado determinou que os átomos tinham camadas nas quais
os elétrons ficavam fixos determinados pelas suas energias (camadas
K, L, M, N, O, P, Q). Outro ponto notado é que os elétrons não
circundam o núcleo em formato de esfera, mas em formato elíptico,
como mostra a Figura 4:
Figura 4 | Modelo atômico de Rutherford-Bohr. Fonte: Pixabay.
Descoberta da radioatividade
Os raios X são ondas eletromagnéticas com frequência superior à
radiação ultravioleta – portanto, na ordem de Hz. Quem descobriu os
raios X foi um físico alemão chamado Wilheelm Conrad Röntgen
(1845-1923) em 1895. Essa descoberta rendeu ao físico o prêmio
Nobel em 1901.
A descoberta ocorreu durante um experimento de luminescência
através de raios catódicos em um tubo, chamado de “tubo de
Crookes”, em homenagem a William Crookes, o responsável por
realizar o experimento com um tubo a vácuo alimentado por corrente
elétrica. Ele descobriu que se aplicar um campo magnético fora dessa
ampola, os feixes sofriam uma mudança em sua trajetória. Logo, se o
feixe desviava para o lado positivo do campo, era um feixe
constituído por cargas negativas, devido à atração das cargas. O tubo
de Crookes é mostrado na Figura 5:
Figura 5 | Tubo de Crookes. Fonte: Muniz (2014, p. 2).
Esse tubo era uma ampola de raios X muito primitiva, de vidro e a
vácuo, com um cátodo que emite os elétrons que ganharão energia
cinética e colidirão com o alvo, denominado ânodo. A luminescência
surge quando os elétrons são submetidos a uma grande diferença de
potencial.
Portanto, durante um experimento com tubo de Crookes, Röntgen
analisava a condução da eletricidade por esse tubo. No decorrer do
experimento, seu ajudante lhe chamou a atenção, dizendo para o
professor olhar para a tela.
Nas proximidades do tubo, havia uma tela coberta com platinocianeto
de bário, na qual se projetava uma leve luminosidade, resultando na
fluorescência do material. Nesse momento ele girou a tela e colocou
sua mão entre o fluxo luminoso e a tela, e viu seus ossos projetados.
Assim, Röntgen viu, pela primeira vez, o que futuramente seria
chamado de raio-X.
Radioatividade
A radiação nada mais é do que energia (eletromagnética ou
corpuscular) em trânsito, assim como calor é energia térmica em
trânsito. A luz visível é uma radiação que vemos, portanto, ela é
visível. O calor é uma radiação que sentimos, portanto, é sensível. Já
a radiação X, ou gama, é uma forma de radiação que não são visíveis
nem sensíveis instantaneamente.
A ampola de raios X, também denominada tubo de Coolidge, é uma
válvula termoiônica, cuja principal função é a produção de feixes de
raios X. Essa ampola pode ser de vidro ou metal. Em seu interior a
vácuo, encontramos um cátodo e um ânodo, como mostra a Figura 6:
Figura 6 | Ampola de raios X ou tubo de Coolidge para raio X. Fonte:
Tauhata; Salati; Prinzio e Prinzio (2014)
Esse esquema relata como é o funcionamento do tubo para que
ocorra a produção dos raios X que serão utilizados no exame. Esse
tubo é alimentado por uma fonte elétrica, que causará um efeito Joule
em um filamento chamado de cátodo. Esse filamento sofre um
processo de aquecimento e, em um certo nível de calor, ocorre o
processo termoiônico, quando ocorrerá a saída dos elétrons, os quais
serão acelerados devido à diferença de potencial (ddp), em direção
ao ânodo (alvo). Como o ânodo normalmente tem uma angulação, o
feixe de raios X sairá em direção à janela do tubo.
No ano de 1896, o químico de francês Antoine Henri Becquerel
estudou a fosforescência natural dos elementos, já com a hipótese
desse fenômeno estar ligado a raios X. Ele notou que uma
determinada substância poderia emitir radiação de forma
espontânea, sem que tivesse absorvido raios solares. Nesse
experimento ele utilizou sais de urânio: colocava-os próximos de uma
placa fotográfica e na ausência de luz, e sensibilizava essa imagem
fotográfica, deixando-a escura. Essas emissões foram nomeadas raios
de Becquerel, e futuramente seriam chamadas de emissões
radioativas.
Em meados de 1897, a física polonesa Marie Sklodowska Curie
decidiu analisar em seu laboratório os raios de Becquerel. Em seus
experimentos, houve a confirmação de que todos os sais que ela
utilizou forneceram o mesmo resultado que Becquerel tinha obtido.
Percebeu também que isso se dava por uma propriedade em comum
aos sais analisados: todos continham urânio em sua composição.
Em 1898 as investigações da Marie Curie confirmaram que todos os
sais produziam o mesmo resultado, pois se tratava de uma
propriedade do elemento comum a todos eles, o urânio. Nesse
momento, Marie Curi e seu marido, Pierre Curie, iniciaram trabalhos
com tentativas de isolar o urânio do minério, o pechblenda. Durante
os experimentos, eles descobriram dois novos elementos radioativos
e superiores em grau de radioatividade do que até então era
conhecido. Com a descoberta do rádio e do polônio, Marie Curie foi
laureada com dois prêmios Nobel, no ano de 1911.
No ano de 1898, Rutherford descobriu as radiações alfa e beta
durante seus experimentos com materiais radioativos e uma tela
fluorescente. Ele fez um experimento com radiação em que submetia
os raios a um campo magnético, assim, as partículas com cargas
negativas desviavam para o polo positivo, e as partículas com cargas
positivas desviavam em direção ao polo negativo, e assim foi feita a
descoberta das partículas alfa e beta.
Se a área de radiologia encanta você, este vídeo será
interessante. Nesta aula abordaremos conceitos
importantes para a sua formação. Conhecer o histórico
dos raios X, quem descobriu a radioatividade, e como
eram os primeiros modelos atômicos é muito
importante para a sua formação. Isso porque, além de
facilitar a compreensão de muitas unidades de
medidas, que foram nomeadas devido aos seus
descobridores, fará com que você estude com mais
facilidade, pois entenderá o processo como um todo.
Caro estudante, o objetivo desta aula é que você
aprenda não somente conceitos novos de física
radiológica de forma teórica, mas que estude os
conceitos que servirão no seu cotidiano em um setor de
imagens médicas de um hospital. Para você que vai
trabalhar com radiação ionizante, saber diferenciar
tipos de radiação é imprescindível, pois isso acarretará
sua própria segurança no ambiente de trabalho. Nesta
aula você conhecerá as fontes de radiações ionizantes,
conceitos e aplicações, além das fontes de radiação
naturais e artificiais e sua aplicação na medicina, na
indústria, no ensino e na pesquisa.
Radioatividade
Prezado estudante, para abordar este tema é importante ressaltar
que os primórdios da radioatividade ocorreram em meados de 1895,
acidentalmente, através dos experimentos de Roentgen. Posterior a
sua descoberta, outras personalidades renomadas da Física, deram
sequência e andamento aos experimentos realizados por Roentgen,
confirmando as propriedades dos elementos naturais e artificiais,
conforme já vimos.
Para uma melhor compreensão, devemos saber que ser dividida em
duas formas:
Espontânea ou natural: como o próprio nome já diz; este tipo
de radiação é proveniente da natureza, como por exemplo os
minerais, radiação solar, radiação cósmica, entre outras
localizadas na tabela periódica (Figura 1) e no espectro
eletromagnético (Figura 2).
Induzida ou artificial: são as radiações desenvolvidas pelo
homem, provocadas por transformações nucleares de forma
artificial, como por exemplo os reatores nucleares.
Figura 1 | Tabela periódica. Fonte: Wikimedia Commons.
Ao analisarmos a Figura 1, conseguimos verificar que os elementos
são subdivididos em categorias, e estes por sua vez são classificados
mediante ao seu grau de radioatividade através de seu número
atômico, localizado na parte superior da letra indicativa do elemento
químico, desta forma conseguimos identificar através de cores
distintas, os elementos: não metais, gases nobres, metais alcalinos,
metais alcalinos terrosos, semimetais, halogênios, outros metais,
metais de transição, lantanídeos e os actinídeos.
Figura 2 | Espectro eletromagnético. Fonte: Wikimedia Commons.
Na Figura 2 como podemos observar, o Espectro eletromagnético,
ilustra de forma simples e clara através de seu gráfico os níveis de
radiação e seu alcance, conceituando os tipos de radiações
existentes, desta forma podemos observar as radiações ionizantes e
não ionizantes, e o seu nível radioativo, classificando-os através dos
raios gama, raios x, radiação ultravioleta (UV), raios infravermelhos,
as micro-ondas, e as ondas de rádio longa. Nas próximas aulas
abordaremos o espectro eletromagnético mais detalhadamente.
A radioatividade ocorre em elementos químicos instáveis, que, por
isso, emitem o excesso dessa energia em forma de partículas ou
ondas eletromagnéticas – ou seja, emitem radiação. Esse processo de
emissão de radiação pode acontecer de forma natural ou artificial.
Essa radiação emitida tem energia de penetração muito alta, portanto
atravessa corpos/objetos, produz fluorescência, causa ionização em
gases e pode sensibilizar filmes fotográficos.
A emissão de energia de núcleos instáveis ocorre em núcleos
atômicos com excesso de energia armazenada. No processo natural,
as principais formas de emissão se dão por partículas alfa, beta e
gama. Muito do avanço da área médica ocorreu devido à descoberta
das radiações ionizantes, portanto, os protocolos de proteção
radiológica devem estar em constante atualização, pois a radiação
causa danos biológicos. Trabalhar com material radioativo de forma
errônea pode causar acidentes e problemas de saúde.
Radioatividade natural e
artificial
A radioatividade de acordo com a tabela periódica
Os elementos da tabela periódica são dispostos de forma sistêmica;
são 118 elementos químicos, cujos números atômicos são colocados
em ordem crescente. Um elemento químico é considerado portador
de radioatividade quando seus núcleos são instáveis e emitem
partículas (alfa e beta) e ondas eletromagnéticas (raios gama). Esse
processo de decaimento radioativo ocorre de forma espontânea
nesse tipo de elemento.
Os elementos químicos, em sua totalidade, apresentam isótopos –
átomos com o mesmo número atômico, diferindo apenas em número
de massa; logo, ocupam o mesmo lugar na tabela periódica. Por
exemplo, o H-1 (hidrogênio), H-2 (deutério) e H-3 (trítio) são isótopos
do elemento hidrogênio. Se o número atômico desses isótopos for
igual ou superior a 84, é bem provável que todos os isótopos sejam
radioativos, sendo, assim, um elemento instável.
Diferença entre radioatividade natural e artificial
Radioatividade natural
O efeito da radioatividade de forma natural ocorre espontaneamente
em alguns elementos dispostos na natureza que emitem partículas ou
ondas de seu núcleo instável – alfa (α), beta (β) e gama (γ).
A descoberta ocorreu no ano de 1896 quando o físico Becquerel
(1852-1908) e o casal de cientistas Marie Curie (1867-1934) e Pierre
Curie (1859-1906) começaram a estudar alguns minérios que tinham
em sua composição o elemento urânio e que emitiam raios que
sensibilizavam telas fotográficas. Eles perceberam essa sensibilização
em todos os minérios que estavam utilizando no laboratório, e na
tentativa de buscar explicação, viram que todas as substâncias
continham o elemento urânio. Logo, chegaram à conclusão de que
esse elemento era o responsável pelos raios emitidos e que esses
raios sensibilizavam a tela radiográfica. A propriedade do urânio ao
emitir raios foi denominada radioatividade.
No ano de 1900, de forma independente, porém quase
simultaneamente, Ernest Rutherford (1871-1937) e Pierre Curie
(1859-1906) conseguiram notar de maneira experimental as
partículas alfa e beta sendo emitidas pelo núcleo de elementos
instáveis, então, radioativos. No mesmo ano, o físico Paul Ulrich
Villard (1860-1934) descobriu os raios gama.
Uma das aplicações de isótopos radioativos naturais é o método de
datação de fósseis, obras de arte e esculturas por meio do carbono-
14, que mostra a idade com precisão.
Radioatividade artificial
A radioatividade artificial está relacionada com o bombardeamento de
átomos por partículas aceleradas (dêuteron, pósitron, nêutron,
próton, alfa, beta). Esse processo não ocorre naturalmente; é
realizado em laboratórios por meio de aceleradores como cíclotron. O
produto do bombardeamento pode ser um isótopo natural ou
artificial.
A filha de Marie Curie, Irène-Curie (1897-1956) junto com seu marido
Frédéric Joliot Curie (1900-1958) descobriram o primeiro isótopo
radioativo produzido de forma artificial. Eles utilizaram como
experimento o bombardeamento em uma placa de alumínio-27 com
partículas alfa. Dessa forma, tiveram como resultado o fósforo-30,
que é um isótopo radioativo artificial, como mostra a equação a
seguir:
Fontes radioativas
As fontes radioativas artificiais são empregadas em larga escala na
medicina. Esse tipo de fonte está no aparelho de raios-X, no
mamógrafo, no tomógrafo e no equipamento de densitometria óssea.
Foram utilizadas antigamente para o tratamento de câncer em
radioterapia – como o cobalto-60 – mas foram substituídas pelos
aceleradores lineares (fonte artificial de radiação). Na medicina
nuclear utiliza-se muito fontes radioativas naturais e não seladas,
como o iodo, o tecnécio e o irídio.
A utilização da radiação ionizante na medicina, embora tenha
acarretado inúmeros avanços no diagnóstico e tratamento, ainda
gera muitas dúvidas.
As principais dúvidas se resumem aos efeitos da radiação ionizante.
Na área hospitalar os efeitos da radiação são probabilísticos, pois os
níveis de energia empregados na área do radiodiagnóstico não
trabalham no limiar de dose – portanto, de acordo com a faixa de
energia, o efeito que ocorre é estocástico. Logo, quando se aplica a
radiação ionizante na área médica, é preciso se atentar aos três
princípios básicos da proteção radiológica:
Justificação: nenhuma prática deve ser autorizada a menos
que produza benefício, tanto para o indivíduo quanto para a
sociedade.
Otimização: implica que as exposições devem manter o nível
de radiação o mais baixo possível (respeitando sempre o
princípio ALARA, que traduzindo do inglês significa que a dose
deve ser tão baixa quanto razoavelmente exequível). Quando
possível, otimizar as técnicas para que a dose sempre seja
mínima.
Limitação de doses individuais: as doses empregadas de
radiação não devem ser superiores aos limites estabelecidos
pelas normas de radioproteção de cada país.
Com é um efeito probabilístico e, consequentemente, pode causar
danos, a proteção radiológica existe para criar limites e processos de
otimizações de protocolos para que mantenha a qualidade de
imagem médica para diagnóstico, porém submetendo o paciente aos
menores níveis de radiação possível. Um supervisor de proteção
radiológica de um hospital visa à aplicação da técnica que seja mais
benéfica do que maléfica ao paciente. As vantagens devem superar e
muito os danos sofridos no exame.
Mesmo com os possíveis danos da radiação, a medicina avançou
muito no diagnóstico e tratamento devido à descoberta da radiação
ionizante. Cabe ressaltar, nesse ponto, o câncer, que até pouco
tempo atrás era uma sentença de morte. Hoje os pacientes têm
acesso a terapias, chances reais de remissão e até mesmo de cura,
contando com a radioterapia, o radiodiagnóstico e medicina nuclear.
Tendo em mente as aplicações médicas e sabendo que radiação é a
energia emitida por uma fonte que se propaga pelo espaço e tem a
capacidade de penetrar materiais, conseguimos ter um arsenal de
aplicações.
Contudo, ainda há receio quando o assunto é radioatividade ou
radiação ionizante, por causa de grandes acidentes nucleares, como o
de Chernobyl e a exposição ao Césio-137 em Goiânia.
Essas ocorrências envolveram a liberação de elementos radioativos
sem proteção ou medidas de controle, levando a ampla exposição,
deformações e mortes.
Porém, esse medo não é devido apenas aos acidentes, mas também
à falta de informação e de conscientização desse assunto. A
contribuição da radiação ionizante para a saúde é inegável, tanto
para tratamento quanto para diagnóstico. Os efeitos, benéficos ou
maléficos, dependem de diversos fatores, como tipo da radiação
empregada, tempo de exposição e intensidade da exposição.
O vídeo aborda assuntos de extrema importância para
a sua vivência em um ambiente hospitalar. Saiba
diferenciar os tipos de radiação, como são as fontes
radioativas empregadas na área do radiodiagnóstico;
conheça os conceitos e aplicações das fontes seladas e
não seladas e compreenda os benefícios e malefícios da
radiação ionizante. Este conteúdo trará segurança para
você, para seus pacientes e aos profissionais do setor.
Caro estudante, para aprimorar mais o seu conhecimento, sugiro a
leitura do artigo: Efeitos da Radiação Ionizante Sobre
Comportamentos Mantidos por Contingências Operantes.
Este artigo aborda a análise de estudos de casos, que utilizam a
radiação ionizante como método de analisar a dose de radiação
absorvida no organismo e seus efeitos radioativos.
Disponível
em: [Link]
format=pdf&lang=pt
Caro estudante, o objetivo desta aula é que você
aprenda não somente conceitos novos de física
radiológica de forma teórica, mas que estude os
conceitos que servirão no seu cotidiano em um setor de
imagens médicas de um hospital. Para você que vai
trabalhar com radiação ionizante, conhecer a diferença
entre radiação ionizante e não ionizante, o conceito por
trás de cada tipo de radiação e suas características
intrínsecas fará você estudar com mais facilidade e
facilitará a compreensão, pois você entenderá o
processo como um todo. Portanto, esta aula é muito
importante para sua formação.
Radiações ionizantes e não
ionizantes
A radiação é formada por ondas eletromagnéticas ou partículas que
se propagam a uma certa velocidade e que contêm energia, carga
elétrica e carga magnética. Podem ser produzidas a partir de fontes
naturais ou equipamentos feitos pelo homem, e têm energia variável,
de valores pequenos a valores muito altos. As radiações
eletromagnéticas mais conhecidas são luz, micro-ondas, ondas de
rádio, radar, lasers, raios X e radiação gama. As formas mais comuns
de radiação de partículas, que têm massa, carga elétrica e carga
magnética, são os feixes de elétrons, feixes de prótons, radiação beta
e radiação alfa. Dependendo dos níveis de energia, a radiação é
classificada como não ionizante ou ionizante.
A radiação ionizante é uma onda eletromagnética que obtém energia
suficiente para ionizar os átomos do material que atravessa, retirando
os elétrons dos orbitais atômicos. Essa radiação pode ter
característica corpuscular (radiações alfa e beta) ou natureza
eletromagnética (raios X e gama).
A energia de uma onda é calculada pela multiplicação da constante
de Planck, que é igual a
e a frequência da onda, dada pela letra grega, como mostra a
equação a seguir:
Se a onda eletromagnética tiver energia suficiente para retirar
elétrons de átomos e moléculas, ela é ionizante; caso contrário, não é
ionizante. No caso da radiação corpuscular, para que ocorra a
ionização as partículas devem se mover a velocidades altíssimas,
superiores a 1% da velocidade da luz.
Portanto, é considerado radiação eletromagnética ionizante a onda
com energia maior que 10 eV (elétron-volts) – por volta de
No espectro eletromagnético temos as radiações ionizantes e não
ionizantes ,como mostra a Figura 1:
Figura 1 | Espectro eletromagnético. Fonte: Wikipedia.
O poder de ionização está relacionado com a frequência da onda.
Quanto maior a frequência, menor o comprimento de onda. As ondas
ionizantes, de acordo com a Figura 1, são raios X e gama, pois
radiações ionizantes são ondas com frequência superior a .
Os equipamentos de raios-X utilizados no radiodiagnóstico utilizam
ondas eletromagnéticas ionizantes, porém em baixos níveis de
energia. As radiações ionizantes podem ser classificadas em:
diretamente ionizantes, como as partículas carregadas (próton,
elétrons, alfa, beta), e indiretamente ionizantes, que não têm carga
nem massa (raios X e gama).
Os efeitos das radiações ionizantes podem ser classificados em:
Nucleares: a utilização de emissores de radiação gama, alfa e
nêutrons de energia elevada podem causar mudanças nos núcleos,
tornando-os instáveis e radioativos.
Químicos: ocorrem com a quebra das ligações químicas entre
moléculas e átomos, que resulta na formação de radicais livres.
Elétricos: devido à ionização, pode acarretar mudanças em sua
condutividade, com a possibilidade de picos de correntes elétricas e
prejuízo a equipamentos sensíveis.
Biológicos: causados biologicamente pela radiação ionizante. São
diversos: atualmente, por exemplo, existem terapias como a
radioterapia, utilizada para tratar o câncer. Os efeitos biológicos
dessa radiação se enquadram em duas classificações: estocásticos ou
determinísticos. Os efeitos determinísticos têm um tempo de latência
curto, como queimaduras causadas pela radiação, que significa a
morte do tecido. Por outro lado, os efeitos estocásticos estão
relacionados a mutações celulares por meio de modificações
genéticas que podem desencadear neoplasias malignas ou doenças
genéticas.
Características das radiações
Radioterapia
A radioterapia é um tratamento que usa a radiação ionizante com o
intuito de retardar o crescimento das células cancerosas. Embora
existam diferentes formas de tratamento em radioterapia, todas
trabalham de maneira semelhante: a ionização causa danos nas
células cancerosas e impede o avanço da doença.
A radioterapia é utilizada usada para curar, tratar ou aliviar os
sintomas originados por certos tipos de câncer. Como qualquer
tratamento, trará alguns efeitos desnecessários, como perder peso e
queda de cabelo, cansaço etc. A radioterapia pode ser atribuída ao
paciente externamente ou internamente. Na radioterapia a distância,
os aceleradores lineares produzem feixes de raios X de alta energia,
focalizados cautelosamente e direcionados no centro do tumor. Os
feixes são normalmente produzidos por elétrons que desaceleram
quando colidem com um alvo metálico a uma velocidade próxima à
da luz.
A radioterapia interna tem duas aplicações: braquiterapia e terapia
com radioisótopos ou aceleradores linear. A braquiterapia envolve o
implante de fontes radioativas perto de tumores cancerígenos, com o
intuito de minimizar os danos causados em tecidos sadios. Por outro
lado, a terapia com radioisótopos envolve o procedimento de ingestão
das cápsulas contendo elementos radioativos (como o Iodo-131).
Acelerador linear: a radioterapia externa é feita por meio de
aceleradores lineares que geram radiação ionizante. Cada tipo de
câncer tem um tipo de resposta diferente à radiação ionizante, e em
alguns momentos se faz necessário utilizar diferentes formas de
terapia utilizando a radiação para obter os melhores resultados e
minimizar os efeitos colaterais do tratamento sem perder o efeito
terapêutico.
Radiação ionizante: aquela que causa a ionização do meio em que
se propaga. É usada das seguintes formas:
Raios X.
Radiação alfa ().
Radiação beta ().
Radiação gama ().
A radiação ionizante tem um poder de penetração que varia de
acordo com sua energia. Os diferentes tipos de radiação têm
diferentes níveis de penetrabilidade e poder de ionização, e são
bloqueados por materiais também diferentes.
Radiação não ionizante: aquela que não tem energia suficiente
para ionizar o meio. Também não tem poder de penetração. Utilizada
das seguintes maneiras:
Radiação ultravioleta.
Radiação infravermelho.
Radiofrequência.
Lasers.
Micro-ondas.
Os efeitos da radiação ionizantes são o desenvolvimento de
neoplasias malignas, vermelhidão na pele (queimaduras),
infertilidade, alterações menstruais, morte de tecidos e órgãos e,
dependendo da gravidade, até mesmo do indivíduo.
Os fatores que influenciam a potência dos efeitos são o tipo da fonte
radioativa, o tempo que o indivíduo foi exposto, a distância da
irradiação entre o indivíduo e a fonte, falta de um equipamento de
blindagem e a susceptibilidade individual.
Os efeitos da radiação não ionizante são câncer de pele,
envelhecimento precoce e cansaço.
Os fatores que podem influenciar os danos são o tempo que o
indivíduo foi exposto, a ausência de um protetor solar e a
susceptibilidade individual.
Tipos de fontes radioatividade
e suas características
As fontes naturais de radiação são aquelas não produzidas pelo
homem, mas pela natureza. São elas as radiações cósmicas e os
radionuclídeos encontrados na crosta terrestre, em solos, rochas e
sedimentos.
Fontes radioativas não naturais são as produzidas pelo homem,
usualmente encontradas na área da saúde nos equipamentos de
raios-X, tomografia computadorizada e radioterapia, e na geração de
energia, como no caso de usinas nucleares.
O risco de câncer proveniente dessa exposição depende da dose
empregada e da duração do tempo da exposição. Fatores como idade
e sensibilidade dos tecidos também influenciam o risco de
desenvolvimento de neoplasias malignas.
Tipos de fontes radioativas e modos de exposição
Fontes radioativas consistem em material ou corpo que tem
radioatividade. Radioatividade é a capacidade de emitir energia na
forma de radiação ondulatória, seja ela eletromagnética ou
corpuscular, que ocorre quando há a emissão de ondas
eletromagnéticas ou partículas respectivamente.
A radiação ionizante é aquela que tem energia suficiente para ionizar
o meio que está atravessando. Ionização é o processo de retirada de
elétrons dos átomos do material ou meio.
Existem diferentes tipos de fontes radioativas, seladas e não seladas,
ou abertas como emissores de radiações ionizantes artificiais, como
equipamentos de raios-X e aceleradores de partículas. Cada tipo de
radiação tem diferentes tipos de aplicação, seja na medicina,
indústria, ensino ou pesquisa científica.
No caso de pesquisa relacionada com biologia utiliza-se o
radioisótopo como ferramenta de trabalho quando há necessidade de
marcar uma molécula de interesse, seja em uma reação química ou
biológica.
Há inúmeros programas de pesquisa ao redor do mundo relacionados
com emprego de radioisótopos. Os estudos mais utilizados são:
Aumento de eficiência na produção da safra.
Produção de sementes resistentes a doenças.
Determinação da eficiência de consumo de fertilizantes e
otimização da fixação de nitrogênio.
Controle ou erradicação de infestações de peste por insetos.
Melhorias da produtividade e saúde de animais domésticos.
Preservação de alimentos.
Estudos hidrológicos.
Pesquisas médicas e biológicas.
Fontes seladas
Fontes seladas de materiais radioativos são elementos incorporados
em uma matéria solida ou inativa, ou ainda encapsulados e
hermeticamente fechados de tal forma que em condições normais de
uso não oferecem risco para a sociedade e meio ambiente. Logo, a
fonte selada só pode ser aberta se for destruída.
Esse tipo de fonte é utilizado em diversos segmentos e técnicas:
Técnicas radiográficas: gamagrafia industrial, radiografia beta e
nêutrons.
Técnicas de medição: medidores de densidade, espessura,
umidade e nível.
Técnicas de irradiação: esterilização de produtos clínicos,
preservação de alimentos, radioterapia e braquiterapia.
Técnicas analíticas: análises químicas, análise de traços de
elementos e análise de minérios.
Outras técnicas: detectores de fumaça, eliminadores de
estática, para-raios, baterias nucleares.
As fontes mais utilizadas na forma selada são:
Fontes gama: Co-60, Cs-137, Ir-192, Ra-226.
Fontes beta: P-32, Kr-85, Sr-90, Tl-204.
Fontes de nêutrons: Po-210, Sb-214, Ac-227, Ra-226, Pu-239,
Am-241.
Fontes de ionização: normalmente envolvendo a emissão de
radiação de freamento ou bremsstrahlung, ou emissão de
partículas alfa – H-3, Ra-226, Am-241.
Saiba mais
Você que ficou entusiasmado com o conteúdo desta aula e quer
aprofundar mais seus conhecimentos na área de física radiológica,
então segue uma dica de leitura de um excelente artigo: Uma prática
educativa de sensibilização quanto à exposição à radiação ionizante
com profissionais de saúde.
Este artigo é de suma importância para a sensibilização dos
profissionais de saúde perante aos riscos ocasionados através da
radiação ionizante.
Disponível em:
[Link]
format=pdf&lang=pt.
Caro estudante, o objetivo desta aula é que você
aprenda não somente conceitos novos de física
radiológica de forma teórica, mas que estude os
conceitos que servirão no seu cotidiano em um setor de
imagens médicas de um hospital. Para você que irá
trabalhar com radiação ionizante, saber como funciona
a interação da radiação com a matéria é imprescindível,
pois cada equipamento trabalha em um nível de
energia, e diferentes interações ocorrem no processo
da produção dos raios X. Além disso, você vai conhecer
os benefícios e riscos das radiações ionizantes tanto
para o homem como para o meio ambiente. Portanto,
esta aula é muito importante para sua formação.
Radiação ionizante
A radiação ionizante nada mais é do que ondas eletromagnéticas ou
partículas carregadas. As ondas eletromagnéticas são os raios X e
gama, ou seja, não tem carga e nem massa. Já as ondas em forma de
partículas são aquelas que tem carga e massa, ou somente carga,
temos como exemplo as partículas alfa e beta.
As ondas eletromagnéticas mais conhecidas são aquelas que estão
contidas dentro do espectro de luz visível. Contudo o espectro se
inicia em ondas de rádio, que tem frequências baixas e
consequentemente comprimento de ondas altos, até raios gama, que
são ondas que tem frequências altíssimas e comprimento de onda
extremamente baixo. Dependendo dos níveis de energia, a radiação é
classificada como não ionizante ou ionizante.
No homem, a radiação ionizante poderá ser classificada em quatro
níveis de acordo com a quantidade de dose absorvida pelo
organismo:
1º nível: Absorção de 0 a 25 rem – nada se observa em relação
a alterações no organismo.
2º nível: Absorção de 25 a 50 rem – ocorre a redução dos
glóbulos brancos.
3º nível: Absorção de 100 a 200 rem – o indivíduo apresenta
náuseas e ocorre intensa redução dos glóbulos brancos.
4º nível: Absorção de 500 rem – 50% de probabilidade de
morte entre 30 dias.
Danos que a radiação pode provocar no homem:
Impedimento da divisão celular.
Danificação da divisão celular.
Modificações na estrutura genética das células reprodutoras.
Destruição total da célula.
Se o corpo humano receber de uma vez 700 rads (o rads é uma
unidade de dose de radiação absorvida), ocorrerá um efeito fatal. A
exposição às doses de 50 rads não provoca nos seres humanos sinais
de doenças imediatos.
Os fenômenos associados à interação da radiação com a matéria são
absolutamente gerais, no que diz respeito aos elementos químicos
que formam o material irradiado, seja biológico ou não. Destas
interações surgem os efeitos biológicos das radiações, que são as
consequências posteriores à exposição. Os efeitos das radiações
sobre os seres vivos são muitos e complexos. As pesquisas sobre
estes efeitos visam, em geral, correlacionar fatores tais como dose
recebida, energia, tipo de radiação, tipo de tecido, órgãos atingidos
etc. Diferentes tecidos reagem de diferentes formas às radiações.
Alguns tecidos são mais sensíveis que outros, como os do sistema
linfático e hematopoiético (medula óssea) e do epitélio intestinal, que
são fortemente afetados quando irradiados, enquanto outros, como
os musculares e neuronais, possuem baixa sensibilidade às radiações.
No contexto biológico os elementos químicos relevantes que formam
os tecidos e órgãos dos seres vivos são o carbono, oxigênio,
nitrogênio e hidrogênio. Com relação às interações com estes
elementos, as radiações são primeiramente classificadas como
ionizantes ou não ionizantes.
Em uma interação, a radiação cede a uma molécula certa quantidade
de energia, esta energia pode ser suficiente para arrancar um elétron
orbital e conferir-lhe energia cinética, provocando assim a ionização.
Em outros casos a radiação não tem energia suficiente para provocar
ionização, mas consegue promover o elétron a um nível energético
superior, acarretando a excitação ou ativação. Existem também
situações em que a energia é muito baixa e apenas aumenta a
velocidade de rotação, translação ou de vibração da molécula.
Interações das radiações
ionizantes com a matéria
Interação da radiação com a matéria
Efeito fotoelétrico: é um fenômeno no qual um fóton é
absorvido por um átomo e, como resultado, um de seus
elétrons orbitais é ejetado. Nesse processo, toda energia () do
fóton é primeiro absorvida pelo átomo e, em seguida,
essencialmente tudo é transferido para o elétron. A energia de
ligação do elétron deve ser igual ou inferior à energia do fóton
incidente para que ocorra a ionização. Interações desse tipo
podem ocorrer nas camadas K, L, M.
Efeito Compton: ocorre quando um fóton interage com um
elétron atômico, e esse elétron estará fracamente ligado ao
átomo. Ocorre com elétrons livres ou de camadas externas –
logo, a energia de ligação do elétron ao átomo é menor que a
energia do fóton. Nessa interação o elétron recebe parte da
energia do fóton, portanto o elétron e o fóton saem do átomo
com uma certa angulação. O fóton com energia reduzida é
espalhado.
Formação de pares: se a energia do fóton for maior que 1,022
MeV, o fóton poderá interagir com a matéria pelo mecanismo
de produção de pares. O fóton interage fortemente com o
campo eletromagnético de um núcleo atômico e doa toda sua
energia no processo, criando um par que consiste em um
elétron com carga negativa e um elétron com carga positiva
(pósitron). Nesse processo, o elétron e o pósitron saem com
uma angulação entre si de 180 graus, com energia de 0,511
MeV cada.
Temos como exemplo de radiações ionizantes corpusculares ( , , ) e
as radiações eletromagnéticas (raios X e gama). Elétrons e prótons de
alta energia também podem ionizar a matéria. Esse tipo de radiação
pode ter origem no núcleo de átomos instáveis, denominados
radioativos ou radionuclídeos de forma natural, ou como os raios X,
produzidos artificialmente na eletrosfera dos átomos. Os raios X são
produzidos pelo choque de elétrons ou fótons quando submetidos a
um campo elétrico com diferença de potencial alta em uma ampola a
vácuo.
Devido ao transporte de grande quantidade de energia, a radiação
ionizante, além de interagir com átomos de materiais, também
interage com os tecidos biológicos vivos, por meio da quebra da
molécula de DNA das células ou pela radiólise, que é a interação da
radiação com a molécula de água. Por isso, a exposição à radiação
ionizante depende de alguns fatores, como tipo da radiação
empregada, tempo de exposição, distância da fonte e dose.
Esses fatores podem desencadear futuramente os chamados efeitos
estocásticos, se a dose empregada for abaixo do limiar de dose, e
pode levar ao desenvolvimento de neoplasias malignas. Caso seja
uma exposição acima do limiar de dose prevista nas normas de
proteção radiológica, podem ocorrer danos biológicos de efeito
determinístico, causando a morte do indivíduo.
Embora a radiação cause danos à saúde, ela teve papel decisivo no
avanço da medicina. Permite, atualmente, o diagnóstico precoce de
inúmeras doenças, e o tratamento, por exemplo, em radioterapia, no
combate a células cancerosas.
Benefícios e riscos tanto para
o homem quanto para o meio
ambiente
Embora a radiação tenha a desvantagem de corromper a molécula de
DNA, a aplicação médica deve balancear os riscos e benefícios do
exame. A primeira diretriz da proteção radiológica, justificação,
determina que os benefícios devem ser superiores aos danos
causados, o que é avaliado para cada paciente. A otimização busca
protocolos novos, a fim de manter a qualidade da imagem e
minimizar a dose no paciente. De acordo com o princípio “alara”, a
dose deve ser tão baixa quanto razoavelmente exequível. E a
limitação de dose individual é atribuída a público e profissionais, pois
é medida anualmente.
As consequências do não seguimento das normas previstas na
proteção radiológica abrangem desde o custo até problemas de
saúde. Um câncer causado pelos efeitos estocásticos da radiação
ionizante dará indícios de surgimento muitos anos depois da
irradiação (normalmente entre 15 a 25 anos). Dessa forma, é
impraticável relacionar o exame que causou o dano com o
desenvolvimento do câncer.
Como medidas preventivas, é recomendado que as atividades
aplicadas priorizem diminuir as doses individuais, a quantidade de
pessoas expostas e minimizem ao máximo possíveis exposições
acidentais. Os equipamentos de proteção individual e coletiva (EPI e
EPC) devem ser utilizados por todos os profissionais da área.
Aplicação das radiações ionizantes:
Agricultura: irradiação de alimentos, que melhora a qualidade
e aumenta a validade dos produtos. Previne o brotamento e
possíveis pragas, além de retardar a maturação.
Indústria: a técnica mais conhecida é a gamagrafia, uma
radiografia de tubos metálicos e concretos. Com essa técnica é
possível localizar possíveis rachaduras ou vazamento das
estruturas.
Medicina: diagnóstico e tratamento de doenças.
Meio ambiente: a tecnologia nuclear é usada para pesquisas
na área de monitoramento e restauração ambiental. Com ela, é
possível avaliar recursos hídricos, física e química do solo, idade
de superfícies, sedimentos marinhos, árvores e sítios
arqueológicos. Os traçadores radioativos podem rastrear a
trajetória de poluentes no ar, oceano, rio ou solo para detectar
danos ao meio ambiente.
A exposição da radiação com materiais radioativos abertos ao meio
ambiente pode liberar substâncias tanto no ar quanto no solo. Isso
acarreta a contaminação de águas, rios, plantas, animais e todas as
pessoas que vivem ao redor. Os elementos radioativos mais perigosos
são o iodo radioativo e o césio. Ambos são criados com a fissão
nuclear do urânio.
Cabe ressaltar que a radiação não tira a fertilidade do solo, mas
compromete o que venha a crescer ali – tudo o que nascer nesse solo
e que algum ser vivo consumir desse solo estará contaminado. Como
o tempo de meia vida de cada elemento radioativo varia de horas a
milhares de anos, dependendo do acidente radioativo, do tipo de
material exposto e sua atividade, o local deve ser isolado por
décadas. Temos o exemplo do acidente de Chernobyl, que ainda é
uma cidade fantasma passados 36 anos do desastre nuclear. De
acordo com as restrições locais, não é permitido ficar mais do que 15
minutos nas imediações.
Caro estudante, as importantes aplicações das radiações ionizantes
na medicina podem salvar vidas através de radiodiagnóstico e
radioterapia. As principais fontes dessas radiações são as radiações
emitidas por tubos de raios X, por aceleradores lineares e por
radionuclídeos. Entretanto, como essas radiações também produzem
danos biológicos, seu uso deve ser feito de forma criteriosa, fazendo
levantamento de riscos e benefícios.
Para aprofundar mais neste assunto, segue uma sugestão para leitura
de artigo: Efeitos biológicos das radiações ionizantes. Acidente
radiológico de Goiânia.
Link: [Link]
format=pdf&lang=pt.
Raios X
Em meados de 1896, o cientista francês Henri Becquerel descobriu a
radioatividade, estudando a fosforescência natural das substâncias
químicas. Nesse experimento, utilizou amostras que continham urânio
em sua composição. Becquerel observou que as emissões radioativas
ocorriam de forma espontânea. Diversos estudos foram realizados
antes e depois da descoberta de Henri Becquerel, e foram de extrema
importância para que chegássemos aos conhecimentos atuais a
respeito da radioatividade.
Estudos feitos durante o final do século XIX e início do século XX
foram responsáveis pelo avanço das descobertas das estruturas
atômicas.
O modelo atômico de Rutherford-Borh foi o que melhor ilustrou o real
comportamento atômico, com a descoberta dos elétrons, prótons e
nêutrons.
A radioatividade ocorre em elementos químicos instáveis que, por
isso, emitem os excessos dessa energia em forma de partículas ou
ondas eletromagnéticas – logo, emitem radiação. Esse processo de
emissão de radiação pode acontecer de forma natural ou artificial. A
radiação emitida tem energia de penetração muito alta, portanto
atravessa corpos/objetos, produz fluorescência, causa a ionização em
gases e pode sensibilizar filmes fotográficos.
A emissão de energia de núcleos instáveis ocorre quando núcleos
atômicos têm excesso de energia armazenada. No processo natural,
as principais formas de emissão são as partículas alfa, beta e gama.
Muito do avanço da área médica se deu em razão da descoberta das
radiações ionizantes, contudo a proteção radiológica deve estar em
constante atualização de protocolos, pois a radiação causa danos
biológicos. Trabalhar com material radioativo de forma errônea pode
causar acidentes e problemas de saúde.
A radiação ionizante é uma onda eletromagnética que obtém energia
suficiente para ionizar os átomos do material que esteja
atravessando, retirando os elétrons dos orbitais atômicos. Essa
radiação pode ter característica corpuscular (radiações alfa e beta) ou
natureza eletromagnética (raios X e gama).
A energia de uma onda é calculada pela multiplicação da constante
de Planck, que é igual a
e a frequência da onda, dada pela letra grega, como mostra a
equação:
Aplicação das radiações ionizantes:
Agricultura: irradiação de alimentos, que melhora a qualidade
e aumenta a validade dos produtos. Previne o brotamento e
possíveis pragas, além de retardar a maturação.
Indústria: a técnica mais conhecida é a gamagrafia, uma
radiografia de tubos metálicos e concretos. Com essa técnica é
possível localizar possíveis rachaduras ou vazamento das
estruturas.
Medicina: diagnóstico e tratamento de doenças.
Meio ambiente: a tecnologia nuclear é usada para pesquisas
na área de monitoramento e restauração ambiental. Com ela, é
possível avaliar recursos hídricos, física e química do solo, idade
de superfícies, sedimentos marinhos, árvores e sítios
arqueológicos. Os traçadores radioativos podem rastrear a
trajetória de poluentes no ar, oceano, rio ou solo para detectar
danos ao meio ambiente.
A exposição da radiação por materiais radioativos abertos ao meio
ambiente pode liberar substâncias tanto no ar quanto no solo, o que
acarreta a contaminação de águas, rios, plantas, animais e todas as
pessoas que vivem ao redor. Os elementos radioativos mais perigosos
são o iodo radioativo e o césio. Ambos são criados com a fissão
nuclear do urânio.
Caro estudante, esta é uma aula resumo dos assuntos
relacionados à radiação e radioatividade. Portanto, no
decorrer da videoaula, vamos estudar a história da
radioatividade junto com o histórico dos modelos
atômicos, conhecer os conceitos de radioatividade
natural e artificial, ver a fundo a definição de radiação
ionizante e conhecer os riscos e benefícios da radiação
ionizante, tanto para o ser humano quanto para o meio
ambiente. Então, não perca esta aula.
Estudo de Caso – Mão na
Massa
Considere que você trabalha em um setor de imagens médicas de um
hospital de grande porte na área de radiologia, e foi nomeado para
assumir a chefia dos técnicos em radiologia. Logo, nessa posição você
terá algumas responsabilidades a cumprir, e uma delas é a segurança
de toda a equipe de técnicos que trabalham no setor de imagens.
Periodicamente, devem ocorrer treinamentos de otimização de
protocolos em radioproteção, e como você está ocupando essa
função é seu dever realizar o treinamento dos técnicos do setor.
Quais assuntos você vai abordar durante esse treinamento?
Primeiramente, você deve iniciar o treinamento lembrando d avanço
que a proteção radiológica teve ao longo dos anos. Também deve
abordar assuntos relacionados aos órgãos de vigilância e às
normativas previstas nesses órgãos.
Em seguida, deve tratar dos equipamentos de proteção individual e
coletiva, e certificar-se da quantidade desses equipamentos no setor
e se todos se encontram em perfeitas condições de uso.
Após essa verificação, devem ser apresentados, caso haja, os
protocolos de calibração do equipamento, e explicadas as formas de
realização dos testes de reprodutibilidade do feixe e repetitividade.
Além disso, deve ser visto se o valor nominal é igual ao valor real do
equipamento, verificada a linearidade do feixe de raios X, e se as
blindagens estão funcionando corretamente.
Depois, você deverá abordar os assuntos relacionados ao
levantamento radiométrico da sala, para certificar que não está
havendo radiação de fuga, e que os níveis de radiação externa estão
dentro dos valores previstos pela proteção radiológica.
Por fim, você deve tratar dos protocolos de aquisição de imagem, e
caso tenha algum protocolo novo, ensiná-los e fomentar a ideia de
que todos do setor devem se manter informados quanto aos avanços
da proteção radiológica. Os profissionais devem ter ciência de que
eles não são responsáveis apenas pelas suas vidas no setor, mas
pelas vidas de todos os pacientes e pessoas que transitam nas
imediações.
______
💭 Reflita
Caro estudante, neste momento devemos pensar quais os benefícios
e malefícios que a radiação causa no ser humano.
É fundamental o conhecimento das dosagens radioativas descritas
através de unidades de medidas, que vão informar o seu nível
radioativo.
Aprendemos que a radiação é fundamental para o diagnóstico por
imagem, porém todos os tipos de radiações são acumulativos no
nosso organismo, podendo desencadear os efeitos imediatamente,
tardiamente ou até mesmo geneticamente.
Quando você ministrar esse treinamento para os técnicos em
radiologia, deverá tratar da radioproteção e dos avanços que teve ao
longo dos anos. Antigamente, a radiação era aplicada de forma
errônea, sem qualquer proteção. Devido a isso, inúmeras pessoas
perderam suas mãos, pernas, e até mesmo a vida. Nessa época, a
imagem interna de um corpo era chamada popularmente de
“fotografia interna do corpo” – como era uma novidade, muitas
pessoas se submeteram a níveis de radiação altíssimos
desnecessariamente apenas para ter uma “fotografia interna” de seu
corpo. Assim, sofreram danos biológicos da radiação ionizante de
forma irreversível por falta de conhecimento do assunto. A invenção
da proteção radiológica foi de certa forma mais importante do que a
própria descoberta da radiação, pois utilizar a radiação ionizante sem
qualquer protocolo de controle é promover a morte de inúmeras
pessoas, além de danos ao meio ambiente. Os princípios da proteção
radiológica devem ser seguidos à risca, e são: justificação da prática,
otimização e limitação de doses individuais. Os órgãos que fiscalizam
as práticas são CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear), Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e IPEN (Instituto de
Pesquisas Energéticas e Nucleares).
Em seguida deve certificar-se se os EPIs estão sendo guardados de
forma correta e se estão em perfeito estado de uso. Os EPIs são
avental, protetor de tireoide, protetor de cristalino, protetor de
gônadas e luvas. Todos os equipamentos têm chumbo em sua
composição, e devem ser reconhecidos pela ANVISA.
Você também deve ensinar os métodos de calibração de
equipamentos de radiologia padrão, para que, caso haja algum
problema no equipamento, o técnico consiga saber que tipo de
solução vai resolver o problema de reprodutibilidade de feixe,
repetitividade do feixe, linearidade, valor nominal e real.
Outro ponto importante é o levantamento radiométrico. A sala deve
medir no mínimo 25 m2, as paredes devem ser espessas e com
composição de chumbo, não pode haver mais de um equipamento
por sala e o biombo também deve ser composto por chumbo. Além
disso, é necessário fazer testes com equipamentos de radiação para
certificar-se de que os níveis de radiação fora da sala durante o
exame estão dentro das normas previstas pela proteção radiológica.
Por fim, caso haja protocolos novos de aquisição de imagem, ensinar
como utilizar o kVp e mAs corretamente para cada tipo de exame,
sempre visando manter a qualidade da imagem e minimizando ao
máximo a dose no paciente. Respeitando sempre o princípio “alara”
que traduzido do inglês significa que a dose deve ser tão baixa
quanto razoavelmente exequível.
Resumo Visual
O fluxograma apresentado na figura a seguir serve de orientação
para o estudo dos radiação e radioatividade. Aborda os conceitos da
história da radiação e dos modelos atômicos, os principais tópicos
que tratam de definições das radiações ionizantes, os tipos de
radiações (artificiais e naturais), os diferentes modos da interação da
radiação com a matéria, as fontes de radiações ionizantes (naturais e
artificiais), e as fontes seladas e não seladas. Também mostram as
normas de proteção radiológicas para os danos causados pela
radiação tanto para o ser humano, quanto para o meio ambiente.
Figura | Fluxograma orientativo de estudo para a disciplina de radiação e
radioatividade. Fonte: elaborado pelo autor.
Caro estudante, nesta aula você aprenderá não somente conceitos novos a respeito da
física radiológica, de forma teórica, mas também vai conhecer os conceitos que serão
utilizados no seu cotidiano em um setor de imagens médicas de um hospital. Para você
que vai trabalhar com radiação ionizante, saber diferenciar fontes artificiais e naturais é
imprescindível, pois isso trará segurança para o ambiente de trabalho.
É muito importante você saber como funcionam as leis de transições nucleares, como
elementos radioativos geram outros elementos radioativos, o tempo de meia-vida, como
é o processo de decaimento nuclear, a transmutação, o que são partículas carregadas, o
que são partículas sem cargas, e como funcionam o decaimento alfa, o decaimento beta
e o gama.
Sabemos que radiação é energia eletromagnética ou corpuscular em trânsito, assim
como calor é energia térmica em trânsito. Portanto, podemos afirmar que a radiação
eletromagnética é uma forma de energia, emitida por uma fonte (natural ou artificial)
que é transmitida pelo ar, por meios materiais e no vácuo. São consideradas radiações as
partículas subatômicas e partículas atômicas, como partículas alfas, elétrons, prótons,
nêutrons, pósitrons, denominadas radiações corpusculares. Já as ondas eletromagnéticas
são denominadas radiações ondulatórias, e como radiação exemplo temos os raios gama
e raios X. As radiações corpusculares como partículas alfa (), beta (+) e beta (-) são
emitidas de forma espontânea pelos núcleos instáveis de elementos radioativos. Além
disso, feixes dessas e de outras partículas também podem ser produzidos artificialmente
em aceleradores de partículas ou em reatores nucleares. As ondas eletromagnéticas,
como no caso dos raios-X e gama (), são constituídas por um campo elétrico e um
campo magnético perpendiculares entre si, que se propagam no vácuo na velocidade da
luz:
Onde c é a constante da velocidade da luz.
Essas radiações eletromagnéticas recebem denominações diferentes dependendo da sua
frequência: radiação infravermelha, luz visível e radiação ultravioleta, entre outras. Em
elementos radioativos naturais ocorre a desintegração nuclear, quando há a emissão
espontânea de partículas de um átomo instável. Cada elemento químico tem suas
propriedades e decaem de formas diferentes, emitindo partículas diferentes ou ondas
eletromagnéticas. Vamos utilizar o exemplo do plutônio-242, como mostra a equação
química a seguir:
Um princípio muito importante envolvido no processo de instabilidade do núcleo é a
conservação da energia. Como dizia Lavoisier “Na natureza, nada se perde, nada se cria,
tudo se transforma”, o que se aplica a esta situação. A Equação 1 descreve o processo
de decaimento ou desintegração nuclear pelo átomo de plutônio-242, que originará o
átomo de urânio-238 e um átomo de hélio, considerado partícula alfa. Nesse caso, está
ocorrendo o decaimento alfa (). Se somarmos os números atômicos e números de massa
dos elementos originados (do lado direito da equação), temos os mesmos números
atômicos e de massa do plutônio, comprovando a conservação da energia.
As leis de transições nucleares são duas:
1ª Lei: Quando um átomo emite uma partícula alfa (),seu núcleo atômico
diminui em duas unidades e sua massa atômica diminui em quatro unidades.
2ª Lei: Quando um átomo emite uma partícula beta (), seu número atômico
aumenta em uma unidade.
Quando ocorre a emissão de raios gama (ᵞ), o átomo não altera seu número atômico ou
número de massa. Portanto, quando há a emissão de ondas gama, dizemos que o átomo
sofreu uma desintegração. A radiação gama tem como número de massa e número
atômico 0 (zero).
Transições nucleares
Sabendo o que é radiação, como diferenciar as radiações corpusculares das radiações
eletromagnéticas, e conhecendo os tipos de decaimento que ocorrem nos átomos
radioativos instáveis, vamos partir para os exemplos, a fim de aprofundar seu
conhecimento nessa área.
Como já foi abordado, cada elemento radioativo instável emite partículas ou energia
durante o processo de decaimento radioativo. O conceito de meia-vida é o tempo
necessário para que a atividade de um elemento radioativo seja reduzida à metade da
atividade inicial. Como exemplo, podemos usar o iodo, cujo número atômico é 131 e o
tempo de meia-vida é de 8,02 dias – ou seja, após 8,02 dias, a atividade dessa amostra
será exatamente a metade da amostra inicial. O tempo de meia-vida varia muito,
dependendo do elemento analisado, horas, dias, meses e anos. Como exemplo, temos o
tempo de meia-vida do tecnécio-99m, que é de apenas seis horas, enquanto o tempo de
meia-vida do urânio-238 é de 4,5 bilhões de anos. As meias-vidas vão acontecendo até
que a atividade da amostra fique insignificante, pois a cada meia-vida, sua atividade
diminui pela metade; é um decaimento exponencial.
Tipos de decaimentos
Decaimento alfa (): ocorre espontaneamente dos núcleos de átomos radioativos,
principalmente dos átomos pesados – aqueles cujo número atômico Z ≥ 83. Nesse caso,
existem aproximadamente 400 radionuclídeos, naturais e artificiais, que são emissores
espontâneos de partículas alfa. Uma equação genérica de decaimento alfa você vê a
seguir:
Utilizamos o núcleo do átomo de hélio como a partícula alfa emitida.
Decaimento beta
átomos em que ocorre a emissão espontânea de um elétron ou um pósitron do núcleo.
Essas partículas foram denominadas
como um pósitron, e
como um elétron. Seguem as equações genéricas para decaimento - e +
respectivamente:
X é um elemento químico radioativo qualquer; Y é um elemento originado do elemento
X; é a partícula emitida;
são o neutrino e o antineutrino, respectivamente.
Em ambas as equações notamos que há a conservação de energia. Nesse processo de
decaimento radioativo há as partículas carregadas e as partículas sem cargas. As
partículas também são separadas em dois grupos, as carregadas e as neutras. Partículas
carregadas são como prótons e elétrons, e as neutras são nêutrons, raios X e gama. A
diferença entre essas partículas, além do conceito principal de que umas tem cargas e
outras não, é seu poder de penetração. Partículas carregadas não conseguem ter um
alcance longo no meio, pois interagem muito, em razão de suas forças Coulombianas,
fazendo com que a partícula interaja sempre com os elétrons dos átomos do meio, ou
com os próprios núcleos. Já as partículas sem carga conseguem ter um alcance maior,
por algumas vezes conseguirem atravessar o meio sem interagir com ele – quando há
interação, perdem energia em cada interação. Assim, o poder de penetração de uma
partícula carregada é muito menor, em comparação com a partícula sem carga. A
partícula alfa, por exemplo, pode ter sua passagem blindada por uma folha de papel Para
a blindagem de uma partícula beta, é necessária uma fina lâmina de alumínio. Já a
radiação gama precisa de uma placa espessa de chumbo ou concreto para ter a passagem
bloqueada. Veja a Figura 1:
Utilização da radiação ionizante
A radiação ionizante não é utilizada apenas nas aplicações médicas, mas também nas
indústrias.
Ela pode ser utilizada na esterilização por irradiação, para destruir os microrganismos
nocivos presente no material. Isso serve tanto na área hospitalar como na industrial, em
que materiais devem ser esterilizados antes do uso. A radiação ionizante também é
utilizada para modificação de materiais por irradiação. Alguns materiais têm sua
estrutura modificada quando irradiados, mudanças essas que podem ser permanentes ou
temporárias. Como exemplo, alguns tipos de plástico ficam mais rígidos e quebradiços
quando passam pelo processo de irradiação, alguns cristais mudam de cor e são usados
na criação de joias e bijuterias, entre outras aplicações.
Na indústria alimentícia, alguns alimentos são irradiados para aumentar sua
durabilidade, pois alguns microrganismos que causam deterioração do alimento
morrem. Também a radiação é utilizada em manutenção de gasodutos, nos quais, com
auxílio da radiação, é possível saber onde há rachaduras e possíveis vazamentos. Por
fim, há a aplicação na área médica. A radiação ionizante é usada aplicar tanto para
tratamento – no caso da radioterapia e da medicina nuclear – quanto para diagnósticos,
em equipamentos de raios-X computadorizados ou digitais, para densitometria óssea,
mamografia e tomografia, além da medicina nuclear, também para diagnóstico. O que
difere as técnicas são os níveis de energia do feixe utilizado para cada finalidade, já que
diferentes estruturas necessitam de técnicas diversas de aquisição de imagem (o que
funciona também para seu uso em tratamentos).
Cabe ressaltar que quando se utiliza radiação para qualquer finalidade, de acordo com as
normas de proteção radiológica é preciso seguir três princípios básicos: justificação,
otimização e limitação de doses individuais.
Podemos enaltecer que os princípios básicos fazem parte do cotidiano de quem atua na
área das técnicas radiológicas, seja ela no âmbito hospitalar, alimentício, industrial entre
outros.
A base para prevenir acidentes e receber doses demasiadas de radiação é seguir os
princípios de proteção, sempre justificando o porquê deve-se realizar a exposição do
paciente ou objeto à radiação, reduzir ao máximo a exposição do paciente à radiação.
Desta forma é fundamental ter um bom posicionamento radiológico e inserir a técnica
para a aquisição da imagem radiográfica de forma correta. E, por fim, sempre manter a
distância segura da fonte de radiação.
Todas as normativas referentes à proteção radiológica servem para prevenção de
acidentes, pois é necessário desenvolver meios e implementar ações para minimizar a
contribuição de erros humanos que levem à ocorrência de exposições acidentais. Antes
a portaria que regia as normas de proteção radiológicas era a 453, que recentemente
substituída dela RDC 330. Todo profissional que trabalha em um ambiente hospitalar
em que há utilização de radiação ionizante deve conhecer as normas de proteção
estabelecidas nesses documentos.
Caro estudante, para entender um pouco melhor como age o poder de penetração da
radiação em nosso organismo e seu impacto, segue a sugestão de leitura de um artigo:
Uma Visão Acerca Dos Impactos Da Radiação No Corpo Humano Habitualmente.
Disponível em: [Link]
9669/4354
Caro estudante, nesta aula você aprenderá não somente conceitos novos a respeito da
física radiológica, de forma teórica, mas também vai conhecer os conceitos que serão
utilizados no seu cotidiano em um setor de imagens médicas de um hospital. Para você
que vai trabalhar com radiação ionizante, saber diferenciar fontes artificiais e naturais é
imprescindível, pois isso trará segurança para o ambiente de trabalho.
Nesta aula você saberá diferenciar radiação X de radiação gama, conhecerá a história da
descoberta dos raios X e como são produzidos os raios X.
Contextualização sobre a radiação
Os raios X são classificados como fonte de radiação artificial, logo, não é produzido
naturalmente na natureza. Esse tipo de radiação tem frequência alta, da ordem de Hz.
Como a fórmula para calcularmos a energia de uma onda é composta pela constante de
Planck e pela frequência, logo quanto maior a frequência da onda, maior será a energia,
são grandezas diretamente proporcionais como mostra a equação abaixo:
Onde
é a constante de Planck, que é igual a
e
é a frequência da onda eletromagnética.
O descobridor dos raios X foi um físico alemão chamado Wilhelm Conrad Roentgen
(1845 – 1923). A descoberta ocorreu no ano de 1895, feita durante um experimento de
catodo luminescência em um tubo chamado "tubo de Crookes" em homenagem a
William Crookes. William Crookes estava encarregado de realizar experimentos através
de um tubo de vácuo movido por uma corrente elétrica. Ele descobriu que se aplicasse
um campo magnético fora da lâmpada, a trajetória do feixe de luz mudaria. Então, se o
feixe é desviado para o lado positivo do campo, é um feixe de cargas negativas devido à
força atrativa das cargas. O tubo de Crookes é como mostra a Figura 1:
Figura 6.1 | Tubo de Crookes. Fonte: Muniz (2014, p. 2).
Esse tubo era uma ampola de raios X muito primitiva, de vidro e a vácuo, com um
cátodo que emite os elétrons que ganharão energia cinética e colidirão com o alvo,
denominado ânodo. A luminescência surge quando os elétrons são submetidos a uma
grande diferença de potencial.
Portanto, durante um experimento com tubo de Crookes, Roentgen analisava a
condução da eletricidade por esse tubo. No decorrer do experimento, seu ajudante lhe
chamou a atenção, dizendo para o professor olhar para a tela.
Nas proximidades do tubo, havia uma tela coberta com platinocianeto de bário, na qual
se projetava uma leve luminosidade, resultando na fluorescência do material. Nesse
momento ele girou a tela e colocou sua mão entre o fluxo luminoso e a tela, e viu seus
ossos projetados. Assim, Roentgen viu, pela primeira vez, o que futuramente seria
chamado de raio X.
Essa descoberta foi um marco na história cientifica. Após um ano, já havia
aproximadamente 49 livros e panfletos e mais de mil artigos publicados sobre esse
assunto.
A ampola de raios X que era considerada uma válvula termoiônica, devido a emissão de
elétrons do catodo após atingir uma certa temperatura no filamento. Essa ampola é
encontrada no mercado tanto em vidro, quanto em metal, ambas com seu interior a
vácuo, onde ficam localizados o catodo e o ânodo, como mostra a imagem Figura 2.
Figura 2 | Ampola de raios X ou tubo de Coolidge para raio X. Fonte: Suzana (2017, [s. p.]).
Na Figura 2, podemos observar: alta tensão, ânodo, alvo de tungstênio, janela, feixe de
raios X, janela, copo focalizador, cátodo, filamento, feixe de elétrons, ampola de vidro.
Esse esquema relata como é o funcionamento do tubo para que ocorra a produção dos
raios X que serão utilizados no exame. Esse tubo é alimentado por uma fonte elétrica,
que causará um efeito Joule em um filamento chamado de cátodo. Esse filamento sofre
um processo de aquecimento e, em um certo nível de calor, ocorre o processo
termoiônico, quando ocorrerá a saída dos elétrons, os quais serão acelerados devido à
diferença de potencial (ddp), em direção ao ânodo (alvo). Como o ânodo normalmente
tem uma angulação, o feixe de raios X sairá em direção à janela do tubo.
Radiação X e radiação Gama
A geração de raios X ocorre quando elétrons ou fótons em alta velocidade são
desacelerados no material em que estão colidindo, ou seja, o alvo. A origem dos raios X
ocorre com interações na eletrosfera do átomo. A tensão em um equipamento de raios X
é dada em kV (quilovoltagem), que é a diferença de potencial entre o ânodo e o cátodo.
A corrente contínua gerada no tubo é chamada de mA (miliampere).
Na faixa do radiodiagnóstico, o efeito da interação da radiação com a matéria mais
predominante é o efeito fotoelétrico, pois se trata de equipamentos que não trabalham
com energias muito altas, e o ânodo é um material com alto número atômico (Z).
A maioria dos elétrons que colide com os átomos do alvo atinge elétrons orbitais do
átomo, transferindo sua energia. Essa produção de raios X por esse processo de colisão
gera uma grande quantidade de calor no processo, e apenas 1% de toda energia dos
elétrons que colide com o alvo é utilizada efetivamente na produção dos raios-X. Por
causa desse processo de superaquecimento, os ânodos na área da radiologia são
giratórios. É uma maneira de dissipar o calor no processo da aquisição de imagem.
Portanto, há duas maneiras de aumentar a geração de raios X:
Aumentando a corrente no tubo, ou seja, aumentando o número de elétrons.
Aumentando a tensão no tubo, isto é, aumentando o rendimento, que é a
porcentagem de elétrons que geram os raios X.
Nesse processo de geração dos raios X, não tem como prever qual caminho o raio vai
tomar após o processo de colisão. Portanto, o tubo é envolvido por uma blindagem,
denominada blindagem de cabeçote. A janela do tubo é a única saída do feixe de raios X
para a parte externa.
Essa blindagem é para que haja o bloqueio da radiação de fuga, que não contribuiria
com a formação da imagem, pois o feixe sai em todas as direções – logo, só aumentaria
a exposição do paciente à radiação, desnecessariamente.
Quando você estiver em campo, trabalhando na área de radiologia de um hospital, você
vai perceber que no workstation (centro de comando) do equipamento de raios X, o
botão que aciona o disparo do feixe tem dois estágios. O primeiro, para que o ânodo
comece a girar e, depois, com o segundo estágio do botão, o feixe é acionado.
A radiação gama é gerada a partir de átomos instáveis. Essa radiação eletromagnética é
gerada no núcleo dos átomos. Então, a diferença entre radiação gama e radiação X é
apenas quanto à sua origem. A radiação gama é originada no núcleo, enquanto a
radiação X é gerada na eletrosfera.
A radiação gama não tem carga nem massa, e a emissão dessa onda eletromagnética
ocorre conforme a equação a seguir:
O que conseguimos interpretar é que quando um átomo está com excesso de energia
dentro do seu núcleo e não há um excesso de prótons ou nêutrons, sendo apenas uma
energia em excesso, ele emite a radiação gama. Essa radiação não tem carga nem massa
e não há um processo de transmutação, ou seja, o elemento pai é o mesmo elemento que
o filho nessa reação. Somente há a dissipação de energia. Elemento “pai”, é o elemento
inicial da equação, aquele que vai sofrer o processo de decaimento, que fica do lado
esquerdo, antes da “seta”. Já o elemento “filho” é o originado após a reação de emissão
tanto de partículas alfa, beta ou gama.
Utilização da radiação ionizante
A radiação X, como já foi dito, é invisível ao olho humano, inodora e não tem como
sentir sua presença. É constituída por ondas eletromagnéticas, com comprimento de
onda bem menores que o espectro de luz visível, logo, sua frequência é bastante alta.
Lembrando que quanto maior o comprimento de onda, menor a frequência e,
consequentemente, quanto menor o comprimento de onda, maior a frequência. São
grandezas inversamente proporcionais, como mostra a equação a seguir:
Onde c é a constante de velocidade da luz, 3x108 m/s;
é o comprimento da onda; e f é a frequência.
Em uma radiografia, por exemplo, de uma mão fraturada, os ossos aparecem de forma
mais presente na imagem em cinza claro, quase branco, enquanto as partes consideradas
moles, como músculos e tendões, aparecem como cinza mais escuro. Isso ocorre porque
os ossos possuem átomos mais pesados, como o cálcio; portanto, essa estrutura se torna
mais rádio-opaca em comparação com as outras estruturas, absorvendo, assim, mais
intensamente os raio X. Quanto mais próximo do branco uma estrutura se mostra em um
exame radiográfico, mais essa estrutura bloqueou passagem da radiação. E o contrário é
verdadeiro, se a imagem for mais escura, significa que a radiação passou pela estrutura e
não perdeu sua energia, sensibilizou a imagem completamente.
O contraste da imagem está relacionado com a ddp do tubo, ou seja, com o kVp, que é
responsável pela energia do feixe e penetração da radiação no meio.
Já o escurecimento da imagem está relacionada com o mAs, isto é, com a quantidade de
elétrons que saíram do cátodo, aumentando a produção dos raios X. O mAs é
responsável pelo melhor detalhamento da imagem.
Quando o técnico de radiologia vai irradiar uma pessoa para realizar um exame de raio-
X, cada estrutura a ser a analisada tem uma combinação de kVp e mAs. A imagem
radiográfica é uma combinação de kVp e mAs, energia e quantidade de elétrons,
respectivamente.
Inicialmente os raios X foram utilizados para analisar tecidos duros, que é a estrutura
óssea. O uso dos raios X para a visualização de tecidos moles somente ocorreu com a
invenção da tomografia computadorizada, por volta de 1972, por Godfrey Newbold
Hounsfield e Allan Macleod Cormack – por isso, quando se trata de imagens de
tomografia a unidade utilizada é a de Hounsfield, em homenagem ao criador. Em 1979
ambos foram laureados com o prêmio Nobel.
Na medicina, além do uso da radiação X em radiografias – para diagnóstico –, essa
radiação também pode ser utilizada no tratamento, como na radioterapia. Esse uso se dá
em faixas de energia diferentes: na radioterapia energias altas são usadas, pois o
objetivo é que a radiação destrua as células cancerosas.
Você que ficou entusiasmado com o conteúdo desta aula e quer aprofundar mais seus
conhecimentos na área de radiologia, segue a indicação de um artigo: Verificação das
doses de radiação absorvida durante a técnica de irradiação de corpo inteiro nos
transplantes de medula óssea, por meio de dosímetros termoluminescentes.
Link: [Link]
format=pdf&lang=pt.
Introdução
Caro estudante, nesta aula você aprenderá não somente conceitos novos a respeito da
física radiológica, de forma teórica, mas também vai conhecer os conceitos que serão
utilizados no seu cotidiano em um setor de imagens médicas de um hospital. Para você
que vai trabalhar com radiação ionizante, saber diferenciar fontes artificiais e naturais é
imprescindível, pois isso trará segurança para o ambiente de trabalho.
Nesta aula você verá as fontes de radiações ionizantes, conceitos e aplicações. Vai
conhecer as fontes de radiação interna e externas, além das suas aplicações na medicina,
na indústria, no ensino e na pesquisa.
Diferença entre fontes radioativas
naturais e artificiais
As fontes naturais de radiação são aquelas não produzidas pelo homem, mas pela
natureza. São elas as radiações cósmicas e os radionuclídeos encontrados na crosta
terrestre, em solos, rochas e sedimentos.
Fontes radioativas não naturais são as produzidas pelo homem, usualmente encontradas
na área da saúde nos equipamentos de raios-X, tomografia computadorizada e
radioterapia, e na geração de energia, como no caso de usinas nucleares.
O risco de câncer proveniente dessa exposição depende da dose empregada e da duração
do tempo da exposição. Fatores como idade e sensibilidade dos tecidos também
influenciam o risco de desenvolvimento de neoplasias malignas.
Tipos de fontes radioativas e modos de exposição
Fontes radioativas consiste em um material ou corpo que tem radioatividade.
Radioatividade é a capacidade de emitir energia na forma de radiação ondulatória
(eletromagnética) ou corpuscular.
A radiação ionizante é aquela que tem energia suficiente para ionizar o meio que está
atravessando. Ionização é o processo de retirada de elétrons dos átomos do material ou
meio.
Existem diferentes tipos de fontes radioativas, seladas e não seladas, ou abertas como
emissores de radiações ionizantes artificiais, como equipamentos de raios-X e
aceleradores de partículas. Cada tipo de radiação tem diferentes tipos de aplicação, seja
na medicina, indústria, ensino ou pesquisa científica.
No caso de pesquisa relacionada com biologia utiliza-se o radioisótopo como
ferramenta de trabalho quando há necessidade de marcar uma molécula de interesse,
seja em uma reação química ou biológica.
Há inúmeros programas de pesquisa ao redor do mundo relacionados com emprego de
radioisótopos. Os estudos mais utilizados são:
Aumento de eficiência na produção da safra.
Produção de sementes resistentes a doenças.
Determinação da eficiência de consumo de fertilizantes e otimização da fixação
de nitrogênio.
Controle ou erradicação de infestações de peste por insetos.
Melhorias da produtividade e saúde de animais domésticos.
Preservação de alimentos.
Estudos hidrológicos.
Pesquisas médicas e biológicas.
Fontes seladas
Fontes seladas de materiais radioativos são elementos incorporados em uma matéria
solida ou inativa, ou ainda encapsulados e hermeticamente fechados de tal forma que
em condições normais de uso não oferecem risco para a sociedade e meio ambiente.
Logo, a fonte selada só pode ser aberta se for destruída.
Esse tipo de fonte é utilizado em diversos segmentos e técnicas:
Técnicas radiográficas: gamagrafia industrial, radiografia beta e nêutrons.
Técnicas de medição: medidores de densidade, espessura, umidade e nível.
Técnicas de irradiação: esterilização de produtos clínicos, preservação de
alimentos, radioterapia e braquiterapia.
Técnicas analíticas: análises químicas, análise de traços de elementos e análise
de minérios.
Outras técnicas: detectores de fumaça, eliminadores de estática, para-raios,
baterias nucleares.
As fontes mais utilizadas na forma selada são:
Fontes gama: Co-60, Cs-137, Ir-192, Ra-226.
Fontes beta: P-32, Kr-85, Sr-90, Tl-204.
Fontes de nêutrons: Po-210, Sb-214, Ac-227, Ra-226, Pu-239, Am-241.
Fontes de ionização: normalmente envolvendo a emissão de radiação de freamento ou
bremsstrahlung, ou emissão de partículas alfa – H-3, Ra-226, Am-241.
Utilização das fontes
Fontes não seladas
Fontes não seladas normalmente são empregadas como traçadores, marcando compostos
ou uma parte de um sistema. Portanto, alguns detectores de radiação sensíveis
conseguem acompanhar o traçador ou item marcado através do sistema, e conduzir os
ensaios quantitativos em uma amostra retirada para um determinado estudo.
As aplicações industriais para esse tipo de fonte incluem:
Medidas de vazão.
Medidas de eficiência de filtração de gases.
Medidas de velocidade de líquidos e gases.
Determinação do tempo de residência de líquidos ou partículas sólidas em
equipamentos.
Detecção de vazamento.
Avaliação de desgaste de equipamentos.
As aplicações das radiações de forma não selada são feitas na área médica, como para
avaliar o funcionamento de diversos órgãos, podendo ser usadas in vivo, administrando
um radiofármaco para examinar o paciente, ou in vitro, retirando uma amostra do
paciente e usando traçadores radioativos para análise e diagnóstico. Por fim, as fontes
não seladas também são empregadas para fins terapêuticos, como na medicina nuclear,
para tratamento de câncer na tireoide.
Radionuclídeos mais frequente utilizados em pesquisa:
H-3: Trítio.
C-14: Carbono.
P-32: Fósforo.
S-35: Enxofre.
Kr-85: Criptônio.
Br-82: Bromo.
Tc-99m: Tecnécio.
I-125: Iodo.
I-131: Iodo.
Aparelhos de raios-X e aceleradores
Os raios X tem inúmeras aplicações, como já é sabido, principalmente na área médica.
Mas também são utilizados na indústria, com técnicas de radiografia industrial.
Técnicas analíticas de fluorescência e determinação do nível de líquidos em latas, e
técnicas de irradiação, ressaltando-se a teleterapia, que por definição é terapia a
distância, ou seja, sem contato com o elemento radioativo, é um processo de irradiação,
como no caso de tratamento de diversos tipos de câncer em radioterapia.
Os aceleradores de partículas são processos artificiais que utilizam os campos elétrico e
magnético que se propagam perpendicularmente entre si, formando as ondas
eletromagnéticas capazes de gerar feixes de partículas altamente energéticos. Como
exemplo de aceleradores de elétrons temos os aceleradores lineares, que conseguem
produzir feixes de raios X com energia e em um intervalo de 4 a 40 MeV. Esses
aceleradores lineares são utilizados na área médica, para tratamento de pacientes, mas
também na indústria e em pesquisas.
Os cíclotrons são dispositivos capazes de acelerar partículas, que são prótons, dêuterons
e partículas alfa.
A energia obtida desses processos pode alcançar níveis bastante altos, de até 15MeV,
25MeV e 50MeV, respectivamente.
Os devidos cuidados que o trabalho com fontes radioativas requer deve passar pelos três
pilares da radioproteção. Com isso, aumenta a segurança dos trabalhadores, das
instalações e das pessoas que transitam no entorno.
Efeitos biológicos da Radiação
Efeitos biológicos das radiações não ionizantes
Radiações que não são capazes de ejetar os elétrons da camada eletrônica para os
elementos considerados (C, H, O, N) são ditas não ionizantes (no contexto biológico).
Os efeitos dessas radiações nos organismos não são menos perigosos pelo fato de não
provocarem ionizações, pois elas não atuam só em nível atômico, como acontece com
radiações ionizantes, mas também em nível molecular, como acontece com a radiação
ultravioleta (UV) quando interage com a molécula de DNA (ácido desoxirribonucléico).
Radiação ultravioleta
Os raios ultravioletas, que são emitidos pelo Sol e por lâmpadas junto com o espectro
visível, são classificados pelo seu comprimento de onda. Dentre as radiações não
ionizantes, a ultravioleta tem papel preponderante. O DNA, portador da informação
genética na célula, devido à sua estrutura molecular, absorve radiações na faixa do UV.
O máximo de absorção se dá em torno de comprimentos de onda da ordem de 260 mm
(UVC), diminuindo para comprimentos de onda maiores (UVB e UVA), sem absorção
na faixa do visível. Os raios UV interagem, portanto, diretamente com o DNA, podendo
provocar sérias alterações nos seres vivos (eritemas, bronzeamento, diminuição da
resposta imunológica, indução do câncer de pele etc.).
Os raios UVC (germicidas), os mais danosos aos seres vivos, são completamente
absorvidos na estratosfera pela camada de ozônio. Os UVB e UVA, entretanto, atingem
a superfície terrestre.
A interação com o UVB e UVA tem também consequências benéficas e mesmo
essenciais à sobrevivência, tais como a síntese da provitamina D e a prevenção de
distúrbios no metabolismo do cálcio e fósforo, que podem gerar má formação óssea e
redução na defesa do organismo.
A maior parte dos danos induzidos por radiação impede a transcrição da informação
genética no RNA mensageiro e bloqueia a replicação semiconservativa. Em células
desprovidas de qualquer mecanismo de reparação das lesões um único dano no DNA
pode acarretar a inativação celular. Os principais produtos gerados pelo UVC a partir de
sua interação com o DNA são os dímeros de pirimidinas (especialmente de timina),
hidratos de bases pirimidínicas, ligações cruzadas entre bases pirimidínicas e
aminoácidos. Os produtos da interação com o UV longo (UVA e UVB) são análogos
aos causados pelas radiações ionizantes e germicidas, embora com eficiências diferentes
e através de mecanismos distintos. Assim, dímeros de pirimidinas, timina-glicóis e
roturas de cadeia polinucleotídicas são observadas em preparações de DNA expostas ao
UV longo.
As roturas no DNA são dependentes de oxigênio e mediadas por oxidações induzidas
por fótons que conduzem a formação de espécies ativadas de oxigênio (OH·, peróxido
de hidrogênio e oxigênio singleto) verdadeiras responsáveis pela quebra da cadeia.
Portanto, a energia transferida pelo UV longo na célula ocasiona formação de radicais
livres, espécies químicas altamente reativas, e excitações moleculares, que
posteriormente reagem quimicamente no meio.
Reações de fotoadição também podem ser promovidas pelo UV longo, entre elas são
importantes as que ocorrem com as furocumarinas. Estas, quando expostas a radiações
de comprimento de onda entre 320nm e 380nm interagem com ácidos nucléicos ou com
proteínas, causando eritemas, pigmentação da pele, a inibição da biossíntese de
macromoléculas, a inativação celular e a mutagênese.
Os cuidados com as radiações solares são de suma importância na prevenção de doenças
como o câncer de pele (não melanoma). Deve-se evitar os raios solares entre 10:00 h e
16:00 h ou, caso inevitável, utilizar protetor solar com fator de proteção elevada e agir
com cuidado ao manusear frutas como o limão e figo (que contém furocumarinas) sob o
Sol pois podem ocorrer queimaduras gravíssimas e até fatais.
Efeitos biológicos da Radiação
Efeitos biológicos das radiações não ionizantes
Radiações que não são capazes de ejetar os elétrons da camada eletrônica para os
elementos considerados (C, H, O, N) são ditas não ionizantes (no contexto biológico).
Os efeitos dessas radiações nos organismos não são menos perigosos pelo fato de não
provocarem ionizações, pois elas não atuam só em nível atômico, como acontece com
radiações ionizantes, mas também em nível molecular, como acontece com a radiação
ultravioleta (UV) quando interage com a molécula de DNA (ácido desoxirribonucléico).
Radiação ultravioleta
Os raios ultravioletas, que são emitidos pelo Sol e por lâmpadas junto com o espectro
visível, são classificados pelo seu comprimento de onda. Dentre as radiações não
ionizantes, a ultravioleta tem papel preponderante. O DNA, portador da informação
genética na célula, devido à sua estrutura molecular, absorve radiações na faixa do UV.
O máximo de absorção se dá em torno de comprimentos de onda da ordem de 260 mm
(UVC), diminuindo para comprimentos de onda maiores (UVB e UVA), sem absorção
na faixa do visível. Os raios UV interagem, portanto, diretamente com o DNA, podendo
provocar sérias alterações nos seres vivos (eritemas, bronzeamento, diminuição da
resposta imunológica, indução do câncer de pele etc.).
Os raios UVC (germicidas), os mais danosos aos seres vivos, são completamente
absorvidos na estratosfera pela camada de ozônio. Os UVB e UVA, entretanto, atingem
a superfície terrestre.
A interação com o UVB e UVA tem também consequências benéficas e mesmo
essenciais à sobrevivência, tais como a síntese da provitamina D e a prevenção de
distúrbios no metabolismo do cálcio e fósforo, que podem gerar má formação óssea e
redução na defesa do organismo.
A maior parte dos danos induzidos por radiação impede a transcrição da informação
genética no RNA mensageiro e bloqueia a replicação semiconservativa. Em células
desprovidas de qualquer mecanismo de reparação das lesões um único dano no DNA
pode acarretar a inativação celular. Os principais produtos gerados pelo UVC a partir de
sua interação com o DNA são os dímeros de pirimidinas (especialmente de timina),
hidratos de bases pirimidínicas, ligações cruzadas entre bases pirimidínicas e
aminoácidos. Os produtos da interação com o UV longo (UVA e UVB) são análogos
aos causados pelas radiações ionizantes e germicidas, embora com eficiências diferentes
e através de mecanismos distintos. Assim, dímeros de pirimidinas, timina-glicóis e
roturas de cadeia polinucleotídicas são observadas em preparações de DNA expostas ao
UV longo.
As roturas no DNA são dependentes de oxigênio e mediadas por oxidações induzidas
por fótons que conduzem a formação de espécies ativadas de oxigênio (OH·, peróxido
de hidrogênio e oxigênio singleto) verdadeiras responsáveis pela quebra da cadeia.
Portanto, a energia transferida pelo UV longo na célula ocasiona formação de radicais
livres, espécies químicas altamente reativas, e excitações moleculares, que
posteriormente reagem quimicamente no meio.
Reações de fotoadição também podem ser promovidas pelo UV longo, entre elas são
importantes as que ocorrem com as furocumarinas. Estas, quando expostas a radiações
de comprimento de onda entre 320nm e 380nm interagem com ácidos nucléicos ou com
proteínas, causando eritemas, pigmentação da pele, a inibição da biossíntese de
macromoléculas, a inativação celular e a mutagênese.
Os cuidados com as radiações solares são de suma importância na prevenção de doenças
como o câncer de pele (não melanoma). Deve-se evitar os raios solares entre 10:00 h e
16:00 h ou, caso inevitável, utilizar protetor solar com fator de proteção elevada e agir
com cuidado ao manusear frutas como o limão e figo (que contém furocumarinas) sob o
Sol pois podem ocorrer queimaduras gravíssimas e até fatais.
Prezado estudante, chegou a hora de conhecer um pouco mais sobre os efeitos
biológicos causados através da radiação.
O artigo: Uma síntese sobre os efeitos biológicos da radiação ionizante e o papel da
alanina utilizada para dosagem de radiações, aborda um levantamento teórico a
respeito das propriedades da alanina utilizada para dosagem de radiação e os efeitos
biológicos causados para os complexos biológicos.
Link: [Link]
Introdução
Caro estudante, nesta aula você aprenderá não somente conceitos novos a respeito da
física radiológica, de forma teórica, mas também vai conhecer os conceitos que serão
utilizados no seu cotidiano em um setor de imagens médicas de um hospital. Para você
que vai trabalhar com radiação ionizante, conhecer o funcionamento da exposição a
radiações ionizantes e suas consequências, saber diferenciar o conceito de irradiação e
contaminação (que ainda causa dúvidas até mesmo nos profissionais de radiologia) e
saber como ocorre o controle ambiental fará de você um profissional diferenciado no
mercado de trabalho. Bons estudos!
Contextualização sobre exposição à
radiação
Os materiais radioativos e a radioatividade existem no espaço sideral desde a origem do
universo, e têm sido utilizados pelo homem desde o século XIX. Radiação é a
propagação de energia na forma de ondas eletromagnéticas ou partículas. Por sua vez,
as ondas eletromagnéticas são uma forma de energia composta por campos elétricos e
magnéticos, que mudam e oscilam em planos perpendiculares entre si e podem se
propagar no espaço. No vácuo, sua velocidade de propagação é de 300 mil quilômetros
por segundo.
Ao compreender o poder e as consequências da radiação ionizante, ações de proteção
radiológica podem ser realizadas em diferentes setores, a fim de garantir a saúde e o
bem-estar de cada pessoa envolvida, seja no tratamento ou no diagnóstico. Desde a
descoberta da radiação, as pesquisas forneceram dados e um vasto conhecimento a
respeito dos mecanismos biológicos da radiação e de como afetam a saúde. Isso
contribuiu para apoiar a pesquisa que trata da proteção radiológica.
A radiação ionizante tem energia suficiente para remover elétrons dos átomos e então
gerar íons, ou radicais livres. As fontes naturais de radiação ionizante são os raios
cósmicos e radionuclídeos da crosta terrestre, que existem em locais como solo, rochas,
materiais de construção, água potável e o corpo humano.
Em relação à exposição à radiação de fontes naturais, vale destacar o radônio. É um gás
natural sem cheiro, cor ou sabor, muitas vezes concentrado em ambientes fechados
como minas subterrâneas, residências ou locais de trabalho. Quando inalado, ele se
deposita no trato respiratório, e está associado ao câncer de pulmão, perdendo apenas
para o tabagismo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). A forma de evitar
a inalação desse gás é manter o ambiente ventilado, diminuindo concentração do gás no
ambiente.
Fontes que não são naturais, aquelas produzidas pelo homem, são radiações ionizantes,
normalmente encontradas na área médica e utilizadas em equipamentos de raios-X,
tomografia computadorizada e densitometria óssea, e no tratamento de câncer, como no
caso da radioterapia.
O risco de câncer decorrente da exposição à radiação ionizante depende de alguns
fatores, como a dose empregada, o tempo de exposição, a idade de exposição e a
sensibilidade do tecido aos efeitos carcinogênicos da radiação.
Tipos de exposição
No trabalho: indivíduos (instituições médicas ou laboratórios) trabalhando em
torno da indústria nuclear ou equipamentos de radiação; trabalhadores
subterrâneos em minas hematita (por causa da exposição ao radônio).
Meio ambiente: todos estamos expostos a diferentes intensidades de radiação,
incluindo radiação de fontes naturais ou artificiais.
Efeitos causados na saúde
Efeitos agudos: queimaduras na pele, perda de cabelo, fraqueza, náusea.
Pacientes submetidos a tratamento de radioterapia normalmente apresentam
efeitos agudos, por causa das altas doses de exposição.
Efeitos crônicos: alterações causadas no DNA devido à radiação.
Tipos de radiação comparados aos tipos de canceres desenvolvidos
Raios X e raios gama: câncer de glândula salivar, cólon, pulmão, ossos,
estômago, pele, rim, bexiga, sistema nervoso central (SNC), leucemia e tireoide.
Partículas alfa: câncer de pulmão e leucemia.
Partículas beta: câncer nos ossos, sarcoma, leucemia, tireoide e glândula
salivar.
Condutas de segurança
Recomenda-se planejar corretamente as atividades no ambiente de trabalho para reduzir
as doses pessoais, o número de pessoas expostas e a possibilidade de exposição
acidental. Todos os trabalhadores devem utilizar equipamentos de proteção individual e
coletiva (EPI e EPC)
Contaminação versus irradiação
A diferença entre contaminação radioativa e irradiação radioativa ainda causa dúvida
entre as pessoas e até mesmo entre os profissionais da radiologia. A contaminação
ocorre quando um indivíduo ou objeto entra em contato direto com o elemento
radioativo. Já a irradiação ocorre quando há uma certa distância entre o indivíduo ou
objeto da fonte radioativa, portanto, não há contato direto, somente exposição à
radiação. Um indivíduo ou objeto contaminado é um caso muito mais grave que um
indivíduo irradiado, pois a contaminação coloca outras pessoas e o meio ambiente em
risco. Quando ocorre a irradiação, somente o indivíduo irradiado sofre os danos da
radiação ionizante.
Há três tipos de irradiação:
Exposição única.
Exposição fracionada.
Exposição periódica.
A exposição única ocorre normalmente em exames radiológicos, por exemplo, um
paciente submetido a exame de raios X ou tomografia computadorizada.
Exposições fracionadas são frações de irradiações divididas em seções, como no caso de
tratamentos de câncer em radioterapia.
As exposições periódicas acontecem nas rotinas de trabalho, por exemplo, em
exposições em instalações nucleares ou no trabalho com materiais radioativos, como na
medicina nuclear.
A maioria das práticas de radiação ionizante envolve fótons de fontes de radiação gama
ou geradores de raios X. É o que acontece em radiodiagnóstico, radioterapia, radiografia
industrial e medição de nível e densidade.
Nas instalações nucleares – mais precisamente em seus reatores – além dos fótons
ocorrem fluxos de nêutrons produzidos na fissão de elementos combustíveis que
chegam à área de manutenção e operação da máquina. Alguns medidores de densidade e
instrumentos de exploração de petróleo usam fontes e geradores de nêutrons.
Os principais representantes dos feixes de partículas carregadas são aceleradores
lineares de elétrons, cíclotrons com feixes de prótons e radionuclídeos que emitem β e
α. Os fótons e nêutrons constituem a radiação mais penetrante, e podem causar diversos
danos biológicos dependendo da taxa de dose, energia e tipo de radiação.
A radiação alfa tem um poder de ionização bastante alto, porém pouco alcance no tecido
humano. O grande problema desse tipo de radiação é se inalado ou ingerido, quando
pode causar no sistema respiratório ou digestivo um dano biológico vinte vezes maior
que radiações gama, X ou beta.
A proteção radiológica não prevê somente otimizar protocolos que previnem o ser
humano dos possíveis riscos biológicos causados pelas radiações ionizantes. O meio
ambiente também não pode sofrer danos causados pelos elementos radioativos.
Em uma instalação nuclear é feita uma análise por meio de um programa que faz um
monitoramento, realizado em duas fases. Uma ocorre dentro do estabelecimento e outra,
no exterior. Os procedimentos abordados podem variar em determinadas instalações.
Isso ocorre pois, além das inúmeras variações determinadas de acordo com as diferentes
localizações ou ambiente de cada instalação, os monitoramentos são realizados com
intuitos diferentes, devido a diversos graus de importância do estabelecimento. Cada
estabelecimento tem um foco de aplicação, e isso diverge de inúmeras formas. São
várias as especificações dos tipos de radiações, frequências de medidas, procedimentos
de amostragem, tipos de análises laboratoriais e testes estatísticos, entre outros. A
última etapa do procedimento é avaliar e estimar a dose equivalente e a comparação
com os limites máximos aceitos e recomendados pelas normas de radioproteção.
Utilização e exposição a radiações
A radiação ionizante é empregada em maior frequência no setor de saúde e, como
consequência disso, são locais em que ocorrem os maiores níveis de exposição em
termos de dose coletiva. Porém, são também os lugares em que são realizadas as
pesquisas visando utilizar a técnica em benefício da população. O intuito é proporcionar
o maior benefício possível.
Embora muitos órgãos do governo difundam tópicos relacionados à radioproteção, os
efeitos maléficos produzidos quando se ultrapassam os limites permitidos ainda é um
assunto de pouco conhecimento para a população em geral e até mesmo para os
profissionais da área.
De acordo com o Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD), 80% dos trabalhadores
que lidam com fontes radioativas trabalham no setor de saúde (AZEVEDO, [s. d.]).
Portanto, há a necessidade de os órgãos de vigilância seguirem a otimização de
protocolos, visando à proteção e ao conhecimento do assunto para os profissionais da
área.
As consequências na saúde
Quando aplicada em pequenas doses e em longos períodos, a radiação dificilmente irá
causar danos biológicos, colocando assim em risco a saúde do indivíduo. Como se trata
de eventos probabilísticos em baixas doses, quanto menor a frequência de exposição,
menor será a probabilidade de danos futuros.
Nosso corpo tem mecanismos de defesa que substituem as células que sofreram os
danos, contudo o número de células não deve ser extremamente alto, pois dependendo
do tecido ou órgão ele poderá perder a sua funcionalidade, dependendo do nível de
mortes celulares locais.
Normalmente, quando aplicada em pequenas doses, a radiação ionizante é eficaz no
diagnóstico e tratamento de doenças.
As radiações causam mudanças nas propriedades das células como cargas elétricas nos
elementos celulares e suas consequências irão depender da dose empregada, do tempo
de exposição e a região do corpo atingida.
Quanto maior a diferenciação celular, ou seja, locais onde há maior proliferação e troca
celular (cabelo, unha, papila gustativa, medula óssea) que estão em constante
proliferação, são mais sensíveis a radiação. Sendo assim, sofrem mais severamente e
mais rapidamente os danos causados pela radiação ionizante. Já células que não se
proliferam muito, ou que não se proliferam (como no caso dos neurônios) são menos
sensíveis a radiação. Portanto, sofrerá os danos da radiação em doses mais altas, ou
longos períodos através do tempo de exposição. Devido a esse fator, foi que a
radioterapia teve um avanço tão grande no tratamento de câncer. Como as células
cancerígenas não tem mecanismos de reparo, elas se multiplicam de forma desordenada
e extremamente rápida, sendo assim, mais sensíveis a radiação ionizante. Em um
tratamento com radiação ionizante, as células cancerosas irão morrer mais rapidamente
do que as células saudáveis do organismo. Graças as radiossensibilidade dos diferentes
tecidos a radiação, foi que tivemos esse avanço tecnológico no tratamento de neoplasias
malignas.
Caro estudante, para enobrecer seu conhecimento, segue indicação de leitura de um
artigo: Avaliação do conhecimento de médicos não radiologistas sobre aspectos
relacionados à radiação ionizante em exames de imagem.
O objetivo deste artigo é avaliar o conhecimento dos médicos não radiologistas sobre a
utilização da radiação ionizante em exames de imagem.
Link: [Link]
lang=pt&format=html.
Raios X
A radiação nada mais é do que energia (eletromagnética ou corpuscular) em trânsito,
assim como calor é energia térmica em trânsito. A luz visível é uma radiação que
vemos, portanto ela é visível. O calor é uma radiação que sentimos, portanto é sensível.
Já a radiação X ou gama, são formas de radiação que não são visíveis, nem sensíveis
instantaneamente.
A ampola de raios-X, também denominada como tubo de Coolidge, é uma válvula
termoiônica, que sua principal função é a produção de feixes de raios-X. Essa ampola
pode ser de vidro ou metal. Em seu interior a vácuo, encontramos um catodo e um
anodo. Como mostra a Figura 1.
Figura 1 | Ampola de raios X ou tubo de Coolidge para raio X. Fonte: Suzana (2017, [s.
p.]).
A figura ilustra o funcionamento do tubo de raio X, demonstrando a formação da
radiação, através do choque do catodo com o anodo, e a liberação da energia, onde
podemos dizer que 99% é calor e apenas 1% é radiação.
Fontes naturais de radiação são aquelas não produzidas artificialmente, e sim pela
natureza. São as radiações cósmicas e os radionuclídeos encontrados na crosta terrestre,
em solos, rochas e sedimentos.
Fontes radioativas não naturais são as produzidas artificialmente. São radiações
usualmente encontradas na área da saúde nos equipamentos de radiologia diagnóstica e
radioterapia, e na geração de energia, como nas usinas nucleares.
O risco de câncer proveniente da exposição à radiação depende da dose empregada e da
duração da exposição. Fatores como idade e sensibilidade dos tecidos também
influenciam o risco de desenvolvimento de neoplasias malignas.
Radioatividade é a capacidade de emitir energia na forma de radiação ondulatória.
Temos a radiação eletromagnética e a radiação corpuscular, que é quando há a emissão
ondas ou partículas, respectivamente.
A radiação ionizante é aquela que tem energia suficiente para ionizar o meio que esteja
atravessando. Ionização é o processo de retirada de elétrons dos átomos do material ou
do meio.
Existem diferentes tipos de fontes radioativas: naturais (seladas e não seladas) e
artificiais, como emissores de radiação alimentados com eletricidade, no caso de
equipamentos de raios-X e aceleradores de partículas. Cada tipo de radiação tem
diferentes tipos de aplicação, na medicina, indústria, ensino e pesquisa científica.
Quando se aplica a radiação ionizante na área médica, é preciso se atentar aos três
princípios básicos da proteção radiológica:
Justificação: nenhuma prática deve ser autorizada a menos que produza
benefício, tanto para o indivíduo quanto para a sociedade.
Otimização: implica que as exposições devem manter o nível de radiação o
mais baixo possível (respeitando sempre o princípio ALARA, que traduzindo do
inglês significa que a dose deve ser tão baixa quanto razoavelmente exequível).
Quando possível, otimizar as técnicas para que a dose sempre seja mínima.
Limitação de doses individuais: as doses empregadas de radiação não devem ser
superiores aos limites estabelecidos pelas normas de radioproteção de cada país
Considere que você está trabalhando em um setor de imagens médicas de um hospital
de grande porte. Ao realizar um exame de tórax de paciente em um equipamento de
raio-X computadorizado ou digital, o médico percebeu que não conseguia analisar a
imagem, pois ela estava sem definição, muito clara (esbranquiçada). Por isso, o médico
radiologista chamou o técnico em sua sala para questioná-lo o que havia ocorrido e qual
técnica radiográfica tinha sido utilizada.
Neste momento, você deve ter em mente alguns fatores que podem ter ocorrido para que
a imagem do exame tenha saído sem definição, além de saber as possíveis soluções para
o caso. A proteção radiológica preconiza que antes de qualquer paciente ser irradiado, é
de responsabilidade do técnico em radiologia verificar se o equipamento está com as
devidas manutenções feitas, para minimizar a possibilidade de um novo exame,
sujeitando o paciente a uma exposição desnecessária. Reflita em relação aos seguintes
pontos:
O tipo de radiação utilizada no exame.
A faixa de energia kVp utilizada no exame.
A quantidade de fótons, mAs utilizado no exame.
Os conceitos da proteção radiológica.
A calibração do equipamento, e os tipos de manutenção que resolveriam e o
prazo da última manutenção feita.
O posicionamento correto do paciente.
A vida útil do tubo de raios-X.
Quando uma imagem obtida de radiação ionizante apresenta problema, não se deve
pedir ao paciente para refazer o exame sem antes saber a fundo o que aconteceu para a
primeira imagem ter sido prejudicada. Teste todos os parâmetros antes de irradiar o
paciente pela segunda vez.
______
💭 Reflita
Caro estudante, chegamos no momento de testar o nosso conhecimento e verificar o que
foi absorvido desta aula, então vamos lá.
Como são formados os raios x?
Quais os tipos de radiações existentes? Como podemos aplicá-las no diagnóstico e
tratamento do paciente?
Em que situações devemos seguir os princípios básicos de proteção radiológica?
Para resolver o problema da imagem, durante a conversa com o médico ou o supervisor
de proteção radiológica para expor o que pode ter ocorrido, você deve explicar os
fatores que influenciam a imagem.
Quando uma imagem radiográfica fica homogeneamente branca ou com partes
esbranquiçadas, pode significar que os fótons de energia não atingiram/sensibilizaram o
filme radiográfico. A estrutura do osso fica branca no exame radiográfico porque a
radiação parou no osso e não sensibilizou o filme; logo, a parte escura aparece quando a
radiação atravessa e atinge o filme. Isso se dá devido ao kVp baixo, pois o kVp é
responsável pela penetrabilidade dos feixes de raios X: quanto maior o valor do kVp,
maior será a diferença de potencial no tubo de raios X, consequentemente o feixe como
um todo terá uma energia maior, pois a energia cinética dos elétrons ao colidir com o
alvo será maior. O mAs também pode estar com valor errado, pois é o responsável pelo
detalhamento da imagem (é a quantidade de fótons de raios X que está saindo do tubo.
Quanto maior o mAs, maior a quantidade de fótons saindo do tubo, consequentemente
melhor o detalhamento da imagem. O mAs está relacionado com o escurecimento da
imagem.
Os conceitos da proteção radiológica preveem proteções para pacientes, profissionais da
área (IOEs) e público em geral. Portanto, você deve conhecer os equipamentos de
proteção individual radiológica de acordo com cada exame, e quais EPIs utilizar nos
pacientes, além de saber se a manutenção dos equipamentos está em dia. É de
responsabilidade do técnico em radiologia o posicionamento correto do paciente,
fornecer durante os exames os EPIs necessários para os pacientes e acompanhantes.
Antes de submeter o paciente ao exame, você deve saber se o equipamento está
calibrado e se a manutenção está em dia.
Por fim, a vida útil do tubo de raios X: como o processo de produção dos raios X é
artificial, com elétrons atingindo um alvo, esse alvo vai se desgastando ao longo do
tempo. Portanto, você deve verificar o tempo de uso do tubo, e se ele está com seu
rendimento correto.
O fluxograma apresentado na figura a seguir serve de orientação para o estudo sobre os
raios X. Aborda os conceitos principais das radiações ionizantes: os tipos de radiações
(artificiais e naturais), os diferentes modos da interação da radiação com a matéria, as
fontes de radiações ionizantes (naturais e artificiais), fontes seladas e não seladas.
Também mostra as normas de proteção radiológicas para a prevenção de acidentes, e
caso estes ocorram, como proceder.
Introdução
Caro estudante, nesta aula você aprenderá não somente conceitos novos sobre física
radiológica de forma teórica, mas também vai conhecer os conceitos que serão
utilizados no seu cotidiano em um setor de imagens médicas de um hospital. Saber a
diferença entre efeitos
estocásticos e determinísticos é de extrema importância, pois se trata dos efeitos
biológicos causados pela radiação tanto em baixas como em altas doses. Você verá
como é a interação dos raios X com a matéria e, por fim, conhecerá os efeitos da
radiação com a matéria e as grandezas radiológicas, para garantir a sua segurança e a
dos demais profissionais do setor de radiologia.
Radiação
Você já se perguntou o que é radiação? Radiação é energia em trânsito, pois sai do seu
lugar de origem (sua fonte) e seu alcance é diretamente proporcional à sua energia.
Contudo dependendo do número de anteparos que essa radiação encontra durante sua
trajetória, ela vai ficando menos energética, sofrendo o processo de atenuação. Quando
uma pessoa é submetida a certos níveis de radiação, sofrerá os efeitos biológicos
causados por ela. Esses efeitos podem ser classificados como estocásticos e
determinísticos.
Os efeitos estocásticos são aqueles cujo limiar de dose não está estabelecido, ou seja,
podem ocorrer em qualquer dose. É um efeito probabilístico; a probabilidade de ocorrer
um dano cresce linearmente com a dose acima de 100mGy. Esse tipo de efeito
provavelmente
desenvolva, em algum momento, uma leucemia (oito anos em média) ou câncer sólido
(de 15 a 25 anos em média).
Os efeitos determinísticos são aqueles que ultrapassam o limiar de dose suportado pelo
órgão ou tecido. Logo, há uma grande quantidade de morte celular da região, efeito
observado em altas doses. Há um limiar de dose para o surgimento da reação tecidual
(0,15 – 1,5 Gy). Os
efeitos são causados em um curto intervalo de tempo, em horas ou semanas, como
mucosite, eritema e escamação da epiderme, além de queimaduras, entre outros.
Como já foi enfatizado, a radiação ionizante é uma energia em trânsito, porém essa
energia ioniza o meio em que atravessa. Portanto, a passagem das radiações ionizantes
por qualquer meio produz ionizações nesse meio pela retirada de elétrons de átomos do
material. Então, quando realizamos um exame que usa radiação ionizante, o corpo
sofrerá danos. No entanto, como na maioria dos casos as energias utilizadas são baixas,
o corpo tem uma maior capacidade de reparar esses danos. Além disso, quando há um
serviço de imagens médicas, existe uma grande preocupação dos órgãos de vigilância,
os quais exigem que os danos não sejam superiores às vantagens que o exame oferece.
Diz o princípio “alara”, do inglês as low as reasonably achievable, que as doses devem
ser tão baixas quanto razoavelmente exequíveis.
Como a essa radiação ioniza o meio que atravessa, é preciso entender como é o processo
de interação da radiação com a matéria. Existem a radiação diretamente ionizante e a
indiretamente ionizante.
As diretamente ionizantes são as corpusculares, que têm massa e/ou carga. Como
exemplo, há as partículas alfa, beta, prótons, pósitrons e elétrons.
As indiretamente ionizantes são as que não têm massa nem carga. São fótons de raios X
e gama. Nesse caso destacam-se três processos principais: efeito Compton, efeito
fotoelétrico e criação de pares.
Essas energias são medidas por meio das grandezas radiológicas. As grandezas são
separadas em grandezas físicas, grandezas de proteção e grandezas operacionais.
As grandezas físicas são: exposição, dose absorvida e Kerma.
As grandezas de proteção são: dose equivalente no tecido ou órgão, dose efetiva e dose
absorvida no órgão.
Com a descoberta dos raios X, começou uma utilização desenfreada da radiação
ionizante, pois tratava-se de um fenômeno que solucionava muitos problemas
existentes. Porém, esse uso sem cautela levou a inúmeros danos biológicos. A partir
disso, iniciou-se os estudos em proteção radiológica.
Mecanismos de ação das radiações
Mecanismos de ação das radiações
A interação da radiação com os tecidos biológicos pode ocorrer diretamente ou
indiretamente.
A forma direta ocorre quando a radiação ionizante interage com os componentes do
DNA, proteínas e lipídeos, provocando assim, alterações estruturais na estrutura. Esse
evento é responsável por 30% das ocorrências entre a interação da radiação e célula. Já
a forma indireta ocorre quando a radiação ionizante interage com componentes
celulares, denominado como radiólise. A radiólise é o processo de quebra da água
através da passagem da radiação ionizante. Esse evento é responsável por 70% das
ocorrências entre a interação da radiação com a célula. Essa diferença em porcentagem
de ocorrência se dá, devido ao fato de que a água ocupa uma parcela substancial da
composição das células nos organismos vivos.
Efeitos da radiação
São classificados de duas formas: segundo a dose absorvida (efeitos estocásticos e
determinísticos) e segundo o nível de dano (células somáticas ou genéticas).
Efeitos somáticos
Afetam apenas o indivíduo irradiado; não são transmitidos aos descendentes.
Dependem da dose absorvida, da taxa de absorção e da área do corpo irradiado.
Regiões mais sensíveis à radiação são a medula óssea e os órgãos reprodutores.
São classificados de duas formas:
Efeitos imediatos/agudos: ocorrem em um período de horas ou semanas.
Exemplos: dermatite, queda de cabelos, necrose de tecido, esterilidade
temporária ou permanente, alterações no sistema sanguíneo.
Efeitos tardios/crônicos: quando os efeitos ocorrem vários meses ou anos após a
exposição à radiação. Exemplos: aparecimento de catarata e câncer (leucemia,
por exemplo).
Efeitos genéticos
Afetam os descendentes da pessoa irradiada.
É acumulativo e independente da taxa de absorção de energia da radiação.
Exemplo: irradiação das células dos órgãos reprodutores.
As radiações que são conhecidas como indiretamente ionizantes, fazem parte de três
processos principais de deposição de energia e ionização, como dito anteriormente.
Temos: efeito totoelétrico, efeito compton e formação de pares.
Já vimos anteriormente, que no efeito fotoelétrico, o funcionamento e sua produção
ocorre através das interações da radiação com a matéria. Esse fenômeno é muito
utilizado na área do radiodiagnóstico. Esse tipo de efeito é o desejado para que a
imagem se forme de forma clara e
objetiva. O efeito fotoelétrico ocorre com maior frequência para feixes de baixas
energias e materiais com números atômicos altos. Já o efeito Compton, também ocorre
na faixa do radiodiagnóstico, mas em menor frequência, e isso é excelente, pois o efeito
Compton não
contribui para a qualidade da imagem e sim ele deteriora a formação da imagem. O
efeito Compton é indesejado nos equipamentos de diagnóstico por imagem e por isso,
há a utilização de filtros, grade anti-difusora e colimadores, para que minimizem
também que radiações dessa
origem atinja o detector. E a formação de pares é utilizada na medicina nuclear onde
utiliza feixes energéticos altos, acima de 1,022 MeV.
As grandezas radiológicas
Grandezas físicas:
Exposição = (Coulomb/Quilograma).
Kerma = Gy (Grey).
Dose Absorvida = Gy (Grey).
Grandezas de proteção:
Dose absorvida no órgão: Sv (Sievert).
Dose equivalente no órgão: Sv (Sievert).
Dose efetiva: Sv (Sievert).
Onde se aplicam esses conceitos?
Imagine que você já esteja graduado e foi contratado pelo serviço de imagens de
radiologia de um hospital. Durante o seu cotidiano, você terá que cumprir algumas
obrigações estabelecidas da sua função e da instituição onde você trabalha. O cotidiano
de um técnico de radiologia não
é somente posicionar o paciente e fazer a aquisição de imagem.
A proteção radiológica sempre acompanhará o profissional em seu cotidiano, portanto,
saber a fundo como evitar a possibilidade de ocorrência de efeitos estocásticos e
determinísticos é de sua responsabilidade. A forma de alcançar isso é atualizar-se em
relação à otimização de
protocolos das aplicações dos diferentes equipamentos que utilizam a radiação
ionizante. É importante estar ciente da sua proteção e da proteção dos profissionais que
trabalham com você, mantendo as portas fechadas nos momentos de irradiação, e
quando disparar um feixe
de raios X, é essencial se postar atrás da estrutura de proteção. Não permitir que pessoas
sejam expostas à radiação desnecessária. Quando realizar um exame, atente-se às faixas
de energia necessárias para aquele tipo de exame, evitando que o paciente seja irradiado
novamente de forma desnecessária.
A interação da radiação com a matéria é de extrema importância para o seu
conhecimento, pois cada tipo é utilizado para uma finalidade.
Por exemplo, a faixa de energia empregada no radiodiagnóstico é o efeito fotoelétrico.
Como normalmente os materiais têm números atômicos altos, e utilizando baixas faixas
de energia, há maior probabilidade de ocorrência de efeito fotoelétrico.
O efeito Compton não é desejado em imagens médicas; devido à poluição da imagem,
ela fica ruidosa, dificultando se diferenciar estruturas.
A formação de pares é muito empregada em medicina nuclear, pois a faixa de energia
empregada nessa modalidade médica é bastante alta em comparação ao
radiodiagnóstico.
Portanto, para altas energias, a ocorrência de formação de pares é frequente – até porque
a imagem formada em medicina nuclear é baseada no princípio da formação de pares.
Já as grandezas radiológicas são importantes, porque uma das dificuldades é como
realizar uma medição de quantidades, utilizando a própria radiação ou os efeitos e
subprodutos de suas interações com a matéria.
Essas dificuldades – de partir do problema para chegar na causa – estão associadas às
suas propriedades, pois a radiação é invisível, inodora, inaudível e indolor. Portanto,
saber onde se emprega cada tipo de grandeza e interpretar suas unidades de medidas
facilitará o seu trabalho
e, por consequência, a sua segurança.
Esses conceitos são empregados cotidianamente em um centro de imagens médicas –
além disso, você está ocupando uma função que é totalmente interdisciplinar. Será
preciso conversar com médicos, enfermeiros, técnicos, físicos médicos, engenheiros
clínicos e pacientes. Logo,
entender os conceitos facilita na maneira como você vai expor problemas e soluções.
O vídeo aborda assuntos de extrema importância para a sua vivência em um ambiente
hospitalar. Saiba diferenciar efeitos estocásticos de determinísticos, compreenda como
ocorre a interação da radiação com a matéria, sua segurança e a de todos que trabalham
com você,
conhecendo e diferenciando as grandezas radiológicas. Prezado estudante, chegou o
momento em que a pesquisa se faz necessária, para aprimorar nosso conhecimento,
segue a sugestão de
leitura de um artigo: Controle de riscos à saúde em radiodiagnóstico: uma perspectiva
histórica. Este artigo explana os efeitos biológicos no
organismo causados pela radiação.
Link:
[Link]
format=pdf&lang=pt.
Caro estudante, nesta aula você aprenderá não somente conceitos novos sobre física
radiológica de forma teórica, mas também vai conhecer os conceitos que serão utilizados no
seu cotidiano em um setor de imagens médicas de um hospital. Saber onde se emprega e
como se estima a dose absorvida e sua unidade de medida/grandeza, saber diferenciar os tipos
de radiações ionizantes e saber quais são os limiares de doses faz parte do cotidiano de um
profissional da área da radiologia. Esses conhecimentos garantem a sua segurança e a dos
demais profissionais do setor de radiologia.
Radiação
Qual o conceito de dose absorvida?
Dose absorvida é a quantidade de energia que foi depositada pela radiação em um órgão
ou tecido. É simbolizado pela letra D, e sua unidade de medida no sistema internacional
(SI) é o Grey (Gy), como mostra a equação a seguir:
Onde o D é a variável de dose absorvida,
é a variação de energia depositada e
é a variação de massa em que essa radiação foi depositada. Essa medida é expressa em
Joule/Kg, pois energia é dada em Joule e a massa em quilograma, equivalendo ao Grey.
Lidamos com dose de radiação quando essa radiação causa danos biológicos a um
indivíduo. Uma fonte radioativa isolada da humanidade não apresenta riscos biológicos.
Portanto, quando um indivíduo sofre danos devido à radiação, devemos tratar como
dose.
Assim, é importante distinguir radioatividade de uma fonte radioativa da dose de
radiação que essa fonte pode causar. Dose de radiação depende dos seguintes fatores:
Atividade: influencia diretamente com a dose de radiação que será depositada.
Tipo de radiação: os diferentes tipos de radiação interagem de diferentes
formas com a matéria. Por exemplo, radiações corpusculares que têm carga
ionizam diretamente a matéria. Já as radiações eletromagnéticas que não têm
massa nem carga ionizam indiretamente.
Distância: a radiação diminui com o quadrado da distância.
Tempo: a quantidade de exposição sofrida por um indivíduo submetido à
radiação depende diretamente (linearmente) do tempo que ele esteve perto da
fonte.
Blindagem: a dose de radiação depende do material entre a fonte e o objeto.
Diferentes tipos de radiação exigem diferentes tipos de blindagem. Se a fonte for
muito intensa e o tempo ou a distância não fornecerem as devidas proteções, a
blindagem deve ser usada. Partículas alfa tem carga e massa, e ionizam muito o
meio que atravessam, contudo, seu alcance é baixo. Uma simples folha de papel
consegue bloqueá-la. Já a radiação beta não tem massa, mas tem carga, e seu
alcance também é baixo. Necessita de um material com maior número atômico
para blindá-la, como uma lâmina de alumínio. Já as radiações X e gama não têm
massa e não têm carga; seu alcance é longo e para bloquear esse tipo de radiação
é necessário um bloco de chumbo ou um bloco espesso de concreto.
O que causa maior perigo da radiação não é somente o dano que ela pode causar, o que
já é bastante sério, mas também o fato de ela ser invisível e inodora, ou seja, os sentidos
humanos não conseguem detectar sua presença.
As radiações são classificadas em ionizantes e não ionizantes. Ionização é a capacidade
de retirar elétrons dos átomos que estão no material do meio que a radiação está
incidindo. As radiações ionizantes são capazes de causar ionização nos meios que estão
atravessando ou com as quais interagem. Dentro das radiações ionizantes, há mais de
duas classificações, as radiações corpusculares e as eletromagnéticas. As corpusculares
são aquelas em que elementos radioativos instáveis emitem partículas, buscando a
estabilidade. Partículas alfa que têm carga +2 e número de massa igual a 4; e beta, que
não têm massa e podem ter carga +1 e -1. Já as radiações eletromagnéticas são energias
em forma de ondas que não têm carga nem massa.
Classificação da radiação ionizante
Cada elemento radioativo instável emite partículas ou energia durante o processo de
decaimento radioativo.
Temos dois tipos de classificação da radiação ionizante, as radiações corpusculares (alfa
e beta) e as radiações eletromagnéticas (raios X e gama), como serão descritas abaixo:
Radiações corpusculares
Partículas alfa e beta.
Tipos de decaimentos
Decaimento alfa: é uma forma de dissipação de energia de um elemento
instável, esse tipo de emissão radioativa ocorre naturalmente/espontaneamente
dos núcleos radioativos. Esse tipo de decaimento ocorre em elementos que tem
um número atômico alto (Z ≥ 83). A reação da emissão dessa partícula está
descrita na equação abaixo:
O átomo de Hélio é denominado como partícula alfa, devido ao número de massa e
carga serem os mesmos, portanto é normal encontrarmos na literatura em equações que
descrevem o decaimento alfa, como o elemento Hélio ou a partícula alfa.
Decaimento beta: é uma forma de dissipação de energia de um elemento
instável. Contudo no decaimento beta, nós temos duas formas. Temos o
decaimento + e -. O decaimento + ocorre quando há um excesso de prótons
dentro no núcleo, portanto esse próton é convertido em um pósitron (elétron com
carga positiva) e é emitida do núcleo. Já o decaimento - ocorre quando há um
excesso do número de nêutrons, nesse momento um nêutron é convertido em um
elétron e ejetado do núcleo. A partícula + é um pósitron e a - é um elétron.
Como mostra as equações a seguir:
Onde X é um elemento químico radioativo qualquer, Y é um elemento originado a partir
do elemento X, beta é a partícula emitida, e
é o neutrino e o anti-neutrino respectivamente.
Em ambas as equações notamos que há a conservação de energia. Nesse processo de
decaimento radioativo há as partículas carregadas e partículas sem cargas.
Radiação eletromagnética
A radiação gama é uma onda eletromagnética que não tem carga e nem massa. Contudo
o seu alcance é extremamente alto. É gerada de forma natural, através de átomos
instáveis. A radiação gama e a radiação X, se assemelham em muitos pontos como,
ambas são ondas eletromagnéticas, ambas não têm carga e nem massa, ambas têm longo
alcance, ambas são blindadas da mesma forma (chumbo ou bloco espesso de concreto),
ambas têm frequências de ondas altas e consequentemente altas energias. Contudo
diferem na sua origem, a radiação gama é formada no núcleo e a radiação X na
eletrosfera do átomo, e a radiação gama é natural e a radiação X é artificial. A emissão
dessa radiação é mostrada na equação a seguir:
Limiar de dose subletal é o limite de dose que, caso extrapolada, causará danos
irreversíveis à estrutura. Quando não há um limiar para o dano causado para a radiação,
tratamos como efeito probabilístico, como o caso dos efeitos estocásticos. Nesse tipo de
efeito, trabalhamos com a probabilidade de futuramente vir causar um dano biológico.
Quando há um limiar de dose e esse limiar é ultrapassado, damos o nome de efeitos
determinísticos. Nesse caso, há um grande número de morte celular no local da lesão, e
o dano causado é irreversível. Cada órgão tem um limite de dose que pode receber para
que não haja o efeito determinístico, como mostra a tabela a seguir:
Resposta da radiação no organismo
Podemos dizer que que cada órgão reage e interage de uma forma diferente quando
expostos a radiação ionizante, seja ela natural ou artificial.
A ação das radiações no organismo humano produz uma série de efeitos, que
representam danos diferentes para cada região afetada. Os tecidos mais sensíveis à
radiação são os da medula óssea, tecido linfoide, dos órgãos genitais, os do sistema
gastrointestinal e do baço. A pele e os pulmões mostram sensibilidade média, enquanto
os músculos, tecidos neuronais e os ossos plenamente desenvolvidos são os menos
sensíveis.
A seguir, veja um resumo dos sintomas clínicos, relativos aos efeitos biológicos
imediatos mais prováveis na irradiação de corpo inteiro, com doses agudas de radiação:
Sangue - os glóbulos brancos do sangue são as primeiras células a serem
destruídas pela exposição, provocando leucopenia e reduzindo a imunidade do
organismo. Uma semana após uma irradiação severa as plaquetas começam a
desaparecer, e o sangue não coagula. Sete semanas após começa a perda de
células vermelhas, acarretando anemia e enfraquecimento do organismo.
Sistema linfático - o baço constitui a maior massa de tecido linfático, e sua
principal função é a de estocar as células vermelhas mortas do sangue. As
células linfáticas são extremamente sensíveis à radiação e podem ser danificadas
ou mortas quando expostas.
Canal alimentar - os primeiros efeitos da radiação são a produção de secreção e
descontinuidade na confecção de células. Os sintomas são náuseas, vômitos e
úlceras no caso de exposição muito intensa.
Glândula tireoide - essa glândula não é considerada sensível à radiação externa,
mas concentra internamente iôdo-131 (radioativo) quando ingerido, o que causa
o decréscimo da produção de tiroxina. Como consequência, o metabolismo
basal é diminuído e os tecidos musculares deixam de absorver o oxigênio
necessário.
Sistema urinário - a existência de sangue na urina, após uma exposição, é uma
indicação de que os rins foram atingidos severamente. Danos menores nos rins
são indicados pelo aumento de aminoácidos na urina.
Ossos - a radiação externa tem pequena influência sobre as células dos ossos,
fibras e sais de cálcio, mas afeta fortemente a medula vermelha.
Olhos - ao contrário de outras células, as das lentes dos olhos não são
autorrecuperáveis. Quando estas células são danificadas ou morrem, há
formação de catarata, ocorrendo perda de transparência dessas células. Os
nêutrons e raios g são os maiores indutores de catarata.
Órgãos reprodutores - doses grandes de radiação podem produzir esterilidade, tanto
temporariamente como permanente. A sensibilidade de gestantes é maior entre o 7º e o
9º mês de gestação. Nas mulheres grávidas que foram expostas às radiações no Japão
durante o episódio em que duas bombas atômicas foram lançadas sobre aquele país,
houve um aumento significativo de partos retardados e mortes prematuras.
Saiba mais
Se você ficou entusiasmado com o conteúdo desta aula, chegou o momento de
aprofundar seus conhecimentos na área de radiologia.
A radiologia diagnóstica é a área da física médica relacionada ao uso de raios X para a
obtenção de informações anatômicas e funcionais do corpo humano. Portanto, segue a
indicação de uma leitura complementar fundamental: Artigo: Correlações técnicas e
ocupacionais da radiologia intervencionista.
Link: [Link]
format=pdf&lang=pt
Caro estudante, nesta aula você aprenderá não somente conceitos novos sobre física
radiológica de forma teórica, mas também vai conhecer os conceitos que serão utilizados no
seu cotidiano em um setor de imagens médicas de um hospital. Nesta aula, você vai conhecer
como é o funcionamento da produção de radicais livres no organismo devido ao processo de
radiólise, quais os efeitos biológicos causados pela deposição de energia da radiação ionizante
em tecidos ou órgãos, radiossensibilidade e mecanismos de defesa do corpo humano quando
submetido a certos níveis de radiação ionizante. Bons estudos!
Efeitos biológicos causados pela radiação
A utilização da radiação ionizantes requer cautela em razão dos danos celulares que
podem ser causados diretamente e indiretamente. Os danos a células causados
diretamente ocorrem pela quebra de ligações químicas de moléculas biológicas
(molécula de DNA). Os danos causados indiretamente (radiólise) criam radicais livres
nas moléculas de água que são atingidas pela radiação ionizante.
Esse processo de ionização pode alterar os átomos, criando íons. Também pode
modificar a estrutura de moléculas, dependendo da energia de excitação: se essa energia
for superior à energia de ligação entre átomos, pode ocorrer a quebra das ligações
químicas, e consequentemente mudanças moleculares. Do total da energia transferida
pela radiação no tecido, metade induz excitações, cujas consequências são menores que
as de ionização.
Se as moléculas alteradas constituem uma célula, ela pode sofrer direta ou indiretamente
as consequências dessas mudanças, como a produção de radicais livres, elétrons e íons.
Esse efeito de radiação depende de fatores como dose, taxa de dose, divisão, tipo de
radiação ionizante e tipo de células ou tecidos que recebem a dose.
As mudanças nem sempre são prejudiciais ao corpo humano. Se o alvo irradiado
desempenha papel fundamental na vida celular, pode causar alterações celulares ou
morte celular. Em vários órgãos ou tecidos o processo de perda e reposição celular faz
parte do funcionamento normal do organismo. O dano é resultado de uma mudança de
caráter deletério.
Entre os danos às células, o mais importante é o relacionado às moléculas de DNA, que
apresenta uma frequência baixa de ocorrência (30%) por causa da probabilidade de
interação da radiação com o núcleo.
Existem três formas de resposta celular após a dose de radiação:
As células recebem uma grande dose de radiação que levam à sua morte, mas se
a quantidade de células mortas não comprometerem a funcionalidade do órgão
ou tecido, o dano é reversível.
Quando uma célula é danificada pela radiação ionizante, ela destrói as moléculas
de reparo da célula, portanto, o processo de proliferação celular é iniciado sem
ser controlado pelos mecanismos de reparação de erros, e evolui possivelmente
para um tumor maligno.
A célula pode receber uma certa dose de radiação sem causar sua morte ou perda
de sua capacidade de correção para que possa reparar o dano.
Os efeitos da radiação ionizante podem ser divididos em: efeitos aleatórios e efeitos
determinísticos, dependendo do grau de dano causado, se o dano é em células somáticas
ou em células genéticas, e do período de incubação – se é imediato e ou tardio.
De modo geral, as células têm vários tipos de mecanismos de reparo.
O organismo deve repor as células e restaurar seu ritmo. Se isso acontecer, o dano
causado é classificado como reversível. No entanto, para proteção contra radiação e
efeitos de segurança, os efeitos biológicos da radiação ionizante são considerados
cumulativos (estocásticos).
Compreensão dos danos biológicos
A interação da radiação com a célula
As mutações em células somáticas (do corpo), são aquela que já estão em seu estágio de
ação, já são diferenciadas; ou as germinativas (das gônadas), que são células
totipotentes. Podem ser classificadas em três grupos:
Mutações pontuais: alterações na sequência de bases do DNA.
Aberrações cromossômicas estruturais: ocorrem pela quebra nos
cromossomos.
Aberrações cromossômicas numéricas: ocorrem com o aumento ou
diminuição do número de cromossomos, e é causada pela irradiação.
Quando as células chegam no último estágio de diferenciação não apresentam respostas
à radiação de forma igual. É preciso considerar a interferência dos diversos tipos de
interação da radiação ao longo da vida celular.
As células que se diferenciam e se proliferam de forma mais rápida são mais sensíveis à
radiação, e morrem mais facilmente. Como exemplo, temos as células do cabelo,
córnea, unha, mucosa e tecido hematopoiético. Isso de certa forma é um ponto positivo,
pois as células cancerosas também são bastante diferenciáveis e proliferativas, portanto,
em um tratamento de radioterapia, a radiação consegue matar esse tecido mais
facilmente do que tecidos saudáveis. Já células que não proliferam ou não proliferam
rapidamente são mais resistentes à radiação. Um exemplo desse tipo de célula são os
neurônios.
Quando os níveis de dose de radiação são elevados, a maior parte de células e tecidos
não suportam as transformações e morrem diretamente, ou a radiação causa uma
mudança genética, levando a célula à apoptose (morte celular). Se o órgão irradiado
sofreu poucas perdas celulares, ele será capaz de reverter esse processo e reparar os
danos. Contudo, se houve muitas mortes celulares no local, o dano pode ser permanente,
acarretando a morte do tecido ou órgão. Nesse caso estamos no estágio de reação
tecidual, ou efeito determinístico da radiação.
Cabe ressaltar que os benefícios da radiação ionizante devem ser superiores aos danos
(detrimentos).
Detrimento é um termo amplamente utilizado em proteção radiológica e se refere à
probabilidade, gravidade e tempo de manifestação de determinado dano biológico. O
termo detrimento é uma designação da probabilidade de dano total a indivíduos ou
grupos – e seus descendentes – expostos à radiação.
Já vimos que os efeitos estocásticos e determinísticos estão diretamente relacionados
com a dose e as formas de resposta que cada organismo possui em relação à exposição à
radiação ionizante.
De acordo com a proteção radiológica, doses abaixo dos limites estabelecidos podem
ocasionar efeitos estocásticos, probabilísticos, como a ocorrência de um câncer depois
de vários anos. Já os efeitos determinísticos estão diretamente relacionados com altas
doses de radiação, acima de um limiar de dose estabelecido. A partir de um certo limite,
começamos com as reações teciduais e perdas de funções. Entre os sintomas dentro da
classe de efeitos determinísticos, estão eritema, escamação da pele, bolhas e
vermelhidão.
Os efeitos somáticos surgem do dano causado nas células já diferenciadas do corpo, e
não acarretam danos hereditários, ou seja, não passam para os descendentes.
Já em células germinativas, os danos da irradiação podem causar esterilidade ou um erro
genético, com possíveis efeitos hereditários. Esse dano é produzido quando as gônadas
(órgãos reprodutivos) sofrem um processo de irradiação.
Compreensão dos danos biológicos
A interação da radiação com a célula
As mutações em células somáticas (do corpo), são aquela que já estão em seu estágio de
ação, já são diferenciadas; ou as germinativas (das gônadas), que são células
totipotentes. Podem ser classificadas em três grupos:
Mutações pontuais: alterações na sequência de bases do DNA.
Aberrações cromossômicas estruturais: ocorrem pela quebra nos
cromossomos.
Aberrações cromossômicas numéricas: ocorrem com o aumento ou
diminuição do número de cromossomos, e é causada pela irradiação.
Quando as células chegam no último estágio de diferenciação não apresentam respostas
à radiação de forma igual. É preciso considerar a interferência dos diversos tipos de
interação da radiação ao longo da vida celular.
As células que se diferenciam e se proliferam de forma mais rápida são mais sensíveis à
radiação, e morrem mais facilmente. Como exemplo, temos as células do cabelo,
córnea, unha, mucosa e tecido hematopoiético. Isso de certa forma é um ponto positivo,
pois as células cancerosas também são bastante diferenciáveis e proliferativas, portanto,
em um tratamento de radioterapia, a radiação consegue matar esse tecido mais
facilmente do que tecidos saudáveis. Já células que não proliferam ou não proliferam
rapidamente são mais resistentes à radiação. Um exemplo desse tipo de célula são os
neurônios.
Quando os níveis de dose de radiação são elevados, a maior parte de células e tecidos
não suportam as transformações e morrem diretamente, ou a radiação causa uma
mudança genética, levando a célula à apoptose (morte celular). Se o órgão irradiado
sofreu poucas perdas celulares, ele será capaz de reverter esse processo e reparar os
danos. Contudo, se houve muitas mortes celulares no local, o dano pode ser permanente,
acarretando a morte do tecido ou órgão. Nesse caso estamos no estágio de reação
tecidual, ou efeito determinístico da radiação.
Cabe ressaltar que os benefícios da radiação ionizante devem ser superiores aos danos
(detrimentos).
Detrimento é um termo amplamente utilizado em proteção radiológica e se refere à
probabilidade, gravidade e tempo de manifestação de determinado dano biológico. O
termo detrimento é uma designação da probabilidade de dano total a indivíduos ou
grupos – e seus descendentes – expostos à radiação.
Já vimos que os efeitos estocásticos e determinísticos estão diretamente relacionados
com a dose e as formas de resposta que cada organismo possui em relação à exposição à
radiação ionizante.
De acordo com a proteção radiológica, doses abaixo dos limites estabelecidos podem
ocasionar efeitos estocásticos, probabilísticos, como a ocorrência de um câncer depois
de vários anos. Já os efeitos determinísticos estão diretamente relacionados com altas
doses de radiação, acima de um limiar de dose estabelecido. A partir de um certo limite,
começamos com as reações teciduais e perdas de funções. Entre os sintomas dentro da
classe de efeitos determinísticos, estão eritema, escamação da pele, bolhas e
vermelhidão.
Os efeitos somáticos surgem do dano causado nas células já diferenciadas do corpo, e
não acarretam danos hereditários, ou seja, não passam para os descendentes.
Já em células germinativas, os danos da irradiação podem causar esterilidade ou um erro
genético, com possíveis efeitos hereditários. Esse dano é produzido quando as gônadas
(órgãos reprodutivos) sofrem um processo de irradiação.
Onde se aplicam esses conceitos?
A aplicação das radiações ionizantes deve ser realizada com grande responsabilidade.
Os profissionais da área do diagnóstico e tratamento que utilizam essas tecnologias
devem ter em mente que lidarão com os danos reais causados pela radiação.
A forma de prevenir danos mais severos que possam ocorrer é preparar-se com um
conhecimento aprofundado das diferentes fontes de radiação ionizante, sejam artificiais
ou naturais, e do tipo de blindagem a ser usada para cada tipo de radiação, além da
compreensão das reações e efeitos da radiação, seja em doses baixas ou altas. É
necessário saber como lidar com um acidente radiológico ou com alta exposição à
radiação. Os profissionais de imagens médicas devem conhecer os princípios e
protocolos de proteção radiológica.
Os efeitos relacionados ao tempo de aparecimento do dano biológico são classificados
como imediatos ou retardados (ou tardios)
Como o nome sugere, os efeitos imediatos são os que ocorrem dentro de um curto
período, entre a exposição e o aparecimento dos sintomas. Esses são os primeiros
efeitos biológicos causados pela radiação.
Os efeitos retardados – ou tardios – podem aparecer vários anos depois, com o
desenvolvimento de tumores malignos.
Esses efeitos são definidos pelo nível de dose recebida. Para doses muito altas, os
efeitos imediatos dominam, e para doses baixas, os efeitos tardios dominam. Lembre-se
de que não existe um nível de dosagem saudável ou que não causará danos. No entanto,
nosso corpo tem forte resistência e uma variedade de mecanismos de reparo, além de
haver renovação das células de todo o corpo em um mês. Portanto, se ocorrer um dano
reversível, o corpo humano será capaz de se regenerar e reparar o dano.
No entanto, em termos de normas de segurança de proteção radiológica, o impacto é
cumulativo: quanto maior a frequência com que um indivíduo é exposto à radiação,
maior a possibilidade de sofrer com danos biológicos no futuro.
Por causa da falta de conhecimentos relevantes e da ocorrência de acidentes, a radiação
ionizante ainda atrai muita atenção da sociedade. Por exemplo, no acidente do Césio-
137 em Goiânia em 1987, as vítimas do acidente foram isoladas e receberam tratamento
especial e diferenciado. Os profissionais que acompanham essas pessoas usam
equipamentos de proteção, como luvas, máscaras, calçados esportivos e macacão.
Evitando a contaminação radioativa, evita-se a contaminação biológica. Portanto, ao
trabalhar em um hospital ou clínica que manipula materiais radioativos, é preciso
atentar-se aos equipamentos de proteção.
Outro ponto é que indivíduos irradiados não representam risco para os outros, o que é
desconhecido por muitas pessoas. A irradiação só causa danos à pessoa irradiada, e não
a terceiros. Já a contaminação com elementos radioativos causa danos a terceiros.
O cuidado deve ser voltado apenas ao tratamento dessas pessoas. É responsabilidade de
médicos, técnicos, físicos médicos, enfermeiros e demais pessoas responsáveis pelas
instalações que farão o acolhimento dessa pessoa não se contaminar por vírus ou
bactérias por eles portados, uma vez que a resistência imunológica do irradiado estar
muito baixa.
O vídeo aborda assuntos importantes para sua vivência em um ambiente hospitalar.
Diferenciar os tipos de efeitos da radiação, entender a diferença entre ionização direta e
indireta de organismos vivos e conhecer a defesa do corpo às respostas sob os efeitos da
radiação ionizante ajudarão a prevenir possíveis acidentes.
Para enaltecer seu conhecimento, segue a indicação de leitura da monografia:
Dosimetria Biológica: avaliação da exposição às radiações ionizantes através dos
efeitos biológicos induzidos.
Link: [Link]
sequence=1&isAllowed=y.
Introdução
Caro estudante, nesta aula você aprenderá não somente conceitos novos sobre física
radiológica de forma teórica, mas também vai conhecer os conceitos que serão
utilizados no seu cotidiano em um setor de imagens médicas de um hospital. Nesta aula,
você vai conhecer o conceito de transferência linear de energia (LET), aprender como é
o funcionamento da deposição de energia e interação da radiação ao percorrer um
material, vai ver quais são as radiações de alto e baixo LET e como se comporta a
radiossensibilidade dos tecidos biológicos, além de compreender a diferença de cada
tecido à sensibilidade a radiação. Bons estudos!
Transferência Linear de Energia
Transferência Linear de Energia (LET – Linear Energy Transfer )
O conceito da sigla em inglês LET é determinado pelo poder de freamento de colisão
linear quando a radiação interage com o meio. O LET é a perda média de energia, por
colisão, de uma partícula carregada, por unidade de comprimento. Outra expressão
derivada do inglês – stopping power – está relacionada com esse conceito, que é o poder
de freamento. Esse conceito é contrário ao do LET: enquanto o LET é o efeito da
partícula no meio, o stopping power é o efeito do meio na partícula.
Para compreender esse conceito, primeiramente é preciso conhecer o funcionamento de
interação das partículas carregadas interagindo com o meio material. Por exemplo, uma
interação de um elétron que é gerado a partir da interação de fótons de raios X ou raios
gama com a matéria, uma radiação alfa ou beta proveniente de decaimento radioativo ou
acelerador linear.
Uma colisão se caracteriza por duas esferas rígidas que se chocam em um mero evento
mecânico, como duas bolas de bilhar colidindo. Fisicamente, o elétron interage com
outros elétrons do orbital atômico, e no mesmo instante também há a interação com um
elétron mais próximo. Ambos se afastam devido à força de repulsão de seus campos
elétricos. Nesse momento pode haver transferência ou conversão de energia, como
ocorre na produção de radiação pelo processo de freamento, também conhecido como
bremsstrahlung.
Como os materiais são preenchidos de átomos e os átomos contêm elétrons, as colisões
ocorrem em efeito cascata; uma colisão leva à outra, e assim sucessivamente. Portanto,
a trajetória da partícula no meio não é linear, mas irregular, em razão da mudança de
caminho a cada interação. Esse é o processo de transferência de energia por uma
determinada partícula carregada em função da distância, em um meio material.
Radiações de baixo LET
Radiações eletromagnéticas e partículas beta são consideradas radiações de baixo LET.
Portanto, radiação X, gama, partícula e têm baixa transferência linear de energia. Como
dito, o conceito de LET é determinado para partículas carregadas, mas as radiações
gama e X estão nesse contexto porque após a primeira interação da radiação com a
matéria, aparecem os elétrons por meio dos efeitos Compton, fotoelétrico e formação de
pares. Pela característica de ionização indireta essas radiações também são classificadas
como transferência linear de energia. Elétrons Auger também são classificados como
baixo LET.
Radiações de alto LET
São aquelas com alto poder de ionização e alta taxa de transferência de energia em um
meio propagado. Considerando o mesmo valor de dose absorvida, esse tipo de radiação
é a que produz maiores danos biológicos. Fazem parte dessa classificação partículas ,
íons pesados, fragmentos de fissão e nêutrons.
Essas partículas são denominadas radiações diretamente ionizantes. As radiações
indiretamente ionizantes somente são notadas no material a partir do momento que a
primeira ionização ocorre, pois é quando há a liberação de elétrons; caso contrário,
podem atravessar o material sem causar ionização alguma.
Compreensão sobre radiossensibilidade
A radiossensibilidade dos tecidos é um assunto ligado à efetividade biológica relativa
(RBE). Essa efetividade está relacionada com a qualidade do feixe de radiação nos
sistemas biológicos, e pode ser quantificada utilizando a RBE (do inglês relative
biological effectiveness).
A RBE é determinada a partir da razão entre o tipo de radiação de referência, que é a
dose de referência necessária para produzir um tipo de resposta, e a dose da radiação
que queremos analisar. Neste momento, vamos atribuir um nome genérico a ela,
radiação A, que é a dose de radiação necessária para produzir a mesma resposta. Essa
relação se dá como mostra a equação a seguir:
Para a radioproteção, a RBE é classificada como a função da qualidade da radiação,
expressa em termos da transferência linear de energia (LET). Em diversos sistemas, a
RBE aumenta de acordo com a LET até o ponto próximo de 100 KeV/μm, e após isso,
diminui.
A interação da radiação com a célula
Existem dois tipos celulares que interagem com a radiação, são elas, as células
somáticas e germinativas. As células somáticas, são aquelas que já atingiram o seu
ultimo estágio de diferenciação, não vão se especializar em mais nada, é a célula do
tecido ou órgão que se encontra. Já as células germinativas, são aquelas que dão origem
aos gametas, ou seja, são células em seus primeiros estágios de vida. A interação com
esses tipos celulares, são divididas em três grupos.
Mutações pontuais: alterações na sequência de bases do DNA.
Aberrações cromossômicas estruturais: ocorrem pela quebra nos
cromossomos.
Aberrações cromossômicas numéricas: ocorrem com o aumento ou
diminuição do número de cromossomos, e é causada pela irradiação.
Células em seu último estágio de diferenciação, serão diferentes dependendo do local
onde se encontra. Por exemplo, uma célula do músculo do coração é diferente de uma
célula que compõe a bexiga, que é totalmente diferente de uma célula nervosa. Portanto,
como cada célula se diferencia para ocupar uma região do corpo e desempenhar uma
função, elas também responderão de forma diferente a radiação ionizante.
Células com alto poder de diferenciação e proliferação são mais rádio sensíveis, ou seja,
sofrem mais facilmente os danos causados pela radiação ionizante. Temos como
exemplo de células que se proliferam rapidamente, cabelo, unha, córnea, mucosa, tecido
hematopoiético e células cancerígenas. Graças a essa “regra” que o tratamento onde se
utiliza a radiação ionizante se faz tão eficaz nos dias de hoje, pois como a célula
cancerosa é mais sensível a radiação do que quaisquer outras células do corpo humano,
quando se irradia o corpo com um tumor, esse tumor morrerá mais rapidamente do que
as células saudáveis do organismo. Já células que não proliferam ou não proliferam
rapidamente são mais resistentes à radiação. Um exemplo desse tipo de célula são os
neurônios.
Quando os níveis de dose de radiação são elevados, a maior parte de células e tecidos
não suportam as transformações e morrem diretamente, ou a radiação causa uma
mudança genética, levando a célula à apoptose (morte celular).
Se por acaso o órgão ou o tecido irradiado sofreu poucas mortes celulares locais,
certamente ele será capaz de reverter os danos e continuar com a sua funcionalidade.
Porém se houver muitas mortes celulares no local irradiado, os danos podem ser
permanentes e haverá a perda da funcionalidade. Nesse caso estamos no estágio de
reação tecidual, ou efeito determinístico da radiação. Cabe ressaltar que os benefícios
da radiação ionizante sempre devem ser superiores aos detrimentos.
Aplicação dos conceitos relacionados à
radiação ionizante
A utilização da radiação ionizante deve ser sempre atrelada ao uso correto dos termos da
proteção radiológica. Pois profissionais da área do diagnóstico ou tratamento,
independente de sua formação, estão lidando com algo que se não for utilizado de forma
correta, colocará em risco a saúde de outras pessoas e até mesmo a sua vida em risco.
Portanto você que esteja iniciando seus estudos em uma profissão que utilizará a
radiação ionizante para qualquer fim, deve se preparar aprofundando seus
conhecimentos nas diferentes fontes de radiação ionizante, quais tipos de blindagens são
utilizadas para cada tipo de radiação, quais detectores de radiação é utilizado nas
diferentes fontes radioativas, além de conhecer a fundo os danos biológicos causados
pela radiação ionizante. Portanto tenha sempre em mente os princípios e protocolos de
radioproteção.
O tempo de aparecimento dos danos biológicos também são classificados de duas
formas, efeitos imediatos e efeitos tardios. Essa classificação se dá ao tempo de
aparecimento dos danos entre a irradiação ou contaminação e o efeito biológico
causado.
Os efeitos tardios, aparecem muitos anos mais tarde, alguns aparecem entre 15 a 25
anos depois de uma irradiação, entra na classificação de danos probabilísticos (efeitos
estocásticos), como por exemplo a formação de neoplasias malignas. Os efeitos
estocásticos e determinísticos não são classificados em tempo de aparecimento dos
danos, esses efeitos são classificados pelo nível de dose recebida. Cabe ressaltar que
nenhum limite de dose é classificado como seguro, todo e qualquer procedimento que
utiliza radiação ionizante, poderá sim, causar danos futuros. Contudo quanto maior o
tempo de exposição, maior a dose empregada e menor a distância da fonte radioativa,
maior será a probabilidade e severidade dos danos. Embora nosso organismo tenha
mecanismos de reparo, não podemos achar que estamos seguros, pois como já foi dito
em baixas doses tudo é questão de probabilidade.
Como dito acima, a radiossensibilidade dos tecidos não é igual para todos os órgãos.
Cada tipo de tecido tem um limite/sensibilidade para as radiações ionizantes. Células
facilmente diferenciáveis são mais sensíveis à radiação. Ser sensível à radiação indica
maior propensão a sofrer danos causados pela radiação ionizante. As células pouco
proliferativas e diferenciáveis são menos sensíveis à radiação, como o exemplo das
células nervosas – os neurônios são as células do corpo humano menos sensíveis à
radiação ionizante.
Esses conceitos são de grande importância, pois o sucesso no tratamento com a
radioterapia só se deve a eles. Como uma célula tumoral apresenta um erro no código
genético e se proliferam desordenadamente, entra na classificação de células bastante
diferenciáveis e proliferativas, portanto, são células extremamente sensíveis à radiação
ionizante. Logo, em um tratamento de radioterapia com a irradiação do tecido, as
células tumorais sofrem mais rápido os danos do que as células saudáveis, e o tecido
tumoral morre antes dos tecidos saudáveis. Por isso, a radioterapia é conhecida como o
tratamento de câncer com menos danos colaterais.
Prezado estudante, caso você queira aprofundar seus conhecimentos sobre proteção
radiológica, segue a indicação da leitura do trabalho apresentado no 16º Congresso
Nacional de Iniciação Científica: Proteção radiológica no setor de radiologia.
Link: [Link]
Biofísica das radiações ionizantes
Quando uma pessoa é submetida a certos níveis de radiação ela sofrerá os efeitos
biológicos causados pela radiação pela deposição de energia. Esses efeitos podem ser
classificados como estocásticos e determinísticos.
Efeitos estocásticos: aqueles cujo limiar de dose não é estabelecido, ou seja, podem
ocorrer em qualquer dose. É um efeito probabilístico, e a probabilidade de ocorrer um
dano cresce linearmente com a dose acima de 100mGy.
Efeitos determinísticos: aqueles que ultrapassam o limiar de dose do órgão ou tecido.
Há uma grande quantidade de morte celular da região, efeito observado em altas doses.
Há um limiar de dose para o surgimento da reação tecidual (0,15 – 1,5 Gy). Os efeitos –
como mucosite, eritema e escamação da epiderme e queimaduras – são causados em um
curto intervalo de tempo; em horas ou semanas.
A passagem das radiações ionizantes por qualquer meio nele produz ionizações pela
retirada de elétrons de átomos do material. Então, quando realizamos um exame que
utiliza radiação ionizante, o corpo sofrerá danos. Como na maioria dos casos as energias
utilizadas são baixas, o organismo tem uma capacidade maior de reparo desses danos.
Além disso, em todo serviço de imagens médicas há a orientação dos órgãos de
vigilância, os quais indicam que os danos não podem ser superiores às vantagens que o
exame oferece – as doses devem ser tão baixas quanto razoavelmente exequíveis.
Dose absorvida é a quantidade de energia depositada pela radiação em um órgão ou
tecido. É simbolizado pela letra D e sua unidade de medida no sistema internacional
(SI) é o Grey (Gy). Veja a equação a seguir:
D é a variável de dose absorvida;
é a variação de energia depositada; e
é a variação de massa onde essa radiação foi depositada. Essa medida é expressa em
Joule/Kg, pois energia é dada em Joule e massa em quilograma, equivalendo ao Grey.
Reações celulares a radiação
Uma grande dose de radiação recebida pelas células pode levar à morte destas, mas se a
quantidade de células mortas não comprometerem a funcionalidade do órgão ou tecido o
dano é reversível.
Quando uma célula é danificada pela radiação ionizante ela destrói as moléculas de
reparo da célula, portanto, o processo de proliferação celular é iniciado sem ser
controlado pelos mecanismos de reparação de erros, e evolui possivelmente para um
tumor maligno.
A célula pode receber uma certa dose de radiação sem que esta cause sua morte ou
perda de sua capacidade de correção do dano.
O conceito da sigla em inglês LET é determinado pelo poder de freamento de colisão
linear quando a radiação interage com o meio. O LET é a perda média de energia, por
colisão, de uma partícula carregada, por unidade de comprimento. Outra expressão
derivada do inglês – stopping power – está relacionada com esse conceito, que é o poder
de freamento. Esse conceito é contrário ao do LET: enquanto o LET é o efeito da
partícula no meio, o stopping power é o efeito do meio na partícula.
Caro estudante, esta é uma aula resumo dos assuntos relacionados às aulas de biofísica
das radiações ionizantes. Portanto, no decorrer da videoaula, vamos tratar dos assuntos
relacionados a efeitos estocásticos e determinísticos, à biofísica das radiações
ionizantes, radicais livres e transferência linear de energia (LET). Também serão
apresentados os mecanismos de ação das células, o espectro eletromagnético das ondas
ionizantes e não ionizantes e radiações corpusculares e ondulatória.
TAG: LET, Efeitos biológicos da radiação ionizante, Efeitos estocásticos, Efeitos
determinísticos.
Estudo de Caso – Mão na Massa
Imagine que você esteja trabalhando em um setor de imagens médicas de um hospital de
grande porte na área de radiologia. Você e os técnicos em radiologia estão com
problemas com exposições a radiações. O que fazer nesse caso? Você e outros
profissionais que atuam na área estão sujeitos à exposição excessiva de radiações
ionizantes, o que aumenta a probabilidade de doenças, como os efeitos estocásticos, que
futuramente podem levar ao desenvolvimento de neoplasias malignas, anemia aplástica,
radiodermatite e infertilidade, dentre outras doenças relacionadas com a radiação
ionizante. Contudo, você sabe que os exames não podem parar, pois o setor de
radiologia é imprescindível para o diagnóstico por imagem. A aplicação da radiação
ionizante na medicina é de extrema importância para o diagnóstico preciso do médico.
Portanto, parar o setor de radiologia local não será possível, e a solução para esse
problema não é deixar de utilizar o equipamento, mas sim adotar as medidas necessárias
de proteção radiológica. Você deve ter em mente que a minimização dos riscos de
pacientes e IOEs (Indivíduos Ocupacionalmente Expostos) devem ser procuradas não
somente por você, mas por todos do setor e do hospital. Como você deve proceder
quanto ao problema de exposição à radiação dentro do setor de imagens médicas?
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💭 Reflita
Se você ficou entusiasmado com o conteúdo desta aula e quer aprofundar seus
conhecimentos na área de radiologia, há inúmeros livros – inclusive on-line – para que
você explore ainda mais essa área. Embora os assuntos abordados nesta unidade
abordam diversos assuntos relacionados à física radiológica, é sempre bom você se
aprofundar e sempre buscar conhecimento na área de sua formação. Portanto, busque
aprofundar seus conhecimentos em níveis de energia empregados em cada tipo de
equipamento de radiodiagnóstico, comparação de dose entre eles.
Caso você esteja tendo um problema com o excesso de exposição no centro de
radiologia, deve garantir a estrutura física das salas de exames. As salas devem ser
preparadas para que a radiação não saia e coloque pessoas que estão fora da sala em
risco. A sala deve ter no mínimo 25 metros quadrados e as paredes e porta devem ser
espessas, contendo chumbo em sua composição a fim de blindar a radiação. As portas
devem estar fechadas quando o exame ocorrer. Nas imediações da sala deve ter o
símbolo internacional de radiação, notificando as pessoas que entrarem. Uma lâmpada
vermelha deve estar na porta, sendo acesa durante a aquisição da imagem. Os
trabalhadores locais devem utilizar o dosímetro, instrumento de detecção que notifica,
na leitura mensal, o quanto aquele profissional foi exposto à radiação em um período de
30 dias. Os equipamentos de proteção individual tanto para paciente quanto para
profissionais devem estar em perfeitas condições de acordo com as normas de proteção
radiológicas. Os treinamentos dos técnicos e radiologistas devem ocorrer
periodicamente, para que os protocolos estejam otimizados, minimizando as doses
recebidas durante o exame. O fluxograma apresentado na figura a seguir serve de
orientação para o estudo da biofísica das radiações ionizantes. Aborda as definições das
radiações ionizantes, como são produzidas, os decaimentos radioativos naturais e quais
partículas ou ondas emitem. Também mostra as definições das radiações X e gama.
Aponta as normas de proteção radiológicas para a prevenção de acidentes, ou caso
ocorram, como proceder com as blindagens.
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