Processo Penal
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Vídeo 01
PROCESSO PENAL: um procedimento de apuração prévia à ação penal
CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS de conhecimento.
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pois se isso fosse possível estaríamos diante de Por outro lado, se se analisa a própria
procedimento público e não sigiloso, ou seja, o natureza jurídica do inquérito, nota-se que este
acesso aos autos investigatórios somente poderá é procedimento administrativo investigativo e não
se dar se o advogado, mesmo sem procuração, verdadeiramente um processo administrativo.
tiver defendendo interesse próprio de investigado. Logo, não se aplica a regra constitucional da
Ressalte-se ainda que se houver duplo sigilo incidência dos princípios do contraditório e da
(sigilo específico), como nos casos de garantia de ampla defesa.
segurança da sociedade e do Estado ou ainda grave
repercussão para honra da vítima, vg. estupro, Com efeito, no inquérito policial a regra é
violência contra menores de idade, etc., somente da não incidência dos princípios do contraditório
advogados com procuração poderão ter acesso e ampla defesa de forma absoluta e irrestrita.
aos autos da investigação. É o que se depreende Dessa forma, a assistência advocatícia do preso no
do art. Art. 7º, §10, EOAB: “Nos autos sujeitos momento da prisão em flagrante e do investigado/
a sigilo, deve o advogado apresentar procuração indiciado no decorrer do inquérito são restritas e
para o exercício dos direitos de que trata o inciso limitadas.
XIV”.
Sendo assim, a assistência do advogado
Esse sigilo, visto de mirada constitucional, no inquérito não se confunde com a garantia do
não é um óbice à atividade defensiva, pois contraditório e da ampla defesa, pois no inquérito
o advogado tem acesso aos expedientes essa assistência é apenas oportunizada, já no
investigatórios já documentados. Muito ao processo trata-se de uma obrigação, conforme art.
contrário, o sigilo busca efetivar o princípio 5º, LXIII, CF e art. 14, CPP:
da presunção de não culpabilidade (estado de
inocência), que no inquérito incide em seu grau Art. 5º, LXIII, CF: “O preso será informado
máximo, pois ainda não há certeza acerca de sua de seus direitos, entre os quais o de permanecer
culpabilidade. calado, sendo-lhe assegurada a assistência da
família e de advogado”; Art. 14, CPP: “O ofendido,
É justamente por isso que se assegura ou seu representante legal, e o indiciado poderão
o sigilo externo (sigilo ao povo), pois se busca requerer qualquer diligência, que será realizada,
proteger a honra pessoal e familiar do investigado, ou não, a juízo da autoridade”.
e para além disso o direito fundamental à segurança
pública, que envolve o direito fundamental coletivo Perceba-se que a inquisitoriedade do
à investigação criminal eficiente. Assim sendo, inquérito se contrapõe ao caráter acusatório do
o sigilo do procedimento investigativo policial processo penal, que é fundamentado inteiramente
serve para garantir a lisura dos procedimentos no princípio do contraditório e da ampla defesa. No
investigatórios, justamente pela própria natureza processo penal, esses princípios são inalienáveis e
da investigação, que se baseia no elemento inegociáveis.
surpresa.
4.5) DISCRICIONÁRIO
4.4) INQUISITIVO No processo penal existe uma sequência
O inquérito é inquisitivo na medida em preestabelecida de atos a serem realizados pelos
que a atividade investigatória desenvolvida pelo sujeitos processuais com fim de alcançar uma
Estado é feita via de regra ao largo da atividade decisão de mérito. Ou seja, o processo começa
defensiva do investigado, justamente para que com o oferecimento da peça acusatória, seguida da
o dever constitucional da polícia investigativa decisão de recebimento (marco inicial do processo
(art. 144, CF) de apurar as infrações penais seja penal) ou não da denúncia, cabendo recurso em
exercido com eficiência. sentido estrito da decisão de não recebimento.
Segundo doutrina clássica, durante Após isso, há a citação do réu para responder
a investigação criminal o Estado está em por escrito à acusação no prazo de 10 dias, sendo
desvantagem, pois o criminoso não tem o a citação válida o marco de perfectibilização do
dever de colaborar com a atividade da polícia, processo penal. Depois há a decisão de absolvição
sendo necessário que o Delegado conduza as sumária, que sendo rejeitada há a marcação
investigações sem necessidade de aplicação da audiência de instrução e julgamento, que
irrestrita dos princípios da ampla defesa e do tem todos os seus atos previstos no art. 400,
contraditório. CPP, (declarações do ofendido, inquirição das
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prazo de 10 dias para encerramento da investigação seja, investigações sem indícios mínimos de
de competência estadual de investigado preso é materialidade delitiva e autoria. Como se sabe, o
improrrogável, já o prazo para investigação de inquérito não pode ser usado como instrumento de
investigado solto é prorrogável mediante decisão controle da vida privada dos cidadãos.
fundamentada do juiz.
Nesse particular, ressalte-se a jurisprudência
4.8) INFORMATIVO (UNIDERICIONALIDADE sólida do Supremo Tribunal Federal (STF) no sentido
DO INQUÉRITO) de que a mera denúncia anônima não é apta a
Segundo doutrina majoritária, o inquérito é fundamentar a instauração de inquérito policial,
procedimento inteiramente destinado ao MP, que é ações de devassa domiciliar (busca e apreensão),
o dominus litis, sendo os elementos de informação prisão em flagrante e até busca pessoal.
colhidos durante a investigação apenas destinados
à formação da convicção do membro do MP sobre Para que essas ações de última ratio,
materialidade e autoria delitiva (opinio delicti). naturalmente invasivas aos direitos fundamentais,
se tornem legítimas, é necessário que a
Segundo essa caracterização, o inquérito autoridade policial proceda à verificação da
policial não serve à defesa do investigado, pois procedência das informações (VPI), ou seja, adote
somente se volta a colheita de elementos de procedimentos de checagem da denúncia anônima
informação capazes de convencer o membro do no sentido de verificar se existe real procedência
Ministério Público. (verossimilhança) das informações.
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5.2) MEDIANTE PORTARIA LAVRADA PELA o inquérito policial será iniciado: §3º.Qualquer
AUTORIDADE POLICIAL pessoa do povo que tiver conhecimento da
existência de infração penal em que caiba ação
A) DE OFÍCIO (ART. 5º, I, CPP) pública poderá, verbalmente ou por escrito,
O Delegado de Polícia somente poderá comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada
instaurar ex officio portaria para início das a procedência das informações, mandará instaurar
investigações nos casos de crimes processados inquérito”.
por meio de ação penal pública incondicionada.
Trata-se de comunicação de um fato
No demais casos, é imprescindível, ou seja, criminoso à autoridade policial por qualquer pessoa
indispensável, o preenchimento da condição de do povo e não pela vítima ou seu representante
persequibilidade, qual seja, a representação da legal. Como se sabe é direito de qualquer cidadão
vítima ou de seu representante legal na ação penal contribuir para a efetiva persecução penal dos
pública condicionada e da prestação da notitia criminosos, viés concreto do direito fundamental à
criminis (notícia do crime) ou de requerimento da segurança pública.
vítima na ação penal privada.
5.3) REQUISIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO,
B) MEDIANTE REQUERIMENTO DO DO JUIZ OU DO MINISTRO DA JUSTIÇA
OFENDIDO (ART. 5º, II – SEGUNDA PARTE, (ART. 5º, II – PRIMEIRA PARTE, CPP e 145,
§1º e 2º, CPP) PARÁGRAFO ÚNICO, CP)
Nos casos de ação penal pública Nesses casos, a própria requisição do Juiz,
condicionada e ação penal privada, a persecução Ministério Público ou Ministro da Justiça será a
penal somente poderá iniciar-se com a peça inaugural do inquérito policial. Sabe-se que
representação ou requerimento do ofendido, dando nesses casos o Delegado não está submetido às
assim legitimidade e legalidade a instauração do demais autoridades da persecução penal (juiz ou
inquérito. Ministério Público), mas sim está submetido à lei,
que determina a possibilidade de requisição de
Nesses casos, como a própria ação penal ou instauração do Inquérito Policial.
é condicionada a sua vontade ou pertence somente
a ela, tem-se como princípio a preservação de Assim, uma vez sendo requisitada a
sua intimidade (strepitus judicii), não podendo abertura de Inquérito Policial pelas autoridades
o Delegado iniciar as investigações sem seu legais citadas, o Delegado deverá instaurá-lo, salvo
consentimento. se for caso de ordem manifestamente ilegal, caso
em que autoridade policial fará um juízo estrito de
O requerimento deve seguir os parâmetros legalidade.
do art. 5º, §1º, CPP: a) a narração do fato, com
todas as circunstâncias; b) a individualização do 6) FORMAS DE COMUNICAÇĀO DO CRIME
indiciado ou seus sinais característicos e as razões (NOTITIA CRIMINIS)
de convicção ou de presunção de ser ele o autor Trata-se da forma como Delegado de Polícia
da infração, ou os motivos de impossibilidade de toma conhecimento acerca do fato criminoso em si
o fazer; c) a nomeação das testemunhas, com (materialidade) bem como dos respectivos indícios
indicação de sua profissão e residência. mínimos de autoria delitiva aptos a fazerem iniciar
a investigação criminal.
Nesses casos, o Delegado não está obrigado
a lavrar portaria para início das investigações, 6.1) NOTITIA CRIMINIS DE COGNIÇÃO
porém do indeferimento do requerimento do IMEDIATA, ESPONTÂNEA OU DIRETA
ofendido pelo Delegado, cabe recurso inominado Trata-se de conhecimento do fato
para o Chefe de Polícia. No caso da Polícia Federal, criminoso diretamente pelo Delegado através de
o recurso inominado é dirigido ao Superintendente sua atividade policial rotineira, ex.: Investigações
da PF na localidade (§2º). preliminares, conversas com terceiros, notícias de
jornais, internet, etc.
C) MEDIANTE NOTÍCIA OFERECIDA POR
QUALQUER DO POVO (ART. 5º, §3º, CPP) 6.2) NOTITIA CRIMINIS DE COGNIÇÃO
É a chamada delatio criminis prevista no MEDIATA, PROVOCADA OU INDIRETA
art. 5º, §3º, CPP: “Nos crimes de ação pública Trata-se de conhecimento do fato criminoso
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indiretamente pelo Delegado, ou seja, quando ele O STF já afirmou: “Nada impede a
é informado do crime e de sua possível autoria. deflagração da persecução penal pela chamada
denúncia anônima, desde que esta seja seguida
Assim, em regra, é feita de forma escrita de diligências realizadas para averiguar os fatos
nos casos de requerimento do ofendido, requisição nela noticiados” (STF. HC 105484, 2ª T., Rel. Min.
do juiz, MP ou Ministro da Justiça e até mesmo Cármen Lúcia, J. 12/03/13).
pela notícia dada por qualquer um do povo (delatio
criminis) – nesse caso, a notitia poderá ser feita O STJ, no mesmo sentido, já decidiu: “É
de forma anônima (delatio criminis anônima), possível o desencadeamento da persecução penal
sem que possa, porém, dar início por si só à a partir de denúncia anônima, desde que sejam
investigação, salvo em casos que se constitua o realizadas antes da instauração de inquérito
próprio corpo de delito. policial ou procedimento investigativo equivalente
diligências ou averiguações preliminares que
Nos casos de requisição do MP ou do Juiz, atestem, por meio de elementos indiciários, a
a instauração do inquérito terá natureza de ato verossimilhança da notícia crime apócrifa” (STJ.
administrativo complexo, pois 2 agentes de esferas HC 237164/RS, 6ª T., Rel. Min. Og Fernandes, J.
administrativas diversas, o Juiz ou MP + Delegado 20/11/12).
concorrem para o ato.
Não é permitida, portanto, abertura de
6.3) NOTITIA CRIMINIS DE COGNIÇÃO inquérito policial com base exclusiva em denúncia
COERCITIVA (APFD) anônima (notitia criminis inqualificada) nem
Trata-se de conhecimento do fato criminoso entrada em domicílio, pois estar-se-ia relativizando
pelo Delegado através da apresentação do cidadão ao extremo a regra da vedação ao anonimato.
capturado em flagrante delito na Delegacia de
Polícia. Desse modo, o Delegado levantará os A ressalva fica para os casos em que,
indícios de autoria, a prova da materialidade e segundo a própria jurisprudência do STF, a
as principais circunstâncias do caso, através do delação apócrifa (notitia criminis inqualificada)
interrogatório do conduzido, das declarações da for produzida pelo próprio acusado ou quando
vítima, se for possível, das declarações do condutor constituir-se em si mesma o corpo de delito do
e das testemunhas. crime, ex.: bilhetes de resgate no crime de extorsão
mediante sequestro, cartas que evidenciam crime
Após todo o procedimento, só então contra a honra ou crime de ameaça ou escritos que
decidirá pela lavratura ou não do auto de prisão em materializem o crimen falsi – crimes de falsidade
flagrante, comunicando imediatamente da prisão ou fraude/engano) (STF. HC 100042 MC/RO, Rel.
ao juiz, MP e família e enviando ao juiz em até 24 Min. Celso de Melo, J. 02/10/09).
horas o APFD, além de entregar ao flagranteado a Nesse sentido, a vedação constitucional
nota de culpa também em 24 horas. ao anonimato não pode servir justamente para
que o inquérito policial sirva à vingança privada
6.4) NOTITIA CRIMINIS INQUALIFICADA ou mesmo à guerra de narrativas construída para
Trata-se de conhecimento do fato criminoso prejudicar quem quer que seja.
pelo Delegado através de delação apócrifa
(delatio criminis anônima), mais concretamente
instrumentalizada pelo serviço telefônico do
disque-denúncia, disponibilizado pelos órgãos de
segurança para receber informações sobre pessoas
investigadas ou foragidas da justiça.
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2) INSTRUMENTALIDADE (NECESSIDADE OU
OBRIGATORIEDADE)
1) CONCEITO Aury Lopes Jr. e Eugênio Pacelli trabalham o
Majoritariamente (Ada Pellegrini Grinover), princípio da necessidade do processo penal para a
ação penal é o direito público, subjetivo e abstrato, efetiva e justa prestação da jurisdição penal. Trata-
que a parte tem de provocar o Estado-juiz para se da única via capaz de legitimar a pretensão
que este exerça a jurisdição penal concretizada punitiva do Estado-juiz ao ser provocado através
na aplicação das normas de direito penal ao caso da ação penal.
concreto, visando, pois, solucionar o caso penal
(mérito penal). Logo, é obrigatoriamente por meio da ação
penal que o Estado verifica, mediante a oxigenação
Trata-se, portanto, de direito de cariz dos princípios do contraditório e da ampla defesa,
constitucional, previsto no art. 5º, XXXV, CF: “a a concretude do fato típico, seu caráter ilícito, e a
lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário culpabilidade do réu.
lesão ou ameaça a direito”. Note-se que com a
realização do crime nasce a pretensão punitiva do 3) CONDIÇÕES GERAIS DA AÇÃO PENAL
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denúncia, submetido, por óbvio, aos requisitos de O STJ entende que “o princípio da
legalidade do art. 41 e 395, do Código de Processo indivisibilidade não se aplica à ação penal pública,
Penal. podendo o Ministério Público, como ‘dominus
litis’, aditar a denúncia, até a sentença final, para
5.2) PRINCÍPIOS DA OBRIGATORIEDADE, inclusão de novos réus, ou ainda oferecer nova
COMPULSORIEDADE OU LEGALIDADE denúncia, a qualquer tempo” (STJ. APn 300/ES,
PROCESSUAL (ART. 24, CPP) Corte Especial, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,
J. 21/09/16).
Art. 24, CPP: “Nos crimes de ação
pública, esta será promovida por Guilherme Madeira Dezem entende que
denúncia do Ministério Público, mas não se aplica à ação penal pública o princípio da
dependerá, quando a lei o exigir, de indivisibilidade porque o CPP não prevê nenhuma
requisição do Ministro da Justiça, ou de sanção processual ao MP em razão do não
representação do ofendido ou de quem oferecimento da denúncia em face de outros réus.
tiver qualidade para representá-lo”.
Isso quer dizer que não se admite o
Independentemente da pessoa do arquivamento implícito como sanção ao MP, pois
denunciado, sempre que presentes as condições é possível aditamento da denúncia ou mesmo
para o regular exercício do direito de ação penal e oferecimento de nova peça acusatória contra
a justa causa, o MP será obrigado, em razão de um aqueles sob os quais não pairavam indícios
dever funcional de status constitucional (art. 129, suficientes de autoria no momento inicial da
I, CF), a apresentar a denúncia. acusatória.
A) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE OU
INDESISTIBILIDADE (ART. 42 E 576, CPP) Vídeo 04
Art. 42, Código de Processo Penal: “O AÇÃO PENAL PÚBLICA -
Ministério Público não poderá desistir da ação CONDICIONADA A
penal”; Art. 576, Código de Processo Penal: “O
Ministério Público não poderá desistir de recurso REPRESENTAÇÃO
que haja interposto”.
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que o Estado processe ou autoriza que o Estado manifestar vontade no prosseguimento da ação.
investigue o fato criminoso em si, e não um ou
outro criminoso em específico. Outro exemplo que pode ser dado em
relação à condição de prosseguibilidade é o caso da
6.1.6) NÃO VINCULAÇÃO DO MP À desclassificação de crime mais grave para menos
REPRESENTAÇÃO DA VÍTIMA grave que exige representação no procedimento
Mesmo após representação da vítima, o comum ordinário. Nesse caso, como não há
Ministério Público mantém sua independência previsão de regra de transição expressa, haverá 2
funcional, cabendo a ele, que tem atribuição possibilidades:
constitucional para promover privativamente a
ação penal pública, analisar se estão preenchidas a) ofendido já manifestou expressamente
as condições da ação e a justa causa. durante o andamento do processo a sua vontade
de prosseguir na ação penal, prosseguindo
6.1.7) NATUREZA JURÍDICA DA normalmente a ação;
REPRESENTAÇÃO
b) ofendido não manifestou expressamente
A) CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE seu desejo de ver o réu processado e punido, o
Trata-se de condição objetiva que permite processo ficará sobrestado tendo o ofendido 30
ao Ministério Público proceder à ação penal nos dias (prazo decadencial) para manifestar vontade
crimes de ação penal pública condicionada, pois no prosseguimento ação (aplicação analógica do
sem a representação a ação não se deflagra, art. 91, Lei 9.099/95).
conforme art. 25, CPP: “A representação será
irretratável, depois de oferecida a denúncia”. 6.1.8) PRAZO PARA REPRESENTAÇÃO
O ofendido tem 6 meses contados da
B) CONDIÇÃO DE PERSEQUIBILIDADE ciência do fato delitivo para representar. O prazo é
Trata-se de condição objetiva que permite decadencial, de modo que se perdido, extingue-se
ao Delegado iniciar as investigações, pois nos o direito à ação penal em si. Conta-se incluindo-se
casos de ação penal pública condicionada sem o dia do início e excluindo o dia do final (art.10,
a representação não se instaura nem mesmo o CP). É contado em meses e não em dias, e sendo
inquérito policial (persecutio criminis). prazo decadencial, não se suspende nem se
prorroga, independentemente do dia do final ser
Isso conforme o art. 5º, §4º do Código feriado, final de semana, etc.
de Processo Penal: “Nos crimes de ação pública
o inquérito policial será iniciado:§4º. O inquérito, 6.1.9) IRRETRATABILIDADE DA
nos crimes em que a ação pública depender de REPRESENTAÇÃO
representação, não poderá sem ela ser iniciado”. Art. 25, CPP: “A representação será
irretratável, depois de oferecida a denúncia”.
C) CONDIÇÃO DE PROSSEGUIBILIDADE A retratação é a opção do ofendido em
Trata-se de condição objetiva que permite revogar a representação para procedibilidade da
o MP prosseguir com a ação penal quando um ação penal. Os art. 25 e 42, CPP, deixam claro
crime de ação penal pública incondicionada passa que a representação será IRRETRATÁVEL APÓS
a ser, incidentalmente, de ação penal pública O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA. Isso porque
condicionada. estamos diante de uma ação penal pública em
que vigora os princípios da obrigatoriedade e
É o caso da ação penal nos crimes de da indisponibilidade. Logo, É POSSÍVEL QUE O
lesão corporal leve e culposa, que após a Lei OFENDIDO SE RETRATE DA REPRESENTAÇÃO ATÉ
dos Juizados Especiais Criminais (art. 88 e 91 da O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA.
Lei 9.099/95) passou a exigir representação da
vítima, não mais sendo considerada ação penal Porém, nos crimes envolvendo violência
pública incondicionada. doméstica e familiar contra a mulher, A VÍTIMA
PODE SE RETRATAR DA REPRESENTAÇÃO ATÉ
A Lei previu regra de transição, ficando os O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA, desde que
processos sobrestados, tendo o ofendido prazo de seguido o procedimento do art. 16, Lei 11.340/06:
30 dias (prazo decadencial material – computa- “nas ações penais públicas condicionadas à
se o dia do início e exclui-se o dia final) para representação da ofendida de que trata esta Lei, só
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será admitida a renúncia à representação perante modo que é preferível a segurança jurídica à
o juiz, em audiência especialmente designada com idiossincrasia humana. Dessa forma, havendo
tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e retratação o ofendido não mais poderá representar
ouvido o Ministério Público”. pelo processamento do criminoso.
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Art. 57. A renúncia tácita e o perdão Art. 62. No caso de morte do acusado,
tácito admitirão todos os meios de o juiz somente à vista da certidão de
prova. óbito, e depois de ouvido o Ministério
Público, declarará extinta a punibilidade.
Art. 58. Concedido o perdão, mediante
declaração expressa nos autos, o 7.2) CONSIDERAÇÕES INICIAIS
querelado será intimado a dizer, dentro A ação penal de iniciativa privada é um
de 3 dias, se o aceita, devendo, ao instituto em decadência no processo penal,
mesmo tempo, ser cientificado de que podendo-se até dizer que é instituto em extinção,
o seu silêncio importará aceitação. segundo Eugênio Pacelli, que a enxerga como
Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz resquício da vingança privada. Apenas a título de
julgará extinta a punibilidade. informação, o projeto do Novo Código de Processo
Penal não mais prevê essa modalidade de ação
Art. 59. A aceitação do perdão fora penal.
do processo constará de declaração
assinada pelo querelado, por seu 7.3) CONCEITO
representante legal ou procurador com Conceitualmente, a ação penal de iniciativa
poderes especiais. privada é aquela titularizada pelo particular nos
casos expressos na Lei. É voltada à proteção da
Art. 60. Nos casos em que somente se intimidade da vítima nos crimes em que ela pode
procede mediante queixa, considerar- ser ainda mais violada diante de uma ação penal
se-á perempta a ação penal: pública incondicionada titularizada pelo Ministério
I - quando, iniciada esta, o querelante Público. Note-se, porém, que não há transferência
deixar de promover o andamento do do direito de punir à vítima, pois esse poder-dever
processo durante 30 dias seguidos; continua nas mãos do Estado.
II - quando, falecendo o querelante,
ou sobrevindo sua incapacidade, não
comparecer em juízo, para prosseguir
no processo, dentro do prazo de 60 7.4) PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL DE
dias, qualquer das pessoas a quem INICIATIVA PRIVADA
couber fazê-lo, ressalvado o disposto
no art. 36; 7.4.1) PRINCÍPIOS DA OPORTUNIDADE E
III - quando o querelante deixar de CONVENIÊNCIA
comparecer, sem motivo justificado, a A queixa-crime apresentada pelo querelante é um
qualquer ato do processo a que deva direito público subjetivo da vítima, pois ela formaliza
estar presente, ou deixar de formular a peça processual acusatória se quiser e se achar
o pedido de condenação nas alegações oportuno e conveniente. Diferentemente da ação
finais; penal pública (incondicionada ou condicionada),
IV - quando, sendo o querelante pessoa que é um direito subjetivo, público, abstrato,
jurídica, esta se extinguir sem deixar mas também é um poder-dever, submetendo o
sucessor. Ministério Público ao princípio da obrigatoriedade.
Nesse sentido, surgem as causas de extinção da
Art. 61. Em qualquer fase do processo, punibilidade específicas da ação penal de iniciativa
o juiz, se reconhecer extinta a privada previstas no art. 107 do Código Penal:
punibilidade, deverá declará-lo de
ofício. Parágrafo único. No caso de A) DECADÊNCIA
requerimento do Ministério Público, do A vítima, do mesmo modo que na ação
querelante ou do réu, o juiz mandará penal pública condicionada, tem 6 meses para
autuá-lo em apartado, ouvirá a parte intentar a ação penal (queixa-crime). A pendência
contrária e, se o julgar conveniente, de conclusão de inquérito policial não suspende,
concederá o prazo de 5 dias para a não interrompe, nem prorroga o prazo prescricional
prova, proferindo a decisão dentro de de 6 meses previsto no Código de Processo Penal.
5 dias ou reservando-se para apreciar
a matéria na sentença final. B) RENÚNCIA
Trata-se de fato impeditivo para exercício
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conciliação prévia ao recebimento da queixa (art. permanecer inerte, o juiz deverá entender que
520, CPP), não gera desistência (perempção), houve renúncia em face de todos, devendo
pois sua ausência somente atesta o desejo do extinguir a punibilidade(art. 49, CPP).
querelante em prosseguir no processo penal.
Obs1: Impossibilidade de aditamento ex
Ressalta-se também que não se aplica offcio da queixa pelo MP!
a perempção quando as alegações finais são
apresentadas intempestivamente, mas com pedido O MP deverá velar pelo princípio da
condenatório. Porém, se a intempestividade indivisibilidade, mas não poderá aditar ex officio o
durar mais de 30 dias será declarada a extinção polo subjetivo da ação penal privada, pois não tem
da punibilidade pela desídia (art. 60, I, CPP) e atribuição constitucional para tanto.
não a pela ausência de pedido condenatório nas
alegações finais. Deve, entretanto, pedir a intimação do
querelante para realizar o aditamento (Damásio,
Obs1: Ausência de afirmação “peço a Afrânio Silva Jardim, André Nicolitt). Sendo
condenação” e inexistência de perempção! assim, existem 3 aditamentos ex officio pelo MP, 2
possíveis e 1 impossível:
Se da peça acusatória puder ser extraído
o desejo do querelante em ver o réu condenado, Aditamento impróprio (possível): O
o juiz não pode considerar perempta a ação penal MP reforça a narrativa fática da queixa-crime,
de iniciativa privada com base no art. 60, III, parte melhorando a argumentação, tornando-a mais
final, CPP. clara e técnica (art. 45, CPP);
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ação penal, sendo esta intentada mediante queixa- que morrendo estará extinta a punibilidade do
crime. É a regra geral, em que os legitimados autor. Ou seja, não há sucessão
extraordinários ad causam atuam em substituição processual, ex.: crime de induzimento a erro
ao Ministério Público, já que postulam em juízo essencial ou ocultação de impedimento de
direito que não é seu (jus puniendi). casamento, art. 236, CP.
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