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Processo Penal

O documento aborda o processo penal, destacando a investigação preliminar por inquérito policial como um procedimento administrativo que visa apurar a autoria e materialidade de crimes. Ele discute as finalidades do inquérito, sua natureza jurídica, características como sigilo e dispensabilidade, além de ressaltar a diferença entre os princípios do inquérito e do processo penal. O texto também menciona a importância do sigilo para a proteção da honra do investigado e a eficiência da investigação criminal.

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O documento aborda o processo penal, destacando a investigação preliminar por inquérito policial como um procedimento administrativo que visa apurar a autoria e materialidade de crimes. Ele discute as finalidades do inquérito, sua natureza jurídica, características como sigilo e dispensabilidade, além de ressaltar a diferença entre os princípios do inquérito e do processo penal. O texto também menciona a importância do sigilo para a proteção da honra do investigado e a eficiência da investigação criminal.

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Processo Penal

Prof. Estácio Neto

Vídeo 01
PROCESSO PENAL: um procedimento de apuração prévia à ação penal
CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS de conhecimento.

Segundo o STF, a persecução penal


preliminar existe para “preservar a inocência
contra acusações infundadas e o organismo
judiciário contra o custo e a inutilidade em que
INVESTIGAÇÃO PRELIMINAR POR
estas redundariam”, propiciando “sólida base e
INQUÉRITO POLICIAL
elementos para a propositura e exercício da ação
penal” (STF. RE 593.727/MG, Pleno, Rel. Min.
1) CONCEITO
Cezar Peluso, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes. Voto
Trata-se de procedimento administrativo
do Rel. Min. Cezar Peluso, J. 14/05/15).
presidido privativamente pelo Delgado de Polícia de
carreira que visa apurar a autoria, a materialidade,
2.2) FINALIDADE PREPARATÓRIA OU
as circunstâncias e eventuais fontes de prova do
ACAUTELATÓRIA DA AÇÃO PENAL
fato criminoso (art. 2º, §1º, Lei 12.830/13) a fim de
Para além da função preservadora, a
formar o convencimento do membro do Ministério
investigação preliminar assume também função
Público em relação à justa causa para propositura
acautelatória e preparatória da ação penal na
da ação penal. É classicamente considerado como
medida em que com o decurso inexorável do tempo,
sendo de cunho:
os vestígios do delito tendem a desaparecer,
reclamando, assim, a existência de mecanismo
a) Inquisitório, pois não incidem os princípios do
contraditório e da ampla defesa, não havendo que acautele meios de prova, às vezes inadiáveis
direito subjetivo ao interrogatório policial do ou intransponíveis, levando-os ao conhecimento
investigado; do juiz e, depois, ao bojo de eventual ação penal
(STF. RE 593.727/MG, Pleno, Rel. Min. Cezar
b) Sigiloso, pois diferentemente do processo penal, Peluso, red. p/ ac. Min. Gilmar Mendes. Voto do
os atos do inquérito não são abertos ao público em Rel. Min. Cesar Peluso, J. 14/05/15).
geral visando garantir o êxito das investigações;
2.3) FINALIDADE INFORMATIVA
c) Informativo, pois a materialidade, a autoria, Como consequência das duas primeiras
as circunstâncias e eventuais fontes de prova finalidades, preservadora e acautelatória, surge a
encontradas no inquérito servem não para o clássica função da investigação preliminar de ser
convencimento do magistrado, mas sim para o instrumento informativo da convicção do membro
convencimento do MP, titular da ação penal. do Ministério Público. Ou seja, o inquérito serve para
formar o convencimento do MP para propositura
ou não da ação penal. Daí, dizer-se que o inquérito
2) FINALIDADES DO INQUÉRITO POLICIAL policial é informativo e unidirecional, pois dirige-se
apenas para o MP.
2.1) FINALIDADE PRESERVADORA DE
DIREITOS FUNDAMENTAIS: VEDAÇÃO À 3) NATUREZA JURÍDICA
ACUSAÇÃO INFUNDADA, TEMERÁRIA E Trata-se de um procedimento administrativo
CALUNIOSA em que se aplicam as regras de controle do ato
Para propositura da ação penal, é administrativo com base em seus elementos
indispensável juízo rigoroso e fundamentado da (requisitos): a) Competência, b) Finalidade, c)
existência de justa causa, ou seja, o exercício da Forma, d) Motivo, e) Objetivo.
ação penal passa por um controle de legalidade e Perceba-se que o inquérito, muito embora seja
legitimidade feito tanto pelo membro do MP quanto procedimento administrativo, tem a capacidade
pelo juiz. de relativizar objetivamente direitos e garantias
fundamentais dos cidadãos, mormente a liberdade,
Daí que, para acusar, deve-se ter prova ex.: prisão temporária, preventiva, arresto,
da materialidade do fato criminoso e indícios sequestro
suficientes de autoria, coautoria e participação de bens, etc. Justamente por isso, deve vincular-
delitiva. Num Estado republicano e democrático, se às regras de controle dos atos administrativos.
esses elementos precisam ser obtidos através de

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4) CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO Art. 12.“O inquérito policial acompanhará


POLICIAL a denúncia ou queixa, sempre que servir de base
a uma ou outra”; Art. 27.“Qualquer pessoa do
4.1) ESCRITO (DOCUMENTADO) povo poderá provocar a iniciativa do Ministério
Art. 9º, CPP: “Todas as peças do inquérito Público, nos casos em que caiba a ação pública,
policial serão, num só processado, reduzidas a fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o
escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas fato e a autoria e indicando o tempo, o lugar e os
pela autoridade”. elementos de convicção”; Art. 39, §5º. “O órgão do
Ministério Público dispensará o inquérito, se com a
Trata-se de regra da década de 40, logo representação forem oferecidos elementos que o
deve-se interpretar a palavra escrito como habilitem a promover a ação penal, e, neste caso,
documentado, ou seja, todas as peças devem oferecerá a denúncia no prazo de 15 dias”; Art.
ser documentadas, porém não necessariamente 46, §1º. “Quando o Ministério Público dispensar o
escritas. inquérito policial, o prazo para o oferecimento da
denúncia contar-se-á da data em que tiver recebido
Logo, é possível a documentação de atos as peças de informações ou a representação”.
investigatórios através de mídias audiovisuais
em analogia ao que prevê o art. 405, §1º, CPP: 4.3) SIGILOSO
“Sempre que possível, o registro dos depoimentos Art. 20, CPP: “A autoridade assegurará no
do investigado, indiciado, ofendido e testemunhas inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato
será feito pelos meios ou recursos de gravação ou exigido pelo interesse da sociedade. Parágrafo
magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, único. Nos atestados de antecedentes que lhe
inclusive audiovisual, destinada a obter maior forem solicitados, a autoridade policial não poderá
fidelidade das informações”. mencionar quaisquer anotações referentes a
instauração de inquérito contra os requerentes”.
Como se percebe, o próprio dispositivo
menciona as figuras do investigado e do indiciado, Art. 5º, XXXIII, CF: “Todos têm direito a
ambos termos tecnicamente referentes a receber dos órgãos públicos informações de seu
personagens da fase pré-processual, não havendo interesse particular, ou de interesse coletivo ou
que se falar em irregularidade muito menos em geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob
nulidade quando usados os elementos tecnológicos pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas
das mídias audiovisuais para documentar os cujo sigilo seja imprescindível à segurança da
procedimentos do inquérito. sociedade e do Estado”.

Nesse ponto, ressalte-se que as Como se percebe, o sigilo do inquérito


investigações criminais conduzidas por membros policial foi recepcionado pela Constituição. Na
do Ministério Público já seguem essa linha de classificação de Fauzi Hassan Choukr, o sigilo
documentação audiovisual por determinação da previsto no art. 20, CPP, diz respeito ao sigilo
resolução 183 do Conselho Nacional do Ministério externo, ou seja, um sigilo voltado à coletividade,
Público (CNMP). ao povo em geral e à imprensa. Por sua vez, o
sigilo interno é inadmissível, pois é voltado aos
4.2) DISPENSÁVEL atores jurídicos da persecução penal (juiz, ao
É dispensável já que a justa causa promotor e advogado), tendo esses sujeitos acesso
necessária à propositura da ação penal pode ser aos autos da investigação.
alcançada sem a instauração formal do inquérito,
pois esse procedimento administrativo não é meio Em relação ao acesso dos advogados aos
exclusivo de investigação. autos investigatórios, esses poderão acessá-los,
independente de procuração, no interesse de
A pedra fundamental do processo penal é investigado/indiciado determinado, porém apenas
a ação penal (pública ou privada), que para ser aos elementos já documentados, vedado o acesso
recebida deve ter seus requisitos preenchidos (art. à diligência investigatória em andamento.
41 c/c 395, CPP), não havendo uma ligação direta e
necessária entre inquérito policial e processo penal. Logo, não terão acesso aos autos
Nessa linha, vários são os dispositivos do CPP que investigatórios os advogados sem procuração que
corroboram a característica da dispensabilidade: requeiram acesso em nome de terceiros que não
figuram na investigação. Não poderia ser diferente,

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pois se isso fosse possível estaríamos diante de Por outro lado, se se analisa a própria
procedimento público e não sigiloso, ou seja, o natureza jurídica do inquérito, nota-se que este
acesso aos autos investigatórios somente poderá é procedimento administrativo investigativo e não
se dar se o advogado, mesmo sem procuração, verdadeiramente um processo administrativo.
tiver defendendo interesse próprio de investigado. Logo, não se aplica a regra constitucional da
Ressalte-se ainda que se houver duplo sigilo incidência dos princípios do contraditório e da
(sigilo específico), como nos casos de garantia de ampla defesa.
segurança da sociedade e do Estado ou ainda grave
repercussão para honra da vítima, vg. estupro, Com efeito, no inquérito policial a regra é
violência contra menores de idade, etc., somente da não incidência dos princípios do contraditório
advogados com procuração poderão ter acesso e ampla defesa de forma absoluta e irrestrita.
aos autos da investigação. É o que se depreende Dessa forma, a assistência advocatícia do preso no
do art. Art. 7º, §10, EOAB: “Nos autos sujeitos momento da prisão em flagrante e do investigado/
a sigilo, deve o advogado apresentar procuração indiciado no decorrer do inquérito são restritas e
para o exercício dos direitos de que trata o inciso limitadas.
XIV”.
Sendo assim, a assistência do advogado
Esse sigilo, visto de mirada constitucional, no inquérito não se confunde com a garantia do
não é um óbice à atividade defensiva, pois contraditório e da ampla defesa, pois no inquérito
o advogado tem acesso aos expedientes essa assistência é apenas oportunizada, já no
investigatórios já documentados. Muito ao processo trata-se de uma obrigação, conforme art.
contrário, o sigilo busca efetivar o princípio 5º, LXIII, CF e art. 14, CPP:
da presunção de não culpabilidade (estado de
inocência), que no inquérito incide em seu grau Art. 5º, LXIII, CF: “O preso será informado
máximo, pois ainda não há certeza acerca de sua de seus direitos, entre os quais o de permanecer
culpabilidade. calado, sendo-lhe assegurada a assistência da
família e de advogado”; Art. 14, CPP: “O ofendido,
É justamente por isso que se assegura ou seu representante legal, e o indiciado poderão
o sigilo externo (sigilo ao povo), pois se busca requerer qualquer diligência, que será realizada,
proteger a honra pessoal e familiar do investigado, ou não, a juízo da autoridade”.
e para além disso o direito fundamental à segurança
pública, que envolve o direito fundamental coletivo Perceba-se que a inquisitoriedade do
à investigação criminal eficiente. Assim sendo, inquérito se contrapõe ao caráter acusatório do
o sigilo do procedimento investigativo policial processo penal, que é fundamentado inteiramente
serve para garantir a lisura dos procedimentos no princípio do contraditório e da ampla defesa. No
investigatórios, justamente pela própria natureza processo penal, esses princípios são inalienáveis e
da investigação, que se baseia no elemento inegociáveis.
surpresa.
4.5) DISCRICIONÁRIO
4.4) INQUISITIVO No processo penal existe uma sequência
O inquérito é inquisitivo na medida em preestabelecida de atos a serem realizados pelos
que a atividade investigatória desenvolvida pelo sujeitos processuais com fim de alcançar uma
Estado é feita via de regra ao largo da atividade decisão de mérito. Ou seja, o processo começa
defensiva do investigado, justamente para que com o oferecimento da peça acusatória, seguida da
o dever constitucional da polícia investigativa decisão de recebimento (marco inicial do processo
(art. 144, CF) de apurar as infrações penais seja penal) ou não da denúncia, cabendo recurso em
exercido com eficiência. sentido estrito da decisão de não recebimento.

Segundo doutrina clássica, durante Após isso, há a citação do réu para responder
a investigação criminal o Estado está em por escrito à acusação no prazo de 10 dias, sendo
desvantagem, pois o criminoso não tem o a citação válida o marco de perfectibilização do
dever de colaborar com a atividade da polícia, processo penal. Depois há a decisão de absolvição
sendo necessário que o Delegado conduza as sumária, que sendo rejeitada há a marcação
investigações sem necessidade de aplicação da audiência de instrução e julgamento, que
irrestrita dos princípios da ampla defesa e do tem todos os seus atos previstos no art. 400,
contraditório. CPP, (declarações do ofendido, inquirição das

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testemunhas, esclarecimentos dos peritos, arquivar os autos investigatórios após iniciar a


acareações, reconhecimento de pessoas e coisas, investigação, seja através de portaria ou auto de
interrogatório do acusado). prisão em flagrante. Quem faz esse arquivamento é
o MP com homologação do juiz, pelo procedimento
No inquérito policial, porém, não há essa do antigo art. 28, CPP.
sistemática procedimental rígida, seguindo o
Delegado os atos e procedimentos que melhor Com a nova redação dada pelo Pacote
se enquadram às exigências do fato investigado Anticrime, o art. 28 não prevê a interferência do
em si. Ou seja, o CPP prevê, nos art. 6º e 7º um Poder Judiciária no procedimento de arquivamento
caminho ideal a ser seguido pelo Delegado, um do inquérito, logo, pela nova sistemática do
mínimo contingencial, que, contudo, não precisa arquivamento, que está com eficácia suspensa
ser seguido à risca. Assim, a autoridade policial por decisão liminar do Min. Luiz Fux – diga-se de
poderá não seguir o rito expresso no CPP sem que passagem, o judiciário não precisa homologar o
haja irregularidade ou mesmo nulidade. aqrquivamento.

Do mesmo modo, vê-se essa 4.7) TEMPORÁRIO


discricionariedade quando é analisado o art. 14, A CF erigiu ao status de princípio
CPP: “O ofendido, ou seu representante legal, e constitucional a duração razoável do processo,
o indiciado poderão requerer qualquer diligência, previsto no art. 5º, LXXVIII: “A todos, no âmbito
que será realizada, ou não, a juízo da autoridade”. judicial e administrativo, são assegurados a
Note-se, todavia, que da decisão de indeferimento razoável duração do processo e os meios que
da diligência pelo Delegado caberá por parte do garantam a celeridade de sua tramitação”.
requerente a propositura de Habeas Corpus num
claro exercício da ampla defesa exógena (STJ. Sendo assim, em âmbito administrativo
HC 69.405/SP, 6ª T., Rel. Min. Nilson Naves, J. também vigora a duração razoável do processo,
23/10/07). sobretudo quando o procedimento está voltado
a investigação criminal desenvolvida pelo Estado
Ressalte-se, porém, que discricionariedade em face do cidadão. Aqui, o Estado conduz uma
não se confunde com arbitrariedade. O intervenção na liberdade e na vida privada do
Delegado deverá sempre fundamentar as opções investigado, logo deve cumprir prazos estritamente
investigatórias que adota durante as investigações. fixados em Lei (CPP e Leis especiais).
Isso porque o inquérito policial é procedimento
investigatório criminal a cargo do Estado, de O STJ já decidiu que o princípio da duração
caráter escrito (documentado), sendo submetido razoável do processo aplica-se à sistemática do
às regras dos atos administrativos e aos ditames inquérito policial (procedimento administrativo),
limitativos do arbítrio estatal. admitindo a possibilidade de trancamento do
IP pelo excesso de prazo: “não se pode admitir
Não poderia ser diferente, pois a própria que alguém seja objeto de investigação eterna,
atividade investigatória do Estado já ocasiona porque essa situação, por si só, enseja evidente
em si mesma um desconforto no cidadão, já constrangimento, abalo moral e, muitas vezes,
que através das investigações é possível haver econômico e financeiro, principalmente quando se
restrições reais aos direitos fundamentais, visto trata de grandes empresas e empresários e os fatos
que o inquérito tem uma finalidade acautelatória já foram objeto de Inquérito Policial arquivado a
(prisão temporária, prisão preventiva, busca e pedido do Parquet Federal (STJ. HC 96.666/MA, 5ª
apreensão, etc.). T., Rel. Min. Napoleão Nunes, J. 04/09/08).

4.6) INDISPONÍVEL Fora do texto constitucional, tem-se o


Art. 17, CPP: “A autoridade policial não art. 10, CPP, que prescreve: “O inquérito deverá
poderá mandar arquivar autos de inquérito”. terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado
Quando se instaura um inquérito policial o objetivo tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso
é a obtenção de justa causa para a ação penal preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese,
(indícios de autoria + prova da materialidade) a partir do dia em que se executar a ordem de
e apenas o Ministério Público, nas ações penais prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver
públicas, poderá promover o arquivamento do solto, mediante fiança ou sem ela”.
inquérito.
Como se vê, o Delegado não poderá Prevalece na doutrina majoritária que o

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prazo de 10 dias para encerramento da investigação seja, investigações sem indícios mínimos de
de competência estadual de investigado preso é materialidade delitiva e autoria. Como se sabe, o
improrrogável, já o prazo para investigação de inquérito não pode ser usado como instrumento de
investigado solto é prorrogável mediante decisão controle da vida privada dos cidadãos.
fundamentada do juiz.
Nesse particular, ressalte-se a jurisprudência
4.8) INFORMATIVO (UNIDERICIONALIDADE sólida do Supremo Tribunal Federal (STF) no sentido
DO INQUÉRITO) de que a mera denúncia anônima não é apta a
Segundo doutrina majoritária, o inquérito é fundamentar a instauração de inquérito policial,
procedimento inteiramente destinado ao MP, que é ações de devassa domiciliar (busca e apreensão),
o dominus litis, sendo os elementos de informação prisão em flagrante e até busca pessoal.
colhidos durante a investigação apenas destinados
à formação da convicção do membro do MP sobre Para que essas ações de última ratio,
materialidade e autoria delitiva (opinio delicti). naturalmente invasivas aos direitos fundamentais,
se tornem legítimas, é necessário que a
Segundo essa caracterização, o inquérito autoridade policial proceda à verificação da
policial não serve à defesa do investigado, pois procedência das informações (VPI), ou seja, adote
somente se volta a colheita de elementos de procedimentos de checagem da denúncia anônima
informação capazes de convencer o membro do no sentido de verificar se existe real procedência
Ministério Público. (verossimilhança) das informações.

Doutrina mais moderna pugna por


uma nova caracterização do inquérito policial
considerando-o não mais como meramente
informativo (unidirecional), mas sim como
apuratório na medida em que os elementos de
informação colhidos sirvam às partes, pois a
investigação criminal conduzida por Delegado de
Polícia visa alcançar a verdade dos fatos. Vídeo 02

4.9) OFICIOSO PROCESSO PENAL


Nos crimes de ação penal pública FORMA DE INSTAURAÇÃO,
incondicionada, o Delegado pode instaurar o NOTICIAS CRIMINAIS, PRAZOS,
inquérito policial ex officio, não dependendo de
requerimento da parte ou requisição do MP ou do INDICIAMENTO E RELATÓRIO
Juiz. Do mesmo modo, deve o próprio Delegado
dar andamento (impulso oficial) às investigações
visando concluí-las dentro do prazo fixado em Lei
(regra geral: 10 dias para investigado preso/30 5) FORMAS DE INSTAURAÇÃO DO
dias para investigado solto). INQUÉRITO POLICIAL

4.10) OFICIAL 5.1) MEDIANTE LAVRATURA DO APFD


Trata-se de procedimento presidido por Nos casos de ação penal pública
autoridade constitucional e legalmente constituída incondicionada, o Delegado de Polícia ao lavrar
para representar o Estado na função de apurar a o auto de prisão em flagrante com a oitiva do
materialidade e autoria de infrações penais. Do condutor, do ofendido, das testemunhas e do
mesmo modo, trata-se de procedimento oficial de próprio conduzido, já dá início as investigações.
Estado, na medida em que representa a prestação Ao lavrar o auto, o Delegado já promove o
de uma parte do serviço público de segurança indiciamento do conduzido.
pública concretizada na investigação criminal.
Relembrando que nos crimes de ação
4.11) RETROSPECTIVO penal pública condicionada ou ação penal privada,
O inquérito é instaurado para apurar mesmo nos casos de flagrante, o Delegado somente
fatos passados e não futuros. Assim, não se poderá lavrá-lo quando a vítima representar ou
admitem investigações por prospecção, ou requerer.

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5.2) MEDIANTE PORTARIA LAVRADA PELA o inquérito policial será iniciado: §3º.Qualquer
AUTORIDADE POLICIAL pessoa do povo que tiver conhecimento da
existência de infração penal em que caiba ação
A) DE OFÍCIO (ART. 5º, I, CPP) pública poderá, verbalmente ou por escrito,
O Delegado de Polícia somente poderá comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada
instaurar ex officio portaria para início das a procedência das informações, mandará instaurar
investigações nos casos de crimes processados inquérito”.
por meio de ação penal pública incondicionada.
Trata-se de comunicação de um fato
No demais casos, é imprescindível, ou seja, criminoso à autoridade policial por qualquer pessoa
indispensável, o preenchimento da condição de do povo e não pela vítima ou seu representante
persequibilidade, qual seja, a representação da legal. Como se sabe é direito de qualquer cidadão
vítima ou de seu representante legal na ação penal contribuir para a efetiva persecução penal dos
pública condicionada e da prestação da notitia criminosos, viés concreto do direito fundamental à
criminis (notícia do crime) ou de requerimento da segurança pública.
vítima na ação penal privada.
5.3) REQUISIÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO,
B) MEDIANTE REQUERIMENTO DO DO JUIZ OU DO MINISTRO DA JUSTIÇA
OFENDIDO (ART. 5º, II – SEGUNDA PARTE, (ART. 5º, II – PRIMEIRA PARTE, CPP e 145,
§1º e 2º, CPP) PARÁGRAFO ÚNICO, CP)
Nos casos de ação penal pública Nesses casos, a própria requisição do Juiz,
condicionada e ação penal privada, a persecução Ministério Público ou Ministro da Justiça será a
penal somente poderá iniciar-se com a peça inaugural do inquérito policial. Sabe-se que
representação ou requerimento do ofendido, dando nesses casos o Delegado não está submetido às
assim legitimidade e legalidade a instauração do demais autoridades da persecução penal (juiz ou
inquérito. Ministério Público), mas sim está submetido à lei,
que determina a possibilidade de requisição de
Nesses casos, como a própria ação penal ou instauração do Inquérito Policial.
é condicionada a sua vontade ou pertence somente
a ela, tem-se como princípio a preservação de Assim, uma vez sendo requisitada a
sua intimidade (strepitus judicii), não podendo abertura de Inquérito Policial pelas autoridades
o Delegado iniciar as investigações sem seu legais citadas, o Delegado deverá instaurá-lo, salvo
consentimento. se for caso de ordem manifestamente ilegal, caso
em que autoridade policial fará um juízo estrito de
O requerimento deve seguir os parâmetros legalidade.
do art. 5º, §1º, CPP: a) a narração do fato, com
todas as circunstâncias; b) a individualização do 6) FORMAS DE COMUNICAÇĀO DO CRIME
indiciado ou seus sinais característicos e as razões (NOTITIA CRIMINIS)
de convicção ou de presunção de ser ele o autor Trata-se da forma como Delegado de Polícia
da infração, ou os motivos de impossibilidade de toma conhecimento acerca do fato criminoso em si
o fazer; c) a nomeação das testemunhas, com (materialidade) bem como dos respectivos indícios
indicação de sua profissão e residência. mínimos de autoria delitiva aptos a fazerem iniciar
a investigação criminal.
Nesses casos, o Delegado não está obrigado
a lavrar portaria para início das investigações, 6.1) NOTITIA CRIMINIS DE COGNIÇÃO
porém do indeferimento do requerimento do IMEDIATA, ESPONTÂNEA OU DIRETA
ofendido pelo Delegado, cabe recurso inominado Trata-se de conhecimento do fato
para o Chefe de Polícia. No caso da Polícia Federal, criminoso diretamente pelo Delegado através de
o recurso inominado é dirigido ao Superintendente sua atividade policial rotineira, ex.: Investigações
da PF na localidade (§2º). preliminares, conversas com terceiros, notícias de
jornais, internet, etc.
C) MEDIANTE NOTÍCIA OFERECIDA POR
QUALQUER DO POVO (ART. 5º, §3º, CPP) 6.2) NOTITIA CRIMINIS DE COGNIÇÃO
É a chamada delatio criminis prevista no MEDIATA, PROVOCADA OU INDIRETA
art. 5º, §3º, CPP: “Nos crimes de ação pública Trata-se de conhecimento do fato criminoso

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indiretamente pelo Delegado, ou seja, quando ele O STF já afirmou: “Nada impede a
é informado do crime e de sua possível autoria. deflagração da persecução penal pela chamada
denúncia anônima, desde que esta seja seguida
Assim, em regra, é feita de forma escrita de diligências realizadas para averiguar os fatos
nos casos de requerimento do ofendido, requisição nela noticiados” (STF. HC 105484, 2ª T., Rel. Min.
do juiz, MP ou Ministro da Justiça e até mesmo Cármen Lúcia, J. 12/03/13).
pela notícia dada por qualquer um do povo (delatio
criminis) – nesse caso, a notitia poderá ser feita O STJ, no mesmo sentido, já decidiu: “É
de forma anônima (delatio criminis anônima), possível o desencadeamento da persecução penal
sem que possa, porém, dar início por si só à a partir de denúncia anônima, desde que sejam
investigação, salvo em casos que se constitua o realizadas antes da instauração de inquérito
próprio corpo de delito. policial ou procedimento investigativo equivalente
diligências ou averiguações preliminares que
Nos casos de requisição do MP ou do Juiz, atestem, por meio de elementos indiciários, a
a instauração do inquérito terá natureza de ato verossimilhança da notícia crime apócrifa” (STJ.
administrativo complexo, pois 2 agentes de esferas HC 237164/RS, 6ª T., Rel. Min. Og Fernandes, J.
administrativas diversas, o Juiz ou MP + Delegado 20/11/12).
concorrem para o ato.
Não é permitida, portanto, abertura de
6.3) NOTITIA CRIMINIS DE COGNIÇÃO inquérito policial com base exclusiva em denúncia
COERCITIVA (APFD) anônima (notitia criminis inqualificada) nem
Trata-se de conhecimento do fato criminoso entrada em domicílio, pois estar-se-ia relativizando
pelo Delegado através da apresentação do cidadão ao extremo a regra da vedação ao anonimato.
capturado em flagrante delito na Delegacia de
Polícia. Desse modo, o Delegado levantará os A ressalva fica para os casos em que,
indícios de autoria, a prova da materialidade e segundo a própria jurisprudência do STF, a
as principais circunstâncias do caso, através do delação apócrifa (notitia criminis inqualificada)
interrogatório do conduzido, das declarações da for produzida pelo próprio acusado ou quando
vítima, se for possível, das declarações do condutor constituir-se em si mesma o corpo de delito do
e das testemunhas. crime, ex.: bilhetes de resgate no crime de extorsão
mediante sequestro, cartas que evidenciam crime
Após todo o procedimento, só então contra a honra ou crime de ameaça ou escritos que
decidirá pela lavratura ou não do auto de prisão em materializem o crimen falsi – crimes de falsidade
flagrante, comunicando imediatamente da prisão ou fraude/engano) (STF. HC 100042 MC/RO, Rel.
ao juiz, MP e família e enviando ao juiz em até 24 Min. Celso de Melo, J. 02/10/09).
horas o APFD, além de entregar ao flagranteado a Nesse sentido, a vedação constitucional
nota de culpa também em 24 horas. ao anonimato não pode servir justamente para
que o inquérito policial sirva à vingança privada
6.4) NOTITIA CRIMINIS INQUALIFICADA ou mesmo à guerra de narrativas construída para
Trata-se de conhecimento do fato criminoso prejudicar quem quer que seja.
pelo Delegado através de delação apócrifa
(delatio criminis anônima), mais concretamente
instrumentalizada pelo serviço telefônico do
disque-denúncia, disponibilizado pelos órgãos de
segurança para receber informações sobre pessoas
investigadas ou foragidas da justiça.

É admitida pelo STF como fonte de


instauração do inquérito, bem como fonte para
realização da prisão em flagrante delito mediante
violação domiciliar nos crimes permanentes, desde
que seja precedida do procedimento de verificação
da procedência das informações (VPI), que dá
maior segurança e legitimidade a lisura à atuação
policial.

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7) PRAZOS PARA FINALIZAÇÃO DO INQUÉRITO

Tabela de Prazos para finalização do inquérito


8) INDICIAMENTO policial, sob pena de constrangimento ilegal
atacável por habeas corpus. Registre-se como
8.1) CONCEITO lembrança que o ato administrativo praticado
É ato privativo do Delegado de Polícia que, pelo Delegado de Polícia no bojo do procedimento
na escala evolutiva da investigação, aponta um do inquérito deve respeitar os requisitos do ato
ou mais investigados como prováveis autores do administrativo (competência, finalidade, forma,
crime que esta sendo alvo da persecução penal, motivo e objeto).
indicando a materialidade delitiva, os indícios
mínimos de autoria e as demais circunstâncias do Nesse sentido, o ato de indiciamento,
crime, conforme o art. 2º, §6º, da Lei 12.830/13, sendo necessária a sua fundamentação, tem a
assim conhecida como estatuto do Delegado de importante função de proporcionar o início da
Polícia. concretização do princípio constitucional da ampla
defesa, pois a partir dele o indiciado sabe quais as
8.2) NATUREZA JURÍDICA condutas delitivas e crimes a ele imputados.
O indiciamento é ato administrativo
incidental ao procedimento de inquérito policial. 8.3) ATRIBUIÇÃO PARA O INDICIAMENTO
Tem como requisitos: a) de um lado a prova da Trata-se de atribuição exclusiva do
materialidade delitiva (existência do crime) e de Delegado de Polícia, não podendo haver requisição
outro lado a b) indicação dos indícios de autoria de indiciamento por Juiz (violação ao sistema
delitiva que apontam para o investigado. acusatório) ou Ministério Público, tampouco poderá
haver indiciamento procedido por Juiz ou MP (STF.
Isso significa dizer que não poderá haver HC 115015/SP, 2ª T., Rel. Min. Teori Zavascki, J.
indiciamento sem fundamentação da autoridade 27⁄08⁄13).

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8.4) MOMENTO DO INDICIAMENTO ulteriores diligências, que serão realizadas no


O momento mais oportuno para realização prazo marcado pelo juiz”.
do indiciamento é no relatório, peça procedimental
que fecha as investigações policiais (art. 10, §1º, É o ato incidental ao procedimento de
CPP), pois é nesse momento que o Delegado tem inquérito consistente no relato de todo o caminho
uma visão ampla da investigação e pode ou não trilhado pela investigação sob a presidência do
apontar para alguém como provável autor do fato Delegado de Polícia, considerado como autoridade
criminoso. policial.

A despeito disso, o ato de indiciamento Em outras palavras, trata-se da peça


pode ocorrer em qualquer fase do inquérito procedimental do inquérito policial, exclusiva do
policial, desde que cumpridos os requisitos Delegado de Polícia, em que se descreve todas
mínimos da prova da materialidade criminosa e as diligências adotadas durante a investigação,
dos indícios de autoria (justa causa) devidamente demonstrando as razões que motivaram a dispensa
fundamentados. de determinadas diligências, bem como as razões
que impediram a autoridade policial de proceder a
Nesse sentido, o indiciamento pode se determinadas diligências, etc.
dar antes do relatório, tanto na lavratura do auto
de prisão em flagrante, oportunidade em que o 9.1) NATUREZA JURÍDICA: PEÇA
conduzido já sai como indiciado, quanto durante DESCRITIVA
o curso do inquérito quando o Delegado obtém Segundo doutrina majoritária, tem natureza
elementos informativos consistentes sobre a jurídica de peça procedimental meramente
autoria e materialidade, não havendo que se falar descritiva e não opinativa, pois a autoridade
em irregularidade ou nulidade se o indiciamento policial não deve deixar transparecer suas visões
se dá antes do relatório. pessoais sobre o caso bem como não deve valorar
circunstâncias jurídicas voltadas a teoria geral do
Por outro lado, após oferecimento da ação crime (fato típico, ilícito e culpável).
penal, o indiciamento não mais é possível, pois se
trata de ato exclusivo de Delegado de Polícia tomado 9.4) RELATÓRIO É PEÇA OBRIGATÓRIA DO
no bojo do inquérito policial. O STF já decidiu que INQUÉRITO, MAS DISPENSÁVEL PARA A
o indiciamento realizado após a propositura da PERSECUÇÃO PENAL
denúncia caracteriza constrangimento ilegal apto Padece de irregularidade o inquérito que
a ser combatido por meio de HC. não conta com o relatório. A despeito disso,
o inquérito em si é dispensável à ação penal,
9) RELATÓRIO DO INQUÉRITO POLICIAL portanto, o relatório como peça integrante do
Art. 10, CPP. “O inquérito deverá terminar procedimento geral do inquérito não é obrigatório
no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido preso para propositura da ação penal.
em flagrante, ou estiver preso preventivamente,
contado o prazo, nesta hipótese, a partir do dia em
que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de
30 dias, quando estiver solto, mediante fiança ou
sem ela.

§1º. A autoridade fará minucioso relatório


do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz
competente.

§2º. No relatório poderá a autoridade


indicar testemunhas que não tiverem sido
inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser
encontradas.

§3º. Quando o fato for de difícil elucidação,


e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá
requerer ao juiz a devolução dos autos, para

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Vídeo 03

AÇÃO PENAL PÚBLICA - Estado e não o direito de ação, que preexiste à


CONCEITO, OBRIGATORIEDADE, prática da infração penal. Como se percebe, na
órbita penal não há possibilidade de punição sem a
CONDIÇÕES DA AÇÃO E AÇÃO observância plena do devido processo legal penal,
PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA sendo esta condição de possibilidade da punição.

2) INSTRUMENTALIDADE (NECESSIDADE OU
OBRIGATORIEDADE)
1) CONCEITO Aury Lopes Jr. e Eugênio Pacelli trabalham o
Majoritariamente (Ada Pellegrini Grinover), princípio da necessidade do processo penal para a
ação penal é o direito público, subjetivo e abstrato, efetiva e justa prestação da jurisdição penal. Trata-
que a parte tem de provocar o Estado-juiz para se da única via capaz de legitimar a pretensão
que este exerça a jurisdição penal concretizada punitiva do Estado-juiz ao ser provocado através
na aplicação das normas de direito penal ao caso da ação penal.
concreto, visando, pois, solucionar o caso penal
(mérito penal). Logo, é obrigatoriamente por meio da ação
penal que o Estado verifica, mediante a oxigenação
Trata-se, portanto, de direito de cariz dos princípios do contraditório e da ampla defesa,
constitucional, previsto no art. 5º, XXXV, CF: “a a concretude do fato típico, seu caráter ilícito, e a
lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário culpabilidade do réu.
lesão ou ameaça a direito”. Note-se que com a
realização do crime nasce a pretensão punitiva do 3) CONDIÇÕES GERAIS DA AÇÃO PENAL

Tabela de Condições gerais


da ação penal.

3.1) POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO 3.2) LEGITIMIDADE AD CAUSAM


OU PRÁTICA DE FATO TÍPICO CRIMINOSO Segundo Alfredo Buzaid, é a pertinência
Doutrina processual penal clássica mantém subjetiva do direito de ação, pois se trata de analisar
o entendimento anterior ao novo Código de se aquele que propõe a ação tem legitimidade
Processo Civil de que a possibilidade jurídica do para tanto e se o réu é efetivamente aquele que o
pedido se volta à verificação da previsão legal da Estado-acusação quer ver condenado.
conduta apontada na denúncia como sendo fato
criminoso elencado na Lei penal. Assim sendo, no polo ativo serão analisadas
as condições de procedibilidade legalmente
Ou seja, estaria essa condição da ação previstas relativas à atuação do MP (ação penal
relacionada à análise da tipicidade do fato. Assim, pública incondicionada ou condicionada) ou à
pedido processualmente possível no âmbito atuação do particular (ação penal privada exclusiva,
criminal é aquele que pleiteia a punição de alguém personalíssima e subsidiária da pública).
pela prática de conduta prevista em norma penal
incriminadora (tipicidade formal do fato). Em caso de menor de idade no polo ativo
de ação penal privada, ele tem legitimidade ad
causam, mas não tem legitimidade ad processum
(capacidade processual), sendo necessário que o

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representante legal exerça por ele a legitimidade obrigatoriamente a prova da materialidade do


ad processum. crime e indícios suficientes de autoria (art. 395, II
e III, CPP).
Já no polo passivo da ação penal tem-se
o réu, que deve ser aquela mesma pessoa sobre O processo penal, antes de qualquer outra
quem recaem os indícios de autoria da infração função, deve ter vocação de proteger o status
penal. Em caso de menor de idade no polo passivo dignitatis do acusado, evitando ações penais
estará caracterizada a inimputabilidade (art. 228, temerárias. G. Badaró entende que a denúncia
Constituição Federal, c/c art. 27, Código Penal) não pode se fiar na fé ou na mera esperança do
não havendo que se falar em crime, mas sim ato acusador, não pode ser uma aventura irresponsável,
infracional tutelado pelo Estatuto da Criança e do devendo se basear na estrita legalidade.
Adolescente, gerando ilegitimidade ad causam
passiva. Note-se que não é necessária a certeza
da autoria por parte do acusador no momento
Obs1: Pessoa Jurídica pode compor tanto o do oferecimento da denúncia, mas é necessário o
polo ativo quanto passivo da ação penal! cumprimento da legalidade relativa à demonstração
Nos crimes de calúnia e difamação, a pessoa dos indícios suficientes de autoria.
jurídica pode, sim, compor o polo ativo da ação.
No caso do polo passivo, a pessoa jurídica também Assim, com a maturidade do caminhar
pode ser ré, desde que o crime seja ambiental do processo, espera-se que as possíveis dúvidas
(art. 225, CF). razoáveis quanto à autoria delitiva sejam dirimidas,
ou seja, espera-se que com a colheita e a valoração
Ressalte-se inclusive que tanto STF quando das provas tenha-se a certeza processual de ser o
STJ não mais admitem a teoria da dupla imputação, denunciado o autor do crime.
ou seja, a condicionante de que para processar
criminalmente a pessoa jurídica era necessário Durante muito tempo a justa causa foi
a denúncia da pessoa física no mesmo processo confundida com o interesse de agir, pois se entendia
(STF. RE 548181, 1ª T., Rel. Min. Rosa Weber, J. que o interesse de agir continha a justa causa,
06/08/13; STJ. RMS 39.173/BA, 5ª T., Rel. Min. de modo que não havendo justa causa estaria
Reynaldo Soares da Fonseca, J. 06/08/15; STJ. ausente o interesse de agir da parte autora.
RHC 53.208/SP, 6ª T., Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, J. 21/05/15). Atualmente, vê-se que essas condições
da ação penal são independentes, cada uma
3.3) INTERESSE DE AGIR OU PUNIBILIDADE representando uma limitação própria ao exercício
CONCRETA (ART. 395, II, CPP) do direito de punir do Estado. Tanto é assim que
A escola clássica de processo conceitua o CPP as elencou em incisos diversos quando
o interesse de agir como a verificação no caso da regulamentação das causas de rejeição da
concreto da efetiva necessidade de se provocar o denúncia ou queixa-crime.
Poder Judiciário (interesse-necessidade), pedindo
um provimento útil a parte (interesse-utilidade) Exemplo disso se traduz no caso em que
através do meio processual adequado (interesse- um promotor tem acesso à prova cabal da autoria
adequação). de um cidadão que é comandante do tráfico de
drogas de uma cidade. Porém, a prova foi obtida
Pela doutrina moderna, o interesse de agir por interceptação telefônica sem autorização
reveste-se da análise da punibilidade concreta judicial, tratando-se de prova ilícita.
do réu, ou seja, para que haja proposição da
ação penal a punibilidade do agente de nenhum Neste caso, o promotor tem inegavelmente
modo pode estar extinta (art. 107, CP – morte, interesse de agir, mas não tem em suas mãos
prescrição, anistia, indulto, etc.), pois se estiver o justa causa para o exercício da ação penal, já que
MP perde o interesse de agir. não dispõe de prova lícita capaz de comprovar a
participação do autor no tráfico de drogas.
3.4) JUSTA CAUSA (ART. 395, III, CPP)
A justa causa é o lastro probatório
mínimo necessário ao regular exercício da
persecução criminal. Toda denúncia deve conter

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A) JUSTA CAUSA DUPLICADA: LEI 9.613/98 procedibilidade da ação penal à requisição do


(LAVAGEM DE CAPITAIS) Ministro da Justiça nos casos em que o interesse
Art. 2º, §1º, Lei 9.613/98. “A denúncia será nacional se sobrepõe ao interesse individual da
instruída com indícios suficientes da existência da vítima, como é o caso do crime contra a honra do
infração penal antecedente, sendo puníveis os Presidente da República.
fatos previstos nesta Lei, ainda que desconhecido Fora a representação da vítima e a requisição
ou isento de pena o autor, ou extinta a punibilidade do Ministro da Justiça, existem outros exemplos
da infração penal antecedente”. que caracterizam condições de procedibilidade da
ação penal:
A justa causa duplicada pressupõe
lastro probatório mínimo voltado à prova da a) Laudo de constatação preliminar para
materialidade do crime de lavagem e também do início da ação penal nos crimes da Lei de drogas;
crime antecedente, tráfico de drogas, peculato,
corrupção passiva, etc. b) Após arquivado inquérito policial sem
concretização da coisa julgada material, só é
Em relação aos indícios de autoria, basta possível nova denúncia com surgimento de provas
indicá-los em referência ao próprio crime de substancialmente novas (súmula 524, STF);
lavagem, sendo dispensável apontar os indícios de
autora do crime antecedente. Tanto é assim que c) Para iniciar-se a ação penal contra
mesmo o crime antecedente prescrito é possível Presidente da República em razão de crime comum
processar e julgar o crime de lavagem. praticado em conexão com o exercício da função
presidencial, exige-se a autorização de 2/3 da
B) JUSTA CAUSA TRIPLICADA Câmara das Deputados;
Como se sabe, a infração antecedente
no crime de lavagem pode ser, inclusive, outra d) Para início da ação penal por crime
lavagem, daí porque se diz que o Brasil admite a contra propriedade imaterial, violação de direito
“lavagem da lavagem” ou a “lavagem em cadeia” autoral, é necessário o exame pericial no material
e também um crime que em si pressuponha um apreendido.
crime antecedente.
Acerca dos crimes contra a propriedade
Ex.: receptação (art. 180, CP). Sendo imaterial, cite-se a súmula 574, STJ, que prescreve:
assim, é possível lavar proveitos obtidos através “para a configuração do delito de violação de direito
da receptação de bens roubados! Nesse caso, a autoral e a comprovação de sua materialidade, é
denúncia deverá trazer justa causa em relação a) suficiente a perícia realizada por amostragem do
ao roubo, b) à receptação e, claro, c) à lavagem de produto apreendido, nos aspectos externos do
capitais. É a esse fenômeno que se dá o nome de material, e é desnecessária a identificação dos
justa causa triplicada! titulares dos direitos autorais violados ou daqueles
que os representem”.
4) CONDIÇÕES ESPCÍFICAS, ESPECIAIS
OU DE PROCEDIBILIDADE DA AÇÃO PENAL 5) DA AÇÃO PENAL PÚBLICA
PÚBLICA CONDICIONADA INCONDICIONADA
As ações penais públicas condicionadas
à representação e à requisição do Ministro da 5.1) TITULARIDADE
Justiça são as que possuem o status de proteção à É aquela titularizada pelo Ministério Público
dignidade e ao decoro da vida privada da vítima. por expressa previsão constitucional (art. 129, I,
da Constituição Federal). Trata-se da regra geral
Assim, condiciona-se a procedibilidade da no Código de Processo Penal brasileiro, abarcando
ação penal à representação da vítima nos casos com certeza mais do que 95% dos crimes previstos
em que ela deve autorizar o Estado a iniciar a na legislação penal material, tanto no Código Penal
persecução penal no intuito de ser resguardado quanto na legislação penal extravagante.
o seu direito à privacidade e dignidade (strepitus
judicii - escândalo do processo). O membro do Ministério Público concretiza
esse poder-dever de promover a ação penal
Do mesmo modo, condiciona-se a contra o investigado através do oferecimento da

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denúncia, submetido, por óbvio, aos requisitos de O STJ entende que “o princípio da
legalidade do art. 41 e 395, do Código de Processo indivisibilidade não se aplica à ação penal pública,
Penal. podendo o Ministério Público, como ‘dominus
litis’, aditar a denúncia, até a sentença final, para
5.2) PRINCÍPIOS DA OBRIGATORIEDADE, inclusão de novos réus, ou ainda oferecer nova
COMPULSORIEDADE OU LEGALIDADE denúncia, a qualquer tempo” (STJ. APn 300/ES,
PROCESSUAL (ART. 24, CPP) Corte Especial, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,
J. 21/09/16).
Art. 24, CPP: “Nos crimes de ação
pública, esta será promovida por Guilherme Madeira Dezem entende que
denúncia do Ministério Público, mas não se aplica à ação penal pública o princípio da
dependerá, quando a lei o exigir, de indivisibilidade porque o CPP não prevê nenhuma
requisição do Ministro da Justiça, ou de sanção processual ao MP em razão do não
representação do ofendido ou de quem oferecimento da denúncia em face de outros réus.
tiver qualidade para representá-lo”.
Isso quer dizer que não se admite o
Independentemente da pessoa do arquivamento implícito como sanção ao MP, pois
denunciado, sempre que presentes as condições é possível aditamento da denúncia ou mesmo
para o regular exercício do direito de ação penal e oferecimento de nova peça acusatória contra
a justa causa, o MP será obrigado, em razão de um aqueles sob os quais não pairavam indícios
dever funcional de status constitucional (art. 129, suficientes de autoria no momento inicial da
I, CF), a apresentar a denúncia. acusatória.

Trata-se de uma consequência lógica do


princípio da isonomia (todos são iguais perante
a Lei) e do princípio republicano, que norteia a
atuação do Estado não para atender a interesses
pessoais, mas sim sociais e comunitários.

A) PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE OU
INDESISTIBILIDADE (ART. 42 E 576, CPP) Vídeo 04
Art. 42, Código de Processo Penal: “O AÇÃO PENAL PÚBLICA -
Ministério Público não poderá desistir da ação CONDICIONADA A
penal”; Art. 576, Código de Processo Penal: “O
Ministério Público não poderá desistir de recurso REPRESENTAÇÃO
que haja interposto”.

Trata-se de uma decorrência lógica do 6) DA AÇÃO PENAL PÚBLICA


princípio da obrigatoriedade, pois uma vez CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO DO
intentada a ação penal ou o recurso, que é OFENDIDO (VÍTIMA)
desdobramento natural do direito de ação penal,
o Ministério Público deverá prosseguir até decisão 6.1) CONCEITO
de mérito. É aquela também titularizada pelo Ministério
Público, porém condicionada ao preenchimento de
B) PRINCÍPIO DA DIVISIBILIDADE DA AÇÃO uma condição de procedibilidade, qual seja: a)
PENAL PÚBLICA manifestação de vontade do ofendido através de
Os tribunais superiores falam em representação.
divisibilidade da ação penal pública quando
existem vários indiciados e apenas contra alguns A ação penal pública condicionada
se tem justa causa. Nesse caso, contra estes o visa proteger bens jurídicos considerados tão
MP deverá propor ação penal de forma indivisível, importantes para o Estado quanto para a vítima,
mas, contra os outros, aos quais ainda não há sendo exemplos a intimidade e integridade moral
justa causa, o MP poderá aguardar novas provas, da pessoa humana.
sem significar arquivamento a seu favor. Assim, nos crimes contra a honra e no crime

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de ameaça, por exemplo, o condicionamento da 6.1.2) CONCEITO DE REPRESENTAÇÃO DO


ação penal à representação da vítima visa evitar o OFENDIDO
strepitus judici (escândalo do processo), tendo em A representação pode ser vista por dois
vista a possibilidade de a persecução penal trazer ângulos: primeiramente como um pedido da
ainda mais danos ao ofendido. vítima para que o Estado processe o criminoso;
em segundo lugar, como uma autorização para que
6.1.1) REGRAMENTO PROCESSUAL PENAL o Estado inicie a persecução penal administrativa
(investigação policial).
Art. 38, CPP. Salvo disposição
em contrário, o ofendido, ou seu 6.1.3) LEGITIMIDADE PARA OFERECER
representante legal, decairá no direito REPRESENTAÇÃO
de queixa ou de representação, se não A legitimidade para representar é da vítima
o exercer dentro do prazo de 6 meses, ou do representante legal, se a vítima for menor
contado do dia em que vier a saber de idade. A partir de 2012 (Lei Joana Maranhão),
quem é o autor do crime, ou, no caso nos casos em que a vítima é menor de idade, o
do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo decadencial apenas começa a correr a partir
prazo para o oferecimento da denúncia. do termo da maioridade.
Parágrafo único. Verificar-se-á a
decadência do direito de queixa ou Ressalte-se que não interessa para fins da
representação, dentro do mesmo prazo, legitimação da representação a emancipação civil
nos casos dos arts. 24, parágrafo único, da vítima. Ou seja, a vítima mesmo emancipada
e 31. civilmente não pode oferecer representação e
precisa do representante legal.
Art. 39. O direito de representação
poderá ser exercido, pessoalmente ou 6.1.4) CARCATERÍSTICAS DA
por procurador com poderes especiais, REPRESENTAÇÃO
mediante declaração, escrita ou oral, Sendo assim, a representação é o ato livre
feita ao juiz, ao órgão do Ministério e informal que dá, por parte do ofendido ou de
Público, ou à autoridade policial. seu representante legal, condições objetivas de
§1º. A representação feita oralmente procedibilidade à ação penal e de persequibilidade
ou por escrito, sem assinatura à investigação criminal.
devidamente autenticada do ofendido,
de seu representante legal ou É ato livre e informal porque não se exige
procurador, será reduzida a termo, ato procedimental ou processual determinado,
perante o juiz ou autoridade policial, sendo aceitável o mero comparecimento do
presente o órgão do Ministério Público, ofendido, com ou sem representante legal, na
quando a este houver sido dirigida. delegacia de polícia, no MP, ou mesmo perante
§2º. A representação conterá todas o juiz, no sentido de consentir com o início ou
as informações que possam servir à prosseguimento da persecução penal.
apuração do fato e da autoria.
§3º. Oferecida ou reduzida a termo a Nada impede que a vítima opte por fazer
representação, a autoridade policial a representação por meio do representante legal,
procederá a inquérito, ou, não sendo sendo desnecessário nesse caso a presença de
competente, remetê-lo-á à autoridade advogado. Porém, se optar por representar por
que o for. meio de advogado, deverá estar habilitado com
§4º. A representação, quando feita ao procuração ad judicia com poderes especiais,
juiz ou perante este reduzida a termo, descrevendo minuciosamente o fato que dá
será remetida à autoridade policial para legitimidade para agir em nome da vítima.
que esta proceda a inquérito.
§5º. O órgão do Ministério Público 6.1.5) EFICÁCIA OBJETIVA DA
dispensará o inquérito, se com a REPRESENTAÇÃO
representação forem oferecidos A representação possui eficácia objetiva
elementos que o habilitem a promover no sentido de que não é disponível ao ofendido
a ação penal, e, neste caso, oferecerá a escolher quem o Estado deve processar ou
denúncia no prazo de 15 dias. investigar. Logo, ao representar a vítima pede

[Link] 20
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que o Estado processe ou autoriza que o Estado manifestar vontade no prosseguimento da ação.
investigue o fato criminoso em si, e não um ou
outro criminoso em específico. Outro exemplo que pode ser dado em
relação à condição de prosseguibilidade é o caso da
6.1.6) NÃO VINCULAÇÃO DO MP À desclassificação de crime mais grave para menos
REPRESENTAÇÃO DA VÍTIMA grave que exige representação no procedimento
Mesmo após representação da vítima, o comum ordinário. Nesse caso, como não há
Ministério Público mantém sua independência previsão de regra de transição expressa, haverá 2
funcional, cabendo a ele, que tem atribuição possibilidades:
constitucional para promover privativamente a
ação penal pública, analisar se estão preenchidas a) ofendido já manifestou expressamente
as condições da ação e a justa causa. durante o andamento do processo a sua vontade
de prosseguir na ação penal, prosseguindo
6.1.7) NATUREZA JURÍDICA DA normalmente a ação;
REPRESENTAÇÃO
b) ofendido não manifestou expressamente
A) CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE seu desejo de ver o réu processado e punido, o
Trata-se de condição objetiva que permite processo ficará sobrestado tendo o ofendido 30
ao Ministério Público proceder à ação penal nos dias (prazo decadencial) para manifestar vontade
crimes de ação penal pública condicionada, pois no prosseguimento ação (aplicação analógica do
sem a representação a ação não se deflagra, art. 91, Lei 9.099/95).
conforme art. 25, CPP: “A representação será
irretratável, depois de oferecida a denúncia”. 6.1.8) PRAZO PARA REPRESENTAÇÃO
O ofendido tem 6 meses contados da
B) CONDIÇÃO DE PERSEQUIBILIDADE ciência do fato delitivo para representar. O prazo é
Trata-se de condição objetiva que permite decadencial, de modo que se perdido, extingue-se
ao Delegado iniciar as investigações, pois nos o direito à ação penal em si. Conta-se incluindo-se
casos de ação penal pública condicionada sem o dia do início e excluindo o dia do final (art.10,
a representação não se instaura nem mesmo o CP). É contado em meses e não em dias, e sendo
inquérito policial (persecutio criminis). prazo decadencial, não se suspende nem se
prorroga, independentemente do dia do final ser
Isso conforme o art. 5º, §4º do Código feriado, final de semana, etc.
de Processo Penal: “Nos crimes de ação pública
o inquérito policial será iniciado:§4º. O inquérito, 6.1.9) IRRETRATABILIDADE DA
nos crimes em que a ação pública depender de REPRESENTAÇÃO
representação, não poderá sem ela ser iniciado”. Art. 25, CPP: “A representação será
irretratável, depois de oferecida a denúncia”.
C) CONDIÇÃO DE PROSSEGUIBILIDADE A retratação é a opção do ofendido em
Trata-se de condição objetiva que permite revogar a representação para procedibilidade da
o MP prosseguir com a ação penal quando um ação penal. Os art. 25 e 42, CPP, deixam claro
crime de ação penal pública incondicionada passa que a representação será IRRETRATÁVEL APÓS
a ser, incidentalmente, de ação penal pública O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA. Isso porque
condicionada. estamos diante de uma ação penal pública em
que vigora os princípios da obrigatoriedade e
É o caso da ação penal nos crimes de da indisponibilidade. Logo, É POSSÍVEL QUE O
lesão corporal leve e culposa, que após a Lei OFENDIDO SE RETRATE DA REPRESENTAÇÃO ATÉ
dos Juizados Especiais Criminais (art. 88 e 91 da O OFERECIMENTO DA DENÚNCIA.
Lei 9.099/95) passou a exigir representação da
vítima, não mais sendo considerada ação penal Porém, nos crimes envolvendo violência
pública incondicionada. doméstica e familiar contra a mulher, A VÍTIMA
PODE SE RETRATAR DA REPRESENTAÇÃO ATÉ
A Lei previu regra de transição, ficando os O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA, desde que
processos sobrestados, tendo o ofendido prazo de seguido o procedimento do art. 16, Lei 11.340/06:
30 dias (prazo decadencial material – computa- “nas ações penais públicas condicionadas à
se o dia do início e exclui-se o dia final) para representação da ofendida de que trata esta Lei, só

[Link] 21
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será admitida a renúncia à representação perante modo que é preferível a segurança jurídica à
o juiz, em audiência especialmente designada com idiossincrasia humana. Dessa forma, havendo
tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e retratação o ofendido não mais poderá representar
ouvido o Ministério Público”. pelo processamento do criminoso.

Neste caso, acerca da Lei Maria da Penha,


ressalte-se que o crime de lesão corporal leve
ou culposa envolvendo violência doméstica ou
familiar contra a mulher é de ação penal pública
incondicionada, em razão da não aplicação dos
dispositivos da Lei 9.099/95 aos crimes praticados
com violência contra a mulher (art. 41, Lei
11.340/06). Porém, outros crimes continuam
tendo ações penais públicas condicionadas à
representação, ex.: o caso do crime de ameaça
contra mulher ocorrida no âmbito doméstico. Vídeo 05
AÇÃO PENAL PRIVADA E ACORDO
Obs1: Eficácia objetiva da retratação: DE NÃO PERSECUÇÃO
princípio da indivisibilidade da ação penal pública

A retratação estende-se a todos os 7) DA AÇÃO PENAL DE INICIATIVA PRIVADA


réus, de modo que, se o ofendido se retrata da
representação que prestou esta vale para todos os 7.1) REGULAMENTAÇÃO PROCESSUAL
réus não podendo ser dirigida a réu específico.
Art. 48. A queixa contra qualquer dos
A) É POSSÍVEL RETRATAÇÃO DA autores do crime obrigará ao processo
RETRATAÇÃO DA REPRESENTAÇÃO! de todos, e o Ministério Público velará
A retração da retratação da representação é pela sua indivisibilidade.
a opção do ofendido em ver o criminoso novamente
processado após ter decidido pela revogação da Art. 49. A renúncia ao exercício do
representação. direito de queixa, em relação a um dos
autores do crime, a todos se estenderá.
É possível desde que exercida dentro
do prazo decadencial de 6 meses não tendo o Art. 50. A renúncia expressa constará de
Ministério Público oferecido denúncia (art. 25 do declaração assinada pelo ofendido, por
Código de Processo Penal), isso porque a retratação seu representante legal ou procurador
é instituto que incide sobre a ação penal pública, com poderes especiais. Parágrafo único.
não se confundindo com a renúncia, que incide A renúncia do representante legal do
sobre a ação penal privada. menor que houver completado 18 anos
não privará este do direito de queixa,
Logo, não havendo previsão legal de nem a renúncia do último excluirá o
preclusão consumativa em relação à retratação direito do primeiro.
como há na renúncia, a vítima estaria livre para
se retratar da retratação, desde que cumpridos os Art. 51. O perdão concedido a um dos
prazos legais. querelados aproveitará a todos, sem
que produza, todavia, efeito em relação
Contudo, parte minoritária da doutrina ao que o recusar.
(Tourinho Filho) entende não ser possível a
retratação da retratação da representação, pois Art. 55. O perdão poderá ser aceito por
de um lado o processo penal não pode servir procurador com poderes especiais.
ao joguete e à chantagem e de outro deve-se
prestigiar a segurança jurídica. Art. 56. Aplicar-se-á ao perdão
extraprocessual expresso o disposto no
Nesse sentido, a persecutio criminis não art. 50.
está plenamente à disposição do cidadão de

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Art. 57. A renúncia tácita e o perdão Art. 62. No caso de morte do acusado,
tácito admitirão todos os meios de o juiz somente à vista da certidão de
prova. óbito, e depois de ouvido o Ministério
Público, declarará extinta a punibilidade.
Art. 58. Concedido o perdão, mediante
declaração expressa nos autos, o 7.2) CONSIDERAÇÕES INICIAIS
querelado será intimado a dizer, dentro A ação penal de iniciativa privada é um
de 3 dias, se o aceita, devendo, ao instituto em decadência no processo penal,
mesmo tempo, ser cientificado de que podendo-se até dizer que é instituto em extinção,
o seu silêncio importará aceitação. segundo Eugênio Pacelli, que a enxerga como
Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz resquício da vingança privada. Apenas a título de
julgará extinta a punibilidade. informação, o projeto do Novo Código de Processo
Penal não mais prevê essa modalidade de ação
Art. 59. A aceitação do perdão fora penal.
do processo constará de declaração
assinada pelo querelado, por seu 7.3) CONCEITO
representante legal ou procurador com Conceitualmente, a ação penal de iniciativa
poderes especiais. privada é aquela titularizada pelo particular nos
casos expressos na Lei. É voltada à proteção da
Art. 60. Nos casos em que somente se intimidade da vítima nos crimes em que ela pode
procede mediante queixa, considerar- ser ainda mais violada diante de uma ação penal
se-á perempta a ação penal: pública incondicionada titularizada pelo Ministério
I - quando, iniciada esta, o querelante Público. Note-se, porém, que não há transferência
deixar de promover o andamento do do direito de punir à vítima, pois esse poder-dever
processo durante 30 dias seguidos; continua nas mãos do Estado.
II - quando, falecendo o querelante,
ou sobrevindo sua incapacidade, não
comparecer em juízo, para prosseguir
no processo, dentro do prazo de 60 7.4) PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL DE
dias, qualquer das pessoas a quem INICIATIVA PRIVADA
couber fazê-lo, ressalvado o disposto
no art. 36; 7.4.1) PRINCÍPIOS DA OPORTUNIDADE E
III - quando o querelante deixar de CONVENIÊNCIA
comparecer, sem motivo justificado, a A queixa-crime apresentada pelo querelante é um
qualquer ato do processo a que deva direito público subjetivo da vítima, pois ela formaliza
estar presente, ou deixar de formular a peça processual acusatória se quiser e se achar
o pedido de condenação nas alegações oportuno e conveniente. Diferentemente da ação
finais; penal pública (incondicionada ou condicionada),
IV - quando, sendo o querelante pessoa que é um direito subjetivo, público, abstrato,
jurídica, esta se extinguir sem deixar mas também é um poder-dever, submetendo o
sucessor. Ministério Público ao princípio da obrigatoriedade.
Nesse sentido, surgem as causas de extinção da
Art. 61. Em qualquer fase do processo, punibilidade específicas da ação penal de iniciativa
o juiz, se reconhecer extinta a privada previstas no art. 107 do Código Penal:
punibilidade, deverá declará-lo de
ofício. Parágrafo único. No caso de A) DECADÊNCIA
requerimento do Ministério Público, do A vítima, do mesmo modo que na ação
querelante ou do réu, o juiz mandará penal pública condicionada, tem 6 meses para
autuá-lo em apartado, ouvirá a parte intentar a ação penal (queixa-crime). A pendência
contrária e, se o julgar conveniente, de conclusão de inquérito policial não suspende,
concederá o prazo de 5 dias para a não interrompe, nem prorroga o prazo prescricional
prova, proferindo a decisão dentro de de 6 meses previsto no Código de Processo Penal.
5 dias ou reservando-se para apreciar
a matéria na sentença final. B) RENÚNCIA
Trata-se de fato impeditivo para exercício

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do direito de ação, sendo ato unilateral da vítima Reconhecimento da desistência do recurso e


que renuncia ao direito subjetivo de oferecer a ação declaração de trânsito em julgado da absolvição!
penal, independentemente da anuência do réu. Se no curso do recurso o querelante resolve
Admite a modalidade expressa (documentada) e perdoar o réu, esse perdão será considerado como
tácita (comprovação por outros elementos – foto, desistência do recurso. O TJ deve considerar a
gravação, mensagem, etc.). desistência para declarar o trânsito em julgado da
sentença absolutória ao invés de decretar extinta
Obs1: Querelante não pede arquivamento a punibilidade do réu. Isso porque a absolvição
do inquérito policial! Hipótese de renúncia expressa é decisão muito mais benéfica ao réu do que a
O querelante não tem legitimidade para pedir o extinção da punibilidade.
arquivamento do inquérito policial, sendo atribuição
exclusiva do MP. Porém, o pedido de arquivamento B) PEREMPÇÃO (DESISTÊNCIA)
feito pelo querelante pode ser tomado como prova É causa de extinção da punibilidade voltada
da renúncia em relação ao direito de queixa-crime. basicamente à desistência do querelante em
Obs2: Não é possível retratação da renúncia, relação ao processo já intentado contra o réu. Não
exceto se houver vício na vontade! há regramento da desistência, por isso entende-
se que as causas da desistência são análogas as
Como a renúncia é causa de extinção da causas de PEREMPÇÃO (art. 60, I, II, III, IV, CPP):
punibilidade, não há possibilidade da vítima dela
se retratar. Porém, havendo prova de vício na Desídia: Ausência de movimentação
vontade do querelante (coação moral, erro, etc.), no processo por mais de 30 dias quando a
a retratação torna-se possível. movimentação depende do querelante. O juiz
somente declarará a extinção da punibilidade
7.4.2) PRINCÍPIO DA DISPONIBILIDADE no 31º dia, ou seja, é preciso que se passem 30
Uma vez impetrada a queixa-crime dias corridos, começando a contar o prazo do
os princípios da oportunidade e conveniência dia útil seguinte ao da notificação e terminando
convolam-se no princípio da disponibilidade, pois justamente no dia seguinte ao 30º dia.
mesmo com a queixa em andamento a vítima pode
dispor do processo, perdoando o réu ou desistindo Ressalte-se que findos os 30 dias e se a
de prosseguir com a ação. desídia for exclusivamente do advogado, o juiz
deve intimar pessoalmente o querelante para
Surge então os institutos do perdão e da tomar providências, se for o caso para substituir
perempção (desistência), que incidem quando o o advogado. Sem essa intimação pessoal do
processo penal já se iniciou, diferentes da renúncia, querelante, entende-se majoritariamente na
que incidem antes mesmo do processo se iniciar. doutrina e jurisprudência que a declaração de
extinção da punibilidade pode ser revista pelos
A) PERDÃO tribunais;
Trata-se de fato extintivo para o exercício
do direito de ação, sendo ato bilateral em que Morte ou incapacidade do querelante:
a vítima perdoa o infrator, mas este depende Aqui, o cadi será notificado para em 60 dias
da sua anuência, sendo possível enquanto não assumir o processo. Caso não ninguém assuma,
sobrevier trânsito em julgado da sentença penal o juiz declarará extinta a punibilidade do réu.
condenatória. Diferentemente do art. 60, I, CPP, em caso de
morte ou incapacidade do querelante, não haverá
Admite a modalidade expressa e tácita necessidade de o juiz intimar os membros do cadi
por parte do querelante, sendo também possível para assumirem a causa, pois o prazo correrá
a aceitação expressa e tácita (silêncio). O réu é automaticamente quando constatada a morte ou
citado para responder em 3 dias sobre o perdão, incapacidade;
e caso fique inerte, subentende-se como aceito
o perdão (art. 58, CPP). Ressalte-se ainda que o Deixar de comparecer sem motivo justificado a
perdão pode ser aceito por representante legal ato do processo que deva estar presente ou deixar
com procuração com poderes especiais. de formular pedido de condenação nas alegações
finais: Ressalte-se que doutrina e jurisprudência
Obs1: Perdão em sede de recurso de majoritárias entendem que, nos crimes contra
apelação do querelante em sentença absolutória. a honra, a falta do querelante à audiência de

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conciliação prévia ao recebimento da queixa (art. permanecer inerte, o juiz deverá entender que
520, CPP), não gera desistência (perempção), houve renúncia em face de todos, devendo
pois sua ausência somente atesta o desejo do extinguir a punibilidade(art. 49, CPP).
querelante em prosseguir no processo penal.
Obs1: Impossibilidade de aditamento ex
Ressalta-se também que não se aplica offcio da queixa pelo MP!
a perempção quando as alegações finais são
apresentadas intempestivamente, mas com pedido O MP deverá velar pelo princípio da
condenatório. Porém, se a intempestividade indivisibilidade, mas não poderá aditar ex officio o
durar mais de 30 dias será declarada a extinção polo subjetivo da ação penal privada, pois não tem
da punibilidade pela desídia (art. 60, I, CPP) e atribuição constitucional para tanto.
não a pela ausência de pedido condenatório nas
alegações finais. Deve, entretanto, pedir a intimação do
querelante para realizar o aditamento (Damásio,
Obs1: Ausência de afirmação “peço a Afrânio Silva Jardim, André Nicolitt). Sendo
condenação” e inexistência de perempção! assim, existem 3 aditamentos ex officio pelo MP, 2
possíveis e 1 impossível:
Se da peça acusatória puder ser extraído
o desejo do querelante em ver o réu condenado, Aditamento impróprio (possível): O
o juiz não pode considerar perempta a ação penal MP reforça a narrativa fática da queixa-crime,
de iniciativa privada com base no art. 60, III, parte melhorando a argumentação, tornando-a mais
final, CPP. clara e técnica (art. 45, CPP);

Obs2: Extinção da pessoa jurídica sem Aditamento objetivo (possível): O MP inclui


deixar sucessores gera perempção! na queixa-crime, delitos de ação penal pública
conexos aos crimes elencados na peça acusatória
A extinção da pessoa jurídica querelante na privada;
queixa-crime sem deixar sucessores é considerada
como perempção. Aditamento subjetivo (não é possível!): É
a inclusão pelo MP de novos autores referentes ao
7.4.3) PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE fato criminoso deduzido na queixa-crime.
(ART. 48, CPP)
A vítima não pode escolher contra quem Obs2: Decadência em relação a um dos
demandar, devendo incluir na queixa-crime todos autores importa em extensão em relação a outros
os autores e partícipes sabidos que estiverem autores conhecidos posteriormente!
envolvidos no fato criminal. A conveniência e
oportunidade da ação penal privada é objetiva, ou Imaginemos que a vítima tomou
seja, é voltada à decisão se o querelante vai ou conhecimento da autoria do crime de injúria
não processar os querelados. praticado por Antônio. Passado o prazo decadencial
de 6 meses, soube da autoria de outros 2 cidadãos
Se a omissão foi voluntária/deliberada e que agiram em concurso.
ficar demonstrado que o querelante deixou de
oferecer a queixa de forma deliberada contra um Nesse caso, não é possível impetrar a
ou mais autores ou partícipes, neste caso, deve-se queixa-crime contra os outros 2, pois quando
entender que houve de sua parte uma renúncia deixou passar o prazo decadencial contra Antônio,
tácita, que exclui a punibilidade de todos. findou-se do direito de queixa como todos os
outros possíveis autores.
Se, porém, a omissão de algum ou alguns
dos querelados foi involuntária, neste caso, o 7.5) ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL DE
Ministério Público deverá requerer a intimação INICIATIVA PRIVADA
do querelante para que ele faça o aditamento da
queixa-crime e inclua os demais coautores ou 7.5.1) AÇÃO PENAL DE INICIATIVA
partícipes que ficaram de fora. Se o querelante fizer PRIVADA PROPRIAMENTE DITA
o aditamento o processo continuará normalmente. É aquela em que a vítima ou seu
Se o querelante se recusar expressamente ou representante legal são os legitimados a propor

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ação penal, sendo esta intentada mediante queixa- que morrendo estará extinta a punibilidade do
crime. É a regra geral, em que os legitimados autor. Ou seja, não há sucessão
extraordinários ad causam atuam em substituição processual, ex.: crime de induzimento a erro
ao Ministério Público, já que postulam em juízo essencial ou ocultação de impedimento de
direito que não é seu (jus puniendi). casamento, art. 236, CP.

Caso o querelante esteja morto ou ausente, 7.5.3) AÇÃO PENAL DE INICIATIVA


esta legitimidade passa ao cônjuge, ascendente, PRIVADA SUBSIDIÁRIA DA PÚBLICA (AÇÃO
descendente ou irmão (CADI). Ou seja, a ação PENAL ACIDENTALMENTE PRIVADA, AÇÃO
penal privada admite sucessão processual, assim PENAL SUPLETIVA OU QUEIXA-CRIME
como a representação também admite. SUBSTITUTIVA)

Obs1: Possibilidade de extensão do termo A) CONCEITO


cônjuge à união estável reconhecida! É aquela em que o ofendido (a vítima)
assume o poder-dever de promover a ação
O Superior Tribunal de Justiça, em recente penal originariamente titularizada pelo Ministério
decisão, adotou a corrente que considera, nos Público, que permaneceu inerte mesmo após
termos do art. 226 da Constituição Federal, receber os autos do inquérito policial conclusos
o companheiro em união estável reconhecida pelo Delegado. Perceba-se que não se considera
como legitimado para intentar a queixa-crime inércia do MP a requisição de novas diligências
propriamente dita, nos casos de morte ou ausência sem caráter protelatório dirigidas ao Delegado.
do querelante. Essa extensão dá-se, inclusive,
para o companheiro em união homoafetiva. B) NATUREZA JURÍDICA
Trata-se de uma garantia constitucional
Segundo a Corte, “a companheira, em fundamental existente para controlar a
união estável reconhecida, goza do mesmo status obrigatoriedade da ação penal pública e acaba
de cônjuge para o processo penal, podendo figurar por ser um controle externo social da atividade do
como legítima representante da falecida”. Vale próprio MP (art. 5º, LIX, CF e art. 100, §3º, CP).
ressaltar que a interpretação extensiva da norma
processual penal tem autorização expressa do art. C) CARACTERÍSTICAS
3º do Código de Processo Penal” (STJ. APn 912/RJ, Tem-se também presente neste caso
Corte Especial, Rel. Min. Laurita Vaz, J. 07/08/19). a legitimação extraordinária, porém sem a
substituição processual, ou seja, durante o prazo
Ademais, o Supremo Tribunal Federal, decadencial de 6 meses após a inércia do MP, a
reconheceu a “inexistência de hierarquia ou legitimação ad causam não é substituída pela da
diferença de qualidade jurídica entre as 2 formas vítima, mas convive com ela.
de constituição de um novo e autonomizado
núcleo doméstico, aplicando-se à união estável Isso quer dizer que o crime investigado em
entre pessoas do mesmo sexo as mesmas regras si não perde a natureza de ação penal pública,
e mesmas consequências da união estável podendo o MP oferecer denúncia mesmo após
heteroafetiva” (STF. RE 646721/RS, Pleno, Rel. os 6 meses passados para que a vítima exerça
Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min. Roberto a faculdade (conveniência) de intentar a queixa
Barroso, J. 10/05/17). subsidiária da pública.

Doutrina majoritária entendia não Note-se também que a qualquer tempo, o


ser possível a extensão do termo cônjuge ao Ministério Público poderá retomar a ação penal,
companheiro em razão da impossibilidade de zelando assim pelo princípio da obrigatoriedade da
analogia in malam partem no sistema criminal. A ação penal pública.
Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no
entanto, refutou essa corrente. D) PRAZO
O prazo decadencial para intentar a ação
7.5.2) AÇÃO PENAL DE INICIATIVA penal privada subsidiária da pública é de 6 meses
PRIVADA PERSONALÍSSIMA a contar do fim do prazo para o Ministério Público
É aquela em que só o próprio ofendido tem oferecer a denúncia tendo este se mantido inerte
titularidade para propor a ação penal, de forma (a partir do 6º dia se o investigado estiver preso;

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a partir do 16 dia se o investigado estiver solto).

Logo, na ação penal privada subsidiária há


decadência imprópria (na lição de Norberto Avena),
pois a vítima perde seu direito-garantia de intentar
a queixa-crime subsidiária, mas o Ministério
Público não perde o poder-dever de intentar a ação
penal pública, respeitando os prazos máximos de
prescrição da pretensão punitiva previstos no art.
109, do Código Penal.

Obs1: Prazo de decadência para


representação ou queixa-crime para os menores
de 18 anos

Entende-se majoritariamente que mesmo


não havendo representação ou impetração da
queixa nos 6 meses pelo representante legal ou
de fato (pais), o ofendido quando completar 18
anos pode intentá-la desde que o crime não esteja
prescrito.

Súmula 594 do Supremo Tribunal Federal


(STF): “Os direitos de queixa e de representação
podem ser exercidos, independentemente, pelo
ofendido ou por seu representante legal”.

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