Porque naquele lugar também existia Celeste, e por alguns momentos de felicidade plena, Ben podia ser ele
mesmo; o
Ben real, aquele que estava perdido havia séculos. Então, ele a beijou, sentou o gosto dela, desejou-a, e sucumbiu à
sensação estonteante do presente. Ele estava excitado, e podia sentir o corpo adorável dela em suas mãos; ele estava
naquele ponto em que a felicidade em si não é mais suficiente, e você quer ainda mais, e a apertou mais contra si,
querendo sentir a suavidade dela, tirar-lhe as roupas, perder-se nela. Mas, em vez disso, ele sentiu o peso sólido do
bebê, que havia se tornado um pensamento secundário para ele, contra seu corpo. Ele podia sentir a presença do bebê,
e, naquela noite principalmente, foi como um soco no estômago, e foi Ben quem se afastou. – Eu sinto muito. – Ele a
soltou tão rapidamente que ela se sentiu como se estivesse caindo. – Isso não deveria ter acontecido. – Talvez não
devesse, mas acontecera. Não era o beijo que a deixava envergonhada; ela pensaria nisso mais tarde. Naquele
momento, era a reação dele; ele estava agindo como se estivesse completamente pasmo com o que havia feito. –
Esqueça. – Ela tentou soar casual, mesmo com os batimentos cardíacos passando de cem por segundo, como se tivesse
sido acordada repentinamente em meio a um sonho maravilhoso. Só que agora ela estava encarando a dura realidade, e
queria sair dali o mais rápido possível. – De verdade, não tem importância. – Celeste... – Que diabos, ele não queria
aumentar os problemas dela; mas era exatamente o que tinha acabado de fazer, Ben sabia disso. Ele havia esquecido,
durante aquele momento, que ela estava grávida. Enquanto ele a abraçava, ela era simplesmente Celeste. – Como eu
disse, eu não estou procurando... – Eu entendi, Ben – ela interrompeu. – Eu também não estou. Foi só um beijo, só... –
Ela deu de ombros, sem ter realmente o que fazer; porque havia sido muito mais do que só um beijo. Ela ainda podia
sentir o gosto dele em sua boca, ainda sentia o abraço delicioso dele, e agora ele havia tirado tudo aquilo dela. – Foi
mais uma dessas coisas que nunca deveriam acontecer. Não muda nada
MAS TUDO mudara. Ele a viu chegar ao trabalho perto da hora do almoço, no dia seguinte, e falar com Meg. Tentando
fingir que nada havia acontecido, ela deu um sorriso rápido quando passou por ele. Havia sido um beijo entre amigos,
era o que Ben dizia a si mesmo; um beijo que simplesmente havia escapado um pouco do controle. Ele tinha certeza de
que eles podiam seguir em frente, e quando a encontrou um pouco mais tarde no corredor, perguntou como ela estava.
– Nada mal. – Ela deu um sorriso alegre. – Estou oficialmente de licençamaternidade. – Como você está, Celeste? –
Belinda passou pelo corredor, o barulho de seus saltos altos ecoando pelas paredes, e parou para falar com ela. – Eu
estava dizendo a Ben que acabei de sair de licença. – Ele podia ver que ela estava fazendo um grande esforço para
manter o sorriso no rosto. – Então, acho que só vou ver vocês dois quando já for mãe. Havia uma mensagem para ele
naquela frase, Ben sabia disso; e sentindo-se culpado, ele ficou quase aliviado em ouvi-la. Ele estava tendo problemas
em acreditar como fora estúpido na noite anterior. Ela já estava carregando peso demais nas costas, sem ele por perto
para bagunçar as coisas mais ainda; e uma mulher abandonada com um bebê era a última coisa de que Ben precisava
naquele momento. – Espero que ela fique bem – disse Belinda quando Celeste se afastou, caminhando com dificuldade.
– Ela vai ficar bem, agora que não está mais trabalhando – Ben respondeu. – Não. – Belinda sacudiu a cabeça de leve. –
Eu quis dizer que espero que ela fique bem, sozinha com um bebê. – Ela não é uma adolescente... – Eles estavam
caminhando de volta para a sala, e Ben estava ficando cada vez mais irritado com a melancolia de Belinda. – Ela vai ficar
bem. – Mas mesmo assim não vai ser fácil. Eu fico imaginando quem é o pai... Quero dizer, ela nunca tocou no assunto,
e ele deveria certamente assumir a responsabilidade por alguma coisa... – Como vai seu novo namorado? – Ben mudou
rapidamente de assunto quando eles chegaram à sala que compartilhavam. – As coisas ainda estão indo bem? – Paul é
maravilhoso. – Belinda suspirou, feliz. – Nós vamos viajar neste final de semana. – Eu sei. – Sorriu Ben. – Afinal, vou
trabalhar no seu lugar. – A ex-mulher dele está com as crianças. – Você já as conheceu? – Meu Deus, não. – Belinda
revirou os olhos enquanto arrumava a papelada. – A última coisa de que eu preciso são os filhos de alguém. Era a última
coisa de que Ben precisava, também. Entre todas as coisas estúpidas que ele poderia fazer... enquanto eles trabalhavam
em silêncio, Ben estava pensando. Gostasse ou não da situação, ele estava envolvido com Celeste e o bebê, até certo
ponto. Ele não podia simplesmente parar de visitá-la enquanto ela continuasse a ser sua vizinha... – Olhe aqui. – Belinda
quebrou a introspecção dele. – Eu tenho uma coisa para você. Ben foi até o computador, e teve que rir quando viu os
rostos de umas vinte mulheres fazendo beicinho para ele, em uma página de encontros via internet. – Eu digitei as suas
informações, e a página gerou todas essas possibilidades para você.