Chapadão do Sul,MS
PRADA
Plano de Recuperação de Áreas Degradas e Alteradas
Recuperação de Nascente
Fazenda Santo Antônio
30 de junho de 2020
1- DADOS DO EMPREENDEDOR
-Nome do requerente: Pedro Zamban Neto
-Responsável Legal: Pedro Zamban Neto
-CPF/CNPJ: 385.164.890-00
-Endereço completo para correspondência: Estr. Municipal do Condé, 4000 - BL F AP
00034 - Bairro Industrial - Eldorado do Sul - RS - CEP: 92990-000
Telefone(s) para contato: (067) 9983-8587
2- DADOS DO TÉCNICO RESPONSÁVEL PELA ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO DO
PROJETO:
-Nome: Maria Luiza Santi Presentino
-CPF: 047.799.801-19
-Formação profissional: Engenheira Florestal
-Endereço complete: Rua Buriti, nº604 - Bairro Flamboyant - Chapadão do Sul-MS -
CEP:79560-000
-Número do registro no Conselho Profissional, visto/região: CREA: 62634/MS
-ART: 1320200054252
-Telefone(s) para contato: (67) 99604-1184 ou (65) 99975-5190
-E-mail: ambiental@[Link]
3- DADOS GERAIS DA PROPRIEDADE:
-Denominação: Fazenda Santo Antônio
-Município: Chapadão do Sul/ MS
-Matrícula(s)/Cartório,livro,folhas: 21.438 e 21.789 / Cartório de Registro de Imóveis de
Chapadão do Sul, folhas (2), livro número (2) de Registro geral.
-Número do CAR: CARMS0017205
-CCIR: 8130951002348
-Número do INCRA: 161311000381-60
-Coordenadas da Nascente: 19°01'27.2 S 52°36'29.2 W
-Coordenadas da Sede: 19°02'16.1"S 52°35'59.8"W
-Área total: 529,5893 ha
-Área com remanescente de vegetação nativa inscrita no CAR: 108,1969 ha
-Atividades econômicas desenvolvidas: A atividade principal predominante na
propriedade é a pecuária, voltada principalmente a produção extensiva.
-Roteiro de acesso detalhado, com distancia da propriedade até a sede do
município e condições de trafego.
O Roteiro de acesso a Fazenda Santo Antônio, localizada no município de
Chapadão do Sul/MS, dá-se da seguinte maneira: Partindo de Chapadão do Sul pela
Rodovia BR-360, sentido Cassilândia, segue- se aproximadamente por 8 km, vire á direita
em estrada rural e continue por aproximadamente a 16,5 km fazendo curva suave à
direita em direção a MS-229, continue em frente por 7,1 km, virando a esquerda seguindo
por mais 4,1 km aproximadamente. A sede da propriedade fica à direita, logo após
atravessar uma pequena ponte.
Foto 01: Roteiro de Acesso da Fazenda Santo Antônio
4- CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL DA PROPRIEDADE
4.1- Meio físico:
- Relevo:
O relevo tipicamente composto por um planalto com declividade média a plano.
-Solos:
Em relação ao tipo de solo, pode-se dizer que a mesma está classificada como
areias quartzosas, que são solos não hidromórficos, textura arenosa, profundos, pouco
desenvolvidos, excessivamente drenados, normalmente destituídos de materiais
facilmente intemperizáveis.
São solos formados de sedimentos do Quaternário ou arenitos diversos
encontrados, geralmente, em relevo suave ondulado, erosão ligeira, sob vegetação de
Savana ou Savana/Floresta. Apresentam baixa retenção de água, grande lixiviação, soma
e saturação de bases inexpressivas. São solos preferencialmente destinados á pecuária,
porém com as devidas correções nutricionais devidas e práticas de rotação de culturas
apropriadas com formação de matéria orgânica, pode-se utilizar para agricultura.
-Hidrografia:
A propriedade está inserida na Bacia do Rio Paraná e na Sub - Bacia hidrográfica do
Rio Indaiá Grande.
-Clima :
A presente propriedade está inserida no Bioma Cerrado. O clima característico da
região é o Tropical semiúmido, com precipitações variando entre 1300 e 1900 mm anuais,
bem definidas as estações de chuvas, variando de outubro a abril e de seca no período
de maio a setembro. A temperatura média da região varia entre 22 e 27 o Celsius.
4-2 - Meio Biológico
-Fauna:
As informações referentes aos grupos zoológicos são limitadas, existindo poucas
informações a respeito da fauna, ficando o trabalho limitado à listagem dos animais de
provável ocorrência na área e de estudos apresentados na região.
a) MAMÍFEROS - CLASSE MAMMALIA
Nome Popular Nome Cientifico
Veado Mazama sp.
Tamanduá Bandeira Myrmecophaga tridactyla
Tatu Galinha Dasypus novemcinctus
Tatu-Peba Euphractus sexcinctus
Tatu-bola Tolypeutes matacus
Anta Tapirus terrestris
Cateto Pecari tajacu
Lobinho Cerdocyon thous
Lobo-guará Chrysocyon brachyurus
Paca Coniculus paca
b) RÉPTEIS E ANFIBIOS - CLASSE REPTILIA E AMPHIBIA
Nome Popular Nome Cientifico
Cascavel Crotalus sp.
Jararaca Bothrops sp.
Pererequinha Dendropsophus sp.
Rã Rana sp.
Sapo-cururu Rhinella schneideri
Sapo Comum Buffo sp.
c) AVES - CLASSE AVES
Nome Popular Nome Cientifico
Arara-vermelha Crotalus sp.
Bem-te-vi Bothrops sp.
Coruja Dendropsophus sp.
Curicaca Leptodactylus sp.
Garça-branca Rhinella schneideri
Quero-Quero Vanellus chilensi
João-de-barro Furnarius rufus
Anu-preto Crotophaga ani
Anu-branco Guira guira
Gavião-carijó Rupornis magnirostri
Ema Rhea americana
Seriema Cariama cristata
- Flora:
Domínio na região Fitoecológica: Predomínio da Savana. Pode-se dizer que o
remanescente florístico da região é composto por três situações:
Cerradão: forma florestal de cerrado, em que as copas das árvores se tocam, com altura
de 8-15m, as principais espécies sendo Baru (Dipteryx alata), Jatobá (Hymenaea
stigonocarpa), Angá (Sclerolobium paniculatum), Angico (Anadenanthera peregrina)
Cerrado típico (strictu sensu): gramíneas, arbustos e árvores cujas copas não formam
dossel contínuo, como Araticuns (Annona spp.), Curte-seco (Ouratea spp.), Muricis
(Byrsonima spp.) Pequi (Caryocar brasiliense), Sangue-de-boi (Vochysia cinnamomea),
gordinha (Kielmeyera coriacea), Pau-terra (Qualea spp.).
Campo cerrado: gramíneas (Andropogon spp., Axonopus spp., Panicum cervicatum),
arbustos baixos (p. ex., Cajuzinho Anacardium humile, Guabiroba Campomanesia spp.,
Erythroxylum spp.), Arvoretas esparsas (Byrsonima spp.,).
Pode-se dizer que na propriedade o remanescente florístico, são compostos por cerrado
típico (strictu sensu) e o campo cerrado.
Nome popular Família/ Espécie
Avencão Rumohra adiantiformis
Aroeira Myracrodruon urundeuva
Aroeira-salsa Schinus terebinthifolia
Pombeiro Tapirira guianensis
Araticum Annona coriacea
Pindaíva-preta Unonopsis guatterioides
Pimenta-de-macaco Xylopia aromatica
Bocaiúva Acrocomia aculeata
Guaricá Geonoma pohliana
Buriti Mauritia flexuosa
Guariroba Syagrus oleracea
Jerivá Syagrus romanzoffiana
Picão Bidens sp.
Assa-peixe Vernonanthura brasiliana
Ipê-roxo Handroanthus impetiginosus
Ipê Handroanthus sp.
Capitão Terminalia argentea
Lixeira Curatella americana
Pimenteirinha Erythroxylum cf. anguifugum
Angico-branco Anadenanthera colubrina
Angico-do-cerrado Anadenanthera peregrina
Pata-de-vaca Bauhinia sp
Angiquinho Calliandra parviflora
Guizo-de-cascavel Crotalaria micans
Carrapicho-beiço-de-boi Desmodium sp.
Cumbaru Dipteryx alata
Jatobá Hymenaea courbaril var. stilbocarpa
Jatobá Hymenaea sp.
Inga sp. Inga sp.
Jacarandá-do-campo Machaerium acutifolium
Mimosa sp.
Olho-de-cabra Ormosia arborea
Cipó Banisteriopsis sp.
Chico-magro Guazuma ulmifolia
Açoita-cavalo Luehea grandiflora
Folha-branca Miconia albicans
Capororoca Myrsine gardneriana
Araçá Psidium sp.
Rabo-de-burro Andropogon bicornis
Marmelo-do-cerrado Alibertia edulis
Veludinho-vermelho Chomelia pohliana
Jenipapo Genipa americana
Cafezinho-do-mato Psychotria carthagenensis
Mamica-de-cadela Zanthoxylum riedelianum
Joá Solanum viarum
Embaúba Cecropia pachystachya
5- OBJETIVO DO PROJETO
O objetivo do projeto é o de recuperar a área de aproximadamente 8,85ha de
preservação permanente da Fazenda Santo Antônio, que deverá ser isolada cerca de 50
metros ao entorno de sua vereda. A recuperação das áreas de preservação permanente
atende a legislação do novo código florestal, LEI Nº 12.651, DE 25 DE MAIO DE 2012.
Como a área de preservação permanente a ser isolada, é somente ocupada por
gramíneas, deverá ser recomposta, isolando a área mantendo os 50 metros e
promovendo a sua regeneração, primeiramente por regeneração natural e se não ocorrer
a mesma, interferir com o uso de plantio de mudas nativas.
6- JUSTIFICATIVA
A propriedade Fazenda Santo Antônio, composta de área certificada pelo Incra de
529,5893ha, no passado não muito distante, foi aberta com a finalidade de exploração. O
produtor estará isolando no entorno desta vegetação, a partir da vereda uma largura
mínima de 50 metros, buscando que a mesma se recomponha. A área será cercada e
isolada, retirando o gado no seu entorno, permitindo que o mesmo tenha acesso a água,
somente em locais pré-determinados e isolados.
A Fazenda São Antônio adotará também práticas conservacionistas, como implantação
de terraços acima da área do PRADA, área coberta com gramíneas para o gado e
reformadas constantemente e iniciará gradativamente o cercamento da mesma para
permitir a regeneração natural no seu interior e adjacências. É fato também que a fazenda
está procurando, além de tomadas as decisões no tocante a regeneração, a formação de
mudas nativas, que ao longo dos anos deverão também ser incrementadas a área
destinada a regeneração.
7- CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA A SER RECUPERADA
A área objeto do PRADA se refere à nascente, à área de vereda e suas respectivas
Áreas de Preservação Permanente, totalizando 16,68ha.
O fator principal da degradação na área de interesse do PRADA é ocasionado por um
sistema de drenagem deficiente na área de pastagem.
O entorno da nascente considerado de preservação permanente deve possuir um raio
mínimo de 50 metros. Além da própria vereda, as Áreas de Preservação Permanente, são
demarcadas, nas duas margens, a partir do espaço onde se inicia o limite do espaço
úmido, com largura mínima de 50 metros.
Tal área, será iniciado o processo de retirada do gado, a fim de evitar o pisoteio e feito
toda a sua delimitação por meio de cercas, evitando a entrado do gado em toda a APP. O
produtor em alguns pontos está abrindo parte do cercamento e permitindo que o gado
tenha acesso a água. Toda esta área hoje ocupada com gramíneas, predominante a
Brachiaria decumbens, apresenta potencial de regeneração, pois está localizada acima do
espaço brejoso e aparentemente possui arbustos no seu entorno que com o isolamento,
podem vir a aumentar e disseminar no seu entorno. O produtor ciente da área em
regeneração está coletando sementes e formando mudas, para plantar ao longo desses
15 anos estipulados de regeneração, algumas espécies nativas da própria região que se
adaptem ao local em questão.
A área objeto do PRADA, é uma área hoje que se encontra desprotegida de cercas,
com processos erosivos em estágio inicial, devido ser ocupada por gramíneas e arbustos,
e principalmente que acima dele, encontra-se uma criação extensiva de gado. Focando
na preservação ambiental, na conservação de solo e principalmente na produtividade, o
proprietário se comprometerá em adotar novas práticas conservacionistas nos solos,
sendo elas: 1. Terraceamento Adequado; 2. Reconstrução e Melhoramento da
Fertilidade dos Solos, com base nos resultados de análise de solo, procedendo à
correção da acidez do solo e adubação, caso haja necessidade; 3. Manejo da Planta
Forrageira, que em conjunto com as práticas citadas a cima, retém e promovem a
infiltração das águas pluviais dentro da mesma, evitando futuros processos erosivos,
como erosão laminar, em sulcos ou até mesmo de graus maiores como as voçorocas.
Logo abaixo, temos duas fotos destacando o local a ser focado o PRADA de
regeneração.
Foto 02: Imagem Área Total Fazenda Santo Antônio
Foto 03: Imagem da área do PRADA de Preservação Permanente da Fazenda Santo
Antônio, destaque em cor magenta.
Foto 04: Imagem da área do PRADA de Preservação Permanente da Fazenda Santo
Antônio
8- AÇÕES PROPOSTAS E METODOLOGIAS A SEREM UTILIZADAS
Como ação e metodologia de recuperação da área, foi determinado ao produtor que
efetue o controle as gramíneas seja através de roçadas químicas ou aração e gradagem
antes mesmo de efetuar o cercamento da área, com o isolamento da mesma, retirando o
acesso do gado e evitando o possível pisoteio da área.
A área será elaborada segundo etapas de recomposição previsto no período mínimo
de 15 anos para a regeneração. Acompanhado desse prazo o produtor estará integrando
anualmente mudas formadas dentro da própria fazenda auxiliando o processo de
recomposição da mata nativa. O proprietário também estará investindo em práticas de
conservação do solo, como a inclusão de terraços para contenção das águas pluviais,
reconstrução e melhoramento da fertilidade dos solos e manejo das plantas forrageiras.
Tais medidas desviam os volumes das chuvas aos terraços e promovem uma maior
infiltração das águas pluviais.
Outra medida que será adotada como ferramenta para a recuperação da área a partir
do segundo ano, é a adoção de poleiros artificiais, oferecendo opções de pouso para aves
que deixarão sementes trazidas em seu intestino.
Como o processo de regeneração fora estipulado em prazo de 15 anos, poderá
também ser implantado o plantio ou enriquecimento com mudas nativas no decorrer
desse período mediante a analise previa do órgão fiscalizador e ou informações técnicas
fornecidas no laudo de monitoramento.
Além de medidas de recuperação da área de interesse, o proprietário estará
investindo na proteção de toda a de área de preservação permanente, cercando-a em
toda a sua extensão.
9- MONITORAMENTO
Como forma de acompanhamento do PRADA, o mesmo deverá ser efetuado um
relatório anual detalhando através de fotografias, demonstrando o andamento tanto da
regeneração da área isolada da área de preservação permanente onde estará sendo
executado o projeto de regeneração da área.
10- CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO E DE MONITORAMENTO (15 ANOS)
1- Regeneração Natural da Área de Preservação Permanente
Ano 2020 2021 2022 ... 2035 2036
Isolamento da Área
Poleiros Artificias
Práticas conservacionistas
Retirada dos Fatores de
Degradação
Eliminação Seletiva ou
desbaste de espécies
competidoras
Processo de Regeneração
Natural
Plantio de Mudas Nativas
Laudo Técnico
11-BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
BRASIL MINISTÉRIO DA MINAS E ENERGIA. Secretaria Geral. Projeto
RADAMBRASIL. Folha. Geologia, geomorfologia , pedologia e vegetação. 1982.
IBGE/MMA. Mapa de Biomas do Brasil, primeira aproximação, 2004.
FITOGEOGRAFIA BRASILEIRA-CLASSIFICAÇÃO Fisionomia - Ecológica da
Vegetação Neotropical (Velos & Góes — Filho, 1982).
SEPLAN. Atlas Multirreferencial do Estado de Mato Grosso do Sul. 1990.
ALMEIDA, DS. Plano de recuperação de áreas degradadas (PRAD). In: Recuperação
ambiental da Mata Atlântica [online].3rd ed. rev. and enl. Ilhéus, BA: Editus, 2016, pp.
140-158. ISBN 978-85- 7455-440-2. Available from SciELO Books .
OLIVEIRA, P.P.A. CORSI, M. Circular Técnico: Recuperação de pastagens
degradadas para sistemas intensivos de produção de bovinos. EMBRAPA. 2005.
Chapadão do Sul, 30 de junho de 2020
Maria Luiza Santi Presentino
Engenheira Florestal
CREA 062634/MS