AULA 5
STARTUPS –
TRANSFORMANDO CIDADES
TRADICIONAIS EM CIDADES
INTELIGENTES
Profª Janaina Camile Pasqual Lofhagen
INTRODUÇÃO
Há diversos relatórios que analisam e classificam as smart cities ao redor
do mundo. A fim de ponderar quais cidades realmente podem ser consideradas
“smart”, apresentaremos nesta aula o ranking denominado IESE Cities in Motion
Index (CIMI), elaborado pelo Centro de Globalização e Estratégia (Center for
Globalization and Strategy – CGS) e pelo Departamento de Estratégia da IESE
Business School, de Navarra, Espanha.
A classificação é baseada em um índice objetivo, abrangente e guiado por
critérios de relevância conceitual e rigor estatístico. São consideradas 96
variáveis, que refletem dados objetivos sobre cada cidade analisada. Conforme
vimos anteriormente, as dimensões selecionadas para descrever a situação das
cidades em termos de sustentabilidade e qualidade de vida de seus habitantes,
tanto no presente como no futuro, são as seguintes: capital humano, coesão
social, economia, governança, meio ambiente, mobilidade e transporte,
planejamento urbano, alcance internacional e tecnologia.
TEMA 1 – DIMENSÕES CONSIDERADAS NO RANKING DAS SMART CITIES
As dimensões são determinadas pelo complemento do coeficiente de
determinação (R2) para cada indicador, comparado com o resto dos indicadores
parciais. A ordem em que os indicadores de cada dimensão foram incluídos, bem
como seu peso relativo no CIMI, é a seguinte: economia (1), capital humano
(0,612), alcance internacional (0,511), planejamento urbano (0,487), meio
ambiente (0,831), tecnologia (0,356), governança (0,404), coesão social (0,567) e
mobilidade e transporte (0,548) (IESE Business School, 2019).
As cidades são agrupadas de acordo com seu desempenho, medido pelo
valor do indicador. O desempenho é classificado da seguinte maneira: alto (H) se
tiver um índice maior que 90; relativamente alto (RH) se a cidade estiver entre 60
e 90; meio (M) se estiver no intervalo entre 45 e 60; baixo (L) se estiver entre 45
e 15; e muito baixo (VL) se estiver abaixo de 15.
A Tabela 1 apresenta as 30 smart cities com os índices mais altos.
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Tabela 1 – Ranking das 30 melhores smart cities
Fonte: IESE, 2019.
TEMA 2 – LONDRES (INGLATERRA)
Londres se destacou na média geral dos indicadores graças ao seu
desempenho nas dimensões de alcance internacional (posição 1), capital humano
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(posição 1), mobilidade e transporte (posição 3) e economia (posição 12). Porém,
a cidade não tem um desempenho tão bom nas dimensões de coesão social
(posição 45) e meio ambiente (posição 34) (IESE Business School, 2019).
Vale destacar que, embora a cidade não esteja em posição de destaque
nessas dimensões, a cada ano ela mostra uma melhora, consistente com o
trabalho que está sendo feito para transformá-la em uma smart city em todos os
sentidos.
Em se tratando de alcance internacional, Londres está entre as cidades
com o maior número de passageiros de avião e com maior número de rotas
aéreas. Também se destaca pelo seu número significativo de hotéis e pela
quantidade de conferências internacionais que organiza.
Com relação ao capital humano, a cidade tem elevado número de escolas
de negócios e universidades de qualidade (tem o maior número de universidades
entre as 500 melhores do mundo). Possui grande número de escolas secundárias,
estatais e privadas, e uma alta proporção da população com ensino secundário e
superior, bem como uma ampla oferta cultural, composta de teatros, museus e
galerias de arte. Além disso, a cidade recebe mais startups e programadores do
que qualquer outra cidade do mundo, além de ter uma plataforma de dados
abertos (London Datastore) usada por mais de 50 mil pessoas, empresas,
pesquisadores e desenvolvedores todos os meses.
Sua inovação em relação ao transporte se refere ao ULTra Personal Rapid
Transit (ULTra PRT), um sistema de transporte pessoal autônomo que funciona
no Aeroporto de Heathrow (um dos mais movimentados do planeta) e utiliza
pequenos veículos “cápsula”, permitindo interligar os terminais e os
estacionamentos do aeroporto. As 22 cápsulas elétricas, que possuem sistemas
de controle de navegação independentes, coordenados por um sistema central de
gestão de tráfego, transportam cerca de 800 pessoas por dia ao longo de quase
4 km.
O ULTra PRT distingue-se pela sua baixa pegada ecológica de operação,
resultante de uma multiplicidade de razões, dentre as quais o fato de os veículos
serem elétricos, altamente viáveis, e sua utilização ser on demand, isto é, os
veículos estão parados até que um passageiro solicite uma viagem.
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Figura 1 – ULTra PRT no Aeroporto de Heathrow
Crédito: Charles Bowman/Alamy/Fotoarena.
A cidade também está desenvolvendo um dos maiores projetos de
construção da Europa, o projeto Crossrail, que adicionará 10 novas linhas de trem
à cidade para conectá-la a 30 estações existentes até o final de 2019.
TEMA 3 – NOVA YORK (ESTADOS UNIDOS)
Nova York ocupa o segundo lugar no ranking geral devido ao seu
desempenho nas dimensões da economia (posição 1), capital humano
(posição 3), planejamento urbano (posição 2) e mobilidade e transporte
(posição 5). Como nos anos anteriores, apresenta um desempenho pior na
coesão social (posição 137) e no ambiente (posição 78) e, apesar de ter
apresentado melhorias em relação ao ano anterior, não alcançou uma posição de
destaque nessas dimensões (IESE Business School, 2019).
É uma das maiores e mais populosas aglomerações urbanas do mundo, e
é a segunda cidade mais populosa da América do Norte (depois da Cidade do
México). Na dimensão econômica, é considerada o centro econômico mais
importante do mundo, e é a cidade com o maior PIB, também se destacando pelo
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número de empresas matrizes de capital aberto que ali estão sediadas. A Big
Apple possui quase 7 mil empresas de alta tecnologia, e se destaca pelos serviços
integrados de tecnologia, como o serviço gratuito de Wi-Fi LinkNYC.
No entanto, enquanto a economia de Nova York está crescendo, sua
coesão social ainda deixa muito a desejar (137ª posição, perto da parte inferior da
lista). Em se tratando de capital humano, a cidade tem uma infinidade de
programas e liderança em inúmeros setores, com grande capacidade de atrair
talentos da geração do milênio, tornando seu maior ativo em um esforço para se
tornar o epicentro da mais recente migração tecnológica do país. A cidade está
em um momento-chave para dar os primeiros passos para realmente catalisar a
inovação e ser mais habitável, sustentável e resiliente.
A cidade lançou uma plataforma interativa, convertendo 10 mil telefones
públicos antigos em 7.500 hotspots de Wi-Fi para fornecer acesso à internet. A
plataforma disponibiliza informações sobre alertas de segurança, eventos locais,
notícias de vizinhança e listas de entretenimento, sendo considerada a maior rede
Wi-Fi e de informações de mídia digital do mundo.
Além do acesso à internet, os totens oferecem teclado em braille para
deficientes visuais, permitem ligações gratuitas, entradas USB para carregar
celulares e uma tela sensível ao toque para navegar na internet. Vale destacar
que todos os acessos Wi-Fi são criptografados, assegurando os dados pessoais
de quem utilizar.
A instalação de sensores de presença em cerca de 90 escolas da cidade
proporcionou a economia de 17 milhões de kWh, consequentemente reduzindo
as emissões de gases do efeito estufa (GEE) e economizando mais de US$ 2
milhões por ano.
Com relação ao trânsito, desde 2010 o Departamento de Transportes
começou a gerenciar o tráfego com base em dados de tempo real, contando com
300 sensores e câmeras capazes de fornecer estatísticas e modificar os padrões
dos semáforos em uma ampla região, o que diminui em cerca de 10% o tempo
das viagens e minimiza o tráfego.
Na questão ambiental, ainda há muito que fazer, mas seus índices têm
apresentado melhora nos últimos anos.
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TEMA 4 – AMSTERDÃ (HOLANDA)
A cidade de Amsterdã ocupa o terceiro lugar, tendo melhorado muito no
alcance internacional (posição 2) e também se destacando na economia, no
planejamento urbano, na mobilidade e no transporte.
É a maior cidade do país e um importante centro financeiro e cultural, com
alcance internacional. Semelhante a Londres, Amsterdã se destaca pelo número
de passageiros e pelo grande número de conferências internacionais, além de ter
um grande número de hotéis. Seguindo uma estratégia holística, lançada em
2009, para se tornar mais inteligente, Amsterdã se tornou uma das principais
cidades inteligentes da Europa e, em 2016, foi nomeada Capital Europeia da
Inovação pela Comissão Europeia (IESE Business School, 2019).
A combinação de tecnologia financeira, eficiência energética e cultura faz
dela uma importante potência europeia. Cerca de 90% das residências possuem
bicicletas e sistema avançado de serviços automatizados para o uso público de
bicicletas compartilhadas. O transporte público é muito eficiente, composto por
ônibus, veículos leves sobre trilhos (VLTs), metrôs e barcos para uso público,
sendo um modelo mundial de integração dos modos de transporte. Por meio de
painéis digitais nos pontos de ônibus, trens e metrôs, é possível ver o horário de
chegada do próximo veículo, e também há painéis dentro dos ônibus que exibem
o tempo de chegada até o seu destino.
Há diversos pontos de abastecimento de veículos elétricos por toda a
cidade e, além disso, ela tem um projeto de proibição de carros a diesel e gasolina
até 2025, tornando-se, assim, a primeira cidade com emissões zero da Europa. A
medida começará a ser implementada em 2020, com a proibição de uso de carros
a diesel produzidos antes de 2005, que emitem mais gases do efeito estufa. Essa
proibição será gradualmente expandida nos próximos anos. O governo local
oferecerá subsídios e permissões de estacionamento diferenciados para estimular
os habitantes a trocar seus carros por veículos mais limpos.
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Figura 3 – Estacionamento público e abastecimento de veículos elétricos
Fonte: Albert Pego/Shutterstock.
Em se tratando de fontes renováveis e habitação, a cidade está
implantando o fornecimento de energia para 8 mil domicílios por meio de fontes
renováveis, principalmente energia eólica.
Com quase 900 mil habitantes, a cidade é pioneira na Europa quando se
trata de investir em tecnologia e sustentabilidade, possuindo uma plataforma que
incentiva e dá suporte a instituições, empresas e cidadãos que queiram
desenvolver projetos verdes, visando beneficiar a qualidade de vida urbana de
todos os habitantes (Amsterdã…, 2016).
A cidade também investe no desenvolvimento de tecnologias móveis, a
exemplo do Happening Amsterdam, um aplicativo que indica locais para se divertir
à noite, e o Drive Carefully, que alerta motoristas com relação à velocidade quando
dirigem perto de escolas.
Depois de fazer um inventário completo dos registros locais de mais de
trinta departamentos municipais, nasceu o projeto City Data Amsterdã: um banco
de dados (principalmente) aberto, incluindo dados topográficos, endereços,
informações sobre o valor e propriedade da terra, dados de saúde e de tráfego,
entre outros. Mas os dados da cidade, por si sós, não são suficientes. A
colaboração com outras instituições públicas e privadas, bem como a contribuição
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dos cidadãos, é fundamental para o sucesso. A cidade, portanto, criou a
plataforma Smart City Amsterdam como um ator primário intersetorial, com o
objetivo de tornar a cidade cada vez mais conectada e inteligente.
Uma mentalidade aberta e colaborativa, acompanhada de
regulamentações governamentais favoráveis, facilitou o espírito empreendedor da
cidade, que envolveu um grande número de interessados, tanto na esfera pública
quanto privada. Esse amplo envolvimento e as fortes redes de apoio
proporcionam um terreno firme para a pilotagem de ideias e projetos inovadores
e, em última análise, levam à formação de todo um ecossistema de soluções de
cidades inteligentes, que é a chave para definir uma real smart city.
TEMA 5 – PARIS (FRANÇA)
Paris está em quarto lugar no ranking geral das smart cities, destacando-
se em economia (posição 8), capital humano (6), alcance internacional (3),
tecnologia (15) e mobilidade e transporte (4).
A capital francesa é o centro financeiro mais importante na Europa, onde
se encontram a sede de quase metade das maiores empresas francesas, além de
ser sede de 20 das 100 maiores empresas do mundo. A Cidade da Luz trabalha
para promover o transporte limpo por meio do uso de bicicletas e veículos
elétricos, e é uma cidade caracterizada pela inovação aberta, que dá a seus
habitantes e outros atores controle e acesso aos fluxos de dados da cidade.
Aplicando a IoT, procura otimizar os fluxos de pessoas e veículos na cidade. O
projeto Grand Paris Express é uma das maiores reformas do transporte na
Europa, que repensará e redesenhará a rede de transporte na área metropolitana
da cidade, acrescentando 4 linhas de metrô adicionais, 200 quilômetros de novas
linhas ferroviárias e 68 estações interconectadas completamente novas, com um
sistema de metrô 100% automático.
Paris possui um serviço de bicicletas compartilhadas chamado Vélib, mas
a partir de 2017 implantou um modelo sem estação da Gobee e aumentou o
número de bicicletas verde-fluorescentes pelas calçadas. O modo de uso é bem
simples: o usuário baixa o aplicativo Gobee e paga uma taxa de inscrição de 15
euros. Cada meia hora custa 50 centavos, que é descontado desse valor. A
bicicleta mais próxima é localizada pelo próprio aplicativo. Basta escanear o
código QR que está no guidão e já é feito o desbloqueio automático do cadeado
que prende a roda traseira. Ao chegar em seu destino, o usuário para a bike em
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um estacionamento público e fecha o cadeado manualmente (O surgimento…,
2018).
Figura 4 – Bicicletas do aplicativo Gobee
Fonte: Antonello Marangi/Shutterstock;
Desde 2001, as emissões de óxido de nitrogênio (NOx) causadas pelo
tráfego motorizado diminuíram 30%, as partículas finas, em 20%, e as ultrafinas,
em 45%. No entanto, os moradores de Paris e da área metropolitana ainda são
frequentemente expostos a uma qualidade de ar muito ruim. O transporte limpo
deve ser desenvolvido em maior escala, como transporte de massa, veículos
elétricos e transporte não motorizado (caminhada e ciclismo). O objetivo da cidade
é eliminar os carros movidos a diesel até 2020 e reduzir os óxidos de nitrogênio
em 40%, as partículas finas em 25% e as partículas ultrafinas em 40%.
Sobre a dimensão tecnológica, a acessibilidade e a inclusão digital são foco
no planejamento da cidade. Isso não significa apenas manter uma oferta
multicanal de serviços com interfaces amigáveis, mas também expandir o acesso
a usos digitais. Os funcionários da cidade devem ser treinados para garantir que
possam ajudar os usuários e cidadãos no uso de serviços digitais. A cidade deve
proteger os cidadãos contra novos riscos associados às tecnologias digitais, como
segurança de dados e proteção da privacidade (Prefeitura de Paris, 2018).
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REFERÊNCIAS
AMSTERDÃ, a cidade inteligente. Smart Green, [S.l.], 2 mar. 2016. Disponível
em: <[Link]
Acesso em: 6 dez. 2019.
DRIVELESS shuttle trials. Heathrow, Longford, 6 abr. 2017. Disponível em:
<[Link]
based-heathrow-pods>. Acesso em: 6 dez. 2019
HOLANDA se prepara para vender apenas carros elétricos em 10 anos.
Hypeness, [S.l.], 5 abr. 2016. Disponível em:
<[Link]
apenas-carros-eletricos-em-10-anos/>. Acesso em: 6 dez. 2019.
IESE BUSINESS SCHOOL. IESE Cities in Motion Index 2019. Navarra:
University of Navarra, 2019. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 6 dez. 2019.
O SURGIMENTO das cidades inteligentes. Moobie, [S.l.], 15 jun. 2018. Disponível
em: <[Link]
conheca-4-iniciativas-de-mobilidade-urbana/>. Acesso em: 6 dez. 2019
PREFEITURA DE PARIS. Paris Smart and Sustainable: Looking Ahead to
2020 and Beyond. Paris: Paris Ville Intelligente et Durable, 2018. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 6 dez. 2019.
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