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Startups - Transformando Cidades Tradicionais em Cidades Inteligentes

A aula aborda o conceito de smart cities na América Latina, destacando como startups podem contribuir para melhorar a qualidade de vida nas cidades. Exemplos de cidades como Curitiba, Santiago e Medellín são apresentados, enfatizando suas inovações em transporte, tecnologia e gestão pública. A discussão ressalta a importância da colaboração entre diversos atores para o desenvolvimento sustentável e a transformação das cidades tradicionais em cidades inteligentes.

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Startups - Transformando Cidades Tradicionais em Cidades Inteligentes

A aula aborda o conceito de smart cities na América Latina, destacando como startups podem contribuir para melhorar a qualidade de vida nas cidades. Exemplos de cidades como Curitiba, Santiago e Medellín são apresentados, enfatizando suas inovações em transporte, tecnologia e gestão pública. A discussão ressalta a importância da colaboração entre diversos atores para o desenvolvimento sustentável e a transformação das cidades tradicionais em cidades inteligentes.

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AULA 6

STARTUPS - TRANSFORMANDO
CIDADES TRADICIONAIS EM
CIDADES INTELIGENTES

Profª Janaina Camile Pasqual Lofhagen


CONVERSA INICIAL

O tema smart city tem sido cada vez mais discutido nos cenários
internacionais, principalmente quando se trata de as cidades proporcionarem
melhor qualidade de vida para seus cidadãos.
Nesta aula, vamos estudar alguns exemplos de smart cities na América
Latina e, ao final, veremos como as startups podem contribuir para desenvolver e
ampliar os conceitos de smart city. Por terem fortes características de inovação e
base tecnológica, os conceitos e aplicações de smart city podem contribuir e muito
para o melhor andamento das cidades e uma melhor qualidade de vida para as
pessoas que nelas habitam.
Bons estudos!

TEMA 1 – SMART CITIES NA AMÉRICA LATINA

Quando falamos sobre smart cities, geralmente nos concentramos em


exemplos da Europa ou da América do Norte. Eles geralmente oferecem uma
visão mais completa e uma melhor execução das estratégias de cidades
inteligentes como Barcelona, Hamburgo ou Toronto, que tendem a chamar toda a
atenção. Porém, outras regiões, como a América Latina, também merecem
destaques quanto a iniciativas e políticas públicas que estão sendo
implementadas e que já são referência para outros países do globo.
A América Latina é a região em desenvolvimento com maior taxa de
urbanização do planeta e as estimativas da Organização das Nações Unidas
(ONU, 2019) indicam que, até 2050, cerca de 90% da sua população estará
habitando em áreas urbanas, principalmente em megacidades.
Com esse cenário, há um grande desafio para os países, principalmente
no que se refere a solucionar as principais dificuldades dessas imensas
aglomerações urbanas, incluindo temas como a pobreza, a insegurança, a
poluição e a mobilidade.
As smart cities podem proporcionar a oportunidade dos países de melhorar
significativamente sua gestão urbana, assunto que se tornou recorrente
recentemente. Nos últimos cinco anos, a cidade inteligente vem sendo objeto de
análises e debates em congressos empresariais, bem como no crescente número
de artigos científicos elaborados e encontros de gestores municipais a respeito.

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Além disso, o surgimento de rankings de cidades inteligentes levou muitos
prefeitos a competirem visando conquistar sua posição na lista e não ficar por
último entre as supostas cidades “não inteligentes”. Para os cidadãos, a cidade é
o principal espaço de interação social legalmente constituído e do seu bom
funcionamento depende a maioria dos fatores que condicionam sua qualidade de
vida. O estabelecimento e incentivo a um diálogo profundo sobre a gestão
municipal, inclusive na América Latina, deveria incidir sobre um aperfeiçoamento
do fornecimento de serviços públicos e uma melhoria da convivência.
O uso da tecnologia pode contribuir consideravelmente para a solução dos
desafios básicos e recorrentes na região e, além disso, daqueles específicos de
cada país, já que as cidades precisam ter sua própria personalidade. De um lado,
a diferenciação é uma das formas de concorrer para atrair investimentos, talentos
e outros tipos de recursos; de outro lado, a personalidade da cidade é o resultado
da livre participação dos cidadãos na tomada de decisões sobre o futuro do projeto
compartilhado no qual vivem.
A visão ampla do conceito de smart city, que identifica a oportunidade, para
a América Latina, no debate gerado em torno da gestão municipal – lembrando-
se de não considerar seu foco único na tecnologia –, requer a intensificação do
ecossistema para conquistar o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos
cidadãos. A colaboração e interação entre os diferentes atores do ecossistema
(governos, empresas, universidades, pesquisadores, terceiro setor e cidadãos)
proporcionará mais eficiência para que as cidades avancem mais rápido no
desafio de serem smarts, isso compreendido como aquilo que as transforma em
autênticas.
A maioria das cidades latino-americanas que alcançam os diferentes
rankings por suas iniciativas inteligentes são megacidades de mais de 10 milhões
de habitantes, o que as torna tecnicamente uma antítese de uma cidade
verdadeiramente inteligente, pois não há nada social ou ambientalmente
sustentável nelas. No entanto, considerando que o impacto social que as
estratégias de cidades inteligentes meditadas poderiam ter, nesse contexto, é
enorme, quando se trata de criar vidas melhores para seus cidadãos, torna-se
importante estudar as iniciativas implementadas em cidades como Santiago
(Chile), Curitiba (Brasil) e Medellín (Colômbia).

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TEMA 2 – CURITIBA (BRASIL)

A cidade de Curitiba é reconhecida mundialmente pelo seu sistema


inovador de transporte, com a implementação do bus rapid transit (BRT), que
passou a ser replicado em diversas cidades do mundo.
Em 2018, a capital paranaense ficou no topo do ranking Connected Smart
Cities, que define as cidades mais inteligentes do Brasil. Esse estudo avalia 70
indicadores que contemplam os eixos de urbanismo, mobilidade, energia, meio
ambiente, tecnologia e inovação, economia, educação, saúde, segurança,
empreendedorismo e governança. Como estudamos anteriormente, todas essas
áreas são de extrema importância para que uma cidade possa ser considerada
smart.
Aquele foi o primeiro ano em que Curitiba conquistou a liderança do estudo.
O Instituto das Cidades Inteligentes (ICI), organização responsável pelo
desenvolvimento de soluções e sistemas para a cidade, afirma que o
reconhecimento é a resposta à gestão participativa do cidadão, com integração e
facilidades para o acesso aos principais serviços públicos (10 razões, 2019). As
principais iniciativas responsáveis por se eleger Curitiba como uma smart city são:
Vale do Pinhão, Central 156 e Tecnoparque.

2.1 Vale do Pinhão

Considerado um ecossistema de inovação, o Vale do Pinhão surgiu em


2017 pela iniciativa da Prefeitura de Curitiba, por meio da Agência Curitiba de
Desenvolvimento S/A, e visa promover ações para tornar Curitiba mais inteligente.
É considerado um movimento de atuação conjunta que envolve diversos
stakeholders, como Poder Público, universidades, aceleradoras, incubadoras,
fundos de investimento, centros de pesquisa e desenvolvimento, startups,
movimentos culturais e criativos e a sociedade (Vale do Pinhão, S.d.).
A iniciativa está organizada em seis pilares alinhados com os objetivos de
desenvolvimento sustentável (ODS) da ONU:

1. Educação
2. Empreendedorismo
3. Tecnologia
4. Reurbanização e desenvolvimento
5. Integração e articulação do ecossistema de inovação
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6. Fomento fiscal

Curitiba, atualmente, é líder na geração de empregos na área de tecnologia


da informação (TI) no estado do Paraná. Para se ter uma noção, a arrecadação
de Imposto sobre Serviços (ISS) cresceu 20% no primeiro trimestre, na
comparação com o mesmo período do ano passado.
Em setembro de 2018, como dito, a cidade conquistou o título de cidade
mais inteligente e conectada do país, segundo o ranking Connected Smart Cities
2018. O estudo analisou 700 municípios, visando identificar e mapear as cidades
com maior potencial de desenvolvimento no Brasil. Além dessa conquista, o
aplicativo Saúde Já foi campeão do Latam Smart City Awards 2018, premiação
internacional realizada no México.
Um grande incentivo para que o Vale do Pinhão promovesse um novo
desenvolvimento sustentável de toda a Curitiba foi dado em novembro de 2018,
com a sanção da nova Lei de Inovação, como é conhecido o Decreto n.
9.283/2018. Essa lei criou um arcabouço jurídico para a atuação do Poder Público
na área de inovação e também estabeleceu o Conselho de Ciência, Tecnologia e
Inovação (CTI) e as diretrizes para diminuir a burocracia e incentivar o
relacionamento entre todo o ecossistema de inovação (Brasil, 2018).
Em 2019, a capital paranaense esteve entre as cidades finalistas do World
Smart City Awards 2019, premiação promovida pelo Smart City Expo World
Congress, maior evento de cidades inteligentes do mundo. A cidade foi
selecionada, entre mais de 400 outros projetos desenvolvidos por governos,
empresas, centros de pesquisa e startups de 54 países, por seu projeto do Vale
do Pinhão.
Entre as ações já desenvolvidas pelo Vale do Pinhão estão a abertura dos
Faróis do Saber e Inovação, em que a comunidade e os estudantes podem
construir protótipos com base em impressoras 3D; “[...] o lançamento de
aplicativos como o Curitiba App e o Saúde Já, que aproximam a prefeitura dos
cidadãos; e a inauguração dos coworkings públicos (Worktibas) no Barigui e no
Cine Passeio” (Vale do Pinhão, S.d.).

2.2 Central 156

A Central 156 foi criada em 1984 com o objetivo de oferecer aos cidadãos
informações, por telefone, sobre alvarás e serviços, visando diminuir as filas no

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balcão de atendimento da Prefeitura de Curitiba e aproximar a população da
administração municipal.
Com o tempo, essa central foi modernizada e atualmente está disponível
24 horas por dia e nos 7 dias da semana. Além do telefone, a central também está
disponível por meio de chat pela internet e oferece serviços on-line. On-line ou por
telefone, é possível registrar demandas e solicitar informações sobre mais de 2,5
mil assuntos, como acessibilidade, transporte coletivo, pavimentação, coleta de
lixo, saúde, educação, iluminação pública, impostos, entre outros.
A central é muito utilizada pela população e, em 2018, contabilizou mais de
1,4 milhão de atendimentos (Central 156, S.d.).

2.3 Tecnoparque

O programa Tecnoparque é gerido pela Agência Curitiba de


Desenvolvimento e foi criado com os objetivos de fomentar o desenvolvimento de
empresas de base tecnológica e instituições de ciência e tecnologia e difundir a
cultura de conhecimento e inovação de setores estratégicos de alta tecnologia no
município de Curitiba.
A empresa que atende às exigências legais e tem seu projeto de pesquisa
e inovação (PPI) aprovado no Comitê de Fomento (Cofom) do programa recebe
redução de 5% para 2% na alíquota do ISS a ser recolhido. Isso beneficia
principalmente iniciativas dos setores de:

 fabricação e serviços em sistemas de telecomunicações;


 fabricação e serviços de informática;
 pesquisa e desenvolvimento tecnológicos;
 biotecnologia, nanotecnologia, novos materiais, tecnologias em saúde e em
meio ambiente, entre outros setores de base tecnológica (Agência Curitiba,
2019).

TEMA 3 – SANTIAGO (CHILE)

Apesar de a cidade historicamente lutar contra a contaminação do ar e o


congestionamento do tráfego, Santiago está um passo à frente de outras cidades
da América do Sul graças a sua economia estável e transparência do governo. O
apoio ao empreendedorismo (por meio de iniciativas como a Startup Chile) tem

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sido outro fator-chave para conquistar Santiago o título de centro de inovação da
América Latina.
O fato de que várias partes interessadas importantes (como uma
organização sem fins lucrativos chamada País Digital, um think tank chamado
Fraunhofer, a Universidad del Desarrollo e o Ministério de Transportes e
Telecomunicações – MTT) se comprometeram a assumir a causa da cidade
inteligente também é de vital importância para o sucesso de Santiago nesse
aspecto.
No inverno, quando há pouca chuva ou vento para eliminar a poluição, que
permanece presa no vale, a vida em Santiago se torna insuportável. Depois de
declarar um estado de emergência ambiental há três anos, as autoridades
chilenas reconheceram a importância da mobilidade limpa. Seu objetivo é
aumentar o número de veículos elétricos em dez vezes, até 2022. Uma frota de
cem ônibus elétricos – com outros cem prontos para chegar, em um estágio
posterior – já está rodando por Santiago, tornando-a a primeira cidade latino-
americana a investir pesadamente em energia elétrica para mobilidade urbana.
Por outro lado, isenções de impostos ambientais e faixas exclusivas de
tráfego são oferecidas a cidadãos que mudam para veículos com maior eficiência
energética. O mesmo se aplica aos motoristas de táxi e caminhão. A falta de
estações de carregamento e os altos custos iniciais de compra foram identificados
como as maiores barreiras à adoção maciça de veículos elétricos e híbridos. Mas,
o governo garante que eles estão trabalhando em uma solução.
A partir de 1º de fevereiro de 2019, os cidadãos de Santiago passaram a
ter um sistema de compartilhamento de bicicletas oferecido pela PBSC Urban
Solutions, fornecedor global de sistemas de mobilidade urbana sustentável. O
sistema consiste em 3,5 mil bicicletas e 350 estações movidas a energia solar
dispostas em toda a cidade.
Outra iniciativa para superar a dependência da cidade com relação aos
carros surgiu da Startup Chile. A Kappo Bike, uma plataforma premiada
desenvolvida na cidade, decidiu tornar o ciclismo mais seguro, fornecendo ao
governo local dados sobre as rotas mais movimentadas que não têm ciclovias.
Isso permitirá identificar as necessidades dos ciclistas e melhorar a infraestrutura
de bicicletas da cidade.
As estratégias inteligentes mencionadas são a melhor esperança de
Santiago para superar os problemas relacionados à contaminação do ar e ao

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congestionamento do tráfego, de uma só vez. E, mesmo que muitos aspectos do
espectro de cidades inteligentes não sejam cobertos por essas estratégias,
aplaudimos as iniciativas para enfrentar os maiores desafios da vida urbana.

TEMA 4 – MEDELLÍN (COLÔMBIA)

Medellín, capital da província de Antioquia, tem uma população de


2.464.322 habitantes e é a segunda cidade mais populosa da Colômbia. Medellín
está localizada no centro do vale de Aburra, na cordilheira central dos Andes. A
cidade passou por uma transformação milagrosa de uma capital de drogas para
um centro de tecnologia e inovação. De 1991 a 2010, a taxa de homicídios de
Medellín caiu quase 80%, graças à adoção de uma série de estratégias
inteligentes orientadas para o cidadão (Flórez, 2016).
Por meio do programa Medellin Smart City (MDE), a cidade está
implementando projetos para criar zonas de acesso gratuito à internet, centros
comunitários onde as tecnologias da informação e comunicação (TICs) podem ser
acessadas, um portal de cocriação intitulado Mi Medellín, com dados abertos,
transações on-line e outros serviços que visam alcançar participação cidadã,
governo aberto, inovação social na solução de problemas e sustentabilidade do
projeto.
Outra estratégia é a criação do Sistema de Mobilidade Inteligente (Medellín
Integrated Mobility System), que, com o uso da tecnologia de um centro de
operações e de uma série de serviços de monitoramento e controle, conseguiu
reduzir o número de acidentes e proporcionar melhoria da mobilidade e redução
do tempo de resposta a incidentes.
Além disso, a prefeitura da cidade construiu bibliotecas públicas, parques
e escolas em bairros pobres das colinas e uma série de ligações de transporte de
lá para seus centros comerciais e industriais. Por exemplo, os dez parques da
região reúnem seus bairros vizinhos para eventos e leitura. Agora também há um
cinturão verde metropolitano de 75 quilômetros de extensão, onde se planeja
construir jardins comunitários, espaços de lazer, trilhas para caminhadas e
moradias para alguns dos moradores mais pobres.
Medellín também se esforçou para alcançar grande transparência na
governança. A plataforma on-line [Link] permite que os habitantes locais
tomem suas próprias decisões sobre como gastar os 5% do orçamento da cidade
que são distribuídos pelos seus bairros – alocado para educação, infraestrutura

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ou eventos culturais. Um programa de saúde pública, Buen Comienzo, fez muito
para melhorar a vida dos moradores de baixa renda, oferecendo vários programas
de saúde e educação para apoiar as famílias durante os primeiros cinco anos de
vida de seus filhos.
Essas mudanças ocorreram com muitas dificuldades. A integração de
entidades que prestam serviços tem sido lenta, com ausência de acordos
interadministrativos que permitam o compartilhamento de informações. O atraso
tecnológico, em alguns dos componentes, impossibilitou a integração, e a falta de
recursos de algumas entidades impediu uma campanha mais forte que
comunicasse informações sobre os serviços disponíveis.
A inovação de cidades inteligentes não é apenas tecnológica, mas também
social. Deve buscar a sustentabilidade em cada projeto ou serviço, garantindo
fontes de renda e adjudicação, aos seus operadores, que durem mais que as
mudanças no governo. Também deve incluir renovação e manutenção tecnológica
para garantir a continuidade dos projetos em andamento (Flórez, 2016).
Em Medellín, uma série de serviços centrados no cidadão estão
melhorando a qualidade de vida dos que lá residem. Embora esses serviços ainda
precisem evoluir substancialmente para alcançar integração e previsibilidade, eles
já estão mostrando resultados em capacidades desenvolvidas para o
gerenciamento futuro de uma cidade inteligente consolidada.
O programa Cidade Inteligente de Medellín espera que, até 2020, essa
estratégia melhore a qualidade de vida dos cidadãos, dando continuidade e
ampliando as ações existentes e desenvolvendo novas estratégias usando as
TICs como forma de contribuir para a solução de problemas e criar oportunidades
na educação, segurança, mobilidade, meio ambiente, desenvolvimento
econômico, moradia, participação do cidadão e equidade social.
As linhas estratégicas do programa Medellín Smart City são as seguintes:

 Participação cidadã: criar uma cultura de participação por meio de espaços


adequados, que reflitam as propostas dos moradores nas políticas públicas
da cidade.
 Governo aberto: gerar, promover e posicionar dados abertos. As
informações desenvolvidas pela administração municipal, órgãos públicos,
empresas e instituições acadêmicas devem ser disponibilizadas para uso
e benefício dos cidadãos, por meio das TICs, como em redes sociais,
páginas da web e aplicativos.

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 Inovação social: promover processos que permitam aos cidadãos modificar
seu ambiente, transformar sua realidade e encontrar soluções para seus
problemas.
 Sustentabilidade: desenvolver projetos para promover a sustentabilidade e
garantir condições econômicas, ambientais, políticas e sociais para as
gerações atuais e futuras (Flórez, 2016).

TEMA 5 – IMPORTÂNCIA DAS STARTUPS NO CENÁRIO DAS SMART CITIES

As previsões da ONU apontam que a população mundial deverá aumentar


em 2 bilhões de pessoas nos próximos 30 anos: de 7,7 bilhões, atualmente, para
9,7 bilhões, em 2050 (ONU, 2019). Esse rápido aumento da população, aliado a
restrições financeiras e ao desejo de se reduzir o seu impacto ambiental, estão
criando novos desafios para as cidades em áreas como uso de energia,
mobilidade, segurança e governança.
As políticas e tecnologias que ajudarão as cidades a enfrentar esses
desafios vieram para definir o conceito de smart cities. O ímpeto de fazer mais
com menos afeta todos os tipos de cidades, das maiores, que podem estar lutando
com a mobilidade, às menores, que podem procurar reduzir a pegada ambiental.
Na última década, o termo smart se tornou sinônimo de salas de controle,
no estilo da Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa), que
monitoram grandes sistemas, projetados e construídos por fornecedores globais
de tecnologia como IBM, Siemens e Cisco. Historicamente, esse tipo de trabalho
era praticamente impossível para pequenas empresas e startups, mas o
ecossistema emergente está permitindo novas abordagens. As startups são
possibilitadas por um crescente ecossistema de tecnologias de consumo, dados
abertos, políticas de cidades de suporte, programas focados em startups urbanas,
compras abertas e organizações envolvidas em tudo, desde financiamento a
pesquisa.
As startups podem aproveitar esse ecossistema adotando as seguintes
estratégias:

a. Vender diretamente aos cidadãos: os líderes urbanos procuram os


cidadãos para ajudar a definir prioridades para o investimento em novas
soluções. No entanto, os cidadãos também demonstraram vontade de
procurar, testar e pagar diretamente por soluções em que possam obter

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benefícios diretos, principalmente em áreas como sustentabilidade e
mobilidade.
b. Construir, em conjunto, dados da cidade aberta: aplicativos de serviços
como Google Maps ou Twitter tornaram-se recursos importantes. O
surgimento de padrões, ferramentas e políticas de suporte estão
disponibilizando um conjunto crescente de dados em tempo real.
c. Desenvolver políticas-padrão das cidades: as cidades se procuram e se
comunicam cada vez mais para entender quais políticas estão funcionando.
Com os padrões de dados, políticas semelhantes significam que as
startups não precisam adaptar produtos e serviços a situações únicas em
cada cidade.
d. Vender para as cidades por meio de contratos abertos: as cidades estão
encontrando novas maneiras de expandir as solicitações de propostas,
para permitir mais participação de pequenas e médias empresas. Há,
também, mais cidades adotando programas-piloto para testar novos
produtos e serviços, dando às startups mais oportunidades para avaliar
protótipos e transformar sucessos-piloto em oportunidades de vendas.

Os governos locais estão agindo porque estão sendo solicitados a fazer


mais com menos. Mas, as cidades não estão trabalhando sozinhas. Cada vez
mais elas recebem apoio de instituições como fundações e organizações sem fins
lucrativos que financiam pesquisas e facilitam a comunicação para compartilhar o
que está funcionando. Algumas dessas pesquisas estão gerando startups para
ajudar com partes críticas de dados abertos e ecossistemas de compras e as
startups estão se unindo para fazer lobby por políticas mais padronizadas em
áreas como a economia compartilhada.
Alguns dos principais desafios das startups para a implementação e
ampliação das smart cities são:

a. a necessidade de fazer conexões significativas não apenas com os


funcionários públicos e gestores da cidade, mas também com empresas
privadas e cidadãos;
b. suas ideias precisam se expandir em cidades muito diferentes, com
diferentes demografias e desafios, aumentando a complexidade dos
estudos e propostas;
c. as ideias podem ser difíceis de testar quando há aplicativos muito simples;

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d. alguns setores têm mais apelo do que outros – por exemplo, pode ser mais
fácil obter financiamento para uma ideia de mobilidade inteligente do que
para o gerenciamento de uma rede de energia;
e. há uma tendência de adotar novas tecnologias para problemas sociais sem
explicar adequadamente os pontos fortes e fracos de seu uso em relação
a outras opções.

Com isso, podemos verificar que as startups têm um papel fundamental na


modernização, desenvolvimento de novos aplicativos e ampliação das smart cities
pelo mundo.

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REFERÊNCIAS

10 RAZÕES que fazem de Curitiba a cidade mais inteligente do Brasil. IT Forum


365, 8 jan. 2019. Disponível em: <[Link]
fazem-de-curitiba-cidade-mais-inteligente-do-brasil/. Acesso em: 19 nov. 2019.

AGÊNCIA CURITIBA. Tecnoparque. Curitiba, 2019. Disponível em:


<[Link] Acesso em: 19 nov. 2019.

BRASIL. Decreto n. 9.283, de 7 de fevereiro de 2018. Diário Oficial da União,


Brasília, p. 10, 8 fev. 2018. Disponível em:
<[Link]
Acesso em: 19 nov. 2019.

CENTRAL 156. Serviços da Central 156. Curitiba: ICI, S.d. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 19 nov. 2019.

FLÓREZ, D. A. International Case Studies of Smart Cities. Medellín: IDB, 2016.


Disponível em:
<[Link]
[Link]>. Acesso em: 19 nov. 2019.

ONU – Organização das Nações Unidas. Growing at a slower pace, world


population is expected to reach 9.7 billion in 2050 and could peak at nearly
11 billion around 2100. Nova York, 17 jun. 2019. Disponível em:
<[Link]
[Link]>. Acesso em: 19 nov. 2019.

VALE DO PINHÃO. Como funciona o Vale do Pinhão? Curitiba: Agência


Curitiba de Desenvolvimento S/A, S.d. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 19
nov. 2019.

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